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Brasil supera 340 mil mortes por covid-19 em dia com 3.829 vítimas

Fiocruz alerta para aumento da letalidade da covid-19 no Brasil e pede por lockdown de 14 dias

O Brasil ultrapassou a marca de 340 mil mortos por covid-19. Nas últimas 24 horas, foram registradas 3.829 vítimas, um dos dias mais letais do surto.

Na terça-feira (6) foram registradas mais de 4 mil mortes, um recorde no país. O pior momento da pandemia continua se agravando, enquanto medidas para a contenção do vírus seguem tímidas ou inexistentes.

Em relação ao número de novos infectados, foram 92.625 no último período, totalizando 13.193.205 doentes desde o início do surto, em março de 2020.

Trata-se de um valor elevado diante do registrado nos últimos cinco dias, o que revela o descontrole da transmissão da covid-19 no Brasil.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou um boletim extraordinário que atesta esse descontrole e pede por medidas duras de isolamento, o lockdown.

“Ao longo da última semana foram registrados valores recordes de óbitos por covid-19 superando-se a marca de 3 mil mortes diárias (…) Na última semana observou-se um novo aumento da taxa de letalidade, de 3,3% para 4,2%, o que pode ser consequência da falta de capacidade de se diagnosticar correta e oportunamente os casos graves, somado à sobrecarga dos hospitais”, afirma a Fiocruz, que alerta para uma subnotificação dos dados, mesmo em valores elevados.

Outra voz que alerta para a necessidade de intensificar medidas de isolamento é a de Anthony Fauci. Líder da força-tarefa contra a pandemia nos Estados Unidos, Fauci é uma das maiores autoridades em epidemiologia do mundo. Ele disse, em entrevista coletiva, que “todos reconhecem que há uma situação muito grave no Brasil” em relação à covid-19.

“Não há dúvida de que medidas severas de saúde pública, incluindo lockdowns, têm se mostrado muito bem-sucedidas em diminuir a expansão dos casos. Então, essa é uma das coisas que o Brasil deveria pensar e considerar seriamente dado o período tão difícil que está passando”, alertou o especialista.

Indicações

A Fiocruz, desde o início do ano, avisa sobre a iminência de um colapso na rede hospitalar de todo o país, o que de fato ocorreu. Hoje, faltam leitos de UTI em todas as regiões do país; pessoas morrem sem conseguir atendimento médico necessário.

Os apelos da instituição e de um grande número de cientistas foram ignorados desde o início da pandemia pelo governo do presidente Jair Bolsonaro.

O político, ao contrário, sempre adotou uma postura negacionista; minimizou a pandemia, ridicularizou o uso de máscaras, promoveu e incentivou aglomerações e chegou a atacar vacinas com informações falsas e imprecisas.

Diante do cenário caótico, a Fiocruz reforça as recomendações. Entre elas estão: “proibição de eventos presenciais, como shows, congressos, atividades religiosas, esportivas e correlatas em todo território nacional; a suspensão das atividades presenciais de todos os níveis da educação do país; o toque de recolher nacional a partir das 20h até as 6h da manhã e durante os finais de semana; o fechamento das praias e bares; a adoção de trabalho remoto sempre que possível, tanto no setor público quanto no privado; a instituição de barreiras sanitárias nacionais e internacionais, considerados o fechamento dos aeroportos e do transporte interestadual; a adoção de medidas para redução da superlotação nos transportes coletivos urbanos; a ampliação da testagem e acompanhamento dos testados, com isolamento dos casos suspeitos e monitoramento dos contatos”.

Colapso

O boletim pede que essas medidas sejam tomadas por 14 dias para reduzir a pressão sobre o sistema de Saúde e reduzir o elevado número de mortes diárias. Das 27 unidades da Federação, 19 estão com os sistemas hospitalares colapsados.

São elas: Rondônia (96%), Acre (95%), Amapá (91%) e Tocantins (95%); Piauí (97%), Ceará (96%), Rio Grande do Norte (97%), Pernambuco (97%) e Sergipe (95%); Minas Gerais (93%), Espírito Santo (94%), Rio de Janeiro (91%) e São Paulo (91%); Paraná (95%), Santa Catarina (99%) e Rio Grande do Sul (90%); e no Centro Oeste, Mato Grosso do Sul (106%), Mato Grosso (98%), Goiás (96%) e Distrito Federal (99%).

Enquanto isso, a aposta do país para a superação da crise reside na vacinação. Entretanto, o ritmo é lento. De acordo com dados do governo federal, foram entregues e distribuídas 42.956.226 doses, sendo que 21.997.737 já foram aplicadas.

Somente 10,33% da população já receberam a primeira dose e 2,27% a segunda. Do total de doses aplicadas, 80% são da CoronaVac, vacina atacada e rejeitada por Bolsonaro, produzida à revelia do governo federal pelo Instituto Butantan, em São Paulo.

A RBA utiliza informações fornecidas pelas secretarias estaduais, por meio do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).

Eventualmente, elas podem divergir do informado pelo consórcio da imprensa comercial. Isso em função do horário em que os dados são repassados pelos estados aos veículos. As divergências para mais ou para menos são sempre ajustadas após a atualização dos dados.

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Brasil registra mais de 4 mil mortes por Covid-19 em 24h, recorde na pandemia

Números desta terça-feira (6) confirmam previsões de infectologistas e cientistas

Parentes de vítimas da Covid-19 acompanham sepultamento em Manaus (Michael Dantas/AFP)

O Brasil superou nesta terça-feira (6) a marca negativa de 4 mil mortes registradas em 24 horas em decorrência da Covid-19: foram 4.195 óbitos, conforme apuração do Conselho Nacional de Secretários da Saúde. Até hoje, apenas dois países registraram mais de 4 mil mortes em um dia: Estados Unidos, em janeiro deste ano, e Peru, em agosto de 2020, após a revisão de dados.

Ao todo, a Covid-19 já tirou a vida de 336.947 brasileiros. Os números desta terça-feira (6) confirmam previsões de infectologistas e cientistas sobre o agravamento da pandemia no país neste ano. Desde março, o Brasil é o país com mais óbitos diários por Covid-19 no mundo. A segunda posição é dos Estados Unidos, que confirmaram 515 mortes nessa segunda-feira (5).

O cenário para a sequência do mês de abril é de mais óbitos. O número de infectados também não para de subir: foram 86.979 casos nas últimas 24 horas, totalizando 13.100.580.

562 mil mortes

Uma projeção feita pela Universidade de Washington, dos Estados Unidos, aponta que, até 1º de julho, o Brasil pode alcançar a marca de 562,8 mil mortes em decorrência da Covid-19.

Até hoje, a pandemia já provocou 330,2 mil óbitos no país, segundo dados do consórcio de veículos de imprensa. Caso a projeção se confirme, será uma alta de 70,4% em pouco menos de três meses.

O estudo, feito pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), ligado à universidade, prevê três cenários. O número de 562,8 mil mortes refere-se ao cenário mais provável, no qual vacinas são distribuídas sem atrasos, governos determinam novas medidas restritivas com duração de seis semanas toda vez que o número de mortes diárias ultrapassar 8 casos por milhão de habitantes (hoje, esse índice chega a 13), vacinados deixam de usar máscaras somente três meses após a segunda dose, entre outras variáveis.

Em um cenário mais positivo, que considera os mesmos pontos do anterior, mas com a diferença de que 95% da população estaria usando máscaras, o número de óbitos estimado cai para 507,7 mil, o que ainda representaria um salto expressivo de 53,7% no número de vítimas, mas também 55 mil vidas salvas pelo simples uso da proteção fácil. A mudança de comportamento, porém, não deverá ser fácil já que a estimativa do IHME é de que, hoje, somente 69% dos brasileiros usem máscara sempre que saem de casa.

Já no pior cenário, no qual variantes mais transmissíveis se espalham por locais sem registro de novas cepas e pessoas vacinadas deixam de usar máscaras apenas um mês após a segunda dose e aumentam sua mobilidade a níveis pré-pandemia, o número de mortes estimado é de 597,7 mil.

Os pesquisadores do IHME estimam ainda que o pico de mortes diárias do Brasil deve ocorrer em 24 de abril, quando o país pode alcançar 3.930 óbitos. De acordo com o instituto, só a partir daí os números começariam a baixar, mas, pela projeção do cenário mais provável, ainda

continuariam acima de mil em julho. O modelo do IHME é o que tem embasado as políticas de saúde da Casa Branca.

 

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Brasil registra 3438 mortes e fecha semana com recorde de infecções por covid-19

Na semana epidemiológica que se encerra neste sábado (27), Brasil teve 539.903 casos registrados da doença

Com novas cepas no país, cresce número de mortes entre jovens – Reprodução

Nas últimas 24 horas, o Brasil registrou 3.438 mortes por covid-19. Este é o terceiro registro em que a marca de 3 mil mortes foi ultrapassada desde o início da pandemia do novo coronavírus. Todos ocorreram nessa semana.

Segundo os dados da Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o total de óbitos registrados pelo vírus no país agora está em 307.112.

Ainda segundo o Connas, a semana epidemiológica que se encerra hoje (27) é a com maior registro de casos desde o início da pandemia: 539.903. Esta foi a terceira semana consecutiva com mais de meio milhão de casos registrados.

No total, o país chegou a cifra de 12.490.362 infectados pelo vírus, sendo 85.948 casos somente no último período.

A escalada de casos e mortes ocorre principalmente entre pessoas mais jovens. É o que aponta um levantamento do projeto “UTIs brasileiras”, da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), divulgado hoje.

Os números evidenciam que o percentual de pessoas de até 45 anos em 1.593 unidades de terapia intensivas públicas e privadas do país aumentou 193% entre fevereiro e março de 2021, se comparado ao período de setembro a novembro de 2020.

Saiba o que é o novo coronavírus

É uma vasta família de vírus que provocam enfermidades em humanos e também em animais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que tais vírus podem ocasionar, em humanos, infecções respiratórias como resfriados, entre eles a chamada “síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS)”.

Também pode provocar afetações mais graves, como é o caso da Síndrome Respiratória Aguda Severa (SRAS). A covid-19, descoberta pela ciência mais recentemente, entre o final de 2019 e o início de 2020, é provocada pelo que se convencionou chamar de “novo coronavírus”.

Como ajudar quem precisa?

A campanha “Vamos precisar de todo mundo” é uma ação de solidariedade articulada pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo. A plataforma foi criada para ajudar pessoas impactadas pela pandemia da covid-19. De acordo com os organizadores, o objetivo é dar visibilidade e fortalecer as iniciativas populares de cooperação.

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Brasil bate novo recorde com 3.650 mortes registradas em 24 horas

É a segunda vez que o país registra mais de 3 mil mortes; cidades enfrentam dificuldades para conseguir medicamentos

O boletim desta sexta-feira (26) do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) informa o registro de 3.650 novas vítimas da covid-19 no Brasil em um período de 24 horas, o equivalente a quase três mortes por minuto.

É o recorde de mortes registradas no período equivalente a um dia de todo o histórico do surto. Contudo, o recorde foi batido sem contar com os dados do Ceará, que não repassou as informações a tempo para o fechamento do balanço com os dados completos do país.

Foi a segunda vez desde o início da pandemia, em março de 2020, que o Brasil registra mais de 3 mil óbitos causados pela doença em 24 horas. A primeira foi em 17 de março, com 3.149 notificações.

Com os números de hoje, o Brasil chega a 307.112 mil mortos, de acordo com dados oficiais, sem contar com ampla subnotificação, reconhecida pelas autoridades sanitárias até do próprio governo.

Em relação ao número de novos infectados, o Conass informa o recebimento de 84.254 registros pelos estados, totalizando 12.404.414 casos. Na última quinta-feira (25), o Brasil bateu o recorde de registros em novos casos em um só dia, com 100.736 ocorrências.

Os dados da covid-19 desta sexta (26) confirmam que pandemia no país segue em total descontrole. É o pior momento do surto de covid no Brasil e epidemiologistas afirmam que a tendência é de agravamento.

Atualmente, mais de 25% das mortes por covid-19 no mundo ocorrem em solo brasileiro. Desde o dia 9 de março, o Brasil é o epicentro do vírus no mundo, com o maior média diária de vítimas da infecção respiratória.

Sem medicamentos

Enquanto isso, a situação da saúde pública é de colapso por todas as regiões do país. Apenas Amazonas e Roraima não estão com filas de leitos de UTIs. Mesmo com capacidade ampliada, a rede hospitalar do Brasil não comporta a demanda elevada, já que a crise sanitária provocada pelo novo coronavírus está em patamar inédito na história.

Além de leitos e pessoal, faltam medicamentos. De acordo com a Confederação Nacional de Prefeitos, em levantamento divulgado também nesta sexta (26), 1.316 municípios estão no limite de medicamentos necessários para intubação.

Isso significa que 23% das cidades do Brasil, além de não possuírem mais UTIs suficientes para atender os pacientes com covid, também podem ser obrigados a suspender os tratamentos pela falta de medicamentos.

Medicamentos para dois dias

Enquanto cidades e hospitais correm para conseguir até mesmo anestésicos, o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) dificulta o acesso e não garante o fornecimento dos medicamentos para intubação. O relato é do secretário da Saúde de São Paulo, Dr. Jean Gorinchteyn.

“Cidades não tiveram as mesmas possibilidades de aquisição desses medicamentos, porque o Ministério da Saúde os requisitou dos estados e das empresas produtoras e isso ficou indisponível para a distribuição. O que foi enviado pelo Ministério da Saúde hoje dá para dois dias”, alertou.

Com isso, o governo federal, que não centraliza as decisões de combate à covid no Brasil desde o início do surto, agora impede também a organização pelos estados, a exemplo de São Paulo.

“O que fizemos ao longo dessa semana, principalmente entendendo uma demanda maior do estado: antecipamos compras. Fizemos compra emergencial e atingimos um certo nível de conforto em relação ao que se vê nas redes municipais, mas não temos mais”, completou o secretário.

O relato foi confirmado pelo vice-governador, Rodrigo Garcia. “Uma Santa Casa no interior tinha conseguido fazer uma compra de medicamentos do kit para intubação, mas logo em seguida veio a requisição federal e eles perderam esses medicamentos. A falta de coordenação nacional tem cobrado um preço alto do Brasil”, contou, sem detalhar o município

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Morosidade da vacinação pode comprometer redução das mortes por Covid-19

Estima-se que cerca de 127 mil vidas seriam poupadas até o fim de 2021 se o Brasil tivesse começado em 21 de janeiro a vacinar em massa

Vacinação contra Covid-19 (Divulgação/Prefeitura de Olinda)

Dois estudos recentemente divulgados na plataforma medRxiv, ainda sem revisão por pares, evidenciam como a morosidade da vacinação contra a Covid-19 no Brasil pode comprometer a eficiência da campanha em termos da redução do número de mortes pela doença no atual pico epidêmico.

Em um dos artigos, cujo autor principal é o professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) Eduardo Massad, estima-se que cerca de 127 mil vidas seriam poupadas até o fim de 2021 se o Brasil tivesse começado em 21 de janeiro a vacinar em massa – algo em torno de 2 milhões de doses aplicadas ao dia. A média atual tem sido de 2 mil pessoas imunizadas diariamente, ou seja, 10% do considerado ideal pelos pesquisadores com base no potencial demonstrado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em campanhas anteriores.

Se os esforços de imunização tivessem ganhado corpo um mês depois, em 21 de fevereiro, o número de mortes evitadas cairia para 86,4 mil até o final do ano. À medida que o tempo passa a estimativa diminui para 54,5 mil (21 de março), 30,3 mil (21 de abril) e 16,4 mil (21 de maio).

“Ao que tudo indica, a vacinação em massa no Brasil só deve começar de fato em agosto. E isso se o Instituto Butantan e a Fiocruz cumprirem a promessa de entregar 150 milhões de doses até julho. Nem estou contando com vacinas de outros laboratórios, como Pfizer, Moderna ou Janssen, porque se chegarem ao país no primeiro semestre será a conta-gotas. Para que um cenário diferente fosse possível, essa negociação deveria ter sido feita já no ano passado”, afirma Massad em entrevista à Agência FAPESP.

Por meio de modelagem matemática e com base nas tendências observadas em dezembro de 2020 (taxa de transmissão e número diário de novos casos – sem considerar a nova variante brasileira), o grupo liderado pelo professor da FM-USP calculou que, se nenhum esforço de vacinação fosse feito ao longo de 2021, o país chegaria ao fim do ano contabilizando 352,9 mil vítimas da Covid-19.

“Trata-se de uma subestimativa, pois com a chegada das novas cepas do SARS-CoV-2 a curva epidêmica tornou-se muito mais acentuada. Essa projeção [de mortes até 31 de dezembro de 2021 em um cenário sem vacinação], no atual contexto, provavelmente ultrapassaria 400 mil óbitos. Ou seja, todos os números apresentados no artigo agora passam a ser o mínimo, o piso”, avalia Massad.

Para o pesquisador, o Brasil já vive a terceira onda da Covid-19, que teria começado após o pico de casos observado em janeiro deste ano. “A segunda onda nem chegou a cair substancialmente quando emergiu a nova variante [P.1.] e o número de casos voltou a acelerar. De quatro semanas para cá temos quebrado recorde atrás de recorde”, diz.

Considerando o atual contexto, Massad calcula que devem morrer mais 100 mil brasileiros até o fim do ano por conta do atraso da vacinação. Se fosse possível antecipar o início da imunização em massa para maio, esse número seria reduzido pela metade, aproximadamente.

“Devemos ter entre 30 e 40 milhões de doses para o primeiro semestre e isso não dá para atender nem metade do grupo considerado de risco, que abrange 77 milhões de pessoas. Com 40 milhões de doses só vacinaremos 20 milhões de indivíduos nesse período, ou seja, menos de um terço do necessário”, aponta o pesquisador.

Na avaliação de Massad, portanto, o impacto da vacinação no curso da epidemia será praticamente nulo no primeiro semestre de 2021. “Se os casos começarem a cair certamente será pelo curso natural da doença ou pelas medidas de isolamento social, que estão cada vez mais difíceis de serem implementadas”.

Todas as estimativas descritas no estudo foram feitas considerando uma vacina com 90% de eficácia, número superior ao dos imunizantes já disponíveis no Brasil (Covidshield, da AstraZeneca/Fiocruz e CoronaVac, da Sinovac Biotech/ Instituto Butantan). No entanto, Massad afirma que todos os imunizantes já aprovados para uso emergencial ou definitivo têm se mostrado igualmente eficazes na prevenção de mortes por Covid-19, que é o principal parâmetro avaliado na pesquisa.

A velocidade faz diferença

O segundo estudo sobre o tema foi conduzido por Thomas Vilches, pós-doutorando no Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e teve a colaboração de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu.

Também por modelagem matemática, o grupo projetou 18 cenários relacionados ao impacto da campanha de vacinação no número de internações e mortes por Covid-19 em São Paulo no atual pico epidêmico.

Entre os fatores que se modificam nos diferentes cenários estão: a vacina utilizada (CoronaVac ou Covidshield), a velocidade na distribuição das doses (630 mil ou 1,2 milhão ao dia em todo o país), a proteção de cada imunizante contra sintomas severos (que variou entre 0% e 100%), a proteção das vacinas contra a infecção (que também variou de 0% a 100%) e o grau de percepção de risco de cada indivíduo vacinado, ou seja, o quanto ele respeita as medidas de isolamento.

Ao ajustar o modelo, os pesquisadores consideraram que em torno de 20% da população paulista já havia sido infectada e apresentava anticorpos contra o SARS-CoV-2. Além disso, considerou-se uma taxa de transmissão do vírus de 1,04 (cada 100 infectados sintomáticos geram outros 104 sintomáticos). Esse foi o valor reportado para São Paulo em janeiro pelo Observatório Covid-19 BR.

“No cenário que chamamos de basal [baseline], consideramos que 0,3% da população do país seria vacinada diariamente e isso dá algo em torno de 630 mil doses ao dia. Essa velocidade de distribuição seria possível de ser alcançada somente com as doses fornecidas pelo Instituto Butantan, quando a produção alcançar a ‘velocidade de cruzeiro’ [1 milhão de doses ao dia]. Já no cenário que chamamos de ‘velocidade dobrada’, 0,6% da população seria vacinada por dia, o que seria possível de ser feito somando as doses produzidas por Butantan e Fiocruz”, avalia Vilches.

O pesquisador ressalta, no entanto, que mesmo o cenário considerado basal no estudo é mais célere que o ritmo atualmente registrado em todo o país. “O Brasil tem uma grande capacidade de fazer a distribuição das doses, graças à estrutura do SUS. Nosso problema é a produção”, afirma.

As projeções indicam que com a CoronaVac, no melhor cenário – ou seja, considerando 100% de proteção relativa (o que equivale a dizer que a proteção contra infecção é de 50,3%, valor equivalente ao da eficácia global) e 100% de proteção contra sintomas severos -, seria possível, na velocidade basal de distribuição, reduzir em 45,3% o número de óbitos por Covid-19 no atual pico epidêmico. Com a Covidshield, também no melhor cenário, a redução seria de 57%.

Caso a velocidade na distribuição das doses fosse dobrada, os percentuais (referentes à redução dos óbitos) saltariam para 65,7% com a CoronaVac e 74% com a Covidshield.

“Com a velocidade dobrada, mesmo no pior cenário [aquele em que a vacina oferece 0% de proteção contra sintomas severos e 0% contra infecção], a CoronaVac poderia reduzir em 30% o número de mortes e, a Covidshield, em 46,8%”, estima Vilches.

Segundo o pesquisador, a mensagem principal do trabalho é que, para que a campanha tenha um impacto significativo na redução das mortes, todo esforço possível deve ser feito para acelerar o ritmo da vacinação no país, inclusive a compra de imunizantes de outros laboratórios. “Quanto mais vacinas forem adquiridas, melhor. Não há justificativa para não fazê-lo. Vacinar rápido é fundamental para evitar mortes e também para barrar o surgimento de novas cepas ainda mais agressivas”, diz.

Agência FAPES

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Brasil registra 1.910 mortes em 24 horas e se torna epicentro mundial da pandemia

Este é o pior momento desde o início da crise sanitária; epidemiologistas alertam que próximas semanas serão trágicas

“O Brasil governado pelo genocida passa a ser, a partir de hoje, o país com maior número de novos casos de covid no mundo. Ultrapassamos os EUA, Bolsonaro. Tá feliz?”, questiona o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha – Foto: Getty Images

O Brasil registrou 1.910 mortos por covid-19 nesta quarta-feira (3), o mais alto número de óbitos oficialmente notificados desde o início do surto, em março passado. O balanço do dia divulgado pelo Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) reafirma o pior momento da pandemia no país.

Já são 259.271 mortos. Em relação ao número de novos casos, foram 71.704 no último período, também um dos dias com mais notificações de novos contaminados. Ao todo, 10.718.630 brasileiros já foram infectados pelo novo coronavírus. E o cenário está se agravando com velocidade.

Hoje, o Brasil é o epicentro da covid-19 no planeta. Enquanto o resto do festeja o recuo nos números de casos e mortes há cerca de seis semanas consecutivas, o Brasil vive desde o fim de novembro a situação oposta.

Aglomerações de fim de ano e também no Carnaval contribuíram decisivamente para o descontrole de agora. De acordo com especialistas, a tragédia tende a se manter e até mesmo se ampliar nas próximas duas semanas, pelo menos.

Além do surto de novos casos, sem contar a subnotificação, o país segue testando pouco a população. Esses fatores somados levam entidades e cientistas a afirmarem que a tragédia brasileira é seguramente maior do que mostram os dados oficiais.

Epicentro

Também hoje, um dos maiores epidemiologistas dos Estados Unidos, Anthony Fauci, falou sobre o Brasil, em entrevista para a GloboNews. “É uma situação muito difícil que o Brasil vive. Mesmo com o vírus comum a situação já era difícil com grande disseminação. A melhor saída é vacinar o quanto antes o maior número de brasileiros. Ficaria feliz de conversar com autoridades brasileiras para ajudar, para ver quais possibilidades existem”, disse.

Desde o início do ano, os Estados Unidos reduzem casos e mortes, após a saída de Donald Trump do cargo de presidente. Seu sucessor, o democrata Joe Biden, adotou planos severos de combate ao vírus, como o isolamento social, além de metas ousadas de vacinação.

Com 3 milhões de doses aplicadas por dia, os norte-americanos possuem meta de vacinação de todos os adultos até o fim de maio.

Por sua vez, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, voltou a confirmar sua posição negacionista, ao tentar transferir culpa para a imprensa sobre a maior crise sanitária em mais de um século.

“Criaram o pânico, né? O problema tá aí, lamentamos, mas você não pode viver em pânico. Que nem a política, de novo, do ‘fica em casa’. O pessoal vai morrer de fome, de depressão”, disse, nesta quarta (3).

Genocida

Para o deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), são necessárias ações urgentes para tentar evitar uma tragédia ainda maior. Ele critica a postura do governo federal.

“O Brasil governado pelo genocida passa a ser, a partir de hoje, o país com maior número de novos casos de covid no mundo. Ultrapassamos os EUA, Bolsonaro. Tá feliz? Demoramos 11 meses para chegar a 200 mil mortes confirmadas. Dia 7 de janeiro. Demoramos menos de 50 dias para termos mais 50 mil mortos. Quem não percebeu que estamos em franca expansão da pandemia não vive no Brasil que vivemos”, disse.

“Ou percebemos a gravidade, ouvimos mais a ciência, os médicos, profissionais de saúde, ou não estamos percebendo a gravidade. Manaus colocou por terra a teoria de que a pandemia seria controlada pela imunidade de rebanho. Ouvimos isso demais. Temos todos os estados com pressão sobre o sistema de saúde”, completou o parlamentar, que é médico e ex-ministro da Saúde.

Agravamento

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou na última terça-feira (2) um boletim que evidencia o mais grave momento da pandemia até então, com tendência de piora do quadro em todo o território nacional.

“Pela primeira vez desde o início da pandemia, verifica-se em todo o país o agravamento simultâneo de diversos indicadores, como o crescimento do número de casos e de óbitos, a manutenção de níveis altos de incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), a alta positividade de testes e a sobrecarga dos hospitais. No momento, 19 unidades da Federação apresentam taxas de ocupação de leitos de UTI acima de 80%”, afirma.

Vacinação

O Brasil segue com um futuro incerto sobre o avanço na velocidade da vacinação contra a covid. O dia foi repleto de notícias trágicas sobre a covid-19 por todo o país.

Em Santa Catarina, mais de 250 pessoas aguardam um leito de UTI, com o sistema de Saúde em colapso; ao menos 35 pessoas morreram no estado sem atendimento médico.

Em Rondônia, 100% dos leitos ocupados há 37 dias e um aumento de 86% no número de sepultamentos em fevereiro, em comparação com janeiro.

Em Porto Alegre, mais de uma semana de colapso e câmaras frigoríficas ao lado de hospitais para abrigar corpos que se amontoam. E isso em bairros nobres, como o Moinhos de Vento.

São esperadas 400 mil doses da vacina russa Sputnik V em março. A cidade de São Paulo, por meio da prefeitura municipal, negocia 5 milhões de doses da vacina da Jansen (Johnson & Johnson), que tem eficácia comprovada e é aplicada em apenas uma dose. As iniciativas locais e a pressão da sociedade forçaram o governo a abrir negociação de mais imunizantes.

O ministério da Saúde anunciou acordo para a compra de 100 milhões de doses da Pfizer que devem ser entregues ao longo do ano. O contrato está em redação. É a única vacina com registro definitivo na Anvisa.

Também existem negociações em andamento sobre as vacinas da Jansen. “Com 7 meses de atraso, governo federal, enfim, decide comprar vacinas da Pfizer. Um dia após a Câmara aprovar projeto que autoriza compra direta por estados e municípios. Coincidência? Nada disso. Bolsonaro funciona na base da pressão!”, disse o deputado federal José Guimarães (PT-CE).

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Sociedade Paulista de Infectologia recomenda que governadores determinem lockdown

Organização afirmou que se cenário continuar do modo em que se encontra, haverá colapso da saúde

Com um ano de pandemia, Brasil entra na lista das três nações com os piores números – Michel Dantas/ AFP

A Sociedade Paulista de Infectologia (SPI) publicou, no último sábado (27), uma nota na qual expressa preocupação com a situação da pandemia de covid-19 no Brasil, mais especificamente no estado de São Paulo.

Segundo dados do Conselho de Secretarias Estaduais da Saúde (Conass), o país registrou nos últimos sete dias a média de 1.205 mortos por covid-19. Em números absolutos, São Paulo segue concentrando a maior quantidade de vítimas. Até agora, foram 59.492 óbitos.

No documento, a SPI afirma que “há uma total desconexão da vida cotidiana com a realidade da pandemia”. A organização explica que o fato de o Brasil ter novas variantes em circulação, somado à ausência de um programa nacional efetivo de imunização, bem como de medidas de prevenção e controle, coloca o país em um outro patamar de risco.

“Pacientes graves têm alta taxa de morte e graves sequelas a despeito dos melhores recursos assistenciais. Que dirá em meio ao caos em que até oxigênio pode faltar? Na prevenção, uma vacinação lenta, em recortes populacionais, está fadada a não resultar em proteção efetiva em tempo oportuno”, afirma a organização em nota.

A SPI também defende que nesse ritmo, em que marcas expressivas de óbito e infectados ocorrem em intervalos cada vez mais breves, não podemos ter outro cenário em mente, se não, o colapso da saúde. E em meio ao caos não há vida, não há economia, não há nada além do que o incerto”.

Diante do cenário, a SPI recomenda aos governadores e ao presidente da República que concretizem as medidas de segurança entre a população, como lockdown, restrições maiores a serviços não essenciais, toque de recolher prolongado, testagem em massa e rapidez na vacinação.

Clique aqui para ler a nota na íntegra.

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Balanço: a combinação fatal que levou o Brasil ao pior momento da pandemia

Minimização dos riscos, má gestão política e abandono de medidas de proteção fazem país acumular mais de 250 mil mortes

Sepultamento de indígenas em Manaus (AM), cidade que está hoje na “fase vermelha” da pandemia; o estado, Amazonas, teve 1.572 novos casos de covid entre quinta (25) e sexta (26) e 56 mortes – Paulo Desana/Dabakuri/Amazônia Real

O Brasil completou, nesta semana, um ano de pandemia, ao mesmo tempo em que ultrapassou a trágica marca dos mais de 250 mil mortos pela covid-19, atingida na última quarta (24). Enquanto os números de infecções e óbitos se multiplicam numa proporção geométrica, o país acumula, ao final deste período, uma série de outros problemas que se somam à estatística dos mais de 10,3 milhões de contaminados.

Covid na semana

O conjunto envolve, por exemplo, carência de leitos de UTI em diferentes estados, falta de vacina para sair do ritmo lento de imunização – apenas 3% da população foram vacinados – e dificuldade de manutenção massiva dos hábitos de prevenção. 

Nas últimas terça (23) e quarta (24), por exemplo, a taxa de isolamento social teve média de 32%. É o menor índice já registrado em um mesmo dia desde meados de março de 2020, quando a pandemia começou a se alastrar. Mensurado a partir da localização de GPS de 60 milhões de celulares no país, o dado é da startup In Loco.

Pensado a partir de referenciais sanitários e científicos, o isolamento social é considerado medida fundamental para a contenção do vírus. A médica de família Nathalia Neiva Santos, da Rede de Médicas e Médicos Populares, explica que o abandono desse hábito pode ser considerado fatal.

“Quanto mais pessoas circulando, maior é a transmissão desse vírus, e maior também é a possibilidade, como a gente tem visto, de se ter novas variantes, porque o vírus muda com muita frequência. É um vírus com grande capacidade de adaptação ao meio”.

Como consequência da baixa taxa de isolamento, a transmissão da covid no Brasil também chama a atenção. Segundo boletim do Imperial College, no Reino Unido, o índice estava em 1,02, o que significa que 100 pessoas contaminadas transmitem a doença para 102 pessoas que ainda não têm o vírus.

A marca vem combinada com uma série de outros elementos que circundam o cenário da pandemia no país. Já são, por exemplo, 37 dias consecutivos com número diário de óbitos acima de mil. É o intervalo mais longo com essa característica desde a chegada do novo coronavírus. O recorde anterior havia sido alcançado entre julho e agosto, quando o Brasil viveu 31 dias seguidos dentro desse patamar de mortes. 

Com ritmo lento de imunização contra a covid, Brasil completa um ano de pandemia tendo imunizado apenas 3% da população / Rovena Rosa/Agência Brasil

Paralelamente, gestores estaduais e municipais retornam à prática do lockdown ou de medidas semelhantes, ao mesmo tempo em que convivem com a realidade do governo federal, com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) incentivando aglomerações e fazendo apelos permanentes pelo fim das medidas restritivas.

“É uma rede de fatores que interferiram pra gente chegar nesta má gestão da pandemia, que é uma das piores do mundo. A gente sabe que o sistema de saúde vinha passando por um processo crônico de desfinanciamento, com redução de leitos de UTI, e a gente chega neste momento em que não tem leito para todos”, ressalta Nathalia Neiva Santos.

A menção da médica encontra referência nos números. Em 2019, por exemplo, primeiro ano da gestão Bolsonaro e ano anterior ao da pandemia, a área da saúde perdeu R$ 20 bilhões. A redução é consequência direta do Teto de Gastos, aprovado em 2016 com previsão de enxugamento das despesas sociais durante 20 anos.

Com um ano da chegada do novo coronavírus ao território nacional, Brasil acumula mais 10,3 milhões de casos de contaminação pela covid-19 / Itamar Crispim/Fiocruz

A política vem sendo mantida pela gestão Bolsonaro, que, em novembro de 2020, nove meses depois da chegada oficial do coronavírus ao país, não havia executado cerca de R$ 5,6 bilhões previstos para a contenção da pandemia naquele ano. A denúncia partiu do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que vem fazendo seguidos alertas e pedindo a queda do ajuste fiscal.

“Por isso o que a gente precisa neste momento é aumentar os investimentos em saúde. São varias estruturas que precisam receber mais recursos como medicações eficazes, sedativos, que estão em falta, etc. Sem esses recursos, se fortalece ainda mais o caos”, afirma Nathalia Santos.

O Brasil no mundo

Ao final desta jornada de um ano da pandemia em terras nacionais, a médica compara ainda a situação do Brasil com a do mundo. Uma pesquisa do Lowy Institute, da Austrália, apontou o país como o pior em termos de gestão da pandemia. A conclusão vem após a análise de seis critérios, como número de infecções e mortes e capacidade de contenção do vírus. Ao todo, o levantamento estudou a situação de quase 100 países.

Para a profissional da Rede de Médicas e Médicos Populares, é inevitável falar do comportamento do presidente da República e seus aliados. Ela destaca a minimização da pandemia, o desestímulo às medidas de proteção, a falta de um lockdown federal e ainda os conflitos entre Bolsonaro e governadores por conta das divergências sobre as medidas de contenção.

“O que chama mais atenção não é nem como não se operou um sistema de saúde pra conduzir a pandemia, mas como o comportamento de determinados gestores foi muito mais favorável à explosão dos casos e da má condução. Isso chama atenção porque é [algo] do nível de responsabilidades, de crime mesmo”.

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Brasil é o país mais experiente do mundo para realizar vacinação, diz especialista

Dois pedidos de uso emergencial de vacinas contra covid-19 já foram enviados para Anvisa, que tem 10 dias para responder

Apesar da ineficiência do governo desde o início da pandemia, Raquel Stucchi afirma que o Brasil é um dos países mais capacitados para esse tipo de operação no mundo. – Reprodução

Após a terceira fase de estudos da vacina Coronavac contra a covid-19 ser concluída pelo Instituto Butantã, na última quinta-feira (8), o Ministério da Saúde anunciou que a vacinação com o imunizante será feita simultaneamente em todo país. De acordo com o órgão, 100 milhões de doses da vacina serão compradas e incorporadas ao Plano Nacional de Vacinação (PNI).

Apesar dos estudos completos não terem sido apresentados, especialistas se mostram otimistas com o resultado alcançado até agora pela parceria entre o instituto paulista e a chinesa Sinovac.

“O dado mostrou que a vacina protege, que vai diminuir o óbito porque ela protege a 100% dos casos graves entre as pessoas que foram vacinadas. E isso é muito importante. A gente sabe que raramente você tem uma vacina com 100% de proteção e serve para todas as vacinas. Não é diferente com a vacina da covid.” afirmou Raquel Stucchi, epidemiologista, professora Unicamp e consultora Sociedade Brasileira de Infectologia.

Outro pedido de aprovação emergencial foi feito pela Fundação Oswaldo Cruz, para importação da vacina inglesa AstraZeneca. Segundo o Ministério da Saúde, serão compradas 2 milhões de doses prontas do imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, e ao longo do ano serão adquiridos ingrediente para fabricar, na Fiocruz, outras 210,4 milhões de unidades do mesmo imunizante ao longo de 2021.

A Anvisa tem agora 10 dias para responder os pedidos de uso da vacina, que foram feitos na última sexta-feira (8), e o governo federal tem o desafio de consolidar o Plano Nacional de Vacinação. Apesar da ineficiência do governo desde o início da pandemia de coronavírus, Raquel Stucchi afirma que o Brasil é um dos países mais capacitados para esse tipo de operação no mundo.

“Do ponto de vista da capacidade de operacionalização, eu não tenho dúvidas, nós temos e conseguiremos fazer bem feito. Claro que esta vacinação agora exige adaptação do que nós temos. Uma ampliação maior ainda das salas de vacinas, uma ampliação do horário. Porque diferente das outras campanhas agora não pode ter aglomeração”, ressalta.

Porém, o mais importante nesse momento, mais do que a ordem, é garantir a maior quantidade de vacinas certificadas possível, ressalta Marco Boulos, infectologista do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo.

“Para conseguirmos vacinar mais rapidamente, toda vacina que vier, vai ser boa. Pode ser a vacina do Butantan, da Fiocruz, a Sputnik V, da Rússia. Se vier de Cuba, da Pfizer e da Moderna, tanto faz, todas elas elas somam dentro do nosso estudo. Não devemos ter prioridade. E eventualmente pode usar a primeira dose com uma segunda fase com outra”, afirmou.

Até lá, os epidemiologistas lembram que, no contexto da segunda onda, é necessário, mais do que nunca, a manutenção das medidas de proteção de saúde.

“A vacina vai ter uma produção de imunidade na população, provavelmente daqui uns três meses nós vamos ter um impacto da vacina melhorando os níveis epidêmicos. Até abril, provavelmente, nós teremos ainda níveis altos de transmissão e a população não pode esquecer que tem que procurar se precaver, usar máscara, porque caso contrário nós vamos ter as doenças”, conclui Boulos.

Diferença entre as vacinas

Apesar da diversidade, as vacinas possuem apenas três formas de serem produzidas: as chamadas de primeira geração, são produzidas por meio de vírus atenuados, como é o caso do Coronavac; as de segunda geração, produzidas a partir de um vetor viral, geralmente um adenovírus, como é o caso da AstraZeneca e da Sputnik V. E uma de terceira, produzida a partir do RNA mensageiro do vírus. É o caso da Moderna e da Pfizer.

“Nenhum setor de vigilância liberará para uma dose única. Por que não foram feitos estudos com dose única, só com duas doses”, explica Boulos.

Para que sejam eficientes, todas devem ser aplicadas em duas doses, segundo o epidemiologista. “O que pode acontecer, o que tem sido preconizado principalmente na Europa, é que eles vão espaçar as doses um pouquinho mais até que novas vacinas produzidas possam proteger a comunidade toda. Mas aqui tem que ser duas doses certamente”, explica.

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Após afirmar que país está quebrado, Bolsonaro diz que Brasil está ‘uma maravilha’

Presidente volta a se contradizer e coloca culpa na imprensa e até em Paulo Freire

Bolsonaro segue discursando para apoiadores, sem se importar com as consequências (Evaristo Sá/AFP)

Um dia depois de dizer que Brasil estava “quebrado”, o presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou que o país está uma “maravilha” e responsabilizou a imprensa por uma “onda terrível” sobre sua fala na terça-feira (5). Em conversa com apoiadores, o chefe do Executivo minimizou a declaração anterior sobre a situação do Brasil, que repercutiu negativamente no meio político e no mercado financeiro.

“Confusão ontem, viu? Que eu falei que o Brasil estava quebrado. Não, o Brasil está bem, está uma maravilha. A imprensa sem vergonha, essa imprensa sem vergonha faz uma onda terrível aí. Para imprensa bom estava Lula, Dilma, que gastavam R$ 3 bilhões por ano para eles”, afirmou para um grupo de pessoas na saída do Palácio da Alvorada.

Na terça, Bolsonaro também disse que não conseguia “fazer nada” e atribuiu à pandemia da Covid-19 o motivo para não conseguir ampliar a isenção da tabela do Imposto de Renda, uma de suas promessas de campanha. A fala sobre a situação do país vai na direção oposta da mensagem que a equipe do ministro Paulo Guedes busca passar sobre a recuperação da economia.

Na manhã desta quarta, na conversa com apoiadores, Bolsonaro, ainda em reforço às críticas à imprensa, negou ter conversado por telefone com o ex-presidente Michel Temer, como noticiado pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. “De vez em quando eu falo com ele, mas tem mais de 30 dias que eu não falo com o Temer”, disse. De acordo com o colunista, Temer ligou para Bolsonaro para tranquilizá-lo caso o deputado Baleia Rossi (MDB), seu aliado, vença a eleição para a presidência da Câmara.

De acordo com o presidente, a notícia foi “inventada” e seria uma forma de influenciar nas eleições para as mesas do Congresso. O mandatário chegou a dizer que a imprensa brasileira “não é nem lixo né, lixo é reciclável” e que “não serve para nada, só fofoca e mentira o tempo todo”.

Desemprego de 14,2%

Bolsonaro também voltou a falar sobre a situação de desemprego no país, que atingiu 14,2% em novembro de 2020, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid (Pnad Covid-19), que é mensal e realizada desde maio. Na terça-feira, no retorno ao Palácio da Alvorada, o chefe do Executivo afirmou que “uma parte considerável não está preparada para fazer quase nada”, em referência à formação dos brasileiros.

Nesta quarta, Bolsonaro também minimizou a fala e reforçou críticas ao educador Paulo Freire, patrono da educação brasileira. “Ontem falei que parte dos brasileiros não estão preparados (sic) para o mercado de trabalho. Pronto, a imprensa falou que eu ofendi todos os empregados do Brasil. Agora, nós importamos serviços porque não tem gente habilitada aqui dentro. Porque há 30 anos é destruída a educação no Brasil, a geração Paulo Freire né?”, declarou.

Após a conversa com apoiadores na saída da residência oficial, Bolsonaro se encontrou com ministros no Palácio do Planalto para uma reunião que não constava nas agendas oficiais no início do dia. O ministro Paulo Guedes, que ainda está em período de férias, foi um dos 17 ministros que participaram da reunião.

 

Agência Estado/Dom Total

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