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Simpósio proporciona vivências relacionadas à Agroecologia no Vale do São Francisco

Proposta é aliar teoria e prática, com oficinas, apresentações e vivências em áreas de referência

Durante o simpósio, os participantes conhecerão experiências desenvolvidas na região relacionadas a vários temas / GAU Agroecologia

O I Simpósio Transdisciplinar em Agroecologia (I SITRAG) acontecerá entre 08 e 10 de novembro na região do Vale do São Francisco. O evento é organizado pela parceria entre  grupos de agroecologia, organizações não governamentais (ONG’s), movimentos populares  e universidades da região, como o Grupo de Agroecologia Umbuzeiro (GAU), Universidade do Estado da Bahia (UNEB),  Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), Sertão Agroecológico, Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (SASOP), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Rede Territorial de Agroecologia.

O objetivo do Simpósio é relacionar e aprofundar diversos temas de várias áreas de estudo relacionados à Agroecologia, como a medicina, comunicação e pedagogia. Além das inscrições para ouvintes, é possível apresentar trabalhos durante a programação do evento. As inscrições para apresentação de trabalhos vão até a próxima sexta (26) e custam apenas 10 reais.

O evento contará com um momento de aprendizado através de oficinas sobre regularização fundiária, segurança alimentar, medicina popular, educomunicação, metodologias participativas, agrobiodiversidade e várias outras temáticas. Haverão também visitas para conhecer experiências relacionadas aos temas em comunidades quilombolas, assentamentos, Escolas Família Agrícola (EFAs) e centros de formação.

As inscrições na modalidade ouvinte ou monitor/a e poderão ser feitas através do site https://comunicacaogau.wixsite.com/umbuzeirogau/inscricao, onde também é possível conferir a programação completa. Outras dúvidas e informações podem ser resolvidas entrando em contato pelo número 74) 99137-9217.

Por Vanessa Gonzaga

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Permanência do jovem no campo depende de políticas públicas, diz relatório de congresso de agricultores

O documento, assinado pelos participantes do evento, foi apresentado diante de representantes do Ministério da Agricultura (MAPA), prefeitura, Poder Legislativo, universidades e órgãos públicos.

Foto: Ascom Sintraf

Para que a cultura agrícola familiar seja renovada, é preciso que existam projetos de incentivos aos jovens do campo. É o que diz o relatório sobre políticas públicas do 1º Congresso Municipal da Agricultura Familiar (CoMAF), que ocorreu durante esta sexta-feira (26), no auditório do Senac, em Petrolina, PE.

O documento, assinado pelos participantes do evento, foi apresentado diante de representantes do Ministério da Agricultura (MAPA), prefeitura, Poder Legislativo, universidades e órgãos públicos. E traz outras demandas consideradas importantes para o pequeno agricultor, dentre elas, a regularização fundiária e a desburocratização do acesso ao crédito bancário.

Foto: Ascom Sintraf

“As pautas apresentadas aqui [Senac] são importantes porque dizem respeito ao sustento e à sobrevivência da Agricultura Familiar. Os jovens, por exemplo, não se sentem motivados a permanecerem no campo. Não que eles não possam morar na cidade, mas que sigam trabalhando no campo, e, para que isso aconteça, dependemos de políticas públicas eficientes”, disse Isália Damacena, presidente do Sintraf, organizador do evento.

Estiveram presentes no congresso, entre outras autoridades, o coordenador de produção do MAPA, Michel Ferraz; o deputado estadual, Odacy Amorim; o vereador Gilmar Santos; o superintende do Incra, Bruno Medrado; o gerente regional do IPA, João Batista de Carvalho;  o pró-reitor do IF-Sertão, Ricardo Bittencourt; a pesquisadora da Embrapa, Paola Bianchini; o gerente executivo do INSS, Thalys Eliel; e o presidente do Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável, Cleiton Medeiros.

Foto: Ascom Sintraf

Espaço lotado

Embora o relatório, que será enviado para autoridades das três esferas do Poder Executivo, tenha ganhado importância no congresso, a programação do CoMAF se mostrou diversificada e explicativa. Com o auditório lotado, os agricultores participaram de várias palestras, tirando dúvidas sobre a reforma da previdência, agricultura de baixa emissão de carbono e o futuro da categoria.

Sentado numa das últimas fileiras do auditório, o agricultor Maurício de Souza, que mora no Núcleo 6 do Projeto de Irrigação Senador Nilo Coelho, deu especial atenção às palestras da previdência e de políticas públicas. “Temos alguns problemas com a assistência técnica fornecida pelo governo federal e agora estamos podendo discutir com o representante do MAPA para saber quando esse apoio será retomado”, comenta.

Outro tema bastante esperado, a Reforma da Previdência atraiu a atenção dos agricultores, interessados em entender o que ganham e perdem com a mudança da legislação. José Orlando Macedo, coordenador regional do programa de educação previdenciária do INSS, explicou sobre o fator previdenciário, aposentadoria rural, pensão por invalidez e a obrigatoriedade na contribuição. “Esperamos que esta palestra clareie as ideias e nos disponibilizamos a explicar mais para quem tiver interesse lá na sede do INSS”, indicou o coordenador.

Nova diretoria

Durante o congresso, ainda foi feita a reforma do estatuto do Sindicato dos Agricultores Familiares (Sintraf) e eleita sua nova diretoria, que, no mandato de quatro anos, deve defender os interesses da categoria nos âmbitos municipal, estadual e nacional.

Reeleita para a presidência da entidade, Isália Damacena disse que sua recolocação no cargo demonstra que tem atendido as expectativas de seus representados e que há um longo caminho pela frente. “O relatório que apresentamos não será uma mera formalização de demandas, queremos que todas as propostas sejam atendidas e lutaremos para isso por mais quatro, oito, vinte anos”, conclui a sindicalista.

Texto Jacó Viana

 

 

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Simpósio na Embrapa debate riquezas e diversidade da Caatinga

Recursos naturais, meio ambiente, desenvolvimento, biodiversidade da Caatinga, desenvolvimento sustentável e política públicas, estiveram nos painéis e eixos temáticos apresentados pelos pesquisadores e professores de diferentes Centros e Universidades.

caatgaA Caatinga é o 3º maior bioma brasileiro com mais de 1 milhão de quilômetros quadrados e possui uma enorme riqueza de plantas, animais e outras diversidades. E é sobre toda essa diversidade e sua relação com o povo que habita esse bioma, que aconteceu no período de 07 a 09 desse mês, Centro de Pesquisa da Embrapa em Petrolina, o I Simpósio do Bioma Caatinga.

O evento foi promovido pela própria Embrapa juntamente com vários órgãos ligados a pesquisa e ao desenvolvimento cientifico como universidades e outros centros de estudos. Além de pesquisadores da Caatinga, organizações sociais e movimento de trabalhadores/as que também estiveram presentes.

Questões como recursos naturais, meio ambiente, desenvolvimento, biodiversidade da Caatinga, desenvolvimento sustentável e política públicas, estiveram nos painéis e eixos temáticos apresentados pelos pesquisadores e professores de diferentes Centros e Universidades. Na manhã desta quinta-feira, aconteceu dentro da programação do evento, o lançamento do livro Maracujá Silvestre do pesquisador Francisco Pinheiro.

Os/as participantes desse Simpósio puderam contemplar ainda uma bonita amostra fotográfica denominada: “A Caatinga e suas Cores” com imagens de pássaros e tantos outros animais silvestres, além de várias belezas que compõem o cenário natural Caatinga.

A realização do Simpósio espera abrir mais espaço de discussão sobre a Caatinga, buscando dialogar com professores, estudantes, gestores de políticas pública, técnicos a sociedade em geral, formas de ampliar o intercâmbio e a articulação dos diversos atores locais e redes que poderão ser mais fortalecidas junto com as que já existem, agilizando o fluxo de informações que irão contribuir muito com a formação sobre a caatinga e sua riqueza.

O professor da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, Juracy Rufino, um dos expositores do Simpósio, lembrou o quanto a diversidade produtiva da Caatinga é viabilizada graças ao papel dos milhões de unidades produção que praticam a agricultura familiar e a criação de animais, elementos geradores de renda e desenvolvimento social, fortemente incentivado nos últimos anos.

O professor também expôs os desafios para as populações que vivem na caatinga especialmente nesse momento de crise política, onde a região precisa reafirmar os investimentos que foram conquistados e que devem ser ampliados como no acesso a agua a terra e a educação contextualizada por exemplo.

Opiniões

A agricultora Marly Alves Passo do município de Remanso (BA), comentou um pouco os temas levantados nesse Simpósio e até discorda do que foi apresentado sobre produção de energia na caatinga por meio torres eólicas que provocam tanto desmatamento e prejudica as famílias rurais. Ela diz ainda o quanto foi importante sua participação no evento porque isso lhe dá condições de melhorar as discussões feitas nas comunidades do seu município.

O técnico do Irpaa, Adelmo Ferreira, que acompanha famílias rurais de Juazeiro junto ao Projeto de Assessoria Técnica e Extensão Rural (Ater), também questiona alguns pontos levantados durante o simpósio, uma vez que alguns expositores não conhecem a fundo à realidade das famílias que vivem no Semiárido, mas, segundo Adelmo, eventos como esses, são importantes para que se continuem os estudos sobre a Caatinga e toda sua importância para o Nordeste e para o Brasil.

Texto e Foto:Ascom/Irpaa

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Seminário da Fenagri 2016 vai destacar agroindústrias e expansão de mercado

A programação inclui ainda o Encontro de Negócios, Minicursos e a Vila da Agricultura Familiar, além da área de exposição com 10 mil metros quadrados. A 26ª Fenagri será lançada em Petrolina nesta quinta-feira (7).

Consolidado como um dos principais eventos da Feira Nacional da Agricultura Irrigada – Fenagri, que acontecerá no Centro de Convenções Senador Nilo Coelho, em Petrolina – PE, de 25 a 28 de maio próximo, o Seminário deste ano vai apresentar o tema Agroindústrias no Vale – bases legais e tecnológicas para expansão de mercado. A Embrapa Semiárido já definiu a programação e durante a manhã e tarde do dia 27, reúne no Senai Petrolina  especialistas do setor com o propósito de fortalecer as ações para manutenção e expansão do mercado da agroindústria local.

O encontro começa às 8h, com a abertura oficial seguida da primeira palestra destacando o tema, Aspectos legais para o estabelecimento das agroindústrias, que será apresentado por Aionne Guimarães, da Agência Municipal de Vigilância Sanitária. Na sequência, a consultora do Sebrae, Márcia Maria de Medeiros Santos fala ao público sobre o Comércio e mercado dos produtos agroindustriais locais: possibilidades de mercado para agricultura familiar.

Depois de um rápido intervalo, os participantes poderão tirar dúvidas sobre o posicionamento de mercado de produtos agropecuários através dos signos distintivos, acompanhando a palestra do representante do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Gilberto Carlos Cerqueira Mascarenhas. A última atração da manhã, ficará a cargo da professora da UNEB,  Rita de Cássia Mirella Resende Nassur, que versará sobre o tema Embalagens: vida útil e valorização do produto.

O Seminário retoma as atividades no turno da tarde, debatendo o assunto Agroindústria da uva no Vale do Submédio São Francisco,  realidade x potencialidade, com apresentação  do professor Marcos dos Santos Lima, do Instituto Federal do Sertão Pernambucano – Petrolina (IF-Sertão). Depois, o público pode conferir como funciona o processamento do coco verde para obtenção de água de coco, polpa e fibras. Para falar sobre este tema foi convidado o pesquisador Fernando Antônio Pinto de Abreu, da Embrapa Agroindústria Tropical (CNPAT).

Com o encerramento marcado para 18h, o Seminário apresenta ainda a palestra, Desafios da agroindústria de polpa de frutas e subprodutos, com Ana Júlia de Brito Araújo do Instituto Federal do Sertão Pernambucano – Petrolina (IF-Sertão). E, após um intervalo, os participantes terão acesso a um estudo de casos de empresas de diferentes portes instaladas na região.

O Seminário Agroindústrias no Vale – bases legais e tecnológicas para expansão de mercado é uma promoção da Embrapa com apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Prefeitura Municipal de Petrolina, Câmara de Fruticultura, Sindicato da Agricultura Familiar e Sebrae.

Ascom

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Problema enfrentado por agricultores da Borda do Lago de Sobradinho é discutido em debate

Um das propostas que surgiu como resultado do debate foi a elaboração de um documento, através do INEMA e das associações de agricultores da Borda do Lago de Sobradinho, para orientar os trabalhadores sobre o que pode e não pode fazer no cultivo em áreas de vazante do Lago.

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Agricultores, representantes de órgãos públicos, prefeitos, deputados e sociedade civil em geral, participaram, na manhã desta terça-feira (12), no Auditório da Codevasf, em Juazeiro, de uma mesa de discussão sobre o problema que vem sendo enfrentado por produtores rurais da Borda do Lago de Sobradinho.

Com o tema “Crise Hídrica: Soluções para os produtores da Borda do Lago de Sobradinho”, a principal pauta discutida foi a proibição de cultivar, com o uso de agroquímico, na área de vazante do Lago, ou seja, a área que fica exposta com a baixa vazão, ação que vem sendo praticada por agricultores devido a escassez de água. Diante das notificações, as famílias, que dependem da agricultura, clamaram por alternativas para que não deixem de plantar e, consequentemente, percam a sua fonte de renda.

O evento foi promovido pelo Consórcio Sustentável do Território do São Francisco (Constesf).  O presidente do Constesf, Luiz Vicente Berti, abriu o debate salientando que os agricultores estão reivindicando uma condição de sobrevivência, o que permeia uma questão ambiental que não pode ser desmerecida. “A nossa grande proposição é que, em conjunto com autoridades políticas e os órgãos aqui presentes e dividindo responsabilidades, a gente possa permitir que todo o povo da Borda do Lago possa ter uma produção sustentável, ideal, uma produção em que os trabalhadores possam proteger o meio ambiente e o mesmo tempo proteger os seus filhos e filhar que dependem do trabalho deles para sobreviverem.”, frisou.

O objetivo do Constesf foi reunir os agricultores com demais autoridades políticas e órgãos competentes, como CHESF, EMBRAPA, CODEVASF, ADAB e INEMA, a fim de expor o problema e buscar uma solução que garanta a sobrevivência do agricultor, mas que não comprometa o meio ambiente.

Em sua fala, a representante dos agricultores ressaltou a necessidade de uma solução para a classe de maneira emergencial. “Estamos com um problema social e econômico. Os agricultores estão com medo de ficar sem trabalho. O que temos que fazer é achar uma solução rápida, precisamos muito de canais de aproximação, mas enquanto isso, precisamos sobreviver. Nós, trabalhadores do campo estamos sem saber o que fazer.”, declarou.

O coordenador da Unidade Regional do INEMA em Juazeiro, Anselmo Vital, ressaltou o papel do INEMA em alertar os agricultores que estão infringindo a leis ambientais. “O INEMA notificou e alertou sobre uma crise hídrica que estamos vivendo. Têm pessoas se apropriando da área de preservação do Lago, jogando veneno no Rio. Entre a fome e o meio ambiente, nós temos que andar no caminho do meio. Vamos procurar alternativas e soluções, através do diálogo para que nem as famílias nem o Rio sejam prejudicados”, destacou.

 

Propostas levantadas

Um das propostas que surgiu como resultado do debate promovido pelo Constesf foi a elaboração de um documento, através do INEMA e das associações de agricultores da Borda do Lago de Sobradinho, para orientar os agricultores sobre o que pode e não pode fazer no cultivo em áreas de vazante do Lago.

Outra proposta levantada foi a realização de capacitações para orientar os agricultores a plantarem de forma correta, utilizando materiais adequados. A partir de solicitações realizadas pelos agricultores e políticos, a Codevasf se comprometeu em formar uma equipe para analisar a possibilidade de construção de canais de aproximação, que irá viabilizar o plantio em áreas permitidas.

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Adubação com compostagem laminar tem efeito superior à adubação química

De acordo com os estudos, os pesquisadores acreditam que a superioridade da compostagem laminar em relação à adubação química exclusiva pode estar associada também com o efeito desta prática na diminuição da temperatura e no armazenamento de água no solo.

Adubação com compostagem laminar

A adubação do coqueiro-gigante do Brasil realizada com esterco e resíduos vegetais demonstrou resultados de produção e ambiental superiores quando comparada com a adubação química exclusiva. Os dados foram obtidos após três anos de estudos realizados por pesquisadores e técnicos da Embrapa Tabuleiros Costeiros (SE) no Campo Experimental de Itaporanga D´Ajuda, sul de Sergipe.

A adubação realizada, indicada pelos pesquisadores para pequenas propriedades, é a compostagem laminar, prática desenvolvida para cobertura do solo na área circular ao redor da planta, conhecida como zona do coroamento, utilizando resíduos de culturas existentes na propriedade rural. A técnica assemelha-se ao processo que ocorre naturalmente em uma floresta: o solo é coberto por camadas de resíduos em diversos estágios de decomposição. Essa técnica contribuiu para o bom desenvolvimento da planta e aumento da produtividade com baixa utilização de insumos químicos.

Os pesquisadores compararam a compostagem laminar com outros três tipos de tratamentos: adubação química (na qual são aplicados nitrogênio, fósforo e potássio), húmus de minhoca e a compostagem laminar mais húmus de minhoca. Nos quatro tratamentos foi feita uma adubação inicial, com base na análise de solo, que consistiu em 1,5 kg de ureia, 1 kg de superfosfato simples, 1 kg de cloreto de potássio e 2 kg de calcário dolomítico.

Os pesquisadores também analisaram o desenvolvimento do sistema radicular das plantas. Os resultados mostraram que também nesse aspecto a compostagem laminar favoreceu o aprofundamento e a expansão lateral das raízes tanto na superfície quanto nas camadas mais inferiores do solo.

Resultados melhores a longo prazo

Os dados de produção relacionados a número de cachos e de frutos por plantas e volume de água por fruto foram obtidos de 24 colheitas. O coqueiro com adubação química apresentou ganhos de produção já no primeiro ano. Na compostagem laminar, o efeito favorável ocorreu significativamente após 24 meses de aplicação do tratamento. No início das pesquisas, em 2012, a produção em todos os tratamentos era equivalente a entre15 e 20 frutos por planta/ano.

Em 2013, esse número subiu para 35 na adubação química, enquanto  na compostagem laminar o aumento foi pouco expressivo. A resposta positiva da compostagem veio em 2014, dois anos após o início da aplicação dos tratamentos, quando a produção praticamente dobrou em relação ao ano anterior e a da adubação química se manteve estável.

Quando os pesquisadores avaliaram a quantidade de frutos que não tem valor no mercado, verificou-se maior perda, em números absolutos, nas plantas que receberam adubação química. Os frutos não comercializáveis são aqueles que durante seu desenvolvimento apresentam redução de tamanho, de peso e de volume de água, além de deformações na casca.

“Os resultados obtidos permitem pressupor que o melhor desempenho dos tratamentos com compostagem laminar está embasado em um dos pilares da agricultura agroecológica que preconiza que a matéria orgânica, além de fornecer nutrientes para as plantas, melhora e mantém a vida do solo, refletindo em aumento de produtividade ao longo do tempo. Esse fato contribui para aumentar a tolerância das plantas às doenças e pragas”, esclarece a pesquisadora da Embrapa Tabuleiros Costeiros Maria Urbana Correa Nunes.

De acordo com os estudos, os pesquisadores acreditam que a superioridade da compostagem laminar em relação à adubação química exclusiva pode estar associada também com o efeito desta prática na diminuição da temperatura e no armazenamento de água no solo. “Essas questões são relevantes porque nos meses mais secos do ano a redução de água no solo provoca forte estresse hídrico nas plantas com reflexo direto na produtividade. Esse tem sido um fator limitante em toda a área de produção de coqueiro na baixada litorânea do Nordeste”, afirma Nunes.

As pesquisas mostram que a manutenção adequada de água e nutrientes na área de maior concentração das raízes em solos excessivamente arenosos se constitui fator de alta produtividade para as culturas de modo geral e, especialmente, para espécies de crescimento e produção contínua como o coqueiro.

Ganho na produção e aprofundamento de raízes

As pesquisas sobre o sistema radicular do coqueiro demonstraram que o comprimento médio das raízes em profundidade, independentemente das distâncias avaliadas, foi maior no tratamento de compostagem laminar.

Para  avaliação do sistema radicular, foram abertas trincheiras próximas a quatro plantas de cada tratamento. A análise das raízes foi baseada na técnica de processamento e análise digital das raízes, utilizando-se o software Safira. Desenvolvido pela Embrapa Instrumentação (SP), essa ferramenta permite medir o comprimento médio das raízes lateralmente e em profundidade.

Cintra ressalta que esse estudo permitiu ainda questionar um pensamento comum, segundo o qual a melhoria na superfície do solo reduz o estímulo ao aprofundamento das raízes. “O resultado dessa pesquisa nos permite questioná-lo, porque a compostagem laminar propiciou, em relação a outros tratamentos, uma distribuição mais homogênea e em maior quantidade em todas as camadas avaliadas”, ressalta o pesquisador.

Na comparação das médias de comprimento de raízes por camada de solo, observou-se que ele foi maior entre 0 e 20 cm de profundidade. Esse fato reforça, para os pesquisadores, o potencial da compostagem laminar na melhoria das condições de umidade, temperatura e fertilidade na camada superficial do solo e, consequentemente, melhores condições para o desenvolvimento do sistema radicular.

Outra questão apontada pela pesquisa é que em todos os tratamentos a concentração das raízes está localizada, lateralmente, nos primeiros 100 cm a partir do estipe do coqueiro com a compostagem laminar sobressaindo dos demais. É nessa distância de até 100 cm que está concentrada a maior parte do sistema radicular do coqueiro em termos de comprimento.

Com relação à profundidade do solo, os estudos mostram que as raízes estão concentradas nos primeiros 60 cm. Cintra explica que isso reforça a necessidade de usar sistemas de manejo com capacidade de melhorar as características físicas, químicas e biológicas do solo e manter níveis constantes de umidade pelo maior espaço de tempo possível durante o ano.

Tecnologias não convencionais para o pequeno produtor

Cintra diz que o resultado da pesquisa foi surpreendente ao evidenciar que o uso da compostagem laminar permite ganho na produção ao mesmo tempo em que promove a reciclagem dos resíduos oriundos dos próprios coqueirais, com baixa utilização de agroquímicos e emprego de mão de obra familiar.

“Conseguimos disponibilizar aos produtores tecnologias simples, eficientes e não convencionais nos sistemas vigentes de produção de coco. E com a capacidade de melhorar a qualidade de vida dos produtores e redução da dependência de agrotóxicos”, conclui Cintra.

Coco brasileiro

O coqueiro (Cocos nucifera L.) é a palmeira de maior importância socioeconômica das regiões tropicais, sendo também uma cultura importante na sustentabilidade dos ecossistemas frágeis das regiões costeiras, onde poucas espécies vegetais são capazes de sobreviver. As condições ambientais do Nordeste são favoráveis ao cultivo do coqueiro-gigante, que ao longo dos anos passaram a fazer parte da paisagem do litoral nordestino.

Segundos dados do IBGE de 2013, no Brasil essa atividade econômica ocupa área em torno de 260 mil hectares, dos quais 212 mil estão no Nordeste, e gera emprego e renda para mais de 220 mil produtores, sendo que 85% são pequenos produtores familiares com menos de dez hectares.

Fonte: Embrapa