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Feminicídio: mulher é assassinada com 14 golpes de faca em Petrolina, PE

A jovem Kezzia Homeilly é mais uma vítima do machismo desenfreado que mata mulheres todos os dias no Brasil e no mundo

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Na noite deste sábado, 11, aproximadamente às 19h50min, mais um caso de feminicídio foi registrado na cidade de Petrolina, Sertão de Pernambuco. Dessa vez a vítima foi Kezzia Homeilly de 32 anos, residente no bairro Jardim Amazonas, ela foi atingida por 14 golpes de faca, tipo peixeira, desferidos pelo seu ex-companheiro, Tiago Targino, na rua 08. Após o crime bárbaro o assassino ficou sentado na calçada da casa, demonstrando imensa frieza após o crime que acabara de cometer e não esboçou reação de fuga.

Fonte: Petrolina em Destaque

 Kezzia era professora de educação infantil e deixou três filhos: duas meninas e um menino.

O feminicídio é um crime de ódio motivado por questões de gênero, ou seja, o sujeito mata a companheira apenas por ser mulher Lei 13.104/2015.

Em 2019 os registros de feminicídios tiveram um aumento de 7,3% A média é de uma mulher morta a cada 7 horas no país. Em algumas cidades no Brasil, mulheres têm mais chances de morrer por agressão do que por câncer.  Esses dados revelam o quanto o machismo ameaça a vida das mulheres cotidianamente, banaliza a violência de gênero e enconraja os homens a cometerem crimes ao mesmo tempo que culpabilizam as vítimas.

A brutalidade do crime cometido na noite de ontem, aqui em Petrolina, não corresponde a forma como o criminoso se comporta na calçada de sua rua. O que assegura seu aspecto tranquilo são comportamentos culturais fundados no patriarcado e que ainda não foram enfrentados com a devida seriedade pelo poder público, que ainda tem pouquíssima representatividade feminina. 

Kezzia ser uma jovem negra, a inclui na estatística que coloca as mulheres negras, periféricas como maiores vítimas da violência doméstica, mais de 60% das mulheres assassinadas no Brasil são negras, apontando ainda o recorte de raça e classe que precisa nortear o combate à violência contra a mulher.

É urgente que os governos priorizem o fim da violência contra à mulher, investindo na produção de dados, elaborando políticas públicas de proteção e de subsistência das mulheres que são diariamente violentadas.

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5ªEMG da Polícia Militar de Pernambuco emite nota sobre episódio de violência contra casal da Vila Eulália

“Eles desacataram e agrediram o efetivo. Todos envolvidos, policiais e suspeitos, fizeram exame de corpo de delito e em seguida foram encaminhados para a Delegacia de Plantão para serem adotadas as medidas cabíveis”, cita a nota.

Foto: Reprodução

Depois da grande repercussão do caso da agressão de policiais do 2º BIESP contra a vendedora de acarajé e seu companheiro, corrida no dia 06, a Assessoria de Comunicação do órgão emitiu nota sobre o fato, confira abaixo.

Nota oficial da 5ªEMG da PMPE

A Polícia Militar esclarece que, de acordo com o comandante do 2º BIESP, policiais militares estavam em rondas, na última segunda-feira (06), para a captura de suspeitos de assaltos, no bairro do Caminho do Sol e adjacências. Ao chegarem no bairro Vila Eulalia, visualizaram um veículo suspeito, ao dar ordem de parada, o motorista não obedeceu. O efetivo fez o acompanhamento que só parou em frente a uma residência, ao desembarcar o condutor e passageiro não obedeceram a ordem para que fosse realizada a abordagem pelos PMs. Eles desacataram e agrediram o efetivo. Todos envolvidos, policiais e suspeitos, fizeram exame de corpo de delito e em seguida foram encaminhados para a Delegacia de Plantão para serem adotadas as medidas cabíveis.

Fonte: Assessoria de Comunicação da PMPE (5ªEMG)

 

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Policiais do 2º BIEsp de Petrolina espancam violentamente trabalhador dentro de casa na presença da mulher, crianças e um idoso

O caso já foi registrado junto a Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores de Petrolina/PE que encaminhou a denúncia para a Central de Inquéritos do Ministério Público do Estado de Pernambuco e tem recebido  apoio de entidades que atuam no campo dos Diretos Humanos e do Movimento Negro.

O bairro da Vila Eulália, em Petrolina/PE, assistiu, na última segunda-feira (6/4) mais uma ação violenta de policiais do 2º Batalhão Integrado Especializado (BIEsp). O caso já foi registrado junto a Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores de Petrolina/PE que encaminhou a denúncia para a Central de Inquéritos do Ministério Público do Estado de Pernambuco e tem recebido  apoio de entidades que atuam no campo dos Diretos Humanos e do Movimento Negro.

William Gomes da Silva Souza Fonte: Rosimere Cordeiro Pinheiro

Por volta das 23 horas da 2ª feira (6/4), Willian Gomes da Silva Souza, o marido da vendedora de acarajé, Rosimere Cordeiro Pinheiro, retornava para sua casa, acompanhado por um amigo, José Érick, depois de mais um dia de trabalho. Rosimere já estava em casa. Por não ter compreendido a ordem da polícia para que parasse, pois estava em um cruzamento, ele estacionou em frente à sua casa. Na sequência os dois homens foram abordados e agredidos. Enquanto isso, José Erick foi algemado na porta de casa da comerciante enquanto seu esposo, William, foi agredido, já dentro da sua residência, a coronhadas, até desmaiar.

Rosimere presenciava a cena, tendo uma arma apontada para a sua cabeça, mesmo estando com o filho de apenas um ano no colo. Também assistiam a cena de terror mais dois filhos do casal: uma menina de 5 anos e um menino de 12, e o pai de Rosimere, de 71 anos, implorava aos policiais que parassem com a agressão, pois o casal era de pessoas que regressavam do trabalho. Todos ouviam os gritos de ordem de um dos policiais:  “Atirem! Atirem pra matar”!

A cena de horror não terminou aí. Segundo Rosimere, os policiais pediram reforços. E, em poucos minutos, chegaram ao local mais três viaturas, totalizando 16 homens armados. Se não bastasse, chegaram mais 4 viaturas, totalizando oito viaturas: “32 homens armados contra dois homens sem nenhum objeto nas mãos não era suficiente?”. Segundo Rosimeire “botaram nosso amigo, José Érick, em uma viatura, me colocaram em outra viatura, com o meu filho no colo, sem nenhuma mulher policial, e levaram meu esposo para algum lugar. Como ele tinha desmaiado, ele não estava nem raciocinando. O sangue saía do ouvido, do nariz, da boca…As pernas, ele não tava nem conseguindo andar direito”, relata, nervosa.

Ainda segundo Rosimere, os policiais levaram seu marido “para dentro dos matos, ele não soube nem raciocinar para onde estava sendo levado. Colocaram ele para fora do carro da viatura, colocaram uma lanterna na cara dele e continuaram espancando ele. Eu fui dentro da viatura sendo humilhada o tempo todo, com minha criança desesperada, chorando sem parar e eles com vários palavrões dentro da viatura, chamando de merda, de bandido, são bandidos sim, várias vezes ele gritava dentro da viatura. E o tempo todo dizendo que ia matar eles dois”.

Ao chegar na 213ª.  Delegacia da Polícia Civil, do Ouro Preto, William não estava no local. Conforme relata Rosimere ela conseguiu o telefone de um advogado e perguntava a um comissário: “Cadê ele? O advogado chegou e ele não chegou. Aí chegaram com ele. Reviraram minha casa toda, com minhas crianças, com meu pai passando mal. Reviraram o fusca. Tem um fusca aqui que está sem o motor. Reviraram tudo. Aí tinha o colete dele, que ele trabalha como segurança e dentro da caixa de ferramenta tinha uma faca, que eles  alegaram que esta faca estava dentro do meu carro, que é o Fiesta, que ele veio do acarajé  com ele [o carro]. E isso foi outra mentira. E o tempo todo me gritando, com um arma na minha cabeça: cadê a arma, cadê a arma? Se o senhor disse que aqui tem uma arma, o senhor procure, porque eu tô dizendo que aqui não tem arma. Como eu vou procurar uma coisa que aqui não tem? Quebraram as coisas da minha cozinha. O sofá, jogaram meu esposo em cima. A sala ficou cheia de respingo de sangue. Meu pai ficou a noite todinha  andando no quintal, com os olhos cheio de sangue por causa da pressão e eu não podia levar no hospital [em função da pandemia causada pelo Coronavirus, disse ela no depoimento]. Não quiseram me ouvir na delegacia em nenhum momento. Não consegui um delegado que quisesse me ouvir. Estamos em uma situação de terror”. Rosimere contratou um advogado para fazer a defesa do marido, e ele foi solto na mesma noite.

Outros casos de violência policial nas periferias de Petrolina

A descrição da vendedora de acarajé é semelhante a outras abordagens policiais realizadas nas periferias de Petrolina. Para Rosimere  “a polícia não é para nos agredir. A polícia não é para nos aterrorizar. A polícia é para nos proteger, para nos defender. (…) Estou com medo de sair de casa. Estou com medo de ficar em casa”.

Em 10 de novembro do ano passado, a jovem, negra, estudante, Camila Roque, foi agredida com um soco no rosto por um dos três policiais que a abordaram no centro da cidade.

Em 24 de Novembro, na Mostra de Artes Novembro Negro, realizada pela Cia. Biruta, no CEU das Águas, bairro Rio Corrente, policiais do 2° BIEsp realizaram uma ação extremamente truculenta contra participantes do evento, com espancamentos, mobilização de oito viaturas e detenção de quatros pessoas, entre os quais, um vereador que tentava pacificar a situação.

Em 11 de janeiro desse ano, dois jovens negros, Matheus dos Santos, 17 anos, e Lucas Levi, 20 anos, moradores, respectivamente, dos bairros Mandacarú e José e Maria, periferia da cidade, desapareceram após uma abordagem truculenta de policiais do 2° Biesp.  No dia 17 foram encontrados mortos próximos à Serra da Santa, zona rural do município de Petrolina.

Desde novembro de 2019 a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Petrolina vem denunciando à Corregedoria Geral do Estado de Pernambuco, bem como aos deputados da Assembleia Legislativa (ALEPE) esses atos de violência policial. Além disso, solicitou agenda com o governador e o secretário de Defesa Social para apresentar propostas de melhoria dos serviços de segurança pública em Petrolina. Na última visita do governador a Petrolina, em 14 de fevereiro, o vereador Gilmar Santos, Presidente da Comissão, entregou pessoalmente ao Governador e ao secretário de Defesa Social nova solicitação de agenda. Nenhuma resposta até o momento.

Por Ceres Santos e Márcia Guena

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Ceres Santos –  DRT-RS 6156

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Jovens que desapareceram após abordagem policial são encontrados mortos em Petrolina

Os familiares dos jovens fizeram o reconhecimento dos corpos no Instituto Médico Legal (IML) da cidade, para onde foram levados logo após serem encontrados. Não há informação de como os corpos foram encontrados.

Foto: Reprodução

Os jovens Matheus dos Santos, 17 anos, e Lucas Levi, 20, que estavam desaparecidos desde o último sábado (11), foram encontrados mortos ontem (17). Os corpos estavam próximos à Serra da Santa, em Petrolina, Pernambuco.

Os familiares dos jovens fizeram o reconhecimento dos corpos no Instituto Médico Legal (IML) da cidade, para onde foram levados logo após serem encontrados. Não há informação de como os corpos foram encontrados.

Os jovens foram sepultados no cemitério do bairro João de Deus, em Petrolina ainda na manhã de hoje. Segundo os familiares, não foi possível realizar velório em virtude do estado em que os corpos foram encontrados.

Um cortejo saiu de um posto de gasolina na Avenida Sete de Setembro, próximo ao IML, e seguiu com destino ao João de Deus, conforme os familiares.

O caso

De acordo com testemunhas, os jovens foram vistos pela última vez durante uma abordagem realizada por policiais do 2º Batalhão Integrado Especializado (BIEsp), por volta das 20h, do dia 11/01, no bairro Mandacaru 2. Eles chegaram a entrar na viatura da PM, e desde então, não deram mais notícias.

O 2º Biesp afirmou que os jovens foram liberados logo após a abordagem policial, já que foi realizada a busca pessoal e nada de ilícito foi encontrado.

Segundo o batalhão, um procedimento investigatório interno foi aberto para apurar as circunstâncias da referida abordagem policial.

Protestos

Na quarta-feira (15), familiares chegaram a realizar dois manifestos para cobrar respostas. Pela manhã, eles se concentraram em frente à Câmara de Vereadores Plínio Amorim e depois em frente ao Fórum de Petrolina.(relembre)

À tarde, o protesto aconteceu na Avenida Francisco Coelho Amorim, próximo a feira do bairro José e Maria. Os manifestantes atearam fogo em pneus e interditaram a via.(reveja).

Com informações do Blog Preto no Branco

http://pretonobranco.org/

 

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Tiro que matou Ágatha partiu de arma da PM, confirma inquérito

De acordo com o documento, houve um erro de execução por parte dos PMs, que teriam feito um ‘tiro de advertência’

A garota Ágatha Felix, de 8 anos, que foi morta por um tiro de fuzil de no Complexo do Alemão. (Foto: Reprodução/Facebook)

O tiro que matou a menina Ághata Félix, de 8 anos, no Complexo do Alemão há dois meses, partiu da arma de um cabo da Polícia Militar do Rio de Janeiro. A informação consta do inquérito da Polícia Civil sobre o caso, que deve ser enviado nesta terça-feira 19 à Justiça.

De acordo com o documento, antecipado pelo jornal O Globo, houve um “erro de execução”: o objetivo não era atingir a criança, mas dar um “tiro de advertência” para forçar a parada de dois homens que estavam numa motocicleta.

A dupla fugiu de uma blitz dentro do complexo. Em seguida, o PM, lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro da Fazendinha, fez o disparo. A tragédia aconteceu no dia 20 de setembro.

Um relatório do Instituto de Criminalista Carlos Éboli (ICCE), entregue à Delegacia de Homicídios da capital (DH), apontou que um fragmento de projétil encontrado no corpo de Ágatha tinha ranhuras idênticas à do cano do fuzil usado pelo PM.

O laudo mostra também que a bala atingiu primeiramente um poste. Foi um estilhaço que provocou a morte da menina, perfurando suas costas e saindo pelo tórax. A criança chegou a ser levada para a Unidade de Pronto-atendimento do Morro do Alemão, de onde foi transferida para a emergência do Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha.

O advogado da família de Ághata, Rodrigo Mondego, quer que o autor do disparo seja indiciado por homicídio doloso.

 

 

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PM agride diretora da União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco

A estudante Camila Roque e mais duas militantes da UJR foram covardemente agredidas por policiais militares em Petrolina (PE). Durante a abordagem, os quatro PMs esconderam suas identificações e sacaram armas contra as estudantes. Até agora, o Batalhão da PM se nega a colaborar na identificação dos policiais.

Foto: UESPE

PERNAMBUCO – No último dia 9 de novembro, a estudante Camila Roque, diretora da União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (UESPE) e militante da UJR, foi covardemente agredida por quatro policiais militares em pleno centro da cidade enquanto se dirigia ao campus da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF).

Camila e mais duas estudantes foram abordadas pelos policiais e revistadas ilegalmente, já que a revista de mulheres deve ser realizada por policial do sexo feminino. Suas mochilas foram abertas, mas apenas livros e agendas foram encontrados. Ao perceberem que um dos livros era de teoria marxista, os PMs disseram que o material seria recolhido. “Nesse momento, falamos que isso era ilegal e que até onde sabíamos ainda vivíamos num país democrático, onde temos o direito de ler o que quisermos”, relatou Camila. “O que nos chamou a atenção desde o começo, foi que todos os policiais estavam cobrindo com as mãos suas identificações e em nenhum momento explicaram os motivos dessa abordagem tão violenta”, explica.

Ao perceberem que a intimidação não estava surtindo efeito, os quatro policiais militares liberaram as militantes, que seguiram caminho até que Camila foi novamente abordada e, desta vez, agredida com um soco no olho, xingada de “terrorista” e avisada de que “Bolsonaro ia acabar com isso tudo”.

Imediatamente após a agressão, uma rede de solidariedade com movimentos sociais, de mulheres negras, parlamentares de esquerda e com a importante participação da diretora da Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina (FACAPE) se formou na cidade para defender as três companheiras e denunciar a truculência policial, sinal dos tempos de radicalização do fascismo e da impunidade em nosso país. Na delegacia, um boletim de ocorrência foi registrado, mas todas as providências para que os PMs fossem identificados esbarraram na omissão do Batalhão da Polícia Militar de Petrolina, que se recusou a apresentar a escala de ronda do dia.

“É um absurdo que ainda sejamos obrigados a conviver com esse tipo de impunidade em nosso país. Nós, jovens negros e pobres, sofremos diariamente com o racismo e a violência da polícia que, ao que parece, conta com o apoio das autoridades do Estado”, disse Camila.

A UESP e a União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (UESPE) já entraram com denúncia da violência na Comissão de Direitos Humanos da OAB-PE e o Ministério Público também está empenhado em identificar os quatro policiais covardes e responsabilizá-los pelo fato.

O momento político que vivemos no Brasil exige de todos os militantes sociais atenção e cuidados redobrados contra a covardia de grupos fascistas – fardados ou não – que agem cada vez mais livremente. A melhor defesa contra a violência reacionária dos poderosos é crescer o movimento de massas e a luta contra o fascismo, pois somente pondo fim a esta sociedade podre na qual vivemos podemos acabar com a violência.

Por Redação Pernambuco

http://averdade.org.br/

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Negros têm 2,7 mais chances de serem mortos do que brancos, diz IBGE

255 mil pessoas negras foram mortas em seis anos, revela estudo

Movimento Negro protesta contra violência em São Paulo.

A população negra tem 2,7 mais chances de ser vítima de assassinato do que os brancos. É o que revela o informativo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, divulgado nesta quarta-feira 13 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo a analista de indicadores sociais do IBGE Luanda Botelho, enquanto a violência contra pessoas brancas se mantém estável, a taxa de homicídio de pretos e pardos aumentou em todas as faixas etárias.

“Na série de 2012 a 2017, que foi o período que a gente analisou neste estudo, houve aumento da taxa de homicídios por 100 mil habitantes da população preta e parda, passando de 37,2 para 43,4. Enquanto para a população branca esse indicador se manteve constante no tempo, em torno de 16”, disse ela.

Para os jovens, a situação é mais crítica. Ainda na comparação por 100 mil habitantes, a chances de morte beiram o triplo do que pessoas brancas entre 15 e 29 anos.

De acordo com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, foram registradas 255 mil mortes de pessoas negras por assassinato nos seis anos analisados.

Estudantes

Segundo o levantamento, a violência vivenciada na escola também atinge mais a população preta e parda do que a branca. O IBGE analisou dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2015 com alunos do nono ano, e concluiu que 15,4% dos pretos ou pardos e 13,1% dos brancos deixaram de ir à aula em algum dia por falta de segurança no trajeto entre a casa e a escola.

Do total de estudantes, 53,9% dos pretos e pardos estudavam em escolas localizadas em áreas de risco, enquanto entre os brancos a proporção cai para 45,7%. A diferença cresce na comparação apenas entre escolas privadas, com 40,7% dos pretos ou pardos e 29,5% dos brancos.

Segundo o IBGE, jovens expostos à violência têm mais propensão a sofrer de doenças como depressão, vício de substâncias químicas e problemas de aprendizagem, além de suicídio.

 

 

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Líder Guajajara é morto em emboscada de madeireiros contra indígenas no Maranhão

Paulo Paulino foi assassinado dentro de terra indígena; “governo Bolsonaro tem sangue indígena em suas mãos”, diz APIB

Paulo Paulino integrava um grupo de agentes florestais indígenas conhecido como “Guardiões da Floresta” / Sarah Shenker/Survival International/Reprodução

O indígena Paulo Paulino Guajajara foi assassinado por madeireiros na última sexta-feira (1º) na região de Bom Jesus das Selvas, no Maranhão. Paulo, que também era conhecido como “Lobo Mau”, integrava um grupo de agentes florestais indígenas conhecido como “Guardiões da Floresta”.

Segundo informações de entidades, o grupo teria sido emboscado dentro de seu próprio território, entre as aldeias Lagoa Comprida e Jenipapo, na Terra Indígena Araribóia. Paulo teria sido morto com um tiro no rosto após “intenso confronto”. O corpo de Paulino teria permanecido um longo período no local de sua morte por impossibilidade de ser retirado, por conta da situação de violência contra os indígenas na área.

Outro guardião, Laércio Guajajara, foi ferido e está hospitalizado em situação estável. Um dos madeireiros que realizaram a emboscada também teria sido morto – o corpo segue desaparecido. A Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão encaminharam agentes para o local.

Os guardiões Paulino e Laércio haviam se afastado da aldeia para buscar água, quando foram cercados por pelo menos 5 homens armados, que de início já dispararam dois tiros contra os indígenas, segundo o relato de uma testemunha.

Em nota, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), afirmou que o caso confirma que “o governo Bolsonaro tem sangue indígena em suas mãos, o aumento da violência nos territórios indígenas é reflexo direto de seu discurso de ódio e medidas contra os povos indígenas do Brasil”.

“Nossas terras estão sendo invadidas, nossas lideranças assassinadas, atacadas e criminalizadas e o Estado Brasileiro está deixando os povos abandonados a todo tipo de sorte com o desmonte em curso das políticas ambientais e indigenistas”, continua o texto.

“Não queremos mais ser estatística, queremos providências do Poder Público, dos órgãos que estão cada vez mais sucateados exatamente para não fazerem a proteção dos povos que estão pagando com a própria vida por fazer o trabalho que é responsabilidade do Estado. Exigimos justiça urgente!”, declarou a liderança indígena Sônia Guajajara.

https://www.brasildefato.com.br/

 

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1 em cada 4 mulheres do País já foi vítima de violência, diz pesquisa

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública enfatizam que agressores, em geral, são pessoas próximas das vítimas

A violência contra a mulher no Brasil é ampla e está no centro da vida cotidiana das vítimas. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgados nesta terça-feira 26, ao menos 27% das mulheres do País sofreram algum de tipo de violência ou agressão. Mais: 80% desses crimes foram praticados por alguém próximo, como marido, namorado, pai, ex-companheiro ou até vizinho. E 40% dos casos aconteceram no interior da própria casa.

O levantamento fala em 4,6 milhões de mulheres agredidas (batidão, empurrão ou chute) no Brasil no último ano. São 536 mulheres por hora. Para violências de qualquer tipo são 16 milhões de mulheres – ou 1.830 vítimas por hora.

O índice cresce mais quando falamos de assédio, que inclui cantadas, comentários desrespeitosos e/ou humilhação. Das entrevistadas, 37,1% afirmaram já ter vivenciado casos assim no último ano.

A relação íntima com os agressores se reflete, muitas vezes, na baixa denúncia. Menos da metade das mulheres procura algum tipo de ajuda para a violência sofrida, segundo a pesquisa.

A ideia do estudo é subsidiar o planejamento de políticas públicas efetivas para o enfrentamento da violência contra mulher. Os dados, no entanto, são sub-notificados. Muitas mulheres não denunciam, e o apoio nas delegacias ainda é precário.

Samira Bueno, diretora-executiva do FBSP, em entrevista ao Universa, afirma que as expectativas de acolhimentos mais eficientes são baixas, levando em conta que os cargos importantes no país, e como poder para alterar esse quadro, ainda são ocupados majoritariamente por homens.

Uma observação em particular chama atenção nos resultados da pesquisa: a discrepância entre os números de percepção da violência e de vitimização – ou seja, da violência que acontece de fato.

A percepção de fatos violentos diminuiu desde que o levantamento foi feito pela última vez. Desta vez, 59% dos homens e mulheres entrevistados relataram terem presenciado alguma situação de assédio ou agressão, ante 66% em 2017.

De acordo com os números apresentados, 77% das pessoas entrevistadas entre 16 e 24 anos relataram terem visto alguma situação de assédio ou agressão nos últimos 12 meses. A porcentagem é menor em todas as demais faixas de idade – chega a 40%, para entrevistados com mais de 60 anos. Já no recorte da escolaridade, o reconhecimento da violência é de 65% para pessoas com ensino médio e superior. Entre entrevistados com apenas o ensino fundamental, fica em 48%.

https://www.cartacapital.com.br

 

 

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Em 10 estados, atos contra o assassinato de jovem negro paralisam atividades do Extra

Ativistas mantêm boicote ao supermercado, que pertence à rede varejista Pão de Açúcar, segunda maior do Brasil

Para o Movimento Negro Unificado, os supermercados são focos de racismo estrutural / Luciana Araújo (MNU)

Em dez estados brasileiros, milhares de manifestantes foram às ruas no domingo (17) e na segunda-feira (18) em protesto contra a rede de supermercados Extra, do Grupo Pão de Açúcar (GPA), por conta do assassinato por estrangulamento do jovem Pedro Gonzaga, de 19 anos, em uma unidade da rede na Barra da Tijuca, área nobre do Rio de Janeiro (RJ), no último dia 14. O GPA é vice-líder do setor supermercadista no Brasil, que fatura o equivalente a 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Os cinco maiores grupos, entre eles o GPA, abocanham mais de 40% do faturamento do setor.

Os atos aconteceram em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Sergipe, Ceará, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Bahia, Goiás e Pernambuco. Em cada localidade, os manifestantes se concentraram em frente a uma unidade de supermercado Extra e atuaram para impedir o atendimento enquanto ocorria o protesto.

Gonzaga foi morto pelo segurança Davi Amâncio, por volta do meio-dia, diante da mãe que gritava alertando sobre o estrangulamento do filho. O segurança diz que o jovem tentou tirar a arma dele e, por isso, foi necessário imobilizá-lo. Imagens do assassinato divulgadas na internet não sustentam a versão do segurança. A polícia considera a hipótese de homicídio doloso, quando há a intenção de matar.

“Temos o histórico de que os corpos negros não merecem respeito, não merecem estar na sociedade nos lugares onde estão o povo branco e a elite. E é mais ou menos assim a orientação dada em todas as redes de mercados”, lamenta Regina Lúcia dos Santos, 64 anos, uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado (MNU), que existe desde 1978.

Em 2017, último dado disponibilizado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o setor faturou R$ 353,2 bilhões, um crescimento de 4,3% em relação aos R$ 338,7 bilhões de 2016. O GPA registrou faturamento de R$ 44,9 bilhões em 2016 e de R$ 48,4 bilhões em 2017.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 54,9% da população do país é negra ou parda. Ou seja, são cerca de 110 milhões de consumidores de supermercados, que mantêm em alta o faturamento do setor.

“A morte de Pedro Gonzaga é mais uma gota no caldo do genocídio da população negra no nosso país. Ela demonstra muito o que a nossa população vive cotidianamente quando entra numa loja, quando entra em um supermercado, quando ocupa territórios que, por conta do racismo estrutural, não seriam seus”, afirma Luka Franca, militante do MNU em São Paulo (SP).

O ator e escritor Oswaldo Faustino vê como positiva a adoção do boicote contra o Extra – como símbolo do boicote ao racismo estrutural.

“Resta-nos agora boicotar o Extra, o Pão de Açúcar, esse grupo que contrata uma empresa de segurança e não prepara e não abre o olhar desses profissionais para entendimento de suas

limitações enquanto atuação, que cumpram o seu dever que é garantir a nossa segurança. E a segurança deles, muitas vezes é a morte dos nossos”, analisa.

(Foto: Luciana Araújo)

O cineasta Thiago Fernandes, dono da produtora Toco Filmes, de Diadema, na região metropolitana de São Paulo, lançou em 2018 o filme “Eu Pareço Suspeito?, sobre a história do jovem negro Ulisses Araújo, que estava pagando boletos em uma casa lotérica quando testemunhou um assalto. Assim como os outros clientes, ele tentou procurar um abrigo, mas foi atingido pela polícia. O rapaz agonizou na calçada, sem socorro médico, porque foi confundido com um assaltante. Fernandes vê semelhanças com o caso de Gonzaga.

“Os olhos são voltados para nos acusar, para não ficarmos sossegados. Tem um sinal de alerta de que o negro vai roubar, de que o negro causa perigo. Nesses lugares não vemos negros. Onde estão os negros na chefia? Mesmo sendo consumidor, mesmo pagando impostos, mesmo tendo direito ao voto, não temos o direito de estar em determinados lugares sem sermos incomodados”, questiona.

A única resposta possível, segundo Fernandes, é “incomodar” também. “O Extra emitiu uma nota pedindo desculpas. Isso não basta. Quando o Movimento Negro e outras organizações populares pararam o mercado, mesmo que por alguns minutos, isso abala. Isso causa incomodo. Diminui o lucro deles, mexe no bolso dos caras”, interpreta o cineasta, que também faz parte da UneAfro, rede popular de cursinho pré-universitário, e da rede de proteção ao genocídio da população negra.

O Brasil de Fato entrou em contato com a Abras e com o Grupo Pão de Açúcar para repercutir os protestos contra o assassinato de Pedro Gonzaga.

Os questionamentos sobre a atuação dos seguranças e vigilantes não foram respondidos. O Extra enviou uma nota à reportagem ressaltando que “repudia toda forma de racismo”, “que não vai se eximir das responsabilidades” e que instaurou uma sindicância interna para apurar o caso. O texto acrescenta que o supermercado se solidariza com os familiares de Pedro Gonzaga neste “momento de perda e dor”.

https://www.brasildefato.com.br