Entrevistas

Intervir em briga de casal pode salvar vida, diz juíza

A advogada Tatiane Spitzner, 29, foi encontrada morta no dia 22 de julho após cair do quarto andar do prédio onde morava, em Guarapuava, no Paraná. Seu marido, o professor Luís Felipe Manvailer, 29, é suspeito de tê-la matado e foi indiciado por feminicídio – quando uma mulher é morta pela condição de ser mulher.

“Intervenção pode salvar uma vida”, diz juíza que atua em casos de violência doméstica – Getty Images

Câmeras de segurança do prédio registraram uma sequência de agressões do marido antes da morte da advogada, na garagem e no elevador do edifício. No entanto, quando a polícia foi chamada, já era tarde. A BBC News Brasil ouviu Teresa Cristina Cabral Santana, juíza integrante da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário do Estado de São Paulo, para saber qual é o papel de vizinhos e do condomínio em casos desse tipo.

Ela diz que é comum que não haja qualquer intervenção, mas que, quando há, ela dá resultados. “Intervenção pode salvar uma vida”, diz a juíza.

BBC News Brasil – A advogada Tatiane Spitzner foi agredida seguidamente pelo marido numa área pública do prédio. Não sabemos exatamente qual foi o comportamento dos vizinhos, mas tudo indica que não houve tentativa de intervenção. Em geral, qual é o comportamento dos vizinhos em casos de violência doméstica?

Teresa Cristina Cabral Santana – A observação dos casos que acompanho e pesquisas mostram que, em geral, os vizinhos não intervêm em brigas de casal. O que a literatura nos traz é que isso acontece por motivos culturais, é o velho ditado: “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. As pessoas se negam a comparecer na delegacia para prestar depoimento, se negam a ser testemunha das vítimas. De ordinário, a violência acontece no âmbito doméstico. As pessoas em geral acham que vai passar, que logo mais a briga vai acabar. Mas não vai, não passa.

BBC News Brasil – Essa intervenção surte que tipo de efeito?

Santana – A violência acontece longe do olhar estranho. Em geral, o agressor tende a parar quando há uma intervenção. Ela é profícua e precisa acontecer. Quando a pessoa percebe que está sendo observada, que tem testemunhas, que tem alguém que possa contar o que aconteceu, a tendência é parar ou diminuir, pelo menos.

“Em geral, a violência doméstica faz barulho”, diz a juíza. “Há objetos quebrados. Tem uma série de coisas que vizinhos podem fazer”

BBC News Brasil – Como e quando vizinhos devem intervir em casos de briga de casal?

Santana – As pessoas se perguntam por que a vítima não reage. Temos que questionar por que houve a agressão, e não por que ela não reagiu. A vítima da violência doméstica, inserida no ciclo da violência, não consegue reagir. Muitas desenvolvem até síndrome do desamparo aprendido [situação em que vão sendo retiradas condições psicológicas para que a pessoa reaja]. Numa situação extrema, em que a mulher está sendo agredida, a intervenção tem que acontecer. Não é algo que o casal tem que resolver sozinho, entre quatro paredes. Bater na porta, chamar o porteiro, o síndico.

BBC News Brasil – Quais são os sinais de que é urgente intervir?

Santana – Um pedido de socorro, por exemplo, não pode ser ignorado. Em geral, a violência doméstica faz barulho. Há objetos quebrados. Tem uma série de coisas que vizinhos podem fazer: acender e apagar a luz, bater na porta, tocar o interfone. Pode-se avisar, chamar porteiro ou segurança para irem junto. No mínimo, os vizinhos têm que chamar a polícia. Se você ouve um pedido de socorro, não pode esperar para ver o que vai acontecer.

A juíza acha que condomínio tem obrigação moral de agir

BBC News Brasil – Nem sempre há polícia perto. Também há lugares onde ela tem dificuldade de entrar, como em algumas favelas controladas por criminosos. O que fazer então?

Santana – Não podemos desistir das instituições. É preciso acreditar que algum caminho vai dar certo.

BBC News Brasil – E o condomínio, qual o papel dele?

Santana – Como qualquer cidadania, tem obrigação de intervenção ética, social, moral de evitar que uma morte aconteça. Criminalmente, não sei se procederia [responsabilizar o condomínio na Justiça].

http://www.bbc.com

 

 

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STF questiona cidades do PE sobre leis que proíbem debate sobre gênero

Ao sonegarem dos estudantes a discussão sobre diversidade de gênero, contribuem para perpetuar a cultura de violência, contra as mulheres e a população LGBT do País

O ministro Marco Aurélio Mello, relator da matéria do PSOL contra leis dos municípios de Petrolina e Garanhuns, em Pernambuco. Foto: Reprodução

O PSOL ajuizou, no Supremo, a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 522 contra leis dos municípios de Petrolina e Garanhuns, em Pernambuco, que aprovam o plano municipal de educação e vedam políticas de ensino com informações sobre gênero.

Segundo o partido, as normas municipais – Leis 2.985/2017 e 4.432/2017, respectivamente -, invadem competência privativa da União para legislar sobre diretrizes e bases da educação nacional, conforme estabelece o artigo 22, inciso XXIV, da Constituição Federal. As informações foram divulgadas no site do Supremo – Processo relacionado (ADPF 522)

Ao vedar a adoção de políticas de ensino que façam referência à diversidade sexual, sustenta a legenda, as leis municipais pernambucanas “desrespeitam normas editadas pela União, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/1996) e o Plano Nacional de Educação (Lei 13.005/2014), de observância obrigatória por todos os entes federados”.

O PSOL sustenta também que a Constituição “adotou a concepção de educação como preparação para o exercício de cidadania, respeito à diversidade e convívio em sociedade plural, com múltiplas expressões religiosas, políticas, culturais e étnicas”. Assim, o banimento de determinado tema do sistema educacional pela via legislativa seria “incompatível com o direito público subjetivo ao acesso a ensino plural e democrático”.

Além disso, segundo o site do Supremo, a legenda sustenta que ao sonegarem dos estudantes a discussão sobre sexualidade e diversidade de gênero, as leis locais “contribuem para perpetuar a cultura de violência, tanto psicológica quanto física, contra as mulheres e a população LGBT do País, distanciando-se do objetivo constitucional de construir uma sociedade livre, justa e solidária (artigo 3.º, inciso I)”.

O relator, ministro Marco Aurélio, pediu informações aos prefeitos de Petrolina e Garanhuns e às Câmaras Municipais e, na sequência, a manifestação da Advocacia-Geral da União (AGU) e o parecer da Procuradoria-Geral da República.

“A racionalidade própria ao Direito direciona no sentido de aguardar-se o julgamento definitivo”, afirmou Marco Aurélio, em decisão monocrática.

Defesas

A reportagem fez contato com as prefeituras de Petrolina e Garanhuns, mas não havia recebido respostas até a publicação desta matéria. O espaço está aberto para manifestação.

Via Jornal do Brasil

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Prefeito Miguel Coelho sanciona Lei que proíbe abordagem sobre questões de gênero e diversidade na formação escolar

A lei 2.985/17 foi sancionada em 19 dezembro de 2017 e versa sobre a proibição dos estudos de gênero, diversidade e educação sexual nas escolas da rede municipal de ensino.

Prefeito Miguel Coelho ao lado do autor da Lei, 2.985/17, Elias Jardim. Foto: Pedro Caldas Filho (Facebook)

Grupos que detêm o poder majoritário na política e na mídia se articulam em uma contraofensiva conservadora que visa atacar os poucos avanços na sociedade contemporânea em relação às pautas de mulheres e LGBT’s, avanços esses conquistados às duras e muitas vezes sangrentas batalhas. Em Petrolina, infelizmente, não tem sido diferente. O projeto de Lei do Vereador Elias Jardim  aprovado na Câmara Municipal no dia 8 de dezembro do ano passado, foi sancionado pelo prefeito no dia 19 do mesmo mês. O “Novo Tempo” do prefeito Miguel Coelho segue o fluxo do retrocesso desses tempos sombrios.

Leia na íntegra: lei-2.985.17-Genero-nas-escolas-Elias-Jardim

Alinhado com a agenda conservadora que ocupa o poder legislativo dando sustentação ao golpe e à agenda de retrocessos no país como um todo, o prefeito ignorou o pedido de #VetaPrefeitoMiguelCoelo de uma significativa parcela da sociedade atendida pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos, que ele mesmo criou no início de sua gestão e tornou Lei um projeto pautado no uso de um conceito inexistente, o da “ideologia de gênero” e que, na verdade, censura o debate e ensino em sala de aula das escolas municipais em torno das questões de gênero, debate importante para superação de violências históricas contra as mulheres e a população LGBT, gerando um clima de patrulha ideológica ao ofício do professor.

Saiba mais sobre a invenção do conceito de ideologia de gênero

A Lei 2.985/17 foi sancionada e está em vigor desde o dia 19 de dezembro em Petrolina, mesmo depois do STF já ter se posicionado em relação a leis desse tipo em outros municípios, a exemplo de uma semelhante feita em Paranaguá (PR) suspensa pelo ministro Luís Barroso pela sua inconstitucionalidade e comprometimento da educação de crianças em sua proteção integral, uma vez que a impede de ter conhecimento sobre “questões pertinentes à vida íntima e social”. O prefeito Miguel Coelho escolhe o lado do obscurantismo quando concorda com uma Lei que censura professores e educadores a tratar de uma questão, e não uma ideologia, tão importante para o exercício da igualdade de gênero e da tolerância e respeito à diversidade.

Em um país onde uma mulher é violentada a cada 11 minutos, 3 de cada 5 mulheres já sofreram agressões em relacionamentos e onde mais se mata LGBT’s no mundo, um a cada 20 horas, discutir gênero nas escolas é uma necessidade que pode tornar efetivo o compromisso da educação com a vida, com a justiça, com as liberdades individuais e com a cultura de paz. Negar-se a ele, ou pior, proibir esse compromisso por parte do educador que deve ofertar o conhecimento acerca do que está na fundamentação desses problemas é uma outra violência, a violência da invisibilidade que não mata diretamente, mas deixa morrer.

Ascom

Gabinete do vereador Prof. Gilmar Santos

 

Matérias

“Façamos nós por nossas mãos tudo que a nós nos diz respeito”.

O projeto Cabelo Armado é desenvolvido com a colaboração de mulheres negras brasileiras que compartilham depoimentos sobre como a relação com o seu cabelo impactou na formação da sua identidade negra. O Cabelo Armado recruta mulheres negras em todo país para voluntariamente representar o projeto e promover o debate sobre o racismo e empoderamento da mulher negra.

As questões raciais têm ganhado cada vez mais força e visibilidade. As discussões em torno do racismo têm motivado reflexões que contribuem para mudanças sociais importantes. A questão estética é um dos carros-chefe para pautar raça, pois para algumas pessoas a noção de racismo e como ele age sobre elas só é percebida quando assumem de fato outro padrão estético que fuja ao imposto pela mídia e moda. Diante disso, o projeto Cabelo Armado de Feira de Santana/BA surge com uma proposta interessante de atuação a partir da estética. Vale partilhar essa experiência para fortalecer essa iniciativa e os reflexos dela para a comunidade negra.

Projeto Cabelo Armado

O Cabelo Armado é um projeto feminista negro colaborativo criado em outubro de 2016 pela publicitária Danielle Barreto. O projeto nasceu da crença de que o cabelo da mulher negra é instrumento político, símbolo de resistência e cultura. Que cabelos fazem cabeças. Mudam o mundo. Nossa missão é ser um espaço para informar, debater e compartilhar práticas que rompem com padrões de beleza, fortalece a estética afro-brasileira e promove o empoderamento da mulher negra.

O grupo luta pela humanização e inserção da mulher negra na sociedade, sem lugares demarcados de exclusão, opressão e estereotipização da negritude. Nosso objetivo é promover ações, reivindicar direitos e trazer visibilidade às questões da mulher negra. Dessa forma, combater a humanização e inserção da mulher negra na sociedade, sem lugares demarcados de exclusão, opressão e estereotipização da negritude. Nosso objetivo é promover ações, reivindicar direitos e trazer visibilidade às questões da mulher negra. Além disso, pretendemos informar e combater o racismo com a produção de conteúdos que promove o debate sobre o racismo e afirmação identitária das negras do Brasil.

Visamos, apoiar e promover a mulher negra na mídia,pautar veículos de comunicação, realizar curadoria e divulgação de eventos, concursos e editais que promovam o debate sobre racismo e da mulher negra. Além, de promover a estética afro –brasileira, realizar palestras, eventos, exposições, workshops, produções literárias e audiovisuais que promovam o debate sobre o racismo e empoderamento da mulher negra.

O projeto Cabelo Armado é desenvolvido com a colaboração de mulheres negras brasileiras que compartilham depoimentos sobre como a relação com o seu cabelo impactou na formação da sua identidade negra. O Cabelo Armado recruta mulheres negras em todo país para voluntariamente representar o projeto e promover o debate sobre o racismo e empoderamento da mulher negra.

Coletivo Cabelo Armado:

Danielle Barreto, baiana, residente de Macapá (AP), bacharel em comunicação social e publicitária. É gestora e editora do projeto que realiza com a colaboração de voluntários em diferentes estados do Brasil.

Yves Samara Baiana, Mestre em história e educadora. É co-fundadora e produtora de conteúdo do Cabelo Armado.
Fernada Márcia Baiana e Bacharel em Serviço Social. É co-fundadora e produtora de conteúdo do Cabelo Armado.
Roberta Silva Baiana e Bacharel em Enfermagem. É co-fundadora e produtora de conteúdo do Cabelo Armado.
Augusto Assunção Baiano e Diretor de Arte. É co-fundador, designer e fotógrafo do Cabelo Armado.

E se você conhece ou faz parte de alguma iniciativa que paute questões ligadas a raça e gênero, compartilhe conosco, é de suma importância dar visibilidade a essas iniciativas, principalmente em um cenário violento para com as minorias, onde cada vez mais fica evidente que caberá ao povo promover as mudanças necessárias para viver com dignidade.
“Façamos nós por nossas mãos tudo que a nós nos diz respeito”.

Link da página no Facebook:  https://www.facebook.com/cabeloarmado/

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Educação: Por que o jovem não conclui o Ensino Médio?

Estudo inédito mostra que 15 milhões de jovens entre 18 e 29 anos não concluíram o Ensino Médio no Brasil em 2014.

16243337O número preocupa: 15 milhões de jovens entre 18 e 29 anos não concluíram o Ensino Médio no Brasil em 2014, segundo mostra um estudo inédito realizado pelo Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária). De acordo com a pesquisa, pouco mais da metade (62%) dos jovens terminaram a etapa da Educação Básica. Uma estatística que alarma, mas que já foi pior – em 2005, o percentual ficava em torno de 46,8%.

Esses jovens podem ser divididos em dois grupos: os que abandonaram a escola e os que continuaram a estudar, mas estavam defasados nas séries escolares. Infelizmente, o primeiro grupo é maioria (79%). Entre aqueles que permanecem na escola, cerca de 82% cursavam o Ensino Médio, 17%, o Fundamental e 1%, a alfabetização de jovens e adultos.

Dados como esses mostram como a etapa continua marcada pela evasão e pela distorção idade-série. “A ineficiência do sistema escolar é evidenciada pela reprovação. Os jovens nessa faixa etária que ainda estão na escola sofreram várias reprovações e todos os estudos mostram que reprovação gera mais reprovação e não aprendizado”, analisa Antônio Augusto Gomes Batista, coordenador de pesquisa do Cenpec.

Para o pesquisador, reprovar deixa os alunos cada vez mais desestimulados, deslocados e, portanto, distantes da escola. “Não se trata de uma defesa da aprovação automática, mas de que a escola tenha mecanismos de monitoramento para intervir quando perceber que o aluno não está aprendendo. O professor só descobre que o aluno não sabe e toma medidas praticamente no final do ano, quando não há mais nada que possa ser feito”.

Outro conhecimento importante trazido pela pesquisa foi o perfil dos jovens que não concluíram o Ensino Médio e não voltaram a estudar. A maioria é do sexo masculino (56,8%), negra (67,3%), de baixa renda (41,1% entre os 25% mais pobres) e de trabalhadores (65,8%).

Sobre a maioria masculina, é possível apontar como causa o estigma de que meninos mais pobres, brancos ou negros, são violentos e que fazem resistência à escola. “Há um mito muito arraigado em nossa sociedade de que esses meninos não devem ser confiados. Isso gera uma internalização dessa imagem que os segrega”, diz Batista.

Uma segunda razão está na própria socialização masculina, baseada em uma cultura que nega tudo que é aparentemente feminino. “Para ser macho, homem de verdade, é preciso aderir a certa cultura de transgressão, de negação de valores tidos como mais femininos como a organização, a dedicação, a disciplina. Até coisas como ter letra boa, falar português padrão ou a leitura são vistos por muitos jovens como algo feminino. Então, há a negação da cultura escolar por ser ‘feminina’”, explica.

O abandono escolar relacionado à baixa renda familiar per capita está ligada à necessidade de complementar a renda da casa, isto é, ao ingresso no mercado de trabalho. “Outro fato que dificulta sua retenção é que aqueles que abandonam a escola têm rendimento maior do que aqueles que continuam estudando e trabalhando. Embora com o passar do tempo o rendimento caia gradativamente e isso se inverta”.

A razão da alta presença de negros, por sua vez, está nas raízes que sustentam as desigualdades raciais no país. “Há estudos que mostram que os professores, muitas vezes sem se darem conta, tendem a privilegiar os alunos brancos. Por exemplo, na Educação Infantil, dão mais afeto aos brancos do que aos negros, na hora de chamar alguém para falar chamam os brancos. etc. Os alunos negros são como que invisíveis, como se eles fossem piores do que os outros”. Em outras palavras, há na escola um racismo silencioso, uma preferência no cuidado, na cobrança, na hora de dar privilégios aos alunos de acordo com sua raça.

Diante de tantos obstáculos, quais estratégias podem influenciar esses jovens a permanecerem na escola? Para Batista, a principal é mudar a crença de que a reprovação é educativa. “O que precisamos são desses mecanismos de reparação de aprendizagem, tentar intervir ao longo do ano antes que seja tarde demais”.

Outro ponto importante é que, ao longo do Ensino Médio, os jovens estão construindo sua identidade pessoal, tentando descobrir quais são seus talentos, desejos, futuro. Esse é um momento excepcional para os processos de aprendizagem, durante o qual os alunos mais querem saber sobre si e o mundo que os cerca.

Se a escola auxiliar esse processo de construção, ela se torna um espaço com o qual o jovem pode contar. “Esse é o grande antídoto do abandono, mas para isso a escola tem que pensar sem preconceitos. O importante é procurar dar respostas para esses anseios tendo em vista o mercado de trabalho, mas sem abandonar outras coisas que são essenciais ao aluno, como estar junto a outros jovens, se divertir e conhecer o mundo através das ciências, das artes, etc.”, conclui. (Fonte: Carta Educação/Andi/Foto:reprodução).

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Cuidados compartilhados, salários equivalentes e crianças sendo prioridade absoluta

Desigualdade não é fruto do acaso, mas resultado de práticas históricas e respaldada por leis e por declarações públicas, Por: Rubens Bias*

paternidadeMulheres e homens são iguais e as crianças são prioridade absoluta segundo os artigos 5º e 227 da Constituição Federal. No entanto, não é isso que observamos. São frequentes distorções na divisão do trabalho doméstico, com mulheres em chamada “dupla jornada”, na qual elas trabalham fora e acumulam tarefas de cuidado com filhos e com a casa. Os homens se responsabilizam por menos de 20% dessas tarefas. E as mulheres além de terem mais atribuições, ganham salários 30% menores em média, no Brasil.

A desigualdade não é fruto do acaso, mas resultado de práticas históricas e respaldada por leis e por declarações públicas. Até 2015, um homem tinha direito a 3 a 4% da licença para estar com bebês recém nascidos, 5 dias diante de 4 meses. A justificativa é de que as mulheres precisam amamentar a criança. É correta, mas não leva em consideração aspectos psiquicos do desenvolvimento infantil ou a criação de distorções no mercado de treabalho. São encontradas declarações de políticos de que as mulheres devem receber salários menores por engravidarem ou de que homens não devem ter licença-paternidade porque “ficam no bar enchendo a cara, atrapalhando mais ainda a mãe”.

É evidente que uma das maneiras de combater essa desigualdade é com a implementação de medidas que ampliem a responsabilização dos homens pelas tarefas domésticas e familiares, como o cuidado com filhos. A presença paterna também gera benefícios de saúde ao bebê, aumentando o período de aleitamento da mulher, diminuindo a incidência de depressão pós-parto e acelerando o processo de recuperação quando a criança nasce prematura. São encontrados benefícios também para o pai  que passa a cuidar melhor da saúde, tem autoestima melhor e trabalham mais.

O Marco Legal da Primeira Infância, como é conhecida a lei 13.257 de 8 de março de 2016, tenta enfrentar essa questão. Prorroga para 20 dias a licença-paternidade para participantes do programa empresa cidadã, valendo também para adoção. São abonadas, a partir da lei, até 2 faltas para acompanhar a mãe no pré-natal e 1 falta por ano para acompanhar consultas do filho até os 6 anos. Posteriormente o beneficio foi estendido para os servidores públicos federais.

Ainda são muitos os desafios a serem enfrentados. É necessário que a ampliação da licença-paternidade seja estendida a todos os trabalhadores da CLT, como direito e não como benefício. É necessário que ela seja ampliada ainda mais, se aproximando da licença-paternidade. E é imprescindível enfrentar as questões culturais do cuidado masculino. No Grupo Hospitalar Conceição, a primeira empresa a adotar a ampliação da licença-paternidade, 30% dos pais não pediram ampliação da licença. Preferiram voltar a trabalhar depois de 5 dias.

Que essas mudanças sejam apenas o começo de uma mudança de mentalidade, por uma sociedade mais igualitária entre homens e mulheres e que coloque as crianças como prioridade absoluta. ([Fonte: Portal Promenino], Andi).

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*Rubens Bias, analista de políticas sociais, foi conselheiro do CONANDA (Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente), e trabalhou na Coordenação Geral de Saúde da Criança e Aleitamento Materno (CGSCAM), no Ministério da Saúde.

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A lição das Olimpíadas para nossas escolas

A abertura dos jogos foi um rico espetáculo para ser tratado nas salas de aula. Por: Maria Alice Setubal*.

aberturaDesde sexta-feira, o Brasil e o mundo não desgrudam os olhos da tevê para acompanhar o maior evento esportivo do mundo, as Olimpíadas. Na torcida, amantes das mais variadas modalidades esportivas se unem a pessoas que não acompanham cotidianamente o universo dos esportes, mas não resistem ao espírito olímpico.

As Olimpíadas oferecem grandes oportunidades para a aprendizagem e a discussão de questões atuais. Conteúdos inspirados dos jogos podem ir desde a educação física até a geografia, passando pela filosofia, pelo inglês ou até pela matemática. A abertura dos jogos, por exemplo, foi um rico espetáculo para ser tratado nas salas de aula. Assistir à abertura no Maracanã foi um momento inesquecível que guardarei na memória como um talismã, e que nos lembra o que temos de melhor na nossa cultura e jeito de fazer.

No evento, conseguimos falar de nossa história, opressões, belezas, destruições, tradições, ritmos, danças, tudo com muita alegria, cor e leveza. Falamos da importância da diversidade, das nossas diferenças e mandamos um recado sobre o aquecimento global de forma séria e consistente em meio a toda aquela festa. Mostramos ao mundo nossa brasilidade e conseguimos fazer mais com menos.

Sim, continuamos em meio a uma das maiores crises econômicas e políticas da nossa história, e as nossas desigualdades e mazelas sociais e educacionais persistem. Assim, é questionável se o custo de fazer uma Olímpiada era de fato viável e se o legado será recompensador. No entanto, o levantamento destas questões não invalida o nosso desejo e capacidade de celebrar o fato de sermos os anfitriões de uma festa global, em que o esporte manda sua mensagem de paz e união mundial. Essas contradições cabem em nosso jeito de ser e isso é parte de nossa potência.

O respeito à diversidade, a busca pelo diálogo e por saídas tanto para nossos problemas como para as crises mundiais podem ter inspirações e referências no espírito olímpico. Estes momentos são fundamentais para marcar simbologias e reforçar laços sociais, e por isso devem ser discutidas nas escolas. O esporte é uma atividade poderosa para trabalharmos valores fundamentais nesse momento que vivemos: disciplina, perseverança, projeto de vida, espírito de equipe, saber perder e saber ganhar.

E valores olímpicos e paraolímpicos como o respeito, a excelência, a igualdade, a coragem, a inspiração e a determinação deveriam ser abraçados não só por alunos, mas também por educadores e gestores. Uma escola aberta às questões do mundo contemporâneo é uma escola que traz para a sala de aula toda essa discussão com suas contradições e potências. (Blog Andi).

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*Maria Alice Setubal, a Neca Setubal, é socióloga e educadora. Doutora em psicologia da educação, preside os conselhos do Cenpec e da Fundação Tide Setubal e pesquisa educação, desigualdades e territórios vulneráveis.

 

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Estudo da UNESCO aponta que 263 milhões de crianças e jovens estão fora da escola

Segundo o documento, as maiores barreiras para limitar o acesso a educação estão ligadas a gênero, localização, riqueza e conflitos armados.

04-23-2015world_book-1024x680Estudo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) aponta que 263 milhões de crianças e jovens de todo o planeta – o equivalente a ¼ da população europeia – estão fora da escola, sendo que a África Subsaariana tem as maiores taxas de exclusão.

“Os países se comprometeram em dar educação de primeiro e segundo grau a todas as crianças até 2030. Estes dados apontam o trabalho que existe à frente se quisermos alcançar este objetivo”, afirmou a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, lembrando um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): educação inclusiva, equitativa e de qualidade.

“Nosso foco deve ser na inclusão, a partir das primeiras faixas etárias e durante todo o ciclo de ensino, com políticas capazes de superar todas as dificuldades em cada estágio, com especial atenção para as meninas, que ainda enfrentam as maiores dificuldades”, alertou.

O novo estudo “Não deixando ninguém para trás: quanto falta para a educação primária e secundária universal?” foi divulgado em conjunto pelo Instituto de Estatísticas da UNESCO e pelo Relatório de Monitoramento Global de Educação.

Os dados apontam que 61 milhões de crianças estão fora do ensino primário (6 a 11 anos), 60 milhões não frequentam o ensino fundamental (12 a 14 anos) e 142 milhões de jovens de 15 a 17 anos não estudam. Esta é a primeira vez que alunos do ensino fundamental são incluídos na pesquisa.

A África Subsaariana, que tem os piores índices, apresenta mais de 1/5 de crianças fora do ensino primário, 1/3 de jovens fora do ensino fundamental e quase 60% dos adolescentes fora das escolas de ensino médio.

Segundo o documento, as maiores barreiras para limitar o acesso a educação estão ligadas a gênero, localização, riqueza e conflitos armados. Em todo o mundo, 22 milhões de crianças (6 a 11 anos), 15 milhões de jovens (12 a 14 anos) e 26 milhões de adolescentes (15 a 17 anos) não frequentam a escola em regiões afetadas por conflitos.

O estudo aponta ainda que, apesar dos esforços e progressos feitos nas últimas duas décadas, 15 milhões de garotas nunca tiveram a chance de aprender a ler ou escrever no ensino primário, enquanto o número de meninos é de 10 milhões.

Fonte: ONU Brasil

Leitura Crítica

Quem lacra é quem luta, não quem lucra

Para militantes, representatividade negra e LGBT na mídia é conquista dos movimentos, mas é preciso manter a crítica.

Nesta semana, duas empresas colocaram suas marcas em uma posição de apoio e promoção da diversidade ao lançarem campanhas publicitárias estreladas por pessoas negras, homossexuais e com diversas identidades de gênero. Ao mesmo tempo em que entendem os limites e os interesses envolvidos em ações promovidas pelo mercado, especialistas e militantes veem nessas escolhas um passo importante na luta por representatividade na grande mídia.

“Essa nova postura em relação à representação que as marcas estão tendo é conquista nossa. A representatividade é uma pauta histórica do movimento”, afirma Danilo Lima, militante da Educafro.

Na propaganda da Skol, um jovem fora dos padrões normativos de gênero caminha por uma via escura e é fuzilado por olhares de reprovação e ameaça. Aos poucos, outras pessoas que passam pelo caminho dão as mãos a ele e o acompanham, criando um sentimento de força e identificação.

Na propaganda da Avon, militantes da causa LGBT e negra, como o cantor Liniker e a youtuber Jéssica Tauane, participam de uma festa junto com outras militantes trans para anunciar um produto “para todes”, brincando com uma estratégia das próprias pessoas LGBT de evitar a definição de gênero nas palavras.

Adriana Barbosa, uma das idealizadoras do Instituto Feira Preta, que une cultura negra e empreendedorismo, explica que é preciso se “desvencilhar dos preconceitos existentes e mascarados pelo mito da democracia racial”.

“Esse mito caiu, não cabe mais para os dias de hoje. A população negra tem mais acesso a informação, grau de escolaridade e renda. E quanto maior é a representatividade, o fortalecimento e reconhecimento de sua identidade, maior será a demanda por produtos que atendam às suas especificidades”, avalia.
Gênero

Fernanda Nascimento, autora do livro “Bicha (Nem Tão) Má” e pesquisadora de relações de mídia e gênero, lembra que a publicidade é “uma faca de dois gumes”. Ou seja, ao mesmo tempo em que a visibilidade da causa LGBT, por exemplo, leva pessoas a se informarem sobre o assunto, pode significar apenas uma inclusão deste grupo pelo consumo.

“[No caso das duas propagandas] tem a importância da representatividade, especialmente porque são pessoas que são militantes, que lutam por essas causas, não um Cauã Reymond. Deu visibilidade a pessoas reais. Por outro, é uma aposta em um determinado nicho de mercado. Temos que pensar o quanto isso não é usado para capitalizar essa militância. A Avon, por exemplo, que se propõe a ser uma empresa para todos, tem um histórico problemático com questões trabalhistas. Em relação ao movimento negro, o produto oferecido na propaganda tem cinco tons de pele: a branca é chamada de “porcelana” e a negra, de “café”. Até que ponto isso continua reproduzindo juízos de valores de maneira mais sutil, a porcelana como coisa delicada?”, questiona a pesquisadora.

A citação ao ator global Cauã Reymond faz referência a outro vídeo que causou polêmica neste mês: um clipe da cantora Barbara Ohana em que o artista, que explicita uma identidade cisgênero, interpreta uma mulher trans.

Com relação à representatividade de pessoas não heterossexuais, a pesquisadora apurou em sua dissertação de mestrado que, entre 1970, ano da primeira aparição de um personagem gay na TV, e 2013, houve 126 personagens da comunidade LGBT em 63 novelas.

Apesar de as aparições dessas pessoas terem se tornado mais frequentes na última década, Fernanda avalia que a representação ainda é problemática. Entre os 126 personagens, 74 eram homens e, do total, apenas quatro eram negros, enquanto personagens trans e bissexuais continuam invisibilizados.

“Quando pensamos nos outros marcadores sociais, a maioria é homem, gay, branco. Quando pensamos em classe social, cada vez mais temos representantes da classe média e performatividade de gênero dentro da norma. A gente continua tendo uma norma de visibilidade”, afirma a comunicóloga, relembrando os dados da pesquisa.
Negros

Quanto à representatividade da população negra na mídia, o caminho também continua longo. Uma pesquisa realizada pelo professor Wesley Pereira Grijóe, da Universidade Federal de Santa Maria, avaliou a presença de negros nas novelas exibidas entre 1999 e 2010 na Rede Globo, a maior realizadora desse tipo de produto no Brasil e uma das principais exportadoras do gênero para o mundo.

De um total de 53 produções, houve apenas 130 personagens negros – cada novela conta com a participação de mais de 100 artistas. O estudo tenta ponderar a evolução da representação das décadas anteriores, levantada pelo pesquisador Joel Zito Araújo, e constata que houve certos avanços. Nos dez anos analisados pela pesquisa, atores negros protagonizaram três produções e ocuparam papéis de destaque em outras, mas a etnia continuava subrepresentada.

Nesse contexto, propagandas de marcas que decidem abraçar esse público acabam sendo bem recebidas por grande parte dessa população, porque, mesmo hoje, nem a aceitação pelo consumo é uma prática comum.

“Se vivemos numa sociedade que é permeada por relações de mercado e se não possuímos as grandes empresas, os grandes oligopólios da indústria, nossa estratégia tem que ser a de inverter essa lógica opressora do capital para outra finalidade. Em termos práticos, é importante pensar nas milhares de pessoas que têm identificação de gênero com os personagens daquela propaganda [da Avon] e que se viram representadas”, afirma Lima, da Educafro. “A questão central é a gente não perder de vista a necessidade de crítica”.

Gisele Brito e Juliana Gonçalves – Brasil de Fato
Olhares

Um grito chamado arte

A sessão Olhares deste mês traz a abra do artista plástico Douglas Cândido, que questiona os padrões de beleza, perfeição e maneiras de ser na sociedade. Confira.

por Larissa Mota Calixto

“Eu quero gritar que a gente é livre!” – Douglas Cândido, artista plástico.

Buscar extrapolar o lugar do outro e os confinamentos dos armários, é o grito da luta LGBT contra a heteronormatividade. O trabalho que trazemos nesta edição da sessão Olhares pretende ser um grito de liberdade, usando da desconstrução cubista das formas e dos corpos, Douglas Cândido questiona os padrões de beleza, perfeição e maneiras de ser na sociedade.

“A gente precisa desconstruir essa ideia do homem perfeito, da mulher perfeita, da travesti perfeita e desse jeito perfeito de ser.” – Douglas Cândido, artista plástico de Recife-PE, que se tornou um pouco petrolinense com os anos que passou estudando na cidade.

Douglas, ariano com Plutão em escorpião, grita a sua não aceitação aos padrões pré-estabelecidos e sua militância exercida através da arte. “Eu me encontro muito nessas questões ligadas ao corpo, como as pessoas estão dominadas, pensando, fazendo e sendo iguais. A causa que grita muito alto em mim são as questões ligadas ao LGBT. Toda repressão que eu sofri por conta da minha sexualidade consigo colocar pra fora como um grito através do desenho. Eu me sinto ainda muito preso e preciso disso para falar, o meu instrumento é a arte. Através da arte consigo gritar algo que me ultrapassa!” – conta ele.

O trabalho desse jovem artista — que entrou no curso de artes visuais guiado por uma paixão pelo cinema e no desenho encontrou o seu caminho — tem a potencialidade de sair da tela e gritar pelo direito à voz e a existência da luta LGBT, que não deve e nem vai voltar para os armários. Através de personagens desconstruídos desde a forma trazendo desproporções no tamanhos de olhos, bocas e outras partes do corpo, além de uma mistura de características consideradas femininas e masculinas, ele nos questiona e brinca com os nossos limites de percepção de gênero. Afinal, o que nos torna homem e mulher?

A arte atinge no coletivo! — Exclama Douglas sobre as potencialidades políticas da arte. Ela é um instrumento que pode promover mudanças e questionar padrões sociais, através do incômodo muitas vezes. Um símbolo utilizado por um artista pode ganhar proporções inimagináveis, justamente por atingir a um grande número de pessoas, diz ele. A exemplo disso, ele cita a performance da mulher trans Viviany Beleboni, na parada do orgulho LGBT em São Paulo. Ela utilizou símbolos religiosos para questionar uma religião que na sua filosofia diz “amai ao próximo”, mas em setores radicais tem agido na contra mão disso em relação a comunidade LGBT.

A arte pode promover questionamentos e mudanças, a partir de desconstruções de padrões. Ser artista já é uma atitude revolucionária numa sociedade que parece pouco valorizar a arte. É necessário que sejamos empurrados a sair das nossas zonas de conforto para que todos tenhamos voz, espaço e existência garantidos. Somos humanos afinal, é isso que o trabalho de hoje nos mostra através de formas desconstruídas, quebras de padrões com tinta nanquim.

Em 2014, Douglas Cândido ganhou com este trabalho o Salão Universitário de Arte Contemporânea do Sesc Casa Amarela – UNICO, do Sesc de Recife-PE. O Salão UNICO pretende promover trabalhos universitários de artes visuais. Sua obra já foi exposta na reitoria da Univasf, na Galeria Ana das Carrancas no Sesc de Petrolina.

 

[Amy Amy Amy – Douglas Cândido (Naquim sobre papel. Formato A3)]

 

[As meninas – Douglas Cândido (Nanquim sobre papel. Formato A3.)]

 

[Doiderinha – Douglas Cândido (Nanquim sobre papel. Formato A3.)]

 

[Galeguinha -Douglas Cândido (Nanquim sobre papel. Formato A4)]

 

[Gata com vestidinho de gato – Douglas Cândido (Nanquim sobre papel. Formato A3)]

 

[Sereia cigana – Douglas Cândido (Nanquim sobre papel. Formato A3)]

 

 

[Frida – Douglas Cândido (Nanquim sobre papel. Formato A3)]

 

[As namoradas – Douglas cândido (Nanquim sobre papel. Formato A3)]

 

[Douglas Cândido (Técnica: giz sobre parede. 6,30mx5m Exposição: Persona – 2015)]