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Um momento para álbum de família

Passagem da tocha já se despediu de Petrolina, mas ficou na memória das pessoas

IMG-20160527-WA0029A tocha é um dos principais símbolos do maior evento poliesportivo do planeta e o seu revezamento pelo país sede é uma tradição que fica marcada na memória de quem participa. Antes dos jogos, há o seu revezamento, quando, de mão em mão, o povo vai celebrando as Olimpíadas. Além dos atletas brasileiros, a Rio 2016, tem levado outras histórias para as ruas, como uma senhora que é empresária, um homem do mesmo ramo e outro que é bancário. Esses três correram em Petrolina e o que eles têm de diferencial entre os milhares de participantes nacionais, é que formam uma família, sertaneja e banhada pelo rio.

A família se inscreveu no site de um dos patrocinadores do evento, onde contaram suas histórias. Após aguardar ansiosos pelo resultado, recebram um email confirmando a participação de três parentes, por onde também souberam que iam correr juntos nessa que foi a primeira cerimônia em solo pernambucano. “Foi excelente! Ficamos na expectativa torcendo para que fossemos selecionados e tudo deu certo, graças a Deus”, comenta a mãe Edneide Carvalho.

A matriarca Dona Edineide foi quem iniciou no revesamento, na Avenida da Integração e seguiu por 200 mts, até  passar a tocha para o filho Robert Tadeu Carvalho, próximo ao Parque Municipal Josepha Coelho. O empresário seguiu mais 200 mts, até chegar onde seu irmão Reiler Carvalho lhe aguardava, concluindo o trecho que IMG-20160527-WA0041foi designado para a sua família levar a diante o fogo olímpico. O trajeto também foi acompanhado por outros parentes, que torciam e estavam empolgados com esse momento.

Sobre poder participar de uma partes dessa história, Dona Edneide diz que é “uma sensação inigualável. Como diz o Rei Roberto Carlos, foram muitas emoções, lindo demais”, relembrou. No caso dela, ainda mais forte por estar ao lado dos filhos. “Entregar a tocha olímpica para meu filho Robert Tadeu e ele entregar para o Reiler, foi sensacional, belíssimo, não tenho palavras para expressar tamanha emoção. Momento único em nossas vidas”, comenta.

Eles ficaram com a tão celebrada tocha, que deve ser guardada com carinho e repleta de boas lembranças. E o álbum de família também tem mais uma história de emoções para guardar.

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Congresso aprova projeto de lei antiterrorismo

Deputados mantiveram texto aprovado pela Câmara em agosto; projeto pode criminalizar protestos.

21239443434_69a7127257_b(1)O Plenário da Câmara dos Deputados rejeitou na tarde desta quarta-feira, 24, o substitutivo do Senado para o PL 2016/15, de autoria do Executivo, que tipifica o crime de terrorismo no Brasil. Os líderes dos partidos decidiram acatar o parecer contrário do relator Arthur Maia (PS-MA) e manter o texto aprovado pela Câmara em agosto, que segue agora para aprovação da presidente Dilma Rousseff

Veja aqui as diferenças entre os textos apresentados pelo governo federal, perla Câmara e pelo Senado.

Para organizações de direitos humanos, o projeto representa um grave retrocesso à democracia porque, sob a justificativa de proteger o país, criminaliza movimentos sociais, organizações e ativistas que lutam por direitos. De acordo com essas entidades, a abrangência na definição de terrorismo e as penas muito severas a condutas já previstas pelo Código Penal são os pontos mais polêmicos.

Rafael Custódio, coordenador do programa de Justiça da Conectas, afirma que “às vésperas de sediar os Jogos Olímpicos, o governo cedeu à pressão internacional do GAFI [Grupo de Ação Financeira contra a Lavagem de Dinheiro e o Financiamento do Terrorismo] e aprovou um projeto em regime de urgência, sem qualquer discussão com a sociedade, e que se tornará mais um instrumento de criminalização movimentos reivindicatórios”.

“Mais uma vez, o terrorismo serviu como desculpa para restringir o espaço democrático de protesto e as liberdades individuais. Nenhum país do mundo se tornou mais seguro por endurecer suas leis contra o terrorismo. O legado das Olimpíadas para o Brasil será o enfraquecimento da democracia”, completa.

Repúdio generalizado

A ideia de tipificar o crime de terrorismo no Brasil foi duramente repudiada por órgãos internacionais, movimentos sociais e organizações de direitos humanos. Em novembro, quatro relatores especiais da ONU afirmaram em pronunciamento conjunto que “a definição do crime estabelecida pelo projeto de lei pode resultar em ambiguidade e confusão na determinação do que o Estado considera como crime de terrorismo, potencialmente prejudicando o exercício dos direitos humanos e das liberdades fundamentais”.

No mesmo sentido, o relator especial da CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA) para liberdade de expressão, Edison Lanza, afirmou que “há jurisprudência e casos abundantes na América Latina que mostram que leis antiterrorismo redigidas em termos vagos e ambíguos servem muitas vezes para de algum modo criminalizar grupos que são vozes muito fortes, dissidentes, mas não necessariamente grupos terroristas”.

Em manifesto de repúdio, entidades como a Conectas Direitos Humanos, a Anistia Internacional, o Greenpeace, a CUT (Central Única dos Trabalhadores), MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) afirmam que “a lei sobre organizações criminosas – e todos seus instrumentos tais como colaboração premiada e infiltração – já se aplica às organizações terroristas internacionais cujos atos de suporte, de preparação ou de execução ocorram ou possam ocorrer em território nacional”.

Acadêmicos, familiares de vítimas da ditadura militar e personalidades na luta por direitos humanos no Brasil também enviaram carta aberta à presidente Dilma Rousseff pedindo a retirada da proposta. Entre os que assinaram o documento estão a psicanalista Maria Rita Kehl, membro da Comissão Nacional da Verdade e a militante Maria Amélia Teles, diretora da União de Mulheres de São Paulo.