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Racismo na publicidade: o caso de Juazeiro (BA)

Em uma live, que será realizado no dia 20 de abril, às 18h, a Frente Negra do Velho Chico e o Conselho Municipal de promoção da Igualdade Racial (Compir) de Juazeiro (BA) discutem essa questão.

A Publicidade, bem como outras linguagens da comunicação, tem sido palco de vários casos de racismo no Brasil, nas quais as pessoas negras são apresentadas em posições subalternas ou com uma imagem negativa. Estas peças têm sido sistematicamente denunciadas pelos movimentos negros.

Na live “Racismo na publicidade: o caso de Juazeiro (BA)”, que será realizado no dia 20 de abril, às 18h, a Frente Negra do Velho Chico e o Conselho Municipal de promoção da Igualdade Racial (Compir) de Juazeiro (BA) discutem essa questão. O tema central será a campanha lançada pela prefeitura municipal de Juazeiro (BA), no mês de março, em que traz pessoas negras, em particular uma mulher negra, com as seguintes legendas: irresponsabilidade, erro e culpa. A campanha foi apresentada em formatos para televisão, outdoor e mídias sociais, onde continua ativa.

Os movimentos negros locais denunciaram a peça e recorreram ao Ministério Público local solicitando providências, nos termos da lei. Para discutir o tema, as duas entidades convidaram especialistas das áreas da comunicação e do direito, Gabriela Sá, Bruna Rocha e André Santana, que trabalham com discussões raciais em suas pesquisas. Também convidamos a assessoria de comunicação da prefeitura de Juazeiro, mas a assessora Fernanda disse que “não conseguiria” participar. Segue abaixo um resumo dos currículos das/dos palestrantes:

Gabriela Barretto de Sá, professora do curso de Direito da UNEB (Campus III), onde coordena o Projeto de Extensão CAJUP Luiz Gama. Doutora em Direito na UnB, com período sanduíche na University of Pennsylvania. Mestra em Direito pela UFSC. Pesquisadora do Núcleo de Estudos em Cultura Júridica e Atlântico Negro (Maré/UnB) e do RHECADOS – Hierarquizações Raciais, Comunicação e Direitos Humanos (UNEB). Autora do livro “A negação da liberdade: direito e escravização ilegal no Brasil oitocentista (1835-1874)”.

Bruna Rocha, comunicadora de nascença e formação, jornalista e fundadora da plataforma Semiótica Antirracista, mestra e doutoranda em Comunicação e Culturas Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia, onde pesquisa a relação entre discurso, mediatização e acontecimento, a partir da cobertura do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Assessora de Comunicação do Programa Corra pro Abraço, @buarrocha foi 1° lugar no Prêmio Afirmativa de Reportagem, diretora de Mulheres da UNE e secretária de Mulheres do Coletivo Enegrecer, coordenou o 7° Encontro de Mulheres Estudantes da UNE, em 2016.

André Santana, jornalista, doutorando em Linguagens e professor de Comunicação Uneb e Ucsal”, colunista do portal Uol e co-fundador do Instituto de Mídia Étinica e do portal de notícias Correio Nagô.

 

Frente Negra do Velho Chico

Conselho Municipal de promoção da Igualdade Racial (Compir) 

 

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12ª Conferência Nacional de Direitos Humanos aprova 21 resoluções sobre mídia e direito à comunicação

A liberdade de expressão e o direito à comunicação também foram objetos de discussão entre as/os participantes.

dhNa última semana, Brasília foi palco da 12ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, bem como das conferências temáticas sobre população LGBT, população idosa, crianças e adolescentes e pessoas com deficiência. Ao todo, as conferências reuniram cerca de 7 mil pessoas, que afirmaram a luta contra o conservadorismo e por avanços nas políticas de direitos humanos. A Conferência de Direitos Humanos foi convocada pelo governo federal e pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos.

A liberdade de expressão e o direito à comunicação também foram objetos de discussão entre as/os participantes. Pelo menos 21 resoluções específicas sobre esses temas foram aprovadas. Entre elas, estão: a exigência da garantia, respeito e promoção dos direitos humanos na mídia; a criação de Conselhos de Comunicação Social e outros fóruns de participação da sociedade nos veículos; e o fomento à criação de laboratórios multimídia em em territórios de povos e comunidades tradicionais, ribeirinhos e povos indígenas, bem como em espaços dos movimentos sociais.

As deliberações incluem a defesa do fim das violações de direitos nos programas policialescos e da efetivação e o fortalecimento de mecanismos de fiscalização e responsabilização das emissoras que veiculem tais conteúdos.

Também foram aprovadas propostas sobre a política da Classificação Indicativa e o fim da publicidade infantil, duas questões apontadas como fundamentais para a garantia dos direitos de crianças e adolescentes.

O espaço contou com ampla participação de pessoas com deficiência, em especial de surdas. Elas cobraram e aprovaram resoluções sobre acessibilidade aos meios de comunicação, a exemplo da garantia de recursos de audiodescrição, legenda oculta, interpretação em LIBRAS e áudio navegação.

Cientes de que muitas dessas propostas só serão efetivadas com mudanças profundas no setor, a 12a Conferência Nacional de Direitos Humanos também aprovou resolução em defesa da democratização da comunicação e em apoio ao Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Mídia Democrática.

Ainda durante o encontro, houve a passagem da presidência do Conselho Nacional de Direitos Humanos do atual Secretário Especial de Direitos Humanos, Rogério Sottilli, para a procuradora Ivana Farina, que representa o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) no Conselho. É a primeira vez na história que um integrante da sociedade civil ocupará o cargo.

http://Intervozes

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Publicidade de uma academia de musculação de Juazeiro provoca discussão sobre gordofobia

O marketing da academia traz o slogan “Prepare-se para ficar de biquíni no verão.”.

O texto “Prepare o seu biquíni para o verão. O corpo você já tem.”, foi o mais lido da semana passada segundo o nosso top 5. A crítica foi publicada no dia 1 de Fevereiro, e até a publicação dessa matéria, teve 518 compartilhamentos.

No texto, a estudante de Ciências Sociais, Ananda Fonseca, fala sobre gordofobia e critica uma publicação que fazia parte do marketing de uma academia de Juazeiro, no qual slogan dizia: “Prepare-se para ficar de biquíni no verão.”.

Sem título

 

Em nota enviada ao nosso blog, a academia declarou que a política basilar da empresa é a de tratar o ser humano com devido respeito e reverência à dignidade da pessoa humana. “Em nenhum momento na referida propaganda esta empresa quis denegrir a imagem da mulher ou fazer apologia de gordofobia. Neste sentido é de conhecimento público e notório que a EMPRESA têm vários alunos mostrando com isso o total comprometimento e responsabilidade com o ser humano, sem causar nenhum tipo de constrangimento ou preconceito – pois se assim fosse, não teríamos tamanha quantidade de alunos/ clientes durante todos esses anos de funcionamento.”.

A empresa ainda garantiu na nota que “trabalha com colaboradores de alto gabarito na área de marketing no qual procura atingir o seu público alvo de maneira que é realizado um estudo anteriormente e, tem como propósito NUNCA expressar mensagens subliminares que incitem a gordofobia, menosprezo à mulher ou qualquer ser humano, até porque não é conduta da Academia incitar tamanha violência.”.

Para a professora do curso de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo em multimeios da Universidade Estadual da Bahia (UNEB), e militante nas causas feminista, Dalila Santos, durante décadas a publicidade sempre tratou as mulheres como objeto.

“Soma-se a isto a obrigação de ter um corpo perfeito, que na nossa geração é magro e/ou musculoso. A atividade física não é colocada como um benefício para o bem estar e saúde, mas para que estejamos dentro dos padrões.”, afirmou Dalila.

O Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro- Vale do São Francisco, acredita que a gordofobia, muitas vezes disfarçada de “preocupação com a saúde”, nada mais é do que a aversão aos corpos que fogem dessa imposição de “beleza”. “Enquanto Coletivo Feminista Classista, o Ana Montenegro luta pela emancipação das mulheres e pelo fim do capitalismo, condição necessária para o fim da mercantilização dos nossos corpos e vidas.”.

Já existem algumas campanhas para combater os estereótipos do corpo perfeito para o verão, como o “Ocupação GGG-Vai ter gordo na praia sim.”.

“Precisamos intensificar o diálogo com a sociedade, principalmente com as mulheres, mostrando que somos diversas e não precisamos de um padrão para ser feliz, não precisamos de um “certo tipo de corpo” para ir à praia. Podemos e devemos ir a todos os lugares, ocupar os espaços públicos e ser feliz da nossa forma, do nosso jeito.”, declarou Dalila Santos.

Para ela, é preciso trabalhar a auto estima das Mulheres, fazer que elas enxerguem a beleza que cada uma possui do seu jeito, com o seu corpo.

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Texto: Redação.