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Bolsonaro diz que pegou áudio das ligações da portaria “antes que fosse adulterado”

Material poderia provar envolvimento do presidente na morte da vereadora Marielle Franco (PSOL)

Jair Bolsonaro é presidente da República desde 1º de janeiro de 2019 / Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) admitiu à imprensa neste sábado (2) que pegou o áudio das ligações da portaria de seu condomínio, no Rio de Janeiro (RJ), para que impedir que o material fosse “adulterado”. As gravações, segundo reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, veiculada na última terça-feira (29), poderiam provar o envolvimento do capitão reformado com o assassinato de Marielle Franco, então vereadora pelo PSOL, em março de 2018.

“Nós pegamos, antes que fosse adulterada, ou tentasse adulterar, pegamos toda a memória da secretária eletrônica que é guardada há mais de ano. A voz não é a minha”, declarou Bolsonaro.

Segundo a TV Globo, um porteiro do condomínio de Bolsonaro contou à polícia que, horas antes de participar do assassinato de Marielle, o ex-policial militar Élcio de Queiroz esteve no local e disse que iria à casa 58, que pertence ao presidente. O “seu Jair” teria atendido à ligação e autorizado a entrada. Naquele dia, o então deputado Jair Bolsonaro estava em Brasília (DF).

Reações

A declaração de Bolsonaro neste sábado causou espanto e indignação em políticos da oposição.

Ivan Valente, deputado federal pelo PSOL, questionou por meio das redes sociais: “Como o principal suspeito teve acesso às provas? Essa história está muito estranha. Golpista é capaz de tudo. Por que o porteiro se meteria com milicianos?”.

Marcelo Freixo, também companheiro de partido de Marielle Franco, afirmou: “A declaração de Bolsonaro sobre ter obtido os áudios é uma estratégia para federalizar as investigações, que passariam a ficar sob o controle do presidente, através de Moro e Augusto Aras. A apuração do crime tem que permanecer com o Ministério Público e a Polícia Civil do Rio”.

O advogado Paulo Teixeira, que é deputado federal pelo PT, fez um alerta: “Bolsonaro pode ter destruído provas, ao pegar as gravações do condomínio”.

Na quarta-feira (30), o Ministério Público negou a versão do porteiro e disse que foi o PM aposentado Ronnie Lessa, outro suspeito do assassinato da vereadora, quem liberou a entrada de Queiroz no Condomínio Vivendas da Barra em março de 2018. Ambos estão presos há sete meses.

No dia seguinte, veio à tona a informação de que Carmen Eliza, uma das promotoras que investigava a morte de Marielle Franco, é admiradora de Bolsonaro e fez várias postagens nas redes sociais contra a esquerda e em defesa do capitão reformado. Na última sexta-feira (1º), ela pediu afastamento do caso.

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Marielle Franco é indicada a prêmio europeu de direitos humanos

O ex-deputado federal Jean Wyllys, o cacique Raoni e a ambientalista Claudelice Silva dos Santos também estão na lista

A ex-Vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco ( PSOL). Foto: Divulgação.

Quatro brasileiros estão na lista de indicados para o Prêmio Sakharov à Liberdade de Consciência 2019, do parlamento europeu: a vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018, o ex-deputado Jean Wyllys, ativista LGBT e ameaçado de morte, o cacique Raoni, conhecido por sua defesa à Amazônia, e a ambientalista Claudelice Silva dos Santos.

O prêmio leva o nome do cientista soviético dissidente Andrei Sakharov e já foi recebido pela oposição venezuelana adversária do presidente Nicolás Maduro e por cubanos contrários a Fidel Castro. O presidente da África do Sul Nelson Mandela e a ativista paquistanesa Malala Yousafzai também já venceram o troféu. Surgida em 1988, a premiação tem o objetivo de reconhecer atividades em favor dos direitos humanos.

Cada ala ideológica do parlamento europeu tem direito a indicar nomes ao prêmio. Uma ala dos parlamentares decidiu colocar em foco os retrocessos à luta pelos direitos humanos no Brasil, com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) no poder. Os nomes dos brasileiros, nesta edição, foram apresentados pela Aliança Socialistas e Democratas do parlamento.

Para os socialistas, “Marielle Franco, Claudelice Silva dos Santos e cacique Raoni são símbolos de resistência contra as violações dos direitos humanos no Brasil”. A eurodeputada social-democrata Kati Piri também exaltou as indicações, em comunicado: “Desde que o novo regime assumiu o poder em janeiro, o governo de [Jair] Bolsonaro tem estabelecido um clima de terror para vários defensores dos direitos humanos.”

O ex-deputado Jean Wyllys foi sugerido pelo grupo ambientalista. Os liberais do parlamento indicaram o nome de Ilham Tohti, intelectual condenado na China. Já os conservadores apresentaram cinco adolescentes do Quênia que atuam em uma iniciativa de colaboração com meninas vítimas de mutilação genital. Os direitistas do Partido Popular Europeu propuseram Alexei Navalny, opositor ao presidente russo Vladimir Putin.

 

 

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Coaf mostra depósito de R$ 100 mil em outubro na conta de suspeito de matar Marielle

PM reformado Ronnie Lessa, preso por assassinato da vereadora, teve bloqueio de bens declarado

Élcio Queiroz (esq.) e Ronnie Lessa (dir.) são principais suspeitos de executarem o crime. Foto: Reprodução.

O policial reformado Ronnie Lessa, de acordo com um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), recebeu R$ 100 mil em dinheiro, no dia 9 de outubro de 2018, em um depósito de boca de caixa, sete meses após o crime que vitimou a vereadora carioca Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018, segundo divulgou na manhã desta sexta-feira (15) reportagem do G1.

O relatório faz parte de um pedido de bloqueio dos bens — para garantir a indenização das famílias das vítimas — de Lessa e do ex-PM Élcio Queiroz. Ambos foram presos nesta terça-feira (12) e são apontados pelas investigações como principais suspeitos de executarem o crime.

Da parte de Lessa, que morava em uma mansão no condomínio Vivendas da Barra, na zona oeste do Rio de Janeiro, próximo ao presidente Jair Bolsonaro, serão bloqueados: uma lancha em Angra dos Reis registrada em nome de um “laranja”, a casa e um carro de R$ 150 mil. Para o Mìnistério Público, os bens são incompatíveis com a renda de um policial militar reformado.

Nesta sexta-feira, Élcio Queiróz e Ronnie Lessa irão depor sobre o crime. Ambos negam o crime. Eles estão presos em flagrante por posse ilegal de arma em suas residências. Além disso, na casa de um amigo de Lessa, foram encontrados 117 fuzis desmontados.

 

Via Brasil de Fato

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Segunda fase de investigação sobre crime de Marielle terá novo delegado

Governador Wilson Witzel afirmou que Giniton Lages está “cansado” e deve passar um tempo na Itália

O delegado Giniton Lajes, que cuidava do caso Marielle.. Foto: Reprodução.

A segunda fase das investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes terá um novo comando na Polícia Civil do Rio de Janeiro. Segundo o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, a troca será pelo “cansaço” do delegado Giniton Lages, responsável por apontar o policial militar da reserva Ronnie Lessa e o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz como autores do crime ocorrido em 14 de março de 2018.

Witzel nega que Lages esteja sendo afastado por alguma insatisfação com relação às investigações e explicou que as apurações que duraram um ano até chegarem nos autores desgastaram o delegado, que sairá em férias. Posteriormente, poderá realizar um intercâmbio entre a corporação e a polícia da Itália, com o objetivo de aprender procedimentos adotados contra a máfia local e adaptá-los à realidade carioca.

“Estamos com vários intercâmbios para fazer. Como ele [Giniton] está com a experiência adquirida e nós estamos com o intercâmbio com a Itália exatamente para estudar a máfia, os movimentos criminosos, ele vai fazer essa troca de experiência com a polícia italiana. Ontem (terça-feira, 12 de março) fiz o convite a ele, se ele poderia ser esse elemento de ligação”, explicou o governador.

Fontes ligadas à DH (Divisão de Homicídios) da Polícia Civil do RJ, liderada por Lages, confirmam à Ponte que ele aceitou o convite feito pelo governo. Extraoficialmente, pessoas ligadas à Polícia Civil do Rio de Janeiro apontam que a saída é para promover a efetiva troca geral de comandos dentro das divisões da corporação, o que não foi possível na DH em meio às investigações do Caso Marielle.

Já informações do jornal O Dia creditam a saída de Giniton da delegacia por uma insatisfação de seus superiores dentro da Polícia Civil. O entendimento é de que Lages não repassou informações dos processos de apuração feitos sobre a execução de Marielle e Anderson, como uma reconstituição ocorrida em 26 de fevereiro. Daniel Rosa, atualmente na DH da Baixada Fluminense, ocupará a vaga, ainda segundo O Dia.

O delegado esteve na DH durante a manhã desta quarta-feira, um dia antes do crime completar um ano. Ele não prestou esclarecimentos para a imprensa nem sobre o convite feito por Witzel, nem sobre a suposta insatisfação de seus superiores.

Integrantes do PSOL criticam o apontamento tanto da Polícia Civil quanto do MP de que a ação teria sido motivada por “ódio”, conforme dito em entrevista coletiva nesta terça-feira, à figura de Marielle Franco. Membros do próprio MP questionam a tese do crime de ódio, afirmando que seria muito “amadorismo” um matador profissional agir com raiva.

Rumos da Investigação

A Polícia Civil e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MPRJ (Ministério Público Estadual do RJ) prenderam o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, ambos acusados de participarem da execução de Marielle e Anderson. Lessa teria atirado com uma submetralhadora, enquanto Queiroz dirigia o carro. Agora, a Polícia Civil e o Gaeco investigam quem ordenou o assassinado de Marielle nesta segunda etapa.

Os dois permanecem presos preventiva na própria DH do Rio de Janeiro. Lessa foi preso em sua casa em um condomínio rico na Barra da Tijuca, mesmo local no qual o presidente Jair Bolsonaro possui uma residência. Segundo Giniton Lages, o filho mais novo de Bolsonaro teria namorado uma filha de Ronnie, informação que, segundo ele, é irrelevante para as investigações do Caso Marielle.

O PM da reserva Ronnie confessou ter sido avisado de que seria preso, motivo pelo qual a DH e o Gaeco anteciparam a operação que o prendeu. Tanto ele quanto Élcio, preso em sua casa, no Engenho de Dentro, zona norte da capital fluminense, não resistiram à prisão.

Além deles, Alexandre Mota de Souza também está preso ao ter 117 fuzis encontrados em sua casa – a maior apreensão deste tipo de arma na história da corporação fluminense. A vistoria é parte das 32 ações cumpridas de busca e apreensão, divididas entre terça (12/3) e quarta-feira (13/3). A Polícia Civil interrogou Alexandre e Ronnie sobre as armas, que seriam de posse do PM. Eles passarão por audiência de custódia nesta quinta-feira com o juiz, que vai decidir se eles devem ir presos pr

Após a audiência, ambos retornarão para a DH e, só aí, Lessa será interrogado em relação ao assassinato de Marielle e Anderson Gomes, do qual é acusado formalmente pelo MP. Sua defesa nega participação e descarta delação premiada, dispositivo que o governador Wilson Witzel por conta própria afirmou que poderia ser realizado. “[Meu cliente] nega de forma veemente ter feito o crime e, por isso, é impossível confessar algo que não fez”, alegou o advogado, Fernando Santana.

O mesmo acontece com a defesa de Elcio Queiroz. De acordo com o advogado Luís Carlos Cavalcanti Azenha, o cliente “não deve nada e não tem nada a delatar” e que delação premiada é para “criminoso confesso que está querendo algum benefício, como redução de pena. Meu cliente não, não há a menor hipótese de fazer delação”.

 

Via El País

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Arma com inscrição dos Fuzileiros Navais dos EUA é encontrada no arsenal da milícia

Apreensão foi feita pela Polícia Civil como desdobramento de investigações sobre assassinato da vereadora do PSOL

Na foto do material apreendido, consta um componente de um fuzil M27 com inscrição dos Fuzileiros Navais dos EUA. Foto: Reprodução.

A Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil do Rio de Janeiro apreendeu 117 armas na residência de um amigo do policial militar Ronnie Lessa, suspeito de ter executado a vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista, Anderson Gomes, há um ano. Em uma foto divulgada do material apreendido, consta um componente de um fuzil M27 com inscrição dos Fuzileiros Navais dos EUA [USMC, em inglês].

Armamento apreendido durante as investigações. Foto: Reprodução.

Mais de cem fuzis do modelo M-16 foram encontrados na casa, localizada no Méier, zona norte do Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Civil, um endereço anotado ligado a Lessa também foi encontrado na casa.

O M27 é produzido pela Heckler & Koch, empresa de armas alemã que também tem fábricas nos EUA, na França e no Reino Unido. O modelo se tornou o fuzil padrão dos Fuzileiros Navais dos EUA em 2018.

Foto: Reprodução.

O dono da casa, Alexandre Mota de Souza, confirmou aos investigadores que Lessa é seu amigo de infância e pediu que ele guardasse as caixas sem abri-las.

Acompanhe no Brasil de Fato os desdobramentos da investigação do crime, que completa um ano no próximo dia 14.

 

Via Brasil de Fato

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Ainda não responderam o mais importante: quem mandou matar Marielle, enfatiza viúva

Para Monica Benício, a prisão de dois suspeitos nessa terça (12) é passo importante, mas não é suficiente

O policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos, foram detidos nesta terça (12). Foto: Reprodução.

Próximo à data que marca um ano do assassinato de Marielle Franco, dois suspeitos pela execução da vereadora e de seu motorista, Anderson Gomes, foram presos na manhã desta terça-feira (12).

O policial militar reformado Ronnie Lessa, de 48 anos, e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos, foram detidos por uma força tarefa da Operação Buraco do Lume, composta por policiais da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro e por promotores do Ministério Público. A investigação do Ministério Público e da Polícia Civil aponta que os policiais são responsáveis pelo crime.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Monica Benício, companheira de Marielle, conta que soube da prisão dos suspeitos na madrugada, ao receber a ligação de uma das promotoras.

“Considero um passo muito importante na investigação. Parabenizo as promotoras, sobretudo, e a DH (Delegacia de Homicídios). Mas não podemos esquecer que daqui há dois dias completamos um ano da execução. [Precisou de] Um ano para ter essa resposta, que tinha que ser respondida há muito tempo”, pontua Monica.

A viúva da vereadora afirma ainda que o resultado da investigação não é suficiente. “Não podemos esquecer que a resposta mais importante ainda não nos foi dada: Quem mandou matar Marielle e qual a motivação desse crime? Mais importante do que termos ratos mercenários serem responsabilizados pelo que fizeram, é a questão urgente e necessária, que é saber quem foi que mandou matar Marielle”, enfatiza Benício.

Segundo a denúncia das promotoras Simone Sibilio e Leticia Emile, assinada pelo juiz substituto do 4º Tribunal do Júri Gustavo Kalil, Lessa teria sido responsável pelos disparos enquanto Queiroz seria o motorista do Cobalt prata que perseguiu o carro da vereadora. Como a investigação aponta que o crime foi meticulosamente planejado ao longo de 3 meses, a operação também está apreendendo documentos, celulares, computadores, armas dos suspeitos. Há indícios de que Lessa monitorava eventos que a vereadora participa através de um celular “bucha”.

Sobre a continuidade das investigações para identificar o mandante da execução, Monica espera que não demore tanto quanto as primeiras respostas oficiais que foram dadas no dia de hoje. “Sinceramente, espero que não tenhamos que aguardar mais um ano para chegar a essa resposta. Mas não podemos deixar de olhar que finalmente algo concreto está acontecendo a respeito dessas investigações, isso tem que ser ressaltado”.

Legado

No último 8 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres, Marielle Franco foi homenageada por milhares de mulheres em atos por todos os estados do país. Mulher negra, periférica e lésbica, Marielle se tornou um grande símbolo de resistência contra todas as formas de opressão.

Para Monica, Marielle é um símbolo de referência e inspiração, “para que sigamos na resistência e na luta”.

“De forma positiva, podemos compreender que a noite do 14 de março não pode ser vista só como uma noite de barbárie e violência, mais uma noite onde podemos ressignificar a esperança. Ressignificar a resistência”, disse.

“Marielle se tornou um símbolo de resistência uma vez que vemos a imagem dela sendo replicada pelo mundo inteiro, que se indignou com a violência, mas que também reconheceu o trabalho dela enquanto defensora dos direitos humanos, e não só o trabalho dela, mas o que ela representava. O que ela simbolizava, que é uma construção coletiva muito maior do que a própria imagem dela”, ressalta Monica.

Mobilizações em todos os estados do país estão sendo articuladas para o próximo 14 de março, data que marca um ano da execução da vereadora.

 

Via Brasil de Fato

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PM e ex-PM suspeitos de matar Marielle Franco são presos no Rio de Janeiro

Ronie Lessa teria feito os disparos e Elcio Vieira de Queiroz, conduzido o veículo usado no crime

Ato no Dia Internacional da Mulher pela Justiça pela morte da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução.

Uma operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu na madrugada desta terça-feira dois suspeitos de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes no dia 14 de março de 2018. Ronie Lessa é policial militar reformado e Elcio Vieira de Queiroz foi expulso da Polícia Militar.

Segundo o Ministério Público, os dois foram denunciados depois de análises de diversas provas. Lessa teria sido o autor dos disparos de arma de fogo e Elcio, o condutor do veículo usado na execução. O crime teria sido planejado nos três meses que antecederam os assassinatos.

De acordo com informações do jornal O Globo, a polícia e o Gaeco chegaram às 4h na casa dos investigados. Lessa mora no condomínio Vivendas da Barra, o mesmo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). O jornal destaca, no entanto, que a investigação não aponta nenhuma relação entre o policial e o presidente.

Operação

Além dos mandados de prisão, a chamada Operação Lume cumpre mandados de busca e apreensão em endereços dos dois suspeitos, para apreender documentos, telefones celulares, computadores, armas e acessórios.

Na denúncia apresentada à Justiça, o MP também pediu a suspensão da remuneração e do porte de arma de fogo de Lessa, a indenização por danos morais aos familiares das vítimas e a fixação de pensão em favor do filho menor de Anderson até completar 24 anos de idade.

Segundo o MP, o nome da operação é uma referência a uma praça no Centro do Rio, conhecida como Buraco do Lume, onde Marielle desenvolvia um projeto chamado Lume Feminista. No local, ela também costumava se reunir com outros defensores dos direitos humanos e integrantes do seu partido, o PSOL. “Além de significar qualquer tipo de luz ou claridade, a palavra lume compõe a expressão ‘trazer a lume’, que significa trazer ao conhecimento público, vir à luz”, informa a nota.

 

Via El País

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Dez meses depois, assassinato de Marielle Franco segue sem respostas

Ministério Público afirma não ter dúvidas de ligações com milícias, mas não aponta suspeitos

Foto: Reprodução

Dez meses após o assassinato da vereadora e defensora dos direitos humanos Marielle Franco,  junto de seu motorista Anderson Gomes, o caso segue sem um desfecho. O procurador-geral de Justiça do estado do Rio de Janeiro, Eduardo Gussem, disse hoje (14) não ter dúvidas de que o assassinato da Marielle e Anderson está relacionado a grupos de milicianos, mas ainda não comprovou, contudo, quem são os assassinos e a motivação do crime.

Gussem discursou ao ser reconduzido ao cargo para mais dois anos de mandato à frente do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

“Não tenho dúvidas em afirmar que o caso Marielle e Anderson Gomes está relacionado a essas organizações criminosas”, disse ele. O assassinato completa hoje dez meses e segue em investigação sigilosa na Polícia Civil e no próprio Ministério Público estadual.

Gussen afirmou que as milícias representam “uma forma perversa de plantar o terror e o medo na sociedade” e destacou que, quando confrontadas pelo aparato estatal, elas reagem “com severos ataques a bens públicos e ameaças a autoridades”.

O procurador-geral de Justiça lembrou ainda o ataque a tiros sofrido ontem pela delegada e deputada estadual Martha Rocha (PDT), que não se feriu com os disparos contra seu carro, mas teve o motorista baleado. A parlamentar relatou ter sofrido ameaças de milicianos .

“Espero que o lamentável episódio ocorrido ontem com a deputada estadual Martha Rocha não seja mais um capítulo dessa triste e grave história”, disse.

Duas linhas

Ao fim da cerimônia de recondução ao cargo, o procurador-geral de Justiça explicou que o ministério público estadual e a Polícia Civil trabalham em duas linhas de investigação distintas no caso Marielle. Enquanto os promotores cruzam dados do caso com outros processos e organizações criminosas identificadas, a Polícia Civil se debruça sobre o crime de forma mais específica.

“Elas necessariamente não são divergentes, podem até ser convergentes. São linhas que, com o andar dessa análise, podem desembocar na mesma organização criminosa”, disse ele, que ponderou que a investigação da Polícia Civil necessariamente vai passar pela avaliação do Ministério Público quando concluída.

O governador Wilson Witzel (PSC) disse que não teve acesso ao processo, que está em segredo de justiça, mas defendeu que uma resposta seja apresentada à sociedade rapidamente.

“Me parece que as duas têm que andar juntas. Se não for possível, aquela que estiver mais adiantada que dê a resposta pra sociedade. Se você tem uma investigação mais adiantada na policia, que a policia já apresente logo o resultado”, disse ele, que o que se espera do direito penal é uma resposta rápida à sociedade: “É muito melhor apresentar muitas vezes um resultado parcial de uma investigação. O inquérito pode ser cindido e continuar a investigação em outros fatos”.

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Caso Marielle: PF vai investigar se agentes públicos atuam para impedir resolução do crime

Polícia Federal entra no caso após testemunhos de que uma organização criminosa tem obstruído as investigações.

© Renan Olaz/CMRJ

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, anunciou nesta quinta-feira (1º) que a Polícia Federal vai entrar no caso Marielle para apurar denúncias de que uma organização criminosa estaria atuando para obstruir a investigação e impedir a resolução do crime.

A vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSol) e seu motorista, Anderson Gomes, foram assassinados a tiros em 14 de março deste ano, na capital fluminense.

De acordo com o ministro, a suspeita é que façam parte dessa organização criminosa agentes públicos envolvidos na investigação do caso, milicianos e o crime organizado.

“São denúncias extremamente graves, que falam de uma organização criminosa para impedir, obstruir e desviar a elucidação dos homicídios”, disse Jungmann em entrevista coletiva, em Brasília.

A investigação dos assassinatos está hoje sob responsabilidade do Ministério Público Estadual e da Polícia Civil do Rio de Janeiro. O ministro, no entanto, não revelou a que instituições pertencem os agentes públicos que serão investigados.

A abertura do inquérito que será delegado à PF foi um pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a partir de dois depoimentos colhidos recentemente — um deles há cerca de um mês e o outro há aproximadamente 15 dias. Segundo Jungmann, a partir de agora serão duas investigações em paralelo.

“Estamos criando outro eixo, que vai investigar aqueles que estão dentro da máquina pública ou dentro do crime organizado”, disse Jungmann, que considera a Polícia Federal “uma das melhores polícias investigativas do mundo”.

“Evidentemente a PF vai procurar a colaboração do Ministério Público Estadual e daqueles agentes públicos que julgar conveniente. Se essa investigação levar luz sobre quem matou Marielle e Anderson, é uma possibilidade, mas não é esse o objeto”, completou.

O ministro ainda lembrou que o crime completará 8 meses nos próximos dias.

“O que nos preocupa até aqui, passado todo esse tempo, é que não há um claro encaminhamento, uma resolutividade (…) Estamos diante de um crime que, sem sombra de dúvida, fere a democracia, os direitos humanos e a própria representação popular.”

Por Débora Melo, do HuffPost Brasil

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Anistia Internacional vai reivindicar acompanhamento externo do caso Marielle/Anderson

A ONG considera grave o fato do crime permanecer em aberto, o que “demonstra ineficácia, incompetência e falta de vontade das instituições em resolver o caso”.

(Foto: Reprodução Facebook)

A Anistia Internacional marcou para esta quinta-feira (12) um encontro com os pais de Marielle Franco. Juntos, eles vão reivindicar o acompanhamento externo das investigações sobre o assassinato da vereadora e de seu motorista, Anderson Gomes, que está prestes a completar quatro meses, ainda sem solução.

A Anistia considera grave os autores do crime não terem sido encontrados. Isto “demonstra ineficácia, incompetência e falta de vontade das instituições do Sistema de Justiça Criminal brasileiro em resolver o caso”.

“Como se sabe, o caso Marielle tem forte indício de envolvimento de agente público. É necessário um mecanismo de acompanhamento externo para que tudo fique claro. A Câmara dos Deputados criou uma comissão para fazer o monitoramento, mas ela não segue todos os itens de independência, porque está inserida num aparato estatal. Além disso, é necessário ter membros com especialização na área, como peritos”, disse Renata Neder, coordenadora de Pesquisa da Anistia Internacional Brasil.

“Quem matou Marielle e Anderson?”

Países como Honduras e Nicarágua já adotaram acompanhamentos externos para monitorar investigação de crimes.

“Há vários modelos que podem ser seguidos. Na Nicarágua, por exemplo, adotaram um sistema com peritos independentes, recomendado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que faz parte do Sistema Interamericano de Direitos Humanos, ligado à Organização dos Estados Americanos (OEA)”, afirmou a coordenadora da Anistia. Ela acrescenta ainda que o fato de a investigação estar correndo sob sigilo não impede o acompanhamento externo. “É óbvio que entendemos o sigilo, mas isso não pode significar o total silêncio das autoridades”, completou.

Além de cobrar respostas para a pergunta “Quem matou Marielle e Anderson?”, a Anista diz que esse acompanhamento externo poderia ajudar a esclarecer questões que ficaram perdidas ao longo dos últimos quatro meses.

“A própria imprensa divulgou informações sobre o crime que não foram esclarecidas até hoje pelas autoridades. Por exemplo, como ficou a história de a munição usada pelos criminosos pertencer a um lote restrito? Não falaram mais nada sobre isso. E a arma usada, uma submetralhadora também de uso restrito? E as câmeras do local do crime? Foram desligadas na véspera? Todas essas informações, que surgiram logo após as mortes, não foram completamente esclarecidas”, disse Renata.

Para a diretora executiva da Anistia Internacional, Jurema Werneck, é “fundamental não apenas identificar e responsabilizar os autores dos disparos, mas também os autores intelectuais dos homicídios, bem como a motivação do crime”.

http://www.revistaforum.com.br/