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Lula denuncia ação dos Estados Unidos no golpe contra Dilma

“As manifestações de 2013 foram feitas já fazendo parte do golpe contra o PT. As manifestações começaram como parte do golpe, incentivadas pela mídia brasileira e incentivadas, acho que inclusive, de fora para dentro. Eu acho já que teve o braço dos Estados Unidos nas manifestações do Brasil”, disse ele, em entrevista à Telesur

(Foto: André Misse)

Por Lucas Rocha, na Fórum – Em conversa com o jornalista Nacho Lemus, da TeleSUR, o ex-presidente Lula comentou sobre as manifestações de Junho de 2013 e apontou que elas estão entre as principais responsáveis pela disseminação do ódio no país e no impeachment da ex-presidenta Dilma. O ex-presidente ainda disse acreditar que os Estados Unidos podem ter sido responsáveis por promover os movimentos de Junho.

“As manifestações de 2013 foram feitas já fazendo parte do golpe contra o PT. Elas já foram articuladas para garantir o golpe. Elas não tinham reivindicações específicas. As manifestações começaram como parte do golpe, incentivadas pela mídia brasileira e incentivadas, acho que inclusive, de fora para dentro. Eu acho já que teve o braço dos Estados Unidos nas manifestações do Brasil”, disse Lula ao ser questionado sobre as manifestações contra o neoliberalismo que sacudiram Chile, Colômbia e Equador no fim de 2019. “A diferença é que essas manifestações são feitas para conquistar direitos”, disse.

Segundo o ex-presidente, o ódio tomou conta do Brasil e o povo “está perdendo o direito de sonhar”. “Lamentavelmente o ódio tomou conta desse país, um ódio disseminado sobretudo pelos meios de comunicação, a partir do governo do PT e mais, a partir de 2013 quando teve uma manifestação em Julho de 2013 e, depois no Impeachment da Dilma. Tudo isso gerou na eleição do Bolsonaro. A negação da política, o ódio a politica, o ódio ao sindicato, o ódio à organização dos trabalhadores, o ódio à esquerda”, declarou.

Para Lula, os principais desafios que devem ser enfrentados na América Latina são a recuperação do campo da esquerda e o combate ao neoliberalismo. O ex-presidente ainda avaliou que a região viveu o seu momento “mais extraordinário” de democracia e direitos nos anos 2000, quando diversos governos progressistas estiveram à frente dos países da região, e pregou a integração latino-americana.

“Eu vou lutar. Eu vou lutar até os últimos dias da minha vida para que esse país recupere a soberania e para que a gente construa o velho sonho de Bolívar de construir uma grande América Latina. Um bloco econômico forte capaz de gerar desenvolvimento, capaz de competir com os EUA, com a Europa, com a China, com autonomia, respeito e autodeterminação”, finalizou o ex-presidente.

 

Fonte: Revista Forum

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Lula no Recife: “Na democracia, o show não para”

Segundo a organização do Festival Lula Livre, 250 mil pessoas ouviram o ex-presidente

Festival Lula Livre no Pátio da Igreja Nossa Senhora do Carmo, no centro do Recife. / Ricardo Stuckert

Esperado por 250 mil pessoas, segundo a organização do evento, o ex-presidente Lula foi conduzido ao palco do Festival Lula Livre que acontece desde o início da tarde deste domingo no Recife (PE), pela cirandeira Lia de Itamaracá.

Em um discurso emocionado ele relembrou e agradeceu todo o apoio e solidariedade que recebeu nos 580 dias que ficou preso na superintendência da Polícia Federal, em Curitiba (PR), “eu hoje sou um homem melhor que aquele que entrou na cadeia”, afirmou. Agradeceu também aos artistas e organizadores do Festival aos Comitês Lula Livre espalhados pelo país, “agradeço a cada mulher e cada homem que tiveram a coragem de cantar por liberdade nesse país”.

Lula aproveitou a oportunidade para agradecer a Fernando Haddad (PT) por sua candidatura nas últimas eleições e falou da necessidade do acesso a educação e a cultura pelo povo brasileiro, “na lógica desses canalhas pobres e negros não podem ter acesso a universidade, cultura pra eles é coisa de comunista e para nós é coisa de libertação. Um país sem cultura e educação não vai a lugar nenhum. Eu fui criado por uma mãe e um pai analfabetos e eles me deram uma coisa que a elite brasileira não aprendeu nos bancos da universidade que é caráter e dignidade” e continuou “Quero que a elite brasileira saiba, nós não queremos mais ser tratados como cidadãos de segunda categoria. A gente não se contenta mais com a teoria de que é melhor pingar do que faltar. A gente não quer mais morar, comer, vestir, estudar mal, queremos tudo de bom nesse país porque somos nós que produzimos”.

O ex-presidente, que é pernambucano, nascido no município de Garanhuns (PE) falou sobre a região, “esse povo do nordeste aprendeu a comer três vezes ao dia, a ter água, a ter emprego. O nordeste é exportador de dignidade e queremos ser tratados em igualdade de condições, não somos párias da sociedade”. Lula também prometeu seguir, segundo ele, “lutando a cada minuto que terei pela frente para libertar esse país da quadrilha de milicianos que tomou conta do Brasil. Ninguém fará com que eu pare de lutar, para garantir que os nossos filhos vivam uma vida melhor do que a nossa”.

Chamando o cantor Siba e mestres de maracatu pernambucanos que o sucederiam no palco, Lula se despediu na multidão dizendo, “na democracia o show não para”.

 

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Lula: “Não podemos permitir que os milicianos acabem com o país que construímos”

Em seu discurso, o ex-presidente criticou o governo de Jair Bolsonaro e reafirmou sua disposição em lutar por justiça

Ex-presidente discursou neste sábado para uma multidão de apoiadores no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC / João Pompeo

Em um discurso duro contra Jair Bolsonaro (PSL), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu as medidas de distribuição de renda de sua gestão e atacou as medidas liberais do atual governo.

Ele convocou a multidão que se aglomerou em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), a se mobilizar contra o desmonte do Brasil.

“Não tem ninguém que conserte esse país, se vocês não quiserem consertar. Não adianta ficar com medo das ameaças que ele faz na tevê, que vai ter miliciano, que vai ter AI-5. A gente que ter a seguinte decisão: esse país é de 210 milhões de habitantes e não podemos permitir que os milicianos acabem com esse país que construímos.”

Lula questionou a capacidade de Bolsonaro e Paulo Guedes em dar respostas à economia do país. “O que vejo é que o povo ficou mais pobre, com menos saúde, menos casa, menos emprego. Mais de 40 milhões, 50% da população está ganhando R$ 423 por mês. Seria importante que ele fizesse o que vocês fazem: pegar R$ 423 e sustentar a família, pagar transporte para trabalhar. Queria que ele fosse pro médico, comprar remédio. Eu acho que não tem outro jeito”, argumentou.

O ex-presidente também criticou a postura de Bolsonaro em seus pronunciamentos públicos e lamentou o desrespeito do atual presidente com mulheres, negros, LGBTs e com as pessoas mais frágeis da sociedade.

Segundo Lula, essa postura de Bolsonaro também se traduz em suas ações de governo. “Quero saber porque esse cidadão que se aposentou muito jovem quis tirar aposentadoria do povo brasileiro. Quero saber porque esse cidadão que nunca ganhou salário mínimo quer congelar o salário, que nunca teve a carteira profissional azul quer criar a carteira verde amarela que vai ter empregos intermitentes. Não vai ter registro em carteira. Eles estão apresentando um projeto econômico que vai empobrecer cada vez mais a sociedade brasileira”.

Lula iniciou seu discurso atacando a Rede Globo de Televisão e lembrando a rotina que tinha durante o período em que ficou preso. “Foram 580 dias numa solitária”, declarou. O ex-presidente defendeu a decisão de se entregar à Polícia Federal no dia 7 de abril de 2018.

“Quero repetir algo que falei: o homem e a mulher, quando tem clareza do que quer na vida, do que eles representam e que seus algozes estão mentindo – e eu poderia ter ido a uma embaixada, outro país –, mas eu tomei a decisão de ir lá. Preciso provar que o juiz Sérgio Moro não era um juiz, era um canalha. Dallagnol não representa o Ministério Público, que é uma instituição séria. Ele montou uma quadrilha na força-tarefa da Lava Jato. Quem fez inquérito contra mim, mentiu em cada palavra. Se eu saísse seria um fugitivo.”

Justiça para Marielle

O ex-presidente cobrou justiça no caso de Marielle. Lula disse que Bolsonaro foi eleito para governar para o povo brasileiro e não para os milicianos do Rio de Janeiro. “Não é a gravação do filho dele que vale. É preciso que haja uma perícia séria para que a gente saiba definitivamente quem matou Marielle.”

Multidão ocupou as ruas do entorno do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, neste sábado (9)

“Tesão de 20”

Lula reafirmou a posição de não agir movido pelo ódio. “Aos 74 anos, eu não tenho direito mais de ter ódio em meu coração. Eu não sabia que ia me apaixonar aos 74 anos de idade. Eu estou com 74 anos, energia de 30 anos e tesão 20 anos. Eu estou de bem com a vida e vou lutar por esse país”, apontou.

Ele relembrou as políticas afirmativas do seu governo. “A única coisa que me motiva nesse país é que nós já provamos que é possível governar para o povo mais necessitado. É possível colocar pobre na universidade, o povo nas escolas técnicas. Provamos que em 12 anos geramos 22 milhões de empregos com carteira assinada”, apontou.

Inocência

Lula agradeceu os advogados Valeska e Cristiano Zanin e lembrou que sua luta é para que os processos contra ele sejam anulados. “O que nós queremos agora é que seja julgado o habeas corpus que demos entrada nos STF [Supremo Tribunal Federal] anulando todos os processos feitos contra mim. Existe argumento suficiente para provar. Não sem rancor: [Sergio] Moro é mentiroso, [Deltan] Dallagnol é mentiroso. Não é por causa do que foi publicado pelo The Intercept, é pelo que escreveram na minha defesa. Só tem uma explicação para o que fizeram no processo, foi para me tirar da disputa eleitoral.”

América Latina

Lula ressaltou a importância dos resultados recentes nas eleições em países vizinhos. Ele comemorou a vitória da chapa de Alberto Fernandez e Cristina Kirchner, na Argentina, e manifestou sua torcida por Daniel Martínez, da Frente Ampla, no Uruguai, “para evitar a volta do neoliberalismo”.

Sobre a Bolívia, o ex-presidente denunciou a pressão golpista da oposição contra o presidente reeleito Evo Morales. “Estão fazendo o que o Aécio fez quando Dilma ganhou dele.”

O petista pediu solidariedade à luta do povo chileno contra o neoliberalismo e ao povo venezuelano na luta contra o bloqueio econômico e às ameaças estadunidenses. “Podemos fazer críticas a qualquer governo do mundo, mas quem decide sobre os problemas do país é o povo do país. O [Donald] Trump que resolva o problema dos americanos. Ele não foi eleito para ser o xerife do mundo. Ele que governe os Estados Unidos e cuide da pobreza de lá.”

Por fim, Lula contestou a iniciativa de Trump em construir um muro separando os Estados Unidos do México. “Eles que celebraram a queda do muro de Berlim estão construindo um muro contra pobres. Não podemos aceitar isso”, assinalou.

“Estou de volta”

No final do discurso, o ex-presidente voltou a convocar os brasileiros a reagir às medidas neoliberais de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes. “Um povo como vocês não depende de uma pessoa, dependem do coletivo. Cassaram Lula e [Fernando] Haddad quase é eleito presidente da República. Tenho certeza de que se a gente tiver juízo, se souber trabalhar direitinho, em 2022 a esquerda, que Bolsonaro tem tanto medo, vai derrubar a ultradireita. Esse país não merece o governo que tem. Não merece um governo de um presidente que manda os filhos todos os dias contar mentiras, através das fake news”.

 

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Ouça o discurso completo do ex-presidente Lula em São Bernardo do Campo

O petista discursou para a militância no Sindicato dos Metalúrgicos na tarde deste sábado(9)

Ouça o áudio:

Lula discurso por aproximadamente 45 minutos em São Bernardo do Campo (SBC) / Brasil de Fato

“As ideias que nós construímos coletivamente aqui, nesta região e neste país, não poderiam ser presas, elas iam continuar pairando pelo mundo inteiro. Cá estou eu, livre como um passarinho.”

As palavras são parte do discurso feito pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na tarde deste sábado (9), no Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo (SP).

Acompanhado por lideranças políticas e de movimentos populares, o petista falou por aproximadamente 45 minutos à multidão presente no local.

Esse foi segundo pronunciamento do ex-presidente desde que foi libertado no final da tarde da última sexta-feira (8). Lula reforçou suas críticas à atuação de parte da imprensa e da Justiça na condução do processo que resultou em sua prisão.

“Eu duvido que o [Sérgio] Moro durma com a consciência tranquila que eu durmo. Eu duvido que o [Deltan] Dallagnol durma com a consciência tranquila eu durmo. Aliás, eu duvido que o Bolsonaro durma com a consciência tranquila que eu durmo. Eu duvido que o ministro demolidor de sonhos, destruidor de empregos, destruidor de empresas públicas brasileiras, chamado [Paulo] Guedes, durma com consciência tranquila que eu durmo. Eu quero dizer para eles: eu estou de volta”, disse.

Lula também reiterou seu desejo de viajar em caravana pelo Brasil e reafirmou sua disposição para a luta. 

“Eu quero construir esse país com a mesma alegria que construímos quando governamos. A única coisa que eu tenho certeza é que estou com mais coragem de lutar do que quando eu saí daqui”, afirmou.

Ao final do discurso, Lula agradeceu aos apoiadores e lamentou a impossibilidade de abraçar e beijar cada uma das pessoas presentes.

“Eu quero, do fundo do coração, agradecer a cada um de vocês. Podem contar comigo, porque única coisa que eu não vou fazer na vida é trair a confiança que vocês têm em mim há tantos anos”, concluiu.

 

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STF derruba prisão de condenados em segunda instância, e Lula pode ser libertado

Com placar de 6 votos a 5, Supremo seguiu princípio constitucional que garante presunção de inocência

Voto do presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, foi o decisivo e terminou às 21h30 / Rosinei Coutinho/STF

Por maioria, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou nesta quinta-feira (7) a execução de pena após condenação em segunda instância. Iniciado em 23 de outubro, o julgamento se encerrou com um placar de 6 a 5 a favor da posição, expressa na Constituição, de que a prisão de um réu só pode ser autorizada após o fim de todos os recursos possíveis, o chamado trânsito em julgado.

Considerada a mais importante deste ano, a decisão poderá resultar na soltura de quase cinco mil pessoas encarceradas sem condenação em definitivo, entre elas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso político desde abril do ano passado.

Após a sessão, em entrevista à imprensa, o ministro Edson Fachin esclareceu que não haverá soltura imediata de nenhum preso. Os advogados de réus nessa situação deverão pedir a liberdade de seus clientes nos juízos responsáveis pelos processos que levaram às prisões.

Os votos

Na sessão desta quinta-feira – a terceira da Corte dedicada a analisar o tema –, iniciada com um placar parcial de 4 a 3 a favor da prisão após segunda instância, votaram Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Celso de Mello e o presidente da Corte Dias Toffoli.

Cármen Lúcia reiterou seu posicionamento tradicional em relação ao tema, votando a favor da prisão após condenação em segunda instância.

Gilmar Mendes apresentou voto em que explicou a evolução de sua posição, já que, no passado, votou a favor da prisão em segunda instância e, nesta quinta-feira, consolidou suas críticas mais recentes à medida.

O ministro apontou que suas primeiras resistências à prisão em segunda instância, tal como ela vem sendo aplicada, começaram a se tornar públicas já em 2017. Em sua visão, a decisão de 2016 criava possibilidade de prisão em segunda instância, mas os tribunais inferiores deram caráter obrigatório à medida.

Sendo o único além de Toffoli a citar o “caso Lula”, Mendes, que já se mostrou simpático à ideia de prisão em terceira instância, afirmou que a atuação do Superior Tribunal de Justiça no processo do petista também influenciou em sua mudança de posição.

“O caso Lula contaminou a discussão. Isso não contribuiu para o debate racional. Eu posso ser suspeito de tudo, menos de ser petista. O caso Lula mostra como o sistema funciona mal, e eu ainda não estou falando de Intercept. O combate à corrupção deve se fazer dentro dos marcos do devido processo legal”, disse.

Celso de Mello, que votou após Mendes, também foi contrário à prisão após segunda instância. Ele afirmou que, apesar da gravidade da corrupção no país, as diretrizes estabelecidas pela Constituição devem ser plenamente observadas, contrariando também alguns argumentos de defensores da medida. 

A exigência de trânsito em julgado para execução da pena, explicou Mello, não impede prisões antes do término de todos os recursos, como nos casos de prisões preventivas.

Dias Toffoli, último a votar por ser presidente da Corte, iniciou seu posicionamento afirmando que a questão técnica nos presentes processos é a adequação das regras do Código de Processo Penal à Constituição.

“O objeto das presentes ações é saber se o dispositivo do Código de Processo Penal é compatível com a Constituição. Em julgamentos anteriores não era esse o debate. A leitura [do Código de Processo Penal] cabe no texto constitucional”, afirmou.

Nesse sentido, Toffoli argumentou que a “vontade dos representantes do povo” estava de acordo com o texto constitucional ao estabelecer o trânsito em julgado como marco. Ele indicou, por outro lado, que não veria problema caso o Congresso deseje, no futuro, modificar este momento processual.

O ministro sinalizou, em um tema específico, a defesa da execução de pena antes do trânsito em julgado. Em relação ao tribunal do júri, que julga crimes dolosos contra a vida – como homicídio –, o ministro defendeu a execução imediata da pena, ou seja, após primeira instância, embasado na “soberania do veredito” desse tipo de julgamento. A questão deve ser debatida pelo STF em outra ação específica sobre o tema.

Dias Toffoli é presidente do STF desde setembro de 2018 (Foto: Felipe Sampaio/STF)

Primeiro dia de votação

O relator do caso, Marco Aurélio Mello, votou contra a prisão após condenação em segunda instância. Na ocasião, ele afirmou que a harmonia entre o Código de Processo Penal e a Constituição é “completa”. Assim, a prisão só é possível após o trânsito em julgado, ou seja, após o fim de todos os recursos.

Alexandre de Moraes apresentou um posicionamento divergente. Ele apontou que a posição a favor da prisão em segunda instância prevaleceu por 24 anos e teve seu início com a promulgação da Constituição de 1988.

Edson Fachin e Luís Roberto Barroso seguiram a posição de Moraes, e o primeiro dia de votação encerrou com o placar de 3 a 1.

Segundo dia

No segundo dia de votação, em 24 de outubro, a expectativa era em torno do posicionamento de Rosa Weber. Isso porque, no julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula, ela questionou o tema.

Na ocasião, a ministra afirmou ser contra a prisão em segunda instância, mas que seguiria a posição majoritária estabelecida em 2016 por se tratar de uma ação referente a um caso específico.

Já o julgamento das presentes ações permite, em sua visão, a possibilidade de mudança na jurisprudência por se tratarem de processos gerais.

“O STF é o guardião da Constituição, não seu autor. Quando o juiz é mais rígido que a lei ele é injusto. Não fomos investidos de autoridade para declarar inconstitucional a própria Constituição”, disse Weber ao se posicionar pelo trânsito em julgado.

Na mesma data, Luiz Fux votou pela prisão após condenação em segunda instância, ao passo que Ricardo Levandowski se alinhou a Rosa Weber, conformando 4 votos a 3 contra a interpretação literal da Constituição.

Prisão em 2ª instância

A maioria dos ministros do Supremo decidiu, em 2016, que a Justiça poderia pedir a prisão de réus cuja condenação fosse confirmada em segunda instância. O inciso 57 do artigo 5º da Constituição afirma, entretanto, que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.

Dois partidos, o Patriotas (antigo PEN) e o PCdoB, além do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ingressaram com três ações declaratórias de constitucionalidade (ADCs).

Como o Código de Processo Penal repete, em seu artigo 283, a regra estabelecida na Constituição – de que “ninguém poderá ser preso senão […] em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado” – as ações, julgadas em conjunto, pediam formalmente que o dispositivo do Código seja declarado constitucional.

Ao Brasil de Fato, juristas já qualificaram a prisão após condenação em segunda instância como “violação expressa, clara e frontal” à Constituição e ao Código de Processo Penal, e até mesmo como uma interpretação que “viola a lógica” fruto de um “debate vulgar”“viola a lógica”“viola a lógica” fruto de um “debate vulgar”.

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Lula recebe título de cidadão honorário de Paris

Carta de Câmara Municipal parisiense critica prisão de Lula e aponta ex-presidente como um defensor dos direitos humanos

O ex-presidente Lula, preso em Curitiba há mais de 500 dias, recebeu o título de cidadão honorário da capital francesa Paris. A proposta foi apresentada nesta quinta-feira 3 pela Câmara Municipal parisiense e foi aprovada pela prefeita da cidade, Anne Hidalgo.

A prisão de Lula possui grande destaque na carta que justifica o pedido. O texto retoma as recomendações da ONU (Organização das Nações Unidas) para que o ex-presidente tivesse seus direitos políticos garantidos nas eleições de 2018, a atuação de Sergio Moro como juiz do caso e, posteriormente, como ministro de Jair Bolsonaro, e as revelações das mensagens vazadas pelo The Intercept Brasil, que expuseram relações suspeitas na Justiça brasileira.

O título de “cidadão honorário” é uma homenagem entregue à personalidades que têm destaque pelos seus feitos no lugar em questão.

A Câmara também cita o engajamento de Lula pelos direitos humanos, pela justiça social e pela proteção do meio ambiente como “valores guardados pela cidade de Paris e que colocaram o político em perigo pelo seu engajamento”.

“Através da figura do ex-presidente, todos os defensores da democracia no Brasil são atacados”, reitera o pedido, justificando a tradição de Paris à favor dos direitos humanos.

Outro brasileiro que já foi agraciado com a homenagem é o Cacique Raoni, líder indígena da região do Xingu e um dos

alvos principais do discurso do presidente brasileiro Jair Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU, em setembro. Raoni foi recentemente apontado como um candidato ao Nobel da Paz. Lula, por sua vez, também tem uma base que defende seu nome como uma possibilidade para a premiação.

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Lula: “Não aceito barganhar minha liberdade”

Em carta publicada nas redes sociais, ex-presidente afirma que não aceita cumprir o restante da pena em regime semiaberto

Foto: Ricardo Stuckert

O ex-presidente Lula afirmou, em carta publicada nesta segunda-feira 30, que não irá “barganhar” seus direitos e sua liberdade em resposta à intenção da Operação Lava Jato em concedê-lo prisão domiciliar.

Na última sexta-feira 27, procuradores da Lava Jato apresentaram à Justiça um pedido para que Lula cumpra o resto da pena em regime semiaberto. A justificativa é de que ele já teria cumprido um sexto da pena e, portanto, já estaria apto para cumprir parte da pena em casa.

No entanto, Lula afirmou em carta que não troca sua “dignidade pela liberdade”, e que cabe ao Supremo Tribunal Federal “corrigir o que está errado, para que haja justiça independente e parcial”. O ex-presidente encontra-se preso na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba há mais de 500 dias. Ele foi condenado a 8 anos e 10 meses de prisão no caso do triplex do Guarujá.

Os advogados do ex-presidente concederam entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira explicando mais detalhes sobre a progressão de pena de Lula.

Questionados se já existe alguma decisão expedida pela juíza Gabriela Hardt, responsável por julgar decisões da Lava Jato em Curitiba, Cristiano Zanin afirmou que ele ainda não recebeu nenhuma intimação da Justiça sobre o requerimento dos procuradores, mas que os advogados pretendem apresentar, no tempo certo, uma manifestação com a orientação dada por Lula.

 

 

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Lula: “Enquanto estou preso, canalhas estão soltos. Povo é prisioneiro da canalhice”

Postura digna diante de injustiças e defesa da soberania pautaram entrevista que o ex-presidente Lula da Silva concedeu a “CartaCapital”

Lula: “O que nós precisamos é alertar a sociedade do processo de destruição que está acontecendo no país, da entrega da soberania nacional”

A defesa da soberania nacional foi questão central na entrevista de duas horas que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu aos jornalistas Mino Carta e Sérgio Lirio, de CartaCapital, gravada na quarta-feira (4) e transmitida pelas redes sociais na noite desta quinta-feira. “O que nós precisamos é alertar a sociedade do processo de destruição que está acontecendo no país, da entrega da soberania nacional”, afirmou.

Lula afirmou que a soberania está relacionada ao conhecimento, e deu como exemplo a área de engenharia, e que para se tornar uma nação soberana é preciso acreditar que educação é um investimento. “Colocar pobre na universidade não é gasto, é investimento”.

Lula também defendeu que o Brasil não quebrou ao longo da crise dos últimos anos por conta de ter 380 milhões de dólares de reservas, um fundo que foi construído durante os governos do PT.

Sergio Lirio perguntou se Lula acredita que o governo Bolsonaro conseguirá privatizar a Petrobras. Lula afirmou que o povo brasileiro não sabe ainda o que significa a Lava Jato na economia, quantos milhões de pessoas perderam o emprego. “É preciso informar as pessoas sobre o que está acontecendo no país”, disse o ex-presidente.

Ele também comentou sobre a crise das queimadas na Amazônia. “Quem está tocando fogo são os milicianos de Bolsonaro. Não são as pessoas sérias do país. Essa gente que só destrói, liberar armas, tirar radares, vai favorecendo os bandidos”.

Perguntado sobre o que pensa do fato de uma parte da população ainda apoiar os nomes de Sergio Moro e Deltan Dallagnol, apesar dos diálogos revelados pela Vaza Jato, Lula disse que “a sociedade reage de acordo com a informação que ela tem. O PT e os governos do PT foram demonizados e saímos para um pensamento único. A sociedade está começando a enxergar o que está acontecendo. E ainda dizem que o desemprego é por conta da Dilma, mas isso começou quando eles começaram a boicotar o governo da Dilma”.

A Rede Globo é responsável por parte do ódio neste país, defendeu Lula. “Mas o período do PT foi o melhor período de distribuição de renda, com investimento público, com crescimento da renda dos mais pobres, com investimento na educação. Agora o PT tem que ter paciência e ajudar a arejar a cabeça da sociedade”.

Lula também comentou sobre as perspectivas do julgamento de seu caso no STF. “Como é que vive um ser humano sem ter esperança? Haverá um momento neste país em que será dito que eu fui vítima da maior canalhice. Tudo o que o Intercept diz, nós já dizíamos. Não tem novidade. Estou tranquilo e esperançoso. O STF vai entrar no mérito do processo”, afirmou e depois lembrou de quando disse para o então juiz Sergio Moro: “Você está condenado a me condenar”.

Mas Lula também comentou que tudo isso é secundário diante dos problemas do povo. “Se estivesse comendo melhor, estudando melhor, mas o povo é prisioneiro de uma canalhice. Não sabem governar e só falam em corte”, criticou. “O Bolsonaro acredita em cada asneira que ele fala, porque ele é fanático, ele governa para turma dele”.

Lula considera que a crise política atual e o governo Bolsonaro refletem vários interesses em jogo no país. “O interesse maior dos setores financeiro e empresarial é desmontar a estrutura de direitos ao longo de décadas. Estamos voltando ao passado. A escravidão nunca significou progresso. Eles querem desmontar o estado de bem-estar conquistado no período pós-segunda guerra”

“A verdade é que a Lava Jato virou uma instituição política e deixou de atuar contra a corrupção”, defendeu. Lula fez referência a um fato que precisa ser apurado numa operação após a Lava Jato. Ele disse que o que é tido como propina, possivelmente era evasão fiscal e que isso ainda terá de ser apurado, mas não deixou de destacar que Moro e o TRF4 são mentirosos e também que o STJ não julgou o mérito do seu caso. “Mas eu acho que a verdade vai vencer”.

Depois de lembrar que chegou ao fim do seu mandato com 87% de aprovação, Lula disse que o sentimento de ódio que dominou as eleições de 2018 foi alimentado desde que ele saiu da presidência. “Esse ódio nós precisamos extirpá-lo, porque a sociedade não consegue construir um país nesse clima”.

 

 

Rede Brasil Atual

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Mortes de Marisa, Vavá e Arthur são tratadas com deboche e sarcasmo pela Lava Jato

Tragédias familiares envolvendo o ex-presidente Lula revelam o grau de mesquinhez dos procuradores de Curitiba

Lula é abraçado durante o velório de Marisa Letícia no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, em 2017 / Ricardo Stuckert

As mortes de familiares do ex-presidente Lula – a mulher Marisa Letícia, o irmão Vavá e o neto Arthur, no intervalo de dois anos – foram tratadas com ironia, deboche e sarcasmo por integrantes da Lava Jato nos grupos de discussão que a turma alimentava no Telegram, segundo revelam novos diálogos vazados nesta terça-feira (27) pelo UOL, em parceria com o Intercept Brasil.

Diante da notícia de que a ex-primeira-dama Marisa Letícia tinha sofrido um AVC, em janeiro de 2017, o chefe da Lava Jato, Deltan Dallagnol, tripudiou: “Um amigo de um amigo de uma prima disse que Marisa chegou ao tendimento sem resposta, como vegetal”. Em resposta, o procurador Januário Paludo ironizou: “Estão eliminando as testemunhas…”.

Com a morte cerebral confirmada em 3 de fevereiro, a procuradora Laura Tessler destila arrogância: “Quem for fazer a próxima audiência do Lula, é bom que vá com uma dose extra de paciência para a sessão de vitimização”. Outra procuradora, Jeusa Viecili, faz piada: “Querem que eu fique pro enterro?”

Após Lula acusar os arbítrios da Lava Jato contra ele sua família, incluindo ataques à própria Marisa, como causa do AVC, os procuradores se enfurecem. Paludo insinua que de fato acredita na tese de queima de arquivo. “(…) sempre tive uma pulga atrás da orelha com esse aneurisma”, diz

Vavá

Dois anos depois, com as mortes de Vavá (janeiro de 2019) e Arthur (março), a mesquinhez dos procuradores volta a se manifestar. Lula já se encontrava preso em Curitiba e os procuradores revelam temor com uma eventual licença para ele ir aos velórios.

“Ele vai pedir para ir ao enterro. Se for, será um tumulto imenso”, adverte Dallagnol, quando da morte de Vavá.

Pelas conversas, eles acreditavam que os petistas não deixariam Lula voltar para a prisão.

“Uma temeridade ele sair”, diz o procurador Orlando Martello. “Não é um preso comum. Vai acontecer o q aconteceu na prisão. A militância vai abraçá-lo e não o deixaram voltar. Se houver insistência em trazê-lo de volta, vai dar ruim!!”

Diante das ponderações do procurador Diogo Castor, que lembra aos colegas que todos os presos em regime fechado têm o direto previsto em lei de acompanhar o enterro de familiares próximos, Martello rebate, advogando explicitamente que se viole a legislação: “3, 4, 10 agentes não o trarão de volta. Aí q mora o perigo caso insistam em fazer cumprir a lei”.

Outro promotor, Athayde Ribeiro Costa, chega a sugerir uma alternativa caso Lula não fosse liberado para despedir-se do irmão: “leva o morto lá na pf”.

Quando a Polícia Federal emite um parecer afirmando que seria temerário liberar Lula, surge outro defensor do direito do ex-presidente. Antônio Carlos Welter lamenta a manifestação da PF, mas Paludo debocha: “O safado só queria passear e o Welter com pena”.

A preocupação de Welter e outros é com a possível repercussão negativa e com a “vitimização” de Lula. Mas Laura Tessler acalma os colegas: “O foco tá em Brumadinho… logo passa… muito mimimi”.

O estouro da barragem que matou centenas de pessoas em Brumadinho, Minas Gerais, tinha acontecido quatro dias antes da conversa.

Arthur

A frieza e o tom de deboche não se alteram nem mesmo quando a vítima é uma criança. Em 1º de março deste ano, vem a notícia da morte do neto de Lula, Arthur, de 7 anos.

Reação de Jerusa Viecili: “Preparem para nova novela ida ao velório”.

“Putz… no meio do carnaval”, lamenta Athayde Ribeiro Costa.

Com a autorização para Lula ir ao velório, o sarcasmo dos promotores se volta contra o ministro do STF Gilmar Mendes, que ligou ao ex-presidente para oferecer-lhe condolências.

O procurador Roberson Pozzobon comenta, referindo-se a Mendes: “Estratégia para se ‘humanizar’, como se isso fosse possível no caso dele rsrs”.

Dallagnol discorda, afirmando que o ministro estaria na verdade ampliando sua “base de esquerda”, já que teria pretensões de se candidatar ao Senado. Jerusa Viecili completa: “GM não dá ponto sem nó”.

 

 

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Notícias

STF anula decisão de juíza e mantém Lula em Curitiba

Após apelo do Congresso ao STF, ministros decidem favoravelmente ao ex-presidente por 10 votos a 1

Plenário do STF votou pela manutenção de Lula em Curitiba / Carlos Moura | STF

A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o ex-presidente Luiz Inácio de Lula da Silva deve ser mantido na sede da Polícia Federal em Curitiba (PR) – suspendendo decisão da juíza Carolina Lebbos, do Paraná, que havia determinado sua transferência para São Paulo.

A decisão o ocorreu após 72 parlamentares de 12 partidos se reunirem com o presidente do Supremo, Dias Toffoli, pedindo que Tribunal se manifestasse. A reunião aconteceu a pedido do presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O pedido da defesa foi feito no âmbito de uma liminar no habeas corpus que pede a anulação do chamado caso do triplex por parcialidade de Moro. O relator dessa ação é o ministro Gilmar Mendes.

O caso foi levado ao plenário da Corte, e houve discussão sobre quem deveria relatar o pedido: Mendes, responsável pelo habeas corpus, ou Fachin, que relata questões relativas à Lava Jato no plenário.

Decidiu-se por Fachin, que deu voto favorável à permanência de Lula na capital paranaense. Quase todos os outros ministros o seguiram. A exceção foi Março Aurélio Mello, compondo placar de dez votos a um.

Mello entendeu que o pedido “queimava etapas” ao chegar diretamente no Supremo. Os outros integrantes do colegiado entenderam que, diante do risco a Lula, era justificável a decisão por parte do Supremo.

 

 

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