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Pesquisa revela altos índices de abuso sexual e violência contra adolescentes

Insegurança, bullying, depressão, violência doméstica e abuso de álcool são frequentes

Índices de abuso sexual contra adolescentes são alarmantes e merecem atenção (IStockphoto)

Um em cada sete adolescentes brasileiros em idade escolar já sofreu algum tipo de abuso sexual ao longo da vida, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019. Realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a sondagem, divulgada nesta sexta-feira (10), apontou também que quase 9% das meninas já foram obrigadas a manter relação sexual contra a vontade. Dois terços dos escolares informaram já ter ingerido algum tipo de bebida alcoólica. Desse total, um em cada três o fez antes de completar 14 anos.

Na coleta dos dados, o IBGE entrevistou quase 188 mil estudantes. Eles responderam às questões em 4.361 escolas de 1.288 municípios brasileiros. Segundo o instituto, o Brasil tinha, em 2019, 11,8 milhões de estudantes de 13 a 17 anos.

Dentre os diversos temas abordados sobre saúde e comportamento, casos envolvendo algum tipo de abuso sexual chamaram a atenção. Segundo os números apresentados, 14,6% dos entrevistados responderam que já foram tocados, manipulados, beijados ou passaram por situações de exposição de partes do corpo alguma vez contra a vontade. Entre as meninas, o porcentual de vítimas chegou a 20,1% dos entrevistados, e 9% dos meninos.

No conjunto de jovens que sofreram esses abusos, alguns relataram que, além dessas agressões, também foram obrigados a manter relação sexual. Esses adolescentes equivalem a 6,3% dos entrevistados. Também nesse caso, as meninas foram mais atacadas. A pesquisa mostrou que 8,8% das garotas foram vítimas dessas relações forçadas, contra 3,6% do total de garotos.

Especialistas têm apontado que o contexto da pandemia pode ter prejudicado a identificação e denúncias desses casos, uma vez que crianças e adolescentes ficaram afastados da escola, da comunidade e de redes de proteção. A redução do contato social torna mais difícil o combate a essas práticas criminosas, que podem ser enquadradas desde importunação sexual a estupro de vulnerável, com penas previstas no Código Penal.

Ao todo, 63,3% dos estudantes de 13 a 17 anos informaram ter ingerido pelo menos uma dose de bebida alcoólica. A pesquisa também apontou que 47% dos escolares afirmaram ter passado por algum episódio de embriaguez. O uso de drogas ilícitas foi relatado por 13% dos estudantes entrevistados. Mais de um quinto (22,6%) deles afirmou já ter fumado pelo menos um cigarro. Nos dois casos, a prevalência foi maior nas escolas da rede pública.

Bullying

A pesquisa também revelou dados impressionantes sobre bullying. Em 2019, um em cada cinco estudantes (21,4%) de 13 a 17 anos afirmou ter sentido que a vida não valia a pena ser vivida nos 30 dias anteriores à pesquisa. No mesmo período, quase um quarto (23%) disse ter sofrido bullying de colegas.

Em 2018, o então presidente Michel Temer sancionou uma lei de combate ao bullying nas escolas. O texto alterou um trecho da Lei 9.394, de 1996, e passou a ampliar as obrigações das escolas em promover medidas de conscientização, prevenção e combate ao bullying.

O novo texto também busca combater outros tipos de violência como agressão verbal, discriminação, furto e roubo. O bullying, inclusive, foi apontado pela polícia como um dos fatores que levaram um adolescente de 14 anos a atirar contra colegas em uma escola de Goiânia, em 2017. Dois alunos foram mortos e outros quatro ficaram feridos.

Dados

Entre os estudantes que responderam à pesquisa do IBGE, 35,4% declararam já ter tido sua iniciação sexual. Apenas 63,3% deles usaram preservativo em sua primeira relação. E 40,9% não o utilizaram na última relação.

Ainda de acordo com a pesquisa, 11,6% dos estudantes de 13 a 17 anos deixaram de ir à escola por não se sentirem seguros no trajeto de ida ou volta para casa. Nesse caso, o porcentual entre os alunos de escolas públicas é mais que o dobro da rede privada. E 21% afirmaram terem sido agredidos pelo pai, mãe ou responsável alguma vez nos últimos 12 meses.

 

Agência Estado/Dom Total

https://domtotal.com/

 

 

 

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Secom gera revolta com foto de homem armado divulgada no Dia do Agricultor; CNDH oficia governo

Planalto publicou e depois apagou postagem em tom belicoso, de homem com arma representando trabalhador do campo

Foto: Reprodução

Uma postagem publicada nas redes sociais pelo governo Bolsonaro nesta quarta-feira (28) em referência ao Dia do Agricultor gerou uma série de protestos entre associações do campo, membros de entidades da luta agrária e internautas nas redes sociais. A mensagem escolhida pela Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da gestão traz a foto da silhueta de um suposto agricultor com uma espingarda no ombro em meio a uma plantação.

Organizações como a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) reagiram à iniciativa. A secretária de Política Agrícola da entidade, Vânia Marques Pinto, classifica a mensagem como “absurda” e observa que a peça publicitária dialoga diretamente com os conflitos no meio rural, tema em que o Brasil tem destaque negativo histórico.

“Nós não esperávamos, mas não é algo que surpreende, pelo tipo de governo que temos. Mas não deixa de ser algo absurdo associar um agricultor à imagem de um jagunço, de uma pessoa armada, incitando a violência no campo”.

Em nota publicada logo após a postagem da gestão, a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) repudiou a iniciativa e chamou-a de “belicista e desrespeitosa”.

“Ao utilizar a imagem de um caçador portando uma espingarda em savana africana, adquirida em um banco de imagens pagas, o governo demonstra, mais uma vez, seu desconhecimento da realidade da agricultura familiar no Brasil, marcada pela solidariedade, generosidade e dedicação para prover alimentos de verdade para as famílias brasileiras”, diz o texto, ao rechaçar o símbolo.

A foto escolhida pela Secom para ilustrar o post foi batida na África do Sul e retirada de um banco internacional de imagens.  A professora e pesquisadora Helena Martins, do curso de publicidade da Universidade Federal do Ceará (UFC), ressalta que a confecção de um material de comunicação dessa natureza passa, em geral, por um amplo processo de análise, por se tratar de um conteúdo de comunicação institucional.

“Uma peça como essa é pensada, é pautada, é avaliada, discutida e finalmente é aprovada, passando, portanto, por uma complexa cadeia hierárquica de definições que acabam levando à sua publicação”, explica a professora, que analisou o material a pedido do Brasil de Fato.  

“É preciso se ter em vista que, em comunicação, tudo significa. As cores, os textos, as imagens são escolhidos para gerar um determinado significado que o produtor da mensagem busca atingir”, explana Helena. 

“A meu ver, o sentido que o governo quis produzir com essa peça está muito claro: é a ideia de, de fato, armar as pessoas, algo que ele está fazendo, inclusive, por meio de uma série de políticas. Além disso, reforça a ideia de que [o campo] é um espaço de conflito, e ele sustenta, naturaliza e legitima esse conflito”.

Violência

O Brasil vive, durante o governo Bolsonaro, um cenário de escalada da violência na zona rural. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), que monitora o problema desde 1985, o número de conflitos no campo registrados no país subiu de 1.547 em 2018 para 1.903 em 2019, primeiro ano da gestão do ex-capitão do Exército.

Armas apreendidas durante operação policial no Pará, em 2019 / Thiago Gomes/Agência Pará

No intervalo entre 2019 e 2020, a comissão verificou um novo aumento, com 2.054 ocorrências notificadas. Além disso, houve pelo menos 50 assassinatos no meio rural durante o primeiro biênio do governo Bolsonaro, que também ampliou o acesso a armas de fogo no país, com regras que facilitam a aquisição e a posse desse tipo de produto.

Armas apreendidas durante operação policial no Pará, em 2019 / Thiago Gomes/Agência Pará

O tema, inclusive, também foi lembrado na postagem feita pela Secom nesta quarta, que destaca que o presidente da República “estendeu a posse de arma do proprietário rural a toda a sua propriedade”.

Para Alexandre Conceição, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), a postagem é um espelho da gestão Bolsonaro, geralmente associada aos discursos de criminalização da luta agrária e das organizações do campo. O presidente da República é um conhecido opositor do MST, por exemplo, já tendo feito diferentes acenos públicos nesse sentido.

“O 28 de julho é Dia do Agricultor, e não do atirador ou do miliciano. Então, é lamentável, mas, ao mesmo tempo, é compreensível, porque o governo que está aí é um governo miliciano, atirador e que investe em armas enquanto o país passa pela fome. Com essa imagem, ele representa o que pensa da agricultura brasileira, que é uma agricultura voltada à grilagem de terras, ao atirador, ao matador, à violência”, critica o líder do MST.  

CNDH

O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) também reagiu à postagem da Secom. O órgão oficiou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nesta quarta para manifestar preocupação e solicitar informações a respeito da propaganda. O CNDH pediu explicações sobre o porquê da utilização de uma foto com arma de fogo para representar os agricultores e estipulou cinco dias como prazo de retorno para o governo.

Após a repercussão negativa, a Secom apagou a publicação, que havia sido veiculada pela manhã nos perfis institucionais do governo no Twitter, no Facebook e no Instagram.

Na sequência, o órgão postou outro conteúdo, desta vez uma imagem com estatísticas relacionadas ao setor de agricultura. A postagem destaca concessões de títulos de terra, números do Plano Safra e também o que a gestão chamou de “invasões de terra”, conceito que a ala mais conservadora disputa com o campo progressista, onde tais práticas são tratadas como “ocupações”.

Em geral, movimentos do campo organizam ocupações como ações de cunho político-ideológico que chamam a atenção para propriedades de terra improdutivas e que geralmente estão situadas em áreas originalmente da União.

Esse tipo de prática, historicamente reconhecida como parte da cartilha de entidades populares agrárias, faz frente ao agronegócio e tem o objetivo de exercer pressão para que áreas dominadas por especuladores sejam encaminhadas para a reforma agrária, que beneficia camponeses e pequenos agricultores. A política é administrada pelo Estado por meio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

“É por causa disso que, olhando pra uma postagem como essa que o governo soltou hoje, a gente entende que é preciso manter a nossa orientação política. Ela inclui cuidar da vida, da alimentação, distribuir alimentos saudáveis como forma de solidariedade com aqueles que necessitam e seguir com a nossa luta contra o latifúndio e contra o governo Bolsonaro”, diz Alexandre Conceição.

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Assassinatos de pessoas trans aumentaram 41% em 2020

Relatório da Antra mostra que 175 mulheres trans foram assassinadas ano passado; 78% das vítimas fatais eram negras

Cerca de 70% das travestis e mulheres transexuais não conseguiram acesso às políticas emergenciais durante a crise do coronavírus – Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Em 2020, 175 mulheres trans foram assassinadas no Brasil. O número representa um aumento de 41% em relação ao ano anterior, quando 124 pessoas trans foram mortas.

O dado é apresentado no dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), lançado nesta sexta-feira (29), Dia Nacional da Visibilidade Trans.

O índice do ano passado está 43,5% acima da média de assassinatos em números absolutos desde 2008, quando o monitoramento foi iniciado. Houve um aumento de 201% dos crimes nesse período.

Diferente dos outros anos, em 2020 todos os assassinatos foram contra travestis e mulheres trans, não tendo sido encontradas evidências sobre o assassinato de homens trans/transmasculinos.

Os meses com o maior número de assassinatos foram janeiro, fevereiro, maio, junho, agosto e dezembro. Ou seja, houve aumento significativo das mortes mesmo durante a pandemia do novo coronavírus, quando a população trans se encontrou em maior situação de vulnerabilidade socioeconômica.

Fonte: Dossiê Antra 2020

Em números absolutos, São Paulo foi o estado que registrou a maioria das mortes, com 29 assassinatos, um aumento de 38% dos casos em relação ao ano anterior. Esta é a segunda alta consecutiva no estado, já que em 2019 houve aumento de 50% em relação a 2018.

São Paulo é seguido pelo Ceará, com 22 casos, um aumento de 100% em um ano. O estado nordestino chamou a atenção da mídia pelos recorrentes casos entre julho e agosto, período em que ocorreram nove assassinatos.

A Bahia aparece em terceiro, com 19 assassinatos. Os três estados aparecem entre os primeiros na lista desde 2017.

Já Minas Gerais e Rio de Janeiro ocupam, respectivamente, a quarta e quinta posição no relatório.

Bruna Benevides, secretária de articulação política da Antra e uma das autoras do dossiê, afirma que a violência contra a população trans está intimamente ligada à falta de direitos básicos como educação e saúde, assim como a exclusão familiar e ausência completa de políticas públicas.

Foram as diversas formas de violências e o descaso estrutural do Estado que, segundo ela, impossibilitaram as mulheres trans de realizar o isolamento social durante a proliferação do coronavírus, deixando-as mais expostas à contaminação e à violência durante a maior crise sanitária da história.

“Estamos falando de uma população onde a maioria vive em situação de vulnerabilidade e realmente precisou, durante a pandemia, continuar na rua e tendo que se prostituir. Onde elas eram muito mais expostas, visto que tinha menos policiamento, menos pessoas na rua, um cenário que favorece a impunidade”, diz Bruna.

A Antra identificou que 72% dos assassinatos foram justamente de travestis e mulheres transexuais profissionais do sexo. Segundo a organização aponta, 90% desta população está a prostituição, enquanto somente 6% está no mercado formal e 4% na informalidade.

Mulher trans e militar da marinha, Benevides afirma ainda que os crimes são caracterizados por requintes de crueldade, pelo uso excessivo da força e vandalização dos corpos. Para ela, os assassinatos são impulsionados pelo discurso de ódio reverberado em todo o Brasil.

“Observamos um aumento desproporcional [dos casos] no mesmo momento em que a política governamental, principalmente o governo federal, admite publicamente, inclusive na esfera internacional, uma agenda e postura anti-trans e anti-gênero“, aponta Benevides.

Segundo ela, ao se posicionar contra o debate da diversidade de gênero, o governo torna a população trans em uma inimiga. “Quando isso entra na mente do cidadão comum, estimula esse ódio que se reverbera em um assassinato. O discurso não mata, mas direciona o alvo da violência”, critica a ativista.

Além dos casos de morte violenta, Benevides ressalta que esse discurso também “leva ao suicídio, ao adoecimento por questões de saúde mental”.

“São vários assassinatos: o simbólico, quando as pessoas não têm a identidade de gênero ou nome social respeitados, quando as pessoas trans não são contratadas ou não transitam nos ambientes sociais, e por fim, o assassinato para aniquilar a existência”, aponta.

De acordo com a organização Transgender Europe, em 2020, o Brasil também se manteve em primeiro lugar entre as nações que mais assassinam pessoas trans em todo o mundo pelo 13º ano consecutivo.

Quando e onde?

Somente entre março e abril, enquanto a covid-19 começava a se alastrar pelo país, 66 assassinatos já haviam sido registrados.

A tendência de crescimento se manteve e, no quarto bimestre, entre julho e agosto, o número de óbitos do ano inteiro de 2019 já havia sido superado com o registro de 132 mortes.

Os casos continuaram acontecendo até que, nos últimos dois meses do ano houve um aumento de 149 para 175 assassinatos.

De acordo a Antra, a maior concentração das mortes foi no Nordeste, que concentrou 43% dos crimes. A região se mantém nessa posição desde a publicação do primeiro relatório, em 2017.

A região Sudeste aparece em seguida com 34% dos casos. A região Sul está em terceiro com 8%. Tanto a região Norte quanto a Centro-Oeste registraram 7%.

Perfil das vítimas

O marcador racial da transfobia também se evidencia com os dados do relatório: travestis e mulheres trans negras, pretas e pardas correspondem a 78% dos caos. Somente em 3% do total de casos não foi possível identificar a raça das vítimas fatais.

Outro ponto que chama a atenção é a idade das mulheres trans assassinadas, que, a cada ano, tem morrido cada vez mais jovens.

Segundo o Mapa dos Assassinatos 2020, a idade média das vítimas foi de 29,5 anos, o que solidifica o dado que a expectativa de vida de transexuais brasileira é de 35 anos, metade da média nacional.

Considerando os 109 casos em que foi possível identificar a idade das vítimas, 61 (56%) delas tinham entre 15 e 29 anos. Outras 31 (28,4%) possuiam entre 30 e 39 anos, 8 (7,3%) entre 40 e 49 anos e 9 (8,3%) entre 50 e 59 anos.

Do total, 71% dos assassinatos aconteceram em espaços públicos, sendo que 8 vítimas se encontravam em situação de rua.

Impactos da covid-19

O dossiê é enfático ao denunciar que a população trans permaneceu dessasistida mesmo durante a pandemia. As pesquisas estimam que cerca de 70% das travestis e mulheres transexuais não conseguiram acesso às políticas emergenciais do Estado como o auxílio-emergencial.

Problemas com o nome social, por exemplo, além da própria precarização da vida cotidiana, impediu que muitas se inscrevessem nas plataformas institucionais. Sem ter outra opção, o trabalho nas ruas continuou, expondo ainda mais essa população ao vírus em todas as fases da pandemia.

A publicação da Antra cita também um estudo amostral no Rio de Janeiro, feito em parceria com a Defensoria Pública do Rio de Janeiro, Instituto de Estudos da Religião (Iser) e Instituto Unibanco.

De 150 travestis e mulheres transexuais, 58,6% declarou pertencer ao grupo de risco para a covid.

Não houve também orientações de saúde voltadas específicamente para a realidade da população trans. Ainda que não existam estudos conclusivos, a organização responsável pelo dossiê pontua que o uso de hormônios e silicone industrial são fatores de risco para o coronavírus.

O silicone pode ocasionar processos inflamatórios e a hormonização desassistida o aumento da pressão arterial.

A partir da análise de informações enviadas aos canais da Antra e outros casos divulgados na internet, 16 óbitos de pessoas trans em razão da doença respiratória foram registrados.

Porém, diante da dificuldades das instituições em identificar as pessoas a partir de suas identidades de gênero e não exclusivamente pelo sexo/órgão genital, o dossiê aponta que o número pode ser bem maior.

Vivências desconhecidas

A falta de informação sobre a população trans não se restringe apenas ao momento da pandemia. Bruna Benevides explica que esse é um problema estrutural no Brasil, onde há um verdadeiro apagão de dados quando se trata dos cidadãos LGBTIs e, principalmente, das pessoas trans.

Em 2020, por exemplo, foi a primeira vez que o Anuário Brasileiro de Segurança Pública trouxe dados sobre violência contra  LGBTIs. No entanto, 15 estados e o DF não têm qualquer informação sobre violências motivadas por orientação sexual ou identidade de gênero.

As demais unidades da federação trazem informações dos Sistema de Informações de agravo de Notificação (Sinan), que conta com dados de atendimentos de ocorrências no sistema público de saúde e do Disque 100.

Na opinião de Bruna Benevides, a subnotificação dos casos de violência e o “apagão de dados” sobre a população trans é parte de uma política deliberada.

[28.01] Bruna Benevides – Sonora 2 – Lu Sudré “Não saber quantas somos, por exemplo, não termos dado populacional sobre a população LGBTI, mostra que o Estado não se interessa em traçar esse perfil, justamente para não reconhecer quais as especificidades. Quando a subnotificação se torna uma política, o Estado não tem que investir verba e legislação contra a transfobia”, explica a ativista.

Frente ao que o dossiê define como “política de morte” e manutenção contínua da violência por meio do discurso de ódio, a perspectiva é negativa para a sobrevivência das mulheres trans brasileiras.

Logo nos primeiros dias do ano, Keron Ravach se tornou a mais jovem transexual assassinada no país. A adolescente de 13 anos foi morta a pauladas, pedradas, socos e facadas no município de Camocim, no interior do Ceará.

“Já temos 11 assassinatos em 2021 e sete tentativas de assassinato. São 18 ocorrências em 29 dias. É muito preocupante”, lamenta Benevides.

Confira o dossiê da Antra na íntegra.

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Feminicídio: mulher é assassinada com 14 golpes de faca em Petrolina, PE

A jovem Kezzia Homeilly é mais uma vítima do machismo desenfreado que mata mulheres todos os dias no Brasil e no mundo

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Na noite deste sábado, 11, aproximadamente às 19h50min, mais um caso de feminicídio foi registrado na cidade de Petrolina, Sertão de Pernambuco. Dessa vez a vítima foi Kezzia Homeilly de 32 anos, residente no bairro Jardim Amazonas, ela foi atingida por 14 golpes de faca, tipo peixeira, desferidos pelo seu ex-companheiro, Tiago Targino, na rua 08. Após o crime bárbaro o assassino ficou sentado na calçada da casa, demonstrando imensa frieza após o crime que acabara de cometer e não esboçou reação de fuga.

Fonte: Petrolina em Destaque

 Kezzia era professora de educação infantil e deixou três filhos: duas meninas e um menino.

O feminicídio é um crime de ódio motivado por questões de gênero, ou seja, o sujeito mata a companheira apenas por ser mulher Lei 13.104/2015.

Em 2019 os registros de feminicídios tiveram um aumento de 7,3% A média é de uma mulher morta a cada 7 horas no país. Em algumas cidades no Brasil, mulheres têm mais chances de morrer por agressão do que por câncer.  Esses dados revelam o quanto o machismo ameaça a vida das mulheres cotidianamente, banaliza a violência de gênero e enconraja os homens a cometerem crimes ao mesmo tempo que culpabilizam as vítimas.

A brutalidade do crime cometido na noite de ontem, aqui em Petrolina, não corresponde a forma como o criminoso se comporta na calçada de sua rua. O que assegura seu aspecto tranquilo são comportamentos culturais fundados no patriarcado e que ainda não foram enfrentados com a devida seriedade pelo poder público, que ainda tem pouquíssima representatividade feminina. 

Kezzia ser uma jovem negra, a inclui na estatística que coloca as mulheres negras, periféricas como maiores vítimas da violência doméstica, mais de 60% das mulheres assassinadas no Brasil são negras, apontando ainda o recorte de raça e classe que precisa nortear o combate à violência contra a mulher.

É urgente que os governos priorizem o fim da violência contra à mulher, investindo na produção de dados, elaborando políticas públicas de proteção e de subsistência das mulheres que são diariamente violentadas.

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5ªEMG da Polícia Militar de Pernambuco emite nota sobre episódio de violência contra casal da Vila Eulália

“Eles desacataram e agrediram o efetivo. Todos envolvidos, policiais e suspeitos, fizeram exame de corpo de delito e em seguida foram encaminhados para a Delegacia de Plantão para serem adotadas as medidas cabíveis”, cita a nota.

Foto: Reprodução

Depois da grande repercussão do caso da agressão de policiais do 2º BIESP contra a vendedora de acarajé e seu companheiro, corrida no dia 06, a Assessoria de Comunicação do órgão emitiu nota sobre o fato, confira abaixo.

Nota oficial da 5ªEMG da PMPE

A Polícia Militar esclarece que, de acordo com o comandante do 2º BIESP, policiais militares estavam em rondas, na última segunda-feira (06), para a captura de suspeitos de assaltos, no bairro do Caminho do Sol e adjacências. Ao chegarem no bairro Vila Eulalia, visualizaram um veículo suspeito, ao dar ordem de parada, o motorista não obedeceu. O efetivo fez o acompanhamento que só parou em frente a uma residência, ao desembarcar o condutor e passageiro não obedeceram a ordem para que fosse realizada a abordagem pelos PMs. Eles desacataram e agrediram o efetivo. Todos envolvidos, policiais e suspeitos, fizeram exame de corpo de delito e em seguida foram encaminhados para a Delegacia de Plantão para serem adotadas as medidas cabíveis.

Fonte: Assessoria de Comunicação da PMPE (5ªEMG)

 

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Policiais do 2º BIEsp de Petrolina espancam violentamente trabalhador dentro de casa na presença da mulher, crianças e um idoso

O caso já foi registrado junto a Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores de Petrolina/PE que encaminhou a denúncia para a Central de Inquéritos do Ministério Público do Estado de Pernambuco e tem recebido  apoio de entidades que atuam no campo dos Diretos Humanos e do Movimento Negro.

O bairro da Vila Eulália, em Petrolina/PE, assistiu, na última segunda-feira (6/4) mais uma ação violenta de policiais do 2º Batalhão Integrado Especializado (BIEsp). O caso já foi registrado junto a Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores de Petrolina/PE que encaminhou a denúncia para a Central de Inquéritos do Ministério Público do Estado de Pernambuco e tem recebido  apoio de entidades que atuam no campo dos Diretos Humanos e do Movimento Negro.

William Gomes da Silva Souza Fonte: Rosimere Cordeiro Pinheiro

Por volta das 23 horas da 2ª feira (6/4), Willian Gomes da Silva Souza, o marido da vendedora de acarajé, Rosimere Cordeiro Pinheiro, retornava para sua casa, acompanhado por um amigo, José Érick, depois de mais um dia de trabalho. Rosimere já estava em casa. Por não ter compreendido a ordem da polícia para que parasse, pois estava em um cruzamento, ele estacionou em frente à sua casa. Na sequência os dois homens foram abordados e agredidos. Enquanto isso, José Erick foi algemado na porta de casa da comerciante enquanto seu esposo, William, foi agredido, já dentro da sua residência, a coronhadas, até desmaiar.

Rosimere presenciava a cena, tendo uma arma apontada para a sua cabeça, mesmo estando com o filho de apenas um ano no colo. Também assistiam a cena de terror mais dois filhos do casal: uma menina de 5 anos e um menino de 12, e o pai de Rosimere, de 71 anos, implorava aos policiais que parassem com a agressão, pois o casal era de pessoas que regressavam do trabalho. Todos ouviam os gritos de ordem de um dos policiais:  “Atirem! Atirem pra matar”!

A cena de horror não terminou aí. Segundo Rosimere, os policiais pediram reforços. E, em poucos minutos, chegaram ao local mais três viaturas, totalizando 16 homens armados. Se não bastasse, chegaram mais 4 viaturas, totalizando oito viaturas: “32 homens armados contra dois homens sem nenhum objeto nas mãos não era suficiente?”. Segundo Rosimeire “botaram nosso amigo, José Érick, em uma viatura, me colocaram em outra viatura, com o meu filho no colo, sem nenhuma mulher policial, e levaram meu esposo para algum lugar. Como ele tinha desmaiado, ele não estava nem raciocinando. O sangue saía do ouvido, do nariz, da boca…As pernas, ele não tava nem conseguindo andar direito”, relata, nervosa.

Ainda segundo Rosimere, os policiais levaram seu marido “para dentro dos matos, ele não soube nem raciocinar para onde estava sendo levado. Colocaram ele para fora do carro da viatura, colocaram uma lanterna na cara dele e continuaram espancando ele. Eu fui dentro da viatura sendo humilhada o tempo todo, com minha criança desesperada, chorando sem parar e eles com vários palavrões dentro da viatura, chamando de merda, de bandido, são bandidos sim, várias vezes ele gritava dentro da viatura. E o tempo todo dizendo que ia matar eles dois”.

Ao chegar na 213ª.  Delegacia da Polícia Civil, do Ouro Preto, William não estava no local. Conforme relata Rosimere ela conseguiu o telefone de um advogado e perguntava a um comissário: “Cadê ele? O advogado chegou e ele não chegou. Aí chegaram com ele. Reviraram minha casa toda, com minhas crianças, com meu pai passando mal. Reviraram o fusca. Tem um fusca aqui que está sem o motor. Reviraram tudo. Aí tinha o colete dele, que ele trabalha como segurança e dentro da caixa de ferramenta tinha uma faca, que eles  alegaram que esta faca estava dentro do meu carro, que é o Fiesta, que ele veio do acarajé  com ele [o carro]. E isso foi outra mentira. E o tempo todo me gritando, com um arma na minha cabeça: cadê a arma, cadê a arma? Se o senhor disse que aqui tem uma arma, o senhor procure, porque eu tô dizendo que aqui não tem arma. Como eu vou procurar uma coisa que aqui não tem? Quebraram as coisas da minha cozinha. O sofá, jogaram meu esposo em cima. A sala ficou cheia de respingo de sangue. Meu pai ficou a noite todinha  andando no quintal, com os olhos cheio de sangue por causa da pressão e eu não podia levar no hospital [em função da pandemia causada pelo Coronavirus, disse ela no depoimento]. Não quiseram me ouvir na delegacia em nenhum momento. Não consegui um delegado que quisesse me ouvir. Estamos em uma situação de terror”. Rosimere contratou um advogado para fazer a defesa do marido, e ele foi solto na mesma noite.

Outros casos de violência policial nas periferias de Petrolina

A descrição da vendedora de acarajé é semelhante a outras abordagens policiais realizadas nas periferias de Petrolina. Para Rosimere  “a polícia não é para nos agredir. A polícia não é para nos aterrorizar. A polícia é para nos proteger, para nos defender. (…) Estou com medo de sair de casa. Estou com medo de ficar em casa”.

Em 10 de novembro do ano passado, a jovem, negra, estudante, Camila Roque, foi agredida com um soco no rosto por um dos três policiais que a abordaram no centro da cidade.

Em 24 de Novembro, na Mostra de Artes Novembro Negro, realizada pela Cia. Biruta, no CEU das Águas, bairro Rio Corrente, policiais do 2° BIEsp realizaram uma ação extremamente truculenta contra participantes do evento, com espancamentos, mobilização de oito viaturas e detenção de quatros pessoas, entre os quais, um vereador que tentava pacificar a situação.

Em 11 de janeiro desse ano, dois jovens negros, Matheus dos Santos, 17 anos, e Lucas Levi, 20 anos, moradores, respectivamente, dos bairros Mandacarú e José e Maria, periferia da cidade, desapareceram após uma abordagem truculenta de policiais do 2° Biesp.  No dia 17 foram encontrados mortos próximos à Serra da Santa, zona rural do município de Petrolina.

Desde novembro de 2019 a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Petrolina vem denunciando à Corregedoria Geral do Estado de Pernambuco, bem como aos deputados da Assembleia Legislativa (ALEPE) esses atos de violência policial. Além disso, solicitou agenda com o governador e o secretário de Defesa Social para apresentar propostas de melhoria dos serviços de segurança pública em Petrolina. Na última visita do governador a Petrolina, em 14 de fevereiro, o vereador Gilmar Santos, Presidente da Comissão, entregou pessoalmente ao Governador e ao secretário de Defesa Social nova solicitação de agenda. Nenhuma resposta até o momento.

Por Ceres Santos e Márcia Guena

Contatos

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Tel/WhatsApp: 71- 99989 – 7243

 

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Jovens que desapareceram após abordagem policial são encontrados mortos em Petrolina

Os familiares dos jovens fizeram o reconhecimento dos corpos no Instituto Médico Legal (IML) da cidade, para onde foram levados logo após serem encontrados. Não há informação de como os corpos foram encontrados.

Foto: Reprodução

Os jovens Matheus dos Santos, 17 anos, e Lucas Levi, 20, que estavam desaparecidos desde o último sábado (11), foram encontrados mortos ontem (17). Os corpos estavam próximos à Serra da Santa, em Petrolina, Pernambuco.

Os familiares dos jovens fizeram o reconhecimento dos corpos no Instituto Médico Legal (IML) da cidade, para onde foram levados logo após serem encontrados. Não há informação de como os corpos foram encontrados.

Os jovens foram sepultados no cemitério do bairro João de Deus, em Petrolina ainda na manhã de hoje. Segundo os familiares, não foi possível realizar velório em virtude do estado em que os corpos foram encontrados.

Um cortejo saiu de um posto de gasolina na Avenida Sete de Setembro, próximo ao IML, e seguiu com destino ao João de Deus, conforme os familiares.

O caso

De acordo com testemunhas, os jovens foram vistos pela última vez durante uma abordagem realizada por policiais do 2º Batalhão Integrado Especializado (BIEsp), por volta das 20h, do dia 11/01, no bairro Mandacaru 2. Eles chegaram a entrar na viatura da PM, e desde então, não deram mais notícias.

O 2º Biesp afirmou que os jovens foram liberados logo após a abordagem policial, já que foi realizada a busca pessoal e nada de ilícito foi encontrado.

Segundo o batalhão, um procedimento investigatório interno foi aberto para apurar as circunstâncias da referida abordagem policial.

Protestos

Na quarta-feira (15), familiares chegaram a realizar dois manifestos para cobrar respostas. Pela manhã, eles se concentraram em frente à Câmara de Vereadores Plínio Amorim e depois em frente ao Fórum de Petrolina.(relembre)

À tarde, o protesto aconteceu na Avenida Francisco Coelho Amorim, próximo a feira do bairro José e Maria. Os manifestantes atearam fogo em pneus e interditaram a via.(reveja).

Com informações do Blog Preto no Branco

http://pretonobranco.org/

 

Notícias

Tiro que matou Ágatha partiu de arma da PM, confirma inquérito

De acordo com o documento, houve um erro de execução por parte dos PMs, que teriam feito um ‘tiro de advertência’

A garota Ágatha Felix, de 8 anos, que foi morta por um tiro de fuzil de no Complexo do Alemão. (Foto: Reprodução/Facebook)

O tiro que matou a menina Ághata Félix, de 8 anos, no Complexo do Alemão há dois meses, partiu da arma de um cabo da Polícia Militar do Rio de Janeiro. A informação consta do inquérito da Polícia Civil sobre o caso, que deve ser enviado nesta terça-feira 19 à Justiça.

De acordo com o documento, antecipado pelo jornal O Globo, houve um “erro de execução”: o objetivo não era atingir a criança, mas dar um “tiro de advertência” para forçar a parada de dois homens que estavam numa motocicleta.

A dupla fugiu de uma blitz dentro do complexo. Em seguida, o PM, lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro da Fazendinha, fez o disparo. A tragédia aconteceu no dia 20 de setembro.

Um relatório do Instituto de Criminalista Carlos Éboli (ICCE), entregue à Delegacia de Homicídios da capital (DH), apontou que um fragmento de projétil encontrado no corpo de Ágatha tinha ranhuras idênticas à do cano do fuzil usado pelo PM.

O laudo mostra também que a bala atingiu primeiramente um poste. Foi um estilhaço que provocou a morte da menina, perfurando suas costas e saindo pelo tórax. A criança chegou a ser levada para a Unidade de Pronto-atendimento do Morro do Alemão, de onde foi transferida para a emergência do Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha.

O advogado da família de Ághata, Rodrigo Mondego, quer que o autor do disparo seja indiciado por homicídio doloso.

 

 

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Notícias

PM agride diretora da União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco

A estudante Camila Roque e mais duas militantes da UJR foram covardemente agredidas por policiais militares em Petrolina (PE). Durante a abordagem, os quatro PMs esconderam suas identificações e sacaram armas contra as estudantes. Até agora, o Batalhão da PM se nega a colaborar na identificação dos policiais.

Foto: UESPE

PERNAMBUCO – No último dia 9 de novembro, a estudante Camila Roque, diretora da União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (UESPE) e militante da UJR, foi covardemente agredida por quatro policiais militares em pleno centro da cidade enquanto se dirigia ao campus da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF).

Camila e mais duas estudantes foram abordadas pelos policiais e revistadas ilegalmente, já que a revista de mulheres deve ser realizada por policial do sexo feminino. Suas mochilas foram abertas, mas apenas livros e agendas foram encontrados. Ao perceberem que um dos livros era de teoria marxista, os PMs disseram que o material seria recolhido. “Nesse momento, falamos que isso era ilegal e que até onde sabíamos ainda vivíamos num país democrático, onde temos o direito de ler o que quisermos”, relatou Camila. “O que nos chamou a atenção desde o começo, foi que todos os policiais estavam cobrindo com as mãos suas identificações e em nenhum momento explicaram os motivos dessa abordagem tão violenta”, explica.

Ao perceberem que a intimidação não estava surtindo efeito, os quatro policiais militares liberaram as militantes, que seguiram caminho até que Camila foi novamente abordada e, desta vez, agredida com um soco no olho, xingada de “terrorista” e avisada de que “Bolsonaro ia acabar com isso tudo”.

Imediatamente após a agressão, uma rede de solidariedade com movimentos sociais, de mulheres negras, parlamentares de esquerda e com a importante participação da diretora da Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina (FACAPE) se formou na cidade para defender as três companheiras e denunciar a truculência policial, sinal dos tempos de radicalização do fascismo e da impunidade em nosso país. Na delegacia, um boletim de ocorrência foi registrado, mas todas as providências para que os PMs fossem identificados esbarraram na omissão do Batalhão da Polícia Militar de Petrolina, que se recusou a apresentar a escala de ronda do dia.

“É um absurdo que ainda sejamos obrigados a conviver com esse tipo de impunidade em nosso país. Nós, jovens negros e pobres, sofremos diariamente com o racismo e a violência da polícia que, ao que parece, conta com o apoio das autoridades do Estado”, disse Camila.

A UESP e a União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (UESPE) já entraram com denúncia da violência na Comissão de Direitos Humanos da OAB-PE e o Ministério Público também está empenhado em identificar os quatro policiais covardes e responsabilizá-los pelo fato.

O momento político que vivemos no Brasil exige de todos os militantes sociais atenção e cuidados redobrados contra a covardia de grupos fascistas – fardados ou não – que agem cada vez mais livremente. A melhor defesa contra a violência reacionária dos poderosos é crescer o movimento de massas e a luta contra o fascismo, pois somente pondo fim a esta sociedade podre na qual vivemos podemos acabar com a violência.

Por Redação Pernambuco

http://averdade.org.br/

Notícias

Negros têm 2,7 mais chances de serem mortos do que brancos, diz IBGE

255 mil pessoas negras foram mortas em seis anos, revela estudo

Movimento Negro protesta contra violência em São Paulo.

A população negra tem 2,7 mais chances de ser vítima de assassinato do que os brancos. É o que revela o informativo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, divulgado nesta quarta-feira 13 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo a analista de indicadores sociais do IBGE Luanda Botelho, enquanto a violência contra pessoas brancas se mantém estável, a taxa de homicídio de pretos e pardos aumentou em todas as faixas etárias.

“Na série de 2012 a 2017, que foi o período que a gente analisou neste estudo, houve aumento da taxa de homicídios por 100 mil habitantes da população preta e parda, passando de 37,2 para 43,4. Enquanto para a população branca esse indicador se manteve constante no tempo, em torno de 16”, disse ela.

Para os jovens, a situação é mais crítica. Ainda na comparação por 100 mil habitantes, a chances de morte beiram o triplo do que pessoas brancas entre 15 e 29 anos.

De acordo com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, foram registradas 255 mil mortes de pessoas negras por assassinato nos seis anos analisados.

Estudantes

Segundo o levantamento, a violência vivenciada na escola também atinge mais a população preta e parda do que a branca. O IBGE analisou dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2015 com alunos do nono ano, e concluiu que 15,4% dos pretos ou pardos e 13,1% dos brancos deixaram de ir à aula em algum dia por falta de segurança no trajeto entre a casa e a escola.

Do total de estudantes, 53,9% dos pretos e pardos estudavam em escolas localizadas em áreas de risco, enquanto entre os brancos a proporção cai para 45,7%. A diferença cresce na comparação apenas entre escolas privadas, com 40,7% dos pretos ou pardos e 29,5% dos brancos.

Segundo o IBGE, jovens expostos à violência têm mais propensão a sofrer de doenças como depressão, vício de substâncias químicas e problemas de aprendizagem, além de suicídio.

 

 

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