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Secom gera revolta com foto de homem armado divulgada no Dia do Agricultor; CNDH oficia governo

Planalto publicou e depois apagou postagem em tom belicoso, de homem com arma representando trabalhador do campo

Foto: Reprodução

Uma postagem publicada nas redes sociais pelo governo Bolsonaro nesta quarta-feira (28) em referência ao Dia do Agricultor gerou uma série de protestos entre associações do campo, membros de entidades da luta agrária e internautas nas redes sociais. A mensagem escolhida pela Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da gestão traz a foto da silhueta de um suposto agricultor com uma espingarda no ombro em meio a uma plantação.

Organizações como a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) reagiram à iniciativa. A secretária de Política Agrícola da entidade, Vânia Marques Pinto, classifica a mensagem como “absurda” e observa que a peça publicitária dialoga diretamente com os conflitos no meio rural, tema em que o Brasil tem destaque negativo histórico.

“Nós não esperávamos, mas não é algo que surpreende, pelo tipo de governo que temos. Mas não deixa de ser algo absurdo associar um agricultor à imagem de um jagunço, de uma pessoa armada, incitando a violência no campo”.

Em nota publicada logo após a postagem da gestão, a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) repudiou a iniciativa e chamou-a de “belicista e desrespeitosa”.

“Ao utilizar a imagem de um caçador portando uma espingarda em savana africana, adquirida em um banco de imagens pagas, o governo demonstra, mais uma vez, seu desconhecimento da realidade da agricultura familiar no Brasil, marcada pela solidariedade, generosidade e dedicação para prover alimentos de verdade para as famílias brasileiras”, diz o texto, ao rechaçar o símbolo.

A foto escolhida pela Secom para ilustrar o post foi batida na África do Sul e retirada de um banco internacional de imagens.  A professora e pesquisadora Helena Martins, do curso de publicidade da Universidade Federal do Ceará (UFC), ressalta que a confecção de um material de comunicação dessa natureza passa, em geral, por um amplo processo de análise, por se tratar de um conteúdo de comunicação institucional.

“Uma peça como essa é pensada, é pautada, é avaliada, discutida e finalmente é aprovada, passando, portanto, por uma complexa cadeia hierárquica de definições que acabam levando à sua publicação”, explica a professora, que analisou o material a pedido do Brasil de Fato.  

“É preciso se ter em vista que, em comunicação, tudo significa. As cores, os textos, as imagens são escolhidos para gerar um determinado significado que o produtor da mensagem busca atingir”, explana Helena. 

“A meu ver, o sentido que o governo quis produzir com essa peça está muito claro: é a ideia de, de fato, armar as pessoas, algo que ele está fazendo, inclusive, por meio de uma série de políticas. Além disso, reforça a ideia de que [o campo] é um espaço de conflito, e ele sustenta, naturaliza e legitima esse conflito”.

Violência

O Brasil vive, durante o governo Bolsonaro, um cenário de escalada da violência na zona rural. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), que monitora o problema desde 1985, o número de conflitos no campo registrados no país subiu de 1.547 em 2018 para 1.903 em 2019, primeiro ano da gestão do ex-capitão do Exército.

Armas apreendidas durante operação policial no Pará, em 2019 / Thiago Gomes/Agência Pará

No intervalo entre 2019 e 2020, a comissão verificou um novo aumento, com 2.054 ocorrências notificadas. Além disso, houve pelo menos 50 assassinatos no meio rural durante o primeiro biênio do governo Bolsonaro, que também ampliou o acesso a armas de fogo no país, com regras que facilitam a aquisição e a posse desse tipo de produto.

Armas apreendidas durante operação policial no Pará, em 2019 / Thiago Gomes/Agência Pará

O tema, inclusive, também foi lembrado na postagem feita pela Secom nesta quarta, que destaca que o presidente da República “estendeu a posse de arma do proprietário rural a toda a sua propriedade”.

Para Alexandre Conceição, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), a postagem é um espelho da gestão Bolsonaro, geralmente associada aos discursos de criminalização da luta agrária e das organizações do campo. O presidente da República é um conhecido opositor do MST, por exemplo, já tendo feito diferentes acenos públicos nesse sentido.

“O 28 de julho é Dia do Agricultor, e não do atirador ou do miliciano. Então, é lamentável, mas, ao mesmo tempo, é compreensível, porque o governo que está aí é um governo miliciano, atirador e que investe em armas enquanto o país passa pela fome. Com essa imagem, ele representa o que pensa da agricultura brasileira, que é uma agricultura voltada à grilagem de terras, ao atirador, ao matador, à violência”, critica o líder do MST.  

CNDH

O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) também reagiu à postagem da Secom. O órgão oficiou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nesta quarta para manifestar preocupação e solicitar informações a respeito da propaganda. O CNDH pediu explicações sobre o porquê da utilização de uma foto com arma de fogo para representar os agricultores e estipulou cinco dias como prazo de retorno para o governo.

Após a repercussão negativa, a Secom apagou a publicação, que havia sido veiculada pela manhã nos perfis institucionais do governo no Twitter, no Facebook e no Instagram.

Na sequência, o órgão postou outro conteúdo, desta vez uma imagem com estatísticas relacionadas ao setor de agricultura. A postagem destaca concessões de títulos de terra, números do Plano Safra e também o que a gestão chamou de “invasões de terra”, conceito que a ala mais conservadora disputa com o campo progressista, onde tais práticas são tratadas como “ocupações”.

Em geral, movimentos do campo organizam ocupações como ações de cunho político-ideológico que chamam a atenção para propriedades de terra improdutivas e que geralmente estão situadas em áreas originalmente da União.

Esse tipo de prática, historicamente reconhecida como parte da cartilha de entidades populares agrárias, faz frente ao agronegócio e tem o objetivo de exercer pressão para que áreas dominadas por especuladores sejam encaminhadas para a reforma agrária, que beneficia camponeses e pequenos agricultores. A política é administrada pelo Estado por meio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

“É por causa disso que, olhando pra uma postagem como essa que o governo soltou hoje, a gente entende que é preciso manter a nossa orientação política. Ela inclui cuidar da vida, da alimentação, distribuir alimentos saudáveis como forma de solidariedade com aqueles que necessitam e seguir com a nossa luta contra o latifúndio e contra o governo Bolsonaro”, diz Alexandre Conceição.

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Qual é o real tamanho da tragédia no Brasil?

Marca de meio milhão de mortos já teria sido atingida há meses. Falta de clareza sobre o quadro real é obstáculo para políticas públicas e sustenta falsa sensação de controle da doença

Mulher reza em frente ao túmulo no cemitério Nossa Senhora Aparecida em Manaus (AFP)

Brasil, país que tem sido um caso mundial raro de acúmulo de erros no combate à Covid-19 desde o registro oficial do primeiro caso confirmado da doença, em 26 de fevereiro de 2020, até o momento. Quase 16 meses depois do paciente 1 (nas estatísticas oficiais), o país supera a trágica marca de meio milhão de mortos e quase 18 milhões de infectados confirmados, como constava no painel mundial da Jonhs Hopkins University na tarde de 18 de junho de 2021. O pior é que o cenário, alertam cientistas, é certamente mais sombrio, e o tamanho da tragédia, maior e mais alarmante.

Estudos estatísticos conduzidos por cientistas brasileiros indicam que a subnotificação atinge altos patamares, tanto de óbitos quanto de número de infectados pelo coronavírus. A falta de clareza sobre o quadro real é obstáculo para implementação mais racional de políticas públicas e muitas vezes sustenta a falsa sensação de controle da doença.

Vítimas seriam até 700 mil

O número mais realista de óbitos no Brasil hoje deve estar na casa de 700 mil, e não está afastada a possibilidade de o país chegar a um milhão de mortos até o final do ano, segundo afirmou à DW Brasil a médica infectologista Ana Luiza Bierrenbach, autora de estudo sobre a subnotificação no país.

A pesquisa conduzida por ela, conselheira técnica sênior da Vital Strategies, aponta que o Brasil tem pelo menos 30% a mais de óbitos e 60% a mais de infectados do que os números oficiais. “Na verdade, já chegamos a 500 mil mortos por volta de meados de abril”, assegura.

Divulgar apenas os casos confirmados, afirma a pesquisadora, é “muito mais confortável para governos”, no Brasil e no resto do mundo. “Existe a tendência de passar a reportar os casos confirmados e suspeitos, os prováveis, porque o dado obviamente é menor”.

Porém, para os infectologistas e epidemiologistas, acrescenta, é preciso enxergar o quadro mais realista. “O que preconizamos é passar a falar não só dos confirmados, mas incluir em nossas notificações diárias o número de casos prováveis e suspeitos. Eles precisam se tornar conhecidos”.

O estudo estatístico, que é dinâmico e atualizado diariamente, tem como base de dados o Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe), do SUS. Esse banco, cujo acesso é público, registra casos e óbitos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

“Pegamos todos esses casos de SRAS, os que eram Covid-19 e os que não tinham nenhuma etiologia, nenhum agente etiológico [causador da doença] determinado. Em 2018, 2019, os números eram bem baixinhos. Acontece um boom obviamente a partir de março de 2020, e neste boom tem muitos casos e óbitos não confirmados como Covid. Dado que não encontramos a etiologia, a única explicação possível é que seja Covid, ou então no Brasil estamos tendo uma pandemia de outro agente respiratório que desconhecemos. Só pode ser Covid”, atesta a infectologista.

‘Em nenhum momento o país controlou número de óbitos’

Além do número estarrecedor de casos letais, o imunologista Alessandro dos Santos Farias, coordenador de diagnóstico da Força-Tarefa contra a Covid-19 da Unicamp, aponta que o principal temor da classe científica é que o Brasil produza uma variante agressiva que leve o país à estaca zero. “A produção de variantes está relacionada ao número de pessoas infectadas. E nós somos o portfólio perfeito de novas variantes, de vírus replicando: temos vacinação lenta com contaminação alta”, explicou Farias, em entrevista à DW Brasil.

Para o pesquisador do Instituto de Biologia da Unicamp, que coordena um programa inovador de testagens, o número de infectados, hoje, deve ser de aproximadamente 50 milhões de pessoas, ou seja, quase três vezes maior do que as estatísticas oficiais registram. Não se pode dizer, segundo ele, que o Brasil estaria entrando numa terceira onda agora. “O Brasil é uma onda só. São picos dentro de uma mesma onda. O país, em nenhum momento, controlou o número de óbitos”.

A possibilidade de surgir uma nova variante para a qual não há cobertura vacinal, diz o pesquisador, é grande justamente pelo gigantesco número de infectados. Farias e os especialistas da Unicamp iniciam, neste mês, uma pesquisa inédita, por amostragem, que vai detectar as variantes em todas as 11 regiões do estado de São Paulo pelo PCR, de forma mais célere e mais barata, sem a necessidade de sequenciamento do vírus.

Sem perspectiva de testagem em massa

O Brasil, sustenta Alessandro Farias, não tem nenhuma perspectiva nacional para que sejam feitas testagens em massa. “A testagem de sintomáticos tem valor de diagnóstico, mas não tem valor epidemiológico. Não temos uma noção muito boa do que está acontecendo, e não temos perspectiva de testar em massa, de jeito nenhum”, diz. A Unicamp, na força-tarefa coordenada por Farias, já conseguiu testar 200 mil pessoas, o equivalente a 20% da população de Campinas. No Brasil inteiro, pontua o pesquisador, o governo federal testou apenas 135 mil pessoas. As pesquisas e aplicação de testes pela Unicamp foram financiados pelo Ministério Público do Trabalho.

Programas nacionais de testagem em massa, como fez a Alemanha, destaca o imunologista, são cruciais para manejar a abertura e fechamento de serviços e escolas, por exemplo. “A Alemanha chegou a testar 500 mil pessoas em um único dia”, exemplifica, acrescentando que o país europeu, assim como o Brasil, tem problemas com a velocidade da vacinação. No entanto, investe em testagem.

Quando a vacinação é rápida, explica Farias, o monitoramento de variantes é mais eficaz porque o índice de transmissão fica mais lento, o que não é o caso do Brasil. “Ficamos na torcida para a gente não gerar nada que nos leve a começar do zero de novo. Mas pode acontecer. Podemos ter uma variante em que os vacinados e recuperados não tenham nenhuma proteção. Começamos, aí, uma epidemia brasileira do zero. Isso é o que mais me assusta para o futuro. O presente já é sombrio: 2,7 mil mortes por dia é um World Trade Center por dia”.

A produção nacional de vacinas, pelo Instituto Butantan e Fiocruz, observa o pesquisador, é a medida mais inteligente e importante tomada no país até agora. “Acreditamos que não vamos nos livrar deste vírus nunca mais. Não sei se teremos que vacinar a população todo ano, mas vamos conviver com o vírus e precisamos monitorar. É muito importante o Brasil ter a capacidade de ele mesmo produzir vacina”.

Estimativa de subnotificação é conservadora

A médica Ana Luiza Bierrenbach explica que como o banco de dados que foi base para o estudo de subnotificação registra apenas casos graves de síndrome de angústia respiratória ou de pessoas que morreram em ambiente hospitalar ou fora, ou foram internados, certamente as estatísticas são conservadoras. Significa dizer que a subnotificação de óbitos por Covid-19, explica, é superior a 30%. “Em muitos casos leves as pessoas nem sequer procuraram fazer os testes. Essa subnotificação que conseguimos calcular é para casos graves e óbitos”.

Segundo a pesquisadora, a subnotificação certamente era maior em 2020, no início da pandemia, quando não havia testes e muitos assintomáticos nem sequer suspeitavam estar com doença. “Mais recentemente a proporção de subnotificação está diminuindo, o que é um mérito de estarmos fazendo mais diagnósticos. E mais diagnósticos oportunos. O que acontece é que pela progressão natural da doença, o vírus tem uma fase de se replicar na nasofaringe e, portanto, com um exame simples, o Swab, a gente consegue detectar. Mas depois o vírus vai para os tecidos, e a detecção do agente viral fica mais difícil”, diz, ressaltando que exame PCR, por exemplo, registra os resultados positivos se feito entre o quinto e oitavo dia da doença.

“Sempre contar casos e óbitos é importante para desenvolver e planejar políticas de saúde. Se a gente não sabe o número de casos graves, não podemos alocar leitos hospitalares, [definir] quantos são necessários dependendo da fase da doença, quantos leitos de UTI precisamos, [qual a] quantidade de oxigênio que precisaremos para não passar como crise de Manaus. Remédios, recursos humanos e hospitalares são calculados a partir de números”, enfatiza Ana Luiza Bierrenbach.

A divulgação realista e “limpa” dos números acrescenta ela, é crucial também para sensibilizar e alertar a população. “Estamos realmente diante de uma crise muito grave. Ainda precisa ficar em casa. Morrem de 2,5 mil a 3 mil pessoas por dia no Brasil, e já fazem bons meses que temos mantido esse número”. O Chile, cita a pesquisadora, serve de alerta para o Brasil de que a vacinação, se alta, pode não aplacar a tragédia.

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Venda da Eletrobras: às vésperas de votação, governo ainda não consolidou maioria

Privatização da empresa é impopular entre segmentos sociais e parte do setor produtivo

Criada em 1962, Eletrobras atua nos ramos de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica no país – Arquivo/Agência Brasil

Com previsão de votação para esta quarta-feira (16) no plenário do Senado, a proposta que retira o capital acionário da Eletrobras das mãos da União, abrindo caminho para a privatização da estatal, enfrenta um cenário movediço em meio ao jogo político da Casa.

Apresentado pelo governo Bolsonaro em fevereiro deste ano, o texto tramita como Medida Provisória (MP) 1031 e caduca na próxima terça (22).

Caso não seja votado e aprovado até lá, perderá a validade. A MP já recebeu o aval da Câmara, mas, em caso de alteração da proposta pelo Senado, precisará de uma nova análise dos deputados.

Enquanto governistas correm contra o tempo para tentar agilizar a votação, a oposição segue em vigília e busca convencer parlamentares indecisos. O grupo conta, para isso, com o coro de entidades civis que bradam contra a MP e pressionam os senadores nas suas bases estaduais.

A proposta é impopular entre setores populares especialmente porque aponta para o aumento da conta de energia no país. O temor é recorrente não só entre grupos populares e especialistas, mas também está na ponta da língua de atores do setor produtivo.

A Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), por exemplo, estima uma inflação de até 20% na conta em caso de privatização da Eletrobras. A entidade reúne mais de 50 grupos empresariais que, juntos, respondem por quase 40% do consumo industrial de energia elétrica do país. 

A estatal tem metade do capital de Itaipu Binacional, localizada entre o Brasil e o Paraguai / Caio Coronel/Itaipu

Trabalhadores da estatal também se organizam e lançaram, nesta terça (15), uma greve prevista para durar 72 horas. De acordo com o Sindicato dos Urbanitários do Distrito Federal, houve adesão de 70% da categoria ao movimento.

Outros elementos da conjuntura política ajudam a desenhar o cenário de incertezas em relação à votação da MP. Com a crise hídrica histórica que o país enfrenta e a projeção de aumento na conta de energia, a votação da proposta tende a ter a conjuntura balançada até o momento final de apreciação do texto pelo plenário do Senado.

Uma pesquisa feita pela consultoria BMJ identificou que 33 senadores seriam hoje contrários à proposta, enquanto 31 se mostram favoráveis ao texto e 17 estariam com posicionamento ainda indefinido.

O raio-x deste último grupo é de difícil detalhamento porque, no jogo legislativo, é comum que parlamentares se digam duvidosos em relação a determinadas pautas para ampliar o poder de barganha junto ao governo, de onde saem emendas, cargos e outros agrados políticos.

Outros se mostram ideologicamente avessos à ideia de venda da Eletrobras, como é o caso da oposição, grupo minoritário da Casa.

Para o analista político Leonel Cupertino, que acompanha de perto as movimentações do Congresso Nacional, apesar do curto prazo antes do vencimento da MP, o governo ainda pode obter os apoios necessários para abrir o sinal verde para o texto.

O passado recente da gestão, bem como de outros governos, com diferentes MPs aprovadas em vias de vencimento, ajudaria a fazer a projeção.

“Se os líderes partidários do Senado não chegarem a um acordo, é possível que o governo de alguma forma tente acelerar as coisas, contando com a sua base mais fiel, que não é exatamente a maioria da Casa”, pontua.

“A maioria hoje é formada por parlamentares que compõem condicionalmente o apoio ao governo, ou seja, não é aquela base consistente que vota com ele em todas as matérias, por isso é necessária uma negociação um pouco maior”, acrescenta Cupertino.

“Mas o Senado é uma casa de acordos por princípio e o acordo costuma vir, mesmo que aos 45 segundos do segundo tempo”, ressalta.

Nos bastidores, uma das possibilidades vislumbradas com o cenário diz respeito à chance de eventual votação da MP na quinta (17), o que daria à Câmara um prazo de alguns dias para articular a nova apreciação do texto.

Relatório

Governista fiel, o relator da MP, senador Marcos Rogério (DEM-RO), se articula paralelamente em conjunto com o relator da medida na Câmara, Elmar Nascimento (DEM-BA), para tentar construir um consenso que permita a rápida avaliação do texto antes do vencimento.

A estratégia passa necessariamente pelo acolhimento de emendas (pedidos de alteração no conteúdo) apresentadas pelos parlamentares. Ao todo, a MP recebeu 582 sugestões dessa natureza. Segundo afirmou Elmar nesta terça, a maior parte dos pedidos será aproveitada.

“Neste momento, o esforço é em ouvir o conjunto dos senadores, colher as suas sugestões, as suas emendas para formar um relatório que represente um ponto mínimo de convergência”, reforçou Marcos Rogério, ao mencionar que pretende conservar a essência do texto chancelado anteriormente pela Câmara.

Em outra ponta da teia de atores que orbitam em torno da Eletrobras, o mercado também reage ao tema. A estatal obteve lucro líquido de R$ 1,6 bilhão no primeiro trimestre deste ano, o que faz com que a companhia seja cortejada por empresas estrangeiras interessadas em avançar sobre a exploração do serviço de energia no país, que vive um cenário de privatizações no setor desde as últimas décadas.

 “Há uma pressão muito violenta no mercado, até porque não estão privatizando uma empresa qualquer. É um ativo estratégico, lucrativo. Aliás, nenhuma das empresas que estão em processo de privatização é deficitária – nem mesmo os Correios, que vêm sendo sucateados há algum tempo –, por isso o mercado faz uma pressão violenta. Acredito que por isso eles podem conseguir votar mesmo a MP esta semana”, avalia o analista político Marcos Verlaine, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

Em uma via política, há, entre os parlamentares, os que acreditam que uma eventual derrota do texto da MP no plenário do Senado possa representar um amargo sinalizador para a gestão Bolsonaro. Foi o que sugeriu na terça (15) a senadora Simone Tebet (MDB-MS), em entrevista ao portal Poder 360. Ela pontuou, no entanto, que acredita que o governo consegue fazer a MP avançar no Senado.

“Eu acho que por muito pouco, mas eu acho que o governo é capaz de conseguir, porque agora é o tudo ou o nada. O governo não tem saída. Ele aprova nem que seja à base de ouro essa medida provisória porque ele sabe que pode ser o início do fim do governo”, disse a emedebista, afirmando ainda que a MP “desagrada todo mundo”.

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Veneno na merenda e êxodo rural: assentado critica mudança no Pnae aprovada na Câmara

PL 3292/20, que depende de apreciação do Senado, tira prioridade de sem-terra, quilombolas e indígenas como fornecedores

 Regra do PNAE que garante alimentos agroecológicos na merenda escolar está em risco – Foto: Arnaldo Alves/AEN

“Hoje o Pnae [Programa Nacional de Alimentação Escolar] é a nossa principal fonte de renda. “Sem contar que, tendo o programa aqui, muita gente da cidade vem comprar [alimentos]. Então, o pessoal não produz só para a merenda: produz para comer e fornece para a vizinhança. Então, sem o Pnae, o pessoal pararia de produzir.”

O relato de Carlos Finkler, assentado desde 1999 na Lapa (PR), a 70 km de Curitiba (PR), reflete a angústia de milhares de agricultores brasileiros com o avanço do Projeto de Lei (PL) 3292/20.

Aprovado na Câmara dos Deputados na noite de quinta-feira (6), o PL muda as regras de aquisição de alimentos para merenda escolar, retirando a prioridade de assentados da reforma agrária, quilombolas, indígenas e ribeirinhos.

Organizações da sociedade civil publicaram uma nota pública e lançaram uma petição contra as alterações no programa em março. Até o momento, 28 mil pessoas já assinaram o texto.

“O PL 3.292 alija ainda mais estes povos do acesso aos mercados, pois os obriga a disputar com produtores já mais estruturados, excluindo-os do processo de fornecimento ao Pnae em suas localidades. Isso representa um retrocesso do ponto de vista da garantia de direitos destes povos, que já vêm perdendo direitos territoriais e acesso a políticas públicas”, diz um trecho da nota.

A importância do Pnae

No Assentamento Contestado, onde vive Finkler, 70 famílias recebem R$ 20 mil por ano do Estado para fornecer alimentos para a merenda escolar por meio da Cooperativa Terra Livre, ligada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

“Se contar todos os sócios da cooperativa que não moram no assentamento, são mais de 200 famílias que recebem esse valor anual”, observa o assentado.

Assentados produzem alimentos sem veneno na Lapa / Wellington Lenon / MST

O projeto é de autoria do deputado Vitor Hugo (PSL-GO), ex-líder do governo na Câmara e apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

A determinação de que 30% dos alimentos da merenda sejam oriundos da agricultura familiar foi mantida. Para entrar em vigor, o texto depende da apreciação do Senado.

“Nosso pessoal entrega para o Pnae produtos orgânicos. São mais de 30 itens, entre hortaliças, folhosos, tubérculos, frutas, citros. Em torno de 20, 30 toneladas a cada quinze dias. Nada de agrotóxico, nem adubo químico industrial”, ressalta Finkler.

“O Pnae beneficia nós, aqui do campo, e beneficia as famílias [da área urbana] que estão em situação de vulnerabilidade, principalmente nesse período de pandemia”, completa.

Doação de alimentos da reforma agrária no Paraná / Wellington Lenon / MST

Aos 62 anos, o assentado não tem dúvidas dos objetivos do PL.

“É para enfraquecer a luta da reforma agrária, a luta da agroecologia, e para beneficiar o agronegócio. Se eles tirarem de nós a prioridade, as crianças da cidade vão comer produtos do agronegócio, a base de soja, alimentação contaminada de agrotóxicos”, alerta.

Efeitos colaterais

Carlos Finkler teme que a aprovação do projeto no Senado agrave ainda mais o êxodo rural no Brasil. Entre 1963 e 2013, o fluxo de brasileiros do campo para a cidade cresceu 45,3%.

“Nos últimos 170 anos, a prioridade que o Estado deu ao agronegócio quebrou os camponeses. Os resultados estão aí: as favelas cresceram no país afora, a violência não para de crescer na periferia. Mesmo a covid-19, nós podemos ver que mata mais na cidade do que no campo, porque aqui tem mais espaço, é possível manter distanciamento”, finaliza.

Segundo dados divulgados em outubro pela Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) e pelo Fórum Brasileiro pela Soberania e Segurança Alimentar (FBSSAN), as compras de alimentos da agricultura familiar pelo Pnae caíram 44% na pandemia.

Mesmo antes da crise sanitária e do fechamento das escolas, as comunidades rurais já sentiam no bolso os efeitos do governo Bolsonaro. Com queda de 95% em 8 anos, a aquisição de alimentos pelo Estado caiu de 297 mil toneladas em 2012 para 14 mil em 2019.

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Brasil supera 410 mil vítimas da covid; foram registradas 2.966 mortes em 24 horas

Tanto o número de vítimas como de infectados registrados nesta terça-feira está acima das médias móveis

Na última semana, após governadores e prefeitos começarem a flexibilizar o distanciamento, o número de casos voltou a subir – Agência Belém

Na última semana, após governadores e prefeitos começarem a flexibilizar o distanciamento, o número de casos voltou a subir – Agência Belém

O Brasil registrou hoje (4) mais um dia com número elevado de mortos por covid em um período de 24 horas, com 2.966 vítimas oficialmente notificadas.

Desde o início da pandemia, são 411.588 mortes. Em relação ao número de novos casos, foram 77.359 infectados, totalizando 14.856.888, também desde o começo do surto, em março de 2020.

Tanto o número de vítimas como de infectados registrados nesta terça-feira está acima das respectivas médias móveis. A média de mortes está em 2.397 a cada um dos últimos sete dias e de casos, 59.332.

A elevação nos infectados preocupa, já que estados e municípios passaram a suspender medidas protetivas de isolamento social com a estabilidade nos dados, registrada nas últimas três semanas.

Após intensificação do isolamento social em março, o número de casos passou a cair ligeiramente a cada semana. Desde o dia 27 de março, foram quatro semanas de queda. Então, o Imperial College de Londres chegou a afirmar que a transmissão no Brasil estava em tendência de queda. Já a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificou tendência de estabilidade em um período de pico.

Receita para o caos

Entretanto, na última semana, após governadores e prefeitos começarem a flexibilizar o distanciamento, o número de casos voltou a subir. Foram 417.760 no período, frente a 408.124 na anterior.

“De novo, especialistas avisando que, abrindo neste ritmo e no momento em que estamos é a receita para outra onda de casos. Estamos naturalizando 2 a 3 mil mortes por dia. Mas esse teto não existe”, alerta o biólogo e divulgador científico Atila Iamarino.

A RBA utiliza informações fornecidas pelas secretarias estaduais, por meio do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).

Eventualmente, elas podem divergir do informado pelo consórcio da imprensa comercial. Isso em função do horário em que os dados são repassados pelos estados aos veículos. As divergências, para mais ou para menos, são sempre ajustadas após a atualização dos dados.

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Sob protestos, Câmara aprova urgência para privatização dos Correios

PL foi apresentado por Bolsonaro em fevereiro e converte a estatal em sociedade de economia mista

Com PL do governo Bolsonaro, Correios deixam de ter 100% de controle público e passam a ser empresa de economia mista – Marcelo Casall Jr / Agência Brasil

A Câmara dos Deputados aprovou, sob intensos protestos, a tramitação de urgência do Projeto de Lei (PL) 591/2021, que abre caminho para a privatização dos Correios.

De autoria do governo Bolsonaro, o pedido foi avaliado nesta terça (20) pelos parlamentares e recebeu 280 votos favoráveis e 165 contrários à medida.

Com a decisão, a proposta agora pode ser votada diretamente no plenário, sem necessidade de apreciação pelas comissões legislativas. Ainda não há data para a análise do mérito do texto.

Do ponto de vista do conteúdo, o PL libera o Poder Executivo para converter a estatal, que hoje está 100% nas mãos do poder público, em uma sociedade de economia mista.

O projeto foi apresentado pessoalmente pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao Congresso em fevereiro deste ano e conta com ampla rejeição de setores populares.

Na sessão desta terça, votaram pela urgência as siglas PSL, PL, PP, PSD, PSDB, Republicanos, DEM, Pros, PSC, PTB, Podemos, Novo, Cidadania. Os partidos PV e Solidariedade liberarem as bancadas para voto livre, enquanto PT, MDB, PSB, PDT, PSOL, PCdoB e Rede foram contrários à medida.

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Brasil registra 1.910 mortes em 24 horas e se torna epicentro mundial da pandemia

Este é o pior momento desde o início da crise sanitária; epidemiologistas alertam que próximas semanas serão trágicas

“O Brasil governado pelo genocida passa a ser, a partir de hoje, o país com maior número de novos casos de covid no mundo. Ultrapassamos os EUA, Bolsonaro. Tá feliz?”, questiona o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha – Foto: Getty Images

O Brasil registrou 1.910 mortos por covid-19 nesta quarta-feira (3), o mais alto número de óbitos oficialmente notificados desde o início do surto, em março passado. O balanço do dia divulgado pelo Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) reafirma o pior momento da pandemia no país.

Já são 259.271 mortos. Em relação ao número de novos casos, foram 71.704 no último período, também um dos dias com mais notificações de novos contaminados. Ao todo, 10.718.630 brasileiros já foram infectados pelo novo coronavírus. E o cenário está se agravando com velocidade.

Hoje, o Brasil é o epicentro da covid-19 no planeta. Enquanto o resto do festeja o recuo nos números de casos e mortes há cerca de seis semanas consecutivas, o Brasil vive desde o fim de novembro a situação oposta.

Aglomerações de fim de ano e também no Carnaval contribuíram decisivamente para o descontrole de agora. De acordo com especialistas, a tragédia tende a se manter e até mesmo se ampliar nas próximas duas semanas, pelo menos.

Além do surto de novos casos, sem contar a subnotificação, o país segue testando pouco a população. Esses fatores somados levam entidades e cientistas a afirmarem que a tragédia brasileira é seguramente maior do que mostram os dados oficiais.

Epicentro

Também hoje, um dos maiores epidemiologistas dos Estados Unidos, Anthony Fauci, falou sobre o Brasil, em entrevista para a GloboNews. “É uma situação muito difícil que o Brasil vive. Mesmo com o vírus comum a situação já era difícil com grande disseminação. A melhor saída é vacinar o quanto antes o maior número de brasileiros. Ficaria feliz de conversar com autoridades brasileiras para ajudar, para ver quais possibilidades existem”, disse.

Desde o início do ano, os Estados Unidos reduzem casos e mortes, após a saída de Donald Trump do cargo de presidente. Seu sucessor, o democrata Joe Biden, adotou planos severos de combate ao vírus, como o isolamento social, além de metas ousadas de vacinação.

Com 3 milhões de doses aplicadas por dia, os norte-americanos possuem meta de vacinação de todos os adultos até o fim de maio.

Por sua vez, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, voltou a confirmar sua posição negacionista, ao tentar transferir culpa para a imprensa sobre a maior crise sanitária em mais de um século.

“Criaram o pânico, né? O problema tá aí, lamentamos, mas você não pode viver em pânico. Que nem a política, de novo, do ‘fica em casa’. O pessoal vai morrer de fome, de depressão”, disse, nesta quarta (3).

Genocida

Para o deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), são necessárias ações urgentes para tentar evitar uma tragédia ainda maior. Ele critica a postura do governo federal.

“O Brasil governado pelo genocida passa a ser, a partir de hoje, o país com maior número de novos casos de covid no mundo. Ultrapassamos os EUA, Bolsonaro. Tá feliz? Demoramos 11 meses para chegar a 200 mil mortes confirmadas. Dia 7 de janeiro. Demoramos menos de 50 dias para termos mais 50 mil mortos. Quem não percebeu que estamos em franca expansão da pandemia não vive no Brasil que vivemos”, disse.

“Ou percebemos a gravidade, ouvimos mais a ciência, os médicos, profissionais de saúde, ou não estamos percebendo a gravidade. Manaus colocou por terra a teoria de que a pandemia seria controlada pela imunidade de rebanho. Ouvimos isso demais. Temos todos os estados com pressão sobre o sistema de saúde”, completou o parlamentar, que é médico e ex-ministro da Saúde.

Agravamento

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou na última terça-feira (2) um boletim que evidencia o mais grave momento da pandemia até então, com tendência de piora do quadro em todo o território nacional.

“Pela primeira vez desde o início da pandemia, verifica-se em todo o país o agravamento simultâneo de diversos indicadores, como o crescimento do número de casos e de óbitos, a manutenção de níveis altos de incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), a alta positividade de testes e a sobrecarga dos hospitais. No momento, 19 unidades da Federação apresentam taxas de ocupação de leitos de UTI acima de 80%”, afirma.

Vacinação

O Brasil segue com um futuro incerto sobre o avanço na velocidade da vacinação contra a covid. O dia foi repleto de notícias trágicas sobre a covid-19 por todo o país.

Em Santa Catarina, mais de 250 pessoas aguardam um leito de UTI, com o sistema de Saúde em colapso; ao menos 35 pessoas morreram no estado sem atendimento médico.

Em Rondônia, 100% dos leitos ocupados há 37 dias e um aumento de 86% no número de sepultamentos em fevereiro, em comparação com janeiro.

Em Porto Alegre, mais de uma semana de colapso e câmaras frigoríficas ao lado de hospitais para abrigar corpos que se amontoam. E isso em bairros nobres, como o Moinhos de Vento.

São esperadas 400 mil doses da vacina russa Sputnik V em março. A cidade de São Paulo, por meio da prefeitura municipal, negocia 5 milhões de doses da vacina da Jansen (Johnson & Johnson), que tem eficácia comprovada e é aplicada em apenas uma dose. As iniciativas locais e a pressão da sociedade forçaram o governo a abrir negociação de mais imunizantes.

O ministério da Saúde anunciou acordo para a compra de 100 milhões de doses da Pfizer que devem ser entregues ao longo do ano. O contrato está em redação. É a única vacina com registro definitivo na Anvisa.

Também existem negociações em andamento sobre as vacinas da Jansen. “Com 7 meses de atraso, governo federal, enfim, decide comprar vacinas da Pfizer. Um dia após a Câmara aprovar projeto que autoriza compra direta por estados e municípios. Coincidência? Nada disso. Bolsonaro funciona na base da pressão!”, disse o deputado federal José Guimarães (PT-CE).

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Notícias

Brasil bate novo recorde de mortes por covid: 1.641 nas últimas 24h

País chega à maior média móvel de mortes pelo novo coronavírus de todo o surto; Bolsonaro segue atrapalhando a vacinação

O país também passa pela maior média de mortes, calculada em sete dias, de todo o histórico do surto. Esse número está em 1.262 vítimas por dia – Foto: Reprodução/Prefeitura de Penedo

O Brasil segue em escalada de casos e mortes por covid-19. Esta terça-feira (2) foi o dia com mais mortos desde o início da pandemia, em março do ano passado. Foram mais 1.641 vítimas em um período de 24 horas – ultrapassando a média de mais de uma pessoa morta a cada minuto.

No total, já são 257.361 vítimas do novo coronavírus em um ano. O país também passa pela maior média de mortes, calculada em sete dias, de todo o histórico do surto: 1.262 óbitos por dia. As informações são do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).

Em relação ao número de novos casos, foram 55.925 no último período, levando o Brasil a somar 10.646.926 contaminações oficialmente notificadas.

Enquanto isso a vacinação caminha com lentidão. São cerca de 8,5 milhões de doses já aplicadas, mas apenas 0,9% dos brasileiros estão totalmente imunizados por terem recebido as duas doses necessárias, seja da CoronaVac, seja da Oxford-AstraZeneca.

Vacinas

Na noite desta segunda-feira (1), o presidente Jair Bolsonaro vetou trechos de uma Medida Provisória apresentada pelo Congresso para facilitar a compra e distribuição de vacinas. Com isso, ele barrou as principais iniciativas desenhados para ampliar a proteção dos brasileiros.

Entre eles, derrubou a autorização para que estados e municípios adotassem medidas para garantir a vacinação dos cidadãos, em caso de omissão do governo federal.

Também vetou o prazo de cinco dias para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorize a utilização de um imunizante que já tenha aprovação nos principais países do mundo, como Estados Unidos, União Europeia, China e Rússia.

As ações de Bolsonaro no sentido de dificultar o acesso às vacinas ainda podem ser revertidas. O texto deve retornar ao Congresso, que deve, por sua vez, derrubar o veto presidencial, já que a MP havia sido aprovada por unanimidade.

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), lamentou a decisão de Bolsonaro. O governador visitou hoje instalações da União Química no Distrito Federal, acompanhado de outros governadores.

Existe uma expectativa de que a farmacêutica produza 8 milhões de doses da vacina russa Sputnik V, em parceria com o laboratório Gamaleya.

“O cronograma de produção da Sputnik é para o início do mês de abril, com expectativa de 8 milhões de doses produzidas. Se o Ministério da Saúde compra essa produção, ótimo. Caso contrário, os estados também, mediante a apresentação de um cronograma, podemos firmar um contrato de opções de compra para todo o Brasil”, disse Dias.

Como vigora uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que garante autonomia dos governadores e prefeitos para que negociem vacinas, a articulação dos chefes de Executivo regionais por mais vacinas deve continuar.

Tragédia anunciada

O país vive uma situação de colapso do sistema de saúde em muitas cidades em diferentes estados. “O Brasil adotou uma estratégia genocida”, nas palavras do biólogo e divulgador científico Atila Iamarino, em entrevista para a BBC Brasil sobre a covid.

Já em suas redes sociais, o cientista lamenta que o cenário deve piorar no futuro próximo. “Tivemos 250 mil mortes até aqui, geramos a variante que mais preocupa o mundo inteiro e ainda temos semanas terríveis pela frente. E não temos campanha nacional de combate à covid-19”, disse.

Já sobre a lentidão na vacinação, Atila também aponta para a falta de ações do governo Bolsonaro. “São as consequências de não termos outros acordos. Butantan e Fiocruz estão produzindo as doses dentro da agenda. Ficamos o ano passado inteiro de braços cruzados e agora não temos outros fabricantes entregando. E 2022 pode ser o ano de ver vários países abrindo e nós, trancados.”

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Balanço: a combinação fatal que levou o Brasil ao pior momento da pandemia

Minimização dos riscos, má gestão política e abandono de medidas de proteção fazem país acumular mais de 250 mil mortes

Sepultamento de indígenas em Manaus (AM), cidade que está hoje na “fase vermelha” da pandemia; o estado, Amazonas, teve 1.572 novos casos de covid entre quinta (25) e sexta (26) e 56 mortes – Paulo Desana/Dabakuri/Amazônia Real

O Brasil completou, nesta semana, um ano de pandemia, ao mesmo tempo em que ultrapassou a trágica marca dos mais de 250 mil mortos pela covid-19, atingida na última quarta (24). Enquanto os números de infecções e óbitos se multiplicam numa proporção geométrica, o país acumula, ao final deste período, uma série de outros problemas que se somam à estatística dos mais de 10,3 milhões de contaminados.

Covid na semana

O conjunto envolve, por exemplo, carência de leitos de UTI em diferentes estados, falta de vacina para sair do ritmo lento de imunização – apenas 3% da população foram vacinados – e dificuldade de manutenção massiva dos hábitos de prevenção. 

Nas últimas terça (23) e quarta (24), por exemplo, a taxa de isolamento social teve média de 32%. É o menor índice já registrado em um mesmo dia desde meados de março de 2020, quando a pandemia começou a se alastrar. Mensurado a partir da localização de GPS de 60 milhões de celulares no país, o dado é da startup In Loco.

Pensado a partir de referenciais sanitários e científicos, o isolamento social é considerado medida fundamental para a contenção do vírus. A médica de família Nathalia Neiva Santos, da Rede de Médicas e Médicos Populares, explica que o abandono desse hábito pode ser considerado fatal.

“Quanto mais pessoas circulando, maior é a transmissão desse vírus, e maior também é a possibilidade, como a gente tem visto, de se ter novas variantes, porque o vírus muda com muita frequência. É um vírus com grande capacidade de adaptação ao meio”.

Como consequência da baixa taxa de isolamento, a transmissão da covid no Brasil também chama a atenção. Segundo boletim do Imperial College, no Reino Unido, o índice estava em 1,02, o que significa que 100 pessoas contaminadas transmitem a doença para 102 pessoas que ainda não têm o vírus.

A marca vem combinada com uma série de outros elementos que circundam o cenário da pandemia no país. Já são, por exemplo, 37 dias consecutivos com número diário de óbitos acima de mil. É o intervalo mais longo com essa característica desde a chegada do novo coronavírus. O recorde anterior havia sido alcançado entre julho e agosto, quando o Brasil viveu 31 dias seguidos dentro desse patamar de mortes. 

Com ritmo lento de imunização contra a covid, Brasil completa um ano de pandemia tendo imunizado apenas 3% da população / Rovena Rosa/Agência Brasil

Paralelamente, gestores estaduais e municipais retornam à prática do lockdown ou de medidas semelhantes, ao mesmo tempo em que convivem com a realidade do governo federal, com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) incentivando aglomerações e fazendo apelos permanentes pelo fim das medidas restritivas.

“É uma rede de fatores que interferiram pra gente chegar nesta má gestão da pandemia, que é uma das piores do mundo. A gente sabe que o sistema de saúde vinha passando por um processo crônico de desfinanciamento, com redução de leitos de UTI, e a gente chega neste momento em que não tem leito para todos”, ressalta Nathalia Neiva Santos.

A menção da médica encontra referência nos números. Em 2019, por exemplo, primeiro ano da gestão Bolsonaro e ano anterior ao da pandemia, a área da saúde perdeu R$ 20 bilhões. A redução é consequência direta do Teto de Gastos, aprovado em 2016 com previsão de enxugamento das despesas sociais durante 20 anos.

Com um ano da chegada do novo coronavírus ao território nacional, Brasil acumula mais 10,3 milhões de casos de contaminação pela covid-19 / Itamar Crispim/Fiocruz

A política vem sendo mantida pela gestão Bolsonaro, que, em novembro de 2020, nove meses depois da chegada oficial do coronavírus ao país, não havia executado cerca de R$ 5,6 bilhões previstos para a contenção da pandemia naquele ano. A denúncia partiu do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que vem fazendo seguidos alertas e pedindo a queda do ajuste fiscal.

“Por isso o que a gente precisa neste momento é aumentar os investimentos em saúde. São varias estruturas que precisam receber mais recursos como medicações eficazes, sedativos, que estão em falta, etc. Sem esses recursos, se fortalece ainda mais o caos”, afirma Nathalia Santos.

O Brasil no mundo

Ao final desta jornada de um ano da pandemia em terras nacionais, a médica compara ainda a situação do Brasil com a do mundo. Uma pesquisa do Lowy Institute, da Austrália, apontou o país como o pior em termos de gestão da pandemia. A conclusão vem após a análise de seis critérios, como número de infecções e mortes e capacidade de contenção do vírus. Ao todo, o levantamento estudou a situação de quase 100 países.

Para a profissional da Rede de Médicas e Médicos Populares, é inevitável falar do comportamento do presidente da República e seus aliados. Ela destaca a minimização da pandemia, o desestímulo às medidas de proteção, a falta de um lockdown federal e ainda os conflitos entre Bolsonaro e governadores por conta das divergências sobre as medidas de contenção.

“O que chama mais atenção não é nem como não se operou um sistema de saúde pra conduzir a pandemia, mas como o comportamento de determinados gestores foi muito mais favorável à explosão dos casos e da má condução. Isso chama atenção porque é [algo] do nível de responsabilidades, de crime mesmo”.

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Bancários do Banco do Brasil de Juazeiro e região aprovam em assembleia Estado de Greve com paralisação no dia 10 de fevereiro

O objetivo é ampliar a mobilização contra a reestruturação do BB, planejada pelo governo Bolsonaro e a direção da empresa. O plano é desmontar o banco por completo, com o desligamento de 5 mil empregados, descomissionamento, além do fechamento de 361 unidades (112 agências e 242 postos de atendimento).

Foto: Divulgação

Bancários de Juazeiro e Região aprovaram durante assembleia realizada nesta sexta-feira (05), Estado de greve e paralisação no dia 10 de fevereiro. A votação foi on-line e ocorreu das 8h às 18h e 100% dos Bancários que participaram da assembleia votaram a favor do estado de greve.

O objetivo é ampliar a mobilização contra a reestruturação do BB, planejada pelo governo Bolsonaro e a direção da empresa. O plano é desmontar o banco por completo, com o desligamento de 5 mil empregados, descomissionamento, além do fechamento de 361 unidades (112 agências e 242 postos de atendimento).

Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Juazeiro e região, Maribaldes da Purificação é o momento de ir à luta e garantir os direitos da categoria “ É um absurdo todo esse plano de reestruturação do Banco do Brasil. Estamos lidando com vidas, e todo esse plano irá prejudicar esses trabalhadores que irão ser desligados. Além de todo retrocesso para a população, especialmente porque há cidades que só têm uma agência para atender a todos. E, geralmente, é a do Banco do Brasil. Por isso, não aceitaremos e faremos nosso movimento contra essa reestruturação”, disse. As informações são da Ascom SEEB/Juazeiro Bahia.