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4ª edição da Semana e Parada do Orgulho LGBT de Petrolina-PE será realizada esta semana

Com uma programação diversa, a 4ª Semana do Orgulho LGBT+ realizará rodas de diálogos e seminários em escolas públicas e universidades, além de audiências públicas e ações sociais e culturais na “Tenda da Diversidade”, que será montada na praça do Bambuzinho

Foto: Divulgação.

Petrolina estará mais colorida e diversa nos próximos dias. É que a partir desta segunda (11) e até o próximo sábado (16, a cidade será palco e sede da 4ª edição da Semana e Parada do Orgulho LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais). Com o tema, “Enquanto houver cores, haverá resistência: Petrolina de mãos dadas contra o conservadorismo e as LGBTfobias”, o evento busca reunir além da comunidade LGBT+, pessoas ligadas a causa, movimentos sociais organizados e quem mais quiser somar-se a luta e à diversidade de cores tomará as ruas da maior cidade do Sertão Pernambucano.

Com uma programação diversa, voltada para a pluralidade que a causa pede, a 4ª Semana do Orgulho LGBT+ realizará rodas de diálogos e seminários em escolas públicas e universidades, além de audiências públicas e ações sociais e culturais na “Tenda da Diversidade”, que será montada na praça do Bambuzinho, centro da cidade.

Na “Tenda da Diversidade”, serão oferecidos serviços de saúde, como testes rápidos para detecção de infecções sexualmente transmissíveis (IST), distribuição de preservativos, além de orientações de prevenção a saúde para o público LGBT+. Testes rápidos são aqueles cuja execução, leitura e interpretação dos resultados são feitas em, no máximo, 30 minutos. Além dos serviços de saúde, a tenda também vai oferecer muita cultura e diversão. O palco da praça do Bambuzinho receberá artistas locais que, entre performances, esquetes teatrais e outras linguagens artísticas, trarão mais cores e diversidade cultural para o centro da cidade.

A programação será encerrada no próximo sábado (16), com a 4ª Parada do Orgulho LGBT+ de Petrolina. Com previsão de início para às 17h, a concentração para a Parada será na Praça das Algarobas, Avenida Guararapes (próximo aos monumentos da Integração e dos Pracinhas) e finalizada na orla de Petrolina, com shows e apresentações artísticas.

O objetivo principal da 4ª Semana e Parada do Orgulho LGBT+ de Petrolina é sensibilizar a sociedade em geral para o respeito à população LGBT, além de chamar a atenção do Poder Público para a urgente necessidade de implantar e implementar políticas públicas para esta população. Segundo a série histórica do mapa da violência, os índices de criminalidade no Brasil são altíssimos se comparados a outros países da América Latina, e Pernambuco é um dos Estados mais violentos nesse ranking. A violência cometida contra grupos tidos como “minorias” (LGBTI+, mulheres, negros, etc), dentro das estatísticas são muito visíveis no que concerne às mulheres e crianças e, em menor número, aos idosos. Mas um dado preocupante que, por vezes, passa despercebido nas estatísticas é o número de pessoas que são assassinadas pela intolerância à sua orientação afetivo-sexual e/ou identidade de gênero.

A LGBTfobia causou, em 2018, 420 mortes de lésbicas, gays, bissexuais e pessoas transexuais no país, sendo 320 homicídios (76%) e 100 suicídios (24%). Os dados são do relatório do Grupo Gay da Bahia, que recolhe estatísticas há 39 anos. Segundo esses dados, em 2017 a cada 19 horas, um/a LGBT morreu por motivação homotransfóbica no Brasil.

De acordo com a ONG alemã Transgender Europe, através de seu mapa de monitoramento das violações de direitos humanos, o Brasil é a nação que mais mata pessoas transexuais no mundo. De 2011 a 2015 foram registrados 546 casos. Para se ter uma ideia, o México, segundo colocado, teve no mesmo período 190 casos.

O relatório Nª 543/2019 da Secretaria de Defesa Social (SDS), do Governo de Pernambuco, divulgado em 25/07/2019 dá conta de que no período de janeiro/2018 a junho/2019 1.441 LGBT foram vítimas de violência em Pernambuco.

É em razão destas estatísticas e da necessidade de dar um basta no preconceito e discriminação que ainda cerca as pessoas LGBTs que o evento está sendo realizado. Símbolo de comemoração, mas, principalmente, de luta, a 4ª Parada do Orgulho LGBT+ é resultado da união da Associação e Movimento da Parada da Diversidade Sexual de Petrolina, da Rede LGBT do Interior de Pernambuco, do Movimento LGBT Leões do Norte (sediado em Recife) e de diversas pessoas que, acima de tudo, resistem e levam à muitos lugares o grito de uma comunidade inteira.

 

Programação Detalhada

11/11 segunda-feira – 14h: Roda de Diálogo “Enquanto houver cores, haverá resistência: Petrolina de mãos dadas contra o conservadorismo e as LGBTfobias”

Local: Escola Dom Antônio Campelo, Av. Alfredo Martins – Jardim São Paulo

12/11 terça-feira – 09h: Formação para coordenadores com foco no cuidado e acolhimento da população LGBT. (SES/GERES)

Local: Auditório da VIIIª GERES (Av. Fernando Góes, S/N, centro).

12/11 terça-feira – 13h30: Roda de Diálogo ““Enquanto houver cores, haverá resistência: Petrolina de mãos dadas contra o conservadorismo e as LGBTfobias”

Local: EREM Otacílio Nunes de Souza, Rua Tchecoslováquia, 500 – Areia Branca

13/11 quarta-feira – 08h: Roda de diálogo ““Enquanto houver cores, haverá resistência: Petrolina de mãos dadas contra o conservadorismo e as LGBTfobias”

Local: EREM Professora Osa Santana de Carvalho, R. Dezoito, 18 – COHAB Massangano

13/11 quarta-feira – 19h: Mesa de Debate. Tema “Enquanto houver cores, haverá resistência: Petrolina de mãos dadas contra o conservadorismo e as LGBTfobias”

Convidad@s: Alzyr Saadehr, Lícia Lotran, Ramon Souza, Hewyra Lima, Mycaella Bezerra, Cícero Deusdilson

Local: Sala 04 do bloco de Serviço Social – FACAPE, Campus Universitário s/n – Vila Eduardo

14/11 quinta-feira – Manhã/Tarde: Tenda da Diversidade – Testagem rápida HIV/Sífilis

Local: Tenda do Bambuzinho, centro (A confirmar)

14/11 quinta-feira – 08h: Roda de diálogo ““Enquanto houver cores, haverá resistência: Petrolina de mãos dadas contra o conservadorismo e as LGBTfobias”

Local: EREM Clementino Coelho, Av. da Integração, SN – Jardim Maravilha

14/11 quinta-feira – 14h: Audiência no MPPE – Promotoria de Justiça e Direitos Humanos

Local: Ministério Público de Pernambuco, Av. Fernando Góes, 625 – Centro

14/11 quinta-feira – 19h: Mesa de debate: “Universidade e Diversidade, os desafios enfrentados pela população LGBTQI+ na instituição.

Convidad@s: Prof. M. Camila Roseno, Prof. M. Antonio Carvalho, Prof. Rildo Veras

Local: UPE (Sala 04, bloco D – Prédio da Saúde), Campus Universitário s/n – Vila Eduardo

15/11 sexta-feira – Manhã/Tarde:  Panfletagem

Local: Centro

16/11 sábado – Manhã:  Panfletagem

Local: Centro

16/11 sábado – 17h: 4ª Parada do Orgulho LGBT+ de Petrolina.

Concentração: Praça das Algarobas, Avenida Guararapes

Atrações: “Filhos do Arco-íris” com Alan Cleber e Deija, além do DJs Candite, Elliot, Kevin, Romulo André, Pedro Alencar, Akame e Andre Kawai. As hostess Tassio e Thierry .

Percurso da parada: Av. Guararapes, Av. Joaquim Nabuco, Praça 21 de Setembro, Av. Cardoso de Sá (do Posto Orla até o palco da orla).

 

Serviço
Evento: 4ª Semana e Parada do Orgulho LGBT+ de Petrolina

Data: 11 a 16 de novembro de 2019

Coordenação: Alzyr Saadehr

Assessoria de Comunicação: Danilo Souza

Contatos: (87) 98812.8298 (WhatsApp) e (87) 98874.68897

E-mail: alzyrsaadehr@gmail.com

Organização: Associação e Movimento da Parada da Diversidade Sexual de Petrolina, Rede LGBT do Interior de Pernambuco, do Movimento LGBT Leões do Norte (Recife-PE)

Redes sociais: Instagram @movimentoparadalgbtpetrolina

 

 

Danilo Souza Santos
Equipe de Comunicação

 

 

 

 

 

 

 

 

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Conselhos sociais sobre indígenas, LGBTs e população de rua estão na mira de Bolsonaro

Decreto extingue colegiados sociais sob o argumento de redução de gastos. Decisão reduz participação popular no Governo e põe em risco políticas para minorias, avaliam pesquisadores

Conselho Nacional de Política Indigenista é um dos que podem ser extintos pelo Governo. (FUNAI)

O presidente Jair Bolsonaro anunciou a extinção de centenas de conselhos sociais com participação popular, responsáveis pelo debate e pelo acompanhamento de políticas federais em distintas áreas, no como parte das medidas anunciadas no evento em alusão aos seus 100 dias de Governo. Em 11 de abril, foi publicado no Diário Oficial da União o decreto 9.759 assinado pelo presidente — que determina a extinção de colegiados que não foram instituídos por lei e que não tenham sofrido nenhuma modificação por seus ministros — sob o argumento de desburocratizar e economizar na administração pública. Sem apresentar a lista dos conselhos afetados nem a estimativa de seus gastos, o Governo se limitou a contabilizar que existem mais de 700 coletivos atualmente. Os participantes, porém, não são remunerados pelo trabalho que exercem. Recebem apenas transporte e diária para as reuniões em Brasília. Dentre os conselhos afetados, estão os que tratam de pautas da população de rua, de indígenas e de LGBTs — grupos que já têm pouca voz tradicionalmente, e que viram ameaçadas neste Governo as poucas brechas abertas para interferir em discussões que lhes sejam de interesse. Para pesquisadores, a canetada do presidente afasta a gestão da sociedade civil organizada e põe em risco políticas públicas para minorias.

Conforme o decreto, os ministérios têm até o dia 28 de maio para apresentar à Casa Civil a proposta dos colegiados acomodados em suas estruturas que não desejam ser encerrados. O Governo vai analisar as petições e estabelecerá os que deverão permanecer. A ideia, explicou o ministro Onyx Lorenzoni, é reduzir o número de conselhos para até 50 colegiados. A advogada e doutoranda em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, Carla Bezerra, fez um levantamento dos conselhos criados até 2014 e que têm participação da sociedade civil e concluiu que pelo menos 34 grupos podem ser extintos com o decreto presidencial, um número bem inferior aos 700 anunciados pelo Governo. “O decreto deve incluir colegiados que não têm participação da sociedade civil, que são formados apenas por integrantes do Governo com a função de monitorar políticas”, afirma. Para ela, a forma que a gestão escolheu para extinguir os grupos, com uma canetada, é simbólica e representa um recado de distanciamento do atual Governo com a sociedade civil organizada.

“O efeito imediato é de insegurança, de como vai ser a condução das políticas públicas daqui para frente, principalmente em áreas relacionadas ao público LGBT, à população de rua. Mas o grande simbolismo é que o Governo não quer a participação da sociedade civil”, afirma Bezerra. O Ministério Público Federal emitiu nota manifestando preocupação com a extinção desses grupos de trabalho e defendeu que o Governo mantenha especialmente os colegiados previstos na Constituição ou em tratados internacionais. Um dos grupos que podem ser extintos é o Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de LGBT, que começou a funcionar de forma mais ampla na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas se restringiu especificamente aos assuntos LGBT no Governo Lula. O colegiado teve a atual nomenclatura oficializada por um decreto de 2010.

A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT), que tem representação neste conselho, emitiu uma nota de repúdio ao decreto e acusou o Governo de promover “retrocessos” nas ações para o setor, citando como exemplo a extinção da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão. “Os conselhos são instrumentos importantes, conquistados pela luta da sociedade civil organizada e garantida na Constituição Brasileira, extingui-los é a expressão da perseguição aos movimentos sociais e o impedimento da participação e fiscalização dos cidadãos”, diz a nota.

Pelo menos dois colegiados ligados aos povos indígenas — cujas demarcações de terras e políticas não integracionistas são alvo de críticas de Bolsonaro desde as eleições — estão na mira do presidente: a Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) e a Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena. “Essas medidas representam um aprofundamento do caráter autoritário do Governo”, afirma Cléber Buzzato, membro do CNPI. Segundo ele, o Governo já tinha mostrado que não tem disposição de ouvir os povos indígenas quando assinou, no primeiro dia de gestão, a Medida Provisória que retirou a Funai do Ministério da Justiça sem consultá-los.

A Comissão Nacional de Política Indigenista funciona como uma plataforma de interlocução entre as etnias e o Governo e se reúne a cada três meses. Instituída por um decreto de 2015, tem comissões para discutir temas que vão desde a educação e saúde indígena até as questões territoriais. Teve uma atuação fundamental para a criação da Secretaria de Saúde indígena (Sesai), assim como para evitar a sua extinção no atual Governo. “Tudo isso fica em suspenso. O Governo agora decreta que não quer ter qualquer tipo de interlocução. Isso é extremamente ruim porque acaba produzindo um hiato. Nossa avaliação é de que isso vai aprofundar os conflitos [territoriais]”, declara Buzzato.

Além desses colegiados, o decreto pode extinguir grupos de trabalho sobre pessoas com deficiência, trabalho escravo, pessoas em situação de rua, direitos dos idosos, previdência, segurança pública, educação em direitos humanos e questões ambientais. O decreto ainda revoga expressamente a Política Nacional de Participação Social, que foi instituída no Governo Dilma, em 2014, abrindo novos mecanismos para a criação de grupos de trabalho que pudessem aprofundar a participação popular na gestão federal. Na época, o decreto da presidenta — que chegou a ser chamado de decreto bolivariano — gerou polêmica, pois parlamentares entendiam que o controle social já era realizado pelo Congresso.

 

https://brasil.elpais.com

 

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Líder LGBT é morto e tem partes íntimas mutiladas na Bahia

O ativista Marcos Cruz Santana “Marquinhos Tigresa” era conhecido por divulgar e promover eventos LGBT por toda a região do sudoeste do estado.

Foto: Reprodução

O corpo do líder LGBT de Itororó (a 547 quilômetros de Salvador), Marcos Cruz Santana, 40 anos, foi encontrado com diversas perfurações de faca na madrugada deste sábado, 18. Ele teve a genitália mutilada durante o crime.

A vítima, popularmente conhecido como “Marquinhos Tigresa”, foi achado por volta das 2h30. O ativista era conhecido por divulgar e promover eventos LGBT por toda a região do sudoeste do estado.

De acordo com o site Itororó Já, a população está inconformada com o crime. Marcos era considerado uma pessoa querida por causa de suas ações sociais. A motivação e a autoria do crime são investigadas pela polícia.

Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), disse que a morte do líder LGBT “é a mais concreta expressão da homofobia”, devido ao requinte de crueldade, caraterístico de crimes desta natureza.

Ele, que era amigo pessoal de Marcos, afirmou ainda que solicitou a apoio da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) para investigar e prender os responsáveis pelo crime. Marcelo acredita que três homens teriam seduzido a vítima, torturando e matando-a em seguida.

“Estes crimes ocorrem devido à impunidade, uma vez que os agressores, quando presos, não ficam por muito tempo na cadeia”, salienta ele.

O presidente do GGB ainda destacou que Marcos era uma pessoa boa e que ajudava a população em geral, não somente os homossexuais da região. Por isso, ele acredita que o crime teria sido cometido somente por homofobia, quando um LGBT é morto e agredido por sua condição de gênero ou sexual.

A reportagem do Portal A TARDE entrou em contato com a delegacia local, mas ninguém foi encontrado para falar sobre o crime até a publicação desta reportagem.

Números alarmantes

Até 15 de maio deste ano, 153 pessoas LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) foram mortos no Brasil. Deste total, 62 eram gays, 58 transgêneros (travestis e transesuais), 27 lésbicas, seis bissexuais, segundo dados do Grupo Gay da Bahia (GGB).

No ano passado, foram assinados 445 LGBTs, o que representa uma vítima morta a cada 19 horas. O monitoramento anual é realizado pela entidade há 38 anos.

 

Por Dahiele Alcântara*

http://atarde.uol.com.br

 

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Justiça dá liminar autorizando reabertura do Bar Conchitas, fechado em ação homofóbica do Governo Paulo Câmara contra bares LGBT do Recife

O caso ganhou repercussão nas Redes Sociais levando a questionamentos sobre as motivações da ação.

O juiz plantonista Romão Ulisses Sampaio, do Tribunal de Justiça de Pernambuco pedido formulado pelo advogado Luiz Felipe Velloso, do escritório Velloso Advogados e determinou a imediata reabertura do estabelecimento comercial CONCHITAS BAR”, fechado no último dia 29, em ação truculenta e claramente de cunho homofóbico determinada pelo Governo Paulo Câmara, por intermédio da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, fechando todos os bares LGBTs situados na Rua Manoel Borba e na Rua das Ninfas, no Bairro da Boa Vista, área central do Recife e conhecida por ser reduto de bares LGBs

Na decisão, o magistrado destaca que o Corpo de Bombeiros, em ação realizada no dia 29/06/2018, às 21h35, determinou o fechamento do estabelecimento a pretexto de uma alegada ausência de atestado de regularidade ou conformidade. Ocorre que, de acordo ainda com o magistrado, diferentemente do que foi afirmado pelos policiais como justificativa para fechar o estabelecimento e inclusive dar “baculejos” nos clientes, o Bar Conchitas possui “alvará de funcionamento expedido pela Prefeitura do Recife, em 04/10/2017, além de licença para utilização sonora, expedida em 19/06/2017 com validade até 19/06/2020.

Além disso, ao analisar a documentação apresentada pelo advogado do Conchitas, o magistrado constatou que em 07/06/2018, o próprio estabelecimento havia solicitado uma vistoria ao Corpo de Bombeiros que não foi realizada com a devida antecedência e nem no horário de expediente, procedimento que se tivesse sido observado pelo órgão e se acaso fossem verificadas irregularidades, caberia àqueles indicar prazo e providências para que as irregularidades fossem sanadas.

Câmeras de Segurança dos estabelecimentos alvos da Operação flagraram quando os policiais deram “baculejos” nos clientes

O caso ganhou repercussão nas Redes Sociais levando a questionamentos sobre as motivações da ação, visivelmente de cunho homofóbico, principalmente pela inocorrência desse tipo de ação em bares cuja frequência não é predominantemente LGBT. Chamou principalmente a atenção dos críticos da ação, o fato de uma ação do Corpo de Bombeiros ter constrangido os clientes dos estabelecimentos, com os mencionados “baculejos” e com armas sendo apontadas, quando a atuação do Corpo de Bombeiros sempre deve ser no interesse dos usuários desses bares, a quem se destina a proteção buscada pelas vitorias. Então qual a razão de realizar vistorias no horário de funcionamento e incomodando os clientes dos estabelecimentos?

Segue a decisão:

http://noeliabritoblog.blogspot.com

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Eleição de candidatos LGBTs cresce no mundo, mas não no Brasil

Comunidade LGBT brasileira ainda está longe do poder

Paulo Pinto/Fotos Públicas – Parada LGBT em São Paulo. Nas eleições municipais de 2016, 377 LGBTs candidataram-se. Entre os eleitos, 24 vereadores e um prefeito

As últimas eleições para o Parlamento do Reino Unido terminaram em 8 de junho com um saldo positivo para a representatividade LGBT na política.

Foram eleitos 45 membros do parlamento, 19 do partido Conservador, 19 do Trabalhista e outros sete do Partido Nacional Escocês – um recorde para a Casa.

Na Irlanda, um país tradicionalmente católico, um filho de imigrantes e gay assumido, Leo Varadkar, foi recentemente escolhido pela população como o novo primeiro-ministro.

Nos Estados Unidos, americanos abertamente LGBT participam de gabinetes políticos desde 1974, quando Kathy Kozachenko foi eleita em Ann Harbor, Michigan. Atualmente, sete membros do Congresso norte-americano identificam-se como gays ou bissexuais, segundo levantamento do site NPR.

No Brasil, palco de uma das maiores manifestações de Orgulho LGBT do mundo, gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros ainda estão longe do poder político. Na Câmara dos Deputados, há apenas um representante da diversidade: Jean Wyllys (PSOL-RJ), figura constantemente atacada por colegas conservadores de parlamento.

“Nenhuma democracia pode se considerar uma democracia se direitos de gays, lésbicas e transexuais não forem observados e promovidos de alguma maneira, se houver discriminação jurídica, se as leis não protegerem os direitos desses cidadãos”, afirmou o deputado em entrevista na TV Brasil, ao constatar que as políticas públicas para este grupo avançaram muito pouco nas últimas duas décadas.

Um LGBT é morto a cada 25 horas no Brasil. Só neste ano, 117 gays, lésbicas e trans foram assassinados no País. A triste estatística, divulgada pelo Grupo Gay da Bahia, mostra a persistência da violência LGBTfóbica no contexto brasileiro. Para Genilson Coutinho, membro do GGB, a ausência de uma lei que criminalize a violência e a discriminação contra essa população e de políticas públicas acabam por institucionalizar a selvageria.

Ele lembra conta que muitos casos deixam de ser registrados em delegacias, por exemplo, porque as vítimas passam por constrangimentos, o que acaba sendo uma segunda violência. “Elas acabam sendo culpabilizadas e responsabilizadas pela violência que sofreram”, disse à Agência Brasil.

O quadro da participação LGBT na política institucional brasileira está mudando, mas lentamente. Levantamento realizado a cada pleito pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) revela que 377 LGBTs concorreram nas eleições municipais de 2016. Trata-se do maior número de concorrentes desde que a organização começou a realizar a pesquisa. Desses, 25 vereadores e um prefeito foram eleitos. Se por um lado houve aumento do número de candidatos, diminuíram os vitoriosos. Em 2012, 110 participaram e 29 elegeram-se.

A população LGBT no Brasil é estimada em 20 milhões de pessoas, segundo projeções do IBGE. O número, porém, pode ser subestimado, já que muitos podem ainda optar por não declararem a orientação sexual no momento da pesquisa.

Um levantamento realizado pelo professor Felipe Borba, do departamento de Estudos Políticos da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), buscou identificar as preferências políticas dos participantes da 21ª Parada Gay realizada em 11 de dezembro de 2016 no Rio de Janeiro. A conclusão foi que 30% têm alto interesse por política e 47% interesse médio. A soma da proporção é acima da média da população em geral. As informações são do jornal O Globo.

O que explica, então, a baixa presença de quadros da diversidade na política brasileira?

Outro estudo, realizado pelo doutorando em Ciência Política pela UnB, Cleyton Feitosa, dá algumas pistas. Ele aponta, por exemplo, a predominância da cultura masculinizada e heterossexual na esfera pública e o filtro dos partidos, que nem sempre acolhem essas candidaturas, como obstáculos.

“Como o campo político é pouco permeável às pautas e pessoas LGBT, há uma notória tendência do eleitorado em votar em candidatos que detém o perfil dominante da arena política, ou seja, masculina, burguesa, branca e heterossexual, mesmo entre o eleitorado LGBT”, escreve Feitosa em artigo publicado no Justificando.

“Esse conjunto de fatores e obstáculos operam diretamente na ausência de motivação e ambição política para que a população LGBT se lance na disputa eleitoral, assim como outros sujeitos e sujeitas discriminados socialmente. Sendo assim, não se trata de “não gostar” da política, mas sim de não ver nela um horizonte de possibilidades concretas alcançáveis”.

https://www.cartacapital.com.br

 

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Com pedido de casamento, Rio 2016 dá visibilidade à causa LGBT

Antes mesmo de a competição ter início, listas publicadas em sites específicos e na imprensa já apontavam que 2016 seria a edição dos Jogos com mais atletas gays assumidos.

A entrada da modelo transexual Lea T à frente da delegação brasileira na abertura da Olimpíada, na última sexta-feira (5), foi o começo de uma semana em que a visibilidade da população LGBT teve presença nos jogos do Rio de Janeiro.

Antes mesmo de a competição ter início, listas publicadas em sites específicos e na imprensa já apontavam que 2016 seria a edição dos Jogos com mais atletas gays assumidos, incluindo brasileiros, como Ian Matos, dos saltos ornamentais, e Larissa França, do vôlei de praia, que falam abertamente sobre a homossexualidade. A primeira medalhista de ouro do Brasil em 2016, a judoca Rafaela Silva, também não esconde o namoro com uma das colegas do Instituto Reação, onde treina desde a infância.

A visibilidade contrasta com uma triste realidade do país: os casos de homofobia. Grupos de direitos LGBT apontam que, em 2014, foi registrado quase um assassinato por dia de homossexuais e transexuais.

Pedido de casamento

O ponto alto da visibilidade LGBT foi o pedido de casamento à atleta do rugby Isadora Cerullo por sua namorada, Marjorie Enya, depois do último jogo da seleção feminina do Brasil. Para a jogadora, a diversidade no país sai ganhando quando a visibilidade é somada ao destaque das mulheres atletas e ao reconhecimento da superação de esportistas negros e da periferia.

“Toda essa visibilidade está dando um novo rosto ao Brasil. Por ser o país que está sediando os jogos, isso ajuda a abraçar essa mentalidade [mais tolerante]”, comemora.

A atleta de 25 anos conta que conheceu a noiva no rugby e fala com orgulho do pedido que rodou o mundo, registrado em vídeo e fotos. “Foi muito emocionante. Eu não estava esperando e achava que ia só fazer uma entrevista. Foi muito importante poder pronunciar o amor e demonstrar publicamente”.

A repercussão da notícia, conta Isadora, tem surpreendido. “Está sendo uma surpresa muito positiva, porque recebi muitas mensagens de pessoas conhecidas e desconhecidas, nos desejando muita felicidade. Para nós, está sendo muito incrível ter esse apoio todo”.

O pedido de casamento ganhou destaque na imprensa internacional e foi compartilhado nas redes sociais. A cena comoveu as colegas de Isadora. Para a atleta, o amor deixa uma mensagem:

“A gente mostra no vídeo muito amor e muita felicidade, e isso dá um rosto, ajuda a humanizar essa causa. Então, eu acho que talvez ajude as pessoas a abrirem a mente e perceber que amor é amor”.

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[A foto  do beijo de Isadora Cerullo (de casaco) e da namorada Marjorie Enya rodou o mundo]

Simbólico

O casal tem dois anos de namoro e começou a relação depois que Isadora entrou para a seleção de rugby. Marjorie, de 28 anos, era gerente no time, cargo que também ocupa no Comitê Rio 2016. Ela cuida de serviços do esporte nas arenas do rugby, do pentatlo moderno e do futebol de sete paralímpico. Tão perto da namorada em todos os dias de competição, Marjorie não desperdiçou a oportunidade de fazer um pedido marcante.

“Não foi uma coisa que eu planejei meses atrás, mas, para nossa história como casal, os Jogos Olímpicos são muito significativos. É simbólico no nosso relacionamento. A gente tinha que ter feito, porque é um pedido de casamento e uma forma de dizer que tenho muito orgulho de ser quem sou e muito orgulho de ela ser quem é”, conta Marjorie, que fez um laço amarelo no dedo da namorada antes de dar um longo e apaixonado beijo diante das câmeras.

Com a repercussão do vídeo, ela espera que outras lésbicas, especialmente as mais jovens, vejam que é possível ser feliz sendo elas mesmas, apesar do preconceito. “A gente existe, e por mais que o mundo não seja o lugar ideal e tenha muita coisa ainda por fazer, nunca fui tão feliz na minha vida”.

Primeiro casal

O caminho da tocha olímpica até a pira, que marca a abertura oficial dos jogos, também contou com representantes LGBT. A cartunista e fundadora da Associação Brasileira de Transgêneros Laerte participou em São Paulo, e um casal homoafetivo se beijou quando liderava o comboio em Ipanema.

Outra marca dos jogos do Rio é a participação do casal britânico Helen Richardson-Walsh e Kate Richardson-Walsh, no hóquei sobre grama. Elas são o primeiro casal homoafetivo, que se casou oficialmente, e vai participar da Olimpíada em uma mesma seleção.

A delegação britânica trouxe também o astro LGBT Tom Daley, que ganhou o bronze no salto sincronizado de 10 metros. Seu noivo, o roteirista Dustin Lance, estava na arquibancada, e os dois comemoraram juntos a conquista em fotos nas redes sociais compartilhadas com seus milhões de seguidores.

“Ele foi quem me salvou de não querer mergulhar mais”, disse o atleta, que pensou em parar depois de ter conquistado uma medalha de bronze nos jogos de Londres.

Outro representante da Grã-Bretanha é o competidor da marcha atlética Tom Bosworth, que é também embaixador da organização Athlete Ally. A entidade estimula atletas da comunidade LGBT a assumirem posições de liderança.

“Na vida, eu aprendi que você pode sentar e ver os outros fazendo a diferença, ou ficar ao lado deles, para sermos sempre mais fortes juntos”, conta ele em seu perfil no site oficial dos jogos.

Dois dias antes dos Jogos Olímpicos começarem, a jogadora de basquete dos Estados Unidos Elena Delle Donne disse publicamente pela primeira vez que era homossexual. Depois de se assumir, ela conta ter recebido muito apoio das companheiras de seleção.

“É incrível que tantas mulheres na nossa liga sintam-se confortáveis em se assumir e falar sobre assuntos que poderiam ser difíceis”, disse a jogadora, que está otimista não apenas com o desempenho do basquete feminino dos Estados Unidos, mas também com futuro: “Eu espero e sinto que nossa sociedade está caminhando na direção certa”.

Da Agência Brasil

Notícias

ENEM tem alta de 46% no uso de nome social por travestis e transexuais

A possibilidade de uso do nome social ocorreu pela primeira vez em 2014, quando foram feitos 102 pedidos.

Mais de 400 travestis e transexuais vão utilizar o nome social no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) deste ano, um aumento de 46% em relação ao ano passado, quando o exame registrou 278 inscrições. A possibilidade de uso do nome social ocorreu pela primeira vez em 2014, quando foram feitos 102 pedidos.

O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), responsável pela aplicação da prova, recebeu 842 solicitações. Destas, 434 foram reprovadas porque os interessados não encaminharam a documentação necessária, segundo o instituto.

Para serem tratados pelo nome social, era preciso fazer a inscrição no mesmo período que os demais candidatos. Posteriormente, entre 1º de junho e 8 de junho, o pedido deveria ser formalizado pela internet, com o preenchimento de formulário e envio de foto recente e cópia de documento de identificação.

As provas do ENEM estão previstas para os dias 5 e 6 de novembro.

Revista Fórum

http://www.revistaforum.com.br/2016/07/04/enem-tem-alta-de-46-no-uso-de-nome-social-por-travestis-e-transexuais/

Olhares

Um grito chamado arte

A sessão Olhares deste mês traz a abra do artista plástico Douglas Cândido, que questiona os padrões de beleza, perfeição e maneiras de ser na sociedade. Confira.

por Larissa Mota Calixto

“Eu quero gritar que a gente é livre!” – Douglas Cândido, artista plástico.

Buscar extrapolar o lugar do outro e os confinamentos dos armários, é o grito da luta LGBT contra a heteronormatividade. O trabalho que trazemos nesta edição da sessão Olhares pretende ser um grito de liberdade, usando da desconstrução cubista das formas e dos corpos, Douglas Cândido questiona os padrões de beleza, perfeição e maneiras de ser na sociedade.

“A gente precisa desconstruir essa ideia do homem perfeito, da mulher perfeita, da travesti perfeita e desse jeito perfeito de ser.” – Douglas Cândido, artista plástico de Recife-PE, que se tornou um pouco petrolinense com os anos que passou estudando na cidade.

Douglas, ariano com Plutão em escorpião, grita a sua não aceitação aos padrões pré-estabelecidos e sua militância exercida através da arte. “Eu me encontro muito nessas questões ligadas ao corpo, como as pessoas estão dominadas, pensando, fazendo e sendo iguais. A causa que grita muito alto em mim são as questões ligadas ao LGBT. Toda repressão que eu sofri por conta da minha sexualidade consigo colocar pra fora como um grito através do desenho. Eu me sinto ainda muito preso e preciso disso para falar, o meu instrumento é a arte. Através da arte consigo gritar algo que me ultrapassa!” – conta ele.

O trabalho desse jovem artista — que entrou no curso de artes visuais guiado por uma paixão pelo cinema e no desenho encontrou o seu caminho — tem a potencialidade de sair da tela e gritar pelo direito à voz e a existência da luta LGBT, que não deve e nem vai voltar para os armários. Através de personagens desconstruídos desde a forma trazendo desproporções no tamanhos de olhos, bocas e outras partes do corpo, além de uma mistura de características consideradas femininas e masculinas, ele nos questiona e brinca com os nossos limites de percepção de gênero. Afinal, o que nos torna homem e mulher?

A arte atinge no coletivo! — Exclama Douglas sobre as potencialidades políticas da arte. Ela é um instrumento que pode promover mudanças e questionar padrões sociais, através do incômodo muitas vezes. Um símbolo utilizado por um artista pode ganhar proporções inimagináveis, justamente por atingir a um grande número de pessoas, diz ele. A exemplo disso, ele cita a performance da mulher trans Viviany Beleboni, na parada do orgulho LGBT em São Paulo. Ela utilizou símbolos religiosos para questionar uma religião que na sua filosofia diz “amai ao próximo”, mas em setores radicais tem agido na contra mão disso em relação a comunidade LGBT.

A arte pode promover questionamentos e mudanças, a partir de desconstruções de padrões. Ser artista já é uma atitude revolucionária numa sociedade que parece pouco valorizar a arte. É necessário que sejamos empurrados a sair das nossas zonas de conforto para que todos tenhamos voz, espaço e existência garantidos. Somos humanos afinal, é isso que o trabalho de hoje nos mostra através de formas desconstruídas, quebras de padrões com tinta nanquim.

Em 2014, Douglas Cândido ganhou com este trabalho o Salão Universitário de Arte Contemporânea do Sesc Casa Amarela – UNICO, do Sesc de Recife-PE. O Salão UNICO pretende promover trabalhos universitários de artes visuais. Sua obra já foi exposta na reitoria da Univasf, na Galeria Ana das Carrancas no Sesc de Petrolina.

 

[Amy Amy Amy – Douglas Cândido (Naquim sobre papel. Formato A3)]

 

[As meninas – Douglas Cândido (Nanquim sobre papel. Formato A3.)]

 

[Doiderinha – Douglas Cândido (Nanquim sobre papel. Formato A3.)]

 

[Galeguinha -Douglas Cândido (Nanquim sobre papel. Formato A4)]

 

[Gata com vestidinho de gato – Douglas Cândido (Nanquim sobre papel. Formato A3)]

 

[Sereia cigana – Douglas Cândido (Nanquim sobre papel. Formato A3)]

 

 

[Frida – Douglas Cândido (Nanquim sobre papel. Formato A3)]

 

[As namoradas – Douglas cândido (Nanquim sobre papel. Formato A3)]

 

[Douglas Cândido (Técnica: giz sobre parede. 6,30mx5m Exposição: Persona – 2015)]

 

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Estado lança campanha contra LGBTfobia

Material será veiculado pela Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude

files_13614_20160526160704f820Com objetivo de fortalecer as políticas públicas do segmento LGBT e sensibilizar a população para a causa, a Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude (SDSCJ), através da Executiva de Segmentos Sociais (SESS), desenvolveu a campanha “Todo mundo é livre para amar a quem quiser”, que será trabalhada durante todo o ano, com distribuição de material gráfico em instituições públicas (escolas, órgãos do Estado) e durante atividades realcionadas ao segmento, pela SDSCJ.

A proposta surgiu com foco para ‘LGBTfobia: diga não!’, em trabalho conjunto com a ouvidoria da secretaria estadual e apoio da Executiva de Segmentos Sociais – criada na gestão do secretário Isaltino Nascimento, no ano passado. “A Coordenadoria LGBT, que é integrada à SESS, tem o objetivo de construir políticas públicas para a promoção dos direitos da população LGBT, por meio de articulação, promoção e execução da política estadual de promoção ao respeito à livre orientação sexual e identidade de gênero”, disse o coordenador LGBT da SDSCJ, Marcone Costa.

LGBTfobia – é toda forma de preconceito e discriminação que tocam pessoas as quais não se comportam conforme a regulação de sexualidade e/ou gênero na sociedade e resulta no medo e desprezo para com a população LGBT. “Casos de violência verbal, física e até o homicídio de pessoas do segmento são registrados diariamente. Nosso dever é combater estas práticas. Nossa SDSCJ está à disposição desta causa”, destaca o secretário Isaltino Nascimento.

O Dia Internacional de Combate à LGBTfobia é comemorado no 17 de maio, em razão da data ter sido marcada pela retirada do termo homossexualidade da classificação internacional de doenças, pela Organização Muncial de Saúde, no recente ano 1990.

Desde então, o dia passou a ser símbolo da luta por direitos humanos, diversidade sexual e contra o preconceito, violência e intolerância. Informações Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude (SDSCJ).

 

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Plataforma online ajuda homossexuais expulsos de casa a encontrar um lar

Disponível no Facebook e com site em fase de testes, o Mona Migs deve ser inspirado num projeto de hospedagem solidária.

Pedro Henrique Almeida de Oliveira é gay. Hoje ele sabe que isso é natural e até sente orgulho. Mas o jovem de 23 anos precisou percorrer um longo caminho até chegar a esse estágio. E seu maior obstáculo estava justamente onde ele buscaria acolhimento: em casa, com a mãe.

“Ela me levou para um campo de futebol e começou a falar. Fez um círculo no chão e disse assim, com um graveto: ‘Aqui é a sociedade’. Aí fez um triângulo no meio, tipo uma porcentagem: ‘Essa margem é a minoria, que tem gay, ladrão, sapatão, tudo que não presta. A maioria é a sociedade em que a gente vive. Você quer viver comigo na maioria ou que a minoria?’”, narra o morador de Cabo de Santo Agostinho, município da região metropolitana do Recife.

A notícia de que Pedro era gay chegou até a mãe por meio de outra pessoa. Na época, com medo, ele, com 18 anos, negou que era homossexual. “Eu pensava o que tinha de errado comigo, o que eu era, pensava que era uma aberração”, recorda. Três meses depois tentou o suicídio, cansado de reprimir até a forma de andar para que ninguém desconfiasse de sua orientação sexual. Sobreviveu a tudo isso e resolveu assumir para si e para a família que era gay.

As consequências ele vive até hoje. A maioria dos parentes maternos não fala mais com Pedro; ouviu xingamentos de vários deles. A madrinha parou de pagar sua faculdade de gastronomia. E não tardou para que sua mãe o colocasse para fora de casa pela primeira vez. O abrigo veio da avó paterna. “Ela disse que jamais iria me abandonar, que jamais me deixaria sozinho. Eu esperava ouvir isso da minha mãe, mas veio de uma pessoa mais antiga. Ela deixou o amor falar mais alto.”

Mona Migs

Pedro, atualmente estudante técnico de um curso de cozinheiro, conseguiu abrigo e apoio, mas milhares de jovens que são expulsos de casa por sua orientação sexual não têm a mesma sorte. Pensando nisso, um grupo de oito estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) criou o Mona Migs, uma plataforma que pretende unir homossexuais desabrigados a pessoas dispostas a ceder um espaço temporário.

A ideia surgiu em uma competição promovida pela universidade no fim de abril. Grupos de estudantes precisavam montar uma startup (ideia inicial de negócio que pode vir a gerar lucro) em 54 horas. “Alguns dos integrantes passaram pela situação de querer ajudar uma pessoa que havia sido expulsa de casa por conta de ser LGBT [sigla para Lésbica, Gay, Bissexual, Travesti e Transexual]. E na competição aconteceu que este integrante pensou em conectar os dois lados”, conta Wallace Soares, desenvolvedor da plataforma online.

Disponível no Facebook e com site em fase de testes, o Mona Migs deve ser inspirado num projeto de hospedagem solidária. “No geral, funcionará mais ou menos como o Couchsurfing [surfando no sofá, em português]”, compara Bárbara Lapa, responsável pela área de negócios da startup, ao mencionar um site em que as pessoas oferecem hospedagem de graça e podem usufruir da mesma hospitalidade.

A relação afetiva de Pedro com a mãe também vem mudando. A mãe está financiando o curso de cozinheiro no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), até que ele consiga um emprego na área. “Gostaria que fosse melhor do que é, mas cada um tem seu limite e cada um tem que respeitar. Como ela diz: ela me tolera”, pondera Pedro, que estava com a mãe ao lado durante a conversa por telefone – e diante do pedido de entrevista, argumentou que precisava trabalhar. “Ela ainda diz que Deus vai me transformar”, acrescenta o jovem, a contragosto.

Abrigo

Por enquanto, o projeto está pré-cadastrando pessoas interessadas em fornecer abrigo. Já são 15 candidatos. É preciso informar dados pessoais e o tempo disponível para acolhimento. Mas vários detalhes ainda precisam ser determinados, principalmente questões de segurança, para assegurar que nenhum dos dois lados possa se aproveitar da plataforma de má-fé. “A pessoa vai poder conversar com a outra antes e decidir se pode confiar”, diz Bárbara.

Nesta primeira fase, o Mona Migs é voltado somente para Pernambuco, mas os estudantes pretendem expandir a ideia. Por enquanto, além de formatar o projeto jurídica e administrativamente, a busca é por financiamento. Segundo os idealizadores, algumas organizações não governamentais já estão interessadas em fazer parcerias.

Pesquisas

Para verificar se havia, de fato, demanda para o serviço, os criadores do Mona Migs fizeram pesquisas pela internet e em pontos do Recife que reúnem público LGBT. Foram mais de 500 respostas online. Eles identificaram que 75% dos homossexuais tinham medo de ser expulsos de casa e 60% disseram conhecer alguém que já ficou sem abrigo. Por outro lado, 55% dos consultados afirmaram que acolheriam uma pessoa LGBT em situação urgente.

Fórum LGBT

O movimento organizado em Pernambuco confirma essa realidade, e elogia a iniciativa do Mona Migs, mas defende que o Estado também deve garantir a segurança desses jovens. “Tem os abrigos que já existem, mas não especificamente LGBT. E é outro processo do preconceito que esses jovens recebem muitas vezes nesses abrigos. Por isso, temos algumas iniciativas de inserção na criação de políticas públicas com centro de abrigos para a população LGBT especificamente”, conta Thiago Rocha, um dos coordenadores do Fórum LGBT de Pernambuco. “Tem a pauta especificamente para travestis e transexuais, que é um caso mais urgente, que são as que mais sofrem quanto a isso, de expulsão do seio familiar.”

Depois de morar com a avó por três anos e em outras ocasiões de menor tempo, intercaladas com rápidas passagens pela casa da mãe, quando tentavam a reconciliação, este ano Pedro foi recebido por uma amiga. “Minha vó já não está com saúde, não queria dar trabalho, e agora já sou um homem e preciso resolver meus problemas”, justifica.

A distância também o permitiu impor sua identidade e pedir respeito à família. A mãe está financiando o curso de cozinheiro no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), até que ele consiga um emprego na área. A relação afetiva também vem mudando. “Gostaria que fosse melhor do que é, mas cada um tem seu limite e cada um tem que respeitar.”

Mas a diferença maior, talvez, seja na autoestima do estudante. “Sou desse jeito, sou bicha”, destacou. “Por onde eu ando, eu sou eu. Eu sou o Pedro.”

http://Agência Brasil