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Vox Populi: Bolsonaro e Haddad estão empatados

Segundo o instituto, os candidatos têm 50% de votos válidos e 43% em relação ao eleitorado total

Fernando Frazão/Agência Brasil / Ricardo Stuckert

Neste sábado 27, o Instituto Vox Populi, em parceria com o Brasil 247, divulgou nova pesquisa à corrida presidencial. Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) aparecem empatados com 50% das intenções de votos válidos.

Nos votos totais, as intenções de voto também registram empate, com 43% para cada candidato. Brancos e nulos representam 9%. Outros 5% não souberam ou não quiseram responder.

Na pesquisa espontânea, sem citar os nomes dos candidatos, Bolsonaro aparece com 51% dos votos, contra 49% de Haddad.

A pesquisa mostra queda de Bolsonaro desde a semana passada. No último levantamento Bolsonaro tinha 53% e Haddad 47% dos votos válidos.

Foram entrevistados 2.000 eleitores de 16 anos ou mais, em 121 municípios. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, estimada em um intervalo de confiança de 95%.

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À véspera da eleição, pesquisas confirmam crescimento de Haddad

Ibope e Datafolha divulgaram os últimos levantamentos eleitorais antes da votação

Haddad participa do último ato de campanha, em Heliópolis, São Paulo / Foto: Ricardo Stuckert

Os institutos Datafolha e Ibope divulgaram, na noite deste sábado (27), as últimas pesquisas de intenção de voto para presidente antes da votação em segundo turno, neste domingo (28).

De acordo com o levantamento do Datafolha, Jair Bolsonaro (PSL) teria 55% dos votos, contra 45% de Fernando Haddad (PT). Já o Ibope registrou 54% para o militar reformado e 46% das intenções de voto para o ex-ministro da Educação.

Em quatro dias, a vantagem de Bolsonaro na disputa pela Presidência da República caiu de 14 para 8 pontos percentuais na Pesquisa Ibope. Já o levantamento Datafolha registrou que a vantagem do candidato do PSL sobre o petista caiu de 18 para 10 pontos em nove dias.

Os eleitores inclinados a votar em branco ou a anular o voto são 8%, segundo o Datafolha – 5% disseram que ainda não sabem em quem votar. Em resposta à pesquisa Ibope, 10% afirmaram que pretendem votar branco ou nulo e 2% disseram que não têm candidato.

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Bolsonaro é um ”perigo real”, afirma bispo brasileiro

”Sua atitude é perigosa: ele prega a violência armada, afirmando que bandido bom é bandido morto… Ele quer mais repressão e até recompensar os policiais que saem atirando nos delinquentes. Ele quer mais prisões e menos recursos para a educação”

Créditos da foto: D. André de Witte, Bisco de Ruy Barbosa, na Bahia (Jacques Berset)

A eleição de Jair Bolsonaro para a presidência do Brasil representaria um perigo real para o país, avalia D. André de Witte. O bispo de Ruy Barbosa, no Estado da Bahia, lamenta o excesso de prudência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB “que conheceu períodos mais proféticos que hoje”

A reportagem é de Jacques Berst, publicada por cath.ch, agência católica da Suíça, 19-10-2018. A tradução é de IHU On-Line.

  1. André de Witte, bispo belga que vive no Brasil desde 1976, falou de seus temores no no dia 18 de outubro de 2018, em Genebra. Ele testemunhou na ONU a realidade brasileira a convite da “Franciscans International”, uma ONG que tem o estatuto de consultora junto à ONU. Ela faz um trabalho de ‘advocacy’ em favor dos direitos humanos, pela promoção da justiça, da paz e da proteção da criação. D. de Witte foi ameaçado de morte, nas redes sociais, por partidários de Bolsonaro.

“A parte podre da Igreja católica”

Mas ele não é o único alvo: até a muito prudente CNBB foi chamada, juntamente com o Conselho Indigenista Missionário – CIMI, pelo favorito da eleição presidencial, de “ser a parte podre da Igreja católica”. Há vários dias, circula nas redes sociais um vídeo onde o ‘caudilho’ do Partido Social Liberal insulta a Conferência Episcopal Brasileira com linguagem vulgar, como é seu costume.

Nostálgico da ditadura que ensanguentou o Brasil de 1964 a 1985, com seu cortejo de militantes e de simples civis torturados, assassinados ou exilados, Bolsonaro demonstrou, no curso da sua longa carreira política, sua hostilidade aberta contra a Igreja católica.

O antigo militar visa sobretudo os setores mais comprometidos com as causas sociais e os direitos dos mais pobres. Ele não hesitou, certa vez, de na tribuna do Congresso Nacional, dizer que o cardeal Paulo Evaristo Arns, um dos grandes opositores da ditadura militar, era um homem “sem honestidade” e um “aproveitador”.

O papa Francisco também foi tratado de “comunista”

Há muito tempo que “o populista Bolsonaro nos insulta, lamenta D. André de Witte, pois ele não suporta nosso compromisso social, nossa vontade de participar na construção de uma sociedade justa e solidária… Nós somos qualificados de ‘comunistas’ quando nós perguntamos porque há tanta pobreza, quando nós buscamos as causas. O papa Francisco sofreu os mesmos ataques… É o caminho do Cristo!”

Frente aos ataques, D. André de Witte lamenta, com palavras cuidadosas, o excesso de prudência da CNBB: “numerosos são os bispos que têm medo de falar francamente. Falta uma mensagem imediata e clara. O povo se ressente desta falta”.

Para o bispo de Ruy Barbosa, não se trata de atacar uma pessoa, mas de analisar seu projeto político, pois o que está em jogo é, de qualquer maneira, a alternativa entre um “projeto de vida” e um “projeto de morte”. “Bolsonarotem um discurso racista, prega a discriminação contra as populações negras, contra as mulheres, quer suprimir a demarcação das terras indígenas na Amazônia”, afirma o presidente da CPT, pois os povos autóctones são considerados como um obstáculo para o desenvolvimento.

“Bandido bom é bandido morto…”

“Sua atitude é perigosa: ele prega a violência armada, afirmando que bandido bom é bandido morto… Ele quer mais repressão e até recompensar os policiais que saem atirando nos delinquentes. Ele quer mais prisões e menos recursos para a educação. Ele quer reforçar a segurança sem analisar os problemas sociais que são, em grande parte, a raiz da ‘insegurança”, detalha D. André de Witte. O candidato à presidência se deixa fotografar, ao lado de crianças, com armas de fogo: “mostrando para as crianças a maneira de manejar um fuzil… Ele incita à violência contra o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST, apoiando os grandes proprietários de terra. É um programa perigoso para a sociedade”.

Apoiado por evangélicos conservadores, entre os quais o ‘bispo’ Edir Macedo, líder da multinacional “Igreja Universal do Reino de Deus” – IURD e proprietário do Grupo Record e da Rede Record, a segunda maior do Brasil, Bolsonaro se beneficia do poderoso instrumento de propaganda. Ele manipula setores da Igreja católica se dizendo a favor da vida, contra o aborto e partidário da família tradicional contra o casamento de gays.

“Mas não é mais que um discurso”, diz D. André de Witte, lamentando que a campanha eleitoral não contribuiu para a reflexão. Trata-se, antes de tudo, de uma atitude antissistema: “não se quer mais o Partido dos Trabalhadores, o PT, que é acusado de todos os males, principalmente de fazer propaganda nas escolas em favor da homossexualidade. Os partidários de Bolsonarodifundem nas redes sociais uma multidão de ‘fake news’, de informações falsas, como, por exemplo, a distribuição de um kit gay nas escolas. Este kit nunca existiu!”

O bispo de Ruy Barbosa lamenta que os grandes meios de comunicação, como a Rede Globo, não fazem corretamente o seu trabalho. “Não temos meios de comunicação que informem corretamente, que analisem, que coloquem os temas em perspectiva, formem as consciências, alertando para o risco dos perigos que estão por vir. Talvez não seja algo voluntário, mas uma omissão que, no entanto, pode se tornar uma cumplicidade. Ainda espero, antes que seja tarde, que toda a sociedade acorde face ao grande perigo que se anuncia!”.

 

*Publicado originalmente em cath.ch | Tradução para o português da IHU On-Line

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Entrevistas

Guilherme Boulos: “No nosso vocabulário não existe a palavra covardia”

Ex-candidato presidencial pelo PSOL fala em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato sobre sua participação na campanha

Guilherme Boulos sela apoio a Fernando Haddad no segundo turno das eleições 2018 / Ricardo Stuckert

“Boa noite, presidente Lula”. Com essa frase, Guilherme Boulos inaugurou sua participação em debates presidenciais no primeiro turno das eleições gerais de 2018. Aos 36 anos de idade, o psicanalista e coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) representou uma aliança entre o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e diversos movimentos sociais, inclusive o movimento indígena de sua candidata a vice, Sônia Guajajara.

No próprio domingo, 7 de outubro, após a divulgação dos resultados, Boulos declarou apoio ao candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) Fernando Haddad e, desde então, segue em campanha pelo país. Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato ele comenta sua participação na campanha, os temas polêmicos do segundo turno e afirma: “Estaremos na rua, fazendo a resistência”.

Confira abaixo a íntegra da entrevista com Guilherme Boulos:

Brasil de Fato: Guilherme, como foi a sua experiência de participar das eleições como candidato presidencial?

Guilherme Boulos: Essa foi uma eleição completamente atípica, uma eleição marcada por muito ódio, por muito medo. E isso se traduziu nos resultados eleitorais, inclusive no nosso. É evidente que o número da nossa votação, o nosso desempenho eleitoral, ficou muito aquém daquilo que a gente esperava. Por outro lado, conseguimos contribuir para que o PSOL praticamente dobrasse a sua bancada e, mais do que isso, nós passamos uma mensagem de mudança durante o processo eleitoral que não se mede apenas pela quantidade de votos. Nossa campanha plantou sementes de um projeto de futuro, fez a denúncia, inclusive nos debates de televisão, em rede nacional, do que é o projeto dos bancos para o Brasil, do quanto o sistema político brasileiro está apodrecido, falido, precisando de uma mudança profunda, levou pautas importantes como a da reforma agrária, a luta por moradia, a defesa dos movimentos sociais, a defesa de pautas das mulheres, dos negros e negras, dos LGBTs que, se não fosse pela nossa candidatura, teriam sido silenciadas durante esse debate. A única vez que “reforma agrária” foi citada em um debate foi por nós, assim como temas essenciais e caros à esquerda brasileira e aos enfrentamentos que a gente julga necessários. Então, nós plantamos sementes de um projeto de futuro. Quando a gente planta uma semente, nem sempre o tempo do florescer é aquele que a gente deseja, nem sempre é o tempo de uma eleição. Mas nós não temos a menor dúvida de que acumulamos forças muito importantes para que esse projeto seja vitorioso.

Como você, como ex-candidato presidencial e representante do PSOL pretende atuar nessa reta final da campanha eleitoral?

A gente não vacilou um só minuto em tomar posição nesse segundo turno. No próprio domingo [7] à noite eu declarei publicamente o nosso apoio ao Fernando Haddad, o PSOL se posicionou logo na sequência em sua reunião da executiva nacional, porque para nós, o que está em jogo não é somente a disputa entre duas candidaturas, mas a disputa entre a democracia brasileira, um projeto que assegure direitos sociais, e um projeto ditador, de alguém que tolhe liberdades, de alguém que elogia a tortura, alguém que afirma o seu saudosismo em relação à ditadura militar no país. Então, a encruzilhada é muito grave. Desde o primeiro momento, nós já nos posicionamos, chamamos um ato com milhares de pessoas da Frente Povo Sem Medo na Avenida Paulista, na semana passada, eu tenho rodado o país durante essa semana em atividades em universidades no Rio de Janeiro, em São Paulo, Minas Gerais, Brasília, Fortaleza e vamos participar não somente da agenda que o Haddad vai construir, como também vamos fazer uma grande mobilização da Frente Povo Sem Medo e da Frente Brasil Popular na quarta-feira (24), em São Paulo, com milhares de pessoas para a mobilização pela virada.

Te surpreendeu a denúncia feita na semana passada pela Folha de São Paulo em relação ao caixa dois da campanha de Jair Bolsonaro?

Não me surpreendeu porque já estava bastante evidente para todo o país que o Jair Bolsonaro estava fazendo uma guerra suja no subterrâneo do WhatsApp. Isso não é de graça, isso custa dinheiro. O que a gente não sabia era como isso estava sendo operado e de onde vinha esse dinheiro. E a denúncia deixou claro que esse dinheiro está vindo de empresas privadas que apoiam o Bolsonaro e está sendo operado pelo mesmo esquema da Cambridge Analytics, que foi denunciada ao mundo depois da eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos. Que é a compra de dados pessoais sigilosos que foram desviados por essas empresas e que estão alimentando a máquina de mentiras do Bolsonaro no Whatsapp.

Embora a denúncia do pagamento desse serviço tenha sido revelada somente na semana passada, o bombardeio de fake news ocorre desde o primeiro turno. Porque não houve uma ação dos partidos democráticos antes?

Acho que houve um erro no primeiro turno, tanto por parte da campanha do PT como da campanha do Ciro Gomes, porque os dois queriam ter Bolsonaro como adversário no segundo turno, por conta da rejeição dele. E ninguém bateu no Bolsonaro. A nossa campanha, desde o princípio, entendeu esse risco e bateu no Jair Bolsonaro nos debates de televisão, pelo menos naqueles que ele foi, e mantivemos o posicionamento público durante todo o primeiro turno. Mas eu acho que é preciso saudar a reportagem da Folha, uma reportagem jornalística séria, com fundamento, da Patrícia Campos Melo, e aproveito para repudiar os ataques, as ofensas que ela tem sofrido nas redes sociais por apoiadores de Jair Bolsonaro.

Manuela D’Ávila, Lula e Guilherme Boulos, no encerramento da Caravana Lula pelo Sul, em Curitiba (PR), em março de 2018/ Ricardo Stuckert

A mídia hegemônica, exceto a Folha, deu pouca visibilidade a esse caso, vide o Jornal Nacional. Qual a sua avaliação da cobertura da grande mídia nessas eleições?

Uma parte da grande mídia que acredita que Jair Bolsonaro vai ganhar a eleição já está fazendo negociações com ele. Só isso pode explicar a completa falta de repercussão de um escândalo tão grave como o que foi divulgado. Veja que aí está em jogo dois crimes eleitorais que poderiam levar à cassação da chapa do Jair Bolsonaro. Há crime de caixa dois, que é a utilização de recursos não contabilizados provenientes de empresas privadas, que são proibidas de financiar campanhas eleitorais no Brasil. Ou seja, não se trata somente de recursos não contabilizados, eles sequer poderiam ser repassados para a campanha. E há um segundo crime que é o disparo de mensagens de Whatsapp com compra de dados das pessoas. Então, a gravidade disso, naturalmente, é passível, se o TSE tiver um julgamento sério e duro, da cassação da chapa de Jair Bolsonaro. E isso foi tratado como um mero incidente eleitoral pela mídia, quando foi tratado.

Independente de quem ganhe as eleições, qual a sua avaliação de como será o próximo período de luta política para os movimentos populares, com essa nova composição do Congresso?

Nós estaremos nas ruas e na resistência. No nosso vocabulário não existe a palavra covardia. Nós não vamos nos acovardar, independente de qual seja o resultado do próximo dia 28. Vamos trabalhar durante esses próximos dias para que Fernando Haddad seja eleito e que a gente consiga derrotar o projeto do atraso, representado por Bolsonaro. Mas, independente disso, no que depender de nós, os movimentos sociais brasileiros, vão estar nas ruas, defendendo os nossos direitos, levantando a bandeira da democracia e construindo e fortalecendo o nosso projeto. Não podemos nos deixar intimidar por aqueles que tentam, no grito ou na violência, silenciar pessoas ou bloquear a luta social. Nós vamos seguir lutando.

Após as eleições, caso o candidato que você apoia ganhe, você assumiria algum cargo em um eventual governo de Fernando Haddad?

Isso não está colocado. Esse debate não foi feito em nenhum espaço. Eu fui candidato a presidente da República como parte de um projeto político, um projeto de esquerda, com vários atores envolvidos, numa aliança que envolveu o PSOL, o PCB, a Mídia Ninja, o MTST, o movimento indígena, a Intersindical, um conjunto de movimentos sociais, de juventude e diversos outros que estiveram juntos com a gente nesse processo. E passando as eleições, nós vamos definir os rumos que essa aliança vai tomar. Até aqui, nesse momento, a nossa preocupação fundamental é a de derrotar Jair Bolsonaro e preservar a democracia no país.

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Declaração de Eduardo Bolsonaro é golpista, diz Celso de Mello

Os ministros Rosa Weber e Marco Aurélio Mello também reagiram à afirmação de que ‘um soldado e um cabo são suficientes para fechar o STF’.

‘Votações expressivas não legitimam investidas contra a ordem político-jurídica’

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello classificou a afirmação do deputado federal eleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) – de que bastam um soldado e um cabo para fechar a Corte – de “inconsequente e golpista”.

Na tarde do domingo 21 um vídeo com a declaração do filho do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) passou a circular na internet e chegou aos ministros do STF.  Na gravação, feita há cerca de quatro meses em uma palestra no Paraná, ele afirma que “se quiser fechar o STF […] manda um soldado e um cabo”. Em tom de ameaça, disse que se o STF impugnar a candidatura do pai “terá que pagar para ver o que acontece”. “Será que eles vão ter essa força mesmo?”, pergunta.

Na ocasião, ao ser questionado sobre a possibilidade de o Supremo Tribuna Federal impedir que Bolsonaro assumisse a presidência se ele vencesse no primeiro turno das eleições e se o Exército poderia agir nesse caso, o deputado respondeu:

“Aí já está encaminhando para um estado de exceção. O STF vai ter que pagar para ver. E aí quando ele pagar para ver, vai ser ele contra nós. Você tá indo para um pensamento que muitas pessoas falam, e muito pouco pode ser dito. Mas se o STF quiser arguir qualquer coisa – recebeu uma doação ilegal de cem reais do José da Silva e então impugna a candidatura dele. Eu não acho isso improvável, não. Mas aí vai ter que pagar para ver. Será que eles vão ter essa força mesmo? O pessoal até brinca lá: se quiser fechar o STF, você sabe o que você faz? Você não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo. Não é querer desmerecer o soldado e o cabo não.”

Ele continuou: “O que que é o STF, cara? Tira o poder da caneta de um ministro do STF, o que que ele é na rua? Você acha que a população… Se você prender um ministro do STF, você acha que vai ter uma manifestação popular a favor do ministro do STF?”. Impugnações de candidaturas, no entanto, cabem ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e não ao STF.

Ao jornal Folha de S. Paulo, o decano do STF Celso de Mello, enviou uma declaração por escrito e pediu para que a publicação fosse na íntegra:

“Essa declaração, além de inconsequente e golpista, mostra bem o tipo (irresponsável) de parlamentar cuja atuação no Congresso Nacional, mantida essa inaceitável visão autoritária, só comprometerá a integridade da ordem democrática e o respeito indeclinável que se deve ter pela supremacia da Constituição da República!!!! Votações expressivas do eleitorado não legitimam investidas contra a ordem político-jurídica fundada no texto da Constituição! Sem que se respeitem a

Constituição e as leis da República, a liberdade e os direitos básicos do cidadão restarão atingidos em sua essência pela opressão do arbítrio daqueles que insistem em transgredir os signos que consagram, em nosso sistema político, os princípios inerentes ao Estado democrático de Direito”.

A ministra Rosa Weber, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disse que a magistratura se mantém firme. “No Brasil, as instituições estão funcionando normalmente. E juiz algum no país, juízes todos no Brasil [que] honram a toga, se deixa abalar por qualquer manifestação que eventualmente possa ser compreendida como conteúdo inadequado”, afirmou ela.

Marco Aurélio de Mello, também ministro do STF, disse que vivemos “tempos sombrios”. “Vamos aguardar, com toda a serenidade, os acontecimentos”. O vice-procurador-geral eleitoral, Humberto Medeiros, não comentou.

Ainda de acordo com a Folha, os ministros agora aguardam a chegada do presidente da Corte, Dias Toffoli, para discutir um posicionamento. Ele estava em Veneza para compromissos profissionais e deve chegar nesta segunda-feira 22 em Brasília.

“Desculpas”

Após a repercussão, Eduardo Bolsonaro usou o Twitter para se manifestar sobre o vídeo, dizendo que apenas respondeu a uma “hipótese esdrúxula” sobre a impugnação de Jair Bolsonaro sem qualquer fundamento. Ele afirmou que jamais acreditou nessa possibilidade, mas que, se algo parecido acontecesse seria algo fora da normalidade democrática. E que citou apenas uma brincadeira que diz ter ouvido na rua. Eduardo Bolsonaro disse que se foi infeliz e atingiu alguém, pede desculpa tranquilamente e diz que não era a intenção dele.

Já seu pai, Jair Bolsonaro, ao ser questionado sobre a afirmação e antes de saber que a fala era de seu filho, afirmou que “não existe crítica sobre fechar STF. Se alguém falou em fechar STF, precisa consultar um psiquiatra”. Quando foi informado que a declaração era de seu filho, disse: “Eu desconheço. Duvido. Alguém tirou de contexto.”

Durante entrevista em São Luís (MA), Fernando Haddad, que concorre à Presidência com o ex-militar, classificou a família de Bolsonaro como “grupo de milicianos” e “gente de quinta categoria”. Haddad disse que “o filho dele chegou a gravar um pensamento, se é que pode se chamar assim o que eles falam, em que diz que vai fechar o Supremo Tribunal Federal, se eles desafiassem o Poder Executivo. Mandariam um cabo e um soldado, nem de jipe precisaria. Esse pessoal é uma milícia. Não é um candidato a presidente. É um chefe de milícia. Os filhos deles são milicianos, são capangas. É gente de quinta categoria.”

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também comentou a fala de Eduardo Bolsonaro no Twitter, dizendo que “cheira a fascismo” e “merece repudio dos democratas”.

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CNBB, OAB E outras entidades da sociedade civil unem-se contra o fascismo

Entidades da sociedade civil e de representações de classe repudiaram, por meio de nota, os atos de violência de cunho político registrados nos últimos dias e reafirmaram a necessidade de defender os direitos sociais fundamentais e a liberdade de imprensa, além de condenarem o fascismo crescente no país

Por meio de uma nota conjunta diversas entidades da sociedade civil e de representações de classe como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Federação Nacional do Jornalistas (Fenaj), repudiaram os atos de violência de cunho político registrados nos últimos dias e reafirmaram a necessidade de defender os direitos sociais fundamentais e a liberdade de imprensa, além de condenarem o fascismo crescente no país.

Na nota, as entidades destacam “o repúdio a toda manifestação de ódio, violência, intolerância, preconceito e desprezo aos direitos humanos, assacadas sob qualquer pretexto que seja, contra indivíduos ou grupos sociais, bem como a toda e qualquer incitação política, proposta legislativa ou de governo que venha a tolerá-las ou incentivá-las” e a “necessidade de preservação de um ambiente sociopolítico genuinamente ético, democrático, de diálogo, com liberdade de imprensa, livre de constrangimentos e de autoritarismos, da corrupção endêmica, do fisiologismo político, do aparelhamento das instituições e da divulgação de falsas notícias”.

O documento pede, ainda, ” que todas as pessoas e instituições a que reafirmem, de modo explícito, contundente e inequívoco, o seu compromisso inflexível com a Constituição Federal de 1988, no seu texto vigente, recusando alternativas de ruptura e discursos de superação do atual espírito constitucional, ancorado nos signos da República, da democracia política e social e da efetividade dos direitos civis, políticos, sociais, econômicos e ambientais, com suas indissociáveis garantias institucionais”.

Veja a íntegra do documento.

NOTA CONJUNTA

As entidades signatárias abaixo nominadas, representativas da sociedade civil organizada, no campo do Direito e das instituições sociais, por seus respectivos Representantes, ao largo de quaisquer cores partidárias ou correntes ideológicas, considerando os inquietantes episódios descortinados nos últimos dias, nas ruas e nas redes sociais, ao ensejo do processo eleitoral, de agressões verbais e físicas – algumas fatais – em detrimento de indivíduos, minorias e grupos sociais, a revelar crescente desprestígio dos valores humanistas e democráticos que inspiram nossa Constituição cidadã, fiadores da convivência civilizada e do exercício da cidadania, vêm a público:

AFIRMAR o peremptório repúdio a toda manifestação de ódio, violência, intolerância, preconceito e desprezo aos direitos humanos, assacadas sob qualquer pretexto que seja, contra indivíduos ou grupos sociais, bem como a toda e qualquer incitação política, proposta legislativa ou de governo que venha a tolerá-las ou incentivá-las;

REITERAR a imperiosa necessidade de preservação de um ambiente sociopolítico genuinamente ético, democrático, de diálogo, com liberdade de imprensa, livre de constrangimentos e de autoritarismos, da corrupção endêmica, do fisiologismo político, do aparelhamento das instituições e da divulgação de falsas notícias como veículo de manipulação eleitoral, para que se garanta o livre debate de ideias e de concepções políticas divergentes, sempre lastreado em premissas fáticas verdadeiras;

EXORTAR todas as pessoas e instituições a que reafirmem, de modo explícito, contundente e inequívoco, o seu compromisso inflexível com a Constituição Federal de 1988, no seu texto vigente, recusando alternativas de ruptura e discursos de superação do atual espírito constitucional, ancorado nos signos da República, da democracia política e social e da efetividade dos direitos civis, políticos, sociais, econômicos e ambientais, com suas indissociáveis garantias institucionais;

MANIFESTAR a defesa irrestrita e incondicional dos direitos fundamentais sociais, inclusive os trabalhistas, e da imprescindibilidade das instituições que os preservam, nomeadamente a Magistratura do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho, a Auditoria Fiscal do Trabalho e a advocacia trabalhista, todos cumpridores de históricos papéis na afirmação da democracia brasileira;

DECLARAR, por fim, a sua compreensão de que não há desenvolvimento sem justiça e paz social, como não há boa governança sem coerência constitucional, e tampouco pode haver Estado Democrático de Direito sem Estado Social com liberdades públicas.

 

Brasília (DF), 19 de outubro de 2018.

 

CLÁUDIO PACHECO PRATES LAMACHIA

Presidente do Conselho Federal da Ordem

dos Advogados do Brasil (OAB)

 

GUILHERME GUIMARÃES FELICIANO

Presidente da Associação Nacional

dos Magistrados da Justiça do

Trabalho (Anamatra)

 

LEONARDO ULRICH STEINER

Secretário-Geral da Conferência Nacional

dos Bispos do Brasil (CNBB)

 

ÂNGELO FABIANO FARIAS DA COSTA

Presidente da Associação Nacional dos

Procuradores do Trabalho (ANPT)

 

CARLOS FERNANDO DA SILVA FILHO

Presidente do Sindicato Nacional dos

Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait)

 

ALESSANDRA CAMARANO MARTINS

Presidente da Associação Brasileira dos

Advogados Trabalhistas (Abrat)

 

MARIA JOSÉ BRAGA

Presidente da Federação Nacional dos

Jornalistas (Fenaj)

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Quem financia e quanto custa a campanha de Bolsonaro no WhatsApp?

Jornal aponta que empresas compraram pacotes de disparo de mensagens para favorecer candidato, prática irregular. Haddad vai acionar Polícia Federal e Justiça Eleitoral

Bolsonaro declara ter recebido apenas 2,5 milhões de reais até o momento

À Justiça Eleitoral, Jair Bolsonaro, do PSL, declarou ter recebido 2,5 milhões de reais em doações até o momento, menos de um décimo do que Fernando Haddad, do PT, diz ter arrecadado. Uma reportagem da Folha de S.Paulo indica que há bem mais recursos à disposição do capitão reformado do Exército, que podem configurar crime eleitoral se comprovados.

Segundo a apuração do jornal, empresas estão comprando pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp e preparam uma grande operação na semana anterior ao segundo turno. A prática é ilegal, pois se trata de doação de campanha por empresas, vedada pela legislação eleitoral, e não foi declarada em sua prestação de contas.

De acordo com a reportagem, cada contrato chega a 12 milhões de reais e, entre as empresas compradoras, está a Havan. O proprietário da rede varejista, Luciano Hang, foi recentemente proibido pela Justiça de coagir seus funcionários a votarem no candidato do PSL.

As empresas apoiando o candidato teriam comprado um serviço chamado “disparo em massa”, usando a base de usuários do próprio candidato ou bases vendidas por agências de estratégia digital. Isso também é ilegal, pois a legislação eleitoral proíbe compra de base de terceiros, só permitindo o uso das listas de apoiadores do próprio candidato, com números cedidos de forma voluntária.

Quando usam bases de terceiros, essas agências oferecem segmentação por região geográfica e, às vezes, por renda. Enviam ao cliente relatórios de entrega contendo data, hora e conteúdo disparado.

Entre as agências prestando esse tipo de serviços estão a Quickmobile, a Yacows, Croc Services e SMS Market, segundo a Folha. Os preços variam de 0,08 a 0,12 reais por disparo de mensagem para a base própria do candidato e de 0,30 a 0,40 reais quando a base é fornecida pela agência.

As bases de usuários muitas vezes são fornecidas ilegalmente por empresas de cobrança ou por funcionários de empresas telefônicas. Empresas investigadas pela reportagem afirmaram não poder aceitar pedidos antes do dia 28 de outubro, data da eleição, afirmando ter serviços enormes de disparos de WhatsApp na semana anterior ao segundo turno comprados por empresas privadas.

Questionado pelo jornal se fez disparo em massa, Luciano Hang, dono da Havan, disse que não sabe “o que é isso”. “Não temos essa necessidade. Fiz uma ‘live’ aqui agora. Não está impulsionada e já deu 1,3 milhão de pessoas. Qual é a necessidade de impulsionar? Digamos que eu tenha 2.000 amigos. Mando para meus amigos e viraliza.”

Se o Tribunal Superior Eleitoral comprovar a prática, Bolsonaro pode ser alvo de um processo por abuso econômico, que tem potencial para levar à cassação da chapa.

Com a proibição das doações empresariais de campanha, apenas pessoas físicas podem doar nestas eleições. A exceção são as empresas que administram o financiamento coletivo dos candidatos, a chamada “vaquinha online”. Nesta modalidade, Bolsonaro já recebeu mais de 2,1 milhões de reais, segundo sua prestação de contas. Apenas empresas cadastradas para esse tipo de modalidade podem doar aos candidatos.

É vedado às empresas fazer propaganda política em sites oficiais ou mesmo impulsionar conteúdos contra ou a favor de candidatos nas redes sociais. Recentemente, a Justiça Eleitoral mandou o Facebook remover uma propaganda anti-PT impulsionada por um spa em Ilhabela, que defendia o voto em Bolsonaro e João Doria, candidato ao governo paulista pelo PSDB.

Reação

Após a veiculação da reportagem da Folha Fernando Haddad, candidato do PT, anunciou que vai acionar a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral para impedir Bolsonaro “de agredir violentamente a democracia como ele tem feito”. Segundo o petista, fazer conluio com dinheiro de caixa 2 para violar a vontade popular é crime. “Ele que foge dos debates, não vai poder fugir da Justiça.”

Vamos acionar a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral para impedir o deputado Bolsonaro de agredir violentamente a democracia como ele tem feito. Fazer conluio com dinheiro de caixa 2 pra violar a vontade popular é crime. Ele que foge dos debates, não vai poder fugir da Justiça.

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Entrevistas

“Está explodindo uma bomba-relógio que ninguém quis ver”

Filósofo da USP diz que bravatas de Bolsonaro tiram o foco de projeto econômico rejeitado por maioria dos brasileiros e que nunca um candidato havia retirado da eleição o espaço público de discussão.

Para filósofo, com Bolsonaro, campanha saiu do espaço público e se deslocou para o ambiente virtual

Os posicionamentos de Jair Bolsonaro (PSL) sobre pautas identitárias, como os direitos das mulheres e LGBTs, dominaram o debate eleitoral no primeiro turno e atraíram o foco das atenções internacionais. Na leitura do filósofo Vladimir Safatle, professor da Universidade de São Paulo (USP), as declarações são utilizadas pelo candidato a partir de um cálculo estratégico para esvaziar a discussão política.

Em entrevista à DW Brasil, Safatle argumenta que a rejeição da sociedade brasileira a medidas neoliberais trouxe o país a uma situação “atípica” no cenário global, com universidades gratuitas e duas das maiores empresas do país sendo públicas.

“Os defensores dessa agenda compreenderam que a única maneira de impor suas reformas seria de uma maneira autoritária”, afirma. “Só tinha um jeito de ser implementada: escondendo-a, não deixando que fosse claramente exposta e tematizada”.

DW Brasil: Como explicar a crescente adesão ao autoritarismo no Brasil?

Vladimir Safatle: Nada da situação atual é compreensível sem remetermos ao que aconteceu com o fim da ditadura militar. O Brasil fracassou redondamente em conseguir superar seu passado ditatorial, que volta a assombrar agora. Nenhum país da América Latina tem um risco tão explícito de militarização e mesmo de um golpe de Estado nos moldes tradicionais quanto o Brasil. Nenhum tem uma presença tão forte das Forças Armadas no cotidiano da vida pública. Isso mostra, muito claramente, que a solução conciliatória produzida pela transição em direção à democracia foi a maior covardia histórica que o país conheceu.

Esse passo conciliatório conservou setores da classe política que estavam completamente vinculados à ditadura, assim como preservou, no seio das Forças Armadas, uma mentalidade de justificativa de situações de exceção que volta agora. Também preservou, no seio da sociedade civil, um potencial de apoio a governos aparentemente fortes e autoritários devido ao fato de o Brasil, em momento algum, ter imposto um dever de memória e justiça de transição, que seria fundamental para que não estivéssemos vendo regressões como as de agora.

E qual foi o papel da Constituição de 1988, que acaba de completar 30 anos, nesse processo?

A Constituição de 88 foi a expressão dessa grande política conciliatória. Fala-se muito que é uma constituição cidadã, que garante direitos fundamentais. Por um lado, foi uma constituição sem vigência. Até hoje, tivemos 95 emendas constitucionais – mais ou menos três por ano. Para aprovar uma emenda, o Congresso precisa de dois terços. No caso brasileiro, essa negociação dura meses. Chega-se a uma conclusão muito clara de que a função do Congresso Nacional desde o fim da Constituinte foi simplesmente desconstituir a Constituição. Ela já nasceu com esse selo.

Por outro lado, 30 anos depois, há leis constitucionais que nunca foram implementadas por falta de lei complementar. É uma aberração. A lei que estabelece o imposto sobre grandes fortunas é constitucional e nunca foi aplicada, por mera falta de lei complementar. A Constituição nasce letra-morta. Por outro lado, ela era também resultado de uma grande estrutura de conciliação entre vários setores da sociedade brasileira, inclusive ligados à vida militar. O Exército chegou com 28 parágrafos fechados, praticamente empurrados goela abaixo aos constituintes. Entre eles, o artigo que define a função das Forças Armadas. No caso brasileiro, a preservação da ordem, outra aberração completa, porque a função delas é a defesa da integridade do território nacional e ponto. Logo, o que está explodindo hoje era uma bomba-relógio que ninguém quis ver.

É possível pensar em um governo Bolsonaro nos moldes tradicionais, articulando no Congresso para governar com maioria?

Dentro de um possível governo Bolsonaro, várias opções se colocam à mesa. Elas vão depender muito dos sistemas de resistência que ocorrerão. Agora, é importante lembrar algumas coisas. A primeira delas é que o Brasil é uma certa aberração do ponto de vista dos ajustes neoliberais até hoje. Devido aos pactos da Nova República, não havia condição de avançar muito, tampouco de regredir. Havia forças sociais claramente constituídas que criavam um certo equilíbrio. Isso fez, por exemplo, que os grandes ajustes neoliberais aplicados em outros países latino-americanos, como a Argentina, não fossem feitos aqui.

O Brasil chega em 2018 com duas de suas maiores empresas sendo públicas, assim como dois entre seus maiores bancos. Além disso, com um sistema de saúde que cobre 207 milhões de pessoas e é gratuito, universal, coisa que nenhum país com mais de 100 milhões de habitantes tem. Há, também, 57 universidades federais completamente gratuitas. Não são universidades para a elite. Só na USP, 60% dos alunos vêm de famílias que ganham até dez salários mínimos. Percebe-se que o Brasil chega aos dias atuais numa situação muito atípica do ponto de vista do neoliberalismo.

Os defensores dessa agenda compreenderam que a única maneira de impor suas reformas seria de uma maneira autoritária, como no modelo chileno do Pinochet. É um neoliberalismo claramente autoritário, diferente do que se tem na Europa. Lá, a extrema direita é antiliberal, protecionista, que incorpora certas pautas sociais vindas da esquerda e usa a luta contra o sistema financeiro em seu discurso. Exatamente por isso, o neoliberalismo na Europa tem que ser implementado por figuras mais ao centro. Não é o que acontece no Brasil. Até porque pesquisas mostram que 68% da população brasileira são contra as privatizações; 71%, contra reformas nas leis trabalhistas e 85% contra reformas na previdência.

A adoção dessa agenda seria, portanto, eleitoralmente inviável?

Só tinha um jeito de ser implementada: escondendo-a, não deixando que fosse claramente exposta e tematizada. A única forma de fazer isso era alimentar e ressuscitar os piores fantasmas autoritários da sociedade brasileira, colocando-os no centro do debate político. Todas essas bravatas preconceituosas são peças fundamentais na estratégia retórica de anulação do espaço político. O que nós vimos foi uma anticampanha, baseada no esvaziamento do espaço político, exatamente por meio desse tipo de provocação às minorias vulneráveis – negros, mulheres, LGBTs – que se revoltam, com toda a justiça, e esse jogo ocupa toda a cena da campanha.

Por um lado, um potencial fascista que estava mais ou menos recalcado ganha direito de existência e aflora de maneira muito forte. Isso vem de longe. A ditadura militar teve apoiadores, e a gente conhece muito bem o padrão racista e preconceituoso de vários setores da sociedade brasileira. Por outro lado, há um elemento fundamental e absolutamente impressionante: a campanha sai do espaço público e se desloca para o ambiente virtual, difícil de ser partilhado pela sociedade. Nesse espaço, a produção contínua de imagens e vídeos falsos de forte apelo retórico, que podem ser partilhados, acabam dando o tom.

Vimos o que aconteceu com os atos do sábado retrasado: grandes manifestações populares que ocuparam as ruas do Brasil e, de repente, foram anuladas. Ninguém estava sabendo exatamente o que aconteceu. Justo após essas manifestações, Bolsonaro teve um salto nas pesquisas. Depois, fomos entendendo. Com uma organização impressionante, uma rede muito vasta de circulação de imagens, profissionalmente constituída, tentou anular o ato pela construção de um evento falso no lugar. Faziam circular fotos que não tinham nada a ver com aqueles protestos, com o objetivo claro de denegrir suas propostas. Conseguiram anular um evento de rua por meio de uma mobilização virtual.

Esses dois elementos constituem um outro modelo de campanha completamente fora dos padrões tradicionais da democracia liberal. Ela já tem seus limites, mas era obrigada a conservar um espaço público no interior do qual a sociedade, como um todo, podia operar um embate. Esse elemento foi brutalmente retirado. O candidato Bolsonaro levou uma facada e passou a campanha inteira fora dela. Todas as vezes em que seu vice ou economista fazia alguma declaração, eram falas catastróficas, imediatamente rechaçadas. Ou seja, não houve campanha, no sentido tradicional do termo.

Esta eleição já é marcada pela circulação massiva de notícias falsas e rejeição ao jornalismo. Como é possível haver debate se alguns grupos estão fechados ao contraditório?

A política nunca foi uma questão de argumentação. É um erro achar isso. Trata-se da mobilização de afetos, que, por sua vez, expressam adesões a formas de vidas distintas e conflituais. Você não argumenta contra afetos, mas os desconstitui. É um processo diferente. Afetos não são irracionais, no entanto. Eles têm uma dinâmica própria, e devem ser compreendidos na sua especificidade. Em certo sentido, numa situação tecnológica como a nossa, qualquer um pode produzir fake news. Quando eram só setores consolidados da imprensa, existia maneiras de utilizar o processo judicial para contestar e saber quem fez. De uma forma ou de outra, um certo nível era preservado, mas, mesmo assim, longe de ser uma coisa simples. Há várias modalidades de construção de notícias, utilizadas constantemente por grupos midiáticos. Mas, agora, há um processo no qual essa função é invisível: você não sabe quem produziu.

A campanha do Bolsonaro parecia mambembe, amadora, feita às pressas. Mas começamos a perceber que não. Era extremamente organizada, pela qualidade do material que circulava. Os materiais que anularam a manifestação contra ele começaram a circular horas depois dos atos e eram extremamente bem produzidos. Eu me pergunto: quem foi o responsável? Em que produtora isso foi feito? Não se sabe nem quem é o publicitário do Bolsonaro. Será, então, que não haveria estratégia de campanha, ou, na verdade, ela está sendo pensada em outro lugar onde a gente não consegue sequer enxergar? Nada bate nessa história. São organizadas redes no WhatsApp com mais de 8 mil pessoas, que se articulam entre si e proliferam um conjunto enorme de imagens extremamente bem editadas por profissionais.

Os cientistas políticos costumam analisar a atual crise política partindo da eleição de 2014. Mas qual é a relação do momento atual com os protestos de 2013?

Este é um evento fundamental da história brasileira. O fenômeno de 2013 foi a maior oportunidade perdida pela esquerda daqui. Era uma manifestação popular, que deixava muito claro o nível de descontentamento, frustração social, com uma perspectiva de enriquecimento que não ocorreu. Poderia, sim, ter sido utilizada pela esquerda para dizer: estamos presos em uma camisa de força para conseguir fazer um segundo ciclo de políticas de crescimento e redistribuição de renda. A gente precisa assumir isso e lutar contra vários entraves políticos e coisas dessa natureza. Mas isso não foi feito. A esquerda ficou com medo do fato de que a manifestação jogou para a rua tanto aqueles dispostos a ir mais longe, quanto os setores reativos da sociedade.

Toda manifestação popular traz os sujeitos emergentes e os reativos. Se você não souber dar forma aos emergentes, os reativos vão tomar conta. Foi isso que aconteceu. Um clássico, literalmente. Marx mostrava isso desde 1848, quando tentou investigar como a revolução proletária se perdeu, transformando-se na ascensão de Napoleão Terceiro, pelo golpe do 18 Brumário. Os protestos de 2013 mostraram imagens do povo contra o poder. Diante das imagens do povo que foi quebrar o Congresso Nacional e acabou tacando fogo no Palácio do Itamaraty, sempre tem aqueles que começam a gritar “ordem”.

Começaram a fazer isso, e aí veio 2014. Após a eleição, eu escrevi no jornal Folha de S. Paulo que a polarização não terminaria na semana seguinte e só iria aprofundar. É preciso estar preparado para isso. Não adianta imaginar que acabou a eleição e, agora, vai tudo voltar ao normal. Mas o governo achou que isso seria possível e tentou criar um modelo de conciliação. Juntou todos os setores conservadores dentro do governo, desmobilizou o seu lado, enquanto o outro lado foi para cima no vácuo, porque não havia mobilização em reação. Em uma sociedade polarizada, a primeira coisa que você faz é fortalecer o seu polo, porque a única possibilidade de sobrevivência é uma espécie de balança, jogo de bola parada. Você vê que, se avançar demais, o outro avança também. Isso não foi feito.

A esquerda brasileira ficou embalsamando um cadáver, que é o lulismo. Deu o que tinha que dar, não dava mais. Fala-se que Lula teria 40% dos votos, e é verdade. Se estivesse em campanha, ele ia ganhar, isso é claro. Por esse motivo, teve que ser preso. Caso contrário, virava presidente. Mas o fato é: isso aconteceria por uma lógica muito racional da população. O presente é catastrófico; o futuro, completamente incerto. Portanto, volto ao passado, que era melhor. De fato, era. Isso não tem a ver com o potencial de transformação que Lula representa, mas com uma situação de pavor social. Enquanto dinâmica de transformação, o lulismo já era um cadáver, mesmo que ganhasse.

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Notícias

IF Sertão-PE emite nota em defesa da harmonia social e da educação

Nota sobre o atual período eleitoral

O Colégio de Dirigentes do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano (IF Sertão-PE), formado pela Reitora, Pró-reitores e Diretores Gerais, vem a público externar preocupação com o que está acontecendo neste processo eleitoral. Estamos assistindo, perplexos, uma onda crescente de violência, desrespeito e intolerância, que não fazem parte do Estado Democrático de Direito. Ressaltamos que é preciso lembrar e respeitar a história de todos que se sacrificaram para que pudéssemos ter hoje a liberdade de escolha.

O IF Sertão-PE, como instituição plural, acredita que é possível construir um país livre, sem preconceitos, pautado no respeito, na igualdade e na garantia dos direitos fundamentais e sociais de todos os cidadãos. Não compactuamos com o ódio, porque ele não nos levará a nenhum lugar, muito menos contribuirá para a harmonia social e a paz. Por isso, repugnamos qualquer tipo de autoritarismo e desrespeito aos processos democráticos. Acreditamos na educação e na paz como caminho para chegarmos a uma sociedade justa e fraterna.

Portanto, conclamamos toda a sociedade a analisar as propostas dos candidatos, para escolhermos o projeto daquele que acredita no bem-estar de todos e esteja a favor da igualdade de acesso a uma educação pública, gratuita e de qualidade.

Não podemos esquecer que o momento de escolher pela vida, pelo amor é agora.

 

ASCOM IF Sertão Pernambucano

 

Matérias

O nordeste diz #EleNão

A região garante o segundo turno e volta a sofrer ataques dos “bem-nascidos” do Sul e Sudeste

Foto: Reprodução.

O publicitário José Boralli mora em São Paulo. No domingo 7, o estado elegeu ou reelegeu para o Congresso o palhaço Tiririca, o ex-ator pornô Alexandre Frota, o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança, o youtuber Arthur do Val, conhecido pelo bordão “Mamãe Falei”, a jornalista acusada de plágio Joice Hasselmann e a policial Katia Sastre, cuja única ação conhecida foi matar um assaltante na porta de uma escola quando estava a paisana.

Apesar desse quadro desolador em terras bandeirantes, Boralli achou divertido e inteligente apontar para os velhos bodes expiatórios. “Nordeste vota em peso no PT, depois vem pro Sul e Sudeste procurar emprego!”, escreveu em uma das redes sociais.

Para quem exerce a profissão de publicitário, Boralli cometeu um pecado mortal, a falta de criatividade. Ele não foi o primeiro nem o mais espirituoso, muito menos o último “sudestino” a reavivar o preconceito a cada eleição.

Faltou-lhe ainda uma dose de simancol, razão pela qual a sua mensagem na internet se tornou notícia. Boralli trabalha na agência Africa, fundada pelo baiano Nizan Guanaes, nordestino que veio procurar emprego no Sul do País. Acabaria afastado temporariamente de suas funções, mas se juntaria a uma multidão a chafurdar no senso comum.

Nas horas posteriores ao resultado que confirmou o segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, os ataques de sempre inundaram as redes sociais. Bolsonaristas saíram às ruas para distribuir feno aos eleitores do Nordeste, imitação de um gesto do próprio candidato registrado em vídeo em abril passado.

Um jogo eletrônico cujo objetivo é bater em gays, negros, militantes do PT, cearenses e afins fez bastante sucesso, embora alguns usuários tenham reclamado da ausência de outras minorias para socar. “É preciso incluir os índios”, sugeriram.

Enquanto os eleitores do Sudeste exibiam, com os comportamentos relatados acima, a sua superioridade moral e intelectual, os nordestinos encaravam os resultados do domingo de outra maneira.

O clima, mais uma vez, era de dever cumprido, como se coubesse à região a eterna missão de salvar o Brasil dos seus próprios delírios. “No Nordeste e nas periferias das cidades estão os eleitores com memória crítica. Ao contrário do que acham alguns, o nordestino lembra o que era a região antes de Lula, lembra da mudança no padrão de vida”, analisa Regina Sousa, negra, eleita em primeiro turno vice-governadora do Piauí na chapa de Wellington Dias, de origem indígena.

“A elite brasileira também lembra e os indicadores estão aí, mas ela não quer que o pobre melhore, não se importa com o aprofundamento das desigualdades. Os ricos querem o Brasil para eles, nós queremos o Brasil para todos. Essa é a grande diferença.”

Devem-se a esta memória (ou a seu esquecimento) as diferenças no mapa eleitoral e suas consequências. O Sul e o Sudeste de Boralli decidiram substituir o reacionarismo de casaca do PSDB pela truculência explícita do PSL de Bolsonaro na esperança de impor uma derrota inquestionável ao lulismo e ao petismo.

O Nordeste, em contraponto, puniu o golpe, o entourage de Michel Temer e os parlamentares que aprovaram as reformas, além de redobrar a aposta no chamado campo progressista. Cinco dos seis governadores reeleitos no primeiro turno pertencem ao PT, PCdoB e PSB.

Em Alagoas, venceu o emedebista Renan Filho, um aliado de primeira hora dos petistas. Nos outros três estados onde haverá segundo turno, os favoritos pertencem a estas legendas ou ao PDT de Ciro Gomes. Como nunca antes, o Nordeste firmou-se como um bunker contra o avanço da extrema-direita.

No Piauí, estado no qual Fernando Haddad atingiu 63% dos votos, o mais alto percentual na região, Dias e a militância rezaram o Pai-Nosso em comemoração a mais uma reeleição conquistada com 55% da preferência local.

Os triunfos do petista fazem com que alguns se refiram a ele, em tom bem-humorado, como o presidente do estado, por muitos anos o mais pobre da federação e atualmente destaque na geração de energias renováveis, expansão do ensino público e melhora dos índices de desenvolvimento humano.

Dias expressa o sincretismo que tem faltado à política tradicional e ao próprio campo progressista. O governador é católico, sua mulher, Rejane Dias, eleita deputada federal, evangélica. Esse amálgama, em certa medida, representa no estado um contraponto às igrejas neopentecostais, alinhadas a Bolsonaro. Luana Silveira, de Teresina, eleitora do PT, descreve a pressão.

“Boa parte dos evangélicos segue a orientação dos seus líderes por medo e desinformação. Eles amedrontam os fiéis, como se desobedecessem a Deus. Fui da Universal por 15 anos, e me afastei por conta do voto do bispo Marcelo Crivella a favor do golpe”, recorda.

“A poucos dias fui em reunião em que o pastor usou o altar para pedir votos, entregando um envelope cheio de santinhos. ‘Os cristãos não são 100% Bolsonaro, mas são 100% contra a volta do PT’. Não demorou para virar um slogan.

Logo depois meu filho recebeu de uma obreira da Universal vídeos sobre o kit gay, falando que Haddad fecharia igrejas. Há obreiros indignados, que não aceitam a decisão da igreja, sabem o que Lula fez pelo povo, e há pastores petistas, mas eles não podem se manifestar.”

No candomblé, de maioria negra, essas amarras não existem. Em Tabuleiro, bairro pobre de Maceió, Mãe Vera transformou o terreiro em um comitê “Lula Livre” e engajou-se de corpo e alma na campanha.

“Tive o prazer de abraçar o Lula, um homem sábio que sabe receber os humildes. Por isso falei para o Haddad que ele precisa ser a continuação de Lula, especialmente em bairros como o meu. Aqui a comunidade é muito carente, só temos uma creche. Queremos ver o ex-presidente pelas ruas, no meio do povo, que é o lugar dele.”

É o mesmo desejo de Maria da Conceição, de Salvador: “O indulto é uma necessidade e um direito diante de juízes que agem por perseguição. Os sentimentos de gratidão e justiça se misturam nessa hora quando lembramos de Lula”.

A crise fiscal e econômica dos últimos quatro anos provocou retrocessos na região. A miséria voltou a níveis alarmantes, a violência alastrou-se como um rastilho de pólvora e os empregos, a exemplo do resto do Brasil, minguaram.

Em vez de produzir uma indignação raivosa e descontrolada como no Centro-Sul, a conjuntura levou a outra opção, o apoio a quem promete defender os direitos dos mais pobres. Isso explica os índices de reeleição dos governadores.

Flávio Dino, do PCdoB, obteve 59,29% dos votos, vitória que parece enterrar definitivamente a oligarquia dos Sarney, donos do Maranhão por mais de 40 anos. No Ceará, o petista Camilo Santana, parceiro dos irmãos Ciro e Cid Gomes, alcançou 79,96%. Na Bahia, outro petista, Rui Costa, foi escolhido por 75,5% dos eleitores.

Paulo Câmara, do PSB, acabou reeleito com 50,07%, enquanto na Paraíba, seu colega de partido, João Azevedo, alcançou 58,8%, na esteira da alta popularidade do governador Ricardo Coutinho.

A contramaré no Nordeste ainda excluiu da vida pública os mais destacados apoiadores do impeachment de Dilma Rousseff: Sarney Filho, que foi ministro de Temer, os tucanos Cássio Cunha Lima e Rogério Marinho, relator da reforma trabalhista, e os emedebistas Garibaldi Alves e Eunício Oliveira, atual presidente do Senado.

Ainda assim, a vantagem petista de eleições passadas não se repetiu no plano nacional. Em sua primeira entrevista ao Jornal Nacional, na segunda-feira 8, Jair Bolsonaro agradeceu os votos no Nordeste, segundo ele um “percentual nunca alcançado na região por um adversário do PT”.

O fenômeno bolsonarista manifestou-se principalmente nas capitais nordestinas, expostas de forma mais intensa ao aumento da violência e à crise econômica. O deputado foi o mais votado em Natal, João Pessoa, Recife, Maceió e Aracaju.

“Eu sigo as ordens de meu líder Jair. Acredito na gestão militar na escola e entendo que a ideologia de gênero é uma afronta às nossas famílias”, declarou nas redes sociais a deputada eleita pelo PSL baiano Professora Dayane Pimentel, que garante não utilizar as instituições de ensino nas quais trabalha para promover suas ideias de “ordem social”.

Acuados por uma maioria “vermelha”, bolsonaristas do Nordeste têm recorrido à violência. Na madrugada da segunda em Salvador, um partidário do ex-capitão assassinou com 12 facadas Moa do Katende, mestre de capoeira nacionalmente conhecido por seu trabalho social.

Paulo Sergio Ferreira de Santana, de 36 anos, desferiu as facadas pelas costas e se escondeu em casa. No primeiro depoimento, admitiu a motivação política (o mestre de capoeira havia votado em Haddad). Na sequência, negou a primeira confissão e afirmou ter sido “ofendido” pela vítima.

A respeito do crime, Bolsonaro disse lamentar o episódio, mas declarou não controlar os seus apoiadores. Não só lavou as mãos, como se fez de vítima ao lembrar da facada em Juiz de Fora, Minas Gerais.

O ex-capitão sabe que a violência, verbal como a de Boralli, ou física como a de Santana, podem lhe ser muito úteis nas próximas semanas.

 

Via Carta Capital