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Empresa abandona negociação e funcionários dos Correios entram em greve

Categoria luta por manutenção de direitos, por reajuste salarial e contra o projeto de privatização da estatal

Mais de cinco mil trabalhadores participaram da assembleia que aprovou a greve em São Paulo / Sintecet

Os trabalhadores dos Correios, organizados em 36 sindicatos e duas federações, aprovaram na noite de terça-feira (10) greve por tempo indeterminado que pretende alcançar todo o país. A paralisação começou mais forte em São Paulo e no Rio de Janeiro. Segundo os sindicatos, cerca de 7 mil trabalhadores participaram das assembleias nestas duas capitais.

Antes de cruzar os braços, os sindicatos fizeram dez reuniões com a empresa. Porém, a estatal abandonou a negociação sem fechar o acordo coletivo, que estava sendo mediado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST).

A tensão entre trabalhadores e Correios envolve várias retiradas de direitos, como a exclusão dos pais dos empregados do plano de saúde. A proposta de reajuste oferecida pela estatal foi de 0,8%, bem abaixo da inflação no período. que ultrapassou os 3%.

“A empresa abandonou as negociações e não deixou alternativas além da greve, que começou forte em São Paulo e no Rio de Janeiro. A tendência é ampliar”, disse Douglas Melo diretor da FINDECT e do Sindicato dos trabalhadores dos correios de SP.

Os Correios, segundo os sindicalistas, querem a retirada de 45 cláusulas do acordo coletivo em vigor. Nas contas da federação, isso significaria uma redução acumulada de até R$ 5 mil por ano na renda dos trabalhadores.

Os Correios informaram, em nota para o Brasil de Fato, que é “insustentável” a proposta dos trabalhadores considerando o “projeto de reequilíbrio financeiro da empresa” que teve, segundo a estatal, prejuízo acumulado de R$ 3 bilhões. No entanto, os dados divulgados pelo ex-presidente dos Correios, o general Juarez Cunha, demitido em junho, depois de se posicionar contra a privatização dão conta de um resultado financeiro positiva no balanço da estatal. Em 2018,  a arrecadação somou R$ 19,69 bilhões e as despesas somaram R$ 19,53 bilhões, gerando um saldo de R$ 161 milhões. .

Os trabalhadores querem também o fim do projeto de privatização da empresa. Para os sindicalistas, a privatização acabaria com a integração nacional promovida pelos Correios, que atende todas as cidades do país. Na lógica empresarial, só haveria interesse em manter as operações nas 324 cidades que dão lucro.

De acordo com os sindicalistas, cerca de 50% da categoria aderiu à greve. No Rio de Janeiro, mais de três mil trabalhadores estão participando dos piquetes desde às 4h da manhã.

“O movimento tá muito forte. A nossa maior reivindicação, por incrível que pareça, é manter os direitos conquistados e que a empresa quer retirar”, disse Pedro Silva, do sindicato do Rio de Janeiro.

Os Correios propõem a retirada de benefícios históricos como o tíquete refeição no 13º e nas férias, além de redução do adicional noturno de 60% para 20%.

A próxima assembleia deve acontecer no dia 17 de setembro.

 

 

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Docentes da UPE confirmam adesão à Greve Nacional da Educação do dia 15 de maio

Decisão foi tomada em assembleias realizadas em Recife, Garanhuns e Petrolina. Estudantes e servidores também vão parar.

Foto: Reprodução.

Os professores da Universidade de Pernambuco confirmaram a participação da categoria na greve nacional da Educação agendada para a próxima quarta-feira, dia 15 de maio. A paralisação foi convocada pelas entidades da educação e centrais sindicais, em resposta às ameaças à educação perpetradas pelo governo de Jair Bolsonaro, que vêm se concretizando com medidas de cerceamento da liberdade de ensinar e aprender e com os cortes de verbas anunciados oficialmente pelo Ministério da Educação.

Foto: Reprodução.

A adesão à greve ocorreu em três assembleias convocadas pela Seção Sindical dos Docentes (Adupe). A primeira assembleia ocorreu na manhã da quarta-feira (8/5/2019), na sede do Sindicato, no Bairro de Santo

Amaro, em Recife. Além dos docentes, a assembleia contou com a participação de representantes do Sindicato dos Servidores da UPE (Sindupe) e do Diretório Central dos Estudantes (DCE-UPE).

Em Garanhuns, a assembleia foi realizada na tarde do mesmo dia, com presença de cerca de 20 docentes e de representantes do movimento estudantil. Os docentes do Campus Petrolina se reuniram ontem (09/05) em assembleia, que contou também com a participação de integrantes do movimento estudantil.

Foto: Reprodução.

Nas três ocasiões foi rechaçada a política fascista adotada pelo governo de Jair Bolsonaro, caracterizada pela perseguição a professores e alunos, pela ameaça de extinção dos cursos de filosofia e Sociologia, pela proposta de elitização do ensino superior e pela sangria dos recursos da educação .

Além de aprovarem a adesão à greve do dia 15 de maio, os presentes foram unânimes no entendimento de que, para derrotar a política de desmonte da educação do governo de Jair Bolsonaro é preciso que professores, servidores e estudantes marchem unidos.

A greve do dia 15 é preparatória para a greve geral de todos os trabalhadores e trabalhadoras do país, convocada por todas as centrais sindicais para o dia 14 de junho, como primeiro passo para a derrubada da proposta de mudanças na Previdência encaminhada pelo governo federal.

No plano estadual, foi destacado nas assembleias que o Governo de Pernambuco tem aplicado também uma política de contingenciamento dos recursos no orçamento da UPE, prejudicando a qualidade do ensino e impondo o congelamento salarial dos professores e servidores.

Luta Unificada – Diretores da Adupe, do DCE Paulo Freire e do Sindupe reunidos ontem (09/05) para discusssão das estratégias de ação da luta unificada em defesa da educação pública. Foto: Reprodução.

Veja os encaminhamentos das assembleias

RECIFE

=> Criação de Comando Central e dos Comandos Locais de Greve

=> Mobilização unificada das entidades de professores, servidores e estudantes

=> Realização de ato político cultural na manhã do dia 15 em frente à Reitoria da UPE, em reforço ao ato principal que ocorrerá à tarde.

GARANHUNS

=> Participação da Adupe na organização do Ato Público da Greve do dia 15/05 em Garanhuns,

=> Criação de um grupo de trabalho para apresentar as atividades da UPE a sociedade;

=> Elaboração de estratégias de denúncia do contingenciamento imposto pelo governo do Estado a UPE.

PETROLINA

=> Formada uma comissão para elaborar um material de divulgação das considerações da UPE/ Petrolina para ser distribuído na manifestação

=> Participação dos docentes na manifestação que ocorrerá na manhã do dia 15

Saiba como participar dos atos do dia 15 de maio

Em Recife:

12h – Ato político cultural em frente à Reitoria da UPE, com participação de professores, alunos e servidores

15h – Concentração para o Ato da Greve Nacional da Educação

Local: Rua da Aurora – em frente ao Ginásio Pernambucano

Em seguida, passeata até o Pátio do Carmo, onde haverá o grande ato

Em Garanhuns:

8h – Ato Unificado – Adupe e demais sindicatos e entidades;

Local: Praça da Fonte Luminosa

Em Petrolina:

8:30h – Grande ato da Greve Nacional da Educação

Local: Praça do Bambuzinho

 

 

Via Ascom ADUPE

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Audiência pública na Câmara de Vereadores discute greve da UNEB de Juazeiro nesta terça-feira (16)

Professores, estudantes e técnicos convocam a sociedade civil para estar presente, às 17horas, para unir esforços em defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade.

Foto: Divulgação.

Vai ser realizada nesta terça-feira (16), na Câmara de Vereadores de Juazeiro, uma audiência pública para discutir a situação da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), que iniciou greve por tempo indeterminado na última terça-feira (9). Professores, estudantes e técnicos convocam a sociedade civil para estar presente, às 17horas, para juntos unir esforços em defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade.

A audiência pública faz parte do calendário de mobilizações dos departamentos de Ciências Humanas (DCH) e de Tecnologia e Ciências Sociais (DTCS) do Campus III, em Juazeiro. Na reunião, serão discutidas questões da greve e a contribuição da instituição para o desenvolvimento regional e formação de profissional qualificado.

Patrimônio cultural e educacional de toda a Bahia, a UNEB está instalada no Vale do São Francisco há cerca de 50 anos, colaborando com a formação de Engenheiros Agrônomos, Pedagogos, Bacharéis em Direito, Jornalistas, Administradores e Graduados em Bioprocesso. Referência na qualificação e formação de pessoal, e no acesso ao ensino superior com qualidade humana e técnica, a universidade vem desenvolvendo produções científicas que contribuem para o desenvolvimento regional.

Importante polo educacional, além dos cursos de graduação, a UNEB tem em pleno funcionamento três Programas de Pós-Graduação de Mestrado: Educação, Cultura e Territórios do Semiárido (PPGESA); Ecologia Humana e Gestão Socioambiental (PPGEcoH), Horticultura Irrigada (PPGHI); e Doutorado em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental (PPGEcoH) e Doutorado Profissional em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial, recentemente aprovado.

Entretanto, a universidade tem sofrido um ataque sistemático na promoção da educação pública e de qualidade, tendo em vista que o governador Rui Costa (PT) vem promovendo contingenciamentos dos recursos orçamentários que comprometem o funcionamento básico da instituição e a função social desta universidade.

Não tem havido aumento das vagas docentes, nem concursos públicos; direitos trabalhistas como Licença Prêmio e Sabática e promoção e progressão de carreira estão ameaçados; as universidades perderam autonomia após implantação do sistema de RH; o salário dos servidores está congelado, e sem a reposição da inflação acumula perda de 25%; aumento da alíquota previdenciária de 12% para 14%, reduzindo os salários.

A redução da verba destinada aos Campi vem afetando diretamente os alunos: faltam pinceis para aulas e papel higiênicos nos banheiros; equipamentos como data show, câmeras fotográficas e laboratórios estão sem manutenção, o que afeta diretamente as aulas; projetos de iniciação científica e extensão estão comprometidos.

Diante disso, professores e alunos estão realizando mobilizações, como atos e aulas públicas, para conscientizar e mobilizar a sociedade civil e os representantes de governo, a fim de unir forças em defesa da UNEB.

Acompanhe as ações desenvolvidas no Campus III através do Instagram:@unificauneb.

 

Ascom/Thiago Santos

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Professoras/es aprovam greve por tempo indeterminado na UNEB

A greve deverá começar 72 horas após a aprovação da assembleia. Todos os requisitos legais serão cumpridos, inclusive os 30% dos serviços essenciais na universidade

Foto: Reprodução.

As/os professoras/es da Uneb aprovaram, neste final de tarde de quinta-feira (04), a greve por tempo indeterminado em todos os campi da universidade. A decisão foi tomada em assembleia realizada no campus de Salvador. De acordo com o que dispõe o Supremo Tribunal Federal, sobre legalidade do movimento grevista, após a aprovação são necessárias 72 horas para o início da greve. A norma está prevista no art. 37, inciso VI da Constituição Federal, utilizando o art. 13, da Lei n. 7.783/89. A greve cumprirá todos os requisitos legais e manterá 30% dos serviços essenciais na universidade.

Durante a assembleia, inúmeras falas demonstraram que não faltavam motivos para a deflagração da greve. De acordo com a coordenação da ADUNEB, entre os vários itens apontados está o desrespeito do governo estadual aos direitos trabalhistas dos professores. Apenas na Uneb, mais de 400 docentes que já deveriam ter sido promovidos, aguardam em uma fila de espera. Há seis anos também não acontece aumento salarial. Outro problema são os contingenciamentos orçamentários, ou seja, dinheiro que está previsto não chega na universidade, porque o governo não repassa. Somente entre agosto e novembro do ano passado esse contingenciamento, em média, confiscou 55% do orçamento da Uneb.

Reunião

Desde 2016, o movimento docente das quatro universidades estaduais da Bahia tenta a negociação da pauta de reivindicações. Apesar da insistência, apenas nesta quarta-feira (03), aconteceu uma reunião com o governo, mas nada foi resolvido. Após ouvir os professores, os representantes de Rui Costa se comprometeram em apresentar propostas à pauta. Uma nova reunião acontecerá na próxima segunda-feira (8), às 15h30, no Instituto Anísio Teixeira.

A próxima assembleia dos docentes da Uneb acontece na quarta-feira (10), também no campus de Salvador.

 

 

Via ADUNEB

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Petroleiros entram em greve para baixar preços do gás de cozinha e dos combustíveis

Segundo nota da Federação Única dos Petroleiros (FUP), “a atual política de reajuste dos derivados de petróleo, que fez os preços dos combustíveis dispararem, é reflexo direto do maior desmonte da história da Petrobrás”

Foto: Reprodução

Os trabalhadores do Sistema Petrobras anunciaram que entrarão em greve a partir da quarta-feira (30) para baixar os preços do gás de cozinha e dos combustíveis, contra a privatização da empresa e pela saída imediata do presidente Pedro Parente.

Segundo nota da Federação Única dos Petroleiros (FUP), “a atual política de reajuste dos derivados de petróleo, que fez os preços dos combustíveis dispararem, é reflexo direto do maior desmonte da história da Petrobrás”.  A nota diz ainda que “os culpados pelo caos são Pedro Parente e Michel Temer, que, intensifica a crise ao convocar as forças armadas para ocupar as refinarias”.

Nesta segunda-feira, 28, a FUP e seus sindicatos realizarão um Dia Nacional de Luta, “com atos públicos e mobilizações em todo o Sistema Petrobras, denunciando os interesses que estão por trás da política de preços de combustíveis, feita sob encomenda para atender ao mercado e às importadoras de derivados”.

De acordo com a FUP, a gestão de Parente à frente da Petrobras abriu mão do mercado nacional de derivados para as importadoras, que hoje são responsáveis por um quarto de todos os combustíveis comercializados no país.

“O número de importadoras de derivados quadruplicou nos últimos dois anos, desde que Parente adotou preços internacionais, onerando o consumidor brasileiro para garantir o lucro do mercado. Em 2017, o Brasil foi inundado com mais de 200 milhões de barris de combustíveis importados, enquanto as refinarias, por deliberação do governo Temer, estão operando com menos de 70% de sua capacidade. O povo brasileiro não pagará a conta desse desmonte”, conclui a nota.

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Funcionários dos Correios entram em greve em todo o país

A empresa anunciou o fechamento de mais de 2500 agências próprias, por todo o Brasil, segundo a Fentect. O salário médio da categoria é de R$ 1600. “O pior salário entre empresas públicas e estatais.”

Os funcionários dos Correios vão entrar em greve, por tempo indeterminado, a partir das 22 horas deste domingo (11/3), em todo o país. Segundo a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) a paralisação busca evitar “o desmonte promovido pela gestão dos Correios, que tende a prejudicar ainda mais os serviços à população”.

Os trabalhadores são contra a terceirização na área de tratamento; a privatização da estatal; suspensão das férias dos trabalhadores, como em 2017; descumprimento da cláusula 28 do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que trata da assistência médica da categoria, e contra a redução do salário da área administrativa, entre outros pontos. Além disso, pedem a contratação de novos funcionários via concurso público, a segurança nos Correios e o fim dos planos de demissão.

De acordo com a federação, toda a categoria concorda com a sociedade e discorda de aumentos abusivos nos valores dos serviços prestados pela empresa. Dizem, inclusive, que “apoiam o direito da população ao cobrar que não haja excessos nas contas a serem pagas”.

No entanto, denunciam que há ingerências políticas na administração da estatal, que retira direitos de seus funcionários e ainda os responsabiliza pelos danos da empresa. “Os Correios são patrimônio nacional, garantem um direito constitucional à comunicação com segurança e alcançam os locais mais distantes do país. Além disso, não onera o governo federal ou o bolso do cidadão com arrecadação de impostos, já que, ao contrário, é o governo quem tem retirado verbas da empresa, sem retorno, nos últimos anos, como da ordem de R$ 6 bilhões.”

A empresa anunciou o fechamento de mais de 2500 agências próprias, por todo o Brasil, segundo a Fentect. O salário médio da categoria é de R$ 1600. “O pior salário entre empresas públicas e estatais.”

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Greve de 28 de abril acontece 100 anos após primeira Greve Geral brasileira

Primeira greve geral do País completa 100 anos no mês de julho

Greve100anos
Greve 100 anos

A vedação do trabalho de menores de 14 anos foi consagrada no País em 1943, com a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Assim como o pagamento de 50% no caso de horas extras. Essas demandas, entretanto, já faziam parte das reivindicações do movimento operário no Brasil desde o início de século 20.

Essas foram algumas das bandeiras da primeira Greve Geral realizada no País, que completa cem anos no mês de julho. Além de questões relacionadas ao ambiente fabril, o movimento operário também pautava assuntos como o controle de preços de alimentos e dos aluguéis.

Localizada principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro, a paralisação de 1917 durou mais de um mês e não foi pensada originalmente para ter um caráter geral. Em tempos em que a questão social era tratada como questão de polícia, um dos estopins da generalização da greve foi a morte do operário espanhol José Ineguez Martinez, causada pelas forças policiais.

O enterro de Ineguez ocorreu no Cemitério do Araçá, zona oeste da capital paulista. No dia, milhares de operários atravessaram a cidade ao realizarem uma marcha de bairros da região leste – como Mooca e Belenzinho – até o local.

Para Armando Boito, professor de Ciência Política da Unicamp e estudioso do mundo sindical, a Greve Geral de 1917 é um exemplo e nos ajuda a desmistificar a origem dos direitos trabalhistas. Segundo ele, as condições do movimento sindical – formado por imigrantes que sequer compartilhavam a língua – eram muito mais difíceis que as de hoje. “ No caso do Brasil da Primeira República, há um fator que diferencia demais a classe operária: a língua. Dificultava a unificação. Além disso, havia disparidades muito grandes no que diz respeito, por exemplo, à remuneração”.

“A classe operária não tinha nem direito a voto. Era muito perseguida politicamente. As lideranças eram banidas para estados distantes do Brasil, ou expulsas para seus países de origem. Era muito difícil fazer sindicalismo na Primeira República. Apesar disso, os anarcossindicalistas conseguiram colocar em pé o movimento operário, fundaram a Confederação Operária Brasileira em 1906 e organizaram muitas greves”, diz.

O cientista político entende que a classe operária, em algum grau, sempre foi complexa e dividida em todos os países, citando como exemplo a descrição feita pelo historiador britânico Eric Hobsbawn sobre os trabalhadores europeus.

“Como é possível que uma classe tão heterogênea, no nível linguístico, nas condições de trabalho e de remuneração consiga se unificar? Na verdade, foi o movimento operário que criou a ideia e a realidade da classe operária, e não o contrário. É a luta que unifica”, defende.

Boito lembra que a mobilização operária continuou após a Revolução de 1930, inclusive por meio da Aliança Nacional Libertadora, que chegou a ter mais de 500 mil militantes no País. Foi nesse contexto que o então presidente Getúlio Vargas – que também precisava de apoio contra a reação da oligarquia cafeeira – aprovou a legislação trabalhista.

“Vargas sempre apresentou os direitos trabalhistas que vão sendo estabelecidos em seu governo, e finalmente consolidados na CLT de 1943 como uma dádiva do Estado brasileiro, subliminarmente, dele próprio. Isso é mitologia. Quando o governo o Vargas estabelece direitos ele está respondendo a uma pressão real que existe desde o início do século 20 e que se acumulou ao longo das décadas de 10, 20 e 30”, aponta. Nesse contexto, a disputa entre Vargas e as elites cafeeiras teria aberto uma brecha que potencializou as demandas operárias.

Presente

O papel das greves continuou marcando a história do Brasil. Luiz Ribeiro, técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cita, por exemplo, o papel do movimento sindical na redemocratização do País após a Ditadura Militar.

“A greve é um dos principais instrumentos do trabalhador para se fazer ouvir e expressar suas reivindicações. Quando recuperamos a história de conquista de direito se percebe que, na origem – por exemplo, redução da jornada, garantir piso e salário mínimo – há um movimento grevista. Olhando os processos políticos, como a redemocratização, as greves tiveram um papel essencial”, afirma.

Ribeiro explica que há, basicamente, dois tipos de greves: as defensivas e as propositivas.

“Na década de 90 eram muito mais defensivas, para manter direitos ou para que a lei fosse cumprida. A partir de 2003, há uma estabilização do número de greves e elas passam a ter uma característica bem própria: são propositivas, ou seja, que visam ampliação de direitos ou conquistas salariais”, aponta. A explicação para o fenômeno mais recente, entre outros fatores, foi a oferta de vagas, que criava uma tendência em direção ao pleno emprego, favorecendo a luta sindical.

No entanto, para Ribeiro, a próxima greve geral que está sendo puxada pelas centrais sindicais para o próximo dia 28 de abril foge dessa classificação. Na pauta deste ano estão a denúncia das alterações das regras da Previdência – que adia aposentadorias e diminui benefícios – e a defesa de direitos trabalhistas, muitos deles conquistados por meio da luta que tem como marco 1917.

“Nós consideramos a greve chamada para o dia 28 como política, porque reivindica a defesa de direitos universais, de toda a classe trabalhadora. A greve geralmente se relaciona de forma direta com uma empresa. A greve política transcende essa relação imediata, envolve os grandes temas nacionais”, analisa.

Por Rafael Tatemoto

Do Brasil de Fato

 

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Servidores públicos municipais de Petrolina suspendem greve temporariamente

Executivo sinaliza reunião com o SINDSEMP, condicionada a suspensão da greve

votação 2Após ocupação da prefeitura de Petrolina na manhã da última segunda-feira (3), pelos servidores municipais, o prefeito Miguel Coelho recebeu dois diretores do SINDSEMP e oficializou um termo de ajustamento de conduta para discussão de uma nova proposta, dando segmento à negociação, com uma reunião no dia 10 de março às 17h no IGPREV, condicionada a suspensão ou encerramento da greve.

O sindicato fez a leitura do ofício aos servidores presentes na Câmara de Vereadores, e em regime de votação em Assembleia, com opiniões divididas, a maioria deliberou pela suspensão da greve a partir desta quarta-feira (5), até a reunião do dia 10, quando será votado, em Assembleia, o resultado da proposta do Executivo Municipal.

Frente a muitos pontos discutidos na Assembleia, um dos mais relevantes foi o de manter a mesa de negociação, visando a solução da problemática que está dificultando o cumprimento da campanha salarial 2017.

O SINDSEMP convoca todos os servidores associados, a se fazerem presentes em Assembleia Geral Extraordinária no Hotel Grande Rio, dia 11 de abril às 8h, momento em que será disponibilizado o teor da reunião com o prefeito dia 10, e em regime de votação, deliberar os próximos passos do movimento grevista. Ascom.

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Após reunião com vereadores e Sindicato servidores públicos municipais de Petrolina decidem continuar em greve

Os vereadores da situação comprometeram-se em se reunir com o prefeito para pautar as reivindicações dos servidores; já os/a parlamentares de oposição se colocaram favoráveis a luta dos/as grevistas, negando-se a votar qualquer projeto que prejudique as categorias.

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Ponto Crítico

O SINDSEMP (Sindicato dos Servidores Municipais de Petrolina) continua mobilizado em seu estado de greve. Hoje uma comissão dos sindicalistas estiveram presentes na Câmara Municipal reunidos com vereadores/a da situação e oposição. Foi apresentado a situação das diversas categorias, onde, segundo Walber Lins (presidente do SINDSEMP), os trabalhadores da saúde são os que se encontram em maior situação de precarização, especialmente os técnicos de enfermagem, estes que são os que recebem maior carga de trabalho e menor remuneração.

Os representantes do sindicato ainda colocaram a preocupação em relação aos casos de assédio por parte dos gestores das secretarias municipais, segundo eles, alguns/as servidores/as estão sendo coagidos a retornarem aos seus postos de trabalho sob ameaça de descontos nos salários pelos dias parados.

Os/as sindicalistas ainda apresentaram aos/a vereadores/a sua proposta de reajuste. Nessa, está previsto um reajuste de 6,29% para todas as categorias, ao apresentar o cálculo o presidente do sindicato argumentou que isso não representa um grande impacto na receita municipal, cerca 282.000 reais mês. Ainda foi pontuado que o montante de cargos comissionados representa maior peso orçamentário do que o aumento previsto pelo sindicado aos servidores e que estes devem ser prioridade na receita da cidade. Receita essa que vem se comportando como previsto pela lei orçamentaria.

Os vereadores da situação comprometeram-se em se reunir com o prefeito para pautar as reivindicações dos servidores; já os/a parlamentares de oposição se colocaram favoráveis a luta dos/as grevistas, negando-se a votar qualquer projeto que prejudique as categorias. A reunião terminou com uma grande plenária que reuniu vários/as grevistas, sindicato e vereadores/a da oposição. Deliberou-se a continuidade do estado de greve até que o executivo negocie com o movimento.

 

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Servidores municipais em greve lotam as galerias da Câmara Municipal na defesa dos seus direitos

O Sindsemp deu prazo de seis dias para o executivo se posicionar, no entanto até o dia de hoje o prefeito não havia sinalizado nenhuma perspectiva de diálogo com os servidores mobilizados.

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Ponto Crítico

Hoje a sessão da Câmara de Vereadores de Petrolina foi marcada pela presença do/as servidores/as Municipais mobilizados/as pelo SINDSEMP (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Petrolina). Na oportunidade o vereador da oposição Paulo Valgueiro (PMDB) fez solicitação à mesa diretora de uso tribuna livre para o presidente do sindicato Walber Lins e, com isso, os sindicalistas tiveram a oportunidade de explanar sobre os principais pontos de pauta do movimento grevista que desde o dia 16 vem realizando mobilização com as categorias.

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Ponto Crítico

Segundo o presidente do SINDSEMP, o movimento tem por objetivo defender a campanha salarial que está sendo construída desde 2016. Além disso, os grevistas se posicionam contra a PEC da previdência que amplia o tempo de contribuição e acaba com os regimes diferenciados para as mulheres, trabalhadores/as rurais e professores/as. Também faz parte da agenda de lutas o combate a lei que autoriza a terceirização das atividades fins no funcionalismo público.

Ainda segundo o srº Walber Lins foi dado o prazo de seis dias para que o poder executivo se posicionasse, no entanto até o dia de hoje o prefeito não havia sinalizado nenhuma perspectiva de diálogo com os servidores mobilizados. O presidente do sindicato ainda pontuou que os serviços essenciais foram mantidos para não causar grandes prejuízos à população.

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Ponto Crítico

Durante a sessão os/a vereadoras/a também se posicionaram sobre a questão. Os/a vereadores/a da oposição fizeram falas de solidariedade aos/as grevistas. Paulo Valgueiro frisou a autonomia do poder legislativo; Cristina Costa (PT) pontuou a necessidade dos/as servidores/as se manterem mobilizados e organizados; já Gilmar Santos (PT) chamou atenção para o fato de que a Câmara tem que atender aos interesses do povo, segundo ele “se os/a vereadores/a quiserem fazer justiça ao termo ‘vergonha na cara’ devem defender o interesse dos servidores/as”.

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Ponto Critico

A bancada de situação também fez falas em apoio à campanha salarial encampada pelo sindicato. Manoel da ACOSAP (PTB) lembrou as condições peculiares dos agentes comunitários de saúde, e da desvalorização em que a categoria se encontra. O vereador Aerolande Cruz (PSB), ao fazer uso da fala, elogiou o governo de Fernando Bezerra Coelho, segundo ele foi um prefeito que melhor valorizou o funcionalismo municipal. Neste momento a população presente (servidores/as em greve) protestou com uma sonora vaia ao referido vereador, numa demonstração clara de desacordo a sua afirmativa, causado assim constrangimento ao ponto do presidente Osório Siqueiura (PSB) solicitar o silêncio da público.

No final da sessão foi lembrado que ainda não existe nenhum projeto do executivo propondo reforma salarial, e que os/a vereadores/a deverão  aprofundar a pauta assim que esse for encaminhado. Ainda, como proposta de Cristina Costa, foi deliberando uma reunião na quarta-feira com os/a vereadores/a e sindicalistas para potencializar os debates sobre as pautas do SINDSEMP.

Da redação