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Brasil registra 1.910 mortes em 24 horas e se torna epicentro mundial da pandemia

Este é o pior momento desde o início da crise sanitária; epidemiologistas alertam que próximas semanas serão trágicas

“O Brasil governado pelo genocida passa a ser, a partir de hoje, o país com maior número de novos casos de covid no mundo. Ultrapassamos os EUA, Bolsonaro. Tá feliz?”, questiona o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha – Foto: Getty Images

O Brasil registrou 1.910 mortos por covid-19 nesta quarta-feira (3), o mais alto número de óbitos oficialmente notificados desde o início do surto, em março passado. O balanço do dia divulgado pelo Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) reafirma o pior momento da pandemia no país.

Já são 259.271 mortos. Em relação ao número de novos casos, foram 71.704 no último período, também um dos dias com mais notificações de novos contaminados. Ao todo, 10.718.630 brasileiros já foram infectados pelo novo coronavírus. E o cenário está se agravando com velocidade.

Hoje, o Brasil é o epicentro da covid-19 no planeta. Enquanto o resto do festeja o recuo nos números de casos e mortes há cerca de seis semanas consecutivas, o Brasil vive desde o fim de novembro a situação oposta.

Aglomerações de fim de ano e também no Carnaval contribuíram decisivamente para o descontrole de agora. De acordo com especialistas, a tragédia tende a se manter e até mesmo se ampliar nas próximas duas semanas, pelo menos.

Além do surto de novos casos, sem contar a subnotificação, o país segue testando pouco a população. Esses fatores somados levam entidades e cientistas a afirmarem que a tragédia brasileira é seguramente maior do que mostram os dados oficiais.

Epicentro

Também hoje, um dos maiores epidemiologistas dos Estados Unidos, Anthony Fauci, falou sobre o Brasil, em entrevista para a GloboNews. “É uma situação muito difícil que o Brasil vive. Mesmo com o vírus comum a situação já era difícil com grande disseminação. A melhor saída é vacinar o quanto antes o maior número de brasileiros. Ficaria feliz de conversar com autoridades brasileiras para ajudar, para ver quais possibilidades existem”, disse.

Desde o início do ano, os Estados Unidos reduzem casos e mortes, após a saída de Donald Trump do cargo de presidente. Seu sucessor, o democrata Joe Biden, adotou planos severos de combate ao vírus, como o isolamento social, além de metas ousadas de vacinação.

Com 3 milhões de doses aplicadas por dia, os norte-americanos possuem meta de vacinação de todos os adultos até o fim de maio.

Por sua vez, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, voltou a confirmar sua posição negacionista, ao tentar transferir culpa para a imprensa sobre a maior crise sanitária em mais de um século.

“Criaram o pânico, né? O problema tá aí, lamentamos, mas você não pode viver em pânico. Que nem a política, de novo, do ‘fica em casa’. O pessoal vai morrer de fome, de depressão”, disse, nesta quarta (3).

Genocida

Para o deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), são necessárias ações urgentes para tentar evitar uma tragédia ainda maior. Ele critica a postura do governo federal.

“O Brasil governado pelo genocida passa a ser, a partir de hoje, o país com maior número de novos casos de covid no mundo. Ultrapassamos os EUA, Bolsonaro. Tá feliz? Demoramos 11 meses para chegar a 200 mil mortes confirmadas. Dia 7 de janeiro. Demoramos menos de 50 dias para termos mais 50 mil mortos. Quem não percebeu que estamos em franca expansão da pandemia não vive no Brasil que vivemos”, disse.

“Ou percebemos a gravidade, ouvimos mais a ciência, os médicos, profissionais de saúde, ou não estamos percebendo a gravidade. Manaus colocou por terra a teoria de que a pandemia seria controlada pela imunidade de rebanho. Ouvimos isso demais. Temos todos os estados com pressão sobre o sistema de saúde”, completou o parlamentar, que é médico e ex-ministro da Saúde.

Agravamento

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou na última terça-feira (2) um boletim que evidencia o mais grave momento da pandemia até então, com tendência de piora do quadro em todo o território nacional.

“Pela primeira vez desde o início da pandemia, verifica-se em todo o país o agravamento simultâneo de diversos indicadores, como o crescimento do número de casos e de óbitos, a manutenção de níveis altos de incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), a alta positividade de testes e a sobrecarga dos hospitais. No momento, 19 unidades da Federação apresentam taxas de ocupação de leitos de UTI acima de 80%”, afirma.

Vacinação

O Brasil segue com um futuro incerto sobre o avanço na velocidade da vacinação contra a covid. O dia foi repleto de notícias trágicas sobre a covid-19 por todo o país.

Em Santa Catarina, mais de 250 pessoas aguardam um leito de UTI, com o sistema de Saúde em colapso; ao menos 35 pessoas morreram no estado sem atendimento médico.

Em Rondônia, 100% dos leitos ocupados há 37 dias e um aumento de 86% no número de sepultamentos em fevereiro, em comparação com janeiro.

Em Porto Alegre, mais de uma semana de colapso e câmaras frigoríficas ao lado de hospitais para abrigar corpos que se amontoam. E isso em bairros nobres, como o Moinhos de Vento.

São esperadas 400 mil doses da vacina russa Sputnik V em março. A cidade de São Paulo, por meio da prefeitura municipal, negocia 5 milhões de doses da vacina da Jansen (Johnson & Johnson), que tem eficácia comprovada e é aplicada em apenas uma dose. As iniciativas locais e a pressão da sociedade forçaram o governo a abrir negociação de mais imunizantes.

O ministério da Saúde anunciou acordo para a compra de 100 milhões de doses da Pfizer que devem ser entregues ao longo do ano. O contrato está em redação. É a única vacina com registro definitivo na Anvisa.

Também existem negociações em andamento sobre as vacinas da Jansen. “Com 7 meses de atraso, governo federal, enfim, decide comprar vacinas da Pfizer. Um dia após a Câmara aprovar projeto que autoriza compra direta por estados e municípios. Coincidência? Nada disso. Bolsonaro funciona na base da pressão!”, disse o deputado federal José Guimarães (PT-CE).

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Brasil bate novo recorde de mortes por covid: 1.641 nas últimas 24h

País chega à maior média móvel de mortes pelo novo coronavírus de todo o surto; Bolsonaro segue atrapalhando a vacinação

O país também passa pela maior média de mortes, calculada em sete dias, de todo o histórico do surto. Esse número está em 1.262 vítimas por dia – Foto: Reprodução/Prefeitura de Penedo

O Brasil segue em escalada de casos e mortes por covid-19. Esta terça-feira (2) foi o dia com mais mortos desde o início da pandemia, em março do ano passado. Foram mais 1.641 vítimas em um período de 24 horas – ultrapassando a média de mais de uma pessoa morta a cada minuto.

No total, já são 257.361 vítimas do novo coronavírus em um ano. O país também passa pela maior média de mortes, calculada em sete dias, de todo o histórico do surto: 1.262 óbitos por dia. As informações são do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).

Em relação ao número de novos casos, foram 55.925 no último período, levando o Brasil a somar 10.646.926 contaminações oficialmente notificadas.

Enquanto isso a vacinação caminha com lentidão. São cerca de 8,5 milhões de doses já aplicadas, mas apenas 0,9% dos brasileiros estão totalmente imunizados por terem recebido as duas doses necessárias, seja da CoronaVac, seja da Oxford-AstraZeneca.

Vacinas

Na noite desta segunda-feira (1), o presidente Jair Bolsonaro vetou trechos de uma Medida Provisória apresentada pelo Congresso para facilitar a compra e distribuição de vacinas. Com isso, ele barrou as principais iniciativas desenhados para ampliar a proteção dos brasileiros.

Entre eles, derrubou a autorização para que estados e municípios adotassem medidas para garantir a vacinação dos cidadãos, em caso de omissão do governo federal.

Também vetou o prazo de cinco dias para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorize a utilização de um imunizante que já tenha aprovação nos principais países do mundo, como Estados Unidos, União Europeia, China e Rússia.

As ações de Bolsonaro no sentido de dificultar o acesso às vacinas ainda podem ser revertidas. O texto deve retornar ao Congresso, que deve, por sua vez, derrubar o veto presidencial, já que a MP havia sido aprovada por unanimidade.

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), lamentou a decisão de Bolsonaro. O governador visitou hoje instalações da União Química no Distrito Federal, acompanhado de outros governadores.

Existe uma expectativa de que a farmacêutica produza 8 milhões de doses da vacina russa Sputnik V, em parceria com o laboratório Gamaleya.

“O cronograma de produção da Sputnik é para o início do mês de abril, com expectativa de 8 milhões de doses produzidas. Se o Ministério da Saúde compra essa produção, ótimo. Caso contrário, os estados também, mediante a apresentação de um cronograma, podemos firmar um contrato de opções de compra para todo o Brasil”, disse Dias.

Como vigora uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que garante autonomia dos governadores e prefeitos para que negociem vacinas, a articulação dos chefes de Executivo regionais por mais vacinas deve continuar.

Tragédia anunciada

O país vive uma situação de colapso do sistema de saúde em muitas cidades em diferentes estados. “O Brasil adotou uma estratégia genocida”, nas palavras do biólogo e divulgador científico Atila Iamarino, em entrevista para a BBC Brasil sobre a covid.

Já em suas redes sociais, o cientista lamenta que o cenário deve piorar no futuro próximo. “Tivemos 250 mil mortes até aqui, geramos a variante que mais preocupa o mundo inteiro e ainda temos semanas terríveis pela frente. E não temos campanha nacional de combate à covid-19”, disse.

Já sobre a lentidão na vacinação, Atila também aponta para a falta de ações do governo Bolsonaro. “São as consequências de não termos outros acordos. Butantan e Fiocruz estão produzindo as doses dentro da agenda. Ficamos o ano passado inteiro de braços cruzados e agora não temos outros fabricantes entregando. E 2022 pode ser o ano de ver vários países abrindo e nós, trancados.”

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Balanço: a combinação fatal que levou o Brasil ao pior momento da pandemia

Minimização dos riscos, má gestão política e abandono de medidas de proteção fazem país acumular mais de 250 mil mortes

Sepultamento de indígenas em Manaus (AM), cidade que está hoje na “fase vermelha” da pandemia; o estado, Amazonas, teve 1.572 novos casos de covid entre quinta (25) e sexta (26) e 56 mortes – Paulo Desana/Dabakuri/Amazônia Real

O Brasil completou, nesta semana, um ano de pandemia, ao mesmo tempo em que ultrapassou a trágica marca dos mais de 250 mil mortos pela covid-19, atingida na última quarta (24). Enquanto os números de infecções e óbitos se multiplicam numa proporção geométrica, o país acumula, ao final deste período, uma série de outros problemas que se somam à estatística dos mais de 10,3 milhões de contaminados.

Covid na semana

O conjunto envolve, por exemplo, carência de leitos de UTI em diferentes estados, falta de vacina para sair do ritmo lento de imunização – apenas 3% da população foram vacinados – e dificuldade de manutenção massiva dos hábitos de prevenção. 

Nas últimas terça (23) e quarta (24), por exemplo, a taxa de isolamento social teve média de 32%. É o menor índice já registrado em um mesmo dia desde meados de março de 2020, quando a pandemia começou a se alastrar. Mensurado a partir da localização de GPS de 60 milhões de celulares no país, o dado é da startup In Loco.

Pensado a partir de referenciais sanitários e científicos, o isolamento social é considerado medida fundamental para a contenção do vírus. A médica de família Nathalia Neiva Santos, da Rede de Médicas e Médicos Populares, explica que o abandono desse hábito pode ser considerado fatal.

“Quanto mais pessoas circulando, maior é a transmissão desse vírus, e maior também é a possibilidade, como a gente tem visto, de se ter novas variantes, porque o vírus muda com muita frequência. É um vírus com grande capacidade de adaptação ao meio”.

Como consequência da baixa taxa de isolamento, a transmissão da covid no Brasil também chama a atenção. Segundo boletim do Imperial College, no Reino Unido, o índice estava em 1,02, o que significa que 100 pessoas contaminadas transmitem a doença para 102 pessoas que ainda não têm o vírus.

A marca vem combinada com uma série de outros elementos que circundam o cenário da pandemia no país. Já são, por exemplo, 37 dias consecutivos com número diário de óbitos acima de mil. É o intervalo mais longo com essa característica desde a chegada do novo coronavírus. O recorde anterior havia sido alcançado entre julho e agosto, quando o Brasil viveu 31 dias seguidos dentro desse patamar de mortes. 

Com ritmo lento de imunização contra a covid, Brasil completa um ano de pandemia tendo imunizado apenas 3% da população / Rovena Rosa/Agência Brasil

Paralelamente, gestores estaduais e municipais retornam à prática do lockdown ou de medidas semelhantes, ao mesmo tempo em que convivem com a realidade do governo federal, com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) incentivando aglomerações e fazendo apelos permanentes pelo fim das medidas restritivas.

“É uma rede de fatores que interferiram pra gente chegar nesta má gestão da pandemia, que é uma das piores do mundo. A gente sabe que o sistema de saúde vinha passando por um processo crônico de desfinanciamento, com redução de leitos de UTI, e a gente chega neste momento em que não tem leito para todos”, ressalta Nathalia Neiva Santos.

A menção da médica encontra referência nos números. Em 2019, por exemplo, primeiro ano da gestão Bolsonaro e ano anterior ao da pandemia, a área da saúde perdeu R$ 20 bilhões. A redução é consequência direta do Teto de Gastos, aprovado em 2016 com previsão de enxugamento das despesas sociais durante 20 anos.

Com um ano da chegada do novo coronavírus ao território nacional, Brasil acumula mais 10,3 milhões de casos de contaminação pela covid-19 / Itamar Crispim/Fiocruz

A política vem sendo mantida pela gestão Bolsonaro, que, em novembro de 2020, nove meses depois da chegada oficial do coronavírus ao país, não havia executado cerca de R$ 5,6 bilhões previstos para a contenção da pandemia naquele ano. A denúncia partiu do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que vem fazendo seguidos alertas e pedindo a queda do ajuste fiscal.

“Por isso o que a gente precisa neste momento é aumentar os investimentos em saúde. São varias estruturas que precisam receber mais recursos como medicações eficazes, sedativos, que estão em falta, etc. Sem esses recursos, se fortalece ainda mais o caos”, afirma Nathalia Santos.

O Brasil no mundo

Ao final desta jornada de um ano da pandemia em terras nacionais, a médica compara ainda a situação do Brasil com a do mundo. Uma pesquisa do Lowy Institute, da Austrália, apontou o país como o pior em termos de gestão da pandemia. A conclusão vem após a análise de seis critérios, como número de infecções e mortes e capacidade de contenção do vírus. Ao todo, o levantamento estudou a situação de quase 100 países.

Para a profissional da Rede de Médicas e Médicos Populares, é inevitável falar do comportamento do presidente da República e seus aliados. Ela destaca a minimização da pandemia, o desestímulo às medidas de proteção, a falta de um lockdown federal e ainda os conflitos entre Bolsonaro e governadores por conta das divergências sobre as medidas de contenção.

“O que chama mais atenção não é nem como não se operou um sistema de saúde pra conduzir a pandemia, mas como o comportamento de determinados gestores foi muito mais favorável à explosão dos casos e da má condução. Isso chama atenção porque é [algo] do nível de responsabilidades, de crime mesmo”.

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Bancários do Banco do Brasil de Juazeiro e região aprovam em assembleia Estado de Greve com paralisação no dia 10 de fevereiro

O objetivo é ampliar a mobilização contra a reestruturação do BB, planejada pelo governo Bolsonaro e a direção da empresa. O plano é desmontar o banco por completo, com o desligamento de 5 mil empregados, descomissionamento, além do fechamento de 361 unidades (112 agências e 242 postos de atendimento).

Foto: Divulgação

Bancários de Juazeiro e Região aprovaram durante assembleia realizada nesta sexta-feira (05), Estado de greve e paralisação no dia 10 de fevereiro. A votação foi on-line e ocorreu das 8h às 18h e 100% dos Bancários que participaram da assembleia votaram a favor do estado de greve.

O objetivo é ampliar a mobilização contra a reestruturação do BB, planejada pelo governo Bolsonaro e a direção da empresa. O plano é desmontar o banco por completo, com o desligamento de 5 mil empregados, descomissionamento, além do fechamento de 361 unidades (112 agências e 242 postos de atendimento).

Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Juazeiro e região, Maribaldes da Purificação é o momento de ir à luta e garantir os direitos da categoria “ É um absurdo todo esse plano de reestruturação do Banco do Brasil. Estamos lidando com vidas, e todo esse plano irá prejudicar esses trabalhadores que irão ser desligados. Além de todo retrocesso para a população, especialmente porque há cidades que só têm uma agência para atender a todos. E, geralmente, é a do Banco do Brasil. Por isso, não aceitaremos e faremos nosso movimento contra essa reestruturação”, disse. As informações são da Ascom SEEB/Juazeiro Bahia.

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Lideranças religiosas protocolam novo pedido de impeachment contra Bolsonaro

Condução do governo diante da pandemia tem afastado setores de várias crenças

Bolsonaro faz discurso de fé, mas não mostra ações concretas de solidariedade cristã (Carolina Antunes/PR)

Representantes católicos e evangélicos levaram até a Câmara nesta terça-feira (26), mais um pedido de impeachment contra o presidente da República Jair Bolsonaro. “Temos a consciência de quem nem todas as pessoas das nossas igrejas são favoráveis a esse ato que estamos fazendo, mas é importante destacar essa pluralidade e as contradições que existem no âmbito do Cristianismo. Nem todo cristianismo é bolsonarista”, afirmou a pastora Romi Márcia Bencke, representante do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil. O pedido é baseado em denúncia de crimes de responsabilidade referentes à área de saúde e das políticas sanitárias durante a pandemia.

O pedido de impeachment é assinado por religiosos críticos ao governo. Na lista estão padres católicos, anglicanos, luteranos, metodistas e também pastores. Embora sem o apoio formal das igrejas, o grupo tem o respaldo de outras organizações como a Comissão Brasileira Justiça e Paz da Confederação Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) e a Aliança de Batistas do Brasil.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann (RS), o líder da Minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE) e o da Minoria no Congresso, Carlos Zarattini (SP) também participaram do evento. Eles devem apresentar nesta quarta-feira, 27, outro pedido de impeachment contra Bolsonaro, assinado em parceria com demais partidos da oposição.

A decisão de dar ou não o pontapé inicial no impeachment cabe ao presidente da Câmara, que também pode engavetar os pedidos – desde o início do mandato de Bolsonaro foram protocoladas 61 ações desse tipo contra ele, das quais 56 estão ativas.

No pedido formalizado nesta terça, os líderes religiosos acusam o presidente de agravar a crise do coronavírus e, consequentemente, o número de mortes. Para eles, Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade e desrespeitou princípios constitucionais e o direito à vida e à saúde. Mais de 200 mil pessoas já morreram em decorrência de Covid-19.

As falhas do governo durante a crise do coronavírus, na esteira de idas e vindas sobre a importação de vacinas da China e da Índia, elevaram a temperatura política. Partidos de esquerda como PT, PDT, PSB, PSOL e PC do B, além da Rede, também vão protocolar na Câmara, amanhã, um outro pedido de afastamento de Bolsonaro, desta vez com o mote “Pelo impeachment, pela vacina e pela renda emergencial”. As siglas adiaram a formalização da denúncia, antes prevista para hoje, justamente a pedido dos religiosos, que temiam confusão entre os dois movimentos.

O Palácio do Planalto faz campanha para emplacar o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), líder do Centrão, na cadeira de Maia, com a expectativa de que, nesse cenário, uma denúncia contra ele não avançará no Congresso. Adversário de Lira, o deputado Baleia Rossi (MDB-SP), apoiado pelo presidente da Câmara, promete analisar “com equilíbrio” os pedidos de afastamento de Bolsonaro se vencer a disputa. A eleição que vai renovar as cúpulas da Câmara e do Senado está marcada para 1º de fevereiro.

 

Agência Estado/Dom Total

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Atos pró-impeachment de Jair Bolsonaro se espalham; 15 capitais terão carreatas

No sábado, organizações de esquerda saem às ruas; no domingo, movimentos de direita também pedirão a saída do presidente

Mais de mil organizações já entregaram pedido de impeachment de Bolsonaro ao Congresso por descaso com a saúde pública em meio à pandemia – Foto: Nayá Tawane

O movimento pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está ganhando força no país. Na última quarta-feira (20), após a hashtag #ForaBolsonaro aparecer entre os assuntos mais comentados do Brasil nas redes sociais, foi anunciada, para o próximo fim de semana, uma série de atos pela saída do mandatário, divididos entre sábado e domingo.

Por conta da pandemia do coronavírus, que já contaminou 8 milhões de brasileiros e matou 212 mil pessoas no território nacional, os atos foram convertidos em carreatas. Segundo a Frente Brasil Popular, já são 15 capitais com carreatas confirmadas — Belém, Maceió, Salvador, João Pessoa, Teresina, Recife, Fortaleza, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília, Campo Grande, Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis —, além de outras cidades ao redor do Brasil. 

A Frente Brasil Popular, Povo Sem Medo, Fórum Pelos Direitos e Liberdades Democráticas e o Acredito chamaram os atos que ocorrem no próximo sábado (23). Logo cedo, às 9h, em Brasília, na frente da Funarte, manifestantes partirão em carreata até a Esplanada dos Ministérios.

Em Belém (PA), os manifestantes se concentrarão na avenida Doca de Souza Franco; no Rio de Janeiro (RJ), às 10h, a carreata sairá do monumento Zumbi dos Palmares, na avenida Presidente Vargas; na praça da Independência, em João Pessoa (PB), os ativistas se concentram à partir das 14h.

Também às 14h, os manifestantes saem em carreata em São Paulo (SP), tendo como ponto de encontro a Assembleia Legislativa; em Belo Horizonte (MG), a concentração do ato será no Minerão, às 16h; no mesmo horário, os gaúchos se encontram em Porto Alegre (RS), no largo Zumbi dos Palmares.

Em Rio Branco (AC), a concentração será às 15h na Uninorte; às 16h, na praça Nossa Senhora de Salete, a manifestação sairá em Curitiba (PR); e em Goiânia (GO), também às 16h, na praça Universitária Palmas, no Eixão Norte, os goianos partem em carreata pedindo a saída do presidente.

Carreatas por impeachment de Bolsonaro ocorrem neste fim de semana em várias capitais brasileiras / Reprodução – Instagram – Frente Brasil Popular

Direita

Com a ocupação das ruas pela esquerda no sábado, os movimentos de direita chamaram atos para o próximo domingo (24). MBL e Vem Pra Rua convocaram uma carreata que sairá às 10h da Praça Charles Miller, em São Paulo. Os dois grupos também estão puxando um panelaço para sexta-feira (22), às 20h30.

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Governo anuncia cronograma de vacinação: entenda disputa política que envolve tema

Imersa em acirrado jogo de forças, perspectiva de imunização segue instável e cenário movediço estimula “corrida maluca”

Plano nacional de vacinação contra covid-19 prevê imunização de 51 milhões de pessoas na primeira etapa do processo, mas não estipula data de início – Marcelo Camargo /Agência Brasil

Ao apresentar formalmente, nesta quarta-feira (16), o plano nacional de vacinação contra a covid-19, a gestão Bolsonaro anunciou uma previsão de imunização de 51 milhões de pessoas na primeira etapa do processo no país. Essa fase inicial deve consumir um total de 108,3 milhões de doses, uma vez que cada pessoa toma duas doses e se calcula uma perda de 5% do total por conta de eventuais problemas de logística e aplicação. 

O calendário da gestão projeta um percurso de 16 meses de vacinação, sendo os quatro primeiros para os grupos prioritários e os demais para o restante da população. O escopo é o mesmo já apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e não prevê data para se iniciar a imunização.

“O que faltou? Faltou vacina, o cronograma pra gente saber quanto temos de vacina comprada, quanto temos de garantia pra entrega agora, a partir de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, qual é o cronograma pra vacinação”, disse o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), logo após o anúncio.

A alegação do Ministério da Saúde (MS) é de que será necessário aguardar o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para validar as vacinas que vierem a ser utilizadas no país. O Brasil tem atualmente quatro substâncias em fase de testes clínicos no território nacional. Estão sendo avaliadas a chinesa CoronaVac, a vacina de Oxford/AstraZeneca, o imunizante da Pfizer e o da Janssen, mas ainda não há pedidos formais de registro junto à Anvisa.

Atual presidente do Consórcio Nordeste e responsável pela parte de vacinas do Fórum Nacional dos Governadores, Wellington Dias disse, também nesta quarta, que estados e municípios vêm empreendendo esforços para assegurar a realização da vacinação quando se tiver um imunizante. 

“Estamos nos colocando prontos pra garantir, em cerca 35 mil a 50 mil postos de vacinação, vacina em todo o Brasil, mas agora precisamos, pra fazer o plano de qualificação, garantir esse cronograma”, afirmou, ao reforçar a cobrança por datas específicas de aplicação do químico.

Contexto

O coro de Dias é uma das principais expressões da batalha política que vem sendo travada em torno da vacina. O conflito tem diferentes elementos. Em primeiro plano, está a pressão de gestores locais sobre o governo Bolsonaro para pedir agilidade no passo a passo administrativo e político relacionado à imunização.

No pano de fundo dessa disputa estão, entre outras coisas, as intensas rixas entre o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Enquanto o primeiro chegou a afirmar, em outubro, que a vacinação em São Paulo seria de cunho obrigatório, o segundo entoa o mantra do caráter não compulsório da prática, inflamando o discurso anticiência da extrema direita e de seus apoiadores – a controvérsia, inclusive, começa a ser julgada pelo STF nesta quarta (16).

O conflito em torno da vacina tem ainda outros contornos, incluindo a pressão econômica e popular por celeridade no processo de vacinação e a marcha rumo às eleições presidenciais de 2022. Provável concorrente de Bolsonaro no pleito, o governador de São Paulo tem utilizado a vacina contra a covid como trampolim político para tentar alçar voo rumo ao Palácio do Planalto. Ele anunciou para janeiro a aplicação da vacina CoronaVac na população de São Paulo, mesmo sem uma anuência definitiva da Anvisa para a droga.

E a disputa entre os dois políticos não se dá sem afetações aos demais entes federados: a largada precoce de Doria na questão da imunização atiçou os ânimos entre o paulista e os outros governadores, que se veem em meio a uma turbulência.

Enquanto são cobrados pela população para agilizar o processo de vacinação, os mandatários travam uma batalha contra as resistências da gestão Bolsonaro diante do tema, cobram uma organização efetiva do cronograma de vacinação por parte do governo federal e atuam contra as tentativas de aparelhamento da Anvisa. O órgão está tomado por militares indicados pelo presidente da República para controlar a política de vacinas.

A via crucis política dos governadores é endossada ainda pela demora no aval a ser dado pela Anvisa para os imunizantes cujas pesquisas tenham atestado segurança e eficácia contra a doença. A instabilidade do cenário tem provocado uma verdadeira marcha semanal de governadores e prefeitos a Brasília para pressionar o governo a apressar a política de vacinação.

Governadores durante uma das agendas em Brasília (DF) para tratar da vacinação contra covid-19 / Divulgação

Entre reuniões e manifestações oficiais, o Consórcio Nordeste, o Fórum Nacional dos Governadores e a Frente Nacional de Prefeitos cobram não só velocidade no calendário de vacinação, mas também uma coordenação federal no tema.

“Corrida maluca”

O cenário movediço e o conjunto das incertezas em torno da vacina levaram uma massa de gestores locais a procurarem o Instituto Butantan para negociar diretamente com a entidade a compra de imunizantes. Os mandatários tentam se descolar da gestão Bolsonaro no sentido de assegurar a chegada futura de uma vacina às suas bases.

Na última quinta (10), o Butantan informou que já havia recebido pedidos de 276 cidades e 11 estados interessados na Coronavac, que vem sendo desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac. “Essa divisão de Brasil com vacina e Brasil sem vacina, essa corrida maluca é que precisa ter um freio de arrumação imediato para que se coloque ordem na casa”, disse na última segunda-feira (14) o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

A argumentação do mandatário, bem como dos demais governadores, é de que a Política Nacional de Imunização (PNI), conforme sugere o nome, é federal e, portanto, deve ser conduzida pelo Ministério da Saúde. Essa leitura rechaça, em tese, a possibilidade de um ente federado largar na frente com a oferta de uma vacina, como tem feito Doria em São Paulo.  

Judiciário

Provocado por diferentes atores políticos, o Judiciário também entrou no tema, atuando na questão em diferentes vias. Uma delas, já mencionada, é a avaliação da obrigatoriedade da vacinação. A Corte aprecia atualmente três ações judiciais que discutem o assunto. Duas delas questionam se autoridades públicas podem estipular a imposição da imunização e a outra debate se as famílias podem abrir mão da vacinação por conta de “convicções filosóficas, religiosas, morais e existenciais”.

Paralelamente, o ministro Ricardo Lewandowski determinou, na ultima segunda (14), que o MS apresentasse dentro de 48 horas as datas das diferentes etapas do plano de vacinação. Ao entregar o documento à Corte, o governo inseriu assinaturas de especialistas que depois disseram não ter visto a versão final do plano, o que gerou uma avalanche de críticas à gestão. A iniciativa rendeu ainda uma chuva de postagens nas redes sociais com a hashtag “#Bolsonaro171”, uma referência ao artigo do crime de estelionato, previsto no Código Penal.

Entidades científicas também se somam ao coro de críticas à gestão. Na terça (15), a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) disse, em carta enviada ao STF, que o plano do governo é “equivocado”. Os especialistas apontam falta de diálogo do poder público com o grupo e ainda a necessidade de um detalhamento não apresentado pela gestão para esse roteiro de vacinação.  

Legislativo

O conflito em torno da questão da vacina conta também com diferentes movimentações de parlamentares no sentido de buscar medidas alternativas ao controle do governo federal para garantir a imunização. Diante das desconfianças políticas em relação à Anvisa e ao governo Bolsonaro, deputados de oposição propõem a facilitação dos processos administrativos referentes a imunizantes. 

O Projeto de Lei (PL) 5017/2020, por exemplo, do deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), prevê um fundo nacional de vacina para estados e municípios. A ideia é que eles possam comprar imunizantes por iniciativa própria, desde que a droga tenha carimbo da Anvisa ou aval de autoridades estrangeiras.

Outra proposta, batizada de “PL 5413/2020”, prevê o fim da obrigação de anuência da Anvisa para importação de vacinas já chanceladas em cinco pontos do globo – Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Canadá e União Europeia. A medida é assinada pelos deputados Nilto Tatto (PT-SP) e Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Na terça-feira (15), a bancada do Psol protocolou requerimento para a criação de uma comissão externa da Câmara dos Deputados. O objetivo é acompanhar as ações do Executivo relacionadas ao plano de vacinação. Os psolistas também apresentaram projeto para criar um comitê gestor interinstitucional do plano, congregando o MS, o Congresso, o STF, a Anvisa, estados, municípios, instituições de pesquisa e a Secretaria Especial da Saúde Indígena.

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Mortos pela covid ultrapassam 170 mil no Brasil

Velocidade de propagação da doença é a maior desde maio; pandemia está fora de controle no Brasil

Brasil tem isolamento baixo, realiza poucos testes e surto está fora de controle em território nacional – Mário Oliveira – SEMCOM

O Brasil ultrapassou a marca de 170 mil mortes pela covid-19 nesta terça-feira (24), segundo dados Conselho Nacional de Secretarias de Saúde (Conass). Com o registro de 630 óbitos em 24 horas, os números totais chegaram a 170.115. A soma de pessoas que já se contaminaram pelo coronavírus em território nacional é de 6.118.708. Em um dia, houve a confirmação de 31.100 novos pacientes.

Novamente, o país registra patamares diários mais altos do que os observados nos meses de setembro e outubro. A percepção de que o surto cresce com maior velocidade no país é confirmada pelo aumento na taxa de propagação. Medida pelo Imperial College de Londres, a chamada Rt está em 1,3 atualmente. Isso significa que cada 100 pessoas têm potencial de infectar outras 130. O resultado é o maior desde maio.

Outro indicador que aponta para crescimento mais acelerado da covid no Brasil é o número de pacientes em observação, atualizado diariamente pelo Ministério da Saúde. Por quase três semanas o país conseguiu manter esses registros abaixo de 400 mil. Na quinta-feira passada (19), essa marca voltou a ser ultrapassada. Em um intervalo de cinco dias, o número saltou de cerca de 406 mil para 473 mil nesta terça (24)

Testes encalhados

O Ministério Público reagiu à denúncia de que o governo federal tem quase sete milhões de testes PCR prestes a vencer armazenados em Guarulhos e pediu investigações por parte do Tribunal de Contas da União (TCU). A quantidade de exames sem uso e que podem ir para o lixo é maior do que o total de testes desse tipo já aplicados no Brasil.

No Congresso Nacional, a Comissão que acompanha as ações de combate ao coronavírus no Brasil quer uma audiência pública com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Ainda não há data para a reunião, mas o ministro irá ao colegiado no dia 7 de dezembro para debater os gastos da pandemia e o relatório final da comissão deve ser apresentado em 18 de dezembro.

A denúncia foi feita no fim de semana passado pelo jornal O Estado de S. Paulo. Segundo a publicação, os exames têm prazo de validade em dezembro e janeiro. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chegou a dizer que a responsabilidade pelos exames é de estados e municípios, mas não explicou por que o material ainda está em um depósito do governo federal.

Mais um ministro infectado

Nesta terça-feira (24), o Ministério da Justiça e Segurança Pública confirmou que o ministro André Mendonça está com covid-19. A pasta informou que ele permanecerá em isolamento pelas próximas semanas e está bem. O coronavírus já infectou treze ministros do governo de Jair Bolsonaro. O próprio presidente e a primeira dama, Michele, também já foram contaminados.

Vale lembrar que, em março, ainda em meio aos primeiros casos no Brasil, quase vinte pessoas que integraram uma comitiva do presidente aos Estados Unidos voltaram para o Brasil com o coronavírus. Na ocasião, Bolsonaro já condenava o distanciamento social e chegou a participar de manifestações públicas, mesmo após contato com os infectados.

Saiba o que é o novo coronavírus

É uma vasta família de vírus que provocam enfermidades em humanos e também em animais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que tais vírus podem ocasionar, em humanos, infecções respiratórias como resfriados, entre eles a chamada “síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS)”.

Também pode provocar afetações mais graves, como é o caso da Síndrome Respiratória Aguda Severa (SRAS). A covid-19, descoberta pela ciência mais recentemente, entre o final de 2019 e o início de 2020, é provocada pelo que se convencionou chamar de “novo coronavírus”.

Como ajudar quem precisa?

A campanha “Vamos precisar de todo mundo” é uma ação de solidariedade articulada pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo. A plataforma foi criada para ajudar pessoas impactadas pela pandemia da covid-19. De acordo com os organizadores, o objetivo é dar visibilidade e fortalecer as iniciativas populares de cooperação.

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Notícias

Com mais desalentados, subutilizados e excluídos, desemprego bate novo recorde

Com praticamente 14 milhões de desempregados, mercado acumula recordes, todos negativos

Pandemia piorou um cenário que já era ruim. Agora, até o ‘bico’ ficou difícil – Reprodução/Montagem RBA

A taxa de desemprego atingiu 14,4% no trimestre encerrado em agosto, batendo mais um recorde na série histórica do IBGE, iniciada em 2012. Agora, o número de desempregados foi estimado em 13,794 milhões – 1,083 milhão a mais em apenas um trimestre (alta de 8,5%) e 1,229 milhão a mais em relação a igual período de 2019 (9,8%), quando a taxa média era de 11,8%.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua trouxe outros recordes, todos negativos. O total de ocupados (81,666 milhões), por exemplo, é o menor da série. Caiu 5% no trimestre (menos 4,270 milhões de pessoas) e 12,8% em 12 meses (11,965 milhões a menos). O nível de ocupação (46,8%) também é o mais baixo da pesquisa.

Fora do mercado

Por outro lado, a população fora da força de trabalho chegou a 79,141 milhões. Mais um recorde que agrava o problema do desemprego. Crescimento de 5,6% em um trimestre (4,177 milhões) e de 21,9% (14,213 milhões) em um ano.

Assim, o número de empregados com carteira assinada no setor privado (29,067 milhões) também foi o menor da série. A queda é de 6,5% em relação ao trimestre anterior (menos 2,036 milhões de pessoas) e de 12% (menos 3,975 milhões) ante agosto de 2019.

Queda também nos informais

Nem o trabalho informal escapou. Estimado em 8,755 milhões, o número de empregados sem carteira caiu 5% (menos 463 mil pessoas) no trimestre e 25,8% (menos 3,041 milhões) ante igual período do ano passado. E o total de trabalhadores por conta própria (21,521 milhões) caiu 4% (menos 894 mil) e -11,4% (2,773 milhões), respectivamente. Além disso, o número de trabalhadores domésticos (4,597 milhões) também chegou ao menor nível. Em 12 meses, caiu 27,5% (menos 1,745 milhão).

Outro recorde está no contingente de desalentados, pessoas que desistiram de procurar trabalho. Eles agora somam 5,9 milhões. Crescimento de 8,1% em três meses (440 mil) e de 24,2% em 12 meses (1,1 milhão). Em relação à força de trabalho, os desalentados representam 5,8% – mais um recorde.

Menos R$ 12 bi circulando

E os chamados subtilizados agora são 33,3 milhões, também o maior número da série histórica. São as pessoas que gostariam de trabalhar mais. Acréscimo de 3 milhões em um trimestre (aumento de 9,7%) e de 5,6 milhões em 12 meses (20%). A taxa de subutilização, também a maior, é de 30,6%.

Estimado em R$ 2.542, o rendimento médio cresceu: 3,1% no trimestre e 8,1% sobre 2019. Mas, considerando o menor numero de pessoas no mercado, a massa de rendimentos caiu 2,2% e 5,7%, respectivamente. Em um ano, isso representa R$ 12,3 bilhões a menos circulando na economia brasileira.

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Crítica em Movimentos

A fome em grandes plantações

Sobre o desmonte das políticas de Abastecimento, Agricultura Familiar e Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. *Por Rogério Neuwald e Samuel Carvalho

Em campanha contra a volta da fome no país, o Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra já doou durante o período de pandemia mais de 3.400 toneladas de alimentos em todo o país – Wellington Lenon

As políticas de um governo podem ser medidas pelo seu comprometimento com o bem-estar da população, principalmente dos setores mais vulneráveis e que mais necessitam do Estado como garantidor de seus direitos. A garantia de acesso a emprego, renda, educação, cultura, segurança, moradia, saúde e alimentação são algumas das condições básicas para um presente e um futuro com dignidade para todos e todas. 

Desde a redemocratização, e sobretudo a partir dos governos Lula e Dilma, o Brasil vinha avançando na garantia do acesso pela população a todos esses direitos, com ênfase numa política robusta de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, apoiada no fortalecimento da agricultura familiar e na estruturação de uma política de abastecimento de alimentos, a ponto de sair pela primeira (e única vez) na história, do Mapa Mundial da Fome, adotado pela FAO/ONU a partir do legado de Josué de Castro.

Porém, o desmonte das políticas públicas iniciado a partir do golpe de 2016 no Brasil para atender aos interesses do mercado financeiro internacional, trouxe consigo efeitos tão imediatos como cruéis para a população que apenas experimentava o início de uma vida com um mínimo de dignidade. O estrangulamento das políticas sociais implementado por Temer, através da Emenda Constitucional n° 95, estabelecendo o Teto dos Gastos Públicos, bem como a redução drástica dos investimentos nas políticas para agricultura familiar e camponesa, a cada dia apresenta sua face destrutiva ao país. 

O governo Bolsonaro, por sua vez, acelera e aprofunda esse desmonte em várias frentes – todas com consequências tenebrosas para o presente e o futuro do país. Na produção e acesso aos alimentos básicos, o impacto é evidente e ostensivo, estampado no aumento violento dos preços do varejo, e sentido na pele pelas famílias, principalmente aquelas com maior vulnerabilidade de emprego e renda. A face mais cruel dessa aceleração de Bolsonaro no desmonte das políticas da produção de alimentos básicos pela agricultura familiar é o comprometimento da saúde, da vida e do futuro das crianças – os mais vulneráveis à tragédia da fome. Um governo que elimina as políticas públicas para a produção de alimentos básicos, construídas ao longo de décadas pela agricultura familiar e camponesa, em diálogo com toda a sociedade, mostra outra face de seu governo, entre tantas desastrosas. Desastre intencional que Bolsonaro acreditava que não seria percebido pela população, confiante no diversionismo das fake news com que seus filhos e séquitos apoiadores inundam as redes sociais, e pela blindagem disfarçada com polêmicas fúteis pela mídia nas TVs e jornais. 

A realidade nua e crua do Brasil é que a fome voltou – e não foi somente como consequência da pandemia no novo coronavírus. Como dizia Hebert de Souza, o Betinho, “a fome não pode esperar” – e não esperou. Os dados de 2017 e 2018 do IBGE deixam bem claro que a tragédia era anunciada, e a aceleração de Bolsonaro do desmonte das políticas para a Agricultura Familiar e Camponesa, incluindo a paralização e retrocesso na reforma agrária, mostram com clareza o que nenhuma fake news pode esconder. A falsa premissa do livre mercado que a tudo resolve, infelizmente está levando a população a sentir na mesa de suas casas, os impactos da política ultra-neoliberal e irresponsável de Guedes, Tereza Cristina e Bolsonaro para o abastecimento de alimentos no país. 

Tão irresponsável quanto a desregulamentação ambiental e a política do “passa a boiada” de Salles e Bolsonaro, promovendo a destruição acelerada do meio ambiente, seja no incentivo ao desmatamento e a propagação sem precedentes de queimadas pelo agronegócio na Amazônia, cerrado, mata atlântica e demais biomas, seja na paralisia e desmonte das instituições de proteção diante de desastres ambientais, como o derramamento de óleo no litoral do nordeste e a invasão de terras indígenas e reservas ambientais por grileiros de terras, madeireiros e mineradores ilegais.

A seguir, apresentamos de forma objetiva alguns dos fatos e suas consequências em relação a políticas públicas para a produção de alimentos pela agricultura familiar e camponesa e ao acesso a alimentos pela maioria da população. Ao final apresentamos alguns dados oficiais, que comprovam estes fatos e suas consequências. 

Janeiro de 2019

FATO ZERO 1

Presidente Bolsonaro e Ministra da Agricultura, Teresa Cristina, EXTINGUEM a Secretaria Especial do Desenvolvimento Agrário.

Temer já havia extinguido o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), rebaixado a uma Secretaria Especial. O MDA era responsável pelas políticas públicas para a agricultura familiar e camponesa e pela política fundiária e reforma agrária.

CONSEQUÊNCIA

A Agricultura Familiar e camponesa, responsável pela produção da maior parte dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros e brasileiras, fica sem um espaço institucional próprio e autônomo para a elaboração e gestão de políticas públicas ou para receber as suas demandas.

FATO ZERO  2

Bolsonaro e Ministra da Agricultura EXTINGUEM o CONSEA (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional) e o Condraf (Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário)

CONSEQUÊNCIA

A Sociedade Civil e os movimentos sociais ficam sem canais abertos de participação e diálogo com o governo para elaboração e monitoramento das políticas públicas.

FATO ZERO  3

Presidente Bolsonaro e Teresa Cristina, TRANSFEREM responsabilidades do MDA para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

CONSEQUÊNCIA

A prioridade do MAPA é claramente o agronegócio exportador e a produção commodities para a exportação, como a soja e a carne. A Agricultura Familiar e Camponesa é abandonada e a Reforma Agrária ficam paralisada. O discurso do governo é que o “mercado” garante o equilíbrio na produção e disponibilidade de alimentos.

Julho de 2019

FATO ZERO 4

No lançamento do Plano Safra 2019/2020, o Governo Bolsonaro e Ministra da Agricultura EXTINGUEM o “Plano Safra da Agricultura Familiar”     .

CONSEQUÊNCIA

A Agricultura Familiar que desde 2003 tem um plano safra próprio fica à mercê de um plano desenhado para anteder prioritariamente aos interesses do agronegócio. Enquanto os grandes produtores de soja, milho e carne para exportação tem disponibilidade R$ 240 bilhões, a agricultura familiar, que produz para os brasileiros se alimentarem, tem R$ 30 bilhões.

SITUAÇÃO NO FINAL DE 2019

  • Exportação recorde de milho => 44,9 milhões de toneladas
  • Exportação recorde de carne suína => 750 mil toneladas
  • Exportação recorde de carne bovina => 1,84 milhões de toneladas
  • inflação dos alimentos de 6,36 %: dezembro de 2019 teve o maior salto de inflação desde dezembro de 2002
  • Inflação da carne bovina foi de 32,40 %
  • Presidente Bolsonaro diz para a população comer ovos no lugar da carne.

Março de 2020

FATO ZERO 5

Pandemia do novo Coronavírus / Covid-19. Governo decreta situação de calamidade pública. Movimentos Sociais do Campo, das Florestas e das Águas apresentam uma Plataforma Emergencial para mitigar os impactos da pandemia no desabastecimento e inflação dos alimentos, entre as quais se destaca:

  • 2 bilhões de reais para o Programa de Aquisição de Alimentos – PAA, para a execução de associações e cooperativas da agricultura familiar;
  • e a retomada do Plano Safra da Agricultura Familiar.

CONSEQUÊNCIA

Governo não apresenta um “Plano Safra da Agricultura Familiar”.

Disponibiliza apenas 25% da demanda apresentada pelos movimentos ao PAA (500 milhões), e cooperativas e associações tem valores de projetos limitados a 320 mil reais.

FATO ZERO 6

Ministra da Agricultura afirma que o Brasil não corre risco de desabastecimento. Governo está com estoques de alimentos praticamente zerados. O estoque de arroz do governo dá para o consumo de um dia da população.

CONSEQUÊNCIA

O governo continua incentivado a e exportação e deixando o “mercado” responsável pelo abastecimento dos alimentos a população.

FATO ZERO 7

Parlamentares do Núcleo Agrário do PT e Movimentos Socais do Campo iniciam a elaboração o PL-735. Debate com todos os setores da Câmara, com líderes do governo. Apresentam iniciativas relacionadas ao crédito, auxílio emergencial, fomento, comercialização e apoia as mulheres trabalhadores rurais. Diálogo vai até junho. São 16 artigos para incentivar a produção de alimentos para a agricultura familiar. A Câmara dos Deputados e Senado aprovam praticamente por unanimidade.

CONSEQUÊNCIA

Bolsonaro veta 14 artigos do PL 735, alegando não serem de interesse público as medidas de incentivo à produção de alimentos pela agricultura familiar.

Setembro de 2020

FATO ZERO 8

Supermercados apresentam ao Presidente o problema do abastecimento de arroz e seus reflexos sobre a alta nos preços dos alimentos;

CONSEQUÊNCIA

Bolsonaro acusa os donos de supermercados de falta de patriotismo, mas se recusa a “intervir no mercado”

FATO ZERO 9

IBGE publica estudo sobre a alimentação em 2017 e 2018 (PNDA Segurança Alimentar)

CONSEQUÊNCIA

10,3 milhões de brasileiros em situação insegurança alimentar grave. (FOME). 84,9 milhões de brasileiros tem algum grau de insegurança alimentar.

FATO 10

INFLAÇÃO DOS ALIMENTOS DISPARA.

Inflação de alimentos e bebidas atinge 8,21%,

Chegando a 9,75 % nos domicílios.

CONSEQUÊNCIA

Governo ZERA tarifa de importação de arroz, soja e milho.

  • Ao fim ao cabo, portanto, Bolsonaro INTERVÉM NO MERCADO, mas beneficiando apenas as grandes empresas importadoras de alimentos;

O Brasil passa a importar os produtos em que lidera a produção mundial.

Sabemos que a complexidade dos fatos aqui tratados vai muito além do que este documento se propõe a analisar – existem outras variáveis passíveis de serem relacionadas, como variações cambiais, preços nos mercados internacionais, demanda internacional, produção x área plantada, utilização de  produtos alimentares na produção de combustíveis (soja » biocombustível / milho » etanol etc.), renda e consumo da população, enfim, uma multiplicidade de fatores, que um governo   precisa analisar e gerir,  o que não acontece  no Brasil.

O que pretendemos demonstrar, no entanto, é que apoios a setores estratégicos como a agricultura familiar camponesa e a reforma agrária para a produção de alimentos básicos são fundamentais. Os 10 fatos apresentados acima deixam claro que os impactos da pandemia não explicam sozinhos a situação atual da carestia dos alimentos. Finalmente apresentamos a seguir três exemplos ancorados em dados oficiais que demonstram o descaso do governo Bolsonaro com a agricultura familiar, o abastecimento alimentar e a inflação. 

  1. Cortes da proposta de orçamento para a Agricultura Familiar do governo Bolsonaro.

 

  • Promoção e fortalecimento da estrutura produtiva da agricultura familiar de pequenos e médios produtores

      2019: R$ 168.279.292

      2020: R$ 16.641.211

      2021: R$ 14.041.326

     Variação: corte de 91%

 

  • Promoção e fortalecimento da Comercialização e acesso aos mercados

      2020: R$ 18.664.082

      2021: R$ 9.542.922

      Variação: corte de 49%

 

  • Programa de Aquisição de Alimentos – PAA

     2019: R$ 251.630.000

     2020: 151.630.000

     2021: 101.677.800

     Variação: corte de 60%

*Cabe ressaltar que em 2012, o Governo Federal   investiu 1,2 bilhões de reais na aquisição de alimentos da agricultura familiar pelo PAA para doar à população em situação de insegurança alimentar, beneficiando 13 milhões de brasileiros e brasileiras.

  1. Redução da execução do orçamento para formação de estoques de alimentos pelo Governo Bolsonaro.

O orçamento do Governo para Formação de Estoques Públicos (AGF*) em 2019 foi de 1,4 bilhões, valor que se manteve em 2020. Porém os valores efetivamente pagos pelo governo (% executado) foram de 182 milhões em 2019 (apenas 13 %); e em 2020 (até o mês de setembro), 98 milhões (apenas 7%).

III. Aumento do preço dos alimentos pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor, que mede a inflação para quem tem renda de 1 a 5 salários-mínimos). 

A variação nos preços de alguns de alimentos básicos entre janeiro e setembro de 2020 teve um aumento, em média, de 28%, sendo quase todos acima dos 10% e chegando em alguns casos a mais de 50% e até 70%, como verifica-se a seguir:

Feijão Fradinho:…………..70,03%                                      

Óleo de Soja:……………….51,35%

Limão:………………………..51,35%

Arroz:…………………………40,48%

Manga:……………………….45,10%

Cenoura:……………………..36,27%

Feijão Preto:………………..34,50%

Cebola:……………………….34,24%

Leite Longa Vida:…………29,91%

Tomate:………………………26,90%

Fígado Bovino:…………….22,52%

Alface:………………………..15,74%

Farinha de Trigo:………….14,94%

Açúcar Cristal:……………..14,65%

Costela Bovina:……………13,68%

Carne de Porco:……………12,42%

Carne Seca e de Sol:……..12,18%

Farinha de Mandioca:….. 11,10%

Frango em Pedaços:………8,21%

Ovos de Galinha:…………..8,04%

Porcentagem de aumento nos preços de alimentos de janeiro a agosto de 2020 / Newuald

Certamente há muitos outros fatores para além dos exemplos aqui apresentados, mas a ambição deste documento não é apresentar um estudo minucioso, mas tão somente provocar a reflexão e responsabilização pela situação insegurança alimentar que o Brasil infelizmente volta a viver. É preciso mais do que nunca denunciar a tragédia da volta da fome em nosso país como consequência do golpe de 2016 e a implementação de uma agenda ultra-neoliberal pelo governo Bolsonaro. 

*AGF => Aquisição do Governo Federal. É o que o governo federal compra para armazenar e formar estoques estratégicos para momentos de falta de alimentos. Em 2019 e 2020 os armazéns da Conab tem apenas arroz para o consumo de um dia da população brasileira. 

*Rogério Neuwald é engenheiro agrônomo; Samuel Carvalho é cientista político.

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