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Prefeitura de Petrolina suspende aulas, fecha museus, parque e determina novas restrições para conter a transmissão do coronavírus

O pacote de ações prevê a suspensão de aulas em escolas e creches municipais, fechamento de museus, teatros, bibliotecas, cinemas, do Parque Josepha Coelho entre outras determinações.

Foto: Ascom Prefeitura

Com o aumento de casos suspeitos em Petrolina, o prefeito Miguel Coelho determinou uma série de novas medidas preventivas para conter a transmissão do coronavírus. O pacote de ações prevê a suspensão de aulas em escolas e creches municipais, fechamento de museus, teatros, bibliotecas, cinemas, do Parque Josepha Coelho entre outras determinações. As mudanças foram anunciadas em entrevista coletiva na noite desta segunda-feira (16).

Todas as medidas serão publicadas em decreto emergencial de saúde pública no Diário Oficial do Município e entram em vigor a partir desta quarta (18), com validade de, no mínimo, 15 dias. O documento, além de determinar o fechamento de vários equipamentos municipais, recomenda o fechamento temporário de cinemas, escolas, academias e outros empreendimentos de esporte e lazer. O decreto ainda sugere a não realização de missas, cultos e demais celebrações religiosas que aglomerem público.

O número de casos suspeitos da Covid-19 subiu no final de semana para nove ocorrências. Também surgiram três casos suspeitos do vírus H1N1. Os pacientes já estão em isolamento e os resultados dos testes começam a ser emitidos nesta quarta. “Por conta desse cenário de crescimento e com a perspectiva de um novo salto nos casos, não temos outra opção senão apertar o cinto e pedir a sensibilidade da população. Essas medidas são preventivas e visam diminuir os riscos e uma situação mais grave. Quanto mais cedo a gente mudar os hábitos, adotar a prevenção, mais rápido será a retomada da rotina normal com vidas preservadas”, defende o prefeito.

Confira as novas medidas preventivas ao coronavírus:

Suspensão das aulas nas creches, Nova Semente, escolas municipais e na Facape

Recomenda suspensão de aulas nas escolas e creches da rede privada

Fechamento do Museu do Sertão, Parque Josepha Coelho, Biblioteca Municipal

Determina a suspensão de cinemas, teatros entre outros equipamentos culturais privados

Determina a suspensão do funcionamento de academias, boxes de crossfit, entre outros espaços esportivos privados

Recomenda a suspensão de missas, cultos e outras celebrações religiosas com aglomeração de público

Suspensão dos serviços nos centros municipais de atendimento a idosos Vó Pulú, Mimi Cruz e Rio Jordão

Recomenda a suspensão de visitas a abrigos de idosos atendidos em organizações e projetos sociais

Casa Bolsa e unidades do CRAS não atenderão, provisoriamente, pessoas com mais de 60 anos

Restaurante Popular será fechado para evitar aglomerações, porém, equipes do social farão a entrega, no mesmo local, de marmitas ao público frequentador

Centro Pop fechará, mas haverá fornecimento (in loco) das refeições aos atendidos

Monitoramento periódico da equipe de vigilância sanitária nas feiras livres

Suspensão de férias dos profissionais de segurança municipal e da rede municipal de atenção social

Decreto N.º 011-2020. MEDIDAS PREVENTIVAS COVID 19

As informações são da Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal

Entrevistas

“Nada de pânico, mas nada de negação”, diz médico sobre o coronavírus

O emergencista Ronald Wolff fala sobre os interesses por trás do pânico gerado pela doença e dá dicas de prevenção

O coronavírus segue alcançando mais pessoas no Brasil e os casos já chegam a 200 infectados em 14 estados e no Distrito Federal. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a doença provocada pelo Covid-19 como uma pandemia. Segundo o Ministério da Saúde, já há registro de transmissão local do vírus em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

Há 1.913 casos suspeitos e outros 1.486 já foram descartados. Não há nenhum óbito registrado no país até o momento – em todo o mundo, 5.735  pessoas morreram após contrair o coronavírus.

Médico do Pronto Atendimento na Lomba do Pinheiro, zona leste de Porto Alegre (RS), e assessor de organizações populares, como o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o doutor Ronald Wolff conversou com a Rede Soberania e o Brasil de Fato sobre o coronavírus.

Ele traz dicas de prevenção e, ao mesmo tempo, fala sobre os interesses econômicos por trás de casos como esse e sobre outros problemas de saúde pública que são muito mais fatais, mas não ganham a mesma atenção por parte de mídia e do governo.

“Às vezes, como vigilância epidemiológica, como sistema da saúde, ficamos mais preocupados com as doenças de pessoas que têm mais condições de resolver seus problemas. É muito sério isso, porque nós vivemos num mundo onde o melhor remédio para as pessoas não terem doença é dois ou três pratos de arroz e feijão por dia, e não amoxicilina três vezes por dia”, analisa.

Apesar de exigir cuidados como atenção redobrada com a higiene pessoal e ao frequentar locais de grande aglomeração de pessoas, há um certo pânico relacionado à doença que acaba fazendo com que a sociedade esqueça de problemas mais graves, como a dengue, que segue adoecendo pessoas, principalmente nas periferias das cidades. “Então, nada de pânico, mas nada de negação. Vamos tomar os cuidados que sempre tomamos para não pegar gripe”, aponta o médico.

Confira a entrevista:

Brasil de Fato: Qual a diferença da gripe comum para o coronavírus?

Ronald Wolff: São praticamente iguais, o que muda é o código genético. Eu já vi geneticistas renomados dizendo que é uma variante do vírus da gripe, outros dizendo que não. O estudo do vírus não é tão simples, ele não é como outros seres que tem DNA, com fita dupla em seu código, ele tem uma fita única. Então não tem DNA, mas RNA, isso mais na biologia molecular. Mas é um vírus que produz efeitos semelhantes ao da gripe.

A contaminação também se dá igual à gripe, com transmissão pelo ar e pelo toque. Então, todos aqueles cuidados que foram indicados para o H1N1 devem ser tomados em relação ao coronavírus, assim como para a gripe comum.

Pode matar? Claro que pode. Mas a gente tem que deixar claro que precisamos tomar os cuidados porque é ruim ter qualquer virose ou gripe. Mas não vejo motivo para pânico, por enquanto, assim como foi nos anos anteriores com o H1N1, quando alguns pensavam que morreriam milhões de pessoas, mas pouquíssimos casos causaram um dano maior.

Quantas pessoas morrem de gripe comum atualmente no Brasil?

Esse é um dado importante que faz com que a gente se pergunte: por que se cria toda essa celeuma em cima de um surto ou epidemia, como foi também com o H1N1? Me lembro que, no começo, o H1N1 havia causado sete mortes e saiu no Jornal Nacional [da Rede Globo] e em todas as redes. Mas a gripe comum mata em torno de 70 mil pessoas por ano no Brasil. Aí morreram sete e teve toda essa exposição. Qual o interesse por trás dessa divulgação com tanta intensidade, primeiro em relação aos perigos da gripe suína, que depois foi renomeada para H1N1. Antes ainda, havia tido a gripe aviária. Agora temos o coronavírus.

As pessoas têm que ter, em relação ao coronavírus, a mesma atitude que tiveram com o H1N1 e com as gripes: cuidados com a higiene e atenção para não estar em lugares fechados com muita gente. Também não ir correndo para os serviços de saúde por sintomas gripais comuns. Eu trabalho na emergência e, às vezes, o saguão está cheio, com pessoas tossindo ali. Quem não tinha alguma coisa pode sair com algo, então tem que cuidar com as aglomerações.

A gente não gera o pânico, mas não podemos deixar de ter os cuidados necessários para conter a disseminação do vírus e proteger as pessoas que têm a imunidade mais baixa. Algumas pessoas têm uma suscetibilidade maior ao vírus: idosos, crianças pequenas, pessoas que fazem tratamento para um tipo de câncer, pessoas que tem HIV, algumas pessoas cardiopatas (que sofrem de doenças do coração). Nós temos que cuidar para não estar circulante para essas pessoas estarem protegidas também.

 A gente não gera o pânico, mas não podemos deixar de ter os cuidados necessários para conter a disseminação do vírus e proteger as pessoas que têm a imunidade mais baixa.

Essa difusão é tão forte que as pessoas esqueceram a dengue, por exemplo, que há pouco tempo era um pavor. Nós estamos em alerta laranja para a dengue, em uma situação de vigilância epidemiológica gravíssima, e não se fala mais nisso porque não é a bola da vez. Quem decide isso? Quem orienta qual é o pavor que a população tem que passar agora? A dengue é pior que o coronavírus, e agora as pessoas estão aí com pavor do coronavírus e não estão mais preocupadas com cuidados como verificar se tem água parada nos pneus, em locais que podem acumular água nas suas casas. Não se fala mais na dengue, mas ela está presente em muitas comunidades de Porto Alegre. Em muitos bairros existe o mosquito Aedes aegypti contaminando pessoas. É isso que faz com que a gente tenha essa visão crítica da situação e se pergunte: por que não se fala mais em dengue?

Quais os interesses por trás disso?

O coronavírus deu gripe na bolsa de valores, assim como outras tantas doenças que movimentam trilhões de dólares. A bolsa de valores mexe com interesses. Eu sempre gosto de citar o economista Eduardo Moreira, que precisa ser ouvido para entender por que tem pobre e rico, por que tem profissões consideradas mais bonitas e outras não. Ele coloca de forma metafórica a questão da queda na bolsa de valores, relacionando com crianças brincando na areia num parquinho. Elas brincam no lugar e a areia começa a espalhar, até que não tem mais aquele montinho. Aí vem o pessoal responsável por manter o parque em ordem e coloca areia novamente no local. Essa areia criou esse monte no parque, mas deixou um buraco em outro lugar.

Toda vez que alguém ganha, alguém perde. Então as pessoas, às vezes, pensam: como o governo é bom porque subiu a bolsa de valores. Mas isso só significa que os ricos ganharam dinheiro. Eu não me importo muito quando a bolsa cai porque, às vezes, quando os ricos perdem dinheiro, dificilmente vai para a mão dos pobres. Na verdade, são outros ricos ganhando. Essa briga da bolsa é um critério para decidir a qualidade de vida do 1% da população que é bilionária, que muito mais atrapalha o mundo do que ajuda. São menos de duas mil pessoas no mundo que concentram uma renda gigantesca, que resolveria todos os problemas não do Brasil, mas do mundo.

Me deixa preocupado porque essas 2 mil pessoas definem, por exemplo, que doença vai ter em tal continente, para onde vai se deslocar a mão de obra em tal ano nos continentes. Então é isso, no fim, o coronavírus vai fazer mal para quem está mal, porque a gente tem a capacidade de excluir aquele que já é excluído.

Às vezes, como vigilância epidemiológica, como sistema da saúde, ficamos mais preocupados com as doenças de pessoas que têm mais condições de resolver seus problemas. É muito sério isso, porque nós vivemos num mundo onde o melhor remédio para as pessoas não terem doença é dois ou três pratos de arroz e feijão por dia, e não amoxicilina três vezes por dia.

 Às vezes, como vigilância epidemiológica, como sistema da saúde, ficamos mais preocupados com as doenças de pessoas que têm mais condições de resolver seus problemas. É muito sério isso, porque nós vivemos num mundo onde o melhor remédio para as pessoas não terem doença é dois ou três pratos de arroz e feijão por dia, e não amoxicilina três vezes por dia.

Estamos num mundo em que vai fazer muito melhor se as pessoas conversarem, se informarem, se andarem de bicicleta, do que ficarem na frente da televisão e das redes sociais o dia inteiro. Isso é uma estratégia muito grande da mídia internacional, de manter todos presos numa mídia e isolados dos outros. Isso as torna reféns com mais facilidade. Estamos nos tornando cada vez mais reféns daquilo que alguém quer que a gente assuma como verdade. E verdade, como dizia [o filósofo francês Michel] Foucault, é um conjunto de procedimentos gerados por um jogo. Então, existiram ideias que disputaram em um dado momento e um dado lugar, e uma dessas “verdades” venceu. Por isso que a gente tem, na sociedade, coisas de antigamente que hoje parecem tolas.

Temos que ter muito cuidado com essas verdades, enquanto outras coisas são esquecidas. Por exemplo, a cada 15 minutos uma mulher é agredida no Brasil. Temos uma mortalidade de mulheres no país que nenhum desses vírus conseguiu suplantar até hoje e ninguém está fazendo campanha ou rede de vigilância para proteger as mulheres. Só das próprias mulheres, que se organizam e precisam lutar para resolver os seus problemas, já que quando se fala em políticas para as mulheres, se diz: “Não vamos gastar muito com isso”. Por isso morrem muito mais mulheres do que por doenças, mas isso não é tido como uma das causas de morte contra as quais o governo deveria implementar políticas públicas para evitar, assim como se faz política pública contra o coronavírus, o H1N1, acidentes de trânsito.

Eu vejo duas áreas em que não se produz política pública por interesse: a violência contra a mulher e o uso de medicamentos. O uso de medicamento também produz doença e morte, é a terceira causa de mortalidade no Brasil e em vários países, e isso não é atacado por política de saúde.

Explica melhor isso. Como é que os remédios estão matando muita gente?

Nos anos 2000, nos Estados Unidos, foi feita uma pesquisa sobre isso. Nesse ano, houve 102 mil mortes e 2,6 milhões de internações graves em que a causa da doença é o consumo de medicamento, prescrito ou não, por um médico. Quanto custaram essas internações? E nada foi cobrado da indústria farmacêutica.

No Brasil, é a mesma coisa. A indústria farmacêutica pauta muito os governos. Na época do H1N1, por exemplo, o governo tinha que ter o Tamiflu no SUS. Mas os estudos para verificar os benefícios do Tamiflu tiveram que ser interrompidos no segundo estágio, porque estava matando mais que a própria H1N1. Na época, tiveram campanhas e abaixo-assinados das pessoas exigindo que o governo tivesse o Tamiflu. Com isso o governo fica refém da indústria farmacêutica.

Se as pessoas morrem por uso do Tamiflu, isso não é noticiado. Agora, imagina se uma pessoa morre de H1N1 numa cidade onde o prefeito se recusou a comprar o medicamento por saber isso. Imagina o que aconteceria com esse prefeito. Na outra eleição ele certamente vai estar rejeitado, isso se não for criminalizado.

Hoje, no Brasil, as pessoas que dirigiram os institutos de pesquisa vão sendo tiradas, os ministérios vão sendo desmontados de pessoas capazes de abordar essa situação com mais embasamento científico. E aí a gente vê o número de asneiras que têm sido ditas por pessoas com um cargo nacional ou estadual importante. Se consumem bilhões para a ciência avançar um milímetro por ano.

A tuberculose, hoje, tem cura, mas se morria no início do século 20. Foi a ciência que fez isso e não a boa vontade de alguém. E hoje a ciência está sendo negada e estão tirando as pessoas que têm capacidade de gerar ciência no Brasil. Daí voltamos a ter doenças medievais. Já tivemos surto de cólera, retorno do sarampo, tudo isso como consequência do obscurantismo da compreensão das coisas.

Então temos que parar de vacinar?

Não. A vacina faz parte da ciência. A gente está chegando num momento bem próximo em que teremos uma vacina contra o coronavírus. A vacina contra gripe para idosos evita que se morra por gripe comum ou outras gripes. Nós estamos compreendendo a ciência como benéfica e os medicamentos dentro disso. Os medicamentos fazem bem para saúde quando ele é indicado para aquela situação, na dose certa e com menor custo possível para a sociedade e para o cidadão. Quando bem prescrito, o medicamento é um aliado da saúde.

Agora, a automedicação ou a população sendo convencida de tomar medicamento pela indústria farmacêutica, isso nós não somos aliados. Inclusive, o Brasil é um país de quinto mundo por permitir propaganda de remédios na televisão. Em países sérios, é proibido propaganda de medicamento na televisão, assim como é de cigarro e de álcool. No Brasil, antes, tinha de cigarro e álcool.

O medicamento tem que ser prescrito por um médico e não pela propaganda no horário da novela. Meu conselho, inclusive, é que se saia da frente da televisão e vá conversar com o vizinho, com um amigo. Às vezes temos uma situação em que um adolescente tem problemas com drogas e um pai se pergunta: “O que eu fiz para merecer essa situação?”. A gente pode devolver a pergunta dizendo: “O que tu não fez?”. A gente entende que os pais chegam cansados do trabalho e querem relaxar, mas a criança ficou o dia inteiro sem os pais, ela quer o pai e a mãe. Vamos dar atenção, porque a gente se acostumou a chegar do trabalho e ligar a televisão, mas a gente pode se acostumar a fazer como era antigamente: chega em casa, beija e abraça o filho, pergunta como foi o colégio, abre o caderno e vê se tem tema para ele fazer. A criança gosta de ter os pais preocupados com ela. A criança não pode ser secundarizada por conta de uma novela ou mesmo de um programa jornalístico.

Tem uma parábola que eu lembro sempre. A criança pergunta para o pai quanto ele ganha por hora e ele diz que é cerca de R$ 100,00. Ela começa a juntar um dinheiro aqui, outro ali, e quando junta os cem, dá ao pai e pede para ele então ficar uma hora com ela. É uma parábola simples e que causa um sentimento profundo em quem a escuta.

Quando estamos espertos e comunicativos, a gente não se assusta com o coronavírus. A gente vai querer saber o que está por trás de tanta notícia, se eu estou vendo todo o dia o pavor na TV e não vi até agora ninguém com a doença. Nem eu que sou médico vi. Enquanto isso, 2 mil crianças morrem de frio e de fome por hora no mundo.

Como saber se alguém está com o vírus?

São três situações que fazem com que a gente defina um caso como suspeito de coronavírus. Já falamos de febre, dor de cabeça, tosse seca e dor no corpo. Na primeira situação, a suspeita se dá se a pessoa apresenta febre e mais um desses outros sinais, somado ao contato com alguém que esteja com suspeita. Outro caso é se a pessoa tem febre, um dos sinais é ter viajado para países como Alemanha, Itália, China, Camboja, Irã, Coreia do Sul e do Norte e todos os outros países que estão no mapa de maiores números de casos no mundo. Ou ainda, ter um dos sinais citados, mesmo sem febre, mas ter tido contato com alguém que tenha um caso confirmado. São esses os casos suspeitos que serão investigados.

O que determina se a pessoa teve contato?

Quando se esteve a menos de dois metros de uma pessoa com suspeita ou com caso confirmado, ou se esteve junto dentro de uma sala fechada. Se teve aperto de mão, abraço, beijo. Às vezes a gente recebe uma pessoa no aeroporto e dá um abraço, um beijo, por exemplo.

Então, nada de pânico, mas nada de negação. Vamos tomar os cuidados que sempre tomamos para não pegar gripe. Cuidar quando entra em sala de aula, num posto de saúde, em locais públicos, quando se entra num local e se coloca a mão na maçaneta, onde muitas pessoas colocaram a mão. O cuidado não é só com o coronavírus, mas com outras tantas. Se botou a mão na maçaneta, quando dá uma coceirinha no olho, não coça com a mão. Nem leva a mão ao nariz e ou à boca.

 Então, nada de pânico, mas nada de negação. Vamos tomar os cuidados que sempre tomamos para não pegar gripe.

Não precisamos do coronavírus para a gente saber que precisa lavar as mãos, que quando se chega em casa, não devemos nos atirar em cima da cama com a roupa que veio de rua. Para a gurizada que veio da escola e sentou no chão, não tem nada de errado em sentar no chão, mas para se atirar na cama, antes toma um banho e bota uma roupa limpinha.

Só deve ir ao serviço de saúde se tiver com esses sintomas, ou ainda se tiver falta de ar, febre que não ceda com medicamento, sem energia. Daí sim, põe uma máscara e vai no serviço de saúde. Se essa pessoa for diagnosticada, vai ser tratada e isolada.

*Com informações da Rede Soberania

Fonte: BdF Rio Grande do Sul

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O coronavírus revela que éramos cegos e não sabíamos

Somente quando o vírus nos encerra em nossas casas e limita nossos movimentos percebemos como é triste a solidão forçada. Quando nos privam da cotidianidade nos sentimos escravos, porque o homem nasceu para ser livre

“Tudo ficará bem”, diz um cartaz na varanda de um prédio de Torino ( Nicolò Campo/LightRocket via Getty Images).

A imagem mais dramática e terna, que simboliza ao mesmo tempo a tristeza e a solidão do isolamento ao qual a loucura do coronavírus está nos arrastando, é a dos italianos, habitantes de um país da arte, do tato e da comunicação, que hoje cantam nas janelas das casas diante de ruas e praças vazias. Cantam para consolar os vizinhos encerrados em suas casas. Os lamentos de suas vozes são o símbolo da dor evocada pelos tristes tempos das guerras e dos refúgios contra os bombardeios.

Mas é às vezes nos tempos das catástrofes e do desalento, das perdas que nos angustiam, que descobrimos que, como dizia o Nobel de literatura José Saramago, “somos cegos que, vendo, não veem”. Descobrimos, como uma luz que acende em nossa vida, que éramos cegos, incapazes de apreciar a beleza do natural, os gestos cotidianos que tecem nossa existência e dão sentido à vida.

A pandemia do novo vírus, por mais paradoxal que pareça, poderia servir para abrir nossos olhos e percebermos que o que hoje vemos como uma perda, como passear livres pela rua, dar um beijo ou um abraço, ir ao cinema ou ao bar para tomar uma cerveja com os amigos, ou ao futebol, eram gestos de nosso cotidiano que fazíamos muitas vezes sem descobrir a força de poder agir em liberdade, sem imposições do poder.

Descobri essa sensação quando, dias atrás, fui dar a mão a um amigo e ele retirou a sua. Tinha me esquecido do vírus e pensei que meu amigo poderia estar ofendido comigo. Foi como um calafrio de tristeza.

Às vezes abraçamos, beijamos e nos movemos em liberdade sem saber o valor desses gestos que realizamos quase de forma mecânica. Quando os pais sentem às vezes, no dia a dia, o peso de terem que levar as crianças ao colégio e as deixam lá com um beijo apressado e correndo, mecânico, apreciam, depois do coronavírus, a emoção de que seu filho te peça um beijo ou segure a sua mão. E apreciamos a força de um abraço, do tato, de estarmos juntos apenas quando nos negam essa possibilidade.

Somente quando o vírus nos encerra em nossas casas e limita nossos movimentos percebemos como é triste a solidão forçada, e entendemos melhor o abandono dos presos e dos excluídos. Somente quando nos impedem de nos aproximarmos dos nossos animais de estimação é que descobrimos a maravilha que é poder acariciá-los e abraçá-los.

Se, como dizia Saramago, no cotidiano somos cegos quando não apreciamos a força da liberdade, também, muitas vezes, amando não amamos e livres nos sentimos escravos. O que nos parece cansaço e castigo da rotina revela-se como o maior valor. Quando nos privam dessa cotidianidade nos sentimos escravos, porque o homem nasceu para ser livre.

Na obra Ensaio Sobre a Cegueira (Companhia das Letras), de Saramago, tão recordada nestes momentos de trevas mundiais, na qual uma cidade inteira fica cega e as pessoas enclausuradas, descobre-se melhor nossa insolidariedade e nosso egoísmo. O escritor é duro em seu romance ao fazer daqueles cegos a metáfora de uma sociedade onde cada um, nos momentos de perigo e angústia, pensa apenas em si mesmo.

A única que redime aquela situação perversa dos cegos é uma mulher, a esposa do médico, a única que não perdeu a visão e que se faz passar por cega para ajudar os que de fato são. Aquela mulher é representada hoje pelos italianos que usam suas vozes para, com suas notas doloridas, aliviar a solidão dos vizinhos.

Nestes momentos vividos por boa parte das pessoas do mundo, enclausuradas e presas pelo rigor do poder que as condena negando-lhes a liberdade de movimento, que a dor coletiva nos ajude a vencer nosso atávico egoísmo cotidiano, ao contrário dos cegos egoístas do romance de Saramago.

Que a tragédia do coronavírus consiga nos transformar no futuro em guias e ajuda amorosa dos novos cegos de uma sociedade que muitas vezes parece não saber onde caminhar e que, quando goza de liberdade, anseia pela escravidão.

Que a dor de hoje se transforme em tomada de consciência de que vale mais a liberdade das aves do céu que a escravidão que nos impomos quando somos livres. Que o mundo não caia na tentação dos escravos que Moisés havia tirado da escravidão do Egito, que, enquanto eram conduzidos pelo deserto rumo à liberdade, continuavam preferindo as cebolas e os alhos do tempo da escravidão ao maná que Deus lhes enviava do céu. Não existe maior bem neste planeta do que a liberdade que nos permite amar e sofrer sem sucumbir.

E ante a catástrofe do coronavírus, que poderia nos alcançar a todos, que se rompam neste país as trincheiras entre bolsonaristas e lulistas para nos sentirmos solidários numa mesma preocupação.

Na dor e na calamidade coletiva, sentimos que somos menos desiguais do que pensamos. E que, no fim das contas, as lágrimas não têm ideologia.

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Brasil chega a 52 casos confirmados de Coronavírus; OMS decreta pandemia mundial

A partir de agora, toda pessoa que desembarcar ao Brasil com sintomas de gripe será considerada um caso suspeito

Brasil tem 52 casos confirmados e quase 907 suspeitos. Na foto, o desembarque de passageiros no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo (SP) – Nelson Almeida/AFP

Com quase 120 mil pessoas infectadas em todo o mundo e 4.291 mortes, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, nesta quarta-feira (11), pandemia mundial por causa do coronavírus. Até o momento, 110 países – mais da metade do mundo – já registraram casos da doença. De acordo com a OMS, nas últimas duas semanas, o número de casos fora da China cresceu 13 vezes e o número de países afetados triplicou.

Alguns países, incluindo o Brasil, já pressionavam a entidade para a organização reconhecesse o estado de pandemia. Em audiência na Câmara dos Deputados, à tarde, pouco tempo após o anúncio da OMS, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que o status de pandemia desburocratiza as respostas ao problema.

Ele informou que a partir de agora toda pessoa que chegar ao Brasil com sintomas de gripe, será considerada um caso suspeito, independentemente de onde vier.

“Fomos os primeiros a falar ‘é uma pandemia’. Se tivessem feito isso antes, a gente não precisaria ficar procurando em qual voo cada suspeita estava. Tecnicamente o que muda? Qualquer pessoa, de qualquer voo, chegue dentro do Brasil hoje tecnicamente você fala: se tiver febre, tosse ou gripe procure uma unidade de saúde, porque pode ser o coronavírus.”

Demanda no SUS

O ministro afirmou também que o vírus causa um aumento na busca pelos serviços de saúde o que, apesar da letalidade baixa, é preciso evitar gargalos no atendimento.

“O vírus pode ser extremamente duro e ele derruba o sistema de saúde. Se ele não tem uma letalidade alta individual elevada, ele tem uma letalidade ao sistema de saúde. Quanto mais alta essa espiral, mais pessoas ao mesmo tempo acionam o sistema de saúde.”

O Brasil tem hoje 52 casos confirmados e quase 907 suspeitos. São 30 pessoas em São Paulo, 13 no Rio de Janeiro. Outros seis estados também têm casos confirmados: Bahia (2), Distrito Federal (2), Rio Grande do Sul (2), Minas Gerais (1), Alagoas (1) e Espírito Santo (1).

Ainda não há registros da chamada transmissão comunitária sustentada, quando não é mais possível identificar a origem do vírus. Até agora, há seis transmissões locais em pessoas que tiveram contato com infectados que viajaram para outros países.

Mais de 40% das pessoas que estão com a doença têm menos de 40 anos. Os números ainda são reflexo do fato de que a maior parte dos pacientes brasileiro foi infectada em outros países. O ministro da Saúde ressaltou que esse cenário deve mudar e que a população acima de 60 anos é a mais suscetível. 

Ainda de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde, pessoas com sintomas devem procurar inicialmente os postos de saúde e não os hospitais, já que 90% dos casos tendem a ser leves. Para as próximas semanas e meses haverá medidas de reforço na atenção primária, ampliação dos horários de atendimento do Saúde na Hora, convocação de cinco mil médicos para atenção básica, e contratação de mil leitos de UTI sob critérios do Ministério da Saúde.

A intenção do governo é de que até 18 de março todos os estados brasileiros estejam aptos a fazer os testes para a doença. Haverá ainda a criação de um comitê de especialistas e a organização de serviços de telemedicina e telessuporte.

O início da campanha de vacinação contra a gripe foi antecipado. A partir de 23 de maio começa o período para idosos com 60 anos ou mais e trabalhadores da saúde. Em 16 de abril, passam a ser atendidos também professores, doentes crônicos, e profissionais das forças de segurança e salvamento. A partir de 9 de maio, começa a vacinação para crianças, gestantes e deficientes.

Bolsonaro minimiza riscos

Apesar dos esforços do próprio Ministério da Saúde, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deu declarações minimizando os riscos do coronavírus. Em um discurso realizado em Miami, nos Estados Unidos, ele usou a palavra fantasia para classificar a situação do coronavírus.

“Obviamente temos no momento uma crise, uma pequena crise. No meu entender, muito mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propala ou propaga pelo mundo todo.”

No início desta semana foram registradas quedas consideráveis nas bolsas de diversos países e cresce o temor de uma recessão mundial. Após o anúncio de classificação como pandemia, a Bovespa chegou a suspender negociações por meia hora, já que houve queda de 10% no principal índice da bolsa de valores brasileira.

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Casos suspeitos de coronavírus sobem para 132 no Brasil

Aumento no número de casos suspeitos se deu por conta da inclusão de novos países monitorados, como a Itália, na lista do órgão

JOÃO GABARDO DOS REIS, SECRETÁRIO-EXECUTIVO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE – FOTO: ERASMO SALOMÃO/MS

O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira 27, em entrevista coletiva, que o número de casos suspeitos do coronavírus monitorados no país saltou de 20 para 132 nas últimas 24 horas. No entanto, a expectativa do órgão é que o país supere a marca de 300 casos suspeitos já nas próximas horas, uma vez que outras 213 notificações foram registradas desde o fechamento do último boletim, ao meio-dia de hoje.

De acordo com João Gabardo dos Reis, secretário-executivo do Ministério da Saúde, o aumento no número de casos suspeitos se deu por conta da inclusão de novos países monitorados, como a Itália, na lista do órgão. Dos 132 pacientes com suspeita de coronavírus, 121 estiveram recentemente em países considerados de risco para a doença, oito tiveram contato com outros casos suspeitos e três estiveram junto ao único paciente confirmado até o momento, um senhor de 61 anos, morador de São Paulo.

Além disso, o Ministério da Saúde também informou que, dos 132 casos suspeitos, 130 ainda estão passando pelos primeiros exames, mas dois já superaram essa fase e agora estão sendo testados em exames específicos, ou seja, podem ser confirmados em breve como novos casos de coronavírus no Brasil. De acordo com o órgão, o perfil dos pacientes em observação é bastante diverso, majoritariamente feminino e com idades variando entre oito e 82 anos.

NÚMERO DE CASOS SUSPEITOS POR ESTADO BRASILEIRO

Dados atualizados pelo Ministério da Saúde em 27 de fevereiro de 2020 às 17h

Alagoas – 1

Bahia – 1

Ceará – 5

Distrito Federal – 5

Espírito Santo – 1

Goiás – 3

Mato Grosso do Sul – 2

Minas Gerais  – 5

Paraíba – 1

Paraná – 5

Pernambuco – 3

Rio de Janeiro – 9

Rio Grande do Norte – 4

Rio Grande do Sul – 24

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OMS declara estado de emergência de saúde global por causa do novo coronavírus

Na prática, a declaração representa que há um risco de saúde mundial. A partir do decreto de estado de emergência, a organização se unirá a autoridades e governos para traçar um plano de ação coordenado de combate à doença. 

China registrou todas as 171 mortes pela doença até agora, de acordo com a OMS / Dale de La Rey / AFP

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou estado de emergência de saúde pública global com o surto do novo coronavírus na China, na tarde desta quinta-feira (30). Até o momento, são quase 8 mil casos confirmados, com 171 mortes – todas em território chinês. Fora de lá, são 98 pessoas contaminadas, em 18 países, segundo a OMS.

Na prática, a declaração representa que há um risco de saúde mundial. A partir do decreto de estado de emergência, a organização se unirá a autoridades e governos para traçar um plano de ação coordenado de combate à doença. 

Ao anunciar a declaração, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que confia na capacidade da China de controlar o surto. “Nós queremos que vocês saibam que o mundo todo está com vocês”, disse.

Provas científicas

Ghebreyesus pediu para que os países sigam à risca as recomendações da OMS, sempre baseadas em provas científicas e não em suposições. “Pedimos que todos os países implementem as decisões baseadas em provas. A OMS está pronta para aconselhar qualquer país que esteja avaliando.”

Segundo o diretor-geral, as relações internacionais de comércio e turismo não devem ser afetadas com a declaração de emergência. “Não há razão para medidas que interfiram diretamente em viagens internacionais e comércio. A OMS não recomenda a limitação do comércio ou de movimento neste momento.”

Ghebreyesus ressaltou que, neste momento, é necessário um esforço mundial para combater a desinformação e as fake news.

“A única forma para derrotar esse surto é com todos os países trabalhando juntos com espírito de solidariedade e cooperação. Só podemos interromper esse surto juntos. É hora dos fatos, não do medo. É a hora da ciência, não de rumores. É a hora da solidariedade, não do estigma.

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