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Jovens da periferia de Petrolina protagonizam web-série feita durante a pandemia

Na série, o espectador vai poder conferir, através de relatos de jovens, uma discussão das subjetividades e poéticas que abarcam suas vidas enquanto moradores/as da periferia, trazendo à tona suas perspectivas e sonhos para o futuro

Foto: Divulgação

Já está no ar a websérie “Juventudes da Periferia”, assinada pela Abajur Soluções em Audiovisual e pela Cia Biruta de Teatro. A produção, disponível no YouTube, é realizada através do edital Narrativas Periféricas do Fim desse Mundo 2020, promovido em parceria entre o Coletivo Coquevídeo e o Instituto Moreira Sales. Para marcar o lançamento da websérie, no próximo domingo (25/10), às 19h, no Instagram, acontece um bate-papo com a criadora e editora do projeto, Camila Rodrigues, e Vitória Régia, que participa do primeiro episódio da série.

Iniciado ainda nos primeiros meses de 2020, como uma iniciativa independente, o projeto foi interrompido pela pandemia do novo coronavírus e retomado com a abertura do edital ‘Narrativas Periféricas para o fim desse mundo’. “Com o edital vimos a possibilidade de retomar a ideia, adaptando-a para uma produção virtual, utilizando técnicas de animação em colagem digital e a captura de depoimentos de áudio via plataformas digitais. Ficamos muito satisfeitos co o resultado”, conta a atriz e editora de vídeos, Camila Rodrigues.

Na série, o espectador vai poder conferir, através de relatos de jovens, uma discussão das subjetividades e poéticas que abarcam suas vidas enquanto moradores/as da periferia, trazendo à tona suas perspectivas e sonhos para o futuro. “È uma maneira de refletir também sobre quem somos, de onde viemos e o que desejamos ser e construir nesse mundo que, tantas vezes, nos violenta e oprime. É uma ação fundamental para o resgate de nossas identidades”, revela Camila.

No dia 25 de outubro (domingo) às 19h no Instagram, a criadora e diretora do projeto Camila Rodrigues irá conversar com Vitória Régia, participante do episódio 01 – Pontoart, sobre o processo de criação da web-série e as discussões em torno da temática ‘juventudes da periferia’. “Foi uma ótima experiência fazer parte desse projeto e mostrar que em meio ao isolamento social a arte na periferia existe e não para. Está sempre ali, é só a gente dar um jeitinho. Eu vejo esse projeto hoje e só tenho a agradecer, porque a minha história foi contada e espero poder ouvir outras vozes da periferia também”, frisa Vitória Régia. O bate-papo pode ser acompanhado nos perfis @camilinhars_ e @regia_vt.

A websérie integra a Mostra Olhares Dissidentes e para assistir ao episódio, basta acessar https://www.naperifa.org/juventudes-da-periferia-ep-01

 

Ficha técnica

Roteiro, Direção e Edição de Imagens: Camila Rodrigues

Personalidade do Episódio I: Vitória Régia

Pesquisa Estética e Colaboração Conceitual: Cristiane Crispim

Animação em Foto Colagem: Fernando Pereira

Produção: Abajur Soluções em Audiovisual

Colaboração e Apoio: Cia Biruta de Teatro

Músicas: Down time in my Soul – RageeThe Jam – Slynk&MrStabalina

Fotografias: Acervo pessoal de Vitória Régia, Camila Rodrigues, Emanuel Carvalho, Fernando Pereira, Jackson Vicente, Santiago, Tássio TavareseRobério Brasileiro(demais imagens estão disponíveis na internet).

Incentivo: Coquevideo – Instituto Moreira Salles

 

Por Eneida Trindade

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CÉU das Águas recebe temporada do espetáculo Processo Medusa durante todo o mês de março

No mês em que se intensificam as discussões em torno da luta da mulher, a Cia Biruta de Teatro apresenta mais uma temporada do espetáculo que traz no mito da Medusa uma metáfora do enfrentamento à cultura do estupro

Foto: Divulgação

De 6 a 29 de março, o Cineteatro da Praça CEU das Águas, em Petrolina, vai receber mais uma temporada do espetáculo “Processo Medusa”. Apresentado pela Cia Biruta de Teatro, o espetáculo é um experimento cênico utiliza a revisão do mito da Medusa para abordar o enfrentamento à cultura do estupro e a luta feminista, através de discussões sobre corpo, mulher e democracia. As sessões acontecem sempre às sextas-feiras, 16h, e sábados e domingos, 19h. A entrada é gratuita.

O espetáculo de 2016 é fruto de uma construção coletiva do Núcleo Biruta de Teatro, um grupo de experimentação cênica, criado e orientado pela Cia Biruta. Chamado de processo, o trabalho tem caráter de pesquisa, pois foi desenvolvido ao mesmo tempo em que agregava elementos das vivências, estudos e discussões dos jovens atores do Núcleo.

Foto: Divulgação

“A dramaturgia faz uma visita ao mito de Medusa e Atena, trazendo essas duas representações antagônicas de mulher para a atualidade. Assim, a partir das contribuições do grupo, buscamos trazer à tona uma reflexão sobre a simbologia da  mulher que transformava quem a olhava em pedra, traçando uma relação com a cultura do estupro e a luta das mulheres em contraponto a essa violência”, conta Cristiane Crispim, que é co-fundadora da Cia Biruta e uma das atrizes do espetáculo.

Na nova temporada, o espetáculo conta com incentivo do Governo do Estado de Pernambuco, aprovado no Edital Geral 2017/2018 do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura – FUNCULTURA, e com apoio da Prefeitura Municipal de Petrolina e da Organização Não-Governamental Acarí. Outra novidade é a acessibilidade que permitirá que o público surdo possa assistir as apresentações com o auxílio de um interprete de Libras.

Foto: Divulgação

De acordo com Camila Rodrigues, atriz e coordenadora do projeto, a iniciativa visa não apenas possibilitar o acesso a uma programação cultural, mas contribuir com o aprofundamento das discussões acerca das lutas das mulheres. “Acreditamos que o projeto contribui para enriquecer o debate acerca do corpo-mulher-democracia e possibilitar uma aproximação das mulheres que sofrem algum tipo de agressão, fortalecendo suas vozes e denunciando essa grave, e normatizada, violação de direitos humanos”.

 

Serviço

Quando: 06 a 29 de março

Horários: Sextas – 16h | Sábado e domingo – 19h

Local: Cineteatro da Praça CEU das Águas | Rua do Tamarindo, s/n, bairro Rio Corrente (próximo à igreja católica)

Entrada: Gratuita

Faixa etária: 12 anos

Acessibilidade: Intérprete de Libras

Realização: Cia Biruta de Teatro

Apoio: Prefeitura de Petrolina e Ong Acari

Incentivo: Funcultura – Fundarpe

Foto: Divulgação

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Por Eneida Trindade

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A Cia Biruta de teatro emite nota pública sobre o ocorrido no último domingo, 24, na Mostra de Arte Novembro Negro

A nota também foi assinada pela Rede Brasileira de Teatro de Rua – RBTR e suas representações de todo território nacional. O grupo e todas as pessoas agredidas receberam ainda a solidariedade e o importante posicionamento de diversas instituições e grupos artísticos locais que repudiaram a truculência da polícia militar em um evento cultural da periferia da cidade de Petrolina que comemorava o mês da Consciência Negra.

Foto: Cia Biruta

A nota, que relata todo o acontecido e demonstra a indignação diante da ação arbitrária e violenta de alguns policiais militares integrantes do 2º Biesp – Petrolina (PE), foi publicada no último dia 25 nas redes sociais do grupo e em seguida teve adesão da Rede Brasileira de Teatro de Rua – RBTR, que no dia 27 endossou a carta de repúdio da Cia Biruta, assinando-a em conjunto com o grupo.

Nos últimos dias após o ocorrido, a Cia Biruta, o vereador Gilmar Santos, a comunicadora e educadora  Karol Souza, o poeta e educador Fabrício Nascimento, o músico e educador Maércio José e demais envolvidos, vítimas da abordagem truculenta, receberam manifestações e notas de solidariedade de diversas instituições e pessoas, tais como:

A Universidade Federal do Vale do São Francisco;

A Ong Acari – Articulação para Cidadania;

Rede de Mulheres Negras do Sertão;

Grito dos Excluídos;

O Teatro Popular de Arte;

A Trup Errante;

O Coletivo Abdias de Teatro;

Trupe do Benas;

Grupo Artimanha;

Nu7 Produções;

A Câmara Municipal de Petrolina;

A vereadora Maria Elena;

A vereadora Cristina Costa;

Psol – Partido Socialismo e Liberdade – Petrolina;

O Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores;

O Colegiado de Artes Visuais da Univasf;

O Colegiado de Ciências Sociais da Univasf;

Grupo de estudos Kabecilê;

Conselho Municipal de Cultura de Juazeiro-BA;

O COMPIR – Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Juzeiro-BA;

LIAAC – Univasf;

Liga Acadêmica de Análise do Comportamento;

Coletivo de Assessoria Jurídica Popular Luiz Gama UNEB -Juazeiro-BA;

Centro Acadêmico de Ciências Sociais – Gestão Marielle Franco;

Diretório Central dos Estudantes da Univasf;

Sindicato de professores da Universidade Federal do Vale do São Francisco (SindUnivasf);

O Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) do Instituto Federal do Sertão Pernambucano;

Entre outras demonstrações de apoio às vítimas das agressões, ao evento e à luta antirracista, bem como às ações contra a violência institucional e à favor da cultura de paz nas nossas periferias.

Foto Reprodução (Jovens sendo agredidos e vereador Gilmar Santos algemado)

Leia a nota da Cia Biruta na íntegra:

A Cia Biruta repudia a ação truculenta e arbitrária da Policia Militar/ 2ªBiesp que agiu com abuso de poder e violência em sua forma de abordagem, no intuito de negar o direito à comunicação e à cobertura dos acontecimentos de um evento aberto ao  público, sem o menor zelo pela segurança de crianças, pelos direitos e pela dignidade das pessoas que estavam presentes ontem, 24, na praça CEU das Águas em uma ação cultural e de economia solidária promovida pelo grupo, pelo contrário, promovendo a violência e o desrespeito. O caso ocorreu na festa de celebração do Novembro Negro pela Mostra de Arte, promovida pelo grupo desde o dia 11 desse mês e que se encerra no dia 30, no Quilombo Mata de São José, em Orocó. A partir da temporada do espetáculo “Corpo Fechado”, resultado das oficinas de teatro realizadas há 3 anos pela Ocupação Artística da Cia Biruta no equipamento cultural CEU das Águas pensamos em agregar ações extra palco como contações de histórias nas calçadas, oficinas em escolas, rodas de conversas e feira cultura, assim fizemos, encerrando a ação no bairro como um Baile Black e a feira Quilombo Urbano.

A ação arbitrária da polícia foi mais um caso lamentável de abuso de autoridade e racismo estrutural por parte de funcionários do Estado que dizem ser responsáveis pela segurança pública, mas que mobilizaram um grande número de viaturas e policiais no local para intimidar uma mulher por porte de celular, dando um fim triste a uma noite que seria de celebração do povo negro daquela comunidade.

A primeira abordagem, a uma pessoa suspeita de portar arma de fogo, foi realizada e nada foi encontrado, quando mesmo depois de contido o suspeito e um dos policiais conversarem com ele tranquilamente, um outro policial circula no espaço com a moto em alta velocidade entre as pessoas no local e intimida a companheira Karol Souza, da Associação das Mulheres Rendeiras, que veio para cobrir e prestigiar o evento, por filmar a ação. Ele avançou para tomar seu celular e levá-la coercitivamente como única testemunha da ação policial, questionados sobre o direito em fazer tal abordagem, os policiais reagem de forma violenta contra Maércio José, músico e produtor cultural, e Fabrício Nascimento, poeta e produtor cultural, que a protegiam e contra ela mesma e outras pessoas que estavam no local, dentre elas o vereador Gilmar Santos, que também argumentava em defesa de Karol.  Foram empurrões, mata-leões, murros, chutes e spray de pimenta deferidos contra  a população de forma arbitrária, incluindo, além da companheira e dos companheiros detidos,  integrantes da Cia Biruta e  jovens do Núcleo Biruta de Teatro.

Mais uma vez o racismo estrutural inviabiliza, negligencia e violenta a liberdade da negritude. O ocorrido nos entristece e nos revolta, mas não nos surpreende, nesse mesmo mês uma mulher negra levou um soco por portar um livro de conteúdo político na sua bolsa na última semana, aqui na mesma cidade, também pela polícia militar.

Nos solidarizamos com a companheira Karol e com os companheiros Maércio, Fabrício e Gilmar Santos e todos que foram de alguma forma agredidos. Sabemos que a luta é diária, que o racismo e sua violência estão encrustados nas instituições, sobretudo nas de repressão, e que muita coisa temos que mudar no modo como as pessoas veem e abordam a periferia, mas estamos na luta para reerguer o nosso povo e somos muitos.

Cia Biruta de Teatro-Petrolina/PE

Também assinam a carta:

✓ Teatro em Trâmite – Florianópolis/SC

✓ Casa Vermelha / Florianópolis/SC

✓ Teatro de Rocokóz – São Paulo/SP

✓ Cia Pedras – Maringá/PR

✓ Grupo Vivarte – Rio Branco/AC

✓ De Pernas Pro Ar – Canoas/RS

✓ Cirquinho do Revirado – Criciúma/SC

✓ Grupo TIA – Canoas/RS

✓ Cia. Fundo Mundo / Florianópolis/SC

✓ Cia. Estável de Teatro – São Paulo/SP

✓ Cia Delas / Londrina/PR

✓ Circo e Teatro Éramos Três / Cascavel/PR

✓ Escarcéu de Teatro – Mossoró/RN

✓ Grupo Xingó – São Paulo/SP

✓ Teatro de Caretas / Fortaleza/CE

✓ Mamulengo Sem Fronteiras – Brasília/DF

✓ Cia. Canina – Teatro de Rua e Sem Dono – São Paulo/SP

✓ Mãe da Rua – São Caetano/SP

✓ Bando Goliardxs – São Paulo/SP

✓ Os Atrapalhados – Osasco/SP

✓ Teatro Imaginário Maracangalha / Campo Grande/MS

✓ Grupo Teatral Nativos Terra Rasgada – Sorocaba/SP

✓ Cia. Colcha de Retalhos – São Paulo/SP

✓ Tropa Mamulungu / Rio Branco/AC

✓ Cia. MiraMundo Produções Culturais / São Luís/MA

✓ Cia Teatro de Garagem – Londrina/PR

✓ Na Cia da Cabra Orelana – São Paulo/SP

✓ Poeta Capim Santo / TERUÁ – Fortaleza/CE

✓ Buraco d’Oráculo / São Paulo-SP

✓ Bornal de Bugigangas – Assis/SP

✓ Circo Teatro Capixaba – Divino de São Lourenço/ES

✓ Grupo de Teatro de Rua Loucos – Recife/PE

✓ Oprimidos da Maciel – Recife-PE

✓ Teatro Ruante – Porto Velho/RO

✓ Som Na Linha / Presidente Prudente/SP

✓ ERRO Grupo –  Florianópolis/SC

✓ Pombas Urbanas – São Paulo/SP

✓ Coletivo Menelão de Teatro – ABC/SP

✓ Fátima Sobrinho – Belém/PA

✓ Trupe Olho da Rua – Santos/SP

✓ Trupe Tamboril de Teatro – Uberaba/MG

✓ Coletivo Dolores Boca Aberta – São Paulo/SP

✓ Grupo Primeiro de Maio Salvador/BA

✓ Núcleo Ás de Paus – Londrina/PR

✓ Mala nas Costas – São Miguel do Gostoso/RN

✓ Circo Teatro Capixaba

✓ CHAP – Companhia Horizontal de Arte Pública/RJ                                                             

✓ Povo da Rua-teatrodegrupo- Porto Alegre/RS

✓ GRUTTA – Tangara da Serra/MT

✓ Grupo TAMTAN – Tanquinho/BA

✓ Kiwi Cia de Teatro – São Paulo/SP

✓ Coletivo Comum – São Paulo/SP

✓ Cabaré Feminista – São Paulo/SP

✓ Núcleo Pavanelli de Teatro de Rua e Circo- Tatuí/SP

✓ Brava Companhia – São Paulo/SP

✓ Cia Casa da Tia Siré – São Paulo/SP

✓ Estudo de Cena – São Paulo/SP

✓ Dirigível Coletivo – Belém/PA

✓ Grupo de Teatro Quem Tem Boca é Pra Gritar – João Pessoa, Paraíba/SP

✓ O Imaginário – Porto Velho/RO

✓ Galpão da Lua – Presidente Prudente/SP

✓ Federação de Teatro do Acre

✓ Cia. Visse e Versa – Rio Branco/AC

✓ Cia. Translúcidas – Londrina/ PR

✓ Trupe Circuluz- Olinda/PE

✓ Cia de Teatro Soluar – João Pessoa/PB

✓ Coletivo CLanDesTino – Dourados/MS

✓ Grupo Ueba Produtos Notáveis – Caxias do Sul/RS

✓ Nóis de Teatro / Fortaleza/CE

✓ Fábrica de Teatro do Oprimido de Londrina

✓ Trupe Tamboril – Uberaba-MG

✓ Movimento Artistas de Rua de Londrina

✓ Zecas Coletivo de Teatro – Belém – PA

✓ Esquadrão da Vida – DF

✓ Movimento de Teatro de Rua da Bahia MTR-Ba

✓ Grupo de Arte Popular A Pombagem

✓ Coletivo Arte Marginal Salvador

✓ Coletiva Mulheres Aguerridas

✓ Núcleo sem Drama Na Cia da Cabra Orelana –  São Paulo/ SP

✓ Grupo Olho Rasteiro – Curitiba/PR

✓ Grupo Rosa dos Ventos – Presidente Prudente SP

✓ Ivanildo Piccoli (prof UFAL)

✓ GESTO- BA

✓ Amora – Santo André/ SP assina.

✓ Árvore Casa das Artes/ES.

✓ OIgalê Cooperativa de Artistas Teatrais – Porto Alegre/RS

✓ Grupo Manjericão. Poa – RS.

✓ Associaçao cultural Rualuart Brasil/ Gov Dix Sept Rosado/ RN

✓ Grupo GRUTTA – Tangará da Serra/MT

✓ Grupo de Pesquisa e Extensão em Artes Cênicas do Semiárido Brasileiro – GruPANO – BA

✓ Trup Errante – PE

Foto: Reprodução (jovens abraçados protegendo a comunicadora)
Foto: Reprodução

 

 

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Cia Biruta de Teatro participa da programação da I Mostra Pernalonga de Teatro

De 22 a 27 de agosto, a Mostra recebe os espetáculos vencedores do 1º Prêmio Roberto França (Pernalonga) de Teatro

“Chico e flor contra os monstros da ilha do fogo”

Premiada na categoria “Espetáculo para a Infância e Juventude”, com a peça “Chico e Flor contra os monstros da Ilha do Fogo”, a Cia Biruta de Teatro (Petrolina/PE) será um dos grupos participantes da I Mostra Pernalonga de Teatro, promovida pelo Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundarpe. A mostra, que acontece de 22 a 27 de agosto, em Recife e Ingazeira, recebe os espetáculos vencedores do 1º Prêmio Roberto França de (Pernalonga) de Teatro.

Anunciado em dezembro de 2018, o concurso premiou espetáculos de todo o estado, em cinco categorias. “Esse prêmio é importante para que a gente mostre cada vez mais o potencial da nossa região. Chico e Flor é um trabalho construído basicamente com artistas do Vale do São Francisco. Atores, direção e texto foram feitos por artistas da região, assim como a trilha sonora original, que é fruto de uma aliança com os músicos Moesio Belfort (Juazeiro/BA) e Carlos Hyuri (Petrolina/PE)”, avalia Antônio Veronaldo, que é ator, diretor, dramaturgo e co-fundador da Cia Biruta de Teatro.

Para Cristiane Crispim, que também é co-fundadora da Cia Biruta, o prêmio possibilita ampliar o alcance dos espetáculos produzidos no interior de Pernambuco. “É importante fazer com que esse prêmio traga um olhar para os fazedores de teatro e de arte aqui do Vale do São Francisco, especialmente para Petrolina que é onde estamos ancorados. Para nós esse prêmio foi uma grande surpresa, é uma alegria ter esse reconhecimento, especialmente no momento em que estamos cada vez mais buscando trazer para o teatro a história e a linguagem do nosso lugar e do nosso povo”, conta o artista.

O Espetáculo

 “Chico e Flor contra os monstros da Ilha do Fogo” narra a história do barqueiro Chico, que viaja pelo rio São Francisco a procura da sua família, e da corajosa Flor, sua companheira de aventuras. A peça apresenta a poética de vivência com o Rio e o seu entorno a partir das lendas ribeirinhas e de uma narrativa de aventura e superação que tem como pano de fundo a relação que o ser humano estabelece com a cultura e a natureza, fundamentada na criação de elementos fantásticos e mágicos como modos de explicação, elaboração e transformação de mundo.

No palco, a história ganha vida com as atuações de Juliene Moura e AntonioVeronaldo, que também assina o texto e a direção do espetáculo, e a criação cenográfica com Uriel Bezerra. A Iluminação tem concepção de Carlos Thiago e execução de Deborah Harummy, trilha sonora e sonoplastia de Moesio Belfort e Carlos Hyuri, produção d Cristiane Crispim e apoio técnico de Camila Rodrigues e Letícia Rodrigues.

Desde a sua estreia, em maio de 2015, o espetáculo vem participando de festivais relevantes para a cena artística voltada para as crianças. Entre os principais eventos e premiações estão o 11º Festival Nacional de Teatro Infantil de Feira de Santana – Fenatifs (Bahia, 2018); a III Mostra Internacional de Teatro da Paraíba (Sousa, 2017); o 23º Festival Janeiro de Grandes Espetáculos (Festival Internacional de Artes Cênicas de Pernambuco, Recife – PE, 2017), no qual foi indicado a 7 prêmios e ganhou  3 (melhor trilha sonora, melhor iluminação e melhor atriz); o II Festival de Teatro Wellington Monteclaro (Juazeiro – BA, 2017), onde foi premiado na categoria demelhor atriz e escolhido o segundo melhor espetáculo.

Cia Biruta de Teatro

Criada em maio de 2008, o grupo tem atuado no sertão de Pernambuco, optando por aliar a produção teatral com ações de formação artística de jovens da periferia, o que deu origem ao Núcleo Biruta de Teatro, há 4 anos. Na concepção de seus espetáculos, a Cia procura dialogar com as questões sociais e políticas do Brasil contemporâneo, apostando na pesquisa antropológica dos processos e práticas populares de cultura e resistência às margens do rio São Francisco, e no intercâmbio criativo com experiências e grupos de teatro locais, nacionais e internacionais.

Além da Mostra Pernalonga de Teatro, a Cia Biruta também está em cartaz em Petrolina, até 31 de agosto, no Festival Aldeia do Velho Chico.

 

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Cantora Renata Rosa abre comemorações dos 10 anos da Cia Biruta de Teatro

O show acontece no dia 4 de maio, no Teatro Dona Amélia, em Petrolina, e integra a programação da Mostra de aniversário do grupo teatral

Renata Rosa – Foto: Blenda Soulto Maior

A Cia Biruta celebra 10 anos de teatro no mês de maio e, como já é tradição, quem ganha o presente é o público. Esse ano, o grupo, criado em 2008, preparou uma programação com show, oficina, apresentação de espetáculos e exposição comemorativa para festejar os seus encontros, trajetória, perspectivas, diálogos, registros, a ação comunitária e a resistência dos territórios culturais e afetivos gerados no universo do teatro.

A festa começa no dia 4 de maio, com o show da cantora, rabequeira e atriz, Renata Rosa, no Teatro Dona Amélia, em Petrolina. A artista vai apresentar o repertório do seu novo álbum, “Encantações”, no qual apresenta o encontro das suas vivências urbanas com sua experiência de imersão no universo poético-musical do Baixo São Francisco alagoano e da Mata Norte pernambucana. Já no dia 5 de maio, a cantora também será a facilitadora da oficina “O impulso da voz e do corpo”, que busca desenvolver a relação orgânica entre o movimento, a respiração, a produção de voz e o canto.

“Comemorar 10 anos é um marco para qualquer grupo, principalmente no interior do estado, permeado pela escassez de políticas públicas de cultura. Nesse contexto, comemorar 10 anos torna-se uma grande celebração de luta e resistência. Mas, como bons ribeirinhos, esse percurso é feito de belos encontros e pontes construídas no nosso caminhar artístico”, revela o diretor teatral e co-fundador da Cia Biruta, Antônio Veronaldo, sobre o aniversário do grupo. “Essa programação é um resumo da nossa caminhada, desde o encontro com artistas importantes locais, nacionais e internacionais, como a Renata Rosa, passando pelos nossos trabalhos na periferia e terminando no palco do teatro Dona Amélia, onde nos encontraremos com o nosso público nesse eterno recomeço”, completa.

No dia 06 de maio a programação da Mostra Biruta 10 anos continua com a apresentação do “Processo Medusa”, resultado de uma produção coletiva do Núcleo Biruta de Teatro, e, nos dias 12 e 13, o público vai poder conferir o premiado espetáculo “Chico e Flor contra os monstros da Ilha do Fogo”, da Cia Biruta.

Cia Biruta de Teatro

No catálogo de espetáculos já encenados pelo grupo estão as montagens de “Maria Minhoca” e “O Mágico de Oz”, que fizeram a companhia ficar conhecida no Vale do São Francisco e em outras regiões, além de “História de Cascudo”, “Pinóquio” e “Cenas Ribeirinhas”, um experimento de pesquisa que apontou novos caminhos para a Biruta e deu origem a um dos trabalhos mais recentes do grupo, o espetáculo Chico e Flor contra os monstros da Ilha do Fogo. A produção é fruto de uma pesquisa que busca a identidade do ator ribeirinho e sertanejo em sua metodologia de trabalho e de um processo de dramaturgia experimentado pelo grupo, sempre procurando uma poética que tenha como referência a região do médio São Francisco e suas práticas populares.

Em 10 anos de história, a Cia Biruta também acumula na bagagem participações em festivais, prêmios, e intercâmbios com grupos de teatro nacionais e internacionais. O intercâmbio mais recente aconteceu em dezembro de 2017, no Pontes Flutuantes, evento organizado pela Biruta e que trouxe para o Vale do São Francisco dois grandes nomes do teatro mundial, Eugênio Barba e Julia Varley, ambos integrantes do grupo dinamarquês Odin Teatret.

Programação

04/05 – Show Encantações – Renata Rosa

Local: Teatro Dona Amélia (Sesc/Petrolina)

Horário: 20h

Ingressos: R$ 30,00 (inteira), 15,00 (meia-entrada), R$ 20,00 (antecipado)

Dona de uma premiada trajetória, Renata Rosa apresenta seu show pela primeira vez na região do Vale do São Francisco. Depois de plantar sua semente com o álbum de estreia “Zunido da Mata” (Prêmio Choc de L’année – Le Monde de la Musique), receber o Prêmio da Música Brasileira e a indicação de Melhor Álbum pela World Music Central por seu segundo disco, “Manto dos Sonhos”, Renata Rosa nos traz seu novo álbum, “Encantações”. Uma verdadeira usina de rabecas e percussões, drapeados cristalinos de violas de dez cordas, polifonias vocais complexas e fluidas que se erguem em espirais como as chamas de uma fogueira, deixando em primeiro plano a voz sinuosa e telúrica da cantora. No show, a artista faz uma fusão das suas experiências urbanas, recriando novos temas sob códigos ancestrais e criando um som soberbo e poético.

05/05 – Oficina – “O impulso da voz e do corpo” – Renata Rosa

Local: Sala de Dança do Sesc-Petrolina

Horário: 14h às 19h

Público-alvo: cantores e atores

A oficina aborda um conjunto de dinâmicas que envolvem rolamentos, o jogo lúdico-técnico do aquecimento vocal e da exploração de ressonâncias. e cantos e danças tradicionais caboclos, onde voz e o movimento, canto e dança estão profundamente associados. Serão abordados: a relação precisão/organicidade, o pulso no corpo e na voz, a relação com o chão, a energia do canto, seus fraseados, suas ressonâncias, polifonias vocais, suas nuances e equilíbrios.

06/05 – Processo Medusa (Núcleo Biruta de Teatro)

Local: CEU das Águas (Rio Corrente/Petrolina)

Horário: 19h

O Processo Medusa é um espetáculo teatral chamado de processo, por ter caráter de pesquisa, que vai agregando elementos, a partir das experiências de vida, estudos e discussões dos jovens atores do Núcleo Biruta de Teatro. O espetáculo traz o mito da Medusa para a atualidade, discutindo questões relacionadas à figura da mulher atual: onde está a mulher nesse mito? Quem é essa Medusa de hoje? O que a fez se transformar nessa Medusa? Essas são algumas reflexões presentes no espetáculo.

12 e 13/05 – “Chico e Flor contra os monstros da Ilha do Fogo” (Cia Biruta)

Local: Teatro Dona Amélia (Sesc/Petrolina)

Horário: 17h

Classificação: Livre

Ingressos: R$ 30,00 (inteira), 15,00 (meia-entrada), R$ 20,00 (antecipado)

O espetáculo conta a história do barqueiro Chico, que já navegou o rio de cima e o rio de baixo e conhece o São Francisco como ninguém. Ancorado nas margens do rio médio vive inventando historias e figuras criadas de sua memória e imaginação. Ele sonha um dia voltar a encontrar seu pai e sua mãe que sumiram em uma noite de chuva numa viagem de barco. Para isto tem que realizar uma missão: destruir os monstros na Ilha do Fogo, pois assim libertaria as lendas que o levariam a reencontrar sua família. Nessa aventura ele vai contar com a companhia da sua amiga Flor, uma menina cheia de curiosidade, sapeca e destemida.

 

Texto Eneida Trindade

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Cia Biruta finalizou neste domingo oficina de teatro no Território Quilombola Águas do Velho Chico

O grupo de teatro, sediado em Petrolina, percorreu as comunidades quilombolas Mata de São José, Remanso, Umburana e Viturino com uma turma de 25 jovens quilombolas representantes das quatro comunidades que compõem o território localizado em Orocó-PE.

Foto: Camila Rodrigues

A Cia Biruta realizou nos dias 9, 10, 11 e 12 deste mês formação em técnicas de iniciação teatral para jovens do Território Quilombola Águas do Velho Chico, situado em Orocó-PE. Foram quatro dias intensos de troca entre a cultura quilombola e os saberes teatrais do grupo que comemora, este ano, 10 anos de fazer teatral no Sertão do São Francisco. A oficina foi para o grupo uma verdadeira vivência de imersão na comunidade nesses quatro dias, onde participaram do dia a dia dos moradores, como destacou o diretor, a ator e produtor Antonio Veronaldo, um dos ministrantes da oficina: “A oficina proporcionou para gente uma vivência que fortalece nosso fazer artístico e seu sentido. Foi muito importante poder acompanhar a vida da comunidade, comer junto, conversar e presenciar suas lutas, a exemplo do dia em que participamos da comemoração do resultado do julgamento do decreto 4887/03 no STF, que reconheceu a constitucionalidade da demarcação dos territórios quilombolas, uma comemoração simples, mas espontânea, que reuniu jovens e as pessoas mais velhas para cantar, dançar, improvisar versos acompanhados de batuques, tudo para celebrar a vitória quilombola. Compreender a luta quilombola dentro da comunidade faz toda diferença para que nós que somos um grupo da periferia da cidade e busca no seu fazer esses laços comunitários.”

Foto: Camila Rodrigues

Uma iniciativa realizada de forma independente pela Cia Biruta, a oficina se deu de forma itinerante, percorrendo as quatro comunidades que compõem o território: Mata de São José, Umburana, Remanso e Viturino, promovendo a iniciação teatral como forma de expressão e comunicação em torno das questões de identidade. Para a atriz e produtora cultural, Cristiane Crispim, levar a oficina às comunidades foi um modo de estimular o desenvolvimento dessa linguagem o território, para que o teatro possa contribuir como uma ferramenta pedagógica popular de afirmação e reflexão sobre ser quilombola, “foi muito bonito ver os jovens do território interagindo, pensando e debatendo questões como ‘quem eu sou?’ e ‘o que é ser quilombola?’ e se descobrindo, principalmente, descobrindo sua presença expressiva como ferramenta de comunicação, reflexão e debate acerca de suas questões de sua cultura e sua luta.”

Foto: Camila Rodrigues

Utilizando as associações quilombolas e os espaços ao ar livre em integração com ecologia do lugar, a metodologia proposta pela Cia Biruta buscou integrar a corpo, território e cultura dentro do contexto quilombola e a partir de materiais oferecidos pelos jovens a oficina foi uma verdadeira troca de experiências: “Compartilhamos procedimentos que costumamos usar na nossa comunidade, na nossa pesquisa teatral e na nossa busca estética. Somos do contexto da periferia urbana, mas nossa metodologia se abre ao diálogo com as questões quilombolas a partir do momento em que escolhemos que nosso teatro tem, cada vez mais, a ver com o sentimento de pertencimento e a compreensão das identidades ribeirinhas e sertanejas em seus processos históricos e sociais. Aprendemos e temos muito mais ainda a aprender com os quilombos”, afirmou Cristiane Crispim.

Foto: Camila Rodrigues

A Cia Biruta celebra em 2018 dez anos de trajetória e preparou uma programação que iniciou em janeiro com a residência artística em palhaçaria com Cia Dois Palitos (SP), sendo a oficina em Orocó a segunda ação da celebração que culminará em maio, mês de seu aniversário.  O grupo está em processo de criação de um novo espetáculo para criança na linguagem de palhaças e de pesquisa em teatro adulto, intitulada “Canudos: território navegante” e prepara-se para, dentre outras ações, apresentar as novas montagens até lá.  Para acompanhar as ações do grupo e saber mais sobre a programação dos 10 anos siga o perfil:  https://www.facebook.com/ciabiruta e o instagram: @CiaBiruta.Ascom.

Foto: Camila Rodrigues

 

 

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Cia Biruta de Teatro avalia realização do projeto Pontes Flutuantes

O Pontes Flutuantes colocou Petrolina e a região na rota do diretor italiano, Eugênio Barba, e da atriz inglesa, Julia Varley, ambos integrantes do grupo de teatro Odin Teatret e convidados do projeto.

Dois dias de trabalho intenso, com oficina, espetáculo, palestra, demonstrações artísticas e muitas pontes desenhadas. Foi assim a primeira edição do Pontes Flutuantes – diálogos para cena, realizado pela Cia Biruta de Teatro, em Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), nos dias 12 e 13 de dezembro. Uma semana após o evento, que contou com a participação de grandes nomes do teatro mundial, os organizadores já avaliam o projeto e refletem sobre o legado deixado por ele.

O Pontes Flutuantes colocou Petrolina e a região na rota do diretor italiano, Eugênio Barba, e da atriz inglesa, Julia Varley, ambos integrantes do grupo de teatro Odin Teatret e convidados do projeto. Os dois artistas, que fazem uma circulação em diversos países do mundo, estiveram no Vale do São Francisco pela primeira vez para compartilhar um pouco do conhecimento que acumularam ao logo de cinco décadas de teatro.

“Eugênio e Julia com certeza inspiraram e motivaram os participantes a buscar uma linguagem estética do teatro com foco no corpo e na energia do ator em cena. Foram dias de muito aprendizado sobre a técnica, o que Eugênio chama de ‘armas’ do teatro e que consiste na elaboração de um saber fazer, e também sobre uma pedagogia capaz de transmitir esse conhecimento empírico e promover a sustentabilidade dos grupos e do próprio fazer teatral”, avalia a atriz Cristiane Crispim, uma das organizadoras do evento, sobre a contribuição dos artistas para a cena teatral da região.

De acordo com o diretor teatral e organizador do Pontes Flutuantes, Antônio Veronaldo, toda a programação contou com uma ampla representatividade de grupos locais, o que enriqueceu o evento e serviu como ferramenta motivadora para a cena teatral do Vale do São Francisco. “Gerações mais antigas e mais jovens encontraram grandes artistas e tiveram contato com as metodologias de um grupo internacional que tem uma bagagem pedagógica e autoral fundamental para se compreender a arte do ator”.

Para Eugênio Barba, a impressão que ficou foi de uma boa organização e a motivação dos grupos participantes. “Foi muito belo e gratificante para mim ter esse encontro e poder falar da condição que os grupos de teatro compartilham, apesar dos diferentes contextos culturais. Eu espero que essa experiência e a nossa presença ajude os grupos da região a colaborar mais entre si, sobretudo no que diz respeito ao aprofundamento do conhecimento técnico do ator”.

A participação do público no evento garantiu, não apenas a troca de experiências entre os diferentes grupos, mencionada por Eugênio Barba, mas um mapeamento das cidades de grande potencial artístico na área teatral, no entorno do Vale do São Francisco e na região do Cariri, como Petrolina (PE), Senhor do Bonfim (BA) e Juazeiro do Norte (CE). “Essas foram as cidades como maior representação no evento e isso gera a perspectiva da criação de uma rede de diálogo sobre o fazer teatral a partir do evento, sem dúvida. Os desdobramentos do Pontes Flutuantes ainda não sabemos, mas com certeza serão atravessados pelos encontros provocados nessa primeira experiência”, revela Cristiane Crispim.

Por Eneida Trindade

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Vale do São Francisco vai receber grandes nomes do teatro mundial

Integrantes do Odin Teatret, um dos mais importantes e respeitados grupos de teatro do mundo, Eugênio Barba e Julia Varley são convidados do projeto Pontes Flutuantes

Localizadas no Vale do São Francisco, Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) irão receber nos dias 12 e 13 de dezembro dois grandes nomes do teatro mundial: o diretor teatral Eugênio Barba e a atriz Julia Varley, ambos integrantes do Odin Teatret, sediado na Dinamarca. Os artistas chegam à região para participar do projeto Pontes Flutuantes – diálogos para cena, iniciativa da Cia Biruta de Teatro, que propõe o intercâmbio cultural e a troca de experiências entre artistas locais e grupos de teatro do Brasil e do mundo.

Quais as semelhanças e diferenças entre o teatro que se faz no Vale do São Francisco e no resto do mundo? Essa é uma das questões que norteiam a realização do Pontes Flutuantes em sua primeira edição. O projeto nasce com o objetivo de celebrar o fazer teatro e aproximar os diversos pensamentos acerca da autonomia do teatro como arte e como área de conhecimento e expressão dos modos de organização coletiva ao redor do planeta.

“É muito importante para a gente que faz teatro estar em contato e dialogar com outros grupos para fortalecer o nosso fazer artístico. O Pontes Flutuantes surge nessa perspectiva e com o propósito de criar pontes com artistas de diversas partes do mundo, oferecendo uma via de mão dupla e gerando uma reflexão sobre o que somos e o que fazemos”, explica a atriz Cristiane Crispim, uma das organizadoras do evento, lembrando que outra finalidade do projeto é promover a interiorização de encontros e discussões sobre o teatro.

Diretor teatral, ator e dramaturgo, Antônio Veronaldo, que também é responsável pela organização do projeto, já teve a oportunidade de encontrar Eugênio Barba e destaca a importância de tornar esse encontro acessível para outros artistas. “É a primeira vez que um evento desse porte sai dos grandes centros urbanos e vem para o interior do Nordeste. Isso possibilita o contato de artistas que não estão nas capitais com os grandes mestres. Eles ganham a oportunidade de se alimentar dessa experiência e a nossa cena teatral é que acaba se fortalecendo”.

Em cena: Eugênio Barba e Julia Varley

Não foi por acaso que a Cia Biruta convidou a atriz Julia Varley e o diretor Eugênio Barba para inaugurar o Pontes Flutuantes. Eugênio é fundador do Odin Teatret e criador do conceito de antropologia teatral, além de ser um dos maiores pensadores do teatro contemporâneo. Enquanto Julia Varley traz à cidade a apresentação da sua pesquisa em torno da voz do ator, com uma oficina e a demonstração do seu trabalho.

Em dois dias de evento, divididos entre as dependências do Sesc, em Petrolina, e o Centro de Cultura João Gilberto, em Juazeiro, o público vai poder conferir a palestra-demonstração “Pensar através das ações”, a demonstração-espetáculo e a oficina “O Eco do Silêncio”. Todas as atividades fazem parte de um roteiro que é apresentado pelos artistas em diversos países e para participar do Pontes Flutuantes, basta realizar a sua inscrição, através do endereço eletrônico: birutaciadeteatro@hotmail.com.

A programação condensa um pouco da trajetória de Eugênio Barba e Julia Varley e de como eles construíram esse modo de fazer teatro que já tem mais de 50 anos. “Eles vão trazer o conhecimento e a forma como eles construíram esse teatro e esse pensamento sobre o teatro contemporâneo e o teatro antropológico. E nós vamos poder apreender isso em uma exposição que é ao mesmo tempo teórica e prática, porque eles trazem um paralelo entre a reflexão, o estudo, a pesquisa e a prática, a vivência empírica do ator e da atriz. É uma formação completa”, conta Cristiane Crispim.

Programação

Oficina “O Eco do Silêncio”, com Julia Varley – (vagas preenchidas)

12 e 13 de dezembro

Horário: 8h às 12h

Local: Sala de dança do Sesc-Petrolina (PE)

Júlia Varley by Fiora Bemporad

A oficina, ministrada por Julia Varley, será ofertada a atrizes e atores de grupos locais, como forma de promover um intercâmbio direto com os convidados. O curso centra-se na unidade de impulso físico com a voz, no trabalho do texto com a ação, falado e cantado, buscando reconhecer a voz individual junto ao coro e obter a generosidade que pertence à voz em relação ao espaço. Trata-se da metodologia desenvolvida pela atriz Julia Varley em seus processos de criação e demonstrado no espetáculo O Eco do Silêncio.

Demonstração-espetáculo – O Eco do silêncio, com Julia Varley

12 de dezembro

Horário: 20h

Local: Teatro Dona Amélia – Petrolina (PE)

Duração: 1h30min

O Eco do Silêncio é uma demonstração de trabalho que descreve as vicissitudes da voz de uma atriz e os estratagemas que ela cria para ‘interpretar’ um texto. A voz da atriz e o texto apresentados aos espectadores compõem a música de um espetáculo. No teatro, que aparentemente é livre dos códigos que conhecemos na música, a atriz precisa criar um labirinto de regras, referências e resistências para seguir ou não, de modo a atingir uma expressão pessoal e reconhecer sua própria voz. O eco do silêncio toca em alguns momentos desse processo, permitindo à percepção do espectador deslizar através da disciplina técnica, revelando a pessoa por traz do ator e o silêncio por traz da voz.

Palestra-demonstração – Pensar através das ações, com Eugênio Barba e Julia Varley

13 de dezembro

Horário: 19h

Local: Centro de Cultura João Gilberto – Juazeiro (BA)

Eugenio Barba by Fiora Bemporad

Eugênio Barba revela, nessa palestra, seu trabalho de diretor-autor, exemplificando a sua trajetória com exercícios e ilustrando seus procedimentos com o auxílio de Julia Varley. Nessa palestra-demonstração, os dois artistas propõem definir os diferentes níveis da dramaturgia no trabalho dedicado a um espetáculo de teatro e os aspectos básicos da Antropologia Teatral, abordando os seguintes temas:

– Elaboração da dramaturgia do ator do nível orgânico ao dinâmico (ações físicas e vocais)

– Relação entre partitura dinâmica e estrutura narrativa;

– Relação entre a dramaturgia total de um diretor e do texto;

– Relação entre a dramaturgia do diretor, do escritor e do texto;

– Técnicas cotidianas e extra cotidianas;

– Diferença entre movimento e ação;

– Imobilidade estática e dinâmica;

– A energia no espaço e a energia no tempo;

– Técnica de montagem para diretores;

– A percepção do diretor e percepção do espectador;

*Vagas disponíveis para Palestra-demonstração “Pensar através das ações” e a demonstração-espetáculo “Eco do Silêncio”, com pacote no valor de 200,00 para participação nas duas ações. Inscrições abertas até o preenchimento das vagas!

Para inscrições e mais informações, entrar em contato através do endereço eletrônico birutaciadeteatro@hotmail.com ou pela página www.facebook.com/pontesflutuantes.

 

Por Eneida Trindade

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Processo Medusa

Algumas palavras e reflexões provocadas pelo espetáculo. * Por Sebastião Simão Filho

Foto: Tássio M. Tavares

Um bom espetáculo de teatro nos proporciona experiência. Experiência estética, social, mental, verbal, sonora. Assim é o que nos proporcionou ontem a Cia Biruta com o seu Processo Medusa que compôs a programação do Projeto Entre Margens, do SESC-Petrolina.

E isso foi possível pelas verdades que o espetáculo: é! Uma verdade artística e outra a verdade da denúncia a que se propôs abraçar: a opressão milenar e ainda escancarada que uma sociedade machista, patriarcal e falocrata exerceu e exerce contra a pessoa humana mulher.

A verdade artística está em o espetáculo ser forte, agressivo, autêntico, pessoal. Em ser todo vontade, cega e ingênua vontade de ser teatro e teatral. De erguer bandeiras. De dar bandeira. De ser amador e pretensioso. Uma verdade artística em ser, por enquanto, o que pode ser.

Foto: Tássio M. Tavares

Muitas são as cenas impactantes, com relação direta e de agressão direta e proposital para com público. E funcionam, pois, o público aceita ser conduzido e embarca nessa viagem de mergulho e autocobrança pelas críticas ali expostas. Há cenas disfarçadamente líricas, cômicas, divertidas, revoltantes, raivosas, de horror.

A cena sobre o consumismo alienante é um brinco no espetáculo. Cena singela, calma, tensa. Nela uma menina robotizada, hipnotizada, pede à mãe uma Barbie. A mãe a embala e tenta persuadi-la a desistir do presente e objeto ícone-fetichista de esterótipo feminino. E mesmo ante tão doce e eloquente discurso politizante da mãe, a menina de olhar opaco e mórbido de zumbi, apenas repete: “Eu quero uma Barbie”. Fiel retrato de uma sociedade de consumo que tudo transforma em festa, festa do consumo, desde o amor de mãe às paradas gays que alavancam o comercio de bens e serviços.

Foto: Tássio M. Tavares

Uma alegria dupla, tripla, quíntupla me proporcionou esse trabalho. O fato de ser um espetáculo de numeroso elenco composto quase que integralmente de jovens iniciantes no ofício, é uma alegria maior. Também outra é o de ser um elenco em formação na periferia. Se há deficiências? Claro que há. As vozes ainda estão reféns do valor das palavras do texto, e não da exploração dos sons potenciais que as palavras ensejam. E, para um espetáculo que se propõe físico (leia-se, orgânico), os gestos ainda são demasiadamente periféricos. Mas detalhes que serão dissolvidos pela maturação artística futura, que virá. Detalhes que se perdem em meio a tantas outras qualidades do espetáculo.

Tássio M. Tavares

A verdade social do espetáculo estar em ser direto, ir direto ao assunto, às vias de fato dos fatos da opressão e aniquilamento humano a que a pessoa mulher foi e é submetida. O espetáculo diz o que deve ser dito, o que tem de ser dito. São muitas e diversas opressões que o espetáculo denúncia. Mas priorizou falar e pôr como pano de fundo e de frente a mais funesta das opressões, a opressão de todas as opressões: o estupro.

Libertar (tenho um gosto pessoal pela palavra: livrar), livrar a mulher dessa realidade brutal será uma conquista humana. Toda agressão é agressão e como agressão deveria e deve ser tratada, ou seja: não esqueçamos nenhuma agressão e vamos dar relevo a todas. Mas certamente a agressão que é o estupro é uma agressão que devemos ressaltar, destacar, gritar.

Foto: Tássio M. Tavares

O estupro é uma invasão. A desconsideração pelo território material-existencial alheio, do outro, da outra: seu corpo. O corpo é o recipiente que acumula e guarda absolutamente tudo o que somos: memórias, sensações, identidade. Inconscientemente, digo, passivamente o corpo vivencia e guarda as experiências a que é submetido. A saúde e a doença é proporcional as experiências as quais e ao modo de como são vivenciadas. A pessoa mulher deve ser a única, estritamente a única a escolher quem deve visitar amorosamente seu corpo. O estupro põe em risco total a globalidade do indivíduo humano, pois aniquila, invalida essa autonomia.

O estuprador é um doente criminoso e a sociedade onde ainda perdure qualquer resquício dessa anomalia é uma sociedade doente. Estamos doentes então. E a cura urge, pois a humanidade tem ainda muitas tarefas lindas e elevadas a cumprir. Esse peso em suas-nossas costas nos atrapalha e atrapalhará o crescer.

São essas reflexões que suscita Processo Medusa. Um espetáculo artisticamente impactante e de provocação social necessária.  Um espetáculo que deveria assistir todo o Pernambuco, e o Brasil todo.

Foto: Tássio M. Tavares

Uma questão…

Considerando que o estupro é um crime abominável… Como classificar uma sociedade em que uma pessoa homem público fala abertamente ao microfone e diante de câmaras de ser um possível estuprador, não praticando o ato porque a outra pessoa mulher não merece? (Não merece ter seu precioso falo entre suas pernas?) E o que dizer mais se essa pessoa homem é um presidenciável bem cotado? Afinal, quem tão numerosamente é seu eleitor?

Era só uma questão…

Dedico essas palavras às mulheres com as quais aprendi e aprendo, a trancos e barrancos, a ser a pessoa homem em construção que sou.

Obrigado.

* Por Sebastião Simão Filho

 

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I Pontes Flutuantes com Eugênio Barba e Julia Varley – Odin Teatret

Os mestres Eugênio Barba e Julia Varley – Odin Teatret – estarão nas margens do Rio São Francisco nos dias 12 e 13 de dezembro para um encontro de formação na primeira edição do Pontes Flutuantes, realização da Cia Biruta de Teatro, que inicia com este projeto a comemoração dos seus 10 anos.

O  grupo de teatro Odin Teatret, sediado na Dinamarca, tem mais de 50 anos de existência  influencia a pesquisa e a prática de grupos de teatro e dança do mundo inteiro por meio e estudos acerca do princípios da Antropologia Teatral – uma ciência que estuda o comportamento do ser humano em situação de representação, por meio da utilização extra-cotidiana do corpo configurando-se uma preciosa fonte de compreensão acerca do fazer teatral a partir de fundamentos encontrados nas experiências e tradições de técnicas corporais extra- cotidianas de todo mundo e difundido nas publicações de livros, artigos e ensaios publicados em numerosos países e línguas e através de palestras, Masters Classes, seminários e congressos. Pontes Flutuantes tem como objetivo a comunhão de todas e todos que acreditam no teatro/dança como modo de se organizar em coletividades no mundo e resistem inventando e reinventado suas poéticas a partir dos encontros.

Vagas disponíveis para Palestra-demonstração “Pensar através das ações” e a demonstração-espetáculo “Eco do Silêncio” com pacote no valor de 200,00 (para participação nas duas atividades).

Inscrições abertas até o preenchimento das vagas!

Para inscrições e mais informações, entrar em contato através do e-mail: birutaciadeteatro@hotmail.com

Programação

12/12 – Oficina Eco do Silêncio (Intercâmbio com grupos locais) – 8h às 12h – sala de dança do Sesc

– Demonstração – espetáculo “Eco do Silêncio” – 20h –  Teatro D. Amélia – Sesc-Petrolina-PE

13/12 – Oficina Eco do Silêncio – 8h às 12h – sala de dança do Sesc

– Palestra “Pensar através das ações” com Eugênio Barba e Julia Varley – 19h – Centro de Cultura Joao Gilberto – Juazeiro-BA

Demonstração-espetáculo – O Eco do silêncio

Atriz: Julia Varley

Duração: 1h30min

O eco do silêncio é uma demonstração de trabalho que descreve as vicissitudes da voz de uma atriz e os estratagemas que ela cria para ‘interpretar’ um texto.

A voz da atriz e o texto apresentado aos espectadores compõem a música de um espetáculo. No teatro, que aparentemente é livre dos códigos que conhecemos na música, a atriz precisa criar um labirinto de regras, referências e resistências para seguir ou não, de modo a atingir uma expressão pessoal e reconhecer sua própria voz.

O eco do silêncio toca em alguns momentos desse processo permitindo à percepção do espectador deslizar através da disciplina técnica revelando a pessoa por traz do ator e o silêncio por traz da voz.

Palestra – demonstração – Pensar através das ações com Eugênio Barba e Julia Varley

Eugênio Barba e Julia Varley propõem nessa palestra-demonstração definir os diferentes níveis da dramaturgia no trabalhado dedicado a um espetáculo de teatro e os aspectos básicos da Antropologia Teatral, abordando os seguintes temas:

– Elaboração da dramaturgia do ator do nível orgânico ao dinâmico (ações físicas e vocais)

– Relação entre partitura dinâmica e estrutura narrativa;

– Relação entre a dramaturgia total de um diretor e do texto;

– Relação entre a dramaturgia do diretor, do escritor e do texto;

– Técnicas cotidianas e extra cotidianas;

– Diferença entre movimento e ação;

– Imobilidade estática e dinâmica;

– A energia no espaço e a energia no tempo;

– Técnica de montagem para diretores;

– A percepção do diretor e percepção do espectador;

Eugênio Barba revela nessa palestra seu trabalho de diretor-autor exemplificando-o com exercícios que ilustram seus procedimentos demonstrados por Julia Varley em ações físicas.

EUGENIO BARBA é teórico da antropologia teatral e nasceu em 1936, na Itália. Em 1954, emigrou para a Noruega para trabalhar como soldador e marinheiro. Formou-se em Francês, Literatura Norueguesa e História da Religião, na Universidade de Oslo. Em 1961, foi para Wroclaw (Polônia) estudar direção teatral na Escola Estadual de Teatro, mas saiu um ano depois para unir-se a Jerzy Grotowski, que era líder do Teatr 13 Rzedow em Opole. Barba ficou com Grotowski por três anos. Em 1963, viajou para a Índia, onde teve seu primeiro encontro com o Kathakali. Quando retornou a Oslo, em 1964, queria tornar-se um diretor de teatro profissional, mas como era estrangeiro, não foi bem-vindo na profissão. Então, ele começou seu próprio teatro. Uniu-se a um grupo de jovens que não tinham sido aprovados para a Escola Estatal de Teatro (Oslo’s State Theatre School) e criou o Odin Teatret em 1º de outubro de 1964. O grupo treinou e pesquisou em um abrigo contra ataques aéreos. Sua primeira produção, “Ornitofilene”, do autor norueguês Jens Bjørneboe, foi apresentada na Noruega, Suécia, Finlândia e Dinamarca. Em seguida, foram convidados, pelo município dinamarquês de Holstebro, a criar um laboratório teatral na pequena cidade. Ofereceram uma velha fazenda e uma pequena quantia em dinheiro para começarem. Desde então, Barba e seus colegas fizeram de Holstebro a base do Odin Teatret. Ao longo da sua carreira, Eugenio Barba dirigiu 74 produções, algumas das quais exigiram mais de dois anos de pesquisa. Entre as mais conhecidas destacam-se are Ferai (1969), My Father’s House (1972), Brecht’s Ashes (1980), O Evangélio Segundo Oxyrhincus (1985), Talabot(1988), Kaosmos (1993), Mythos (1998), Sonho de Andersen (2004), Ur-Hamlet (2006), Don Giovanni all’Inferno (2006), The Marriage of Medea(2008), A Vida Crônica (2011) e Ave Maria (2012). Desde 1974, Eugenio Barba e o Odin Teatret delinearam sua própria forma de estar presente em um contexto social através da prática do teatro “permuta”, uma troca através de performances com a comunidade.

Em 1979, Eugenio Barba fundou a ISTA, International School of Theatre Anthropology (Escola de Antropologia Teatral). Ele também faz parte do conselho de jornais estudantis como o “The Drama Review”, “Performance Research”, “New Theatre Quarterly” e o “Teatro e Storia”. Ao longo da carreira, o diretor já foi condecorado com o título de Doutor Honoris Causa nas Universidades de Aarhus, Ayacucho, Bologna, Havana, Warsaw e com o “reconhecimento do mérito científico” pela Universidade de Montreal, além de premiado com a Danish Academy Award, Mexican Theatre Critics’ Prize, Diego Fabbri Prize, Pirandello International Prize, e Sonning Prize, concedido pela Universidade de Copenhagen. Eugenio Barba tem livros, artigos e ensaios publicados em numerosos países e línguas. Ensina ainda regularmente em universidades europeias. Desde 1987, Eugenio Barba retorna com muita frequência a diferentes Estados do Brasil para: apresentar espetáculos e demonstrações de trabalho do Odin Teatret dirigidos por ele, ministrar palestras, lançar seus livros, conduzir Masters Classes e participar de seminários e congressos.

JULIA VARLEY nasceu em Londres e finalizou seus estudos em Milão, onde iniciou sua carreira de atriz no Teatro del Drago, Centro Sociale Santa Marta e Circolo de la Comune, trabalhando também como assistente de produção de filmes. Além de atuar, participa ativamente como diretora, professora, organizadora/produtora e escritora. Desde 1990 faz parte da organização da ISTA (International School of Theatre Anthropology). Desde seu início em 1986, participou ativamente do The Magdalena Project, uma rede de mulheres do teatro contemporâneo. É diretora artística do festival Transit em Holstebro (Dinamarca) e edita a revista The Open Page, dedicada às mulheres no teatro. É autora dos livros O Vento do Oeste, uma novela escrita por um personagem teatral, e Pedras d’água, sobre suas experiências como atriz do Odin Teatret. Seus artigos e ensaios são publicados em diversas revistas como Mime Journal, New Theatre Quarterly, Teatro e Storia, Conjunto, Lápis e Máscara. Espetáculos do Odin Teatret em que ela trabalha como atriz: Anabasis, El millón, Cinzas de Brecht, O Evangélio Segundo Oxyrhincus, Talabot, Kaosmos, No Esqueleto da Baleia, O Quarto do Pálacio do Emperador, Ode ao Progresso, Mythos, As Grandes Cidades sob a Lua, Sonho de Andersen, Don Giovanni all’Inferno, O Castelo de Holstebro, As Borboletas de Dona Música, Matando Tempo, A Vida Crônica e Ave Maria. Demonstrações de trabalho: Os ventos que sussurram, O eco do silêncio, O irmão morto, As relações entre texto e ações e O tapete voador. Espetáculos dirigidos por Julia Varley: Auf den Spuren des Yeti e Blau, com Pumpenhaus Theater, Alemanha;Sementes da memória e Branca é a noite, com Ana Woolf, Argentina; Fox Wedding, uma produção infantil com Hisako Miura, Japão; Il figlio di Gertrude e L’esausto o il profondo azzurro com Lorenzo Glejeses e Manolo Muoio, Itália; O sabor das laranjas com Gabriella Sacco, Italia; Tierra de fogo com Carolina Pizarro, Chile; Estrelas, com Marilyn Nunes, Brasil. Desde 1987, Julia Varley retorna com muita frequência a diferentes Estados do Brasil para: apresentar espetáculos e demonstrações de trabalho do Odin Teatret, ministrar palestras, conduzir Masters Classes e seu workshop “O Eco do Silêncio”, além de participar de seminários, congressos e a residência master A Arte Secreta do Ator, realizada em Brasília. É integrante do Odin Teatret Norsdisk Teateraboratorium desde 1976 e vive na Dinamarca.

Com informações da Cia Biruta de Teatro.