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Carta aberta da Frente Negra ao CONUNI UNIVASF

Sobre o cumprimento da reserva de vagas para negros nos concursos

Foto: Divulgação

A Frente Negra do Velho Chico se dirige às integrantes e aos integrantes do Conselho Superior da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Conuni Univasf) sobre as vagas reservadas para negros nos concursos docentes da instituição.

O Conuni Univasf constituiu há alguns meses uma Comissão Antirracista, autora de uma análise estratégica para a promoção da igualdade racial em nossa região, o “Relatório 44”. Este relatório desenvolve uma avaliação detalhada da Lei Federal 12.990/2014 que estabeleceu uma reserva de no mínimo vinte por cento das vagas nos concursos da Administração Federal. Segundo este relatório, de junho de 2014 (quando foi aprovada a Lei 12.990/2014) a dezembro de 2019, foram realizados 17 concursos para contratação de docentes. Nenhum docente negro ou negra foi contratado por essa modalidade!

Ante situação tão grave, a Comissão recomenda que o Conselho Universitário reconheça que a lei não foi aplicada, resultando no não ingresso de até 44 docentes negros; e neste sentido, recomenda ainda com base na autonomia universitária, que o Conselho proponha uma política de reparação dessas vagas e por fim que a Univasf construa urgentemente uma política para garantir a efetiva aplicação da reserva de vagas para negros nos concursos.

Conquanto o racismo institucional signifique o fracasso coletivo de uma organização ou instituição para prover um serviço apropriado e profissional para populações e/ou pessoas de determinada cor, cultura ou origem étnica, resultando em desvantagens para essas pessoas e populações, conclamamos o Conselho Superior da Univasf a encampar as três recomendações do relatório 44, dando assim um forte – e urgente – passo no fortalecimento real da promoção da igualdade racial em nosso país.

 

Velho Chico – 26/5/2021

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Frente Negra do Velho Chico promove no dia 14 de maio bate papo sobre Teatro e Resistência com atores do Bando de Teatro Olodum e artistas da região

O objetivo é levantar fundos para a compra de cestas básicas e materiais de hiegiene e limpeza a serem doados

Foto: Divulgação

“No dia 14 de maio, eu saí por aí. Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir. Levando a senzala na alma, eu subi a favela pensando em um dia descer, mas eu nunca desci.”

Assim começa a canção de Lazzo Matumbi que descreve bem o que é o 14 de maio, o dia após a abolição que nunca aconteceu!!! Para que esse dia seja entendido, a Frente Negra do Velho Chico promove o bate papo “Teatro Negro e Resistência”, às 19 horas, com os atores do Bando de Teatro Olodum, Jorge Washington e Fábio Santana, as atrizes Thamy Oliveira e Ruthe Maciel e o diretor e roteirista Marcos Velasc.

O evento tem como objetivo arrecadar fundos para a campanha Juventude Vive, de arrecadação de alimentos e materiais de limpeza. Por isso as inscrições serão feitas até às 18 horas do dia 14, mediante o envio de uma contribuição de, no mínimo, R$10 (dez raisi), através do pix frentenegradovelhochico@gmail.com. Se puder, doe mais!!! O comprovante de pagamento deve ser enviado para o WhatsApp (071)99130-4862 ou para o direct do Instagram @frentenegradovelhochico.

O link será divulgado para os inscritos. O valor arrecadado será direcionado para a com pra  de cestas básicas e materiais de limpeza a serem distribuídos para populações vulneráveis da região, incluindo quilombolas, povos de terreiro, população em situação rua, população encarcerada entre outros grupos.

O dia 14 de maio é uma data marcante para o povo negro! É um dia após a abolição em que nada foi entregue aos nossos antepassados. Nenhum direito, nenhum trabalho, nenhum pedaço de terra, nenhum acesso aos marcos de cidadania do país!

Vejam o perfil de todas e todos que estarão com a Frente Negra no dia 14

Jorge Washington – Ator do Bando de Teatro Olodum, já atuou em vários filmes brasileiros, diretor e professor de Teatro. Atualmente comanda o programa Culinária Musical, como afrochef, passeando pela culinária ancestral.

Fábio de Santana – É ator, Produtor e membro do colegiado gestor do Bando de Teatro Olodum. Graduado em Administração, é idealizador e coordenador do Coletivo de Produtores Culturais do Subúrbio de Salvador; do Festival de Teatro do Subúrbio Ferroviário de Salvador; e do Coletivo Sarau do Cabrito. É membro da diretoria da Associação de Arte e Cultura E², e do Fórum de Arte e Cultura do Subúrbio Ferroviário de Salvador.

Tami Oliveira – Atriz do coletivo Abdias de teatro negro e coletivo dandaras. Estudante de ciências sócias- UNIVASF e do núcleo audiovisual – SESC petrolina. Formada em realização audiovisual pelo curso online cinema e Pensamento :narrativas negras pelo cetro afrocarioca de cinema negro. Maria na peça Antonias- coletivo abdias erformance amarras – coletivo dandaras.

Marcos Velasch – Ator, diretor, roteirista, arte educador, Licenciado em Teatro. Foi Coordenador do NAENDA – Instituto Cultural de Arte Educação Nego D’água. Foi Presidente  do Conselho Municipal de Cultura, Diretor do Grupo Ciência Cênica de Teatro Científico no Projeto de Popularização da Ciência através do teatro no Espaço de Ciência e Cultura da UNIVASF e há pouco mais de três anos fundou o Coletivo Abdias de Teatro Negro, onde desenvolve estudos, pesquisas e montagens de espetáculos.

Ruthe Maciel – Mãe solo de Ceci, atriz, escritora, editora e criadora de conteúdo do Genius Brasil desde 2016, estudante de artes cênicas // UFBA, cinema e linguagens audiovisuais (Sesc/PE) e produção cultural (pelo projeto DELAS produtora). Agente cultural pela Formação e Qualificação em Agentes Culturais, em 2017, projeto de extensão da Universidade Federal da Bahia. Performance Amarras pelo coletivo Dandaras Milena em @necropolisfilme

A fome tem pressa!!!! Cole na atividade da Frente Negra do Velho Chico!!!

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Racismo na publicidade: o caso de Juazeiro (BA)

Em uma live, que será realizado no dia 20 de abril, às 18h, a Frente Negra do Velho Chico e o Conselho Municipal de promoção da Igualdade Racial (Compir) de Juazeiro (BA) discutem essa questão.

A Publicidade, bem como outras linguagens da comunicação, tem sido palco de vários casos de racismo no Brasil, nas quais as pessoas negras são apresentadas em posições subalternas ou com uma imagem negativa. Estas peças têm sido sistematicamente denunciadas pelos movimentos negros.

Na live “Racismo na publicidade: o caso de Juazeiro (BA)”, que será realizado no dia 20 de abril, às 18h, a Frente Negra do Velho Chico e o Conselho Municipal de promoção da Igualdade Racial (Compir) de Juazeiro (BA) discutem essa questão. O tema central será a campanha lançada pela prefeitura municipal de Juazeiro (BA), no mês de março, em que traz pessoas negras, em particular uma mulher negra, com as seguintes legendas: irresponsabilidade, erro e culpa. A campanha foi apresentada em formatos para televisão, outdoor e mídias sociais, onde continua ativa.

Os movimentos negros locais denunciaram a peça e recorreram ao Ministério Público local solicitando providências, nos termos da lei. Para discutir o tema, as duas entidades convidaram especialistas das áreas da comunicação e do direito, Gabriela Sá, Bruna Rocha e André Santana, que trabalham com discussões raciais em suas pesquisas. Também convidamos a assessoria de comunicação da prefeitura de Juazeiro, mas a assessora Fernanda disse que “não conseguiria” participar. Segue abaixo um resumo dos currículos das/dos palestrantes:

Gabriela Barretto de Sá, professora do curso de Direito da UNEB (Campus III), onde coordena o Projeto de Extensão CAJUP Luiz Gama. Doutora em Direito na UnB, com período sanduíche na University of Pennsylvania. Mestra em Direito pela UFSC. Pesquisadora do Núcleo de Estudos em Cultura Júridica e Atlântico Negro (Maré/UnB) e do RHECADOS – Hierarquizações Raciais, Comunicação e Direitos Humanos (UNEB). Autora do livro “A negação da liberdade: direito e escravização ilegal no Brasil oitocentista (1835-1874)”.

Bruna Rocha, comunicadora de nascença e formação, jornalista e fundadora da plataforma Semiótica Antirracista, mestra e doutoranda em Comunicação e Culturas Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia, onde pesquisa a relação entre discurso, mediatização e acontecimento, a partir da cobertura do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Assessora de Comunicação do Programa Corra pro Abraço, @buarrocha foi 1° lugar no Prêmio Afirmativa de Reportagem, diretora de Mulheres da UNE e secretária de Mulheres do Coletivo Enegrecer, coordenou o 7° Encontro de Mulheres Estudantes da UNE, em 2016.

André Santana, jornalista, doutorando em Linguagens e professor de Comunicação Uneb e Ucsal”, colunista do portal Uol e co-fundador do Instituto de Mídia Étinica e do portal de notícias Correio Nagô.

 

Frente Negra do Velho Chico

Conselho Municipal de promoção da Igualdade Racial (Compir) 

 

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A fome tem pressa!

Doe alimentos! Uma campanha da Frente Negra do Velho Chico nas cidades de Petrolina, PE e Juazeiro, BA

A Frente Negra do Velho Chico chama você para ajudar a matar a fome de quem precisa. A situação do país é crítica e negras e negros são as maiores vítimas da Covid-19.

Estamos solicitando a doação de alimentos não perecíveis e produtos de limpeza e proteção – tais como sabão, álcool em gel 70%, desinfetantes, água sanitária, MÁSCARAS entre outros.

Vamos distribuir em bairros com alta concentração de população negra vulnerável; em casas e terreiros vinculados às religiões de matriz africana; em comunidades quilombolas e para a população carcerária das cidades de Petrolina e Juazeiro.

A pandemia revela desigualdades

Uma pesquisa divulgada pelo jornal Folha de São Paulo, no dia 19 de março, mostrou que enquanto entre brancos as mortes subiram 11,5%, entre negros o salto foi de 25%, no Estado de São Paulo. No Brasil todo os negros também foram as maiores vítimas.

Precisamos agir. É a população negra quem vive nas periferias das cidades, que enfrenta péssimas condições de saneamento básico e moradias precárias e cheias! E ao mesmo tempo, ao lado de outros grupos da população, é quem pega ônibus cheio todos os dias para trabalhar como domésticas, operários da construção civil, motoristas, enfermeiras, vendedores ambulantes, entregadores….É quem está nas ruas exposta à doença!!! 

A Frente Negra do Velho Chico chama você para essa luta URGENTE! Nosso povo negro precisa viver!

VAMOS CUIDAR UM DO OUTRO.

ESTAMOS POR NOSSA PRÓPRIA CONTA!

FIQUE EM CASA!!! NÃO ACREDITE EM QUEM QUER LHE EXPOR A MORTE!

ONDE E COMO DOAR

Na associação de Mulheres Rendeiras, em Petrolina. Avenida Francisco Coelho Amorim, José e Maria. Das 8 ás 12. Telefone – (87) 98819-8183

Faça a doação online!!! vakinha.com.br, código é 1013357

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O impacto do assassinato de George Floyd na grande mídia brasileira é tema de curso oferecido pelo Compir e Frente Negra do Velho Chico, nos dias 24 e 26.11

“Nesse curso, nosso propósito é contribuir na formação de telespectadores/as críticos/as e alertas ao racismo veiculado na grande mídia. Aliás, foi essa criticidade que levou, pelo menos, duas emissoras – Globo News e CNN – a fazerem alguns ‘ajustes’ internos”, afirmam as jornalistas organizadoras do curso.

Nos dias 24 e 26 de novembro, das 19 às 21 horas, as jornalistas, professoras e integrantes do Conselho Municipal pela Igualdade Racial de Juazeiro/BA (Compir) coordenam o mini-curso “Midia e racismo após o assassinato de George Floyd”. A iniciativa faz parte do projeto de Formação Novembro Negro – Comunicação, Racismo e Direitos Humanos, organizado pela Frente Negra do Velho Chico e Compir.

De acordo com as jornalistas “nesse curso, nosso propósito é contribuir na formação de telespectadores/as críticos/as e alertas ao racismo veiculado na grande mídia. Aliás, foi essa criticidade que levou, pelo menos, duas emissoras – Globo News e CNN – a fazerem alguns ‘ajustes’ internos”. O curso recorrerá a metodologia de estudo de casos e aos pressupostos da Análise Crítica do Discurso.

George Floyd, 46 anos, foi cruelmente assassinado em Minneapolis, estado de Minnesota (EUA), na 2ª feira, 26 de maio deste ano. A imagem do policial branco, Derek Chauvin, sufocando Floyd com um dos seus joelhos foi um estopim à luta antirracista. Por mais de 10 dias foram registrados protestos em várias cidades norte-americanas e em outros cantos do mundo.

Infelizmente, poucos dias antes da realização desse curso o mundo foi chocado com outro assassinato racista e cruel. Agora, no Brasil, em Porto Alegre/RS, quando em 19 de novembro, véspera do Dia Nacional da Consciência Negra (20.11), João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, foi brutalmente assassinado no Carrefour, por um segurança e um PM.

Além desse, serão oferecidos outros cursos, confira abaixo a programação completa:

24/11 e 26/11, 19h-21h: Módulo I (Compir/RHECADOS) – Mídia e Racismo após o assassinato de George Floyd

01/12 e 03/12, 19h-21h: Módulo II (Neafrar Univasf/Frente Negra do Velho Chico) – História do Movimento Negro após a “Abolição”

08/12 e 10/12, 19h-21h: Módulo III (CAJUP) – Racismo e Direito

Maiores informações favor contatar com: Céres Santos – Registro 6156 DRT/RS e Márcia Guena.

 

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Conquista do povo negro: Petrolina é a primeira cidade de Pernambuco a regulamentar Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa

O projeto de autoria do vereador Gilmar Santos (PT), e que tramitava há mais de 10 meses na Casa Plínio Amorim, surge como uma das principais ferramentas para promoção de políticas públicas de combate à discriminação racial e à intolerância religiosa no município

Foto: Ascom Mandato Coletivo

Depois de 10 meses de luta e mobilização dos movimentos negros do Vale do São Francisco, foi aprovado hoje (10), na Câmara Municipal de Petrolina-PE, o Projeto de Lei nº 152/2020, da autoria do vereador professor Gilmar Santos (PT), que institui o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa em âmbito municipal. A matéria foi aprovada por unanimidade dos/as parlamentares presentes.

O projeto construído e debatido junto a diversos representantes da sociedade civil, movimentos sociais, instituições e organizações ligadas à luta antirracista na região, tem como objetivo garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, defesa dos direitos individuais, coletivos e difusos, assim como promover o combate à discriminação e às demais formas de intolerância racial e religiosa em Petrolina a partir da inclusão do aspecto racial nas políticas públicas desenvolvidas pelo município. Este é o primeiro Estatuto da igualdade racial a ser instituído no estado de Pernambuco.

As discussões para construção do Estatuto tiveram início em outubro do ano passado, mas apesar da sua importância e necessidade para o enfrentamento ao racismo, às desigualdades e violências diversas, o projeto entrou em pauta três vezes (14 de julho, 11 e 25 de agosto) mas não chegou a ser votado devido manobras de iniciativa de um vereador, apoiado, em diversas ocasiões, pela maioria dos vereadores da bancada do governo municipal.

:::[Entenda a trajetória do Estatuto na Câmara]

Para o vereador Gilmar Santos, “a aprovação do Estatuto depois de tantas interferências contrárias significa uma vitória histórica do povo preto em Petrolina e em Pernambuco, já que somos o primeiro município a regulamentar a lei 12.288/2010 e, especialmente, uma vitória dos movimentos negros e sociais organizados, o que garante benefícios para a população em geral, pois afinal de contas uma sociedade que tem igualdade de oportunidades, que procura superar os preconceitos, a discriminação, as estruturas racistas da sua vida social, consegue se desenvolver de forma mais justa e igualitária, o que é bom parra todos e todas. Fazemos aqui um reconhecimento, também, do compromisso de cada vereador e vereadora que votou favorável ao projeto e buscou evitar que a Câmara de Petrolina viesse a cometer racismo institucional, como bem desejou determinado vereador. Agora é lutar para a implementação, efetividade e avanços dessas políticas no município. Deixo nossa imensa gratidão a cada pessoa que assumir essa construção e mobilização conosco”.

Foto: Ascom Mandato Coletivo

Apoio dos Movimentos sociais

Diversos movimentos antirracistas da região, como a Frente Negra do Velho Chico, que participou da construção do projeto junto a outras organizações, vinham se organizado e cobrado dos parlamentares tanto nas redes sociais e nas ruas com cartazes, banners etc, como com baixo assinados e ofícios, a aprovação do Estatuto que tem extrema importância para a população negra do município.

Com a aprovação do Estatuto, o A Frente Negra Do Velho Chico mais uma vez se manifestou em Nota – Leia na íntegra:

FRENTE NEGRA E A APROVAÇÃO DO ESTATUTO

Quem nos dera podermos nos abraçar nesse 10 de setembro.

Quem nos dera poder nos dar as mãos, nos beijar e congratular.

Pois hoje, na Câmara de Vereadores de Petrolina, foi escrito um capítulo edificante da história da cidade, de Pernambuco e do Brasil.

Foi aprovado o Estatuto da Igualdade Racial e Combate à Intolerância Religiosa.

Não vamos dourar a pílula. Foi uma batalha dura, duríssima.

Quase um ano de tramitação. Quase alcança outro novembro.

Contudo, nossa pressão negra e popular foi muito grande.

Não fomos vencidos pelo cansaço das manobras e protelações.

Transformamos adversidade em oportunidade de – mesmo remotamente – nos encontrarmos, aquilombarmos e construir coletiva e politicamente.

Concluímos este momento mais fortes, mais coesos, mais conscientes.

Petrolina se torna referência nacional e estadual na promoção da igualdade racial e respeito religioso. Petrolina se torna a primeira cidade do interior de Pernambuco a ter um marco legal dessa natureza.

É preciso reconhecer a mensagem antirracista emitida pela maioria dos vereadores de Petrolina. Agora, cabe apenas a sanção do projeto de lei aprovado pelo prefeito Miguel Coelho.

Foi um trabalho de convencimento baseado em muita perseverança dos movimentos sociais negros e populares. Em um dos momentos mais graves da história do país é de grande importância ver a revisão de postura de alguns legisladores, a atenção destes aos precedentes e marcos constitucionais e legais, a exemplo do Estatuto Nacional da Igualdade Racial, a consciência de que concepções religiosas à parte, o Estado é laico e as Comissões devem se posicionar sem atropelar as dimensões técnicas e éticas quando estão presentes em um projeto de lei.

O protagonismo dessa jornada porém, é do povo negro organizado e a se organizar, dos povos originários, do povo de religião de matriz africana, dos artistas, da periferia, dos movimentos sociais e estudantis, dos intelectuais, que vem ao longo dos últimos anos – e principalmente dos últimos meses e semanas – seguindo nas lutas e resistências, ampliando e fortalecendo as redes de solidariedade, comunhão e principalmente COLABORAÇÃO.

Uma saudação pan-africana e afro-petrolinense muito especial é devida ao vereador professor Gilmar Santos e ao grande elenco do Mandato Coletivo. Bem como à Associação das Mulheres Rendeiras. Este não foi um projeto ou processo burocrático. Foi vivo, foi orgânico. Nós somos porque nós fomos e seremos.

Sigamos em alerta e em contínua vigilância. O Brasil é um dos países mais racistas do mundo. O estabelecimento do Estatuto é valiosa e valorosa. Mas para que se alcance todo o seu potencial necessário é preciso consolidar e ampliar a luta negra e antirracista no nosso Velho Chico. É necessário acompanhar o cumprimento da lei.

As medidas concretas para garantir a promoção da inclusão total, plena, integral e o combate de todas as formas de racismo, discriminação racial, xenofobia e qualquer tipo de intolerância continuarão dependendo de nós. Mas de hoje em diante, quer a sociedade civil organizada, quer o poder público municipal em Petrolina, conta agora com um alicerce para reconhecer e fortalecer a luta de décadas e séculos por reparação, igualdade, justiça social e democracia.

Parabéns a todas, todos e todes que contribuíram para que este momento se tornasse real.

YIBAMBE!*.

*Sigamos firmes!

 

Ascom Mandato Coletivo

 

 

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Grupo de vereadores bloqueia aprovação do Estatuto da Igualdade Racial em Petrolina (PE)

O Estatuto visa promover a igualdade de oportunidades e direitos para a população negra da cidade bem como o combate à intolerância racial e religiosa.

Sessão na Câmara de Vereadores de Petrolina, dia 14/07/2020

A Frente Negra do Velho Chico manifesta o seu repúdio e indignação diante da obstrução  para discussão de dois projetos, ocorrida na Câmara de Vereadores de Petrolina, durante a sessão de 14 de julho de 2020, terça-feira, quando foi retirada da pauta o projeto de Lei que institui o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate a Intolerância Religiosa (152/2019) e o projeto que altera a Lei  que cria o Conselho de Direitos Humanos (086/2019).  

O presidente da casa acatou um pedido, enviado 40 minutos antes do início da sessão, dos vereadores Osinaldo de Sousa, Secretário da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania, Zenildo da Silva, Secretário da Comissão de Justiça, Manoel Coelho Neto, Redator da Comissão de Justiça e Ruy Wanderley de Sá, presidente da Comissão de Justiça, que no pedido apresentado a casa não apresentaram nenhuma justificativa para a retirada da pauta.  Eles ainda pedem no ofício que os pareceres já elaborados e encaminhados sobre essas duas matérias sejam desconsiderados.

Para nós esta retirada de pauta prejudica a maioria dos cidadãos petrolinenses. Somos obrigados nos perguntar se estamos diante de uma intolerável demonstração de racismo institucional. Estamos? Negras e negros necessitam de leis que assegurem a equidade racial, secularmente negada pelos poderes públicos e em crescimento no Brasil e no mundo com o avanço da pandemia do coronavirus. O Estatuto visa promover a igualdade de oportunidades e direitos para a população negra da cidade bem como o combate à intolerância racial e religiosa. Em convergência com o Estatuto da Igualdade Racial aprovado pelo Congresso, em 2010, este será o primeiro Estatuto da Igualdade Racial no Estado de Pernambuco, quando for aprovado pela Câmara de Vereadores de Petrolina!

Para justificar a retirada do Estatuto da pauta, o vereador Osinaldo de Sousa alegou que não foi avisado formalmente sobre o projeto e não havia emitido parecer. Esse argumento não tem fundamento. O projeto foi amplamente divulgado pelo mandato Coletivo do vereador Gilmar Santos, autor de ambas propostas, desde no mínimo novembro de 2019, com a participação de vários segmentos da sociedade. Além disso, dois membros da comissão já haviam dado pareceres, o suficiente para ser posto na pauta da casa. 

O que é o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa?  

O Estatuto da Igualdade Racial é uma lei, que visa combater a desigualdade racial que atingem as pessoas negras no Brasil, promovendo a inclusão do aspecto racial nas políticas públicas desenvolvidas pelo Estado. No âmbito federal, foi instituída o Estatuto da Igualdade Racial, por meio da lei nº 12.288 de 2010. Outro exemplo importante é o Estatuto da Igualdade Racial e Combate à Intolerância Religiosa no âmbito do Município de Salvador/BA, em vigor desde 2019. 

Para que o Estatuto serve? 

Para garantir à população negra, vítima da discriminação racial histórica no Brasil, a participação igualitária na vida econômica, social e política do país. Para isso, o Estatuto estabelece medidas, programas e ações afirmativas no âmbito da educação, da cultura, do trabalho, da saúde, dentre outros. Ainda, o Estatuto otimiza o apoio e incentivo do Estado às iniciativas da sociedade civil que também busquem a promoção da igualdade e o combate ao Racismo Estrutural. 

Por que precisamos aprová-lo? 

Em Petrolina/PE, segundo dados do último Censo do IBGE, de 2010, a população negra representa 66,82% da população total, e encontra-se, em grande parte, concentrada nos bairros periféricos e na zona rural. Nesse sentido, o Poder Público Municipal tem o dever de garantir a igualdade de oportunidades para esta maioria da população e, para isso, é imprescindível a aprovação de mecanismos como o Estatuto da Igualdade, que visem combater a desigualdade racial e religiosa, além de garantir espaço e voz para a população negra. 

Além disso, é preciso atentar para as manifestações estruturais e institucionais do racismo na cidade. No país onde 75,5 % das vítimas de homicídio são negros, a cidade de Petrolina apresenta casos sintomáticos, como o assassinato dos jovens Matheus e Lucas em janeiro de 2020, ou a abordagem violenta da polícia contra as famílias negras que participavam da Mostra de Artes Novembro Negro, em 2019. O Estatuto da Igualdade Racial é um importante instrumento para combater esses sintomas!

Contexto atual vidas negras importam/covid-19:

O movimento “Vidas Negras Importam” ganhou notoriedade nos últimos meses, ao mesmo tempo que a pandemia do coronavírus acentuou as desigualdades já existentes no Brasil e, do mesmo modo, no Município de Petrolina, atingindo diretamente a população negra, especialmente no âmbito do trabalho e da saúde. Agora, mais do que nunca, é necessário que o Poder Público Municipal atue a favor da igualdade da população negra. Estatuto da Igualdade Racial já!

 

Frente Negra do Velho Chico

Matérias

Frente Negra do Velho Chico relança campanha e divulga dados das contribuições arrecadadas

O objetivo da campanha “NEGRITUDE VIVE” é atender as populações negras, periféricas, como quilombolas, povos de terreiro, população carcerária e de rua, além de outros grupos em condição de grande vulnerabilidade econômica das cidades de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).

Doações organizadas na Associação de Mulheres Rendeiras

A campanha organizada pela Frente Negra do Velho Chico, “NEGRITUDE VIVE”, destinada a arrecadação de alimentos não perecíveis e materiais de higiene e limpeza, continua. O objetivo é atender as populações negras, periféricas, como quilombolas, povos de terreiro, população carcerária e de rua, além de outros grupos em condição de grande vulnerabilidade econômica das cidades de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE). É importante ressaltar que esses dois municípios concentram uma parcela significativa de população negra: 73%, na cidade baiana e 67% na cidade pernambucana.

Na atual situação de crise na saúde, é necessário cuidado redobrado com aqueles que mais precisam de condições mínimas de proteção contra a pandemia de Covid-19. A população negra que vive nas periferias das cidades, que enfrenta péssimas condições de saneamento básico, moradias precárias e cheias, que trabalha nas ruas ou recebe baixos salários é hoje a que mais têm morrido com a disseminação do Coronavírus no Brasil.

O que arrecadamos até agora

Desde que colocamos a campanha na rua, em 30 de abril de 2020, muita gente aderiu e encorpou essa luta. Mas ainda é pouco, frente a situação da população negra na região e ao crescimento da pandemia.  Conseguimos atender 319 famílias: 234 em Juazeiro, a partir de uma parceria com a Prefeitura Municipal de Juazeiro, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social Mulher e Diversidade, que se encarregou da entrega de cestas básicas e de completar as doações não alcançadas pela Frente Negra. Em Petrolina foram 85 famílias atendidas, com o apoio e organização da Associação de Mulheres Rendeiras e do Gabinete do Vereador Gilmar Santos (PT), responsável pela entrega e também completando as cestas para as famílias não atendidas.

Vaquinha online

Outra iniciativa importante foi a Vaquinha online. Começamos a arrecadação em 22 de abril e a última contribuição ocorreu no dia 09 de junho.  Foram levantados R$ 2.428,14, depois de descontadas as taxas cobradas pelo site Vakinha https://www.vakinha.com.br/vaquinha/campanha-da-frente-negra-do-velho-chico(https://www.vakinha.com.br/vaquinha/campanha-da-frente-negra-do-velho-chico). Esse recurso foi utilizado para a aquisição de 47 cestas – contendo alimentos e materiais de higiene e limpeza – e aluguel de carro de som para veiculação da campanha “FIQUE EM CASA”. Esta campanha também continua.

 

A FRENTE NEGRA DO VELHO CHICO CHAMA VOCÊ PARA ESSA LUTA URGENTE! NOSSO  POVO NEGRO PRECISA VIVER!

VAMOS CUIDAR UM DO OUTRO!

#VIDASNEGRASIMPORTAM

ONDE DOAR:

JUAZEIRO

*Colegio Paulo VI – Avenida Paulo VI, Coréia. Tel: (74) 988180815. Das 8h às 17h.

*Centro POP – Rua Almirante Custódio de Melo- Countryclub (74) 3611-7119

(Seg -sex 8h-12h)

PETROLINA  

*Associação de Mulheres Rendeiras. Avenida Francisco Coelho Amorim, 190. José e Maria. Tel :8798819-8183 ligue para agendar a entrega.

*Câmara de vereadores / Gabinete do vereador Gilmar Santos.

Praça Santos Dumont – Centro. (87) 998020102 – (Quarta e sexta – 9h às12h / Quinta 15h às 17h)

Contatos e informações:

https://www.facebook.com/frentenegradovelhochico/

https://frentenegradovelhochico.blogspot.com/2020/04/campanha-negritude-vive.html

@frentenegradovelhochico

frentenegradovelhochico@gmail.com