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FGV apura suspeita de plágio de novo ministro da Educação

O título de doutor de Carlos Decotelli também está sob questionamentos

O título de doutor de Carlos Decotelli também está sob questionamentos (AFP)

A Fundação Getulio Vargas (FGV) informou no sábado (27), que vai investigar suspeita de plágio no mestrado do novo ministro da Educação, Carlos Decotelli. A decisão foi anunciada após o economista Thomas Conti apontar, no Twitter, possíveis indícios de cópia no trabalho do ministro, defendido em 2008 na Escola de Administração Pública e de Empresas da FGV.

Segundo análise feita por Conti com auxílio de um software que identifica trechos similares em textos diferentes, 12% da dissertação de Decotelli tem parágrafos idênticos ao de um relatório do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) para a Comissão de Valores Imobiliários (CVM), sem a devida citação. O trabalho contaria ainda com parágrafos copiados de ao menos outras três dissertações de mestrado.

A reprodução de trechos de outros trabalhos é comum em dissertações e teses, mas deve ser indicada como tal sempre ao final da sentença, com mais detalhes sobre o autor e a obra nas referências bibliográficas.

“Para quem não tem familiaridade com o mundo acadêmico, não se copia e cola trechos escritos por outra pessoa sem deixar claro que é uma citação e de onde vem a citação. Ainda mais em trechos longos assim”, escreveu Conti no Twitter, sobre o mestrado de Decotelli.

Após a repercussão do caso, a FGV informou a realização de apuração interna. “A Fundação Getulio Vargas vai apurar os fatos referentes à denúncia de plágio na dissertação do ministro Carlos Alberto Decotelli. A FGV está localizando o professor orientador da dissertação para que ele possa prestar informações acerca do assunto”, informou a instituição.

Questionado sobre a suspeita, o MEC informou que “o ministro refuta as alegações de dolo, informa que o trabalho foi aprovado pela instituição de ensino e que procurou creditar todos os pesquisadores e autores que serviram de referência”.

O ministro afirmou ainda, por meio da nota do MEC, que “caso tenha cometido quaisquer omissões, estas se deveram a falhas técnicas ou metodológicas” e se dispôs a revisar seu trabalho para providenciar as devidas correções “caso sejam identificadas omissões”.

Segundo órgãos de fomento de pesquisa e acadêmicos ouvidos pela reportagem, o plágio é considerado falha científica grave. De acordo com o Código de Boas Práticas Científicas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), configura-se plágio “a utilização de ideias ou formulações de outrem sem dar-lhe por elas, expressa e claramente, o devido crédito, de modo a gerar razoavelmente a percepção de que sejam ideias ou formulações de autoria própria”.

“O plágio é considerado grave porque é a originalidade que faz um pesquisador avançar na carreira acadêmica e na construção do conhecimento. A pessoa que plagia está ferindo essa lógica”, explica Nina Beatriz Stocco Ranieri, presidente da comissão de pesquisa da Faculdade de Direito da USP.

“Existem vários códigos de conduta, ética e de boas práticas científicas que os alunos e pesquisadores têm que seguir e eles deixam claro que sempre que se utiliza textos de outros trabalhos é preciso colocar entre aspas e com a devida citação”, complementa Marcelo Knobel, reitor da Unicamp.

Os especialistas dizem que eventual punição ao aluno depende de investigação feita pela instituição de ensino. “Só uma apuração poderá dizer se foi algo pontual, por conta de um descuido, ou uma prática intencional”, afirma Nina.

Doutorado

O título de doutor do novo ministro também está sob questionamentos. Franco Bartolacci, reitor da Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, disse que Decotelli não concluiu o curso. “Não o concluiu, pois lhe falta a aprovação da tese.”

O ministro inicialmente negou a declaração de Bartolacci e chegou a mostrar certificado de conclusão de disciplinas na instituição.

Na mesma nota em que se defende das acusações de plágio, o ministro confirmou que não defendeu a tese. Não teve a defesa autorizada e decidiu não submeter versão corrigida para nova avaliação por falta de recursos financeiros para se manter fora do país.

Agência Estado

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Ministro da Educação não descarta novos cortes na pasta

Com expectativa de novos bloqueios determinados pela área econômica, Abraham Weintraub diz que ‘única certeza na vida é a morte e os impostos’

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, durante café da manhã com jornalistas Foto: José Cruz/Agência Brasil

BRASÍLIA — O ministro da Educação, Abraham Weintraub, não descartou novos contingenciamentos na pasta caso a equipe econômica decida ampliar o bloqueio de recursos no caixa do governo ainda neste semestre. Questionado se uma nova rodada de represamento de verba, em virtude de uma possível revisão da taxa de crescimento, atingirá o Ministério da Educação (MEC), Weintraub disse que não tem como dizer.

— A única certeza na vida é a morte e os impostos — disse o ministro nesta terça-feira durante café da manhã com jornalistas.

Segundo Weintraub, não é possível dizer se o MEC, que já perdeu R$ 7,4 bilhões em recursos contingenciados, estará blindado de eventuais novas tesouradas. Ele disse que terá reuniões com o ministro da Economia, Paulo Guedes, a quem teceu elogios.

— Vou perguntar para o Paulo Guedes especificamente sobre isso (novos contingenciamentos). Hoje não tenho como antecipar— completou ele.

Apesar da possibilidade de novos cortes em sua pasta, Weintraub sinalizou total concordância com as determinações da equipe econômica, ressaltando o mérito das decisões. O próprio ministro, que é economista, atuou no grupo de trabalho da área econômica desde a campanha do presidente Jair Bolsonaro, antes de ser empossado ministro.

— É difícil ver alguém de um ministério social se recusando a atacar o Ministério da Economia se ele estiver fazendo o trabalho dele. Eu vou bater de mão fechada se eles forem contingenciar o contingenciado. Eu tenho condições de saber se eles estão fazendo o trabalho direito — ressaltou.

Weintraub voltou a associar o desbloqueio dos recursos da Educação à aprovação da reforma da Previdência. Ele minimizou os efeitos do represamento de verba nas universidades federais, que já tiveram R$ 2 bilhões bloqueados, dizendo que conversou com 50 reitores até agora e nenhum apontou problemas imediatos.

 

 

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Weintraub diz que pode rever corte nas universidades se Previdência passar

‘Se a economia tiver um crescimento com aprovação da nova Previdência, retomamos’, diz o ministro da Educação

Foto: Reprodução.

O ministro da educação Abraham Weintraub atrelou a reversão do corte de 30% das verbas para universidades federais à aprovação da reforma da Previdência. Aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no mês passado, a proposta deve seguir para análise de uma Comissão Especial e depois seguirá para o plenário.

Durante participação em uma audiência na Comissão de Educação no Senado, nesta terça-feira 7, para apresentar as diretrizes e programas prioritários do MEC, o ministro negou que haja corte para as instituições. “Não houve corte, há um contingenciamento. Se a economia tiver um crescimento com aprovação da nova Previdência, se retomarmos a dinâmica de arrecadação, revertemos. Precisamos cumprir a lei de responsabilidade fiscal”, afirmou.

Questionado sobre a situação das universidades federais, que já anunciaram dificuldades de manter as atividades em andamento com o bloqueio em seus orçamentos, o ministro questionou: “Nada foi cortado da folha de salários. O país inteiro está apertando o cinto, não dá pra cortar nada? É sacrossanto o orçamento? Uma universidade custa, na média, um bilhão de reais, não dá pra buscar nada?”. Ele sugeriu que os reitores das universidades abram seus números para mostrar as dificuldades e se dispôs a uma conversa entre os reitores, junto ao ministro da economia, Paulo Guedes, e ao presidente Jair Bolsonaro.

Durante sua explanação, o ministrou voltou a afirmar a intenção da pasta de “priorizar” os investimentos na educação básica, sobretudo com base nos indicadores do Ideb para o Ensino Médio – “estamos estagnados há dez anos” – e na situação do ensino técnico que, segundo ele, vem diminuindo no Brasil. [A educação básica já sofreu congelamento da ordem de 2,4 bilhões segundo levantamento da Andifes.]

“Metade das vagas do Ensino Médio no mundo é técnica. Quem aprende um ofício não passa necessidade. Um técnico em contabilidade, TI, enfermagem, um marceneiro, um torneiro mecânico, sai da escola com um ofício para se virar, ajudar a família”, declarou. Ele afirmou que uma das estratégias é fortalecer a educação profissional e tecnológica com articulações e parcerias que vão contemplar a rede privada e empresas.

Weintraub voltou a comparar a situação do País à da Coreia. “Lá, eles começaram na educação básica, alfabetizaram todo mundo, depois que universalizaram, diminuíram o nível técnico e aumentaram os engenheiros. Se começa com a base, com as paredes e só depois se chega no telhado”, disse, afirmando que o Brasil pulou etapas nesse sentido. “Colocamos muito recurso no telhado, antes de ter a base. ”

O ministro afirmou que o MEC hoje direciona a maior parte dos recursos para a Educação Superior e que a expansão do setor foi impulsionada pela rede privada: “75% veio da rede privada, não foi a rede pública que expandiu”. Também colocou como justificativa para as diretrizes do ministério, a concessão de bolsas via Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), que tem como objetivo expandir e consolidar a pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) em todos os estados da Federação.

“90% da produção científica nacional, medida não pela publicação apenas, mas pelo impacto na produção científica, com reutilização, vêm da Saúde, Biológicas, Exatas, Engenharia Agrária e Multidisciplinar. 13% que têm relevância científica vêm de Sociais Aplicadas, Humanidades e Linguística”. Recentemente, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que Weintraub estuda descentralizar investimentos em Faculdade de Filosofia e Sociologia.

 

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Bolsonaro demite Vélez do MEC e indica economista ligado a Olavo de Carvalho e FMI

Após dizer que demissão era fake news, Bolsonaro empossa novo pupilo da extrema direita; é a segunda queda em 100 dias

Pasta protagonizou polêmicas e viveu instabilidade nas nomeações. Foto: Reprodução.

Após ter sinalizado a saída de Ricardo Vélez na semana passada durante uma entrevista, Jair Bolsonaro anunciou sua substituição no Ministério da Educação, apresentando o nome do economista Abraham Weintraub. A troca ministerial, a segunda em três meses de governo, foi anunciada através do Twitter.

Há 12 dias, a jornalista Eliane Catanhêde anunciou a demissão do ministro e foi desmentida por Bolsonaro pelas redes sociais: “Sofro [sic] fake news diárias como esse caso da “demissão” do Ministro Velez. A mídia cria narrativas de que NÃO GOVERNO, SOU ATRAPALHADO, etc. Você sabe quem quer nos desgastar para se criar uma ação definitiva contra meu mandato no futuro. Nosso compromisso é com você, com o Brasil”, disse então.

Vélez protagonizou polêmicas e foi alvo de críticas em relação à sua capacidade de gestão. Em um primeiro gesto, pediu que escolas gravassem alunos entoando o hino nacional e recitando o slogan do governo. Recuou por conta da inconstitucionalidade da medida.

Outras medidas anunciadas e desfeitas foram a retirada da necessidade de revisão em livros didáticos e o fim do monitoramento das taxas de analfabetismo no Brasil.

As principais tensões, entretanto, vieram do conflito entre seguidores de Olavo de Carvalho, de quem Vélez é próximo, e militares para a indicação de cargos fundamentais na pasta. Assessores especiais foram sucessivamente indicados e demitidos.

A Secretaria Executiva do Ministério – tida como cargo número dois na hierarquia – passou, por exemplo, até mesmo pela indicação de uma pessoa que jamais assumiu, Iolene Lima.

Além das polêmicas e das contínuas trocas de nomes, a pasta enfrenta duas questões urgentes: a falência da gráfica responsável pela impressão das provas do Enem, fato que já era de conhecimento do Ministério e que põe em risco a execução da prova; e problemas na gestão do Fies, que tem impedido alunos de acompanharem aulas, correndo o risco de perderem o semestre e até mesmo as matrículas.

De acordo com o Valor Econômico, Weintraub foi sócio da Quest Investimentos, membro do comitê de trading da BM&F Bovespa, conselheiro da Ancord e representou o Banco Votorantim, do qual foi diretor, em encontros do Fundo Monetário Internacional.

Weintraub era secretário-executivo da Casa Civil. Segundo o Estadão, ele “afirmou que é preciso vencer o marxismo cultural nas universidades e trabalhar para que o país pare “de fazer bobagem”. Ele defende as ideias de Olavo de Carvalho, que chancelou sua indicação.

“Quando ele (um comunista) chegar para você com o papo ‘nhoim nhoim’, xinga. Faz como o Olavo de Carvalho diz para fazer. E quando você for dialogar, não pode ter premissas racionais”, declarou.

Primeiro demitido

Gustavo Bebbiano (PSL) foi demitido da Secretária-Geral de Presidência em fevereiro, por conta de seu suposto envolvimento em um esquema de candidaturas laranjas da legenda. A mesma suspeita recai sobre o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio, do mesmo partido.

No caso de Bebbiano, entretanto, um dos pontos que determinaram sua saída, que contrariou a posição dos ministros militares do governo e de Rodrigo Maia, foi a divergência pública entre ele e o filho mais novo do presidente, Carlos.

 

 

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