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Brasil registra 1.910 mortes em 24 horas e se torna epicentro mundial da pandemia

Este é o pior momento desde o início da crise sanitária; epidemiologistas alertam que próximas semanas serão trágicas

“O Brasil governado pelo genocida passa a ser, a partir de hoje, o país com maior número de novos casos de covid no mundo. Ultrapassamos os EUA, Bolsonaro. Tá feliz?”, questiona o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha – Foto: Getty Images

O Brasil registrou 1.910 mortos por covid-19 nesta quarta-feira (3), o mais alto número de óbitos oficialmente notificados desde o início do surto, em março passado. O balanço do dia divulgado pelo Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) reafirma o pior momento da pandemia no país.

Já são 259.271 mortos. Em relação ao número de novos casos, foram 71.704 no último período, também um dos dias com mais notificações de novos contaminados. Ao todo, 10.718.630 brasileiros já foram infectados pelo novo coronavírus. E o cenário está se agravando com velocidade.

Hoje, o Brasil é o epicentro da covid-19 no planeta. Enquanto o resto do festeja o recuo nos números de casos e mortes há cerca de seis semanas consecutivas, o Brasil vive desde o fim de novembro a situação oposta.

Aglomerações de fim de ano e também no Carnaval contribuíram decisivamente para o descontrole de agora. De acordo com especialistas, a tragédia tende a se manter e até mesmo se ampliar nas próximas duas semanas, pelo menos.

Além do surto de novos casos, sem contar a subnotificação, o país segue testando pouco a população. Esses fatores somados levam entidades e cientistas a afirmarem que a tragédia brasileira é seguramente maior do que mostram os dados oficiais.

Epicentro

Também hoje, um dos maiores epidemiologistas dos Estados Unidos, Anthony Fauci, falou sobre o Brasil, em entrevista para a GloboNews. “É uma situação muito difícil que o Brasil vive. Mesmo com o vírus comum a situação já era difícil com grande disseminação. A melhor saída é vacinar o quanto antes o maior número de brasileiros. Ficaria feliz de conversar com autoridades brasileiras para ajudar, para ver quais possibilidades existem”, disse.

Desde o início do ano, os Estados Unidos reduzem casos e mortes, após a saída de Donald Trump do cargo de presidente. Seu sucessor, o democrata Joe Biden, adotou planos severos de combate ao vírus, como o isolamento social, além de metas ousadas de vacinação.

Com 3 milhões de doses aplicadas por dia, os norte-americanos possuem meta de vacinação de todos os adultos até o fim de maio.

Por sua vez, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, voltou a confirmar sua posição negacionista, ao tentar transferir culpa para a imprensa sobre a maior crise sanitária em mais de um século.

“Criaram o pânico, né? O problema tá aí, lamentamos, mas você não pode viver em pânico. Que nem a política, de novo, do ‘fica em casa’. O pessoal vai morrer de fome, de depressão”, disse, nesta quarta (3).

Genocida

Para o deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), são necessárias ações urgentes para tentar evitar uma tragédia ainda maior. Ele critica a postura do governo federal.

“O Brasil governado pelo genocida passa a ser, a partir de hoje, o país com maior número de novos casos de covid no mundo. Ultrapassamos os EUA, Bolsonaro. Tá feliz? Demoramos 11 meses para chegar a 200 mil mortes confirmadas. Dia 7 de janeiro. Demoramos menos de 50 dias para termos mais 50 mil mortos. Quem não percebeu que estamos em franca expansão da pandemia não vive no Brasil que vivemos”, disse.

“Ou percebemos a gravidade, ouvimos mais a ciência, os médicos, profissionais de saúde, ou não estamos percebendo a gravidade. Manaus colocou por terra a teoria de que a pandemia seria controlada pela imunidade de rebanho. Ouvimos isso demais. Temos todos os estados com pressão sobre o sistema de saúde”, completou o parlamentar, que é médico e ex-ministro da Saúde.

Agravamento

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou na última terça-feira (2) um boletim que evidencia o mais grave momento da pandemia até então, com tendência de piora do quadro em todo o território nacional.

“Pela primeira vez desde o início da pandemia, verifica-se em todo o país o agravamento simultâneo de diversos indicadores, como o crescimento do número de casos e de óbitos, a manutenção de níveis altos de incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), a alta positividade de testes e a sobrecarga dos hospitais. No momento, 19 unidades da Federação apresentam taxas de ocupação de leitos de UTI acima de 80%”, afirma.

Vacinação

O Brasil segue com um futuro incerto sobre o avanço na velocidade da vacinação contra a covid. O dia foi repleto de notícias trágicas sobre a covid-19 por todo o país.

Em Santa Catarina, mais de 250 pessoas aguardam um leito de UTI, com o sistema de Saúde em colapso; ao menos 35 pessoas morreram no estado sem atendimento médico.

Em Rondônia, 100% dos leitos ocupados há 37 dias e um aumento de 86% no número de sepultamentos em fevereiro, em comparação com janeiro.

Em Porto Alegre, mais de uma semana de colapso e câmaras frigoríficas ao lado de hospitais para abrigar corpos que se amontoam. E isso em bairros nobres, como o Moinhos de Vento.

São esperadas 400 mil doses da vacina russa Sputnik V em março. A cidade de São Paulo, por meio da prefeitura municipal, negocia 5 milhões de doses da vacina da Jansen (Johnson & Johnson), que tem eficácia comprovada e é aplicada em apenas uma dose. As iniciativas locais e a pressão da sociedade forçaram o governo a abrir negociação de mais imunizantes.

O ministério da Saúde anunciou acordo para a compra de 100 milhões de doses da Pfizer que devem ser entregues ao longo do ano. O contrato está em redação. É a única vacina com registro definitivo na Anvisa.

Também existem negociações em andamento sobre as vacinas da Jansen. “Com 7 meses de atraso, governo federal, enfim, decide comprar vacinas da Pfizer. Um dia após a Câmara aprovar projeto que autoriza compra direta por estados e municípios. Coincidência? Nada disso. Bolsonaro funciona na base da pressão!”, disse o deputado federal José Guimarães (PT-CE).

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Brasil bate novo recorde de mortes por covid: 1.641 nas últimas 24h

País chega à maior média móvel de mortes pelo novo coronavírus de todo o surto; Bolsonaro segue atrapalhando a vacinação

O país também passa pela maior média de mortes, calculada em sete dias, de todo o histórico do surto. Esse número está em 1.262 vítimas por dia – Foto: Reprodução/Prefeitura de Penedo

O Brasil segue em escalada de casos e mortes por covid-19. Esta terça-feira (2) foi o dia com mais mortos desde o início da pandemia, em março do ano passado. Foram mais 1.641 vítimas em um período de 24 horas – ultrapassando a média de mais de uma pessoa morta a cada minuto.

No total, já são 257.361 vítimas do novo coronavírus em um ano. O país também passa pela maior média de mortes, calculada em sete dias, de todo o histórico do surto: 1.262 óbitos por dia. As informações são do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).

Em relação ao número de novos casos, foram 55.925 no último período, levando o Brasil a somar 10.646.926 contaminações oficialmente notificadas.

Enquanto isso a vacinação caminha com lentidão. São cerca de 8,5 milhões de doses já aplicadas, mas apenas 0,9% dos brasileiros estão totalmente imunizados por terem recebido as duas doses necessárias, seja da CoronaVac, seja da Oxford-AstraZeneca.

Vacinas

Na noite desta segunda-feira (1), o presidente Jair Bolsonaro vetou trechos de uma Medida Provisória apresentada pelo Congresso para facilitar a compra e distribuição de vacinas. Com isso, ele barrou as principais iniciativas desenhados para ampliar a proteção dos brasileiros.

Entre eles, derrubou a autorização para que estados e municípios adotassem medidas para garantir a vacinação dos cidadãos, em caso de omissão do governo federal.

Também vetou o prazo de cinco dias para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorize a utilização de um imunizante que já tenha aprovação nos principais países do mundo, como Estados Unidos, União Europeia, China e Rússia.

As ações de Bolsonaro no sentido de dificultar o acesso às vacinas ainda podem ser revertidas. O texto deve retornar ao Congresso, que deve, por sua vez, derrubar o veto presidencial, já que a MP havia sido aprovada por unanimidade.

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), lamentou a decisão de Bolsonaro. O governador visitou hoje instalações da União Química no Distrito Federal, acompanhado de outros governadores.

Existe uma expectativa de que a farmacêutica produza 8 milhões de doses da vacina russa Sputnik V, em parceria com o laboratório Gamaleya.

“O cronograma de produção da Sputnik é para o início do mês de abril, com expectativa de 8 milhões de doses produzidas. Se o Ministério da Saúde compra essa produção, ótimo. Caso contrário, os estados também, mediante a apresentação de um cronograma, podemos firmar um contrato de opções de compra para todo o Brasil”, disse Dias.

Como vigora uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que garante autonomia dos governadores e prefeitos para que negociem vacinas, a articulação dos chefes de Executivo regionais por mais vacinas deve continuar.

Tragédia anunciada

O país vive uma situação de colapso do sistema de saúde em muitas cidades em diferentes estados. “O Brasil adotou uma estratégia genocida”, nas palavras do biólogo e divulgador científico Atila Iamarino, em entrevista para a BBC Brasil sobre a covid.

Já em suas redes sociais, o cientista lamenta que o cenário deve piorar no futuro próximo. “Tivemos 250 mil mortes até aqui, geramos a variante que mais preocupa o mundo inteiro e ainda temos semanas terríveis pela frente. E não temos campanha nacional de combate à covid-19”, disse.

Já sobre a lentidão na vacinação, Atila também aponta para a falta de ações do governo Bolsonaro. “São as consequências de não termos outros acordos. Butantan e Fiocruz estão produzindo as doses dentro da agenda. Ficamos o ano passado inteiro de braços cruzados e agora não temos outros fabricantes entregando. E 2022 pode ser o ano de ver vários países abrindo e nós, trancados.”

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TRE-PE suspende todo atendimento presencial no Estado. Objetivo é proteger vidas

As atividades presenciais da Justiça Eleitoral pernambucana estão suspensas a partir de 2 de março. Eleitor não será prejudicado. Todos os serviços poderão ser realizados remotamente

Foto: Reprodução

Devido ao aumento de casos de covid-19 no Estado, o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) decidiu que todas as atividades no âmbito da Justiça Eleitoral de Pernambuco, inclusive nos cartórios eleitorais, serão realizadas exclusivamente de modo remoto. A partir desta terça-feira (2/03), está suspenso, portanto, todo o atendimento presencial nos 122 cartórios eleitorais do Estado, centrais e postos da Justiça Eleitoral.

Uma Portaria neste sentido, de número 147/2021, foi assinada na noite desta segunda-feira pelo presidente do Tribunal, desembargador Frederico Neves. A decisão se justifica pela necessidade de preservação da saúde e da vida de eleitores, servidores e colaboradores desta Justiça Especializada.

Até 1º de março, em Pernambuco, 299.475 foram contaminadas pelo novo coronavírus. Quase 11 mil pessoas morreram. Além disso, as UTIs do Estado registram índices de ocupação críticos, acima de 90%. O Tribunal entende que o momento exige todas as medidas para se preservar a saúde das pessoas.

Cumpre esclarecer que o eleitor que necessite de algum dos serviços prestados pelo TRE-PE não será prejudicado.

O cidadão poderá receber atendimento remoto clicando em https://www.tre-pe.jus.br/eleitor/atendimento-remoto/atendimento-remoto, sendo possível nesta área requerer a primeira via do título (alistamento), mudança de município (transferência), alteração de dados pessoais, entre outros serviços.

Para sanar dúvidas o eleitor poderá entrar em contato com a Ouvidoria do TRE, com a assistente virtual Julia, com o disque-eleitor ou com os cartórios eleitorais, que funcionarão com um servidor na modalidade presencial. Verifique as opções de canais de atendimento do TRE-PE clicando aqui (https://www.tre-pe.jus.br/o-tre/fale-conosco). Ascom.

 

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Sociedade Paulista de Infectologia recomenda que governadores determinem lockdown

Organização afirmou que se cenário continuar do modo em que se encontra, haverá colapso da saúde

Com um ano de pandemia, Brasil entra na lista das três nações com os piores números – Michel Dantas/ AFP

A Sociedade Paulista de Infectologia (SPI) publicou, no último sábado (27), uma nota na qual expressa preocupação com a situação da pandemia de covid-19 no Brasil, mais especificamente no estado de São Paulo.

Segundo dados do Conselho de Secretarias Estaduais da Saúde (Conass), o país registrou nos últimos sete dias a média de 1.205 mortos por covid-19. Em números absolutos, São Paulo segue concentrando a maior quantidade de vítimas. Até agora, foram 59.492 óbitos.

No documento, a SPI afirma que “há uma total desconexão da vida cotidiana com a realidade da pandemia”. A organização explica que o fato de o Brasil ter novas variantes em circulação, somado à ausência de um programa nacional efetivo de imunização, bem como de medidas de prevenção e controle, coloca o país em um outro patamar de risco.

“Pacientes graves têm alta taxa de morte e graves sequelas a despeito dos melhores recursos assistenciais. Que dirá em meio ao caos em que até oxigênio pode faltar? Na prevenção, uma vacinação lenta, em recortes populacionais, está fadada a não resultar em proteção efetiva em tempo oportuno”, afirma a organização em nota.

A SPI também defende que nesse ritmo, em que marcas expressivas de óbito e infectados ocorrem em intervalos cada vez mais breves, não podemos ter outro cenário em mente, se não, o colapso da saúde. E em meio ao caos não há vida, não há economia, não há nada além do que o incerto”.

Diante do cenário, a SPI recomenda aos governadores e ao presidente da República que concretizem as medidas de segurança entre a população, como lockdown, restrições maiores a serviços não essenciais, toque de recolher prolongado, testagem em massa e rapidez na vacinação.

Clique aqui para ler a nota na íntegra.

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Balanço: a combinação fatal que levou o Brasil ao pior momento da pandemia

Minimização dos riscos, má gestão política e abandono de medidas de proteção fazem país acumular mais de 250 mil mortes

Sepultamento de indígenas em Manaus (AM), cidade que está hoje na “fase vermelha” da pandemia; o estado, Amazonas, teve 1.572 novos casos de covid entre quinta (25) e sexta (26) e 56 mortes – Paulo Desana/Dabakuri/Amazônia Real

O Brasil completou, nesta semana, um ano de pandemia, ao mesmo tempo em que ultrapassou a trágica marca dos mais de 250 mil mortos pela covid-19, atingida na última quarta (24). Enquanto os números de infecções e óbitos se multiplicam numa proporção geométrica, o país acumula, ao final deste período, uma série de outros problemas que se somam à estatística dos mais de 10,3 milhões de contaminados.

Covid na semana

O conjunto envolve, por exemplo, carência de leitos de UTI em diferentes estados, falta de vacina para sair do ritmo lento de imunização – apenas 3% da população foram vacinados – e dificuldade de manutenção massiva dos hábitos de prevenção. 

Nas últimas terça (23) e quarta (24), por exemplo, a taxa de isolamento social teve média de 32%. É o menor índice já registrado em um mesmo dia desde meados de março de 2020, quando a pandemia começou a se alastrar. Mensurado a partir da localização de GPS de 60 milhões de celulares no país, o dado é da startup In Loco.

Pensado a partir de referenciais sanitários e científicos, o isolamento social é considerado medida fundamental para a contenção do vírus. A médica de família Nathalia Neiva Santos, da Rede de Médicas e Médicos Populares, explica que o abandono desse hábito pode ser considerado fatal.

“Quanto mais pessoas circulando, maior é a transmissão desse vírus, e maior também é a possibilidade, como a gente tem visto, de se ter novas variantes, porque o vírus muda com muita frequência. É um vírus com grande capacidade de adaptação ao meio”.

Como consequência da baixa taxa de isolamento, a transmissão da covid no Brasil também chama a atenção. Segundo boletim do Imperial College, no Reino Unido, o índice estava em 1,02, o que significa que 100 pessoas contaminadas transmitem a doença para 102 pessoas que ainda não têm o vírus.

A marca vem combinada com uma série de outros elementos que circundam o cenário da pandemia no país. Já são, por exemplo, 37 dias consecutivos com número diário de óbitos acima de mil. É o intervalo mais longo com essa característica desde a chegada do novo coronavírus. O recorde anterior havia sido alcançado entre julho e agosto, quando o Brasil viveu 31 dias seguidos dentro desse patamar de mortes. 

Com ritmo lento de imunização contra a covid, Brasil completa um ano de pandemia tendo imunizado apenas 3% da população / Rovena Rosa/Agência Brasil

Paralelamente, gestores estaduais e municipais retornam à prática do lockdown ou de medidas semelhantes, ao mesmo tempo em que convivem com a realidade do governo federal, com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) incentivando aglomerações e fazendo apelos permanentes pelo fim das medidas restritivas.

“É uma rede de fatores que interferiram pra gente chegar nesta má gestão da pandemia, que é uma das piores do mundo. A gente sabe que o sistema de saúde vinha passando por um processo crônico de desfinanciamento, com redução de leitos de UTI, e a gente chega neste momento em que não tem leito para todos”, ressalta Nathalia Neiva Santos.

A menção da médica encontra referência nos números. Em 2019, por exemplo, primeiro ano da gestão Bolsonaro e ano anterior ao da pandemia, a área da saúde perdeu R$ 20 bilhões. A redução é consequência direta do Teto de Gastos, aprovado em 2016 com previsão de enxugamento das despesas sociais durante 20 anos.

Com um ano da chegada do novo coronavírus ao território nacional, Brasil acumula mais 10,3 milhões de casos de contaminação pela covid-19 / Itamar Crispim/Fiocruz

A política vem sendo mantida pela gestão Bolsonaro, que, em novembro de 2020, nove meses depois da chegada oficial do coronavírus ao país, não havia executado cerca de R$ 5,6 bilhões previstos para a contenção da pandemia naquele ano. A denúncia partiu do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que vem fazendo seguidos alertas e pedindo a queda do ajuste fiscal.

“Por isso o que a gente precisa neste momento é aumentar os investimentos em saúde. São varias estruturas que precisam receber mais recursos como medicações eficazes, sedativos, que estão em falta, etc. Sem esses recursos, se fortalece ainda mais o caos”, afirma Nathalia Santos.

O Brasil no mundo

Ao final desta jornada de um ano da pandemia em terras nacionais, a médica compara ainda a situação do Brasil com a do mundo. Uma pesquisa do Lowy Institute, da Austrália, apontou o país como o pior em termos de gestão da pandemia. A conclusão vem após a análise de seis critérios, como número de infecções e mortes e capacidade de contenção do vírus. Ao todo, o levantamento estudou a situação de quase 100 países.

Para a profissional da Rede de Médicas e Médicos Populares, é inevitável falar do comportamento do presidente da República e seus aliados. Ela destaca a minimização da pandemia, o desestímulo às medidas de proteção, a falta de um lockdown federal e ainda os conflitos entre Bolsonaro e governadores por conta das divergências sobre as medidas de contenção.

“O que chama mais atenção não é nem como não se operou um sistema de saúde pra conduzir a pandemia, mas como o comportamento de determinados gestores foi muito mais favorável à explosão dos casos e da má condução. Isso chama atenção porque é [algo] do nível de responsabilidades, de crime mesmo”.

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COVID-19: Gilmar Santos solicita que protocolo sanitário seja cumprido na Câmara Municipal de Petrolina

Entre as solicitações está o retorno da verificação de temperatura, a exigência do uso de álcool em gel na entrada e o uso de máscara para todos, inclusive parlamentares.

Foto: Ascom Mandato coletivo

Preocupado com a saúde da população de Petrolina-PE, e diante dos quase 15 mil casos de COVID-19 confirmados na cidade, o Vereador Prof. Gilmar Santos (PT), enviou na tarde de ontem (03), um ofício para a mesa diretora da Casa Plínio Amorim, solicitando o cumprimento do protocolo sanitário nas dependências da Câmara.

Entre as solicitações está o retorno da verificação de temperatura, a exigência do uso de álcool em gel na entrada e o uso de máscara para todos, inclusive parlamentares.

Para Gilmar, “é fundamental redobrar os cuidados, e um espaço público como a Câmara de Vereadores deve ser uma instituição que sirva de exemplo no que diz respeito ao cuidado e atenção às regras”, pontuou.

No documento, o parlamentar demonstrou preocupação com a flexibilização em relação a algumas regras de controle sanitário e afirma que é possível encontrar grande quantidade de pessoas circulando no prédio e ainda mais grave, a não utilização de máscaras, inclusive por parte de alguns dos colegas Vereadores, cita um trecho do ofício.

Ofício 05-2021 – Controle sanitário

Assessoria de Comunicação

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MPF e MP/PE expedem recomendações para cumprimento de ordem de prioridade para vacinação contra covid-19 em Salgueiro e Petrolina

Desrespeito ao público-alvo da primeira fase da campanha pode levar à responsabilização dos envolvidos

Imagem ilustrativa: Pete Linford/Pixabay

O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público de Pernambuco (MP/PE) expediram recomendações conjuntas às secretarias de saúde dos municípios de Salgueiro e Petrolina para que seja cumprida rigorosamente a ordem de prioridade definida pelo Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19 estabelecido pelo Ministério da Saúde (MS). O documento referente a Salgueiro foi assinado pelo procurador da República Rodolfo Lopes e pelo promotor de Justiça Márcio Fernando Magalhães Franca, enquanto a recomendação em Petrolina é de responsabilidade da procuradora da República Ticiana Sales Nogueira e da promotora de Justiça Ana Paula Nunes Cardoso.

Conforme determinado pelo MS e pela Secretaria Estadual de Saúde, na primeira etapa da vacinação são grupos prioritários pessoas com 60 anos ou mais vivendo em instituições como abrigos ou casas de repouso, bem como os funcionários desses locais, pessoas com deficiência também vivendo em instituições e respectivos trabalhadores, indígenas vivendo nas terras da respectiva comunidade e trabalhadores da saúde em atividade nos locais de atendimento de pacientes com covid-19, com prioridade para aqueles na linha de frente do enfrentamento da doença. A definição desse público-alvo foi feita em razão de sua maior exposição ao vírus, vulnerabilidades e morbimortalidades, de forma a conter o avanço da pandemia e suas consequências negativas para toda a população.

Além da obediência à ordem de prioridade, MPF e MP/PE recomendam, entre outras medidas, que sejam promovidas ações visando à transparência da execução da vacinação nos municípios, inclusive com a divulgação das metas atingidas. Também deverá ser elaborado plano de vacinação local, em conformidade com o plano estadual e o determinado pelo MS. Os municípios também deverão informar sobre a disponibilidade de insumos, estrutura e recursos humanos para a aplicação da vacina, bem como sobre o planejamento para a segunda dose.

Aos Conselhos Municipais de Saúde foi recomendado que fiscalizem a execução do plano local de vacinação contra a covid-19, as próximas etapas da imunização e o quantitativo de pessoal contemplado, com o encaminhamento dessas informações aos MPs.

Salgueiro – MPF e MP/PE destacam, na recomendação à Secretaria de Saúde de Salgueiro, que aqueles que insistirem em descumprir as normas sobre a vacinação e distanciamento social poderão responder por infração de medida sanitária preventiva e pelo crime de peculato, previstos no Código Penal. Também é recomendado às Polícias Civil e Militar que adotem as providências necessárias para garantir o cumprimento dessas normas.

Petrolina – Na recomendação à Secretaria de Saúde de Petrolina, MPF e MPPE também reforçam que o descumprimento das normas pode caracterizar infração de medida sanitária preventiva, ainda destacando que a ofensa à impessoalidade e à eficiência pode indicar ato de improbidade administrativa. Os MPs também requisitaram à Secretaria dados sobre o quantitativo de vacinas já recebido pelo município e de pessoal já vacinado, bem como dos indivíduos que receberam a primeira dose. A secretaria deverá informar ainda como será feita a fiscalização do cumprimento dos critérios de priorização definidos pelo MS e pela Secretaria Estadual de Saúde, com comunicação imediata aos órgãos de controle caso haja vacinação de pessoas que não se ajustem a esses critérios.

Foi fixado prazo de 48 horas, a partir do recebimento do documento, para que a Secretaria de Saúde de Petrolina informe sobre o acatamento da recomendação, bem como cinco dias úteis para que apresente a documentação requisitada.

No caso de descumprimento das recomendações expedidas em Salgueiro e Petrolina, os MPs poderão adotar as medidas administrativas e judiciais cabíveis.

Procedimentos nº 1.26.004.000053/2020-81 e 1.26.001.00076/2021-15

As informações são da Assessoria de Comunicação Social
Procuradoria da República em Pernambuco
(81) 2125-7348
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Lideranças religiosas protocolam novo pedido de impeachment contra Bolsonaro

Condução do governo diante da pandemia tem afastado setores de várias crenças

Bolsonaro faz discurso de fé, mas não mostra ações concretas de solidariedade cristã (Carolina Antunes/PR)

Representantes católicos e evangélicos levaram até a Câmara nesta terça-feira (26), mais um pedido de impeachment contra o presidente da República Jair Bolsonaro. “Temos a consciência de quem nem todas as pessoas das nossas igrejas são favoráveis a esse ato que estamos fazendo, mas é importante destacar essa pluralidade e as contradições que existem no âmbito do Cristianismo. Nem todo cristianismo é bolsonarista”, afirmou a pastora Romi Márcia Bencke, representante do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil. O pedido é baseado em denúncia de crimes de responsabilidade referentes à área de saúde e das políticas sanitárias durante a pandemia.

O pedido de impeachment é assinado por religiosos críticos ao governo. Na lista estão padres católicos, anglicanos, luteranos, metodistas e também pastores. Embora sem o apoio formal das igrejas, o grupo tem o respaldo de outras organizações como a Comissão Brasileira Justiça e Paz da Confederação Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) e a Aliança de Batistas do Brasil.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann (RS), o líder da Minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE) e o da Minoria no Congresso, Carlos Zarattini (SP) também participaram do evento. Eles devem apresentar nesta quarta-feira, 27, outro pedido de impeachment contra Bolsonaro, assinado em parceria com demais partidos da oposição.

A decisão de dar ou não o pontapé inicial no impeachment cabe ao presidente da Câmara, que também pode engavetar os pedidos – desde o início do mandato de Bolsonaro foram protocoladas 61 ações desse tipo contra ele, das quais 56 estão ativas.

No pedido formalizado nesta terça, os líderes religiosos acusam o presidente de agravar a crise do coronavírus e, consequentemente, o número de mortes. Para eles, Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade e desrespeitou princípios constitucionais e o direito à vida e à saúde. Mais de 200 mil pessoas já morreram em decorrência de Covid-19.

As falhas do governo durante a crise do coronavírus, na esteira de idas e vindas sobre a importação de vacinas da China e da Índia, elevaram a temperatura política. Partidos de esquerda como PT, PDT, PSB, PSOL e PC do B, além da Rede, também vão protocolar na Câmara, amanhã, um outro pedido de afastamento de Bolsonaro, desta vez com o mote “Pelo impeachment, pela vacina e pela renda emergencial”. As siglas adiaram a formalização da denúncia, antes prevista para hoje, justamente a pedido dos religiosos, que temiam confusão entre os dois movimentos.

O Palácio do Planalto faz campanha para emplacar o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), líder do Centrão, na cadeira de Maia, com a expectativa de que, nesse cenário, uma denúncia contra ele não avançará no Congresso. Adversário de Lira, o deputado Baleia Rossi (MDB-SP), apoiado pelo presidente da Câmara, promete analisar “com equilíbrio” os pedidos de afastamento de Bolsonaro se vencer a disputa. A eleição que vai renovar as cúpulas da Câmara e do Senado está marcada para 1º de fevereiro.

 

Agência Estado/Dom Total

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Atos pró-impeachment de Jair Bolsonaro se espalham; 15 capitais terão carreatas

No sábado, organizações de esquerda saem às ruas; no domingo, movimentos de direita também pedirão a saída do presidente

Mais de mil organizações já entregaram pedido de impeachment de Bolsonaro ao Congresso por descaso com a saúde pública em meio à pandemia – Foto: Nayá Tawane

O movimento pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está ganhando força no país. Na última quarta-feira (20), após a hashtag #ForaBolsonaro aparecer entre os assuntos mais comentados do Brasil nas redes sociais, foi anunciada, para o próximo fim de semana, uma série de atos pela saída do mandatário, divididos entre sábado e domingo.

Por conta da pandemia do coronavírus, que já contaminou 8 milhões de brasileiros e matou 212 mil pessoas no território nacional, os atos foram convertidos em carreatas. Segundo a Frente Brasil Popular, já são 15 capitais com carreatas confirmadas — Belém, Maceió, Salvador, João Pessoa, Teresina, Recife, Fortaleza, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília, Campo Grande, Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis —, além de outras cidades ao redor do Brasil. 

A Frente Brasil Popular, Povo Sem Medo, Fórum Pelos Direitos e Liberdades Democráticas e o Acredito chamaram os atos que ocorrem no próximo sábado (23). Logo cedo, às 9h, em Brasília, na frente da Funarte, manifestantes partirão em carreata até a Esplanada dos Ministérios.

Em Belém (PA), os manifestantes se concentrarão na avenida Doca de Souza Franco; no Rio de Janeiro (RJ), às 10h, a carreata sairá do monumento Zumbi dos Palmares, na avenida Presidente Vargas; na praça da Independência, em João Pessoa (PB), os ativistas se concentram à partir das 14h.

Também às 14h, os manifestantes saem em carreata em São Paulo (SP), tendo como ponto de encontro a Assembleia Legislativa; em Belo Horizonte (MG), a concentração do ato será no Minerão, às 16h; no mesmo horário, os gaúchos se encontram em Porto Alegre (RS), no largo Zumbi dos Palmares.

Em Rio Branco (AC), a concentração será às 15h na Uninorte; às 16h, na praça Nossa Senhora de Salete, a manifestação sairá em Curitiba (PR); e em Goiânia (GO), também às 16h, na praça Universitária Palmas, no Eixão Norte, os goianos partem em carreata pedindo a saída do presidente.

Carreatas por impeachment de Bolsonaro ocorrem neste fim de semana em várias capitais brasileiras / Reprodução – Instagram – Frente Brasil Popular

Direita

Com a ocupação das ruas pela esquerda no sábado, os movimentos de direita chamaram atos para o próximo domingo (24). MBL e Vem Pra Rua convocaram uma carreata que sairá às 10h da Praça Charles Miller, em São Paulo. Os dois grupos também estão puxando um panelaço para sexta-feira (22), às 20h30.

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Anvisa autoriza uso emergencial: Coronavac e vacina de Oxford já podem ser aplicadas

Diretores consideraram os imunizantes seguros, eficazes e com qualidade suficiente para serem distribuídos à população

Monica Calazans (54), enfermeira do hospital Emílio Ribas, em São Paulo é a primeira cidadã brasileira vacinada pela Coronavac – Nelson Almeida (AFP)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou neste domingo (17) o uso emergencial de duas vacinas contra a covid-19, por unanimidade.

A liberação significa que, para os diretores da agência, as vacinas são seguras, têm qualidade e são eficazes. Com isso, elas já podem ser aplicadas imediatamente nos brasileiros.

Foram aprovados, excepcional e temporariamente, o imunizante desenvolvido pelo laboratório Sinovac, em parceira com o Instituto Butantan, e o desenvolvido pela Universidade de Oxford/AstraZeneca, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ambos precisam se mais análises e acompanhamento para registro definitivo.

A expectativa do Ministério da Saúde é de que a aplicação comece nesta semana para grupos prioritários – trabalhadores de saúde, idosos (mais de 60 anos), populações tradicionais, população de rua, entre outros.

O governo de São Paulo, onde está o Butantan, iniciou a vacinação de profissionais da saúde já neste domingo. Logo que as vacinas foram aprovadas, a a enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, uma das voluntárias nos testes, foi vacinada no Hospital das Clínicas, simbolizando a primeira brasileira imunizada e o início da campanha.

Promoção política

Ao lado de Mônica, o governador de São Paulo, João Doria, aproveitou a ocasião para se promover politicamente e exaltar os voluntários nos testes. “A coragem desses quase 13 mil voluntários vai ajudar a salvar milhões de brasileiros a partir de agora”, disse, em coletiva concedida no Hospital das Clínicas.

Ele atacou os negacionistas e os que “flertam com a morte”, sem citar nominalmente seu inimigo político, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “Profissionais da saúde de todo o Brasil, milhões de pessoas iguais a você, que trabalham pela vida. Vocês são o nosso exemplo. Não são aqueles que flertam com a morte”.

No Twitter, Doria afirmou ter determinado que o instituto entregue imediatamente doses ao Ministério da Saúde para que sejam distribuídas nacionalmente.

Quase ao mesmo tempo, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, concedeu uma coletiva de imprensa, na qual comemorou a aprovação do uso emergencial das vacinas e ironizou o que chamou de “ato simbólico ou jogada de marketing” promovido por Doria.

“Nós poderíamos em um ato simbólico ou jogada de marketing, vacinar uma pessoa, mas não faremos em respeito aos demais governadores. Esse plano já foi apresentado ao Supremo Tribunal Federal, pactuado com todos os governadores e órgãos reguladores. Quebrar isso é desprezar a lealdade federativa”, atacou.

O ministro afirmou que determinou que a distribuição emergencial das vacinas comece na segunda-feira (18) pela amanhã. “Determinei para o Ministério da Saúde que faça a distribuição emergencial aos estados, de acordo com a proporcionalidade dos atendimentos prioritários. Amanhã às 7h da manhã, começa a distribuição. Vamos vacinar todos, sem dividir o nosso país”.

Segundo Pazuello, nenhum estado terá autonomia para coordenar a vacinação sem a autorização do Ministério da Saúde. “Reafirmo que a coordenação do plano nacional de imunização é do Ministério da Saúde, por medida provisória, por força de lei. As seis milhões de doses serão entregues simultaneamente, e a vacinação começará também simultaneamente. Qualquer movimento para além disso, está em desacordo com a lei”.

Reunião e votos na Anvisa

A reunião de aprovação começou com uma fala do diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres. Ele pediu conscientização, união e trabalho.

“A nossa melhor chance nessa guerra passa obrigatoriamente pela mudança de comportamento social, sem a qual, mesmo com vacinas, a vitória não será alcançada”, declarou.

Em seguida, em longa apresentação, o gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos, Gustavo Mendes, avaliou os testes feitos com as vacinas e recomendou a aprovação de ambas, sinalizando que são seguras e eficazes. Contudo, ele condicionou o uso do imunizante à reavaliação periódica.

Já o gerente de Inspeção e Fiscalização, Fabrício Carneiro de Oliveira, analisou a documentação apresentada e os locais de produção. Ele também recomendou a aprovação das duas vacinas.

Suzie Teixeira Gomes, gerente-geral de Monitoramento de Produtos Sujeitos a Vigilância Sanitária, brevemente também aprovou a eficácia e segurança das vacinas, sugerindo a aprovação.

A relatora das análises, Meiruze Sousa Freitas, solidarizou-se com as vítimas da doença, esclareceu que não há “alternativa terapêutica para tratar o coronavírus” e ressaltou que a aprovação temporária é um procedimento extraordinário, em razão da gravidade da pandemia.

“Ressalvadas algumas incertezas, os benefícios conhecidos e potenciais superaram os riscos conhecidos e potenciais nas duas vacinas. Ambas atendem aos critérios de qualidade e segurança”.

A diretora fez uma ressalva à Coronavac. Segundo ela, o Instituto Butantan não apresentou resultados de estudos que mostrem por quanto tempo perdura a proteção às pessoas vacinadas, uma das exigências.

Em razão da urgência para a imunização, ela condicionou a liberação emergencial sob o compromisso, por meio da assinatura de um termo, de que o Butantan entregue os estudos que faltam à agência até 28 de fevereiro de 2021.

A relatora ressaltou, diversas vezes, que os laboratórios devem apresentar relatórios periódicos à Anvisa, com resultados atualizados da qualidade e segurança das vacinas. Ela disse que o uso emergencial só permite a aplicação pública à população, com proibição da comercialização.

“A vacina só é de fato eficaz se as pessoas estiverem dispostas a tomá-la. Portanto, garantir a confiança e segurança é crucial”, afirmou Meiruze. Ao classificar como “marco histórico” a aprovação das vacinas, a relatora votou por aprovar ambas.

Em seguida, o diretor substituto Romison Mota também falou que há mais benefícios do que riscos nas vacinas analisadas e seguiu o voto da relatora, a favor do uso emergencial. Ele destacou a importância da ciência no combate ao coronavírus.

“A ação da Anvisa em resposta ao uso emergencial de vacinas precisa ocorrer de forma ágil e proporcional ao cenário da pandemia, no intuito de mitigar os efeitos diretos e indiretos dessa doença. Ao fazer isso, devemos nos pautar na técnica e na ciência, mas também agir com razoabilidade e de acordo com o interesse público”, disse.

Também acompanhando o voto da relatora, o diretor Alex Campos agradeceu aos servidores da Anvisa por embasarem toda avaliação na ciência, e não em negacionismo. “No nosso vocabulário, não há espaço para negação da ciência tampouco para politização. Não há, verdadeiramente”.

A diretora Cristiane Jourdan elogiou o trabalho da relatora, com quem concordou integralmente, e afirmou que a aprovação é “um divisor de águas na história”. “A aprovação da vacina é um desejo de todos, uma questão humanitária e de saúde pública. O momento é histórico, de enfrentamento real à pandemia, capaz de reverter esse cenário devastador. Um divisor de águas na história. Daí a importância de uma análise acertada, sempre pautada no equilíbrio e na cientificidade”.

Último a votar, Barra Torres, o diretor-presidente, abriu sua fala com uma série de ponderações, afirmando que as vacinas ainda estão em desenvolvimento e que o recebimento é voluntário, com a assinatura de um termo de consentimento. Depois, ele pediu que a aprovação do uso emergencial não sirva para um relaxamento nas medidas de proteção – distanciamento social, uso de máscaras e álcool em gel, principalmente.

“Que este modesto júbilo, quase calado por tanta dor e sofrimento, não seja motivo de relaxamento para as medidas de proteção individual e coletivas ora em curso. A ameaça ainda está à porta. O lobo ainda ronda nosso quintal”, exemplificou.

Ao finalizar, Barra Torres convidou os brasileiros a confiarem na Anvisa e nas vacinas. “Essas vacinas estão certificadas pela nossa Anvisa. Elas foram analisadas por nós, brasileiros, no menor e melhor tempo, estabelecido por nossos especialistas. Confie na Anvisa. Confie nas vacinas que a Anvisa certifica. Quando elas estiverem ao seu alcance, vá e se vacine”.

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