Notícias

Estudantes, trabalhadores e sonhadores. Quem eram os jovens que morreram após ação da PM em baile funk

Amigos e familiares contam como eram as nove vítimas que foram pisoteadas em Paraisópolis

Dennys Guilherme dos Santos Franco, 16 anos, morador da Vila Matilde, zona leste paulistana. Ele é uma das nove vítimas pisoteadas durante ação da PM em baile funk de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. ARQUIVO PESSOAL

Nove jovens de 14 a 23 anos, moradores de variados bairros da cidade de São Paulo e de cidades da região metropolitana da capital paulista. Um trabalhava com vendas, outro estava desempregado e mantinha vivo o sonho de ser jogador de futebol, outros vários ainda estudavam. Amigos e, sobretudo, familiares contam como eram os nove mortos do massacre ocorrido em Paraisópolis, zona sul de São Paulo, decorrente de uma ação da Polícia Militar do Estado, comandada pelo governador João Doria (PSDB).

Parentes de alguns dos mortos estiveram no IML (Instituto Médico Legal) para reconhecer e liberar os corpos para os respectivos enterros. Eles relembraram com carinho de seus entes e cobraram respostas do poder público, seja pela violência da PM com os integrantes do baile funk, seja pelo fato de não verem os corpos com ferimentos das vítimas, apenas seus rostos.

Essa segunda questão é levantada por Vanini Cristiane Siqueira, irmã de Bruno Gabriel dos Santos, de 22 anos. Desempregado, o jovem trabalhava com telemarketing até ser demitido há alguns meses. Ainda nutria o sonho de virar jogador de futebol, apesar da idade avançada para o início de carreira. Para os pais, tempo que não foi suficiente para o amadurecimento do jovem torcedor do São Paulo. Nem sequer carteira de motorista o deixaram tirar, mesmo após quatro anos da liberação legal, por considerá-lo imaturo para ter um carro sob seu controle.

No IML, Vanini reconheceu o rosto do irmão. Quando tomou a atitude de abrir o saco que cobria o corpo, foi impedida por um funcionário do IML. Segundo ele, ela não poderia fazer aquilo pois o corpo estava muito machucado. “Eu saio daqui inconformada. Por que não pude ver o corpo do meu irmão? Não estão deixando ninguém ver o corpo, só o rosto”, afirmou a irmã. “Tem que saber o que aconteceu realmente, porque esses jovens foram impedidos de sair. Tem que ser averiguado. Infelizmente, o meu irmão se foi. É pedir justiça e que Deus receba ele”, lamentou.

Bruno era um rapaz apegado à família, segundo Vanini. Colocava os sobrinhos e os pais em primeiro lugar. Ele era adotado, vivia com a família de acolhimento desde os 10 anos em Mogi das Cruzes (Grande SP). “Inclusive, ele abraçou minha mãe esses dias e falou: ‘Mãe, eu não quero que você vá antes de mim, eu quero ir antes de você’. Ele sempre deixava bilhetes para minha mãe”, conta Vanini. No IML, a mãe biológica de Bruno não resistiu e desmaiou ao ver o filho deitado na maca.

Inconformismo é um sentimento comum entre os familiares. Roberto Oliveira é padrinho de Gustavo Cruz Xavier, 14 anos, estudante que morava no Capão Redondo, zona sul de São Paulo, a vítima mais nova do massacre. Eles descobriram que o jovem estava morto ao receberem por WhatsApp vídeos do massacre ocorrido no baile funk. Nas imagens, a mãe reconheceu Gustavo e, com sua demora de voltar para a casa, os familiares ligaram os pontos.

O adolescente mentiu e foi com dois amigos de 16 anos para o baile, considerado perigoso pela família, tanto pelas ações policiais quanto pela presença de “gente ruim”. “Os adolescentes que moram na periferia não têm condição de ir em um shopping curtir, em ir curtir nesses bailes no Anhembi, com um monte de artista. É muito caro. E os bailes funks são baratos”, comenta Roberto.

O padrinho conta que Gustavo “só tinha tamanho”, um menino doce que não tinha malícia nem “pensava rápido” quando acontecia uma confusão, como a ação da PM. O principal sonho dele, estudante do nono ano do ensino fundamental, era o de muitos jovens da periferia: ter um carro. “O Gustavo era um menino, não pensava muito no futuro”, lembra.

A família recebeu do IML apenas uma corrente usada por Gustavo no baile funk —nenhum outro pertence era permitido sob alegação de que as roupas foram cortadas e “jogadas fora”. “[Marca] de pisoteamento a gente não viu. Quando você cai no chão jogando bola você se rala. Nele não, tinha uma pancada na cabeça, na testa, e o pescoço estava meio roxo. Não deram nem a roupa dele para nós”, conta Roberto.

Marcos Paulo Oliveira dos Santos, 16 anos, disse para a família que ia comer uma pizza e foi para Paraisópolis. O estudante se preparava para fazer vestibular e aproveitou um momento para juntar um grupo de amigos e ir pela primeira vez a um baile funk, de acordo com um familiar. Era um intervalo para divertimento. Um dos integrantes do grupo disse aos parentes de Marcos que a PM os agrediu deliberadamente.

“Bateram muito com cassetete, o outro rapaz está cheio de hematomas. Ele tropeçou, caiu e vários policiais o agrediram. Está com os punhos machucados”, conta a parente de Marcos, que pediu anonimato com medo de sofrer represálias. Marcos Paulo era um jovem tranquilo e amoroso que ainda estudava no 2º ano do ensino médio. Segundo essa familiar, o bairro em que moram dá poucas opções de lazer, o que faz os adolescentes buscarem os bailes.

Silvia Ferreira, cunhada de Mateus dos Santos Costa, 23 anos, criticou a falta de informações no IML. “Vamos na delegacia, alguém tem falar alguma coisa para a gente. O médico da perícia não sabe dar uma justificativa. Falam para voltarmos daqui a 60 dias e pegar o laudo”, afirma. “É uma pessoa que está ali, um humano. Não é um cachorro. Ao menos vem e fala: ‘Ele está muito machucado, não sabemos dizer se foi um espancamento, se foi pisoteamento’. Dá uma declaração justa. Que governo é esse?”, esbraveja.

O jovem ganhava a vida vendendo produtos de limpeza. Natural da Bahia, morava em Carapicuíba, cidade da região metropolitana de São Paulo, e viveu seus últimos dias cercado de alegrias. Mateus era torcedor do Flamengo, time que no fim de semana do dia 23 de novembro conquistou os títulos da Copa Libertadores e do Campeonato Brasileiro de futebol masculino.

“O vídeo mostra muito bem claro. Os amigos disseram que foi tudo muito rápido, que os policiais já chegaram fechando a rua. Fecharam todos os becos e um escadão”, conta Silvia. “Ele era um menino tranquilo. Se fosse errado, eu falava que não valia nada. Ele só foi para lá porque Carapicuíba não tem opção para a gente sair, nem para nós que somos casal”, afirma, se referindo ao companheiro, Marcos Costa, irmão de Mateus, que estava no IML.

Uma parente de Dennys Guilherme dos Santos Franco, 16 anos, morador da Vila Matilde, zona leste paulistana, conta que ouviu de um amigo que estava com o jovem o que teria ocorrido no baile. O grupo correu quando a polícia chegou, Dennys ficou para trás e um dos amigos tentou ajudar. Ali, um policial teria dito: “pode deixar que a gente cuida dele”.

“Não foi nada disso que eles estão divulgando. Ele tem um machucado na cabeça, os pés intactos e o costuraram de qualquer jeito. Pedi para tocar nele e não deixaram nem por a mão”, disse a familiar, abalada, pedindo para não ser identificada. Dennys estudava no segundo ano do ensino médio.

Um amigo de Denys Henrique Quirino da Silva, 16 anos, descreve o rapaz como “um moleque bom, que nunca fez mal para ninguém”. “Era trabalhador, que estudava e sempre tirava um sorriso de todo mundo, muito brincalhão”, comenta o rapaz.

Moradora do Jardim Primavera, região do Grajaú, também na zona sul de São Paulo, Luara Victória de Oliveira, 18, era frequentadora assídua de baile funk. Segundo o R7, um parente da vítima, que pediu para não ser identificado, contou que Luara foi criada pelo pai na casa da avó e precisou muito do apoio de familiares nos últimos cinco anos, quando ficou órfã. Também relatou que amava ir aos “pancadões” e que já tinha ido outras vezes ao baile de Paraisópolis. Ela estudava na rede pública, em uma escola ao lado do bairro onde vivia, e estava procurando um emprego.

Pai de uma criança dois anos, Eduardo Silva, 21, é a oitava vítima. Ao site R7 uma cunhada do jovem, que preferiu não se identificar, afirma que a família ficou desesperada quando Eduardo não voltou do baile. “Como vai ser agora? Na hora que recebei a notícia fiquei pensando no que dizer quando ele perguntar do pai. Como vou explicar o que aconteceu”, disse. Ele morava no bairro Cidade Ariston, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, com a mãe, o pai, uma irmã e o filho, e trabalhava numa oficina mecânica. “Agora fica a lembrança e a saudade. Ele era um bom menino”, lamenta.

Gabriel Rogério de Moares, 20, a nona vítima, foi velado e enterrado nesta segunda-feira (2/12) em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, onde vivia. Ao site G1 o pai dele, Reinaldo Cabral de Moraes, disse que uma ação contra criminosos não justifica agredir jovens que estavam se divertindo. “Não existe justificativa para tirar uma vida. Vão ter investigações, mas o que indica é que houve um excesso policial, força excessiva contra jovens que estavam lá e não tinham nada a ver com o assunto”, criticou.

Ainda segundo o portal, Gabriel trabalhava como leiturista de uma empresa que presta serviços para uma concessionária de energia.

 

https://brasil.elpais.com/

Notícias

A Cia Biruta de teatro emite nota pública sobre o ocorrido no último domingo, 24, na Mostra de Arte Novembro Negro

A nota também foi assinada pela Rede Brasileira de Teatro de Rua – RBTR e suas representações de todo território nacional. O grupo e todas as pessoas agredidas receberam ainda a solidariedade e o importante posicionamento de diversas instituições e grupos artísticos locais que repudiaram a truculência da polícia militar em um evento cultural da periferia da cidade de Petrolina que comemorava o mês da Consciência Negra.

Foto: Cia Biruta

A nota, que relata todo o acontecido e demonstra a indignação diante da ação arbitrária e violenta de alguns policiais militares integrantes do 2º Biesp – Petrolina (PE), foi publicada no último dia 25 nas redes sociais do grupo e em seguida teve adesão da Rede Brasileira de Teatro de Rua – RBTR, que no dia 27 endossou a carta de repúdio da Cia Biruta, assinando-a em conjunto com o grupo.

Nos últimos dias após o ocorrido, a Cia Biruta, o vereador Gilmar Santos, a comunicadora e educadora  Karol Souza, o poeta e educador Fabrício Nascimento, o músico e educador Maércio José e demais envolvidos, vítimas da abordagem truculenta, receberam manifestações e notas de solidariedade de diversas instituições e pessoas, tais como:

A Universidade Federal do Vale do São Francisco;

A Ong Acari – Articulação para Cidadania;

Rede de Mulheres Negras do Sertão;

Grito dos Excluídos;

O Teatro Popular de Arte;

A Trup Errante;

O Coletivo Abdias de Teatro;

Trupe do Benas;

Grupo Artimanha;

Nu7 Produções;

A Câmara Municipal de Petrolina;

A vereadora Maria Elena;

A vereadora Cristina Costa;

Psol – Partido Socialismo e Liberdade – Petrolina;

O Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores;

O Colegiado de Artes Visuais da Univasf;

O Colegiado de Ciências Sociais da Univasf;

Grupo de estudos Kabecilê;

Conselho Municipal de Cultura de Juazeiro-BA;

O COMPIR – Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Juzeiro-BA;

LIAAC – Univasf;

Liga Acadêmica de Análise do Comportamento;

Coletivo de Assessoria Jurídica Popular Luiz Gama UNEB -Juazeiro-BA;

Centro Acadêmico de Ciências Sociais – Gestão Marielle Franco;

Diretório Central dos Estudantes da Univasf;

Sindicato de professores da Universidade Federal do Vale do São Francisco (SindUnivasf);

O Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) do Instituto Federal do Sertão Pernambucano;

Entre outras demonstrações de apoio às vítimas das agressões, ao evento e à luta antirracista, bem como às ações contra a violência institucional e à favor da cultura de paz nas nossas periferias.

Foto Reprodução (Jovens sendo agredidos e vereador Gilmar Santos algemado)

Leia a nota da Cia Biruta na íntegra:

A Cia Biruta repudia a ação truculenta e arbitrária da Policia Militar/ 2ªBiesp que agiu com abuso de poder e violência em sua forma de abordagem, no intuito de negar o direito à comunicação e à cobertura dos acontecimentos de um evento aberto ao  público, sem o menor zelo pela segurança de crianças, pelos direitos e pela dignidade das pessoas que estavam presentes ontem, 24, na praça CEU das Águas em uma ação cultural e de economia solidária promovida pelo grupo, pelo contrário, promovendo a violência e o desrespeito. O caso ocorreu na festa de celebração do Novembro Negro pela Mostra de Arte, promovida pelo grupo desde o dia 11 desse mês e que se encerra no dia 30, no Quilombo Mata de São José, em Orocó. A partir da temporada do espetáculo “Corpo Fechado”, resultado das oficinas de teatro realizadas há 3 anos pela Ocupação Artística da Cia Biruta no equipamento cultural CEU das Águas pensamos em agregar ações extra palco como contações de histórias nas calçadas, oficinas em escolas, rodas de conversas e feira cultura, assim fizemos, encerrando a ação no bairro como um Baile Black e a feira Quilombo Urbano.

A ação arbitrária da polícia foi mais um caso lamentável de abuso de autoridade e racismo estrutural por parte de funcionários do Estado que dizem ser responsáveis pela segurança pública, mas que mobilizaram um grande número de viaturas e policiais no local para intimidar uma mulher por porte de celular, dando um fim triste a uma noite que seria de celebração do povo negro daquela comunidade.

A primeira abordagem, a uma pessoa suspeita de portar arma de fogo, foi realizada e nada foi encontrado, quando mesmo depois de contido o suspeito e um dos policiais conversarem com ele tranquilamente, um outro policial circula no espaço com a moto em alta velocidade entre as pessoas no local e intimida a companheira Karol Souza, da Associação das Mulheres Rendeiras, que veio para cobrir e prestigiar o evento, por filmar a ação. Ele avançou para tomar seu celular e levá-la coercitivamente como única testemunha da ação policial, questionados sobre o direito em fazer tal abordagem, os policiais reagem de forma violenta contra Maércio José, músico e produtor cultural, e Fabrício Nascimento, poeta e produtor cultural, que a protegiam e contra ela mesma e outras pessoas que estavam no local, dentre elas o vereador Gilmar Santos, que também argumentava em defesa de Karol.  Foram empurrões, mata-leões, murros, chutes e spray de pimenta deferidos contra  a população de forma arbitrária, incluindo, além da companheira e dos companheiros detidos,  integrantes da Cia Biruta e  jovens do Núcleo Biruta de Teatro.

Mais uma vez o racismo estrutural inviabiliza, negligencia e violenta a liberdade da negritude. O ocorrido nos entristece e nos revolta, mas não nos surpreende, nesse mesmo mês uma mulher negra levou um soco por portar um livro de conteúdo político na sua bolsa na última semana, aqui na mesma cidade, também pela polícia militar.

Nos solidarizamos com a companheira Karol e com os companheiros Maércio, Fabrício e Gilmar Santos e todos que foram de alguma forma agredidos. Sabemos que a luta é diária, que o racismo e sua violência estão encrustados nas instituições, sobretudo nas de repressão, e que muita coisa temos que mudar no modo como as pessoas veem e abordam a periferia, mas estamos na luta para reerguer o nosso povo e somos muitos.

Cia Biruta de Teatro-Petrolina/PE

Também assinam a carta:

✓ Teatro em Trâmite – Florianópolis/SC

✓ Casa Vermelha / Florianópolis/SC

✓ Teatro de Rocokóz – São Paulo/SP

✓ Cia Pedras – Maringá/PR

✓ Grupo Vivarte – Rio Branco/AC

✓ De Pernas Pro Ar – Canoas/RS

✓ Cirquinho do Revirado – Criciúma/SC

✓ Grupo TIA – Canoas/RS

✓ Cia. Fundo Mundo / Florianópolis/SC

✓ Cia. Estável de Teatro – São Paulo/SP

✓ Cia Delas / Londrina/PR

✓ Circo e Teatro Éramos Três / Cascavel/PR

✓ Escarcéu de Teatro – Mossoró/RN

✓ Grupo Xingó – São Paulo/SP

✓ Teatro de Caretas / Fortaleza/CE

✓ Mamulengo Sem Fronteiras – Brasília/DF

✓ Cia. Canina – Teatro de Rua e Sem Dono – São Paulo/SP

✓ Mãe da Rua – São Caetano/SP

✓ Bando Goliardxs – São Paulo/SP

✓ Os Atrapalhados – Osasco/SP

✓ Teatro Imaginário Maracangalha / Campo Grande/MS

✓ Grupo Teatral Nativos Terra Rasgada – Sorocaba/SP

✓ Cia. Colcha de Retalhos – São Paulo/SP

✓ Tropa Mamulungu / Rio Branco/AC

✓ Cia. MiraMundo Produções Culturais / São Luís/MA

✓ Cia Teatro de Garagem – Londrina/PR

✓ Na Cia da Cabra Orelana – São Paulo/SP

✓ Poeta Capim Santo / TERUÁ – Fortaleza/CE

✓ Buraco d’Oráculo / São Paulo-SP

✓ Bornal de Bugigangas – Assis/SP

✓ Circo Teatro Capixaba – Divino de São Lourenço/ES

✓ Grupo de Teatro de Rua Loucos – Recife/PE

✓ Oprimidos da Maciel – Recife-PE

✓ Teatro Ruante – Porto Velho/RO

✓ Som Na Linha / Presidente Prudente/SP

✓ ERRO Grupo –  Florianópolis/SC

✓ Pombas Urbanas – São Paulo/SP

✓ Coletivo Menelão de Teatro – ABC/SP

✓ Fátima Sobrinho – Belém/PA

✓ Trupe Olho da Rua – Santos/SP

✓ Trupe Tamboril de Teatro – Uberaba/MG

✓ Coletivo Dolores Boca Aberta – São Paulo/SP

✓ Grupo Primeiro de Maio Salvador/BA

✓ Núcleo Ás de Paus – Londrina/PR

✓ Mala nas Costas – São Miguel do Gostoso/RN

✓ Circo Teatro Capixaba

✓ CHAP – Companhia Horizontal de Arte Pública/RJ                                                             

✓ Povo da Rua-teatrodegrupo- Porto Alegre/RS

✓ GRUTTA – Tangara da Serra/MT

✓ Grupo TAMTAN – Tanquinho/BA

✓ Kiwi Cia de Teatro – São Paulo/SP

✓ Coletivo Comum – São Paulo/SP

✓ Cabaré Feminista – São Paulo/SP

✓ Núcleo Pavanelli de Teatro de Rua e Circo- Tatuí/SP

✓ Brava Companhia – São Paulo/SP

✓ Cia Casa da Tia Siré – São Paulo/SP

✓ Estudo de Cena – São Paulo/SP

✓ Dirigível Coletivo – Belém/PA

✓ Grupo de Teatro Quem Tem Boca é Pra Gritar – João Pessoa, Paraíba/SP

✓ O Imaginário – Porto Velho/RO

✓ Galpão da Lua – Presidente Prudente/SP

✓ Federação de Teatro do Acre

✓ Cia. Visse e Versa – Rio Branco/AC

✓ Cia. Translúcidas – Londrina/ PR

✓ Trupe Circuluz- Olinda/PE

✓ Cia de Teatro Soluar – João Pessoa/PB

✓ Coletivo CLanDesTino – Dourados/MS

✓ Grupo Ueba Produtos Notáveis – Caxias do Sul/RS

✓ Nóis de Teatro / Fortaleza/CE

✓ Fábrica de Teatro do Oprimido de Londrina

✓ Trupe Tamboril – Uberaba-MG

✓ Movimento Artistas de Rua de Londrina

✓ Zecas Coletivo de Teatro – Belém – PA

✓ Esquadrão da Vida – DF

✓ Movimento de Teatro de Rua da Bahia MTR-Ba

✓ Grupo de Arte Popular A Pombagem

✓ Coletivo Arte Marginal Salvador

✓ Coletiva Mulheres Aguerridas

✓ Núcleo sem Drama Na Cia da Cabra Orelana –  São Paulo/ SP

✓ Grupo Olho Rasteiro – Curitiba/PR

✓ Grupo Rosa dos Ventos – Presidente Prudente SP

✓ Ivanildo Piccoli (prof UFAL)

✓ GESTO- BA

✓ Amora – Santo André/ SP assina.

✓ Árvore Casa das Artes/ES.

✓ OIgalê Cooperativa de Artistas Teatrais – Porto Alegre/RS

✓ Grupo Manjericão. Poa – RS.

✓ Associaçao cultural Rualuart Brasil/ Gov Dix Sept Rosado/ RN

✓ Grupo GRUTTA – Tangará da Serra/MT

✓ Grupo de Pesquisa e Extensão em Artes Cênicas do Semiárido Brasileiro – GruPANO – BA

✓ Trup Errante – PE

Foto: Reprodução (jovens abraçados protegendo a comunicadora)
Foto: Reprodução

 

 

Notícias

Petrolina: participantes de evento cultural do Novembro Negro denunciam ação violenta da Polícia Militar

Participantes do evento, denunciam a ação violenta de policiais militares do 2º Batalhão Integrado Especializado (2º Biesp).

(foto: arquivo)

O encerramento de um evento em alusão ao Novembro Negro, que trazia exposição de produtos, música, e apresentações culturais como forma de enaltecer o processo de resistência e empoderamento da população negra, terminou em mais uma denúncia de agressão policial em Petrolina-PE. Participantes do evento, que acontecia no espaço Céu das Águas, no bairro Rio Corrente, na noite deste domingo (24), denunciam a ação violenta de policiais militares do 2º Batalhão Integrado Especializado (2º Biesp).

Segundo os participantes, tudo começou por volta das 20h, quando na praça onde o evento estava sendo realizado, os PMs chegaram em três motocicletas e abordaram um homem que segundo eles, era suspeito de estar portando uma arma de fogo – nada foi encontrado durante a revista. Incomodados com a forma como foi feita a abordagem na praça – segundo testemunhas, os policiais adentraram no espaço com arma em punho e não se intimidaram com a presença de crianças e adolescentes no espaço -, os organizadores tentaram dialogar com os agentes, que reagiram de forma abusiva.

Em conversa no programa Palavra de Mulher desta segunda-feira (25), o vereador Gilmar Santos (PT) contou que uma integrante da Associação das Mulheres Rendeira filmou o momento do conflito, o que teria incomodado os policiais, que ao perceberem que estavam sendo filmados, pediram que a jovem entregassem o celular. Karol Souza, que também é comunicadora da Central Popular de Comunicação, entretanto, se negou a entregar o aparelho telefônico.

“O policial disse ia apreender o celular e que iria detê-lá e arrola-lá como testemunha do suspeito que eles tinham liberado. Ela não estava cometendo nenhuma irregularidade”, contou o vereador que disse ainda que os policiais tentaram prender Karol.

Algumas pessoas que estavam no local, como o músico Maércio José (Tio Zé Bá) e o Poeta Nascimento, do Sertão Poeta, tentaram proteger a jovem, abraçando-a, e foram agredidos. “Tentei dialogar com os policiais, em vão. Eles usaram de mobilização bastante violenta em uma das jovens, um mata-leão, que quase estrangulou essa jovem. Quando nosso companheiro Máercio, junto com o Poeta Nascimento, abraçaram a Karol, para protege-lá e não deixarem que os policiais levassem (para a delegacia), eles disseram que iam levar os três. Me aproximei, abracei-os e falei que iam me levar também”, disse Gilmar que chegou a ser empurrado pelos agentes, e algemado.

Ainda segundo as testemunhas, cerca de oito viaturas da 2º Biesp foram acionadas. A polícia também usou spray de pimenta contra o público que estava presente no local.

O dançarino e DJ Thierri Oliveira, que se apresentava no evento no momento da ação da polícia, compartilhou em suas redes sociais, um desabafo sobre as cenas que presenciou. O artista se diz inseguro diante das denúncias de violência policial na cidade. “Todos que foram detidos são negros, em uma ação do Novembro Negro. Estava todo mundo tranquilo, se divertindo. Mas só os pretos foram agredidos. Me preocupa saber que quem deveria nos proteger, está nos agredindo. Se isso é segurança, eu não me sinto seguro, ainda mais sendo artista, negro, periférico e gay. A verdade é que não tem ninguém para nos proteger. Era a polícia que estava batendo nas pessoas. A quem eu iria pedir socorro?”, questionou.

Cris Crispim, atriz e coordenadora do evento, também presenciou toda a cena. “Estávamos fazendo um evento bonito, com intervenções na comunidade. Estávamos fazendo um trabalho que a gente sabe que o poder público falha em não fazer, que é de acesso à cultura, de levar às comunidades entretenimento e lazer saudável. Só queríamos festejar. De repente, nos deparamos com essa abordagem desproporcional e desrespeitosa. É uma convicção de que a nossa luta é necessária, e que nós ainda não temos um minuto de descanso”, considerou.

(foto: PNB)

Cerca de 50 artistas e representantes de entidades e organizações voltadas à luta contra o racismo de Juazeiro e Petrolina, se concentraram em frente a sede da 26º Delegacia Seccional da Polícia Civil, no bairro Ouro Preto, para onde Gilmar Santos, Karol Souza, Maércio José e o Poeta Nascimento foram encaminhados, prestando solidariedade às vítimas.

Com exceção do vereador, as vítimas realizaram exame de corpo delito no Instituto Médico Legal (IML), tendo em vista que apresentavam hematomas em partes do corpo devido a ação dos agentes policiais. Todos prestaram depoimento e foram liberados por volta das 4 horas da manhã.

“Estamos mobilizando todas as lideranças políticas do nosso campo e que têm pautado esse enfrentamento e a desigualdade social, e exigindo uma agenda com o governador, o senhor Paulo Câmara, e com o secretário de Defesa Social. Precisamos que essas autoridades façam uma interação eficaz junto ao comando local. Não podemos permitir que esses comportamentos se naturalizam, e que se crie esse estado de medo. Não vamos nos submeter ao medo, à covardia e a injustiça. O estado precisa ser pautado na sua estrutura. Vamos procurar os meios legais, inclusive políticos, para enfrentar essa situação”, garantiu o vereador Gilmar Santos.

Repúdio

Em nota, o Conselho Municipal de Cultura de Juazeiro-BA repudiou a ação dos policiais, considerando que essa “violência institucional é uma das faces mais perversas do Racismo no Brasil, que fere de morte o ideal de um Estado Democrático de Direito, de uma sociedade justa, igualitária e livre de qualquer forma de discriminação” (leia na íntegra abaixo).

Outro caso de agressão

Recentemente, a Polícia Militar de Petrolina também foi alvo de denúncia de outro caso de agressão policial. No último dia 9 de novembro, a estudante Camila Roque, diretora da União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (UESPE) e militante da União da Juventude Rebelião (UJR) foi agredida por quatro Policiais Militares, no Centro da cidade de Petrolina, quando se dirigia ao campus da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF). A agressão aconteceu após os agentes encontrarem um livro de teoria marxista dentro da mochila da jovem, que estava com acompanhada de outras duas amigas.

Nota na íntegra

Nota de Repudio

O Conselho Municipal de Cultura de Juazeiro-BA vem por meio desta, repudiar veementemente a ação truculenta promovida por soldados da Policia Militar de Pernambuco lotados na 2º Biesp em Petrolina, quando da realização na noite de ontem (24/11) do encerramento da Mostra de Artes Novembro Negro promovida pela CIA Biruta de Teatro no CEU das Águas no Bairro Rio Corrente.

Na oportunidade, prestamos ainda nossos votos de solidariedade à CIA Biruta de Teatro, aos artistas Maercio José, Poeta Nascimento e a Karol Souza da Associação das Mulheres Rendeiras que foram violentados física e psicologicamente na ação dos policiais.

Não temos duvidas de que a ação de ontem não se configura como fato isolado, pelo contrario, representa o modus operandi de uma politica de segurança pública pautada no racismo e na repressão da população mais pobre. Ainda em novembro, a Estudante Camila Roque, dirigente da União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco, foi brutalmente violentada com um soco no rosto porque um policial se desagradou com um livro que a mesma carregava em sua bolsa.

Esse tipo de violência institucional é uma das faces mais perversas do Racismo no Brasil, que fere de morte o ideal de um Estado Democrático de Direito, de uma sociedade justa, igualitária e livre de qualquer forma de discriminação.

 

 

http://pretonobranco.org/

Notícias

Vereador e artistas são detidos após reagir a violência policial em Petrolina

Após registrar em vídeo abordagem truculenta da 2ª BIESP, quatro pessoas foram detidas

Polícia Militar usou spray de pimenta e apontou armas letais para a comunidade na ocasião / Reprodução

Neste domingo (24), o vereador Gilmar Santos (PT), a comunicadora popular Karoline Souza e os artistas Maércio José e Fabrício Nascimento foram agredidos e detidos no CEU das Águas, no bairro Rio Corrente. Na ocasião, acontecia o encerramento da Mostra de Artes Novembro Negro, organizada pela Cia Biruta de Teatro. De acordo com o parlamentar, a polícia havia feito uma abordagem violenta no local contra um jovem negro, que foi acusado pela polícia de estar portando uma arma no local. Durante a ação da polícia, Karoline Souza, comunicadora da Central Popular de Comunicação, registrou a abordagem em vídeo e foi repreendida pela polícia, que tentou apreender Karoline e o celular onde as imagens foram gravadas.

Os organizadores contestaram a decisão da polícia, que passou a usar spray de pimenta e apontar armas letais para a comunidade. Na tentativa de evitar a prisão de Karoline, Gilmar Santos, Maércio José e Fabrício Nascimento foram imobilizados e detidos. Para o parlamentar, a ostensividade foi desnecessária. “Eles nos algemaram, imobilizaram e um deles estava com uma soqueira e passou a nos socar na região do abdome e no rosto. Nesse momento já haviam no local mais ou menos oito guarnições da polícia. Era um cenário de guerra, porque partiram para cima de todos. Ainda no local cheguei a conversar com o Tenente Nascimento e argumentei que não era necessário o uso da força daquela maneira”, conta.

As quatro pessoas foram encaminhadas para 26º Delegacia Seccional da Polícia Civil, no bairro Ouro Preto. Muitas pessoas se dirigiram ao local para prestar solidariedade e às 04h Gilmar, Karoline, Maércio e Fabrício foram liberados. Agora, o parlamentar quer denunciar a ação do 2º Batalhão Integrado Especializado (2º Biesp) da Polícia Militar. “Vamos exigir uma correção no comportamento da polícia aqui em Petrolina e no estado, porque é generalizado. Estamos vendo a possibilidade de uma agenda com o governador Paulo Câmara e o Ministério Público para tratar da situação. Imagine a quantidade de violações que têm acontecido com pessoas que não têm nenhuma rede de proteção. Não podemos calar diante disso”, concluiu.

 

 

https://www.brasildefato.com.br/

Notícias

Vereador Gilmar Santos e mais três militantes do Movimento Negro são detidos por reagirem a violência policial

O parlamentar foi detido por tentar defender os jovens que foram agredidos

CEU das àguas

O encerramento da Mostra de Artes Novembro Negro, com o tema: Liberdade é não ter medo de brilha, realizado neste domingo, 24, no Céu das Águas, bairro Rio Corrente, foi alvo de uma ação truculenta promovida por policiais do 2° Biesp.

O fato se deu por volta das 20h, quando a polícia chegou no evento, organizado pela Cia Biruta de Teatro, e abordou um rapaz que eles diziam ser suspeito de estar portando uma arma, porém, segundo os organizadores, a Polícia fez uma abordagem violenta e totalmente desrespeitosa.

Karol Souza, da Associação das Mulheres Rendeiras, estava filmando o momento do conflito, mas quando os policiais perceberam que estavam sendo filmados pediram seu celular da jovem, que ao negar entregar foi agredida juntamente com o músico Maércio José e o Poeta Nascimento, que estavam com ela e tentaram a proteger. Além disso, a polícia aspergiu spray de pimenta nas pessoas que estavam próximas, ignorando a presença de crianças no local.

O vereador Gilmar Santos, que estava no evento, também foi detido ao tentar proteger os demais que foram covardemente agredidos. Vários artistas estão na delegacia Ouro Preto prestando apoio aos colegas e reivindicando justiça sobre essa agressão racista.

 

 

http://gilmarsantos.org/

Notícias

Crispim Terral volta à CAIXA após ser humilhado e agredido

De cabeça erguida, com lágrimas nos olhos e sob aplausos, Crispim Terral comparece a protesto popular realizado dentro da agência da Caixa onde foi humilhado e estrangulado

Crispim Terral (reprodução)

O empresário Crispim Terral, 34, compareceu nesta quarta-feira (27) a um protesto na agência da Caixa Econômica Federal onde foi humilhado por gerentes e estrangulado por policiais.

Crispim, que é proprietário de uma farmácia em Salinas da Margarida, no Recôncavo baiano, chegou ao local de cabeça erguida e foi recebido sob aplausos e aclamação. Ele estava visivelmente emocionado.

A manifestação foi organizada pelo movimento negro e ocorreu de maneira pacífica. Crispim estava acompanhado da esposa, Geni Pimentel Lima. A filha de 15 anos que presenciou e filmou toda a violência permanece abalada.

“Todo esse apoio que recebo fez eu me sentir abraçado. Me emocionei ao chegar aqui. Não tenho palavras para dizer no local onde fui excluído pela cor. Nunca senti isso. Ouvia só relatos sobre o racismo. Mas eu vivi esse momento e é muito doloroso”, disse Crispim.

Rafael Manga, um dos organizadores da manifestação, ressaltou a importância do protesto.“Muitas vezes dizem que o racismo é ‘mimimi’. Isso, que povo branco tenta colocar na nossa cabeça, está matando cada vez mais”, alertou.

“Tínhamos que fazer hoje. Essa é uma das agências mais populares da cidade que tem uma quantidade enorme de negros, nós somos a maioria. Não podemos aceitar esse racismo institucionalizado, viemos dizer à sociedade que Crispim não está sozinho. O racismo mata o nosso povo de várias formas”, completou Hamilton Oliveira, que também encabeçou a manifestação.

O professor e psicólogo Walter Takemoto, de 64 anos, afirmou que um gerente da Caixa, a princípio, pediu que os manifestantes não entrassem na agência. Mas, ao perceber que o grupo não cederia, liberou a entrada.

“Se tivessem impedido nossa entrada, a gente ia bloquear as entradas, seria pior. Então, o que fizemos foi entrar pacificamente e explicar aos clientes o porquê de estarmos ali, e que o que aconteceu com o Crispim foi, sim, racismo. Nosso objetivo foi mostrar o descaso com o qual administram a agência e a importância de discutir o racismo”, comentou Takemoto.

“Não tem nem 15 dias que vimos coisa parecida com Pedro Gonzaga, no Supermercado Extra. E eu penso que se Crispim fosse mais jovem, mais franzino, quem sabe não poderia ter acontecido coisa pior. O golpe foi o mesmo”, lembrou o professor.

O gerente e as algemas

Um dia depois das agressões contra Crispim Terral, a Caixa Econômica Federal anunciou o afastamento do gerente que humilhou que Crispim. No vídeo, o gerente diz frases como “não negocio com esse tipo de gente” e “eu só vou para a delegacia se ele [Crispim] for algemado”.

André Cruz, advogado de Crispim, falou à imprensa. “A gente vai buscar o enquadramento ou no crime de racismo ou de injúria racial. Precisamos responsabilizar os efetivos culpados pelos constrangimentos sofridos por Crispim”, disse.

Jerônimo Mesquita, presidente da Comissão dos Direitos Humanos da OAB-B, destacou o fato de que a exigência por algemas, por parte do gerente da Caixa, já indica um ato exagerado para a situação.

“Antes mesmo de chegar à violência, aquilo já é absurdo. Há uma súmula no Supremo Tribunal Federal (STF) que diz que o uso de algemas deve ser excepcional. A vítima apenas reivindica direitos, quer esclarecimentos”, ressaltou.

Jerônimo também comentou que o PM não poderia ter cedido ao pedido do gerente da loja, que exigiu a prisão do empresário. “Um servidor público tem o dever de se recusar a cumprir esse tipo de ordem, que chamamos de manifestamente ilegal, o policial tinha que ter se negado a cumprir. Crispim não oferecia risco à vida de ninguém ali”, concluiu.

O momento em que o empresário Crispim Terral chegou no ato de denúncia do caso de racismo que ele sofreu. A ação foi realizada na Agência da Caixa Econômica Federal, no Largo do Relógio de São Pedro, Centro de Salvador, nesta tarde.O empresário foi imobilizado por um policial quando tentava solicitar um comprovante de pagamento de dois cheques pagos pela Caixa. Imagens: Rosalvo Neto / Correio Nagô

Publicado por Mídia Ninja em Terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Crispim Terral

Durante dois meses, Crispim Terral vem mantendo contato com a agência da Caixa para receber o comprovante de pagamento de dois cheques — um no valor de R$1 mil e outro no de R$1.056. Ambos foram devolvidos pela agência, em novembro do ano passado, sob alegação de que não havia saldo na conta para compensá-los.

Crispim relata que a confusão começou após um dos gerentes do banco o deixar por quase cinco horas à espera de atendimento no último dia 19 de fevereiro. Já era a oitava vez que ele ia ao banco e não recebia atendimento adequado.

Crispim, que é pai de 5 filhos, estava acompanhado da filha de 15 anos. Depois de se recusar a ser algemado como exigiu o gerente, o empresário acabou recebendo um estrangulamento de um dos PMs.

O empresário foi conduzido pelos policiais em uma viatura à Central de Flagrantes e autuado por desobediência e resistência. Em seguida, ele procurou uma unidade de saúde onde recebeu atendimento por sentir fortes dores no maxilar, cabeça, pescoço e ombro esquerdo.

Ele prestou uma queixa contra os PMs na Corregedoria da Polícia Militar na quarta-feira (20). Segundo o relato do empresário, registrado na Corregedoria e disponibilizado por ele em uma rede social, os soldados Roque da Silva e Rafaeal Valverde Nolesco iniciaram as agressões físicas contra ele.

A íntegra do relato de Crispim Terral pode ser vista AQUI.

https://www.pragmatismopolitico.com.br

Notícias

Jovem estudante é agredida por PM no carnaval de Juazeiro e UNEB emite nota de repúdio

“Solicitamos do comando da corporação Polícia Militar e das demais autoridades competentes a imediata apuração e responsabilização do(s) envolvido(s) no bárbaro ato”, diz a nota.

A Comunidade Acadêmica da Universidade Estadual da Bahia (UNEB),campus Juazeiro, emitiu na manhã desta segunda-feira, 29, uma nota de repúdio contra a atitude de um policial militar que agrediu uma estudante desta instituição de ensino e pede que o caso seja apurado e os culpados, punidos. Confira abaixo a nota na íntegra.

NOTA DE REPÚDIO

A Comunidade Acadêmica do Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais (DTCS) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Juazeiro, manifesta seu repúdio e repulsa à atitude de um Policial Militar, que, no circuito do Carnaval, durante a madrugada deste domingo (28), sem motivo aparente, agrediu de forma violenta e covarde uma jovem aluna do curso de Direito do DTCS-UNEB que se encontrava pacificamente na avenida brincando o carnaval. Solicitamos do comando da corporação Polícia Militar e das demais autoridades competentes a imediata apuração e responsabilização do(s) envolvido(s) no bárbaro ato.

Prof. Fábio Gabriel Breitenbach

Diretor em exercício

Prof. Jairton Fraga Araújo

Diretor

Comunidade Acadêmica

Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais

Universidade do Estado da Bahia

Além do caso da estudante vídeo veiculado nas redes sociais registrou outro caso de abuso de autoridade e agressão cometida por um PM a uma mulher. Em ambos os casos é esperado que os culpados sejam punidos. Abaixo à violência contra à mulher!

 

 

Notícias

1.522 mortes e 497 estupros em 2017: os números da incompetência em Pernambuco

Sucessão de equívocos políticos coloca Governo de Pernambuco na roda-viva de se omitir em relação ao crescimento dramático da violência no estado, errar o alvo no combate à violência e responder com censura e repressão àqueles que se manifestam contra o governo.

104_1280x853_175566544_900x600
Protesto contra o assassinato de Mário, de 14 anos, com 3 tiros da PM. Foto: Raphael Oliveira / Mídia NINJA

Desconforto: 1522 mortos de janeiro a março.

O ano de 2017 trouxe para Pernambuco um recorde que ninguém deseja: o de campeão em números de homicídios no país, com projeções para ser um dos recordes mundiais de violência até o final do ano.

Esse número alarmante não mostra os outros números por ele escondidos. Nem nomes.

Em pedido de informações dirigido ao governador Paulo Câmara, indagou-se o perfil dessas mortes. Dentre as perguntas, indagou-se os nomes das vítimas, causa das mortes, quantos jovens (15 a 29 anos), quantos negros, quantos feminicídios, quantas vítimas da violência policial (ver a íntegra do pedido de informações ao fim).

Em suma: quem morre em Pernambuco e por que? Sem essas respostas, não é possível elaborar políticas públicas de segurança. Sem que esses dados estejam disponíveis, fica inviabilizada a participação da sociedade civil na elaboração dessas políticas, um dos pleitos do protesto que vai acontecer no dia 19 de abril, em frente ao Palácio do Governo.

O protesto ganhou o nome de #Desconforto como forma de crítica ao pronunciamento do governador que, depois de publicados os números de mortes em janeiro e fevereiro – 977 mortes -, afirmou que os números não passavam de boato. Ao ser surpreendido pelas publicações oficiais do próprio governo admitindo o número alarmante de mortes, confessou que a situação estava “desconfortável”, o que causou enorme repercussão e revolta nas redes sociais, dada a evidente incapacidade de dar uma resposta ao problema da violência, literalmente.

Ausência de respostas

O prazo para resposta ao pedido de informações venceu no dia 16, mas o governo requereu prorrogação de prazo. Infelizmente, a suspeita é a de que o governo não possua os dados solicitados, o que explicaria a completa ausência de políticas de segurança pública como verdadeira causa da escalada da violência no estado.

É possível concluir, pela avaliação de entrevistas concedidas, que o governo responsabiliza as guerras entre grupos de traficantes pelos números assustadores.

Entretanto, a falta de dados oficiais (ou, no mínimo, a falta de divulgação desses dados) sobre os perfis das mortes em Pernambuco nos indica que a elaboração de políticas públicas nessa área segue em um barco sem bússola, ao sabor dos ventos.

998_1000x667_950843558_900x600
Retrato do governador, Paulo Câmara, pendurado na recepção da sede da Secretaria de Planejamento do Estado. Foto: Eric Gomes / Mídia NINJA

Ausência de políticas públicas

Um dos idealizadores do programa “Pacto pela Vida” – um programa que, a despeito de não ter sido isento de críticas, havia sido responsável pela diminuição do nível histórico de violência em Pernambuco – tem criticado duramente a atual ausência de políticas públicas de segurança. José Luiz Ratton afirmou em sua rede social que não existem projetos de transformação da Funase e do Sistema Prisional, ou voltados para seus egressos, nem de expansão de medidas e penas alternativas ou a programas de mediação de conflitos. Ele também critica a falta de projetos voltados para o fortalecimento da corregedoria e de uma ouvidoria independente. Ele tem apontado para a necessidade de criação e fortalecimento de um Fórum Estadual de Segurança Pública, em que movimentos sociais e universidades tenham assento.

Arma engatilhada para o alvo errado

Faltam políticas claras de segurança pública. E aquelas conhecidas são duramente criticadas.

Uma delas é gratificar a polícia pela apreensão de drogas, o que não apenas incentiva a apreensão forjada das drogas, como também aumenta a violência nos mercados ilícitos, ao invés de diminuir.

Igualmente preocupante é o recente anúncio da portaria 930 da Secretaria de Defesa Social como uma investida no combate à criminalidade. A filosofia que está por trás da portaria 930 identifica como causa maior da criminalidade a impunidade. Embora seja verdade que a impunidade é um dos fatores que contribui para a criminalidade, alçá-la à condição de raiz da criminalidade é um erro. E não traçar estratégias sérias de prevenção da violência, articuladas com programas sociais, pode levar a um agravamento do problema.

A referida portaria acaba com um dos méritos do “Pacto pela Vida”, que era a criação da competência exclusiva das delegacias de polícia especializada de homicídios, passando a atribuição da investigação dos homicídios a ser dividida com as demais delegacias.

042_2048x1366_305383810_600x400

Segundo depoimento do presidente do Sindicato dos Policiais Civis em entrevista à Folha de São Paulo, Áureo Cisneiros, o índice de esclarecimentos dos crimes é atualmente de 20%. Isso significa que cerca de 80% dos crimes permanece sem autoria identificada.

Nesse contexto, distribuir a atribuição antes exclusiva de delegacias especializadas para outras delegacias, já sobrecarregadas com as próprias atribuições, é maquiar a ineficiência do governo com uma decisão que não tem capacidade de avançar na diminuição da criminalidade.

O governo precisa aprender que soluções eficazes e viáveis devem necessariamente ser discutidas com a sociedade civil. Medidas criadas às pressas em gabinetes de um governo que se esconde da opinião pública tem poucas chances de significar real enfrentamento à violência.

Porém, não é apenas da população que o governo tem se escondido. O mesmo tem ocorrido com as pressões da classe policial.

As greves no setor da polícia vinham sendo constantes (antes da questionável decisão do STF sobre greves) e com pautas que gozavam de amplo apoio da sociedade. Além do baixo efetivo policial e salários dos mais baixos do país, a total ausência de condições dignas de trabalho, que iam desde munição vencida a viaturas paradas, expuseram o estado de abandono em que a polícia se encontrava.

Em quem confiar?

Para piorar, com a formação policial estagnada e insuficiente para promover uma redefinição da cultura da instituição policial, vemos o crescimento de uma atuação alinhada com a violação dos direitos humanos, com atuação repressiva seletiva voltada para o público alvo da juventude negra da periferia, certamente a que mais morre.

Esse quadro é agravado por alguns cursos privados preparatórios para concursos para polícia que enaltecem a imagem do “Capitão Nascimento” e a atitude do “senta o dedo”, estimulando a violência e o arbítrio policial ilegais desde antes do ingresso na carreira.

Para uma polícia que já foi denunciada por racismo institucional e machismo e acusada de ser, ela mesma, uma das causas desses números alarmantes, a preocupação com a estagnação da formação não é desprezível.

132_2048x1365_007733333_900x600
Performance artística sobre feminicídio. Foto: Daniela SDV

 

Estupros e feminicídios: 497 denúncias de estupro de janeiro a março e 58 feminicídios

Dados divulgados pela Secretaria de Defesa Social apontam que foram registrados, até março deste ano, 497 denúncias por estupro.

Somente em janeiro e fevereiro, Pernambuco teve 58 feminicídios.

Crimes como o brutal assassinato de Mirella, uma fisioterapeuta de 27 anos, degolada pelo vizinho em um crime de ódio, expõem que o tema da violência não pode ser respondido apenas com repressão. E que a raiz da violência não pode ser reduzida à guerra entre traficantes.

000_700x425_144024317_600x364
Centenas de pessoas foram às ruas pedir celeridade nas investigações do caso de feminicídio que tirou a vida de Mirella. Foto: Julio Jacobina/DP

Há muitas outras causas da explosão da violência que não estão sequer sendo consideradas na formulação das respostas apresentadas, como a portaria 930 ou o anúncio do investimento para aumento do efetivo.

Políticas de prevenção, pensadas a partir das especificidades de cada área de demanda, são urgentes. Entretanto, o governo não sinaliza tais medidas, com articulação entre as secretarias e a sociedade, que apontem para alguma solução do problema. Políticas de prevenção à violência contra a mulher e contra a população LGBT não são anunciadas, mesmo com toda a comoção de um estado que vê suas mulheres morrendo diariamente.

Do mesmo modo, não há anúncio de enfrentamento ao racismo institucional da própria polícia e de controle da violência policial.

133_1500x931_294749453_900x559
Policiais atacam manifestantes com Spray de Pimenta em Recife. Foto: Eric Gomes / Mídia NINJA

Censura e repressão

No último dia 11, morreu o jovem Edvaldo da Silva Alves, de 21 anos, atingido a sangue frio por um policial militar.

PM atira em manifestantes e atige fatalmente Edvaldo durante protesto em PE. Video: Autoria desconhecida

Um vídeo que viralizou na internet mostrava o policial afirmando que iria atirar “primeiro naquele ali” pouco antes de disparar contra Edvaldo. Ele participava de um protesto que pedia justamente por maior segurança em sua cidade, Itambé, quando foi alvejado e arrastado até a caçamba da caminhonete da polícia. Edvaldo ficou cerca de 15 dias entre a vida e a morte.

Seu falecimento acabou por sepultar qualquer credibilidade das políticas de segurança pública em Pernambuco. O fato é que essa atuação violenta e repressora da polícia exatamente onde ela não é necessária é antes a regra do que a exceção.

No dia 21 de fevereiro, um protesto do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto junto à Companhia Estadual de Habitação, que desmarcou de última hora uma reunião agendada com o movimento, terminou em violenta repressão policial.

O advogado do MTST, Caio Loureiro Moura, foi detido ilegalmente, com flagrante violação de suas prerrogativas profissionais.

E a advogada Ana Cecília Gomes, que iria participar da reunião desmarcada, relata que teve uma arma apontada para si por policiais, em meio a ameaças e severas ofensas de teor machista: “Sai daqui se não vai levar bala”.

O relato de Ana Cecília vai ao encontro do que ocorreu com o jovem Edvaldo: uma polícia treinada para reprimir protestos com violência e sem qualquer respeito aos direitos dos cidadãos (no caso específico de Ana Cecília, em afronta às suas prerrogativas de advogada).

Por mais que esses casos nos provoquem revolta e indignação, uma vez que temos uma polícia ausente onde é necessária e ostensiva e violenta onde é desnecessária, responsabilizar os policiais individualmente pela violência policial é um erro.

O que está por trás desses excessos, desmandos e ilegalidades é a política de segurança desse governo.

099_1280x853_872547091_900x600
Protesto contra o assassinato de Mario, de 14 anos, que foi morto com 3 tiros da PM. Foto: Raphael Oliveira / Mídia NINJA

 

Diante desse caos, a crise da gestão da segurança se transformou em um dos assuntos mais discutidos tanto na imprensa tradicional como na mídia alternativa de Pernambuco.

A resposta do governo foi então promover a censura ao tema. Em ofício da Secretaria de Defesa Social intitulado “Orientações sobre divulgação de resenhas diárias para imprensa”, o governo determinou que podem ser divulgadas notícias positivas, como “apreensões de armas e drogas, prisão de homicidas, traficantes, assaltantes”, mas que “está terminantemente proibido o repasse [dos dados da criminalidade] diretamente para a imprensa sem que ocorra antes os ajustes necessários”.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Pernambuco (Sinjope), emitiu nota considerando que essas orientações atentavam contra a liberdade de imprensa.

A repressão e a censura preocupam por si sós. Mas tornam-se ainda mais graves quando percebemos que o governo de Pernambuco parece ser o único a não ver que a dimensão da violência ultrapassou há muito a possibilidade de ser escondida debaixo do tapete.

138_1000x667_336887438_900x600
Jovem atingido por uma bala de borracha em protesto. Foto: Eric Gomes / Mídia NINJA

Desconforto ou desgoverno?

O depoimento infeliz do governador Paulo Câmara, de que a situação estaria desconfortável, acabou gerando de fato um desconforto: o estado está sendo governado?

A impressão que a população tem é a de que a cadeira do chefe das polícias civil e militar, ocupada pelo governador do estado, está vacante.

Com decisões de gabinete incompetentes e ineficazes, a crise da segurança coloca para o governador o dever mais do que urgente de dialogar com a sociedade em busca de soluções, compartilhando a gestão da segurança e visando a uma política de segurança focada na prevenção da violência, no investimento na polícia aliado com o combate da própria violência policial, na revisão da política de repressão às drogas e no estímulo a programas de mediação de conflitos.

O governo precisa parar de esconder os números da violência. E precisa parar de se esconder.

967_439x240_183333784_439x240

Desconforto! O protesto e performance vai acontecer na quarta-feira, dia 19, em frente do Palácio do Governo, às 18 horas. Já estão confirmadas as presenças de vários artistas, entre cantores e dançarinos, que apresentarão suas performances.

A organização do evento pede que todos compareçam vestidos de branco.

ANEXO: ÍNTEGRA DO PEDIDO DE INFORMAÇÕES

Com base no artigo 5º, XXXIII da Constituição Federal e nos artigos 10, 11 e 12 da Lei n. 12.527/2011, Lei de Acesso à Informação, LIANA CIRNE LINS e CAROLINA VERGOLINO dirigem-se respeitosamente a Vossa Excelência, com o objetivo de apresentar PEDIDO DE INFORMAÇÕES ACERCA DA ESCALADA DA VIOLÊNCIA E DA INSEGURANÇA NO ESTADO DE PERNAMBUCO.

Tendo em vista posicionamento do Supremo Tribunal Federal de que a gestão de cada ente da federação é de responsabilidade do chefe do executivo, estando sob a chefia do governador do Estado as polícias militares e civis, e considerando apenas os NÚMEROS DE ÓBITOS EM JANEIRO E FEVEREIRO DE 2017, apresentamos o presente pedido de informações para obter resposta às seguintes perguntas

1. Quais os nomes dos mortos, idade, local e circunstância do crime?

2. Qual é o sistema de comunicação interna do governo do estado relativo aos dados da violência?

3. Quais são as áreas da Região Metropolitana do Recife em que são maiores os índices de violência?

4. Quais são as regiões do Estado de Pernambuco em que são maiores os índices de violência?

5. Quantas das vítimas se enquadram como jovens nos termos da lei (15 a 29 anos)? Qual é o percentual considerando os números absolutos?

6. Quantas das vítimas são, de acordo com a categorização do IBGE, negras ou pardas? Qual é o percentual considerando os números absolutos?

7. Quantas das vítimas sofreram violência doméstica e feminicídio? Qual é o percentual considerando os números absolutos?

8. Recentemente, um episódio no município de Itambé revelou, através de vídeo, a atuação de um policial militar disparando contra o jovem Edvaldo Santos de forma premeditada, proposital e desnecessária, durante um protesto em que moradores pediam maior policiamento na região, que tem sofrido reiteradamente com assaltos. O episódio revelou aos pernambucanos o despreparo do policial para acompanhar manifestações e protestos. A assessoria de imprensa do governo anunciou tão-somente que havia sido instaurado processo administrativo contra o policial. Indagamos:

a. Por que o policial não foi suspenso das atividades, em vista de prova de sua conduta inapropriada (vídeo da ação)?

b. Qual é a instrução oficial da Polícia Militar de Pernambuco dada aos policiais que acompanham protestos e manifestações políticas?11. Quantas das mortes foram provocadas por alguma ação policial?

9. Qual é o percentual considerando os números absolutos?

10. Tendo em vista que a omissão de um problema não faz com que ele seja resolvido, indagamos: por que os dados relativos às mortes aqui solicitados não estão disponíveis a qualquer cidadão num portal apropriado? Por que os dados, disponibilizados na gestão Eduardo Campos, foram omitidos?

Coluna de Liana Cirne Lins na Mídia NINJA.

https://ninja.oximity.com

 

 

 

 

 

 

 

Notícias

Após estuprar mulher de 20 anos, PMs são presos em flagrante

De acordo com o Correio, os dois agentes foram presos em flagrante na madrugada desta segunda-feira (30), em Mussurunga, Salvador.

Policiais militares são acusados por uma mulher de 20 anos de a terem estuprado. De acordo com o Correio, os dois agentes são lotados na 49ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/São Cristóvão) foram presos em flagrante na madrugada desta segunda-feira (30), em Mussurunga. De acordo com relatos, o crime aconteceu após os PMs prenderem o namorado da vítima acusado de tráfico de drogas.

A vítima foi encaminhada para realizar exames de corpo de delito no Departamento de Polícia Técnica (DPT). Em seguida, agentes do DPT se dirigiram para a casa da jovem para fazer a perícia do local, onde foi constatado que as provas materiais condiziam com o depoimento da vítima. Com a comprovação do ato, policiais da Corregedoria realizaram diligências e encontraram as equipes que fizeram a prisão do namorado da vítima, localizando os dois PMs suspeitos pelo estupro.

A Corregedoria efetuou, então, a prisão dos dois militares em flagrante. Os suspeitos foram encaminhados para a Corregedoria de Custódia Provisória, em Lauro de Freitas, e seguem à disposição da Justiça. Os nomes dos PMs envolvidos no caso não foram divulgados pela corporação. (texto: Bahia Notícias)

Notícias

Comando de Policiamento Região Norte da PM vai apurar denúncia de agressão contra professor da Univasf

Segundo o Coronel caso as investigações confirmem a agressão, o policial deverá responder administrativamente e também penalmente

TEN CEL NevesNa manhã desta segunda-feira, 30, depois de algumas tentativas, nosso blog conseguiu conversar com o Comando de Policiamento da Região Norte (CPRN) da Polícia Militar, acerca da agressão ao professor Nilton de Almeida, da Univasf, cometida por um Policial Militar no último sábado, 28, durante uma abordagem no bairro Alto do Cruzeiro, em Juazeiro, BA.

Ainda à frente do cargo enquanto aguarda o novo comandante, o Coronel Carlos Alberto Neves da Silva disse que ao tomar conhecimento no sábado à noite, do fato envolvendo o professor Nilton de Almeida, da Univasf com policiais militares da 75ª Companhia Independente de Polícia Militar de Juazeiro,  imediatamente determinou que o Major Irlan Gouveia tomasse todas providências em torno da apuração dos fatos. De acordo com o Coronel Carlos Alberto Neves da Silva, o Comando Regional está preocupado com toda a situação.

“O comando jamais vai se precipitar para emitir algum parecer sem que haja formalização através de uma apuração. Agora, se realmente a ocorrência aconteceu da forma que o professor estar denunciando a gente lamenta, porque o policial não é formado para agir dessa maneira, e sim com educação e respeito. Mas é preciso que se apure, pois até agora só existe uma versão. O professor vai ser ouvido, será gerado uma portaria com o Conselho Investigatório e tomaremos todas as providências necessárias e após a apuração, se realmente a coisa aconteceu da forma que está sendo divulgado, cada um vai se responsabilizar de acordo com sua participação”, destacou.

Questionamos o coronel sobre a agressão ao professor ter sido considerada uma atitude racista, ele respondeu: “A Constituição Brasileira já garante os direitos do cidadão, eu vou preferir aguardar as investigações”, comentou e em seguida lamentou o episódio. “Sempre, no meu comando, orientei os Policias a tratar com respeito o cidadão, é lamentável esse tipo de ocorrência, é preciso que o policial tenha o controle para se defrontar com qualquer tipo de situação e proteger o cidadão independentemente de cor, raça, religião”, comentou.

Segundo o Coronel caso as investigações confirmem a agressão, o policial deverá responder administrativamente e também penalmente.

O Coronel Neves aguarda a chegada do novo comandante, coronel Alfredo José de Souza Nascimento que deverá assumir o comando da CPRN em breve. Neves assumirá o cargo de Subcomandante de Operações de Inteligência na Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado, em Salvador. (Foto: Blog do Geraldo José).