Uncategorized

Em defesa da democracia e da Constituição

Querem chegar a um país onde o povo não tenha voz? Por Paulo Paim, na Folha de São Paulo

O senador Paulo Paim (PT-RS) em sessão no Congresso, em Brasília – (Foto: Alan Marques/Folhapress)

A felicidade, o bem viver e os direitos da população passam pelas defesas da democracia e da Constituição. Juntamente com a liberdade, elas são as bases de sustentação do que buscamos: um Brasil humano, solidário e socialmente justo.

A democracia é um longo processo. Ela tem que ser regada, todos os dias, com os princípios da sabedoria e das virtudes. Requer amadurecimento e respeito às diversidades, às opiniões e às ideias.

Foi através dela que tivemos grandes avanços consagrados na Constituição de 1988. Ela ampliou as liberdades civis e os direitos e as garantias individuais. Consagrou cláusulas transformadoras com o objetivo de alterar relações econômicas, políticas e sociais. Abriu canais de participação para os cidadãos. Fortaleceu leis e direitos para que as pessoas tivessem uma vida digna.

A “Cidadã de Ulisses Guimarães”, como é chamada carinhosamente por nós, constituintes, garantiu o direito à livre expressão intelectual e de pensamento, artística, cultural, de comunicação, científica. Não há democracia sem liberdade de imprensa. Censura nunca mais!

Não podemos fraquejar diante de ataques totalitários e antidemocráticos que vivemos na atualidade. Aonde querem chegar? A um país sem leis, onde o povo não tenha voz, onde o pensamento único prevaleça?

Não há país que se sustente quando os discursos incentivam a intolerância e o preconceito. Não há pátria quando há exclusão social. Quando poucos têm muito. Quando muitos não têm nada. Não há sociedade que se firme e evolua quando os laços que a ligam com o povo são rompidos.

Basta de cenários de despotismo, corrupção, violência, ódio, perseguição, mentira, fake news, racismo, discriminação, feminicídio, estupro, pedofilia, homofobia, xenofobia. Que fiquem calados e restritos à sua insignificância os que insuflam esses mares da ignorância.

Defender a democracia e a Constituição é fazer a boa luta para resgatar as conquistas históricas que foram subtraídas da nossa gente: trabalhistas e previdenciárias. É valorizar a saúde, o SUS, a habitação, a educação, a ciência e tecnologia, a segurança pública. É criar empregos saudáveis. É imprescindível revogar a desumana emenda 95, que congelou os investimentos públicos por 20 anos.

Retroceder, jamais! O Brasil precisa avançar em projetos de inclusão social e de direitos sociais. Há uma árdua luta para eliminar a miséria e a pobreza, as desigualdades sociais e a concentração de renda que, cada vez mais, aumentam em nosso país.

Não há democracia sem respeito ao meio ambiente. A natureza é a vida na sua plenitude. É o diálogo com o cosmos, o universo e o centro da Terra. É no equilíbrio da relação homem e ambiente, em todos os seus aspectos, sejam eles econômicos, sociais e culturais, que vamos sacramentar a evolução da alma humana. Ela vem por meio da harmonia, está na interação dos direitos sociais, humanos e ecológicos.

Em tempos de distopia, de vida sem sonhos e sem o belo da existência, é preciso perseverar, acreditar, seguir adiante. É preciso esperançar. Apaguemos esse cenário de incertezas e loucuras diárias a que somos submetidos. O futuro não pode ficar mais ao longe. Temos que ter a clara certeza de que a força das mudanças, por mais que acreditemos que ela escapou das nossas mãos, acaba sempre voltando para nós mesmos, pois jamais se distanciou do silêncio dos nossos olhos.

Como escreveu Miguel de Cervantes, em Dom Quixote: “Diante da tragédia, temos que pisar, onde os bravos não ousam, onde os heróis se acovardam, temos que reparar o mal irreparável”.

 

*Senador (PT-RS) desde 2003 e presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal

https://www.geledes.org.br/

 

Notícias

Carlos Bolsonaro diz que Brasil não terá transformação por vias democráticas

A postagem foi alvo de críticas de políticos e da OAB, que viram na afirmação do vereador uma ofensa ao sistema democrático brasileiro

O vereador da cidade do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, se envolveu em mais uma polêmica em suas redes sociais. Dessa vez, o pesselista afirmou que “por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos”.

A postagem, feita em seu Twitter na noite desta segunda-feira 9, defendia o governo de Jair Bolsonaro que, segundo Carlos, vem desfazendo absurdos feitos em gestões anteriores. “Só vejo todo dia a roda girando em torno do próprio eixo e os que sempre nos dominaram continuam nos dominando de jeitos diferentes!”, afirmou.

A postagem de Carlos foi alvo de críticas de políticos e da OAB, que viram na afirmação do vereador uma ofensa ao sistema democrático brasileiro. Mais tarde, o vereador postou sobre a polêmica que sua afirmação gerou: “Agora virei ditador? Pqp!! Boa noite a todos!”

 

 

Jornalismo crítico e transparente. Notícias sobre política, economia e sociedade com viés progressista

Notícias

Pela resistência democrática, lula vale a luta!

Nessa sexta-feira, 06, a partir das 9h vai acontecer  uma oficina de cartazes e mobilizações pelo centro da cidade (o material estará  disponível no local, mas pode levar de casa também), na Praça do Bambuzinho.

O Diretório do Partido dos Trabalhadores e a Frente Brasil Popular, em Petrolina, diante das novas investidas dos setores golpistas contra o estado democrático e de direito,  vem convidá-lo(a)  para a resistência democrática,  em defesa da liberdade de Lula e do Brasil. Nessa sexta-feira, 06, a partir das 9h vai acontecer  uma oficina de cartazes e mobilizações pelo centro da cidade (o material estará  disponível no local, mas pode levar de casa também), na Praça do Bambuzinho.

Programação:

16:00h, concentração no Bambuzinho.

16:30h, Ato Público.

Participe!

Notícias

Boaventura: passos para a unidade das esquerdas

Seria possível, a partir da notável experiência portuguesa, frear a devastação neoliberal e viabilizar governos democráticos e avanços sociais? Importante: o “centro” não existe mais. *Por Boaventura de Sousa Santos

O atual governo português, no poder desde o final de 2015, é pioneiro em termos da articulação entre vários partidos de esquerda. É ainda pouco conhecido internacionalmente porque Portugal é um país pequeno, cujos processos políticos raramente fazem parte da agenda política internacional, e porque representa uma solução política que vai contra os interesses dos dois grandes inimigos globais do aprofundamento da democracia que hoje dominam as mídias – o neoliberalismo e o capital financeiro global.

Convém recapitular. Desde a Revolução de 25 de Abril de 1974, os portugueses votaram frequentemente na sua maioria em partidos de esquerda, mas foram governados por partidos de direita ou pelo Partido Socialista sozinho ou coligado com partidos de direita. Os partidos de direita apresentavam-se às eleições sozinhos ou em coligação, enquanto os partidos de esquerda, na lógica de uma longa trajetória histórica, apresentavam-se divididos por diferenças aparentemente inultrapassáveis. O mesmo aconteceu em outubro de 2015.

Só que nessa ocasião, num gesto de inovação política que ficará nos anais da democracia europeia, os três partidos de esquerda resolveram entrar em negociações para buscarem uma articulação de incidência parlamentar que viabilizasse um governo de esquerda liderado por um desses partidos — o que teve mais votos, o Partido Socialista.

A inovação destes acordos consistiu em várias premissas: os acordos eram limitados e pragmáticos, estavam centrados em menores denominadores comuns com o objetivo de possibilitar uma governança que travasse a continuação das políticas de empobrecimento dos portugueses que os partidos de direita neoliberal tinham aplicado no país; os partidos mantinham ciosamente a sua identidade programática, as suas bandeiras, e tornavam claro que os acordos não as punham em risco, porque a resposta à conjuntura política não exigia que fossem consideradas, e muito menos abandonadas; o governo deveria ter coerência e, para isso, deveria ser da responsabilidade de um só partido, e o apoio parlamentar garantiria a sua estabilidade; os acordos seriam celebrados de boa-fé e seriam acompanhados e verificados regularmente pelas partes.

Os textos dos acordos constituem modelos de contenção política e detalham até ao pormenor os termos acordados. Basicamente, as medidas acordadas tinham dois grandes objetivos políticos: parar o empobrecimento dos portugueses, repondo rendimentos dos trabalhadores e dos pensionistas na base da escala de rendimentos, e travar as privatizações que, como todas as que ocorrem sobre a égide do neoliberalismo e do capital financeiro global, são atos de privataria. Os acordos foram negociados com êxito e o governo tomou posse num ambiente politicamente hostil, por parte do Presidente da República de então, da Comissão Europeia e das agências financeiras.

Pouco e pouco a política executada em cumprimento dos acordos foi dando resultados, para muitos, surpreendentes, e ao fim de algum tempo muitos dos detratores do governo tinham de ser vergar perante os números do crescimento da economia, da queda da taxa de desemprego, da melhoria geral da imagem do país, finalmente ratificada pelas agências de crédito. O significado de tudo isto pode resumir-se no seguinte: realizando políticas opostas às receitas neoliberais obtêm-se os resultados que tais receitas sempre anunciam e nunca conseguem e isso é possível sem aumentar o sofrimento e o empobrecimento dos portugueses. Antes, pelo contrário, reduzindo-os. De uma maneira mais direta, o significado desta inovação política é mostrar que o neoliberalismo é uma mentira, e que o seu único e verdadeiro objetivo é acelerar a todo o custo a concentração da riqueza sob a égide do capital financeiro global.

Dada a curiosidade que a solução portuguesa começa finalmente a suscitar a nível internacional, parece-me oportuno definir alguns dos parâmetros para que as articulações entre forças políticas de esquerda tenham êxito qualquer que seja o futuro da solução portuguesa.

Primeiro: as articulações entre partidos de esquerda podem ser de vários tipos, podem resultar de acordos pré-eleitorais ou acordos pós-eleitorais; podem envolver participação no governo ou apenas apoio parlamentar. Sempre que os partidos partem de posições ideológicas muito diferentes, e se não houver outros fatores que recomendem o contrário, é preferível optar por acordos pós-eleitorais (porque ocorrem depois de medir pesos relativos) e acordos de incidência parlamentar (porque minimizam os riscos dos parceiros minoritários e permitem que as divergências sejam mais visíveis e disponham de sistemas de alerta conhecidos dos cidadãos).

Segundo: as soluções políticas de risco pressupõem lideranças com visão política e capacidade para negociar. É o caso do atual Primeiro Ministro e dos lideres dos outros partidos de esquerda. Não podemos esquecer que o fundador do PS, o Dr. Mário Soares, na fase final da sua vida política, tinha advogado este tipo de políticas, ao contrário, por exemplo, do fundador do PS espanhol, Felipe Gonzalez, que se virou à direita com o passar dos anos e se manifestou sempre contra quaisquer entendimentos à esquerda.

Terceiro: as soluções inovadoras e de risco não podem sair apenas das cabeças dos líderes políticos. É necessário consultar as “bases” do partido e deixar-se mobilizar pelas inquietações e aspirações que manifestam.

Quarto: a articulação entre forças de esquerda só é possível quando é partilhada a vontade de não articular com outras forças, de direita ou centro-direita. Sem uma forte identidade de esquerda, o partido ou força de esquerda em que tal identidade for fraca será sempre um parceiro relutante, disponível para abandonar a coligação. A ideia de centro é hoje particularmente perigosa para a esquerda porque o espectro político se tem deslocado no seu todo para a direita por pressão do neoliberalismo e do capital financeiro. O centro tende a ser centro-direita, mesmo quando afirma ser centro-esquerda. É crucial distinguir entre uma política moderada de esquerda e uma política de centro-esquerda. A primeira pode resultar de um acordo conjuntural entre forças de esquerda, enquanto a segunda é o resultado de articulações com a direita que pressupõem cumplicidades maiores que a descaracterizam como política de esquerda. Neste domínio, a solução portuguesa, embora constitua uma articulação entre forças de esquerda e eu considere que configura uma política moderada de esquerda, a verdade é que contém, por ação ou por omissão, algumas opções que implicam concessões graves aos interesses que normalmente são defendidos pela direita. Por exemplo, no domínio do direito do trabalho e da saúde. Tudo leva a crer que o teste à vontade real em garantir a sustentabilidade da unidade das esquerdas está no que for decidido nestas áreas no futuro próximo.

Quinto: não há articulação ou unidade sem programa e sem sistemas de consulta e de alerta que avaliem regularmente o seu cumprimento. Passar cheques em branco a um qualquer líder político no seio de uma coligação de esquerda é um convite ao desastre.

Sexto: a articulação é tanto mais viável quanto mais partilhado for o diagnóstico de que estamos num período de lutas defensivas, um período em que a democracia, mesmo a de baixa intensidade, corre um sério risco de ser duradouramente sequestrada por forças anti-democráticas e fascistizantes.

Sétimo: a disputa eleitoral tem de ter mínima credibilidade. Para isso deve assentar num sistema eleitoral que garanta a certeza dos processos eleitorais de modo a que os resultados da disputa eleitoral sejam incertos.

Oitavo: a vontade de convergir nunca pode neutralizar a possibilidade de divergir. Consoante os contextos e as condições, pode ser tão fundamental convergir como divergir. Mesmo durante a vigência das coligações, as diferentes forças de esquerda devem manter canais de divergência construtiva. Quando ela deixar de ser construtiva significará que o fim da coligação está próximo.

Nono: num contexto midiático e comunicacional hostil às políticas de esquerda é decisivo que haja canais de comunicação constantes e eficazes entre os parceiros da coligação e que prontamente sejam esclarecidos equívocos.

Décimo: nunca esquecer os limites dos acordos, quer para não criar expectativas exageradas, quer para saber avançar para outros acordos ou para romper os existentes quando as condições permitirem políticas mais avançadas. No caso português, os detalhados acordos entre os três partidos revelam bem o carácter defensivo e limitado das políticas acordadas. A solução portuguesa visou criar um espaço de manobra mínimo num contexto que prefigurava uma janela de oportunidade. Recorrendo a uma metáfora, a solução portuguesa permitiu à sociedade portuguesa respirar. Ora, respirar não é o mesmo que florescer; é tão-só o mesmo que sobreviver.

Décimo-primeiro: no contexto atual de asfixiante doutrinação neoliberal, a construção e implementação de alternativas, por mais limitadas, têm, quando realizadas com êxito, além do impacto concreto e benéfico na vida dos cidadãos, um efeito simbólico decisivo que consiste em desfazer o mito que os partidos de esquerda-esquerda só servem para protestar e não sabem negociar e muito menos assumir as complexas responsabilidades da governação.

Por Boaventura de Sousa Santos, publicado originalmente no Outras Palavras

*Boaventura de Sousa Santos é doutor em sociologia do direito pela Universidade de Yale, professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, diretor dos Centro de Estudos Sociais e do Centro de Documentação 25 de Abril, e Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa – todos da Universidade de Coimbra. Sua trajetória recente é marcada pela proximidade com os movimentos organizadores e participantes do Fórum Social Mundial e pela participação na coordenação de uma obra coletiva de pesquisa denominada Reinventar a Emancipação Social: Para Novos Manifestos

http://www.revistaforum.com.br

 

Uncategorized

Em nota, vereadores de oposição em Petrolina expressam indignação e preocupação com restrições constantes ao debate democrático na Câmara Municipal

“A Casa Plínio Amorim não pode funcionar como mera chanceladora dos atos do Poder Executivo, abrindo mão de sua autonomia e permitindo que injustiças sejam cometidas contra a população”.

Na sessão ordinária da última quinta-feira, 28, na Casa Plínio Amorim, um episódio chamou a atenção do público presente, inclusive dos próprios vereadores, quando o vereador Major Enfermeiro, que presidia os trabalhos encerrou a sessão que durou  pouco mais de uma hora. A atitude de Major causou indignação dos vereadores da bancada de oposição que tentavam debater projetos apresentados pelo executivo e que serão votados na próxima segunda-feira, 02, em sessão antecipada, e que tratam de aumento de tributos os quais recairão sobre maioria da população. Leia abaixo a nota na íntegra:

Nota da bancada de oposição da Câmara Municipal de Vereadores de Petrolina

O Brasil passa por um dos momentos mais difíceis de sua história recente. Ao contrário do ciclo virtuoso de desenvolvimento que marcou a primeira década dos anos dois mil, assistimos agora à queda brutal do padrão de vida da população, assombrada pela violência, por demissões e fechamento de postos de trabalho, pelo aumento dos preços que vai dos alimentos aos combustíveis, ao passo que se anuncia o fim da política de valorização do salário mínimo.

Uma situação produzida e mantida por um governo que sequer foi eleito e, o que é pior, um governo que tem entre seus principais apoiadores donos de malas cheias de milhões frutos de corrupção, empresários que enriquecem com a compra de informações privilegiadas e uma bancada formada por deputados e senadores que sangram os cofres públicos a cada nova denúncia contra o seu dito Presidente.

Em Petrolina, diariamente, sentimos na pele os impactos desta crise. A nossa querida cidade tem rapidamente se transformado. Crescem nas ruas o número de pessoas desabrigadas e desamparadas. Consolidam-se bolsões de pobreza que até recentemente imaginávamos estar se ultimando. Circulam pela cidade pessoas cada dia mais amedrontadas pela insegurança. Padecem centenas de pacientes nas filas dos hospitais aguardando tratamento.

Enquanto este cenário trágico se desenha, aqueles que deveriam se ocupar de lutar para melhorar a vida das pessoas, viram as costas e servem a outro senhor. Nosso exemplo mais próximo é filho de Petrolina, o Deputado Federal e hoje Ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho. É ele um dos principais entusiastas da trágica entrega da CHESF (assim como de todo o sistema energético do país) para que sirva aos interesses dos ricos e poderosos, contra o povo, que mais uma vez sai prejudicado.

O mesmo caminho, aparentemente, é trilhado por seu irmão, Miguel Coelho, eleito Prefeito sob a consigna de trazer um Novo Tempo para Petrolina, mas que apenas tem submetido os interesses da maioria de nossa população aos interesses de seus aliados, que nada de novo possuem, a não ser o medo da transparência.

Mas, pior que isso, é percebermos que a vida das pessoas é ignorada, justamente, num dos momentos mais difíceis para quem vive de seu trabalho. A situação dos agricultores que hoje produzem no Pontal é emblemática. Busca-se arrancar da terra pessoas que estão trabalhando e produzindo, unicamente para atender a sanha de meia dúzia de ricos que desejam ganhar dinheiro com a especulação da terra, mesmo que esta siga improdutiva e sem alimentar uma boca que seja.

Outro ponto que precisa ser destacado é sobre aquilo que esse governo considera de “Urgência urgentíssima”. Infelizmente, não é a saúde, nem a educação, tampouco a segurança. A urgência é defendida para a cobrança tributária e a arrecadação do município. Evidente que se deve sempre buscar corrigir as injustiças e promover as melhores formas de utilização dos recursos públicos. Mas consideramos extremamente contraditório e temerário que o município decida promover seus reajustes justamente no momento em que a vida das pessoas está tão difícil.

O Projeto de Lei Complementar nº 02/2017, que altera dispositivos do Código Tributário Municipal, encaminhado esta semana pelo Poder Executivo, chegou à Câmara em regime de urgência urgentíssima, sem absolutamente nenhum debate ou discussão anterior. As mudanças propostas são significativas e terão grande impacto na vida e nas finanças dos trabalhadores. E exatamente por este motivo, não pode ser tratado como algo de menor importância.

Da mesma forma, e não menos temerário, o Projeto de Lei nº 022/2017 que pede autorização legislativa para o parcelamento e reparcelamento de débitos do município com o Regime Próprio de Previdência Social, em até 200 (DUZENTAS) prestações mensais. Mas qual é a real situação financeira do Instituto de Previdência do município? Será que dispõe de recursos suficientes que suporte uma autorização para parcelamento tão exorbitante? Temos certeza de que os servidores municipais da ativa, bem como os pensionistas e aposentados querem saber.

E esse debate não pode ser feito também em caráter de “urgência urgentíssima”. E se por algum acaso tiver de ser urgente, é sinal de que a administração municipal tem sido incapaz de trabalhar em conformidade com os princípios básicos da administração pública.

São por estes e inúmeros outros motivos que a Bancada de Oposição da Câmara Municipal de Petrolina reafirma sua responsabilidade com o trato da coisa pública. A Casa Plínio Amorim não pode funcionar como mera chanceladora dos atos do Poder Executivo, abrindo mão de sua autonomia e permitindo que injustiças sejam cometidas contra a população.

Neste sentido, colocamo-nos à disposição de toda a população para que possamos cerrar fileiras em defesa da transparência e dos direitos, sempre na perspectiva de combate às desigualdades e melhoria da qualidade de vida da população de Petrolina.

 

Gilmar dos Santos Pereira, PT

Maria Cristina Costa, PT

Paulo Valgueiro, PMDB

Gabriel Menezes, PSL

Domingos de Cristália, PSL

Notícias

Brasil vive distorção de normas que pode levar a Estado autoritário, dizem juristas

Setores do Judiciário têm tomado medidas que levaram país próximo ao estado de exceção. Seminário debate razões e saídas para a crise.

Juristas de todo o país, parlamentares, acadêmicos e estudantes de várias áreas discutiram hoje (29), durante seminário na Universidade de Brasília (UnB), como alguns setores do Judiciário têm tomado medidas que levaram o país próximo de um estado de exceção e o que fazer para conter a atual crise política e institucional. Boa parte das propostas apresentadas incluíram maior articulação entre juristas e representantes do Legislativo, organização de mais e maiores manifestações dos movimentos sociais, ao lado de críticas às técnicas que consideraram “autoritárias e próximas do fascismo”.

Para o jurista Pedro Serrano, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a ideia de exceção é sempre ligada à anomia, ou ausência de normas. “Mas precisamos lembrar que a anomia vem da hipernomia (que é o excesso de normas), do fascismo revigorado no excesso de normas. O que termina fazendo como que todo mundo, toda a sociedade em potencial, possa ser considerada como criminosa, o que leva a novas formas de fascismo e de autoritarismo”, avaliou.

A jurista e professora espanhola Maria José Fariñas Dulce, da Universidad Carlos III, de Madri, afirmou que os tempos ruins que estão sendo observados não afetam apenas o Brasil, mas também a Europa. Sendo que, a seu ver, no caso do Brasil a atuação do poder policial ataca diretamente a essência da democracia. Ela apontou como fatores que levaram a isso a corrupção desenfreada nas últimas décadas e a desconstrução de programas voltados para a redução de desigualdades, sobretudo a partir da tomada do poder por Michel Temer.

De acordo com o professor Antonio Pedro Melchior, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), táticas persecutórias civilizadas do Estado brasileiro estão sendo totalmente modificadas como se vivêssemos um estado de exceção. “A efetividade destas medidas, é importante que se diga, depende de estratégias de legalidade duvidosa que precisamos combater”, destacou.

O advogado mencionou como exemplos, o que chamou de formas de violar direitos com a justificativa de se combater o crime, por meio de táticas como interceptação de advogados de defesa e métodos contraditórios para induzir pessoas a fazerem gravações e negociarem delação premiada. Melchior também citou como exemplo a Marcha da Legalidade da Maconha, realizada recentemente no Rio de Janeiro, que foi apontada como um instrumento de organização criminosa por forças policiais. “Respeitar e manter o espaço constitucional é uma das questões mais urgentes do nosso tempo”, alertou.

A advogada Camila Gomes, representante da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares (Renap), citou atos violentos como os observados nos massacres de Corumbiara, do Carandiru e, na última semana, as mortes de dez trabalhadores no Pará. Camila citou frases do poeta Pedro Terra, ao afirmar que existe uma noção de homens sem rosto excluídos da nação. “Rondam o muro das leis. A terra vale infinitas reservas de crueldade do outro lado da cerca”, destacou.

“Acinte à democracia”

A líder do PT no Senado, Gleisi Hoffmann (PR), que abriu o evento, disse que o país vive um regime muito mais de exceção do que democrático e que investigações e inquéritos não podem ser apurados à margem do devido processo legal. A senadora citou o decreto assinado pelo presidente Michel Temer, na última semana, de uso das Forças Armadas contra uma manifestação legítima de trabalhadores, em Brasília, dentro do dispositivo constitucional para Garantia da Lei e da Ordem (GLO), sem que fossem cumpridas exigências básicas para isso.

“Foi um acinte à democracia. Várias pessoas disseram que a presidenta Dilma Rousseff também tinha chamado as Forças Armadas para conter manifestações, em 2013, como forma de justificarem o ato deste governo, mas isso nunca aconteceu. O que foi chamado no governo da presidenta Dilma foi a Força Nacional de Segurança Pública, o que é bem diferente”, explicou.

A senadora também disse que, “infelizmente o Estado tem um lado que o domina”. “Na primeira crise econômica forte que tivemos, a classe dominante se juntou para desconstruir programas populares voltados para a população mais carente. E isto continua acontecendo agora, com uma proposta de reforma da Previdência que retira direitos de todos”. De acordo com a senadora Gleisi, “a aristocracia não tem solidariedade nenhuma com o povo brasileiro”, motivo pelo qual ela ressaltou ser necessária “uma profunda reforma do Estado”.

O sociólogo e cientista político Emir Sader lembrou que apesar da crise de legitimidade, é importante destacar que o Brasil, apesar de sucessivos episódios truculentos e alheios às leis e à Constituição, ainda vive em uma democracia. “Temos a obrigação de encontrar uma resposta para tudo o que está acontecendo, mas é importante deixar claro que vivemos numa democracia. Não deram um golpe militar nos últimos anos porque não tiveram condições de dar”, explicou.

Golpe dentro do golpe?

Ex-secretário da Casa Civil no governo Dilma Rousseff, Gilberto Carvalho disse que não se pode admitir um ‘golpe dentro do golpe’, numa referência a todo o processo que culminou com o impeachment da ex-presidenta e a sua substituição pelo então vice-presidente, Michel Temer.

O ex-secretário chamou a atenção de políticos, acadêmicos e estudantes para o fato de que os movimentos sociais “não podem servir de veículos para provocações”, numa referência à interferência de pessoas infiltradas nas manifestações da última semana, em Brasília. Segundo Carvalho, o desespero de Temer é maior a cada dia. “Ele tem medo de sair do Palácio do Planalto algemado, porque toda a história dele veio à tona”, acrescentou.

O seminário, intitulado Estado de Direito ou Estado de Exceção?, tem como tema o sistema de Justiça brasileiro e os riscos que as distorções dessa estrutura trazem à democracia. É promovido pelas bancadas do PT no Senado e na Câmara, ao lado da Fundação Perseu Abramo e Frente Brasil de Juristas pela Democracia. Contou, nesta primeira parte dos trabalhos, com a presença de vários parlamentares, como os deputados petistas Carlos Zarattini (SP), Paulo Pimenta (RS), Padre João (PB) e Erika Kokay (DF), entre outros. Em relação aos senadores, além de Gleisi Hoffmann, participaram Paulo Rocha (PT-PA) e Jorge Viana (PT-AC).

Na segunda etapa dos trabalhosa, a partir das 15h, são esperadas palestras do ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão e dos professores Jessé de Souza, da Universidade Federal Fluminense (UFF), e Marcelo Neves, da UnB. O encerramento será feito pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Por Hylda Cavalcanti

Da Rede Brasil Atual

 

Leitura Crítica

Meu fio de esperança

A democracia é uma senhora muito ciosa de suas origens. Todas as vezes que tentam prostituí-la, sequestrá-la, corrompê-la, reage e desmascara seus algozes. Ela prefere sempre se abrigar em seu ninho: o protagonismo popular. Por Frei Betto.

5959_3576Sou vivido. Vi o Brasil passar por muitas crises. O suicídio de Vargas, em agosto de 1954, estragou meu aniversário de 10 anos. JK soube, em 1956, contornar a rebelião militar de Jacareacanga. A renúncia de Jânio, em 1961, me levou às ruas pela primeira vez, em defesa da democracia.

O golpe militar de 1964 me arrancou da faculdade de Jornalismo para atirar-me nas masmorras do CENIMAR (Centro de Informações da Marinha). O AI-5 me desempregou do jornal e, meses depois, me conduziu a quatro anos de prisão.

Meu sonho, ainda hoje, é o socialismo. Fora da Igreja há salvação. Mas não há salvação para a humanidade fora de um sistema no qual haja partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano, e onde os direitos humanos estejam acima dos privilégios do capital.

Para um sonho se tornar realidade são necessárias mediações. Busquei-as na Ação Católica. Os bispos, pressionados pela ditadura, a desmantelaram. Apoiei organizações revolucionárias contra a ditadura. A repressão as derrotou. Tornei-me eleitor do PT. O partido se deixou contaminar pelo elitismo e a corrupção, em treze anos de governo não promoveu nenhuma reforma estrutural, e calou-se quanto ao socialismo. Hoje, voto PSOL.

Meu fio de esperança se prende aos movimentos sociais. Não são perfeitos. Neles há também oportunistas e corruptos. Mas estes são exceções. Porque a base da maioria dos movimentos é a gente pobre que luta com dificuldade para sobreviver. Essa gente costuma ser visceralmente ética. Não acumula, partilha. Não se entrega, resiste. Não se deixa derrotar, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.

Não sei o que será do nosso Brasil nos anos vindouros. Sei apenas que fora dos movimentos sociais a nação não tem salvação. O PT tentou e se deu mal. Em uma sociedade tão marcadamente dividida em classes sociais, somente o vínculo orgânico com os pobres nos mantém com os pés no chão, a alma repleta de fome de justiça e a cabeça fiel à utopia socialista.

A democracia é uma senhora muito ciosa de suas origens. Todas as vezes que tentam prostituí-la, sequestrá-la, corrompê-la, reage e desmascara seus algozes. Ela prefere sempre se abrigar em seu ninho: o protagonismo popular.

O capitalismo tenta nos ludibriar, convencer-nos de que democracia é sinônimo de rotatividade eleitoral. Ora, a verdadeira democracia se apoia na economia, na partilha das riquezas; na ecologia, ao cuidar da proteção ambiental; na cultura, ao assegurar a todos o direito de criar e se expressar; e na política, ao dotar todos os cidadãos e cidadãs de poder para monitorar os rumos do Estado e, portanto, da sociedade.

Nenhuma esquerda ideológica se sustenta por muito tempo sem este respaldo fisiológico: o contato direto com os movimentos nos quais os pobres se organizam e lutam por seus direitos.

 

colunista_5_GFrei Betto é escritor e religioso dominicano. Recebeu vários prêmios por sua atuação em prol dos direitos humanos e a favor dos movimentos populares. Foi assessor especial da Presidência da República entre 2003 e 2004. É autor de “Batismo de Sangue”, e “A Mosca Azul”, entre outros.

 

http://www.domtotal.com

Entrevistas

Em entrevista ao Ponto Crítico, Flávio Leandro fala do seu trabalho, defende uma revolução cultural e o fortalecimento da democracia.

Ao falar da Democracia foi categórico “todos os assuntos que estão relacionados com a preservação e o fortalecimento da Democracia como um todo eu tô muito dentro”.

12190999_10207074483756745_8380126637772220997_nDe volta a Petrolina para lançamento do seu DVD, “Frutificando”, gravado em Novembro de 2015, na Concha Acústica da cidade, o poeta-cantador Flávio Leandro, pernambucano, natural do município de Bodocó, em companhia do cantor e compositor, Jorge de Altinho, realizaram show na casa Zé Matuto, no sábado, dia 30 de Abril.

Em entrevista concedida ao nosso Blog, Flávio contou um pouco da sua trajetória, sua visão sobre política cultural, identidade nordestina e esperanças para o Brasil diante da atual crise.

Ao falar da Democracia foi categórico “todos os assuntos que estão relacionados com a preservação e o fortalecimento da Democracia como um todo eu tô muito dentro”. Ao tratar de política cultural, defende: “precisamos passar por uma revolução cultural muito forte. E essa revolução só vai ser possível se levarmos pra dentro da escola”.

ENTREVISTA- Por Gilmar Santos

FLAVIO3PC: Flávio, sabendo da tua afetividade com Petrolina, cada retorno deve lhe trazer um novo significado…

Flávio Leandro: É verdade. É interessante, o meu laço espiritual com Petrolina é muito forte. Eu tenho tentado nesses meus dias me desvincular um pouco para não encher muito o saco do povo (risos), mas ao mesmo tempo está gozando dessa colheita de frutos que Petrolina tem me proporcionado. Esse intercâmbio nasceu nos anos 90, onde tive uma aproximação muito forte com os artistas e a com a cena cultural da cidade, mas não pude impor o meu ritmo naquele momento, e agora já de 2008 pra cá eu tive oportunidade de dar um encaminhamento à minha música dentro da realidade do Vale do São Francisco, a partir de Petrolina. E isso tudo tem sido muito vantajoso porque Petrolina é uma grande vitrine hoje no Nordeste e, quiçá, no Brasil, então aproveitando muito essa canja eu tenho feito o meu material de divulgação a partir da gravação do DVD Frutificando, através dessa terra , da qual eu tenho levado uma mensagem muito boa para o resto do mundo. Eu digo pro resto do mundo porque a nossa música ela consegue hoje, através das redes sociais , caminhar pro resto do mundo todo, graças a Deus. E eu estou muito feliz porque em 7 de Novembro (2015) a gente gravou com um sucesso enorme, de público, de crítica, e hoje a gente retorna pra dar a satisfação final que é entregar ao povo de Petrolina aquilo que ele abraçou que é o nosso DVD Frutificando. Então é uma alegria imensa está hoje junto com Jorge de Altinho, que é também essa pessoa muito ligada a Petrolina, através da música, e é uma felicidade que procuro mostrar sempre com o pé no chão e tendo o povo como referência maior.

PC: Travessuras é o teu primeiro trabalho, disco de 1998, qual é o elemento forte que você traz nele?

Flávio Leandro: É engraçado, porque quando falo da ligação espiritual com Petrolina, isso tem haver com os anos que morei por aqui, nos anos de 96, 97 e 98, período em que gravei esse meu primeiro disco. E esse disco teve o mérito de ficar muito esquecido (risos). Nele eu trago muito a minha ingenuidade, minha imaturidade. Conversando certa vez com amigo Santana [cantor e compositor], ele disse “não se preocupe não, poeta, esse com certeza vai ser o seu melhor primeiro CD (risos), porque não tem outro não”. A gente não tinha acesso a informação do estúdio, da produção como a gente tem hoje. Mas é isso demos o primeiro passo, e é preciso o primeiro passo para se poder caminhar.

PC: Existe uma preocupação no teu trabalho em, além de resgatar e preservar as raízes nordestinas, apresentar uma crítica social, a preocupação com os problemas do povo. Na música Brasilidade, que dá título ao teu segundo CD, você aponta para isso, em “MSN” [Disco “Cheiro de Nós”, 2011] você trata da crise da bolsa de valores, sem perder de vista o elemento da identidade nordestina. O que significa para você colocar essa reflexão dentro da tua música, principalmente, nesse momento delicado da vida nacional?

Flávio Leandro: Eu acho que o artista e, principalmente, o artista que trabalha com música, já que essa arte tem um poder de persuasão e convencimento muito forte, essa pessoa tem que ser um fotógrafo muito veemente do seu momento. E eu não consigo conceber que a gente grave um trabalho com doze ou quinze faixas, e dedicar essas faixas a um tema só. É claro que trato nas minhas músicas do tema do amor, do gostar, do querer, porque é do ser humano, mas aí eu aproveito o momento fazer uma reflexão de cunho social, uma reflexão de cunho social-ambiental, procuro contemplar também a questão da espiritualidade, a crítica satírica a determinados temas, como fiz na música “Pulíça” [Disco “Cheiro de Nós”, 2011], em alusão a Reforma Ortográfica. E nisso dá pra gente contemplar muita coisa, até de Biologia, se você quiser você fala (risos).

PC: O que o artista Flávio Leandro diz sobre o atual momento político do país?

Flávio Leandro: Com certeza, pra mim, esse tem sido o momento mais delicado de toda a minha existência. Hoje estou com 46 anos de idade e posso dizer que a gente viveu vários momentos, mas temos uma democracia ainda muito embrionária, muito pequena. Eu vivi num tempo onde eu era iludido, como menino, com aquela coisa do desfile, eu achava tudo muito bonito, me fantasiar, representar minha escola, aquela garra que a gente desprendia…Isso foi até o meu primeiro ano, do segundo grau [atual Ensino Médio]. Eu ainda desfilando por obrigação da Ditadura [Militar] no país. O início da minha adolescência coincidiu com o fim da Ditadura. E todos os assuntos que estão relacionados com a preservação e o fortalecimento da Democracia como um todo eu tô muito dentro desse contexto. É claro que me preocupo com a questão do combate a corrupção e isso é uma coisa que deve está muito presente nas nossas vidas, porque ela passa por todas as camadas da sociedade. Mas é claro que devemos fazer tudo isso sem perder o foco principal que é a democracia. Porque é o campo de debate verdadeiro, de qualquer que seja a ala, de esquerda ou de direita, para que a gente chegue a uma resposta de consenso coletivo para a sociedade brasileira como um todo. E claro que dentro de uma democracia a gente percebe que é possível você falar várias coisas, como tenho visto algumas aberrações sendo faladas e ditas. Então eu fico triste quando percebo que a gente pode se desvirtuar do caminho da democracia. Eu quero que a gente saia no final de tudo isso, vitorioso, com a bandeira da democracia muito bem erguida e levantada, isso com a unidade de todos os brasileiros.

PC: Em se tratando de Democracia, a Política Cultural e, mais especificamente, no teu caso e de muitos artistas forrozeiros, a Política do São João, está democrática?

Flávio Leandro: Quando falo que a Democracia é embrionária, a Política Cultural é muito mais embrionária ainda. Precisamos passar por uma revolução cultural muito forte. E essa revolução só vai ser possível se levarmos pra dentro da escola, e a partir dela podermos enxergar todas as nuances da nossa cultura, como um todo, e daí levarmos essa cultura pra rua. Porque quando falamos em cultura, muitas vezes, queremos excluir os processos massivos e isso, infelizmente, não podemos, porque isso é cultura também, se ela é boa ou se é ruim é outro assunto. Mas é a partir da escola que devemos fortalecer essas bases e protegermos principalmente as culturas de raiz, as matrizes culturais, porque junto com essa proteção a gente vai está protegendo, com certeza, toda a cadeia produtiva que gira em torno dessas matrizes, é essa a minha preocupação maior quando defendo o forró tradicional, e nisso estou defendo a bandeira do emprego e da renda, porque é a partir do fortalecimento dessa causa que estou defendo o produtor de chapéu, da sandália de couro, do gibão, da cangica, da pamonha, do quentão, da zabumba, do triângulo, é esse o meu discurso de proteção, em defesa dessa matriz.

PC: Nesse caso a presença de ritmos como o sertanejo, o axé music, durante as festas juninas, inviabilizam o fortalecimento dessa tradição?

Flávio Leandro: Exatamente. Porque quanto mais eu tiro de dentro dessa minha realidade, mais eu vou está desempregando. Eu acho que existe espaço pra todo mundo, é preciso que se aja de forma mais justa, no sentido de cada um defender na sua localização as suas matrizes. Mas isso a gente só vai conseguir quando setorizarmos dentro de cada região, de cada comunidade as suas matrizes.

PC: Quais são as esperanças do poeta-cantador para o Brasil e, particularmente, para o Nordeste?

Flávio Leandro: Eu acredito demais no Brasil. Esse país é tão diverso, tão plural, e tão forte que, apesar do sofrimento do povo no dia-a-dia, a gente ainda percebe uma ponta de esperança, um brilho no olho, tão forte nessas pessoas… E é de posse dessa chama, desse brilho nos olhos, que eu tento traçar minha caminhada e dar minha lição diária, da minha própria sobrevivência, e através dessa minha vontade passar pra pessoas esse brilho, essa garra, essa determinação de querer transformar, de mudar. Não é possível muito rapidamente, mas acredito que a gente já melhorou bastante. Eu acredito muito no meu país, e acho importante que cada um, dentro das suas comunidades, comecem a se fortalecer, valorizando o seu bairro, a sua cidade, o seu estado, e daí fortalecer o Brasil como um todo. É um sistema muito forte, de várias e várias peças, onde cada um tem que está trabalhando, de forma muito simultânea, para que a gente consiga atingir os objetivos, e tenho certeza absoluta que daremos certo, e muito, não sei exatamente quando, mas acredito demais no meu país.

Notícias

Vale do São Francisco se movimenta em defesa da democracia

Hoje (28) Petrolina segue sua agenda em favor da democracia, com ações médicas, debates, oficinas e apresentações culturais.

O processo de ipeachment da Presidenta Dilma Rousseff segue no Senado, a comissão especial deve ouvir hoje (28) os autores do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Dos três juristas que assinaram o documento, apenas Janaína Paschoal confirmou presença. Miguel Reale Júnior ainda não declarou se vai e Hélio Bicudo afirmou que não irá comparecer. Amanhã (29), será a vez da defesa de Dilma, a ser apresentada pelo advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo. Também foram convidados a participar os ministros Nelson Barbosa (Fazenda) e Kátia Abreu (Agricultura).

Desde a criação do processo, movimentos populares, centrais sindicais, entidades estudantis, MST e coletivos de luta, estão se mobilizando em todo o país e organizando atos em defesa da Democracia.

E no Vale do São Francisco não tem sido diferente. Petrolina-PE, se tornou uma cidade estratégica para que a sociedade exercer pressão sobre o inconsistente processo de interrupção do governo, já que é base eleitoral de três parlamentares decisivos no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, entre eles o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB), que já se posicionou a favor da interrupção do governo, contrariando a maioria do povo nordestino.

Na região, praticamente não existiram manifestações de apoio a interrupção do governo. Em contrapartida, vários atos foram realizados contra ‘o golpe’. Como por exemplo, a paralisação da ponte com mais de 1500 pessoas, o ato Artistas Contra o Golpe realizado na orla de Juazeiro e o ato Político Cultural em Defesa da Democracia realizado na Univasf.

Petrolina segue sua agenda em favor da democracia nesta quinta-feira (28).

Acampamento em defesa da democracia

Começou ontem o Acampamento Popular em Defesa da Democracia, com a presença de Jaime de Amorim (coordenador do MST-PE) e Carlos Veras (presidente da CUT-PE), na praça Dom Malan, no centro de Petrolina.

A programação segue hoje com uma oficina de construção de faixas pela manhã. A tarde será realizado uma ação em saúde com a rede de médicos e médicas populares, às 15h. Às 16h, será realizada uma oficina de stencil, preparada pelo Levante Popular da Juventude e pela Marcha Mundial de Mulheres.

A programação segue com o ato ‘Universidade pela Democracia’, às 17h.

Durante a noite, será realizada a plenária ‘Sertão pela Democracia’, na Tenda Democrática. E para finalizar o dia de programação, haverão apresentações culturais.

13116386_10209850468842503_2957499636180571874_o

Paralização dos Estudantes

Nesta quinta-feira (28) haverá uma paralisação em todas as universidades do país. O comitê da UPE em Defesa da Democracia que tem o DCE, o SINDUPE e a ADUPE como componentes declarou a paralisação na Universidade de Pernambuco.

O estudantes estarão reunidos no final da tarde, às 17h, no acampamento na praça Dom Malandebatendo e se ‘posicionando contra o golpe e a favor da Democracia’.

“Vive em nós toda a rebeldia e força para lutar por nosso povo. Sem democracia não há liberdade, não há direitos, nem avanços, e recessão não combina mais com o Brasil. As universidades e escolas são trincheiras de resistência e consciência democrática.”. Diz a descrição do evento criado pela UNE no Facebook.

13012865_1245655928795196_9007895017885725791_n

Roda de Conversa no Impulso

Hoje, a partir das 17h30, o Impulso Vestibulares e Concursos em parceria com a Húmus Cultural, promove mais uma edição da Roda de Conversa, que nesta edição terá como tema “O Brasil da política num país despolitizado”. O evento conta com a presença do poeta e professor Dr. Josemar Pinzoh e da atração musical P1 RAPPERS.

“A política tomou conta das conversas em pontos de ônibus, nas filas, nas redes sociais, nas mesas de bar, nas escolas, nas ruas, na mídia. Isso torna o Brasil um país politizado? A crise que atinge o país seria o reflexo da falta de politização da sociedade?”. Essas são algumas questões que serão abordadas no debate.

Notícias

Em carta categórica PT de PE aponta suspeitas contra o PSB e afirma que votos do partido foram decisivos no Golpe contra o governo Dilma

Para o presidente do PT de Pernambuco, Bruno Ribeiro, ao defender o golpe contra o governo da presidenta Dilma, “o PSB desistiu da própria linha histórica, desistiu de Dr. Arraes, desistiu até de Eduardo Campos!”.

Foto-Bruno-Ribeiro-blog-Nill-Jr-588x330A  carta da direção do PT de Pernambuco ao PSB, que gerou polêmica, é uma resposta a outra carta que o presidente do PSB do Estado, Sileno Guedes, publicou, após tomar conhecimento da Carta Aberta, enviada pela Frente Brasil Popular ao Governador Paulo Câmara.
Ao considerar a carta do presidente do PSB agressiva e deselegante, a direção do Partido dos Trabalhadores expôs diversas contradições e suspeitas que pairam contra políticos “socialistas” e fez questão de lembrar a importância história de Miguel Arraes que, diante dos fatos atuais, é contrariada pela ação de dirigentes e parte da militância daquele partido. Confira a Carta na íntegra.

 

O PSB E OS VOTOS DO GOLPE

Na sexta feira passada, a Frente Brasil Popular dirigiu um respeitoso documento ao Governador Paulo Câmara. Não ao PSB, mas ao governador de todos os pernambucanos.  Democraticamente, defendeu as suas posições, apresentou os seus pleitos legítimos. Do governador recebeu o silêncio. Para a surpresa geral, veio uma resposta agressiva do Presidente do PSB, Sileno Guedes, atacando a Frente e o PT. A Frente dará a sua resposta. Mas como presidente do PT comento as contradições do referido dirigente e respondo às agressões ao partido ao qual, com muito orgulho, sou filiado.

Inicialmente, ele atacou com deselegância para tentar dissimular a sua falta de justificativa por apoiar um golpe fraudulento contra uma Presidenta legitimamente eleita. E o fez pelo desconforto diante do registro, feito na carta aberta, de que Dr. Miguel Arraes teve uma atitude digna ao ser deposto no golpe de 64 e que foi alvo de uma ofensiva e de uma deposição semelhante à que se tenta atualmente.

Para isso, remexeu em um episódio isolado surgido no calor de uma greve, como se fosse possível disfarçar que, no golpe e no governo, o PSB, na gestão do presidente Sileno Guedes, está ao lado da dupla Jarbas/Mendonça que produziu, com estardalhaço, uma longa série com as maiores, mais duras e mais injustas ofensas à honra do Dr. Miguel Arraes e à do próprio ex-governador Eduardo Campos, após a emissão dos títulos públicos dos precatórios ou quando foi indicada e ao fim nomeada, com o apoio de Lula e do PT, a atual ministra pernambucana do Tribunal de Contas da União. Nem na ditadura o ex-governador foi tão ofendido e, ao que se saiba, o presidente Sileno Guedes nunca manifestou de público algum incômodo com essas ofensas e com a parceria com lideranças da direita historicamente hostis ao PSB e aos seus líderes.

Sobre a farsa do impeachment e nas suas agressões gratuitas, a nota prosseguiu afirmando que o “governo se exaure, contaminado por denúncias”. Deveria ter mais cautela, prudência e respeito, aguardando o curso das investigações, das acusações e das defesas.

Afinal, o governo do PSB em Pernambuco vem sendo alvo de operações da Polícia Federal, denominada Fair-Play, com buscas e apreensões em escritórios, residências e no órgão governamental que cuida das PPP’s – Parcerias Público Privadas, na época presidido e vice-presidido pelos atuais Prefeito do Recife e pelo Governador do Estado. De outro lado, delações premiadas mencionam lideranças do PSB, acusando-as de receber vultosas propinas.

Há graves acusações de superfaturamento da obra da Arena Pernambuco e de um contrato que, por décadas, seria lesivo ao povo de Pernambuco, ambas tendo como contrapartes o Governo e a Odebrecht, uma das empreiteiras investigadas na Lava-Jato. As acusações também alcançam a terraplanagem da Refinaria em Suape,  a obscura PPP de Itaquitinga ou a pouco transparente PPP da Compesa, com a mesma Odebrecht. Muitas outras denúncias sobre licitações supostamente fraudulentas e investigadas pela mesma PF, circulam com aúdios de escutas telefônicas e reprodução de documentos.

O “site” do TSE sobre as eleições de 2014, registra doações para a campanha da chapa Paulo Câmara, Raul Henry e Fernando Bezerra no elevado montante de R$ 11,8 milhões realizadas pelas principais empreiteiras investigadas na Lava-Jato (Odebrecht, OAS, UTC, Queiróz Galvão e Andrade Gutierrez), todas elas executoras dessas e de outras obras em Pernambuco sob investigação,. Lá, no mesmo “site” da Justiça Eleitoral, também constam doações dessas empresas para TODOS os políticos e partidos pernambucanos envolvidos no golpe e que hoje ofendem Dilma e Lula com os mesmos adjetivos chulos com que ofenderam, até há bem pouco tempo, ao Dr. Arraes e ao ex-governador Eduardo Campos.

O chamado listão da Odebrecht recentemente divulgado (e logo escondido pela pequena presença de petistas) igualmente contém potenciais injunções corrosivas sobre muitos deputados e gestores pernambucanos que estão, por aí, proferindo votos pelo golpe e acusações levianas ao PT. Frequentemente embasadas em moralismo falso, manipulador e da escola lacerdista.

Sobre o conjunto desses fatos acima mencionados e de outros fatos, nós do PT temos sido responsáveis e cuidadosos. Não proferimos acusações, nem pré-julgamentos, contra os delatados ou investigados de outros partidos em Pernambuco. Aguardamos a evolução das investigações e as defesas daqueles que são acusados. Evitamos até citar nomes, como nesta resposta.

Não queremos manipular investigações e correr o risco de cometer injustiças como as que têm sido feitas contra o PT, por agentes do Estado e por setores golpistas da mídia e da oposição tucana. Preferimos um debate mais qualificado do que aquele proposto na nota do presidente Sileno Guedes. Sem insinuar. Não desejamos, mas se for inevitável, temos elementos, documentos e estamos prontos para debater em qualquer terreno escolhido pelos golpistas pernambucanos. Mesmo naqueles solos mais inóspitos, subterrâneos ou pantanosos. Quem se atrever neles, que aguente o tranco !!.

Sobre a política, presidente Sileno Guedes, o que a história vai registrar é que a primeira etapa da farsa do impeachment foi aprovada por 367 votos na Câmara dos Deputados, quando bastavam 342. Ou seja, a violência contra a democracia e contra a soberania de 54 milhões de votos populares venceu com uma margem superior de 25 votos. Ora, a bancada do PSB possui 32 deputados federais e proferiu 29 votos aprovando o golpe, dentre estes os de todos os deputados da legenda em Pernambuco. Do Estado onde Dilma conquistou a maior vitória percentual do País no segundo turno em 2014 e, para a vergonha de milhões de pernambucanos, esses deputados deram os votos do quórum para o golpe, para afrontar e anular os votos dos eleitores pernambucanos para presidente. O PSB, então, foi o fiel da balança. Os votos de sua bancada teriam barrado o golpe na largada. Foram os votos decisivos do golpe. Isto, nem a história, nem notas agressivas poderão esconder ou escamotear. Não há como deixar de assumir a responsabilidade histórica por ter feito a diferença !

Outro fato relevante é que, neste domingo, os votos do PSB foram destinados a colocar o conspirador e vice-presidente Michel Temer na presidência da república e o corrupto Eduardo Cunha na vice-presidência. Tal como em 1o de abril de 1964, os golpistas de então, na Alepe, decidiram colocar outro vice no lugar constitucional e legítimo do eminente governador Miguel Arraes que, estando arbitrariamente preso, teve o cargo declarado vago no impeachement fraudulento da época. A narrativa, a motivação e as articulações dos golpistas possuem semelhanças impressionantes na história brasileira. Sempre é possível encontrar um vice para conspirar e para trair, seja sob Vargas, sob Arraes ou sob Dilma. O PSB escolheu o seu.

Mas as contradições do PSB não são apenas perante a história de Dr. Arraes. Nesses dias, tem sido recorrente a lembrança de que o ex-governador Eduardo Campos enfatizava publicamente que, se eleito presidente, o “PMDB de Sarney, de Renan e de Temer estaria na oposição, pela primeira vez na história”. Mas os votos do PSB no domingo foram para colocar o PMDB na presidência e na vice-presidência da república, e pela via do golpe fraudulento, do impeachment sem crime. Lamentavelmente, presidente Sileno Guedes, suas agressões não conseguirão disfarçar que, sob a sua gestão, o PSB desistiu da própria linha histórica, desistiu de Dr. Arraes, desistiu até de Eduardo Campos !

 BRUNO RIBEIRO DE PAIVA

Presidente estadual do PT de Pernambuco

Recife, 19 de abril de 2016