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Campanha de Direitos Humanos entra na folia e leva sensibilização social para as ruas de Petrolina-PE neste carnaval

A campanha segue nas ruas da cidade durante os quatro dias de festa, a partir do próximo sábado (22), seguindo até a terça-feira (25), e levará de forma lúdica, imagens, frases e carimbos com frases e mensagens voltadas para o respeito à diversidade.

Foto: Divulgação

Marcado por festejos populares, onde a liberdade de expressão e a alergia ocupam ruas e praças em torno da folia e da celebração a diversidade cultural, o carnaval pode ser também um momento de superação de preconceitos e diferenças.

Lançada em Petrolina-PE no último sábado (15), durante a prévia de carnaval do Grupo de Maracatu ‘Baque Opará’, a terceira edição da campanha “Direito humano não é fantasia, carnaval é massa com democracia”, aborda temas como racismo, assédio, LGBTfobia, abuso de crianças e adolescentes, acessibilidade, desrespeito aos grupos identitários e inclusão social. Além da Lei Municipal nº 3.276/2019, de autoria do Vereador Professor Gilmar Santos (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Câmara Municipal, que obriga a veiculação de mensagens contra as mais diversas formas de violência em eventos públicos patrocinados ou organizados pelo poder público municipal.

Realizada pelo Mandato Coletivo do Vereador Professor Gilmar Santos, a ação é mais iniciativa do parlamentar com a finalidade de fortalecer a luta em defesa dos Direitos Humanos. “Essa campanha tem como objetivo conscientizar a nossa população nesse período muito especial que é o carnaval, período em que a gente espera não só uma cultura da festa, de alegria, mas também uma cultura de paz, uma cultura de respeito; e nada é mais apropriado que promover uma campanha ativa em defesa dos direitos de cada cidadão, de cada cidadã”, pontuou Gilmar.

Foto: Divulgação

A campanha continuará nas ruas da cidade durante os quatro dias de festa, a partir do próximo sábado (22), seguindo até a terça-feira (25), e levará de forma lúdica, imagens, frases e carimbos com frases e mensagens voltadas para o respeito à diversidade.

Para Gilmar, em razão do número de pessoas que lotam as ruas do centro e dos bairros de Petrolina, torna-se necessário pautar o combate a toda e qualquer forma de violência. “Todos têm o direito de participar da festa e serem protegidos/as. Por isso, esta campanha em defesa da diversidade, da população LGBTQI+, do direito da mulher em ter a sua liberdade e não ser assediada, da segurança das nossas crianças e adolescentes que vão participar da festa, dos nossos idosos, da população negra e indígena e das pessoas com deficiências”, concluiu.

As informações são da assessoria de Comunicação do Mandato Coletivo

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Brasileiros reagem a vídeo publicado por Bolsonaro e pedem impeachment

Presidente da República tentou desqualificar o carnaval no Brasil em sua conta no Twitter na última terça-feira (5)

Foto: Reprodução.

A quarta-feira de cinzas de 2019 amanheceu com pedidos de impeachment do presidente Jair Bolsonaro (PSL) nas redes sociais. O motivo foi a publicação de um vídeo na conta do presidente de extrema direita no Twitter, nesta terça-feira (5), em que uma pessoa aparece urinando na cabeça da outra em uma via pública. Os internautas brasileiros subiram a hashtag #ImpeachmentBolsonaro. Outras hashtags em alta são: #VergonhaDessePresidente e #GoldenShowerPresident, em referência ao nome em inglês dessa prática.

Os pedidos de impeachment têm base na lei 1.079, a Lei dos Crimes de Responsabilidade ou Lei do Impeachment da Constituição Federal. O parágrafo 7 do Artigo 9º da lei, que trata dos crimes contra a probidade na administração, afirma que é crime “proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo”.

Segundo o jurista Miguel Reale Júnior, autor do pedido contra Dilma Rousseff, a ação de Bolsonaro é passível de impeachment. Ao jornal O Globo, Reale Júnior afirmou que o conceito de decoro “requer a decência, compostura, respeito ético e moral e, também, a discrição de quem ocupa um cargo público”. Ele acrescenta que o Código Penal considera mais grave o crime de divulgação de ato obsceno em lugar público, do que o ato em si.

O deputado federal (PT-RS), Paulo Pimenta afirmou que protocolará nesta quinta, em Brasília, com aval da bancada do partido, uma notícia-crime solicitando ao Ministério Público Federal (MPF) que apure se Bolsonaro cometeu crime, com base na lei 13.718.

O deputado federal (PT-SP), Paulo Teixeira, também mencionou a ação em sua conta do Twitter: “vamos representar Jair Bolsonaro pelo vídeo que postou. A lei 13.718, recentemente aprovada, tipifica o crime de divulgação, sem o consentimento da vítima, de cena de sexo, nudez ou pornografia”

Vamos representar Jair Bolsonaro pelo vídeo que postou. A lei 13.718, recentemente aprovada, tipifica o crime de divulgação, sem o consentimento da vítima, de cena de sexo, nudez ou pornografia pic.twitter.com/beCXOlHzFm

— Paulo Teixeira (@pauloteixeira13) 6 de março de 2019

Pimenta também disse considerar fazer um pedido de teste de sanidade mental de Bolsonaro e pediu a exclusão da conta do presidente do Twitter: “Não podemos descartar a possibilidade de solicitar um teste de sanidade mental. O país pode estar nas mãos de uma quadrilha, além de envolvida com corrupção e milícias, chefiada por um psicopata que nos levará ao caos. A conta dele deve ser banida imediatamente pelo Twitter!”.

O teólogo Leonardo Boff foi um dos que considerou a possibilidade do impeachment: “Um presidente que tem a coragem de mostrar num vídeo cenas pornográficas, se desmoraliza totalmente. Creio que mereceria um impeachment, pois está destruindo o país, seduzindo crianças que podem ver o vídeo e sendo uma vergonha internacional. Ele não tem dignidade nenhuma”.

Um presidente que tem a coragem de mostrar num vídeo cenas pornográficas, se desmoraliza totalmente. Creio que mereceria um impeachment, pois está destruindo o país, seduzindo crianças que podem ver o vídeo e sendo uma vergonha internacional. Ele não tem dignidade nenhuma.

— Leonardo Boff (@LeonardoBoff) 6 de março de 2019

Mundo atônito

A notícia da divulgação do vídeo, e a pergunta feita na mesma rede social nesta quarta-feira pelo presidente após a repercussão (“O que é golden shower?”), tornou-se mundial. Os principais jornais do mundo divulgaram a notícia. Sob o título Brazil’s Culture Wars Make a Graphic Appearance in Bolsonaro’s Twitter Feed (“Guerras culturais do Brasil fazem uma aparição gráfica no Twitter de Bolsonaro”), o The New York Times afirmou que: “Embora Bolsonaro tenha dito que o vídeo representa um tipo de comportamento que é cada vez mais comum durante o Carnaval – uma instituição cultural amada, embora hedonista e regada a álcool, no Brasil – choveram reações dos brasileiros que discordaram.”

O jornal britânico The Guardian, afirmou que Bolsonaro foi ridiculizado pela postagem. O jornal usou o título: Brazil’s Bolsonaro ridiculed after tweeting explicit carnival video (“Bolsonaro do Brasil ridicularizado após twittar vídeo de carnaval explícito”).

Segundo o site russo RT, “Bolsonaro, que é abertamente homofóbico, parece estar criticando a festa anual de seis dias realizada no Brasil nesta semana e é popular entre os gays. Muitos ficaram chocados com a possibilidade de um presidente postar conteúdo tão explícito com um vídeo que faz os tuítes mais escandalosos do presidente Donald Trump empalidecerem em comparação”.

Já a Reuters, agência britânica de notícias, lembrou que o carnaval de 2019 tornou-se ainda mais politizado “após a eleição de Bolsonaro e o assassinato em 2018 da vereadora carioca Marielle Franco, uma ativista dos direitos dos gays e dos negros cujo assassinato em 2018 continua sem solução”. A agência afirma que Bolsonaro “chocou” o Brasil com o tuíte.

O site The Intercept Brasil publicou uma matéria na qual especula se a postagem do presidente foi feita por seu filho, Carlos Bolsonaro, tido por ele como “guru das mídias sociais”.

 

Via Brasil de Fato

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Com homenagem a Marielle e aos heróis esquecidos, Mangueira é campeã

A Verde e Rosa ousou ao cantar e contar sobre os heróis negligenciados pelos livros da História do Brasil

Foto: Reprodução.

Cantando e contando sobre os heróis negligenciados pelos livros de História do Brasil, a Estação Primeira de Mangueira é a grande campeã do carnaval carioca. O resultado do grupo especial do Rio de Janeiro foi divulgado no início da noite desta quarta-feira 6.

A Verde e Rosa ousou e fez a prometida homenagem à vereadora Marielle Franco, um dos momentos mais aguardados. Muitos levaram a placa “Rua Marielle Franco”, outras com “Mari Presente”, e também “Justiça por Marielle”.

Na arquibancada popular, mais manifestações, entre elas um bandeirão com o rosto da carioca, assassinada em 14 de março do ano passado. Na pista, as referências à vereadora apareceram na comissão de frente e na última ala. Ao longo da escola, que levou o Estandarte de Ouro de melhor escola do Grupo Especial, apareceram personagens como Luisa Mahin, Esperança Garcia e Chico da Matilde.

As escolas foram avaliadas nas categorias bateria, samba-enredo, harmonia, evolução, enredo, mestre-sala e porta-bandeira, alegorias e adereços, fantasias e comissão de frente. A Mangueira obteve a pontuação máxima em todos os quesitos. Viradouro (2º), Vila Isabel (3º), Salgueiro (4º) e Portela (5º) completam as cinco primeiras colocações do Carnaval do Rio. Imperatriz Leopoldinense e Império Serrano foram rebaixadas

 

Via Carta Capital

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Vereador Gilmar Santos lança campanha de carnaval com tema “direito humano não é fantasia, carnaval é massa com democracia”

“Essa campanha tem como objetivo conscientizar a nossa população nesse período muito especial que é o carnaval, período em que a gente espera não só uma cultura da festa, de alegria, mas também uma cultura de paz, uma cultura de respeito; e nada é mais apropriado que promover uma campanha ativa em defesa dos direitos de cada cidadão, de cada cidadã”, disse.

Foto: Divulgação Ascom

O carnaval é um festival que acontece anualmente entre os meses de fevereiro e março, período conhecido como tempo da septuagésima, e é uma das manifestações culturais mais populares no Brasil. As festividades marcadas por cores e fantasias, pelo frevo, pela dança e pela miscigenação cultural, muitas vezes também são marcadas pela violência, pelo desrespeito.

Pensando nisso é que o presidente da comissão de Direitos Humanos, vereador Gilmar Santos (PT), junto ao seu Mandato Coletivo, criou a campanha de carnaval “direito humano não é fantasia, carnaval é massa com democracia”. A ação, que faz parte da agenda do Mandato, busca fortalecer a luta em defesa dos Direitos Humanos.

De acordo com Gilmar, “Essa campanha tem como objetivo conscientizar a nossa população nesse período muito especial que é o carnaval, período em que a gente espera não só uma cultura da festa, de alegria, mas também uma cultura de paz, uma cultura de respeito; e nada é mais apropriado que promover uma campanha ativa em defesa dos direitos de cada cidadão, de cada cidadã. Uma campanha em defesa da diversidade, da população LGBTQI+, do direito da mulher em ter a sua liberdade e não ser assediada, da segurança das nossas crianças e adolescentes que vão participar da festa, dos nossos idosos, das pessoas com deficiências (…) Todos tem o direito de participar da festa e serem protegidas”.

Foto: Fernando Pereira

A campanha será lançada no próximo sábado (23), durante a abertura do carnaval de Petrolina, e abordará temas como Racismo, Assédio, LGBTfobia, Abuso de Crianças e Adolescentes, Acessibilidade e inclusão.

“Nós esperamos muito que seja um momento de conscientização e também de superação de preconceitos, pois, acreditamos que somente quando cada ser humano se conscientizar sobre a importância do seu direito e do respeito para com o outro, nós teremos uma democracia efetiva e uma cultura de paz, uma cultura realmente de festa, como esperamos que seja esse carnaval”.

Assessoria de Comunicação do Mandato Coletivo do vereador Gilmar Santos (PT)

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População já elegeu a campeã do carnaval do Rio de Janeiro: Paraíso do Tuiuti

O desfile da escola de samba – marcado por protestos contra o governo, os “paneleiros” e as reformas de Temer – é o assunto mais comentado das redes sociais e lidera de forma isolada uma votação sobre a melhor escola da primeira noite do carnaval do Rio.

Uma das alas fez críticas às reformas trabalhista e da Previdência. (Foto: NINJA)

Independente da apuração oficial que vai definir a campeã do grupo especial das escolas de samba do Rio de Janeiro, o povo já elegeu sua favorita: Paraíso do Tuiuti.

A agremiação ousou e trouxe para a Sapucaí uma verdadeira aula de história sobre escravidão, racismo, manipulação da mídia e as relações de poder como um todo no Brasil. Com o enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, sobre os 130 anos da Lei Áurea, a agremiação fez duras críticas ao atual governo e expôs, em uma das alas, como a reforma trabalhista e da Previdência representariam essa nova escravidão no Brasil.

Um homem fantasiado de Michel Temer “vampiro” e uma ala ironizando os paneleiros que, manipulados pela mídia, saíram às ruas para pedir o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, foram destaque e caíram no gosto de espectadores e internautas. A repercussão foi tanta que o nome da escola de samba é o termo mais mencionado no Twitter do Brasil desde as primeiras horas da manhã.

No site UOL, uma enquete sobre a melhor escola de samba da primeira noite de desfiles confirma os rumores das redes: de forma isolada, com quase 90% dos votos, a Paraíso de Tuiuti lidera a preferência.

http://www.revistaforum.com.br

 

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Petrolina e o carnaval do povo encurralado

“Esse é o retrato da famigerada parceria público x privado, ideia e negócio dominante numa maioria de legisladores e governantes no Brasil, que pactuando com a economia neoliberal, transforma tudo em negócio. No carnaval isso não vem sendo diferente”.* Por Moisés Almeida.

Não sou desses foliões que participa de blocos e tem a tradição de não perder um dia de momo. Geralmente participo indo um ou dois dias, especialmente para rever amigos e amigas, e, apreciar a criatividade de nossa gente a partir de suas fantasias. Afinal, Carnaval é assim: “elemento constitutivo do modo de vida especificamente popular de uma nação, consistindo num conjunto de cerimônias, de rituais coletivos, pois na festa há sempre algum motivo de agregação dos participantes, que reafirmam laços sociais e aproximam os homens, traduzindo a cultura popular, a linguagem do povo e sua própria identidade” (LEITE; CAPONERO; PEREZ, 2010).

Foto: Moisés Almeida

Tive a oportunidade de participar da festa em 2017 aqui em Petrolina, e me agradou muito a forma espontânea de seus participantes, mescladas em dois polos principais, muito próximos um do outro. Como já estou na minha quinta década de vida, apreciei bastante o polo da 21 de setembro. Marchinhas antigas, blocos, músicas de antigos carnavais, frevo e tudo muito tranquilo, sem qualquer expectativa de violência. Acertada decisão do poder público municipal que promoveu uma boa festa momesca. “O carnaval é comumente definido como a festa da confraternização universal, a festa da democracia social e racial, que une e iguala a todos: brancos e pretos, ricos e pobres. Esta proposta universalidade da festa, capaz de destruir as diferenças e desigualdades culturais internas, de unificá-las e de promover a integração social, possibilitou sua conversão em símbolo da identidade nacional (ARAÚJO, 1996, p. 19).Nesse ano de 2018 fui novamente a folia de momo e me deparei com essas imagens que reproduzo nesse texto. São imagens de ruas fechadas com zinco, entrada parecendo caminho de curral, polo carnavalesco totalmente fechado. Que cena horrível, imagens não dignas de uma folia do povo. “Apesar de que a metafísica social acredita que a folia e a alegria existem por si, em sim, como um fim em si mesmo. A cisão entre o real da exploração e a ludicidade de qualquer manifestação artística permanecem como estrutura da sociedade alienada. A alegria dos foliões parece estar desprendida da realidade real, do mundo das relações concretas. (MYKONIOS, 2011). Vi gente decepcionada com a forma de ser recebida no polo da 21 de setembro: duas entradas com proibição de porte de qualquer tipo de bebida. A praça, as ruas, os becos, privatizados em nome do mercado grotesco, que não tem escrúpulos e transforma a vontade popular, numa mera mercadoria assujeitada. “Transformar tudo em mercadoria não é simplesmente colocar preço em todas as coisas. O preço é apenas a expressão visível e material desse processo. A mercadoria se forma anteriormente ao preço, como produto de uma relação em que o tempo de exploração quantifica a medição do valor e cria a necessidade de uma mediação formal” (MYKONIOS, 2011).

Foto: Moisés Almeida

Triste realidade encontrada por aqueles que acostumados a festa ao ar livre, tiveram que experimentar o circuito fechado, lógica que já se instalou no Brasil em outros lugares, desde algumas décadas e que é apropriada pelo poder público municipal como sendo a saída pela sua falta de estratégia em atrair recursos para fazer uma festa autenticamente popular. Essa lógica já faz parte do gerenciamento de Petrolina em suas festas juninas. Lembro que em 2012, fiz um artigo titulado “na seca, sem pão e no circo”, tecendo críticas ao montante de gastos com o São João em plena época de dificuldades com a falta de chuvas. Ainda assim, a lógica do mercado continuou e continua. Mesmo mudando de gestão municipal em 2017, a festa junina continua com os mesmos padrões, apesar da alegada economia de recursos. Nesse sentido, Julio Lóssio e Miguel Coelho não se diferenciam quando planejam e executam “festas populares”. Essa mesma coesão de festa particular, onde recursos públicos se unem aos recursos privados, estamos também experimentando no Carnaval de 2018. “Em sua essência, o carnaval de rua brasileiro é uma festa que contrasta com a lógica capitalista de organização social. A ocupação dos espaços públicos, a mitigação de hierarquias, as iniciativas coletivas que organizam os blocos e as interações despretensiosas entre os foliões divergem da lógica do privado, dos empreendimentos individuais, da finalidade do lucro e das relações sociais mediadas pelo interesse próprio” (ROSSI, 2014). Infelizmente como diz Benjamim (1987), “o processo econômico assume a forma de festas populares capitalistas através do entretenimento de massa e se torna ele próprio um grande negócio.”

Foto: Moisés Almeida

Maior surpresa tive, quando navegando na grande rede encontrei uma nota da secretaria responsável pelo empreendimento, informando porque fez a opção desse tipo de carnaval. A desculpa é das mais esfarrapadas possíveis: para garantir segurança aos foliões. Segue a nota: “Seguindo o novo modelo, não será permitida a entrada de pessoas portando bebidas, garrafas de vidros, copos de vidros, isopores, bolsas térmicas, caixas térmicas ou qualquer outra forma de armazenar e transportar bebidas, sejam elas alcoólicas ou não. Tais medidas visam evitar a entrada de armas e também reduzir a aglomeração na hora da revista pessoal”. Se o motivo é a segurança, claro que deveríamos ter dados do carnaval anterior, sobre a quantidade de brigas, tentativas de assassinatos, acidentes com garrafas de vidro, problemas com garrafas térmicas etc. Não temos e não teremos, pois pelas minhas lembranças o carnaval nos dois polos no centro da cidade foi tranquilo, especialmente tranquilo no polo da 21 de setembro. Seria mais honesto por parte da prefeitura, informar os reais motivos da privatização da festa e não vir com conversa fiada. “Evidentemente, a sina do capitalismo de penetrar nas várias esferas da sociedade e de transformar tudo em mercadoria se apodera de parte do carnaval que vira negócio, atende aos interesses de patrocinadores, seleciona e elitiza o público pela venda de abadás, pelas festas nos clubes, etc” (ROSSI, 2014).

Foto: Moisés Almeida

Esse é o retrato da famigerada parceria público x privado, ideia e negócio dominante numa maioria de legisladores e governantes no Brasil, que pactuando com a economia neoliberal, transforma tudo em negócio. No carnaval isso não vem sendo diferente. “Marcadamente caracterizada por um processo de mercantilização da festa e que constitui o que tem sido aqui referido como carnaval-negócio, parece sugerir uma nova oposição importante, “público x privado”, que atualiza e requalifica as anteriores oposições que sempre caracterizaram a festa (OLIVEIRA, 1996). Essa estratégia não é de hoje. Segundo Silva (2004, p. 60), “o inicio da mudança da estrutura do Carnaval pode ser identificado a partir da ascensão de organizações de mercado. Principalmente por meio de concorrência e do apoio do Estado e da mídia, essas organizações puderem alterar o valor de capitais específicos, o que implicou uma valorização do capital econômico (e principalmente do capital empresarial) na definição da posição de atores, em detrimento da posse do que, chamou –se de capital de tradição ou da tradição lúdica”. O que vemos é o que está acontecendo em Petrolina, num governo onde a lógica do privado encobre o público, e o mercado, mesmo que seja da cerveja, domina o direito de ir e vir.

Foto: Moisés Almeida

Contudo, como diz Rossi (2014) “ainda persiste nas ruas das cidades brasileiras, o carnaval genuíno e espontâneo que constitui um espaço de resistência ao movimento de mercantilização das esferas sociais promovido incessantemente pela economia de mercado. Brincar o carnaval na rua é vivenciar outro espaço de sociabilidade que, apesar de efêmero, consegue dar uma injeção de ânimo no povo brasileiro”. Esperamos que haja resistência, como aquela que presenciei na orla, fora do curral, nas proximidades do posto e nas ruas. Essa resistência o privado não pode conter. Só assim poderemos fazer um carnaval popular, onde a festa do encontro e da diversidade, se sobressaem sobre a sanha do mercado e do circo armado pelo poder público, que teima em fazer um espetáculo contra o povo.

*Moisés Almeida é Mestre em História do Brasil e professor Assistente da UPE Campus Petrolina e FACAPE.

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Chuva não desanima foliões no último dia de Carnaval em Petrolina e banda Araketu encerra festa com grandes sucessos baianos

Uma multidão acompanhou ainda os shows das bandas Matingueiros, Super Banda e Trio Granah.

Carnaval 4Nem a chuva reduziu a animação dos foliões que foram curtir o último dia do Carnaval de Petrolina. A despedida da festa de Momo foi marcada por uma mistura de ritmos culturais, com destaque para o tradicional axé da Banda Araketu, que encerrou a folia no polo da Orla.

Uma multidão acompanhou ainda os shows das bandas Matingueiros, Super Banda e Trio Granah. O público aprovou a diversidade de gêneros musicais e muitos foliões brincavam como se a festa estivesse começando, sem lembrar que era o último dia de Carnaval. “Adorei o Carnaval de Petrolina. Todos estão de parabéns por realizar uma festa tão bonita, que preservou as manifestações culturais. Essa mistura de ritmos com certeza agradou a todos os gostos”, destacou a estudante Cristiane Pereira.

Depois de quatro noites de muita folia, desfile de blocos e vários shows, o Carnaval 2017 chega ao fim e já deixa saudades, segundo o vendedor ambulante, Milton Rodrigues. “Valeu muito a pena ter vindo, o saldo das minhas vendas foi bastante positivo, ano que vem espero estar novamente aqui”, comemorou.

Banda Araketu

O axé tomou conta do palco montado na Avenida Joaquim Nabuco, durante as primeiras horas da ingrata quarta-feira de cinzas. A banda baiana Araketu relembrou grandes sucessos que embalaram os anos de 1990 e 2000, como ‘Mal Acostumado’, ‘Amantes’, ‘Cobertor’, ‘Pipoca’, ‘Festa na Cidade’, ‘Toma Lá da Cá’, ‘Ô, Meu Pai’, ‘A Voz da Multidão’ e ‘Araketu é Bom Demais’.

Tonho Matéria e Linoy, vocalistas do grupo, contaram que estavam muito felizes em se apresentar na cidade depois de muito tempo. “É a primeira vez que estamos cantando em Petrolina com essa nova formação do Araketu. Hoje, vamos fazer um show com muita mistura de ritmos e, claro que os hits da banda não podem faltar. Vamos brincar, harmonizar, curtir e viver fortes emoções ao som do Araketu”, destacaram.

Poliane Andrade, que é fã do grupo baiano, curtiu a festa mesmo embaixo de chuva.  “Estou aqui por conta de Araketu. Acho o trabalho deles maravilhoso. Todas as músicas estão na boca do povo”, disse.

Texto Lilian Teles

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O carnaval vai esconder a Salvador de verdade

Salvador se prepara para sediar aquele que é chamado de ‘o maior carnaval do mundo’; nele, entretanto, serão maquiados e excluídos os problemas da cidade. Por Mailson Ramos*

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A política do faz de conta criou uma Salvador dos sonhos para quem nela chega pela primeira vez: é uma cidade sem miseráveis, sem moradores de rua, sem pedintes escorados nas paredes das esquinas ou mergulhados sob um viaduto. É que aqui se aprendeu a esconder as mazelas sociais com panis et circensis.

Do pão que se come e do circo que se assiste não sobra nada para os menos favorecidos. Eles serão de novo escoltados para outros bairros para não mostrar que Salvador é uma cidade de desigualdades gritantes. Enquanto muitos vão gritar atrás do trio, embriagados pelos feitos de Momo, uma minoria exclusa vai gritar de fome nos passeios públicos.

Estigmatizados, os moradores de rua definham sem a pretensão de fazer parte da festa que um dia foi do povo. O povão, na verdade, continua excluído do carnaval de Salvador, este processo de elitização dos espaços públicos. Continua sendo uma festa para quem paga e uma decepção para quem busca um resquício de cultura popular. Mesmo porque até os tradicionais blocos de cultura africana cederam aos apelos do ‘quem paga mais’.

Salvador é o reflexo da política de maquiagem social que cura todas as feridas e mazelas da cidade com festa e praças bonitas. Durante o carnaval é possível que a integração não funcione, como também não funcionará os hospitais antes, durante e depois da festa de rua. Mas o soteropolitano curará todas as dores no convincente anúncio publicitário que apresenta todos os dias, em cores vivas, uma cidade encantadora.

A primeira capital do Brasil é uma cidade que exclui, mas que sabe condensar a gama de injustiças perpetradas contra os mais fracos, transformando obrigação administrativa em favor. A cidade do litoral bonito continua impávida, colossal, com os seus paredões assentados com mármore. Possivelmente o número de pedras na orla assentadas é o mesmo de pessoas que não recebem atendimento nos postos médicos de urgência.

E todo este processo conta com a mão da mídia, aqui mais corporativa e familiar do que em qualquer em outro lugar do país. As emissoras de TV que transmitem o carnaval de Salvador farão – como só elas sabem – parte deste teatro da hipocrisia: não vão mostrar o que existe para manter a imagem da ‘Salvador dos sonhos’. Serão assim todos os dias de carnaval: esconderão a violência, os assaltos, os erros de uma festa cada vez menos popular.

Vanitas vanitatum et omnia vanitas. A vaidade corrompe uma cidade que posa de brinco da princesa quando é reduto de desempregados, preserva uma desigualdade abismal e não respeita aqueles que a consideram a Roma Negra. Salvador precisa de um choque de realidade. Precisa se reconhecer como berço do abismo entre ricos e pobres, injusta, avessa ao cidadão. No dia em que isto acontecer, mesmo o carnaval deixará de ser uma festa para elitizados e voltará para a pipoca, os reais donos de uma folia que nasceu do povão.

*Mailson Ramos é escritor, profissional de Relações Públicas e autor do blog Nossa Política. Escreve semanalmente para Pragmatismo Político.

http://www.pragmatismopolitico.com.br/

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Denunciar para Proteger: Petrolina contra o abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes

Campanha promovida pelo mandato coletivo do vereador Gilmar Santos visa construir uma cultura de cuidado e proteção

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Ascom

O Brasil ainda é um país com altos índices de exploração e abuso sexual de crianças e adolescentes. São 50 casos registrados por dia e mesmos com os avanços proporcionados pelo Estatuto das Crianças e dos/as Adolescentes são assustadores as situações de violências a que estão submetidos esses/as sujeitos/as de direitos. Em 2015, o Disque 100 registrou 17.588 denúncias de violências sexuais, o que se apresenta alarmante, ainda mais quando sabemos que muitos dos casos não são registrados.

Os abusos sexuais acontecem em diferentes situações e por diversos sujeitos, inclusive familiares. Os estupros ocorrem também de modo coletivo, como o caso da adolescente no Rio de Janeiro que estarreceu a sociedade brasileira. A maioria das vítimas são mulheres, negras, pobres e periféricas. Filhas de trabalhadoras e trabalhadores que, pela escassez de políticas públicas e recursos econômicos, encontram-se em situações vulneráveis a toda forma de violência.

Os índices de violências sexuais tendem a crescer em períodos do ano como o carnaval. A festa que alegra nossos espíritos também violenta os corpos de nossas crianças e adolescentes, sem falar da indústria montada para exploração sexual/econômica desses mesmos corpos.

No sentido de construirmos uma cultura do cuidado e proteção desses/as sujeitos/as é que lançamos a campanha “Denunciar para Proteger: Petrolina contra o abuso e exploração sexual de crianças e adolescente”. Estimulando assim que toda a população esteja mobilizada a denunciar os casos de violências ocorridos em nossa cidade, principalmente nesse período carnavalesco.

Ascom

Mandado Coletivo

Vereador Pofº Gilmar Santos

 

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Carnaval acontecerá sem a participação do Cortejo Afro

Os povos de terreiros ficam de fora porque não receberam apoio da Prefeitura

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Ascom

O Cortejo Afro, que reúne os povos de terreiros de Petrolina, não vai participar do carnaval 2017. Faltou estrutura para atender os mais de 300 terreiros do município, que defendem as religiões afro-brasileiras. O Cortejo tem um ritual religioso para entrar na avenida que envolve carro alegórico, perfumes, flores e percussão. Diferente do que foi feito pelos blocos carnavalescos tradicionais, que segundo a Secretaria de Cultura de Petrolina receberam toda estrutura, os povos de terreiros não receberam os recursos necessários para viabilizar a participação no desfile.

terreiros
Ascom

Em janeiro, Antonio Matos, coordenador do Cortejo Afro, apresentou à Secretaria de Cultura um projeto que justificava os recursos da ordem de 12 mil reais para a criação de estrutura de desfile de 16 terreiros de Petrolina. “A Secretaria achou o valor alto. Nós explicamos que para defender nossa cultura precisamos seguir o ritual dos terreiros na avenida. Tem transporte, tecidos, etc. Os recursos não foram liberados e ficamos de fora. Nós entendemos que a negação do direito da participação dos povos é um retrocesso cultural”, explicou Antonio.

Em 2012 foi aprovada pela Câmara de Vereadores, e sancionada pelo então Prefeito Julio Lossio, a Lei Municipal nº 2.472/2014, que autoriza a inclusão da Associação Espírita e de Cultos Afro-Brasileiros no Carnaval Oficial de Petrolina, projeto de autoria da Vereadora Cristina Costa (PT).

Ascom/Cristina Costa (PT)