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PF aponta navio grego como suspeito de vazar óleo no Nordeste, mas pesquisadores têm outras hipóteses

Polícia cumpre mandados de busca e apreensão de representantes da empresa no RJ por derramamento que pode ter acontecido a 700 km da costa. Estudiosos apontam para diferenças de densidade das manchas de óleos nas praias

Mancha de óleo em Maragogi, em Alagoas. DIEGO NIGRO / GOVERNO DE PERNAMBUCO (EFE)

O navio Bouboulina, de bandeira grega e propriedade da empresa Delta Tankers, é apontado pela Polícia Federal (PF) como o principal suspeito pelo derramamento de óleo que tem se espalhado pela costa nordestina, contaminando centenas de praias brasileiras. Nesta sexta-feira, a PF cumpre dois mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro em sedes de representantes da empresa responsável pela embarcação. As investigações, que têm a colaboração da Interpol, apontam que o navio grego atracou na Venezuela no dia 15 de julho e permaneceu ali três dias antes de seguir viagem, tendo Singapura como destino. A embarcação teria atracado apenas lá e na África do Sul. A versão dos investigadores é de que o derramamento do óleo teria ocorrido durante esse deslocamento, entre os dias 28 e 29 de julho, a pouco mais de 700 quilômetros da costa da Paraíba.

Agora, a Interpol busca dados adicionais sobre a embarcação, a tripulação e a empresa responsável pelo petróleo abastecido na Venezuela. A investigação sobre a origem das manchas de óleo que contaminaram mais de 280 praias em todos os estados do Nordeste é de responsabilidade da Marinha, mas neste caso ocorre de forma integrada com o Ministério Público Federal, o Ibama e universidades da Bahia, de Brasília e do Ceará.

A suspeita de que a origem do óleo venha desse navio grego decorre da observação de imagens de satélite, que possibilitaram a identificação de uma mancha inicial de petróleo cru a cerca de 700 quilômetros da costa brasileira no dia 29 de julho. A embarcação grega, apontam os investigadores, teria sido a única petroleira a navegar pela área suspeita na data do vazamento.

“A mancha é longa, mas não sei se ela justifica o volume do que está acontecendo [na costa nordestina]”, diz o pesquisador Humberto Barbosa, que trabalha no Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) da Universidade Federal de Alagoas. Segundo as investigações, porém, o navio grego teria capacidade para transportar 80 mil toneladas de óleo e apenas uma fração desse volume foi encontrado na costa brasileira.

Nesta semana, Barbosa identificou uma imagem do satélite Sentinel-1A ao fazer o monitoramento remoto do oceano que mostra uma mancha em formato de meia lua, com 55 quilômetros de extensão e seis de largura, próxima do município baiano de Prado. E levantou a hipótese de que o vazamento pode estar ocorrendo abaixo da superfície do mar, inclusive na área do pré-sal.

Segundo ele, as imagens analisadas mostram fluidos com densidades diferentes e características que indicam que o fluido possa ter sido gerado no fundo do oceano. Além disso, as manchas no mar brasileiro observadas nas imagens seguem padrões distintos do que a literatura europeia aponta em casos de derramamento de óleo, afirma. “Pela primeira vez, encontramos uma assinatura espacial diferenciada. Ela mostra que a origem do vazamento pode estar ocorrendo abaixo da superfície do mar”, afirma.

O pesquisador pondera que sua hipótese levanta algumas ressalvas, já que não foi feito trabalho de campo nem a análise da água que possa identificar exatamente o que é o fluido observado. No entanto, o cruzamento de informações do material que tem aparecido na costa com as correntes marítimas e os ventos dariam força à sua tese. A Marinha não comentou sobre o monitoramento do pesquisador e não se sabe se as mais de 800 imagens analisadas pelas investigações oficiais contemplam aquelas monitoradas por Barbosa, no sul da Bahia.

Outras duas imagens de datas diferentes da mesma região também têm intrigado o pesquisador. Ele conta que, ao comparar imagens do mesmo quadrante nos dias 16 de outubro e 30 de outubro, observou que a intensidade da mancha do dia 30 estava maior. “Consigo ver o mesmo contorno, porém com mais intensidade em alguns pontos”, afirma. O pesquisador trabalha nessas imagens e tem mantido contato com a comissão criada no Senado para acompanhar o caso. “O que foi colocado de óleo na costa não condiz com um simples vazamento de navio. Os fluidos são muito densos. Teria que ser muitos navios em um acidente em cadeia para provocar essa quantidade de óleo”, analisa.

Em nota sobre as investigações do caso, a Marinha explica que a suposta área do descarte foi identificada graças aos estudos realizados pelo Centro de Hidrografia da Marinha junto a universidades e instituições de pesquisa. Paralelamente, a Polícia Federal identificou uma imagem de satélite de uma mancha de óleo no dia 29 de julho por meio de geointeligência. Nas imagens do mesmo local feitas em datas anteriores, não havia manchas. Além disso, a análise do óleo comprovaria sua origem de poços venezuelanos. O navio grego teria sido o único petrolífero a trafegar próximo ao local. “As investigações prosseguem, visando identificar as circunstâncias e fatores envolvidos nesse derramamento (se acidental ou intencional), as dimensões da mancha de óleo original, assim como mensurar o volume de óleo derramado, estimar a probabilidade de existência de manchas residuais e ratificar o padrão de dispersão observado”, acrescenta a nota da Marinha.

Um dia antes da Polícia Federal deflagrar a operação que divulgou a suposta origem do óleo como de um derramamento em alto mar por um navio grego, o presidente Jair Bolsonaro comentou o assunto na live semanal que publica nas suas redes sociais. O presidente disse que “está mais do que comprovado que [a origem do óleo] é da Venezuela” e que o Governo sabe disso há quase dois meses, por meio de seus órgãos de investigação.

Ao lado do presidente, o secretário de Aquicultura e Pesca, Jorge Seif Júnior, disse que a pesca está liberada nas regiões atingidas. Segundo ele, não há notificação sobre contaminação de pescados, exceto a de pessoas sujas com óleo que fizeram a limpeza com tiner. “O peixe é um bicho inteligente. Quando ele vê uma manta de óleo ali, capitão, ele foge, ele tem medo. Então, obviamente, você pode consumir o seu peixinho sem problema nenhum. Lagosta, camarão, tudo perfeitamente sano, capitão”, disse ele. Bolsonaro tossiu ao ouvir a declaração, mas não discordou do secretário. “Obviamente de vez em quando fica uma tartaruga ali na mancha de óleo, pra não falar que ninguém fica, né? Um peixe, um golfinho pode ficar, mas tudo bem”. O vídeo viralizou nas redes com o trecho do comentário do peixe inteligente.

 

 

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Parlamentares acusam Bolsonaro de racismo e pedem investigação ao MPF

Em representação, deputados e senadores afirmam que o presidente cometeu improbidade administrativa

FOTO: MARCOS CORRÊA/PR

Deputados e senadores protocolaram, nesta quinta-feira 25, um pedido de investigação contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL), em função de declarações consideradas racistas feitas em café da manhã com jornalistas na sexta-feira 19. Os parlamentares acusam o presidente de improbidade administrativa e dano moral coletivo, em documento apresentado à Procuradoria dos Direitos Humanos do Cidadão do Ministério Público Federal (MPF).

A representação é assinada pelos deputados Márcio Jerry (PCdoB-MA), Daniel Almeida (PCdoB-BA), Orlando Silva (PCdoB-SP), Marcelo Freixo (PSOL-RJ), Edmilson Rodrigues (PSOL-PA) e Francisco Tadeu (PSB-PE), e pelos senadores Randolfe Rodrigues (REDE-AP), Weverton Rocha (PDT-MA), Humberto Costa (PT-PE), Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB) e Fabiano Contarato (REDE-ES).

O documento critica o comentário do presidente da República ao ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, em que disse: “Daqueles governadores de paraíba, o pior é o do Maranhão. Tem que ter nada para esse cara”. Segundo a representação, Bolsonaro se referiu de forma pejorativa à região do Nordeste, capaz de causar “sentimento de desprestígio, de desrespeito, de engodo, não apenas em um indivíduo, mas em todo o grupo social, em toda a coletividade”.

O texto também cita a declaração de Bolsonaro em que chama nordestinos de “pau-de-arara”, em transmissão simultânea pelas redes sociais. “É o nosso trabalho também no Nordeste. O Brasil todo é igual para nós. Não existe diferença entre nós aqui. Até porque o meu sogro é cabra da peste de Caruaru. Você tem algum parente pau-de-arara aí?”.

Segundo a representação, o presidente tenta naturalizar uma forma preconceituosa de se manifestar sobre a população nordestina. “Apesar de absurda, a manifestação racista do presidente, que desta feita teve como alvo os cidadãos e cidadãs nordestinos, especialmente aqueles que vivem no Estado do Maranhão, pretende beneficiar-se desse momento sombrio que estamos atravessando no país, uma espantosa espécie de moratória ética”.

Outra acusação dos parlamentares é de que o presidente da República desrespeitou a Constituição ao orientar Lorenzoni que boicote o governador do Estado do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). “Ao determinar em tom ameaçador ao ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que o governo federal discriminasse o governo do Maranhão nas relações institucionais, praticou outra grave violação a princípios constitucionais, no caso, o princípio da impessoalidade”.

Com base nestas acusações, deputados e senadores defendem que Bolsonaro cometeu improbidade administrativa e dano moral coletivo por atos de racismo e ameaça de perseguição interfederativa. De acordo com o artigo 11, I, da Lei nº 8.249/92, “Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições”.

Para o deputado Márcio Jerry, as acusações são graves e há base legal para que o Ministério Público abra apurações. “São graves e reiteradas as manifestações do presidente Bolsonaro contra o povo nordestino”, diz o parlamentar. “Temos convicção, dado o absoluto amparo legal, de acolhimento da representação para que haja investigação dos atos ilegais do presidente da República.”

O texto também recomenda que Lorenzoni se abstenha a cumprir a ordem “manifestadamente ilegal ” de Bolsonaro em obstar ou recusar parcerias entre a União Federal e o Estado do Maranhão. A instauração das investigações foi solicitada à procuradora Déborah Duprat. Se o pedido for acolhido, a ideia é que se abra um processo no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o caso.

 

 

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Era uma vez um sertão que sonhou que podia ir para a universidade

O governo está impondo barreiras para a educação dos brasileiros em todas as fases da vida, do ensino infantil ao doutorado.

O corte dos recursos para as universidades públicas representa o fim do sonho de ascensão social para muitas famílias que viam, nos filhos, a possibilidade de ter uma velhice mais confortável. Foto: Adolfo Santos Sonteria/Folhapress

No início do ano, minha mãe mandou uma mensagem emocionada no grupo de WhatsApp da família. Uma aluna sua havia passado em medicina na Universidade Federal do Vale do São Francisco, em Petrolina, município no interior de Pernambuco. Cleonilde Alves Bezerra e os nove irmãos foram criados sozinhos pela mãe, agricultora. Desde criança, conta mainha, ela só falava em se formar para dar uma vida melhor à família – isso já na escola primária, onde minha mãe leciona.

Quando o governo decretou o corte de 30% dos recursos para as universidades federais, pensei logo nela. Decidi ligar. Por telefone, ela me contou que as coisas na Univasf estão difíceis e devem piorar. O auxílio emergencial para os estudantes no início do curso, do qual ela dependia, por exemplo, já foi suspenso.

Embora eu tenha cursado jornalismo em uma universidade estadual, entendo bem o sofrimento da Cleonilde. Nós duas crescemos no sertão do Pernambuco, região em que ter algo além do ensino médio era visto como um sonho para quase ninguém. Meus pais sempre disseram que o estudo era só o que eles podiam dar a mim e aos meus dois irmãos. E eles tinham razão. Essa é, quando muito, a única herança que milhares de famílias pobres têm condições de deixar para seus filhos, às custas de muito esforço, trabalho e sofrimento.

O corte dos recursos para as universidades públicas representa o fim do sonho de ascensão social para muitas famílias que viam, nos filhos, a possibilidade de ter uma velhice mais confortável. O estudo dos filhos é sua verdadeira expectativa de previdência. Ganhar uma geladeira nova, um fogão, um móvel que faltava não é pouca coisa para quem trabalhou a vida toda na enxada e nunca conseguiu comprar nada disso. Para além dos presentes, não há como mensurar o alívio das famílias que têm a segurança de que os filhos não dependerão de suas aposentadorias, porque o curso superior irá lhes garantir um emprego melhor.

Cleonilde e os colegas do curso de medicina da federal de Petrolina: cortes já afetam programas de assistência a alunos carentes. Foto: Arquivo Pessoal

Segundo uma pesquisa da Andifes, a associação de reitores, mais da metade dos alunos das universidades federais vêm de famílias que ganham menos do que um salário mínimo per capita por mês. A morte lenta que o governo Bolsonaro está provocando nesses lugares vai ter graves consequências em todo o Brasil – e é longe dos grandes centros que está a verdadeira tragédia.

Na federal de Petrolina, o corte de R$ 11 milhões vai prejudicar ainda mais o programa de assistência a estudantes pobres, como Cleonilde já sabe. Naquela região, é importante lembrar, eles são muitos.

Para piorar uma situação que já é caótica, em Pernambuco a Universidade Federal Rural perdeu R$ 23,6 milhões, o que pode resultar no cancelamento de até 50% de todos os contratos de prestação de serviço realizados pela instituição.

No interior do Ceará, a Universidade Federal do Cariri perdeu 47% do seu orçamento. Com R$ 8,8 milhões a menos, a instituição, que em seis anos de existência já tem 23 cursos de graduação e cinco cursos de mestrado, pode fechar.

A Universidade Federal do Pará, que de acordo com um levantamento divulgado pela USP é a que mais produz ciência na Amazônia, teve 50% do recurso bloqueado. Restaram só R$ 4,5 milhões para investir na educação superior de 53 mil estudantes no ano inteiro.

No Acre, a notícia do corte de 37% no orçamento do Instituto Federal veio no mesmo dia em que um grande incêndio atingiu o prédio do campus de Cruzeiro do Sul, município do interior do estado. Com R$ 5,8 milhões bloqueados, o Ifac pode fechar em três meses. “A partir do mês de agosto não tem como manter as nossas aulas, não tem como sobreviver, não tem como pagar contas básicas de manutenção para o funcionamento da instituição”, disse em entrevista ao G1 Acre a reitora Rosana Cavalcante.

Longe dos grandes centros, em desertos de notícias, essas instituições serão logo esquecidas pela imprensa. Seu desmonte será silencioso, mas não menos trágico.

Além dos danos causados à educação, ao cortar drasticamente os recursos das universidades, o governo federal prejudica a economia das cidades. Um estudo realizado pela Universidade Federal de Itajubá, em Minas Gerais, por exemplo, mostrou que a instituição movimenta R$ 189 milhões em todos os setores do município e é responsável por 4,6% do PIB. O maior impacto econômico foi encontrado na geração de empregos.

As universidades produzem ensino, pesquisa, extensão e ainda movimentam a economia local, coisa que Bolsonaro e sua equipe parecem conhecer muito pouco. Por isso, o argumento do governo de que as instituições promovem balbúrdia é revoltante. Balbúrdia é o presidente mentir dizendo que vai investir na educação básica, quando na verdade congelou R$ 680 milhões nessa área e cortou mais 17% do recurso previsto para a construção e manutenção de creches e pré-escolas.

O governo está impondo barreiras para a educação dos brasileiros em todas as fases da vida, do ensino infantil ao doutorado. Mesmo que a criança consiga vencer os obstáculos e chegue à idade de fazer um curso superior, de que adianta se as universidades já não irão existir? Futuro mais previsível não pode haver. Os jovens serão apenas mão-de-obra barata e desqualificada.

Na época em que passei no vestibular, era comum as pessoas do Mundo Novo, povoado de algumas dezenas de casas em que cresci, dizerem que alguém havia “terminado os estudos” quando concluía o colégio. Na última década, porém, terminar os estudos ganhou outro significado. Agora se diz isso por lá, com orgulho, quando um jovem consegue o diploma da faculdade. É doloroso imaginar que isso está prestes a se perder.

 

 

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Entrevistas

A força negra da compositora paraibana Cátia de França

Conheça a arte da filha de Adélia de França, que compõe sem impor fronteiras entre literatura e música.

Foto: Reprodução.

Cátia de França tem 71 anos e saiu da Paraíba em busca de mostrar sua arte pelo Brasil afora quando tinha apenas 19 anos. Tem em sua bagagem um encontro de letras, sons e sonhos. Suas canções já foram gravadas por grandes nomes da MPB, como Elba Ramalho, Amelinha e Xangai. Tem 6 discos gravados: 20 Palavras ao Redor do Sol (1979), Estilhaços (1980), Feliz  Demais (1985), Avatar (1996), No Bagaço da Cana: Um Brasil Adormecido (2012) e Hóspede da Natureza (2016). Essa mulher forte representa bem o momento político que estamos vivendo, na necessidade de resistir a preconceitos e ao ódio, “mas com o poder do humor” e da arte.

Confira a seguir a conversa entre o BdF e a lenda viva da música brasileira.

BdF: Fala um pouco da sua origem e da influência da sua mãe, a primeira professora negra da Paraíba, Adélia de França, na constituição do que é Cátia de França hoje?

Cátia de França: Você focar Cátia de França, você tem que saber as origens, o tronco, as raízes, quem foi essa pessoa que me gerou, então tem a presença dela. Minha mãe era uma figura irrequieta para a época, as pessoas que me dizem, andava bem vestida, morava na Rua da República, depois Rua da Pedra, ensinou em Itabaiana, Rio do Peixe, Pedras de Fogo, Guarabira. No entanto, as pessoas acessavam a internet e não tinha nada sobre minha mãe, aí uma universitária daqui de João Pessoa, Simone Cavalcanti, pesquisou sobre ela e passaram a saber quem era ela. Eu estou trabalhando para que essa dissertação seja publicada com a história dela! Tem uma escola aqui em João Pessoa, em Valentina, com o nome dela, mas não tem a foto dela. Era para ter um pôster dela para as crianças saberem quem era ela. Porque meu trabalho é todo em cima de livros? Porque mamãe me deu livros, eu me lembro faltava manteiga, mas não faltava livros, então essa era a figura revolucionária. Na certidão de nascimento dela não dizia que ela era negra, dizia que ela era parda, ela ficava o cão porque botaram parda, ela dizia isso não é coisa nenhuma, eu sou negra, porque não colocaram no meu registro? E o grande senão dela era o não reconhecimento do meu avô, que era um comerciante altamente conhecido no interior, e não assumiu ela, então na certidão dela ficou só o nome da minha avó, que era lavadeira, Severina de França. Mas ela tirou isso de letra, começou a ensinar, era requisitada. A escola dela era na Almeida Barreto, rua do mercado central, de um lado era a casa de hospedagem para rapazes, filhos de fazendeiros do interior da Paraíba, e do outro, eram de moças, e eu convivia com aquele povo todo, entendeu? E ela logo de pequena, ela me deu um piano, com 4 anos de idade, me deu um pianinho de brinquedo, mas saía o som né? Para eu amar aquela coisa, para não ser você tem que ser isso. Com 12 anos, eu recebi um piano caríssimo para a época, imagine com o salário de professora primária, ela me deu um piano alemão, imagino o quanto ela não penou para pagar aquilo! E eu tenho ele até hoje. Eu quero ver se eu faço aqui uma fundação para eu colocar tudo meu, meus papéis, retratos, discos, telas, tudo isso eu quero ver se fica tudo em um canto só, com toda a segurança possível. Tem muito material meu na estação ciência, que eu tenho que retirar de lá e colocar em um canto que ninguém mexa mais. Eu tenho que conseguir isso junto de algum órgão para me dar essa salvaguarda.

Sobre a política cultural, como você acha que os governos se comportam frente à arte e à música?

Parece que cultura é uma coisa descartável, mas cultura é a digital de um povo. Você sente como é que se trata as artes populares através disso, e agora está todo mundo meio de cabelo em pé, como é que vai ser depois de janeiro de 2019, como é que vai ser encarado isso? Porque já estavam tentando quebrar o Ministério do Trabalho, você já sente como é que vai ser e o que é que vai vir aí pra a gente, então está todo mundo colocando as fichas todas em 2018, entendeu? Nesse tempo assim a gente vê quem é quem, a gente anda nas ruas e a gente já vê a digital do que vai vim. Onde eu moro, em São Pedro da Serra (RJ) você já vê a ódio. É uma violência contida, uma coisa contra o negro, contra o índio, contra a população LGBT, as máscaras estão caindo, estou chocada!

Em 2017, durante entrevista à Revista Trip, você se definiu como uma mulher que tem sangue nas ventas, negra, índia, cigana, bruxa, candomblecista, aquariana, como você enfrenta os preconceitos? Na música também tem preconceito?

Eu ainda me defino assim e ainda mais, sou de esquerda. Na música também tem preconceito, daqui da Paraíba eu fui a primeira mulher a toca guitarra, eu já comecei daí, é uma coisa surda. Os garçons, as atores e atrizes das novelas que são babás, empregadas domésticas, motoristas são, eram sempre de negros, não havia um advogado negro, e no cinema, o racismo é muito mais visível, porque tem grandes roteiristas negras e não são chamadas, diretoras negras e não são chamadas, então é um movimento de amordaçar esse povo. Mas quando isso vem à tona e é publicado, não tem como esconder mais, não tem como segurar esse grito, uma coisa do povo negro com a ajuda dos orixás e dessa gana de sobreviver isso vem à tona. Então está latente!

Como você define sua arte, você é escritora, multi-instrumentista, compositora?

Eu escrevi um cordel sobre Zumbi em 5 volumes, mas não sigo a métrica do cordel, o meu jeito de escrever cordel eu classifico como “catarinesca”, que é do meu nome Catarina, entendeu? Eu inventei uma modalidade! Está em vias de sair, acho que em 2019 sai, o infantil, o Natureza Naturalmente, e o Zumbi e tem o manual da sobrevivência, que é sobre as pessoas que se separam, como sobreviver a um descasamento?

Com 71 anos, como você avalia a sua trajetória?

Foi preciso muita coragem e minha mãe já preparou para isso porque eu me lembro que com 15 anos ela me mandou para um colégio interno em Pernambuco, aí a família toda ficou em polvorosa, mamãe dizia: eu preparei ela para a vida, ela vai e não vai acontecer nada, eu não posso ir e não tenho tempo porque tudo depende de mim e do meu trabalho, da sobrevivência da gente e meu marido é um homem doente, não vai levar ela. Então eu fui e já comecei com 15 anos pegando 2 ônibus e indo estudar em Pernambuco, saí com 19 anos, formada professora e daí ela começou a dizer que eu saí para ser uma coisa e voltou outra, porque eu me converti a religião evangélica e mamãe não era de religião nenhuma. Mamãe dizia: isso vai criar um obstáculo para o tipo de arte que a minha filha vai exercer, porque tudo não é de Deus, é do demônio e eu não quero isso. Aí mamãe me colocou para andar com o jornalista Diógenes Brayner sair comigo e começar a compor, daí eu comecei, tirei carteira de músico por imposição dela, para eu ficar profissional, e daí eu não parei mais. Quando fui para o Rio, aí já tinham pessoas me esperando que arrumaram emprego para mim, mas não na área de música. Aí Elba chega, precisa de músicos aí chama eu, Pedro Osmar, Damilton Viana, Vital Farias, e a gente foi requisitado para fazer teatro, a parte de música junto para ir para São Paulo e daí não parei mais. Então eu peguei os anos de chumbo de São Paulo, em 1975.

Sobre esses tempos que não podiam falar de política, do que você se lembra?

Eu me lembro que a música chegava a partir de corais, os estudantes liam partituras nas escolas e isso na época foi tudo retirado durante a ditadura. E a tendência é isso mesmo eles não querem que as pessoas se expressem, uma certa liberdade que pode dar vazão aquele grito que precisa sair, isso é retirado. Então na época em 1975, onde tinha nordestino, a polícia caía logo em cima. Ficam por ali os olheiros, quando sabia, a gente ficava num canto que tinha papéis dizendo que a gente estava trabalhando no teatro em frente, mas mesmo assim fomos colocados em um camburão, juntou bastante gente e para não observarem isso, fomos soltos na rua de trás. Foi um negócio muito estranho.

E qual o papel da arte para sobrevivermos a tempos de ódio e intolerância?

Sempre, não precisa nem cantar, entendeu? Um traço que você dê num muro, o grafismo, qualquer manifestação artística você pode desmembrar e desmascarar e criar um coágulo nesse organismo que se instalou por causa de inércia da gente. Isso veio não foi de uma hora para a outra, sabe aquela coisa de ir deixando, permitindo, entendeu? A mesma coisa da igreja católica, a igreja católica se achando com aquela coisa, de repente outras religiões tomaram a frente e agora é o agronegócio e as igrejas que não sejam de matrizes católicas, tomaram o poder. No Rio de Janeiro a gente sente isso e a tendência é essa. Se você for ler a bíblia, com um olhar de abertura, em momento algum, esse ensinamento diz que é para pegar as armas. Não!  Bíblia é amor, condescendência, então quando Jesus fez o Ministério dele, ele não foi pegar cabeças coroadas na Sinagoga, ele não pegou doutores, ele pegou pescadores, lavradores, foi numa casta mais humilde que ele pousou a igreja dele, então existe toda uma mentira, o gesto de arma na mão, isso não vem da Bíblia, na Bíblia não tem isso. Se quiser ler da maneira correta, ali na bíblia não se ensina isso, então usam para querem mascara, confundir e é tudo em cima de coisas mentirosas, é o tal do fake news. Vi tios mandar fotos de fuzil para o sobrinho dizendo: olha aqui para você! Então gente tem que mais do que nunca que dar as mãos e se preparar porque temos mais 4 anos pela frente.

Muitos jovens redescobriram Cátia de França, como foi isso?

Foi a internet. A internet é uma faca de dois gumes, tanto pode usar para porcaria, como pode usar para ter acesso. No momento que acabaram as lojas, não se vendem mais discos, os meninos baixam tudo na internet. Onde eu chego predomina só jovens cantando junto, no Circo Voador, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, recentemente, foi assim. Então a internet me colocou de novo no topo, enquanto que a mídia burra quer me amordaçar porque não interessa uma meia dúzia que tem na mão o monopólio da mídia, a eles não interessa uma negra, com ideias de esquerda, lésbica e de macumba, não querem, é muita minoria em cima, então a internet que me colocou no meu devido lugar, onde merecidamente eu teria que estar.

Como Cátia de França quer ser conhecida, como você quer que as pessoas te conheçam, como você quer ser lembrada?

É o poder do humor, faz rir, mas também faz pensar. O poder da dança, meu trabalho é todo suinguado mas ali pelo meio, se você ver o texto que eu estou dizendo, daquela capoeira, “sustenta a pisada”, eu aliada à literatura cortante como de João Cabral de Melo Neto, de José Lins do Rego, que é aqui da Paraíba, Guimarães Rosa, a coisa da criança que existe dentro da gente, que é o Manoel de Barros. Você pode dizer grandes coisas, mas não pode deixar essa criança, a gente não pode deixar de rir e de dançar, porque enquanto há vida, há reação e há esperança. E não esquecer nunca que a minha mãe lá trás, Adélia de França, ela é uma pessoa do humor, uma vez ela estava dando aula e o côco caiu na cabeça dela, ela riu, e disse: – Levei agora mesmo um cascudo de Deus! Então minha mãe e minha parte negra da família tinham muito humor, minha tia Celina era muito engraçada. Então eu quero ser lembrada, a filha da Adélia, que tinha como livro de cabeceira Geografia da Fome, de Josué de Castro e tinha na parece de casa, de um lado Dom Hélder Câmara e do outro, Che Guevara, minha mãe era assim, e eu quero sempre que lembrei disso.

 

Via Brasil de Fato

Matérias

O nordeste diz #EleNão

A região garante o segundo turno e volta a sofrer ataques dos “bem-nascidos” do Sul e Sudeste

Foto: Reprodução.

O publicitário José Boralli mora em São Paulo. No domingo 7, o estado elegeu ou reelegeu para o Congresso o palhaço Tiririca, o ex-ator pornô Alexandre Frota, o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança, o youtuber Arthur do Val, conhecido pelo bordão “Mamãe Falei”, a jornalista acusada de plágio Joice Hasselmann e a policial Katia Sastre, cuja única ação conhecida foi matar um assaltante na porta de uma escola quando estava a paisana.

Apesar desse quadro desolador em terras bandeirantes, Boralli achou divertido e inteligente apontar para os velhos bodes expiatórios. “Nordeste vota em peso no PT, depois vem pro Sul e Sudeste procurar emprego!”, escreveu em uma das redes sociais.

Para quem exerce a profissão de publicitário, Boralli cometeu um pecado mortal, a falta de criatividade. Ele não foi o primeiro nem o mais espirituoso, muito menos o último “sudestino” a reavivar o preconceito a cada eleição.

Faltou-lhe ainda uma dose de simancol, razão pela qual a sua mensagem na internet se tornou notícia. Boralli trabalha na agência Africa, fundada pelo baiano Nizan Guanaes, nordestino que veio procurar emprego no Sul do País. Acabaria afastado temporariamente de suas funções, mas se juntaria a uma multidão a chafurdar no senso comum.

Nas horas posteriores ao resultado que confirmou o segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, os ataques de sempre inundaram as redes sociais. Bolsonaristas saíram às ruas para distribuir feno aos eleitores do Nordeste, imitação de um gesto do próprio candidato registrado em vídeo em abril passado.

Um jogo eletrônico cujo objetivo é bater em gays, negros, militantes do PT, cearenses e afins fez bastante sucesso, embora alguns usuários tenham reclamado da ausência de outras minorias para socar. “É preciso incluir os índios”, sugeriram.

Enquanto os eleitores do Sudeste exibiam, com os comportamentos relatados acima, a sua superioridade moral e intelectual, os nordestinos encaravam os resultados do domingo de outra maneira.

O clima, mais uma vez, era de dever cumprido, como se coubesse à região a eterna missão de salvar o Brasil dos seus próprios delírios. “No Nordeste e nas periferias das cidades estão os eleitores com memória crítica. Ao contrário do que acham alguns, o nordestino lembra o que era a região antes de Lula, lembra da mudança no padrão de vida”, analisa Regina Sousa, negra, eleita em primeiro turno vice-governadora do Piauí na chapa de Wellington Dias, de origem indígena.

“A elite brasileira também lembra e os indicadores estão aí, mas ela não quer que o pobre melhore, não se importa com o aprofundamento das desigualdades. Os ricos querem o Brasil para eles, nós queremos o Brasil para todos. Essa é a grande diferença.”

Devem-se a esta memória (ou a seu esquecimento) as diferenças no mapa eleitoral e suas consequências. O Sul e o Sudeste de Boralli decidiram substituir o reacionarismo de casaca do PSDB pela truculência explícita do PSL de Bolsonaro na esperança de impor uma derrota inquestionável ao lulismo e ao petismo.

O Nordeste, em contraponto, puniu o golpe, o entourage de Michel Temer e os parlamentares que aprovaram as reformas, além de redobrar a aposta no chamado campo progressista. Cinco dos seis governadores reeleitos no primeiro turno pertencem ao PT, PCdoB e PSB.

Em Alagoas, venceu o emedebista Renan Filho, um aliado de primeira hora dos petistas. Nos outros três estados onde haverá segundo turno, os favoritos pertencem a estas legendas ou ao PDT de Ciro Gomes. Como nunca antes, o Nordeste firmou-se como um bunker contra o avanço da extrema-direita.

No Piauí, estado no qual Fernando Haddad atingiu 63% dos votos, o mais alto percentual na região, Dias e a militância rezaram o Pai-Nosso em comemoração a mais uma reeleição conquistada com 55% da preferência local.

Os triunfos do petista fazem com que alguns se refiram a ele, em tom bem-humorado, como o presidente do estado, por muitos anos o mais pobre da federação e atualmente destaque na geração de energias renováveis, expansão do ensino público e melhora dos índices de desenvolvimento humano.

Dias expressa o sincretismo que tem faltado à política tradicional e ao próprio campo progressista. O governador é católico, sua mulher, Rejane Dias, eleita deputada federal, evangélica. Esse amálgama, em certa medida, representa no estado um contraponto às igrejas neopentecostais, alinhadas a Bolsonaro. Luana Silveira, de Teresina, eleitora do PT, descreve a pressão.

“Boa parte dos evangélicos segue a orientação dos seus líderes por medo e desinformação. Eles amedrontam os fiéis, como se desobedecessem a Deus. Fui da Universal por 15 anos, e me afastei por conta do voto do bispo Marcelo Crivella a favor do golpe”, recorda.

“A poucos dias fui em reunião em que o pastor usou o altar para pedir votos, entregando um envelope cheio de santinhos. ‘Os cristãos não são 100% Bolsonaro, mas são 100% contra a volta do PT’. Não demorou para virar um slogan.

Logo depois meu filho recebeu de uma obreira da Universal vídeos sobre o kit gay, falando que Haddad fecharia igrejas. Há obreiros indignados, que não aceitam a decisão da igreja, sabem o que Lula fez pelo povo, e há pastores petistas, mas eles não podem se manifestar.”

No candomblé, de maioria negra, essas amarras não existem. Em Tabuleiro, bairro pobre de Maceió, Mãe Vera transformou o terreiro em um comitê “Lula Livre” e engajou-se de corpo e alma na campanha.

“Tive o prazer de abraçar o Lula, um homem sábio que sabe receber os humildes. Por isso falei para o Haddad que ele precisa ser a continuação de Lula, especialmente em bairros como o meu. Aqui a comunidade é muito carente, só temos uma creche. Queremos ver o ex-presidente pelas ruas, no meio do povo, que é o lugar dele.”

É o mesmo desejo de Maria da Conceição, de Salvador: “O indulto é uma necessidade e um direito diante de juízes que agem por perseguição. Os sentimentos de gratidão e justiça se misturam nessa hora quando lembramos de Lula”.

A crise fiscal e econômica dos últimos quatro anos provocou retrocessos na região. A miséria voltou a níveis alarmantes, a violência alastrou-se como um rastilho de pólvora e os empregos, a exemplo do resto do Brasil, minguaram.

Em vez de produzir uma indignação raivosa e descontrolada como no Centro-Sul, a conjuntura levou a outra opção, o apoio a quem promete defender os direitos dos mais pobres. Isso explica os índices de reeleição dos governadores.

Flávio Dino, do PCdoB, obteve 59,29% dos votos, vitória que parece enterrar definitivamente a oligarquia dos Sarney, donos do Maranhão por mais de 40 anos. No Ceará, o petista Camilo Santana, parceiro dos irmãos Ciro e Cid Gomes, alcançou 79,96%. Na Bahia, outro petista, Rui Costa, foi escolhido por 75,5% dos eleitores.

Paulo Câmara, do PSB, acabou reeleito com 50,07%, enquanto na Paraíba, seu colega de partido, João Azevedo, alcançou 58,8%, na esteira da alta popularidade do governador Ricardo Coutinho.

A contramaré no Nordeste ainda excluiu da vida pública os mais destacados apoiadores do impeachment de Dilma Rousseff: Sarney Filho, que foi ministro de Temer, os tucanos Cássio Cunha Lima e Rogério Marinho, relator da reforma trabalhista, e os emedebistas Garibaldi Alves e Eunício Oliveira, atual presidente do Senado.

Ainda assim, a vantagem petista de eleições passadas não se repetiu no plano nacional. Em sua primeira entrevista ao Jornal Nacional, na segunda-feira 8, Jair Bolsonaro agradeceu os votos no Nordeste, segundo ele um “percentual nunca alcançado na região por um adversário do PT”.

O fenômeno bolsonarista manifestou-se principalmente nas capitais nordestinas, expostas de forma mais intensa ao aumento da violência e à crise econômica. O deputado foi o mais votado em Natal, João Pessoa, Recife, Maceió e Aracaju.

“Eu sigo as ordens de meu líder Jair. Acredito na gestão militar na escola e entendo que a ideologia de gênero é uma afronta às nossas famílias”, declarou nas redes sociais a deputada eleita pelo PSL baiano Professora Dayane Pimentel, que garante não utilizar as instituições de ensino nas quais trabalha para promover suas ideias de “ordem social”.

Acuados por uma maioria “vermelha”, bolsonaristas do Nordeste têm recorrido à violência. Na madrugada da segunda em Salvador, um partidário do ex-capitão assassinou com 12 facadas Moa do Katende, mestre de capoeira nacionalmente conhecido por seu trabalho social.

Paulo Sergio Ferreira de Santana, de 36 anos, desferiu as facadas pelas costas e se escondeu em casa. No primeiro depoimento, admitiu a motivação política (o mestre de capoeira havia votado em Haddad). Na sequência, negou a primeira confissão e afirmou ter sido “ofendido” pela vítima.

A respeito do crime, Bolsonaro disse lamentar o episódio, mas declarou não controlar os seus apoiadores. Não só lavou as mãos, como se fez de vítima ao lembrar da facada em Juiz de Fora, Minas Gerais.

O ex-capitão sabe que a violência, verbal como a de Boralli, ou física como a de Santana, podem lhe ser muito úteis nas próximas semanas.

 

Via Carta Capital

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A diversidade da sanfona e o IV Festival Internacional da safona

A IV edição do Festival Internacional da Sanfona promete reunir músicos da região com artistas de outras partes do mundo num só palco, mostrando a diversidade de um instrumento tão nordestino e tão universal.

O IV Festival Internacional da Sanfona pretende mostrar a diversidade do acordeom que foi trazido por imigrantes europeus para o Brasil e se adaptou muito bem a cultura nordestina. No nordeste é conhecido como sanfona e embala o nosso forró.

A sanfona é um instrumento muito popular em outras regiões do mundo como a Rússia. Com o objetivo de mostrar as diferentes sonoridades de um instrumento tão cosmopolita acontece no Centro de Cultura João Gilberto, em Juazeiro, o IV Festival Internacional da Sanfona entre os dias 13 e 16 de julho.

Nesta edição músicos da região, de outras partes do Brasil e do mundo se apresentarão. Entre os convidados estão: Chico Chagas, Mestrinho, Targino Gondim,  Oswaldinho, Renato Borghetti e o Quinteto Sanfônico da Bahia, se unirem aos músicos internacionais Murl Sanders, dos Estados Unidos, e Cathie Travers, da Austrália, para mostrar toda a diversidade do acordeom.

Durante os quatro  dias, o festival irá promover uma série de atividades além dos concertos, como: workshops, exposição e oficinas ministradas pelo sanfoneiro  Edglei Miguel, que devem  movimentar também a vizinha pernambucana Petrolina e todo o Vale do São Francisco.

 

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Nordeste dispensa uso de usinas térmicas mais caras

A região seguirá sem risco de desabastecimento de energia graças à expansão da geração de energia eólica.

As usinas termelétricas que têm alto custo de geração de energia (superior a R$ 600 por megawatt/hora) não serão mais utilizadas de forma contínua no Nordeste. Os membros do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) avaliam que o risco de desabastecimento na região com ou sem essa energia mais cara é zero.

A decisão de dispensar as térmicas foi tomada em agosto de 2015 e, segundo o Ministério de Minas e Energia, gerou economia de R$ 5,5 bilhões entre agosto e dezembro do ano passado. As térmicas de Custo Variável Unitário (CVU) mais caro (que usam diesel, petróleo e gás, por exemplo) funcionaram de forma contínua durante todo o primeiro semestre de 2015 como forma de suprir a deficiência de outras usinas, sobretudo as hidrelétricas ao longo do Rio São Francisco.

Mesmo com a geração das hidrelétricas reduzida (Sobradinho, por exemplo, vem gerando o equivalente a um sexto de sua capacidade instalada), o comitê verificou que o Nordeste seguirá sem risco de desabastecimento de energia graças à expansão da geração de energia eólica, à presença de térmicas de base (que ficam ligadas continuamente e têm CVU menor) e à importação de energia das regiões Centro-Sul e Norte.

As térmicas de custo mais alto, ainda que não usadas de forma contínua, estão disponíveis para suprir alguma necessidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), como substituir térmicas em manutenção e dar suporte em horários de pico. O uso dessa forma, por exemplo foi responsável por cerca de 2% de toda a energia termelétrica gerada de 3 a 13 de janeiro. O ministério esclarece que esse índice não influencia nas bandeiras tarifárias.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico se reúne mensalmente e é formado por representantes do Ministério de Minas e Energia, do Operador Nacional do Sistema, das agências nacionais de Energia Elétrica e do Petróleo, da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica e da Empresa de Pesquisa Energética.

Da Agência Brasil

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Oito governadores do Nordeste repudiam pedido de impeachment de Dilma

Paulo Câmara, de Pernambuco, foi o único dos governadores do Nordeste que não assinou a nota.

Governadores de oito estados do Nordeste repudiaram ontem (3) o pedido de abertura de processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. Em nota, eles chamaram o episódio de “absurda tentativa de jogar a Nação em tumultos derivados de um indesejado retrocesso institucional”. O pedido foi aceito na quarta-feira (2) pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A nota dos governadores afirma que não houve prática de crime de responsabilidade por parte da presidenta Dilma e que a decisão de aceitar o pedido de abertura de processo decorreu “de propósitos puramente pessoais, em claro e evidente desvio de finalidade”.

“Diante desse panorama, os governadores do Nordeste anunciam sua posição contrária ao impeachment nos termos apresentados e estarão mobilizados para que a serenidade e o bom senso prevaleçam”, diz o texto. “Em vez de golpismos, o Brasil precisa de união, diálogo e de decisões capazes de retomar o crescimento econômico, com distribuição de renda”, acrescenta a nota, que foi divulgada pelo governador da Bahia, Rui Costa.

Além de Costa, assinam a nota os governadores Camilo Santana, do Ceará; Flávio Dino, do Maranhão; Jackson Barreto, de Sergipe; Ricardo Coutinho, da Paraíba; Renan Filho, de Alagoas; Robinson Faria, do Rio Grande do Norte; e Wellington Dias, do Piauí.

Paulo Câmara, de Pernambuco, foi o único dos governadores do Nordeste que não assinou a nota. Câmara divulgou seu próprio comunicado, no qual evitou criticar abertamente o processo de impeachment que se inicia no Congresso. Ele questionou, porém, o papel de Eduardo Cunha, que enfrenta problemas no Conselho de Ética da Câmara.

O governador disse que Cunha tem sua legitimidade comprometida e “precisa deixar a presidência da Casa”. Câmara defendeu “trabalho duro” para superação da crise e falou em oportunidade para o governo federal “dar um basta na política pequena, de troca de favores para qualquer tomada de posição”.

Ao concluir a nota, Câmara diz que seu partido, o PSB, não votou na presidenta Dilma, nem no presidente da Câmara. “Trilhamos nosso próprio caminho. Essa postura continuará, defendendo as instituições e o respeito à Constituição do país.”

O rito de análise do processo do impeachment teve início hoje, com a leitura da denúncia aceita pelo presidente da Câmara. O texto, de 68 páginas, foi lido pelo primeiro-secretário da Casa, Beto Mansur (PRB-SP). Em seguida, o próprio Eduardo Cunha leu a decisão em que acatou pedido de abertura do processo.

Da Agência Brasil

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Dilma envia ministro e técnicos a Pernambuco para avaliar casos de microcefalia

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, reuniu-se hoje (26) com a presidenta Dilma Rousseff para relatar a situação do aumento de casos de microcefalia no estado e discutir ações para conter a doença.

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, reuniu-se hoje (26) com a presidenta Dilma Rousseff para relatar a situação do aumento de casos de microcefalia no estado e discutir ações para conter a doença. Pernambuco tem 487 notificações de suspeita de microcefalia e 175 casos confirmados. A microcefalia afeta o crescimento adequado do cérebro do bebê.

Na reunião, Dilma decidiu enviar o ministro da Saúde, Marcelo Castro, técnicos do ministério e da Defesa Civil a Pernambuco na segunda-feira (30) para uma reunião com prefeitos, organizada pelo governo estadual. Segundo Câmara, Dilma demonstrou “muita preocupação” com o crescimento dos casos de microcefalia e se prontificou a fazer uma visita a Pernambuco quando retornar de viagens internacionais nas próximas semanas.

“Senti por parte da presidenta todo o desejo de nos ajudar, de ajudar o Nordeste, de colocar sua equipe a disposição”, disse Câmara. “É um momento de mobilização nacional. É uma questão que está concentrada no Nordeste, mas que pode muito bem chegar a outros estados numa velocidade que também pode preocupar”, completou.

Causas

O governo ainda não identificou a causa do aumento recente de casos de microcefalia, principalmente em estados do Nordeste, mas a principal hipótese é que o crescimento esteja associado à ocorrência do vírus zika em gestantes. Não há casos na medicina que comprovem a relação, mas pesquisas, como uma da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), constataram a presença do genoma do vírus em mães que tiveram bebês com microcefalia. O Zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue.

De acordo com Câmara, se a hipótese for confirmada, a ação de combate ao mosquito precisa ser fortalecida imediatamente, antes da chegada do verão, quando aumentam os casos de dengue e outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

“Caso realmente o zika seja o responsável pelo aumento do número de crianças nascendo com microcefalia, vamos precisar fazer uma ação muito grande de combate ao mosquito. Temos que ir aos criadouros, que fazer um amplo trabalho de comunicação com as pessoas no sentido de não deixar água represada para proliferação de insetos, mosquitos. É uma força-tarefa que precisa do apoio de todos nesse momento”, destacou.

Assistência

Além das medidas preventivas, Câmara disse que é preciso garantir assistência aos bebês e às famílias, com apoio social e acesso a tratamentos como fisioterapia. “Temos que ter uma preocupação muito grande com assistência, com protocolos, para as pessoas saberem para onde encaminhar essas mães, para as crianças terem tratamento adequado já nos primeiros meses de vida.”

Segundo o governador, Dilma e ele não conversaram sobre valores, mas avaliam que as ações de combate ao avanço da microcefalia vão exigir recursos e pessoal.

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Santa Cruz, Sport e Vitória: Nordeste volta a ter 3 times na Série A

A permanência do Sport na primeira divisão e o acesso de Santa Cruz (PE) e Vitória (BA) na Série B fez com que a região volte a ter o mesmo número de times da edição de 2014 da competição.

Depois desta edição com apenas um representante na Série A do Campeonato Brasileiro, a região Nordeste volta a ter três equipes na elite do futebol nacional. A permanência do Sport na primeira divisão (o time ainda tem chance, inclusive, de chegar à Libertadores) e o acesso de Santa Cruz (PE) e Vitória (BA) na Série B fez com que a região volte a ter o mesmo número de times da edição de 2014 da competição.

Comentaristas esportivos ouvidos pelo Portal EBC veem como “muito positiva” a chegada de mais times do Nordeste na Série A. Para Cláudio Carsughi, a volta de Vitória e Santa Cruz enriquece a competição: “No Nordeste, há torcedores mais empolgados e que têm menos chances de presenciar grandes eventos esportivos do que no Sul e Sudeste”, diz.

O jornalista Juca Kfouri também acredita ser positivo o aumento de times da região: “A Série A ganha com a ampliação da nacionalização do campeonato e a heterogeneidade que mais times do Nordeste garante”. Tanto Carsughi quanto Kfouri lamentaram o fato do Bahia, time de maior público da Série B, não ter conseguido a volta para a Série A.

Kfouri acredita que uma mudança na forma que os campeonatos são organizados poderia ajudar a aumentar a competitividade dos times da região: “Melhor divisão das quotas de TV e aprofundamento da Copa Nordeste poderia ajudar”. Carsughi aponta que os clubes da região devem procurar por si só uma forma de arrecadar: “Um dos caminhos é tentar usar os grandes estádios para eventos, da forma que Palmeiras e Corinthians estão fazendo”.

Desde que o Campeonato Brasileiro começou a ser disputado em pontos corridos, a melhor posição conquistada por um time do Nordeste foi o quinto lugar do Vitória em 2013. A marca pode ser igualada ou superada pelo Sport, que está em sétimo lugar a duas rodadas para o campeonato acabar.

Da Empresa Brasil de Comunicação S/A – EBC