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Maioria da população não confia em Bolsonaro, aponta Ibope

51% dos entrevistados não confiam em Bolsonaro e não aprovam sua maneira de governar

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Mais da metade da população brasileira (51%) não confia no presidente Jair Bolsonaro. O dado é um dos revelados pela Pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira (27). Encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a pesquisa ouviu 2 mil pessoas em 126 municípios no período de 20 a 23 de junho.

A pesquisa foi feita entre os dias 20 e 23 de junho e ouviu 2 mil pessoas em 126 municípios. O nível de confiança da pesquisa é de 95%, considerando a margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Confia: 46%

Não confia: 51%

Não sabe/não respondeu: 3%

Rejeição ao governo Bolsonaro cresce 5 pontos

Outro ponto levantado pela pesquisa é que a rejeição ao governo Bolsonaro cresceu 5 pontos em apenas dois meses. O levantamento mostra que para 32% da população a atuação do presidente é ruim/péssima, ante a 27% divulgada na pesquisa de abril.

Já o percentual de pessoas que avaliam o governo ótimo/bom caiu de 35% em abril para 32%. E quem considera o governo regular subiu de 31% para 32%.

Ótimo/bom: 32%;

Regular: 32%;

Ruim/péssimo: 32%;

Não sabe/não respondeu: 3%.

Maioria desaprova maneira de governar

Outro ponto revelado pela pesquisa é que a maioria da população brasileira desaprova a maneira que Bolsonaro vem governando o País. 48% dos brasileiros desaprovam contra 46 que estão de acordo com as atitudes do presidente.

 

 

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Coaf mostra depósito de R$ 100 mil em outubro na conta de suspeito de matar Marielle

PM reformado Ronnie Lessa, preso por assassinato da vereadora, teve bloqueio de bens declarado

Élcio Queiroz (esq.) e Ronnie Lessa (dir.) são principais suspeitos de executarem o crime. Foto: Reprodução.

O policial reformado Ronnie Lessa, de acordo com um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), recebeu R$ 100 mil em dinheiro, no dia 9 de outubro de 2018, em um depósito de boca de caixa, sete meses após o crime que vitimou a vereadora carioca Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018, segundo divulgou na manhã desta sexta-feira (15) reportagem do G1.

O relatório faz parte de um pedido de bloqueio dos bens — para garantir a indenização das famílias das vítimas — de Lessa e do ex-PM Élcio Queiroz. Ambos foram presos nesta terça-feira (12) e são apontados pelas investigações como principais suspeitos de executarem o crime.

Da parte de Lessa, que morava em uma mansão no condomínio Vivendas da Barra, na zona oeste do Rio de Janeiro, próximo ao presidente Jair Bolsonaro, serão bloqueados: uma lancha em Angra dos Reis registrada em nome de um “laranja”, a casa e um carro de R$ 150 mil. Para o Mìnistério Público, os bens são incompatíveis com a renda de um policial militar reformado.

Nesta sexta-feira, Élcio Queiróz e Ronnie Lessa irão depor sobre o crime. Ambos negam o crime. Eles estão presos em flagrante por posse ilegal de arma em suas residências. Além disso, na casa de um amigo de Lessa, foram encontrados 117 fuzis desmontados.

 

Via Brasil de Fato

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Arma com inscrição dos Fuzileiros Navais dos EUA é encontrada no arsenal da milícia

Apreensão foi feita pela Polícia Civil como desdobramento de investigações sobre assassinato da vereadora do PSOL

Na foto do material apreendido, consta um componente de um fuzil M27 com inscrição dos Fuzileiros Navais dos EUA. Foto: Reprodução.

A Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil do Rio de Janeiro apreendeu 117 armas na residência de um amigo do policial militar Ronnie Lessa, suspeito de ter executado a vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista, Anderson Gomes, há um ano. Em uma foto divulgada do material apreendido, consta um componente de um fuzil M27 com inscrição dos Fuzileiros Navais dos EUA [USMC, em inglês].

Armamento apreendido durante as investigações. Foto: Reprodução.

Mais de cem fuzis do modelo M-16 foram encontrados na casa, localizada no Méier, zona norte do Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Civil, um endereço anotado ligado a Lessa também foi encontrado na casa.

O M27 é produzido pela Heckler & Koch, empresa de armas alemã que também tem fábricas nos EUA, na França e no Reino Unido. O modelo se tornou o fuzil padrão dos Fuzileiros Navais dos EUA em 2018.

Foto: Reprodução.

O dono da casa, Alexandre Mota de Souza, confirmou aos investigadores que Lessa é seu amigo de infância e pediu que ele guardasse as caixas sem abri-las.

Acompanhe no Brasil de Fato os desdobramentos da investigação do crime, que completa um ano no próximo dia 14.

 

Via Brasil de Fato

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Ainda não responderam o mais importante: quem mandou matar Marielle, enfatiza viúva

Para Monica Benício, a prisão de dois suspeitos nessa terça (12) é passo importante, mas não é suficiente

O policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos, foram detidos nesta terça (12). Foto: Reprodução.

Próximo à data que marca um ano do assassinato de Marielle Franco, dois suspeitos pela execução da vereadora e de seu motorista, Anderson Gomes, foram presos na manhã desta terça-feira (12).

O policial militar reformado Ronnie Lessa, de 48 anos, e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos, foram detidos por uma força tarefa da Operação Buraco do Lume, composta por policiais da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro e por promotores do Ministério Público. A investigação do Ministério Público e da Polícia Civil aponta que os policiais são responsáveis pelo crime.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Monica Benício, companheira de Marielle, conta que soube da prisão dos suspeitos na madrugada, ao receber a ligação de uma das promotoras.

“Considero um passo muito importante na investigação. Parabenizo as promotoras, sobretudo, e a DH (Delegacia de Homicídios). Mas não podemos esquecer que daqui há dois dias completamos um ano da execução. [Precisou de] Um ano para ter essa resposta, que tinha que ser respondida há muito tempo”, pontua Monica.

A viúva da vereadora afirma ainda que o resultado da investigação não é suficiente. “Não podemos esquecer que a resposta mais importante ainda não nos foi dada: Quem mandou matar Marielle e qual a motivação desse crime? Mais importante do que termos ratos mercenários serem responsabilizados pelo que fizeram, é a questão urgente e necessária, que é saber quem foi que mandou matar Marielle”, enfatiza Benício.

Segundo a denúncia das promotoras Simone Sibilio e Leticia Emile, assinada pelo juiz substituto do 4º Tribunal do Júri Gustavo Kalil, Lessa teria sido responsável pelos disparos enquanto Queiroz seria o motorista do Cobalt prata que perseguiu o carro da vereadora. Como a investigação aponta que o crime foi meticulosamente planejado ao longo de 3 meses, a operação também está apreendendo documentos, celulares, computadores, armas dos suspeitos. Há indícios de que Lessa monitorava eventos que a vereadora participa através de um celular “bucha”.

Sobre a continuidade das investigações para identificar o mandante da execução, Monica espera que não demore tanto quanto as primeiras respostas oficiais que foram dadas no dia de hoje. “Sinceramente, espero que não tenhamos que aguardar mais um ano para chegar a essa resposta. Mas não podemos deixar de olhar que finalmente algo concreto está acontecendo a respeito dessas investigações, isso tem que ser ressaltado”.

Legado

No último 8 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres, Marielle Franco foi homenageada por milhares de mulheres em atos por todos os estados do país. Mulher negra, periférica e lésbica, Marielle se tornou um grande símbolo de resistência contra todas as formas de opressão.

Para Monica, Marielle é um símbolo de referência e inspiração, “para que sigamos na resistência e na luta”.

“De forma positiva, podemos compreender que a noite do 14 de março não pode ser vista só como uma noite de barbárie e violência, mais uma noite onde podemos ressignificar a esperança. Ressignificar a resistência”, disse.

“Marielle se tornou um símbolo de resistência uma vez que vemos a imagem dela sendo replicada pelo mundo inteiro, que se indignou com a violência, mas que também reconheceu o trabalho dela enquanto defensora dos direitos humanos, e não só o trabalho dela, mas o que ela representava. O que ela simbolizava, que é uma construção coletiva muito maior do que a própria imagem dela”, ressalta Monica.

Mobilizações em todos os estados do país estão sendo articuladas para o próximo 14 de março, data que marca um ano da execução da vereadora.

 

Via Brasil de Fato

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Segundo MP, Marielle foi executada em razão de sua atuação política

Polícia do Rio prendeu os PMs Ronnie Lessa, de 48 anos, e Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos, suspeitos pelo assassinato da vereadora

Marielle Franco foi assassinada no dia 14/03/2018. Foto: Reprodução.

A polícia do Rio de Janeiro deteve, na madrugada desta terça-feira 12, dois suspeitos de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. As detenções acontecem às vésperas de o assassinato completar um ano.

Os detidos são o policial militar reformado Ronnie Lessa, de 48 anos, e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos. O primeiro teria disparado os tiros, do banco de trás do carro usado no crime; o segundo seria o motorista.

De acordo com os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o crime foi meticulosamente planejado durante três meses.

“É inconteste que Marielle Francisco da Silva foi sumariamente executada em razão da atuação política na defesa das causas que defendia”, diz a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio. “A barbárie praticada na noite de 14 de março de 2018 foi um golpe ao Estado Democrático de Direito.”

A investigação indica que Ronnie Lessa fez com regularidade pesquisas na internet sobre os locais que a vereadora frequentava. Os investigadores sabem também que, desde outubro de 2017, o policial pesquisava a vida do então deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). Foram encontradas ainda buscas on-line sobre o então interventor na segurança pública do Rio, o general Braga Neto.

Segundo o jornal O Globo, Ronie Lessa foi preso em sua casa, no condomínio Vivendas da Barra, o mesmo onde o presidente Jair Bolsonaro tem uma casa, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O diário carioca diz que, segundo os investigadores, não foi constatada nenhuma ligação, a não ser o fato de serem vizinhos.

A operação que levou às duas prisões é a primeira com a participação do Ministério Público do Rio. Ela aconteceu por meio do Gaeco, grupo de combate ao crime organizado que investiga crimes principalmente relacionados às milícias no Rio.

Os investigadores ainda não revelaram quem foi o mandante da execução. Após quase um ano de investigação, polícia e o Ministério Público do Rio decidiram dividir o inquérito em duas partes: uma sobre os executores do crime, outra sobre os mandantes.

Outra pergunta ainda em aberto é quem era o outro ocupante do carro usado no crime – os investigadores têm certeza de que havia três pessoas dentro do veículo no momento dos disparos naquele 14 de março.

Marielle, de 38 anos, e Anderson, de 39, foram assassinados em 14 de março de 2018 no bairro do Estácio, região central do Rio, quando saíam de um evento no qual a vereadora palestrava. O carro foi alvejado por vários disparos, dos quais quatro atingiram a cabeça dela.

As investigações sobre o crime – que levou multidões às ruas no mundo todo para manifestar solidariedade e cobrar explicações – correram durante todo o tempo sob sigilo, embora uma série de informações tenha sido revelada pela imprensa brasileira.

Além de defender os direitos das mulheres e a inclusão social, Marielle criticava também a violência policial e a ação de milícias. Seu assassinato causou comoção internacional, e organizações de defesa dos direitos humanos pressionavam para que respostas fossem apresentadas.

 

Via Carta Capital

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PM e ex-PM suspeitos de matar Marielle Franco são presos no Rio de Janeiro

Ronie Lessa teria feito os disparos e Elcio Vieira de Queiroz, conduzido o veículo usado no crime

Ato no Dia Internacional da Mulher pela Justiça pela morte da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução.

Uma operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu na madrugada desta terça-feira dois suspeitos de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes no dia 14 de março de 2018. Ronie Lessa é policial militar reformado e Elcio Vieira de Queiroz foi expulso da Polícia Militar.

Segundo o Ministério Público, os dois foram denunciados depois de análises de diversas provas. Lessa teria sido o autor dos disparos de arma de fogo e Elcio, o condutor do veículo usado na execução. O crime teria sido planejado nos três meses que antecederam os assassinatos.

De acordo com informações do jornal O Globo, a polícia e o Gaeco chegaram às 4h na casa dos investigados. Lessa mora no condomínio Vivendas da Barra, o mesmo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). O jornal destaca, no entanto, que a investigação não aponta nenhuma relação entre o policial e o presidente.

Operação

Além dos mandados de prisão, a chamada Operação Lume cumpre mandados de busca e apreensão em endereços dos dois suspeitos, para apreender documentos, telefones celulares, computadores, armas e acessórios.

Na denúncia apresentada à Justiça, o MP também pediu a suspensão da remuneração e do porte de arma de fogo de Lessa, a indenização por danos morais aos familiares das vítimas e a fixação de pensão em favor do filho menor de Anderson até completar 24 anos de idade.

Segundo o MP, o nome da operação é uma referência a uma praça no Centro do Rio, conhecida como Buraco do Lume, onde Marielle desenvolvia um projeto chamado Lume Feminista. No local, ela também costumava se reunir com outros defensores dos direitos humanos e integrantes do seu partido, o PSOL. “Além de significar qualquer tipo de luz ou claridade, a palavra lume compõe a expressão ‘trazer a lume’, que significa trazer ao conhecimento público, vir à luz”, informa a nota.

 

Via El País

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“Só há democracia se as Forças Armadas quiserem”, diz Bolsonaro

Presidente afirmou, também, que vai governar apenas ao lado daqueles que respeitam a família e possuem ideologia semelhante à dele

A metralhadora de polêmicas do presidente Jair Bolsonaro voltou a disparar declarações controversas nesta quinta-feira 7. Em discurso na cerimônia no 211º aniversário do Corpo de Fuzileiros Navais, no centro do Rio de Janeiro, o presidente afirmou que “democracia só existe se as Forças Armadas quiserem”.

A declaração fere a Constituição Federal que, depois de 21 anos de ditadura militar, foi escrita garantindo a democracia no país. Bolsonaro afirmou, também, que vai governar “apenas ao lado daqueles que respeitam a família” e possuem ideologia semelhante à dele.

“A missão será cumprida ao lado das pessoas de bem do nosso Brasil, daqueles que amam a pátria, daqueles que respeitam a família, daqueles que querem aproximação com países que têm ideologia semelhante à nossa, daqueles que amam a democracia. E isso, democracia e liberdade, só existe quando a sua respectiva Força Armada assim o quer”, afirmou.

Bolsonaro fez um discurso rápido, mas citou o projeto de Reforma da Previdência do seu governo, que aguarda votação no Congresso Nacional, e garantiu que os militares serão incluídos. “Entraremos numa nova Previdência em que entrarão os militares, mas não esqueceremos as especificidades de cada Força”, defendeu.

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“Nós estamos escrevendo nossa história”, diz primeira mulher indígena eleita deputada

Joênia Wapichana vai representar o estado de Roraima, região brasileira marcada por conflitos de terras indígenas

Joênia também foi a primeira mulher indígena a se formar em Direito no Brasil / Foto: Reprodução/Facebook

Pela primeira vez na política brasileira, uma representante dos povos indígenas vai ocupar um cargo no Congresso Nacional. Do partido Rede Sustentabilidade, Joênia Wapichana foi eleita deputada federal de Roraima no domingo e trás como principais pautas a defesa dos direitos indígenas.

Joênia tem “Batista de Carvalho” como sobrenome na certidão de nascimento, mas utiliza o nome indígena em sua atuação política. Ela pertence ao povo Wapichana, da Comunidade Truarú. Sua trajetória é marcada pela defesa dos povos indígenas e pela conquista de espaços. Além de ser a primeira deputada federal indígena, Joênia também foi a primeira mulher indígena a se formar em Direito no Brasil, na Universidade Federal de Roraima, em 1997. Ela também é mestra pela University of Arizona, dos Estados Unidos, desde 2011.

A formação acadêmica permitiu com que a sua atuação nas causas indígenas fosse mais ampla e desde 1999 a advogada indígena coordena o Departamento Jurídico do Conselho Indígena de Roraima.

Um dos destaques de sua trajetória profissional e política é a atuação como advogada na demarcação da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, que fica na fronteira com a Venezuela. Apesar de já identificada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) em 1993 para demarcação, pressões políticas tem retardado o processo e a terra foi sendo cada vez mais ocupada por produtores de arroz, que se recusam a sair dali. O conflito na região perdura desde a década de 70 e é um dos mais emblemáticos conflitos de terras indígenas no Brasil, com muitas mortes decorrentes da disputa pelo território, que tem 1,7 milhões de hectares.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Joênia falou sobre as pautas que dará andamento em seu mandato. Ela também fala sobre os desafios de ser a primeira mulher indígena eleita deputada federal e o poder simbólico que isso representa para seu povo.

Confira a entrevista na íntegra:

Brasil de Fato – O que representa a conquista de uma vaga no parlamento pra participar da luta dos povos indígenas?

Joênia Wapichana – Representa uma ferramenta super necessária neste contexto que estamos vivendo hoje no país, quando existe riscos aos direitos que já são garantidos na Constituição. Há necessidade de os povos indígenas terem sua defesa ali, mesmo que seja só uma [pessoa] ali pra bater de frente com uma bancada anti-indígena, mas é necessário.

Que pautas principais você pretende levar por meio do seu mandato?

Vou te colocar três bandeiras que estou defendendo. Primeiro, é a defesa dos direitos coletivos indígenas e dos direitos sociais.

Nós sabemos da defesa da demarcação das terras indígenas, da necessidade de ter a implementação dos processos demarcatórios e, pra isso, temos que combater propostas anti-indígenas que tramitam no Congresso Nacional, como a PEC 215; como o projeto que tenta fazer com que as terras indígenas sejam arrendadas; e outras de qualquer facilitação pro licenciamento ambiental.

E também fazer com que os direitos indígenas, principalmente os direitos de consulta, sejam inseridos pela proposta de lei que tramita no Congresso Nacional, como o PL 1610, que tenta regulamentar a mineração em terras indígenas. E, nessa mesma linha dos direitos sociais, também vai a priorização dos direitos fundamentais não somente paras comunidades indígenas, mas pra todos, que é a questão da educação. Na questão indígena, é [necessário] ter um sistema próprio de educação escolar.

A segunda bandeira que vou levar é a da sustentabilidade, pra que as comunidades indígenas sejam incluídas no processo geral de planejamento do país, e garantir suas práticas culturais, seus conhecimentos tradicionais e mesmo a produtividade e a circulação da renda interna sem que isso possa significar um desrespeito pra cultura ou qualquer outro tipo de direito. É parar com essa discussão de que terras indígenas são empecilho ao desenvolvimento do Estado. O que está faltando é oportunidade. Se é preciso leis pra garantir isso, vou trabalhar pra isso, levando a sustentabilidade das comunidades indígenas.

A terceira bandeira é focada na questão do orçamento público. A gente tem que trabalhar pela elaboração e pela consolidação das leis, mas nem todo o orçamento é conivente com a realidade que temos. Eu não concordo e vou tentar combater a PEC da morte, que congela o nosso orçamento. Dentro dessa linha do orçamento, também vou lutar contra a corrupção, as regalias e os privilégios que existem.

Para que isso seja consolidado, nós precisamos de ferramentas e de fiscalização dos orçamentos, assim como os recursos federais que vem em nome dos povos indígenas.

A bancada ruralista, conhecida por ser o principal grupo algoz dos indígenas no Congresso, conta com mais de 200 membros. Que estratégias você pretende usar pra que o seu mandato tenha voz diante desse cenário de hegemonia do poder econômico na Câmara?

Vai ser difícil, mas não impossível. Nós vamos usar todas as alianças possíveis, levando pessoas que defendem os direitos humanos, os direitos sociais, que apoiam a dignidade, a vida, a questão do meio ambiente, a sustentabilidade, que acreditam na pessoa desde já, apoio da população brasileira e dos povos indígenas em geral porque só assim a gente vai conseguir barrar muitos projetos inconstitucionais, fazer valer o que existe na nossa Constituição Brasileira e não deixar retroceder nossos direitos garantidos. E fazer com que os regimentos, todo os argumentos jurídicos sejam aplicados, então vou usar do que eu tenho de conhecimento, prática e experiencia.

O que lhe vem à cabeça quando lembra que será a primeira mulher indígena a ocupar uma vaga na Câmara dos Deputados?

Eu estou escrevendo a nossa história, fazendo valer o que os povos indígenas já tinham planejado há muito tempo. Então eu sou fruto desse sonho de muitos anos, muitas gerações que estão aí. Porque a nossa história, para nós, povos indígenas, principalmente o movimento de Roraima, a gente já tem experiência que nunca foi dado nada de graça pra nós.

Tudo isso que a gente conquistou, todos os direitos, as demarcações de terra, foi fruto de uma longa batalha, uma longa luta de união dos povos, de movimentos e pessoas que apoiam a causa indígena e os direitos humanos. Então o que vem na minha mente é que é só o primeiro passo. Quando me formei em Direito, eu estava abrindo essa história para vir outras pessoas.

Como foi o processo de você se candidatar ao cargo de deputada federal?

O fato de ser mulher indígena, a minha história, pra ter chegado até aqui. Não foi eu que cheguei e disse que queria ser [deputada], mas foi um convite da nossa militância, de uma grande assembleia indígena que teve na aldeia Raposa Serra do Sol, quando avaliaram que era necessário os povos indígenas terem uma participação nesse processo eleitoral.

Sempre a gente tem que ir pra luta e se a política é uma ferramenta, é o meio da gente também lutar pelos nossos direitos, a gente tinha que participar. Então esse comprometimento meu com a causa indígena e da minha identidade indígena com o meu povo, foi que veio esse resultado, então eu te digo, nós estamos escrevendo a nossa história.

Por fim, o que fica como lição diante de mais esta conquista que você teve agora?

É o que eu sempre coloquei na minha campanha. Tudo que a gente passa a decisão é nossa. Se a gente quer mudança, a gente tem, se a gente quer, a gente pode, então a decisão é nossa. Cabe a nós lutar, unir e ir pra luta e sonhar. Nós tivemos uma decisão, tivemos trabalho coletivo, tivemos participação de todos e nós ganhamos. A lição é essa.

O momento é muito mais do que necessário, oportuno e importante, nesse cenário politico, nesse novo quadro político que o Brasil vai ter ano que vem. Se a gente está aí na política, os indígenas, não é por folia ou alguém disse que era bonito. É por extrema necessidade que a gente está aí.

Via Brasil de Fato

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Fundo para a campanha das candidatas negras

“Estamos por nossa conta e risco na luta para efetivar as mudanças estruturais desse país racista, misógino, homofóbico, classista – uma verdadeira máquina de moer cidadania”, Por Hélio Santos.

Apesar do baixo-astral reinante na terra-brasilis, entrei em 2018 confiante: creio que pela primeira vez o Brasil irá decifrar a essência de suas desigualdades. Sem isso não é possível pensar num projeto de nação. As desigualdades aqui são infames e, todos sabemos, elas têm procedência histórica, cor e sexo. Mais: as desigualdades de raça e de sexo demarcam o esgoto social a céu aberto que o Brasil sempre foi, mas que, presentemente, tornou-se uma anomia social-moral insustentável.

Finalmente, parece que a “ficha caiu” para todas e todos! Alguns, aglutinados em seus nichos partidários, foram os últimos a ceder aos fatos: estamos por nossa conta e risco na luta para efetivar as mudanças estruturais desse país racista, misógino, homofóbico, classista – uma verdadeira máquina de moer cidadania. Quem entender que se trata de exagero – sempre há quem queira contemporizar -, considere o congelamento por 20 anos dos direitos sociais; a mortandade genocida dos jovens negros; o retorno de doenças que estavam extintas; o crescimento de 500% do encarceramento de mulheres negras. E, finalmente, a execução de Marielle Franco. A execução de Marielle foi um recado direto ao maior segmento da população brasileira: as mulheres negras. Já havia visto em 18 de novembro de 2015 um avant-premier desse filme: a marcha pacífica das mulheres negras foi recebida a tiros em Brasília. Mulher negra empoderada, reivindicando o seu devido espaço na esfera do poder é algo surreal para uma elite anacrônica e, porque não dizer aqui, também perigosa.

Toda essa conversa é para nos introduzir ao título acima: o STF decidiu que, pelo menos, 30% do Fundo de Financiamento de Campanha das próximas eleições deverá ir para as mulheres candidatas. Cerca de 1 bilhão e setecentos milhões de reais serão distribuídos aos partidos. 30% desse valor terá de ir para o custeio das campanhas das mulheres, cerca de 510 milhões de reais.

Fonte: MDB, PT e PSDB terão mais dinheiro do fundo eleitoral; veja divisão

A EDUCAFRO, com o meu absoluto apoio, entende que a metade desse valor destinado às mulheres nos partidos deve vir para o financiamento das candidaturas das mulheres negras. Ou seja: 255 milhões de reais. 51,8% (mais da metade) das mulheres brasileiras são negras.

Sem esse cuidado na repartição dos recursos, sabe-se que uma posição de neutralidade não alcança o objetivo pontificado pela Ministra Rosa Weber do STF que tomou essa decisão tendo como referência o princípio constitucional da IGUALDADE

Evidente que os partidos políticos podem exceder esse limite de 30% fixados pelo STF, considerando que os homens na sociedade brasileira têm mais acesso aos recursos para financiamento de campanha, fruto do tipo de sociedade que aqui se construiu. Apenas 10% da Câmara dos Deputados são de representação feminina – uma das mais baixas do mundo. Se considerarmos as mulheres negras isso beira à uma participação ínfima. Importante lembrar: as mulheres negras são o maior grupo da população brasileira!

Câmara dos deputados

Para que se tenha uma ideia de valor: o MDB – maior partido – receberá 234 milhões; o que significa cerca de 70 milhões para as mulheres dos quais 35 seriam para as candidatas negras. O PT, segundo maior partido na Câmara, deveria destinar às candidatas negras da legenda pelos menos 32 milhões de reais dos 212 que embolsará. Pela ordem, o PSDB, transferiria para as suas candidatas negras cerca de 28 milhões de reais. Partidos menores como PSB, PC do B, PSOL e PDT, deveriam, respectivamente, distribuir às suas candidatas negras os seguintes valores: 18 milhões; 4 milhões; 3,2 milhões e 9,2 milhões de reais.

Espera-se que ativismo negro independente cobre das lideranças partidárias, quase todas elas exercidas por homens brancos, eventualmente até judicialmente se for o caso, para que a metade dos recursos destinados às mulheres sejam canalizados paras as candidatas negras da legenda.

Por outro lado, nada nos impede que façamos um FUNDO NACIONAL PARA AS CANDIDATURAS NEGRAS, em que pessoas avulsas poderiam doar de cinco a 100 reais, por exemplo. Agora, já pensando num Fundo que alcançasse homens e mulheres negras. Além dos recursos financeiros, que têm barrado, historicamente, a eleição de negras e negros, uma campanha por fundos traria as famílias negras para o centro do debate. Precisamos gritar ao povo negro: SOMOS OS ÚNICOS ELEITORES DO MUNDO QUE ELEGEMOS NOSSOS INIMIGOS. Para reverter todo esse entulho que desgraçará ainda mais a vida de nossas famílias, como o congelamento por 20 anos dos Direitos Sociais, precisamos eleger os nossos. A maioria da população brasileira, que é negra, vem ao longo do tempo empoderando pelo voto aqueles que, uma vez eleitos, destroem   seus direitos – seja pela ação ou omissão dessa elite eleita.

2018 promete, precisamos utilizar caminhos alternativos e inovadores para alcançar o voto negro – sempre desdenhado pelos donos do poder. Blogueirxs, artistas, ativistas, youtubers, agitadorxs culturais, personalidades, poetas e escritorxs precisamos construir com rapidez uma usina disruptiva para eleger uma bancada relevante de negros e, sobretudo, de negras em outubro próximo.

Um Fundo de Campanha relevante para as candidatas negras pode vir a ser o início de uma virada de jogo. Seria mágico em 01 de janeiro de 2019 termos dezenas de mulheres negras tomando posse num congresso machista e racista. O começo de uma profilaxia política em Brasília.

Marielle Franco

*Helio Santos: Consultor na área de Responsabilidade Social e Gestão da Diversidade. Doutor em Administração pela FEA/USP e professor do mestrado em Desenvolvimento Humano da Fundação Visconde Cairu em Salvador (BA). É ainda presidente do Conselho do Fundo Baobá para a Equidade Racial.

http://brasildecarneeosso.com

 

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Apesar da condenação, Lula confirma que dará início à nova caravana no final de fevereiro

Líder em todos os cenários de intenção de voto para 2018, o ex-presidente mostra que a condenação pelo TRF-4 não abalou sua disposição em percorrer o Brasil para ouvir os cidadãos e viabilizar sua candidatura.

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Fotos Públicas

A condenação no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) não abalou a disposição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em percorrer o Brasil para ouvir os cidadãos e viabilizar sua candidatura. O petista acaba de confirmar a realização de nova caravana pelos Estados do Sul a partir do fim do mês. As informações são de Catia Seabra, da Folha de S.Paulo.

A programação será iniciada no dia 27 de fevereiro, na cidade gaúcha de Santana do Livramento, que faz fronteira com o Uruguai, e se encerrará no dia 7 de março, na cidade de Curitiba. A agenda inclui uma visita ao túmulo do presidente Getúlio Vargas, em São Borja (RS).

A programação divulgada inclui ainda os municípios de Francisco Beltrão e Quedas do Iguaçu, no dia 5 de março, e Laranjeiras do Sul e Pinhão, em 6 de março.

Em 2017, Lula promoveu três caravanas. A primeira delas, passou pelos nove Estados do Nordeste. Nos meses seguintes, também promoveu seus eventos em Minas e no Espírito Santo e Rio de Janeiro.

*Com informações da Folha de S.Paulo

http://www.revistaforum.com.br