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Ciclo de luta antimanicomial 2019

O Núcleo de Mobilização Antimanicomial do Sertão/Numans reafirma seu propósito de seguir lutando por um cuidado territorial em Saúde Mental, na lógica da Atenção Psicossocial, e por uma sociedade sem manicômios.

Foto: Divulgação.

Em maio de 2018, no 8º Fórum de Mobilização Antimanicomial do Sertão/FMA, organizado pelo Numans, em articulação com ampla rede de parcerias e apoio da Univasf, foi debatida e marcada a aridez da conjuntura política nacional, de caráter antidemocrático, e a perda de direitos, com retrocessos na Política Nacional de Saúde Mental e no Sistema Único de Saúde (SUS). Bradamos, em coro: “Pelo cuidado em liberdade: na luta vamos viver!”.

Compreendemos que a defesa da produção de cuidado em Saúde Mental, com ampliação de acesso, é um posicionamento político necessário, sendo urgente o fortalecimento da participação popular, através da promoção do protagonismo, especialmente de usuárias, usuários e familiares, articulados com os demais agentes e movimentos sociais. Pautamos a importância de modos de cuidados que levem em consideração a singularidade de cada pessoa e seu modo de inserção no mundo, em contraposição aos modelos hegemônicos, generalizantes e prescritivos, que se desenvolvem sob a batuta da hegemonia do saber biomédico e do fenômeno da medicalização do social.

Assim, a aposta é na promoção de vias de cuidado democráticas e integrais, que ocorram no território, articuladas por Redes de Atenção Psicossocial/RAPS fortalecidas, com pontos de atenção diversificados, em que os CAPS assumem caráter estratégico na organização de projetos terapêuticos singulares.

Reforçamos nosso compromisso com a Política Nacional de Saúde Mental/PNSM de caráter antimanicomial, entendendo que a Reforma Psiquiátrica está em curso, tendo avançado significativamente na substituição de uma lógica de cuidado excludente, centrada no hospital e em práticas de controle. Nossos desafios são inúmeros para a fortalecer a Atenção Psicossocial nos municípios que integram a Rede Interestadual de Atenção à Saúde no Vale do Médio São Francisco/Rede PEBA, para a qual Juazeiro-BA e Petrolina-PE são referência.

O Numans critica e rejeita os retrocessos na PNSM, operados pela Portaria 3588/2017 e recente Nota Técnica 11/2019, além da Política sobre Drogas do Governo Bolsonaro, que exclui a Redução de Danos como paradigma de cuidado e aposta na repressão. Não aceitamos a narrativa de uma “nova” política, que claramente reforça o retorno à lógica manicomial. Acumulamos experimentações nas redes, confirmadas por pesquisas e estudos diversos e boletins “Saúde Mental em Dados”, emitidos pela Coordenação de Saúde Mental até 2015, garantindo transparência aos investimentos na RAPS e seus efeitos e, por isso, não é possível aceitar os retrocessos.

Nesse contexto, o Numans convida ao debate e reflexão e, novamente na articulação da rede de parcerias, investe em uma programação para marcar a necessidade de resistência e luta, para que não percamos o que já foi conquistado e possamos avançar. Já começamos com a venda de imãs libertários e conversas sobre o tema no

Mercado Cultural do Festival Aldeia Vale Dançar, no simbólico dia 01 de Maio, Dia do Trabalho. Seguiremos com:

18 de maio (Dia Nacional de Luta Antimanicomial) – Sarau Ético-estético-político: Tá Pintando Loucura na

Praça – Local/Horário: Praça 21 de setembro, Petrolina-PE, a partir das 17h.

28 de maio – Seminário Saúde Mental e Atenção Psicossocial na Rede PE-BA – Local/Horário: Auditório da Biblioteca da Univasf, Campus Petrolina-PE, 8h às 12h. Aberto. Parceria: MPPE e RMSM/Univasf.

 

Ananda Fonseca Dias Coelho

Graduanda em Psicologia

Universidade Federal do Vale do São Francisco

Leitura Crítica

Você pode vencer o Câncer

Texto da professora Karla Daniele Luz do curso de Psicologia da UNIVASF

Foto Reprodução.

Atualmente o câncer parece ser uma das maiores pragas contemporâneas…tanto é que ao sabermos do falecimento de alguém já não perguntamos mais de que morreu? Mas a pergunta que agora fazemos é FOI CANCER DE QUÊ?

É sabido que toda nossa configuração de vida atual agride o funcionamento celular e favorece o enfraquecimento e, portanto, o adoecimento das células.

Mesmo em meio aos ditames da vida moderna acredite ainda podemos ter um estilo de vida que fortaleça nossas celulas e não que as destrua.

Nesse texto não utilizarei o verbo “evitar” . Evitar em alguns casos não passa de um artifício usado em última instância por aqueles que tem todo interesse comercial na doença.

Então vamos lá:

* Não consuma alimentos industrializados. Isso mesmo tire da alimentação tudo que está em garrafas, sacos, caixas, pacotes, etc. Os químicos desses produtos são verdadeiros “assassinos” de nossas preciosas celulinhas.

* Uso refrigerantes para fins de higienização de ambientes. Refrigerantes são excelentes detergentes, desinfetantes. Pense bem se serve para limpar agentes externos imagine o estrago que faz em seu estômago?

* Medicação? Só tome medicação se isso implicar na manutenção da sua vida. Muito cuidado hoje se consome remédio como se consome balas. Cuidado com o miserável círculo que rege a vida da maior parte das pessoas COMER INDUSTRIALIZADOS = ADOECER = USAR MEDICAÇÕES e assim vai até o corpo não aguentar mais.

* Não consuma açúcares.  Eis o maior aliado do câncer. Os açúcares só adoçam e engordam as células doentes. Não tem nada de engraçado a associação feita entre açúcar e alegria,felicidade e diversão. Açúcar nas células significa LUTO e MORTE.

* Fuja do trigo (branco ou integral) e todos os seus derivados, pois embora atrativos e apetitosos são altamente “inflamatórios” desencadeando inúmeros adoecimentos.

* O melhor lugar para se comprar alimentos se chama feira livre. Lá encontramos TUDO que precisamos. Afinal comer deve a saúde fortalecer e não nós adoecer.

* Consuma alimentos VIVOS. Aqueles que a Terra nos oferta.

* Utilze elementos da própria Natureza para tratar adoecimentos.

* Consuma fartamente sumo de limão.

* Consuma frutas com moderação dando preferência as que são produzidas na própria estação.

* Farte-se da luz solar

* Trate sua água com o velho filtro de barro. Eleito nos Estados Unidos a forma mais eficaz de tratar a água.

* Consuma vastamente probióticos naturais (kefir de leite,  kefir de água,  kombucha). Verdadeiros guerreiros a favor do fortalecimento celular.

* Durma se possível quando o sol se recolher e acorde junto com ele.

* Priorize afetos ao invés de trabalho.

* Tente estabelecer um limite geográfico  (apesar dos recursos virtuais) entre o lugar do trabalho e o lugar em que você exerce outros papéis.

* Aprenda a respirar lentamente e profundamente.

* Se possível faça uma horta em casa. Plante algo no espaço que tem. Verticalmente, horizontalmente, no chão, em garrafas não importa PLANTE ALGO.

* Partilhe o que tem de bom com os demais. Afinal SER COLETIVO É MUITO MELHOR QUE SER UMBIGO!

* Ganhe dinheiro mas não faça dele seu alvo, seu Deus…dinheiro é solidão tem sido dois grandes aliados.

* Cultive a espiritualidade…a transcendência…a Esperança Maior…isso ativa nossos neurotransmissores e nos enchem de paz e bem estar…

* Se isso te interessar ainda tenho um alerta a fazer, se você quer bem ao seu próprio ser retire químicos  (alimentos e fármacos) do seu viver…

Se você acha que tudo isso é difícil e dar muito trabalho quero te dizer  mais uma coisa CONSIDERO MUITO MELHOR TERMOS TRABALHO PARA CUIDARMOS DA SAÚDE DO QUE TERMOS QUE PARAR TUDO E TERMOS MAIS TRABALHO AINDA PARA CUIDARMOS DA DOENÇA! Pense nisso…

 

Karla Daniele Luz

Profa. do curso de Psicologia UNIVASF

Matérias

“Para você não romper o silêncio e manter as relações saudáveis, você tem que negar a sua cor”

Especialista no atendimento de mulheres negras, psicóloga Maria Jesus Moura fala sobre a importância de se levar em conta o racismo sofrido por suas pacientes e não negá-lo

A psicóloga Jesus Moura em seu consultório no Recife. Foto: Reprodução.

Quando a psicóloga Maria Jesus Moura, ou somente Jesus Moura como é chamada, decidiu estudar os espaços de atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica, descobriu que algo importante estava faltando. “Encontrei a subnotificação das demandas raciais, e inclusive a desconsideração dos profissionais em notificar”, conta. Ou seja, o tipo de violência de gênero, e principalmente de raça, não eram levados em conta. “Em muitos relatos estava escrito ‘agrediu a mulher com palavras’. Quais palavras?”, pergunta ela. “Se você não registra o que foi dito, não tem como perceber e identificar o quanto isso é caro, doloroso e violento para essa mulher. A desconsideração do ‘o quê’ também é um tipo de violência”.

Para Jesus, esse silêncio em relação às demandas dessas mulheres está na raiz do racismo vivido ainda hoje no Brasil. “Vivemos um racismo institucional. Seja nos serviços públicos, como os centros de referências de atendimento, nas delegacias, ou nas instituições privadas, não há a definição de uma pauta de especificidade”, diz. “Isso cria uma invisibilidade às demandas especificas”. O resultado está estampado no cotidiano das estatísticas brasileiras: As mulheres negras são mais assassinadas que as brancas (71% a mais, segundo o Atlas da Violência 2018), concluem em menor quantidade o ensino superior (somente 10% terminam a faculdade, enquanto 23,5% das mulheres brancas o fazem, segundo o IBGE) e estão na base da pirâmide quando o assunto é salário – ganham, em média, 40% a menos que um homem branco, enquanto a média das mulheres é de 30% a menos, segundo o IBGE.

Por consequência, essas mulheres trazem para o divã demandas muito específicas. E esse é o foco do trabalho de Jesus, dentro e fora do consultório. Mestre em psicologia com foco social pela Universidade Federal de Pernambuco, ela é especialista no atendimento de mulheres negras – mas não só. Recebeu a reportagem em seu consultório, na zona norte do Recife.

 

Pergunta. Claro que cada indivíduo tem suas particularidades. Mas é possível dizer quais são as diferenças no atendimento de uma mulher negra para uma mulher branca?

Resposta. Boa parte do que as mulheres me trazem é algum sofrimento diante de relações sociais. Ou afetivas ou no trabalho, onde a autoestima é um dos elementos mais frequentes. Há uma baixa autoestima e um sentimento de inferioridade, de menos valia. O psicanalista e escritor Jurandir Freire Costa diz que o racismo tem a tendência de destruir a identidade da pessoa negra. É uma estratégia para destruir, criar pessoas controladas, sem autonomia, que não consigam ter um discernimento.

 

P. Criar criados.

R. Criar criados. Ou a escravidão psíquica. Mesmo no caso das pessoas empoderadas, que vêm da militância. Isso acontece com as feministas também. Tem uma coisa que amarra, porque ficou na história. E às vezes é o ponto cego, a pessoa não vê. Eu já atendi militantes do movimento negro e convivi com um grupo de militantes cujas fragilidades da autoestima em algum momento aparecem de forma fortíssima.

 

P. Mas existe um problema de autoestima nas mulheres de maneira geral, não?

R.Existe, porque as mulheres em geral ou estão sofrendo por uma pressão social na sua constituição do machismo e ou do racismo.

 

P. Então no caso das mulheres negras o problema de autoestima pode ser acumulativo.

R. Exatamente. Machismo e racismo. E se ela for lésbica então… Tem pessoas que são extremamente empoderadas, de não deixar ninguém passar por cima, mas adoecem, têm crise do pânico, se deprimem. Não é uma coisa só de ficar com medo, se fechar e não enfrentar. Não, elas enfrentam. Mas é com sofrimento. E aí o elo de ligação é esse: essas mulheres se questionam como elas conseguiram ser chefes hoje? Como chegaram nesse lugar? Por mais que eu tenha almejado, investido, por mais que eu tenha consciência de que eu sou capaz, eu não consigo ainda assim viver nesse lugar. É um processo que vem alinhavado por dentro.

“A negritude da criança não muda quando ela sai da escola. Ela leva para onde for. E os pais precisam entender isso”

 

P. Não significa que, porque chegou a uma posição desejada, a questão está resolvida.

R. Não. Esse registro na psique não sai com o conhecimento. Não é assim: “Ah, o racismo é isso? Então eu estou livre dele”. O registro é mais profundo. Por exemplo, aqui no consultório não temos recepcionista. Na semana passada, eu estava na sala da recepção e a cliente de uma colega, que atende aqui também, me perguntou se ela pagava a mim ou à psicóloga dela. Eu entendi. Disse “Olha, aqui nós não temos recepcionista. Então acho melhor você pagar diretamente à sua psicóloga”. Outra pessoa diria “por que ela perguntou a mim?”. Veja, eu não estava sentada atrás do balcão da recepção. Eu não estava em nenhum lugar específico que pudesse ser confundido com recepcionista. Mas ao mesmo tempo ela captou a minha imagem….

 

P. Como é o trabalho com as crianças com esse recorte de raça?

R. Hoje eu não atendo mais criança, mas já atendi muitas e trabalho com orientação e supervisão. E aí o trabalho é primeiro a construção do profissional conseguir entender porque isso é importante, e depois trazer isso para a família. Mas com muito tato, porque não se sabe como as pessoas veem essa questão. Por exemplo, eu pergunto “por que você acha que falam isso do teu filho na escola? Por que aquela criança não quis pegar na mão do teu filho?”. Eu não posso dizer diretamente que isso acontece porque ela é negra. Eu preciso sensibilizar esse pai ou essa mãe a entender que existe essa possibilidade. E aí explicar como isso funciona e como eles podem lidar com isso. Mas, se a demanda já chega nominada, já é mais fácil. Eu sempre oriento a não mudar de escola, porque o bullying foi criado para denominar as diversas violências que as crianças sofrem na escola, e uma delas é o racismo. Esse elemento é importante para a criança, porque ela precisa se empoderar para enfrentar o racismo na escola. Não adianta ela sair de lá. A negritude dela não muda quando ela sai da escola. Ela leva para onde for. E os pais precisam entender isso. Não adianta dizer que a escola é racista. Se é racista, o que podemos fazer? De que maneira podemos contribuir? Para qual escola você vai levar seu filho, que vai ser uma escola totalmente anti-racista, anti-homofóbica? Não existe.

 

P. Porque a sociedade não é.

R. Sim, está em todo o canto. O que a gente precisa é fazer o nosso trabalho com as pessoas para que elas possam perceber isso e entender que não é a cor da pele que faz com que elas sejam piores que os outros. As próprias crianças já estão fazendo isso.

 

P. De que maneira?

R. Muitas crianças hoje já dizem, por exemplo, que não vão desenhar a mãe com tal lápis de cor porque essa não é a cor da mãe delas. Isso é fruto de um trabalho que vem de casa. E aí a escola, de alguma forma, ou se molda, ou violenta a criança. E esse questionamento, infelizmente, vem através da militância.

 

P. Por que infelizmente?

R. Porque todas as pessoas negras deveriam ter acesso a esse entendimento. Porque no Brasil, para brigar contra o racismo, você precisa fazer um investimento intelectual. Você tem que ler, estudar, pesquisar. E aí você começa a compreender. Não é uma coisa natural, de você crescer já sabendo dessas coisas e ir se preparando cada vez mais para enfrentar isso na vida. Não, a gente cresce escondendo essas questões. Desde a maternidade, quando entram no seu quarto, olham para a sua filha e dizem assim “e esse narizinho? Como vai ser? Vai colocar um pregador?” E aí você ri, diz que vai botar um pregador, e as vezes bota mesmo.

“No Brasil, para brigar contra o racismo, você precisa fazer um investimento intelectual”

 

P. Pregador? No nariz?

R. Sim. Para afilar o nariz. Ou dizem para a mãe ficar fazendo assim [e coloca o polegar e o indicador no nariz, em forma de pinça e faz movimento de cima para baixo]. “Faz assim que isso vai afilando o nariz do seu bebê”. A criança acabou de nascer….

 

P. As pessoas já chegam com essa consciência de racismo institucionalizado aqui no seu consultório?

R. Quando esse sentimento do racismo começa a ser falado conscientemente, já é um passo. Mas a maioria chega sem conseguir dizer. E inclusive sem conseguir identificar que aquele sofrimento que ela tem, tem uma relação com o racismo. Esse é o problema. Nomear o racismo não é uma coisa simples num país que sempre camuflou o racismo, sempre tentou esconder o racismo nas relações sociais. As pessoas negras foram educadas, muitas vezes por suas mães e pais negros, a repetir aquilo que eles aprenderam. Ou seja, a criar uma relação saudável no silêncio. Para essa relação ser saudável, é preciso silenciar qualquer coisa que fale da minha insatisfação, do meu tratamento pela minha cor da pele e pelo meu cabelo. Essa coisa de eu ter que alisar o meu cabelo para não ser ridicularizada… O alisamento necessariamente não é a saída de um gosto, existe uma coisa por trás que move isso. Aquele cabelo crespo não é um cabelo que é aceito com tanta naturalidade. Talvez hoje a gente viva uma cultura do empoderamento de mulheres principalmente, em relação aos seus cabelos crespos, e crianças desde já crescendo assim. Mas as crianças cresciam querendo alisar o cabelo.

 

P. Você passou por isso?

R. Eu vi recentemente no YouTube um vídeo que parecia que fazia parte de uma história minha. Quando eu entrei na adolescência, meu maior desejo era alisar o cabelo e fazer franja. Eu vivia em um grupo social branco, na escola onde eu estudava eu era a única negra. E a franja era tudo o que que queria, porque as minhas amigas tinham franja. E na primeira oportunidade que eu tive, eu alisei o cabelo e cortei a franja. Foi ridículo, foi horrível… Não aconteceu comigo o que aconteceu com a menina do YouTube, que foi fazer um tutorial de como fazer franja, e foi um desastre. Quando ela cortava, o cabelo levantava, não ficava com franja. E ela não entendia, e ia cortando, cortando, até restar quase um dedo de cabelo só. O sofrimento dela era por não entender por que não deu certo. Por que nos outros tutoriais que ela viu davam certo? O cabelo então acaba sendo uma grande marca na questão da relação social, porque como eu já disse, para você não romper o silêncio e manter as relações saudáveis você tem que negar a cor, o cabelo, as características, roupas, adereços, acessórios. Chegar com turbante não é para todo mundo, porque o turbante tem uma marca religiosa. Então acaba que já fazem uma leitura da mulher negra a partir dos adereços, da vestimenta, de um conjunto de coisas.

“Nomear o racismo não é uma coisa simples num país que sempre camuflou o racismo, sempre tentou esconder o racismo nas relações sociais”

 

P. Sobre o turbante. Foi o símbolo de uma discussão no ano passado sobre apropriação cultural. O que acha disso?

R. O turbante tem uma representatividade nessa luta e nessa resistência negra no nosso país. Não se usava turbante até um tempo atrás, a não ser pelas mulheres de terreiro. Quando o turbante vem embelezar um corpo, ele vem com essa carga política cultural. Essa discussão parte desse lugar. Por que quando a gente usa isso, isso passa a ser de todo mundo? Por que todo mundo pode agora? Antes, ninguém podia, porque existia uma certa resistência e proibição. Aí quando se quebra essa barreira e entra nesse aspecto de “agora eu posso”, todo mundo quer usar. Eu, particularmente, acho que é importante, como tudo na militância negra, a gente demarcar espaços. Mas eu não acho interessante esse embate que existe por alguém que não é negro estar usando turbante, porque ele não produz o que a gente tanto quer na militância, que é a preservação dos direitos e a igualdade. Para uma mulher branca usar um turbante, ela precisa saber que esse turbante tem uma representação. Não é qualquer adereço.

 

Por El País

Notícias

Univasf vai selecionar alunos especiais para Mestrado em Psicologia

Os interessados nas vagas devem ficar atentos ao site e consultar a grade horária para 2016.1, e as disciplinas de interesse.

A Coordenação do Curso de Mestrado em Psicologia (CPGPSI) da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) pede a atenção dos interessados nas vagas de alunos especiais..

A partir da próxima semana, entre 25 e 29 de Janeiro de 2016, a CPGPSI vai lançar um edital para a seleção de alunos especiais.

Os interessados, devem ficar atentos ao site e consultar a grade horária para 2016.1, assim como as disciplinas de interesse.