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10,3 milhões de pessoas moram em domicílios com insegurança alimentar grave

Na comparação com 2013, a última vez em que o tema foi investigado pelo IBGE, na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), a prevalência de insegurança quanto ao acesso aos alimentos aumentou 62,4% nos lares do Brasil.

Mais da metade dos domicílios com insegurança alimentar grave eram chefiados por mulheres – Foto: Tony Winston/Agência Brasília

A insegurança alimentar grave esteve presente no lar de 10,3 milhões de pessoas ao menos em alguns momentos entre 2017 e 2018. Dos 68,9 milhões de domicílios do país, 36,7% estavam com algum nível de insegurança alimentar, atingindo, ao todo, 84,9 milhões de pessoas. É o que retrata a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018: Análise da Segurança Alimentar no Brasil, divulgada hoje (17) pelo IBGE.

Na comparação com 2013, a última vez em que o tema foi investigado pelo IBGE, na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), a prevalência de insegurança quanto ao acesso aos alimentos aumentou 62,4% nos lares do Brasil. A insegurança vinha diminuindo ao longo dos anos, desde 2004, quando aparecia em 34,9% dos lares, 30,2% na PNAD 2009 e 22,6% na PNAD 2013. Mas em 2017-2018, houve uma piora, subindo para 36,7%, o equivalente a 25,3 milhões de domicílios. Com isso, a segurança alimentar atingiu seu patamar mais baixo (63,3%) desde a primeira vez em que os dados foram levantados. Já a insegurança alimentar leve atingiu seu ponto mais elevado.

“Em 2017-2018, a gente viu que esse grau de segurança alimentar diminuiu e, como é tudo proporcional, significa também que as inseguranças aumentaram. Há uma distribuição. Alguma coisa nesse intervalo de tempo fez com que as pessoas reavaliassem sua visão sobre o acesso aos alimentos, apontando uma maior restrição ou, pelo menos, a estratégia de selecionar ou administrar alimentos para que não falte quantidade para ninguém”, explica o gerente da pesquisa, André Martins.

A Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), aplicada na POF, classifica os domicílios de acordo com seu nível de segurança quanto ao acesso aos alimentos em quantidade e qualidade.

Em 2017-2018, eram 43,6 milhões de domicílios brasileiros que tinham segurança alimentar. “São domicílios que têm acesso pleno e regular aos alimentos em quantidade suficiente sem comprometer o acesso de outras necessidades essenciais, ou seja, que não têm preocupação em relação ao acesso aos alimentos”, afirma André.

Em relação à insegurança alimentar, os domicílios podem ser classificados em três níveis: leve, moderado e grave. Um domicílio é classificado com insegurança leve quando aparece preocupação com acesso aos alimentos no futuro e a qualidade da alimentação já está comprometida. Nesse contexto, os moradores já assumem estratégias para manter uma quantidade mínima de alimentos disponíveis. Trocar um alimento por outro que esteja mais barato, por exemplo. No segundo nível, de insegurança moderada, os moradores já têm uma quantidade restrita de alimentos. A insegurança grave aparece quando os moradores passaram por privação severa no consumo de alimentos, podendo chegar à fome.

A pesquisa aponta que pelo menos metade das crianças menores de cinco anos viviam em lares com algum grau de insegurança alimentar. São 6,5 milhões de crianças vivendo sob essas condições. Em 2017-2018, 5,1% das crianças com menos de 5 anos e 7,3% das pessoas com idade entre 5 e 17 anos viviam em domicílios com insegurança alimentar grave. Há a indicação, portanto, de maior vulnerabilidade à restrição alimentar nas casas em que há crianças ou adolescentes.

“Quando um domicílio tem insegurança alimentar grave, há uma restrição maior de acesso aos alimentos, com uma redução da quantidade consumida para todos os moradores, inclusive crianças, quando presentes. E nesses lares pode ter ocorrido a fome, situação em que pelo menos alguém ficou o dia inteiro sem comer um alimento”, diz o pesquisador.

O nível de maior restrição no acesso a esses alimentos também aparece com mais frequência nos domicílios localizados na área rural do Brasil. A proporção de insegurança alimentar grave foi de 7,1% nessas localidades, três pontos percentuais acima do observado na área urbana (4,1%).

“Isso está muito associado às condições de trabalho. Ou seja, as pessoas que estão nos meios urbanos conseguem mais alternativas. Essas diferenças surgem por facilidade no acesso tanto a alimentos quanto às oportunidades. No meio urbano você consegue adotar estratégias de um jeito mais fácil que no meio rural”, explica o pesquisador.

Insegurança alimentar grave continua mais presente no Norte e Nordeste

A insegurança alimentar aparece de forma desigual entre as regiões. O Norte e o Nordeste ficaram abaixo da média nacional: menos da metade de seus domicílios tinham segurança alimentar. Essa desigualdade já havia aparecido nas pesquisas de 2004, 2009 e 2013.

O cenário da insegurança alimentar é mais frequente nas duas regiões. Dos 3,1 milhões de domicílios com insegurança grave no país, 1,3 milhão estava no Nordeste, o que equivale a 7,1% dos lares. A forma mais restrita de acesso aos alimentos atingiu 10,2% dos domicílios no Norte (508 mil).

Assim como aconteceu no cenário nacional, a segurança alimentar dessas regiões vinha aumentando desde 2004, mas regrediu em 2017-2018. Em 2004, a segurança alimentar estava presente em 53,4% dos domicílios do Norte e chegou ao seu ponto mais elevado em 2013 (63,9%), mas caiu para 43% na última pesquisa. Em 2004, 46,4% dos domicílios do Nordeste estavam em situação de segurança alimentar, atingindo 61,9% em 2013 e caindo para 49,7% em 2017-2018.

As demais regiões superaram a média nacional: Centro-Oeste (64,8%), Sudeste (68,8%) e Sul (79,3%). Apesar disso, elas também atingiram o menor percentual de segurança alimentar desde que os dados começaram a ser levantados.

Alimentos básicos têm maior peso no orçamento dos domicílios com insegurança alimentar

À medida que aumentam os níveis de severidade da insegurança alimentar, a participação percentual das despesas com alimentação também vai crescendo. Nos lares em que há segurança alimentar, o percentual mensal das despesas com alimentos foi de 16,3% em relação ao resto das despesas de consumo. Já nos domicílios com insegurança grave, esse percentual era de 23,4%.

As despesas com alimentação, como divulgado nos primeiros resultados da POF 2017-2018, representavam 14,2% da despesa total e 17,5% das despesas de consumo das famílias do país. A pesquisa agora aponta que a maioria dos gastos entre os grupos de alimentos diminui à medida que aumentam os níveis de insegurança alimentar. Ou seja, pessoas que têm maior restrição no acesso ao consumo de alimentos gastam menos com determinados produtos, como frutas, carnes e laticínios.

O gasto médio mensal familiar com carnes, vísceras e pescados em domicílios em situação de segurança alimentar, por exemplo, foi de R$94,98, ao passo que essa despesa foi de R$65,12 entre as famílias em que há privação mais severa de consumo de alimentos. Por outro lado, o gasto com alimentos mais básicos, como arroz, feijão, aves e ovos é maior entre o grupo de insegurança alimentar grave. A maior diferença foi observada em relação ao arroz: o gasto médio mensal dos domicílios em segurança alimentar foi de R$11,32, enquanto nos de insegurança alimentar grave foi de R$15,01.

“Além de o alimento ter uma importância maior dentro dos gastos, essas famílias têm um padrão de consumo diferente. Nele você vê que a importância de cereais e leguminosas é grande nas famílias com insegurança alimentar, tanto em termos de gastos quanto em termos de quantidade”, destaca José Mauro de Freitas, técnico da equipe da POF.

Mais da metade dos domicílios com insegurança alimentar grave são chefiados por mulheres

O homem é a pessoa de referência em 61,4% dos domicílios em situação de segurança alimentar. Já nos domicílios em condição de insegurança alimentar grave predominam as mulheres (51,9%).

“Há vários estudos que tratam dessa situação. Fatores como a condição de acesso ao trabalho acabam gerando menos renda e mais dificuldade no orçamento doméstico, fazendo com que os domicílios fiquem mais propensos à insegurança alimentar”, explica André.

Na análise por cor ou raça, os domicílios em que a pessoa de referência era autodeclarada parda representavam 36,9% daqueles com segurança alimentar, mas ficaram acima de 50% para todos os níveis de insegurança alimentar (50,7% para leve, 56,6% para moderada e 58,1% para grave). Já em 15,8% do total de domicílios com insegurança alimentar grave, a pessoa de referência era autodeclarada preta. Nos domicílios com segurança alimentar, esse percentual é 10%.

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Brasil chega a 100 mil mortos por covid-19, segundo dados de consórcio da imprensa

País tem 6,5% dos casos e 7,2% dos óbitos de todo o planeta, apesar de possuir apenas 2,7% da população mundial

Micrografia eletrônica de transmissão de partículas do vírus covid-19 isoladas de um paciente – Imagem capturada no NIAID Integrated Research Facility (IRF), em Maryland, nos EUA – NIAID

O Brasil chegou, na tarde deste sábado (8), à marca dos mais de 100 mil mortos por coronavírus, segundo dados compilados pelo consórcio de imprensa que reúne os veículos Folha de São Paulo, O Globo, G1, O Estado de S. Paulo, Extra e UOL. Foram 538 novos óbitos desde a sexta-feira (7) até às 13h30min deste sábado, o que faz com que o montante de vítimas fatais seja de 100.240 pessoas.  O resultado vem quase cinco meses após a primeira morte ocasionada pela covid-19 no país, em 12 de março. 

O total de pessoas contaminadas pelo vírus agora já se aproxima dos 3 milhões, com 2.988.796 casos notificados. Assim, o país tem 6,5% dos casos confirmados e 7,2% dos óbitos de todo o planeta, apesar de possuir apenas 2,7% da população mundial. 

O boletim do Ministério da Saúde deste sábado, que também deve confirmar a marca de mais de 100 mil mortos, ainda não foi divulgado.

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Brasil é líder global em novos casos da covid-19: foram 46 mil nas últimas 24 horas

Total de infectados se aproxima de 1,5 milhão de pessoas e mortos já superam os 60 mil

Em frente ao Congresso, artistas protestam e fazem homenagem aos mortos pela covid – Leopoldo Silva/ Fotos Públicas

Segundos dados do Conselho Nacional de Secretarias de Saúde (Conass), o Brasil registrou 46.712 novos casos da covid-19 entre terça (30) e quarta-feira (1º). Com esses dados, o país chega a um total de 1.448.753 de infectados desde que foi identificado o primeiro paciente, no fim de fevereiro. De lá para cá, não houve registro de queda no avanço da pandemia.

Para que se possa ter ideia do aumento na velocidade de contaminações, na semana entre os dias 26 de abril e 2 de maio, quase 38 mil brasileiros tiveram a confirmação de que estavam com a doença. Cerca de dois meses depois, na semana de 21 a 27 de junho, esse número subiu para 246.088 pessoas.

Nesta quarta-feira, o registro de mortes por causa do novo coronavírus chegou a 60.632. Em 24 horas, foram 1.038 óbitos. Desde 17 de maio, o total de casos fatais não fica abaixo de seis mil por semana. Em junho, foram registrados mais de sete mil mortos em três semanas diferentes. O último dado consolidado, referente à 21/06-27/06 foi de 7.094.

Embora São Paulo (289.935 casos e 15.030 óbitos) e Rio de Janeiro (115.278 casos e 10.198 óbitos) continuem sendo as unidades da federação com os maiores registros absolutos de infectados e casos fatais, nenhum estado registrou diminuição no avanço da pandemia. Ao contrário de outros países, que conseguiram conter as infeções a partir de medidas rígidas de isolamento, o Brasil nunca apresentou um plano nacional de distanciamento social.

Mundo em alerta

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), somente na última semana foram registrados mais de 160 mil novos casos por dia. A soma de infectados desde o início da pandemia está acima de 10,5 milhões. O número de mortos ultrapassa 512 mil. Junto com a testagem em massa, o isolamento social é a medida mais eficaz no controle da doença, segundo autoridades de saúde do mundo todo.

Nesta quarta-feira, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez um apelo às nações que estão afrouxando o isolamento: “Os países devem abolir as medidas mais abrangentes”. Nas palavras dele a pandemia é “um teste de caráter” no que diz respeito à solidariedade global e interesse de toda a humanidade.

O que é o novo coronavírus?

É uma extensa família de vírus causadores de doenças tanto em animais como em humanos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em humanos, os vários tipos de vírus podem provocar infecções respiratórias que vão de resfriados comuns, como a síndrome respiratório do Oriente Médio (MERS), a crises mais graves, como a síndrome respiratória aguda severa (SRAS). O coronavírus descoberto mais recentemente causa a doença covid-19.

Como ajudar quem precisa?

A campanha “Vamos precisar de todo mundo” é uma ação de solidariedade articulada pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo. A plataforma foi criada para ajudar pessoas impactadas pela pandemia da covid-19. De acordo com os organizadores, o objetivo é dar visibilidade e fortalecer as iniciativas populares de cooperação.

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Mesmo com subnotificação, Brasil passa 1 milhão de casos confirmados de Covid-19

Segundo país a passar a marca tem uma das taxas de testagem mais baixas do mundo

Enterros sem velório se tornaram rotina no país (Ullisses Campbell/Twitter)

O Brasil tornou-se nesta sexta-feira (19), o segundo país do mundo a superar a marca de 1 milhão de casos da covid-19. Antes, os Estados Unidos já tinham chegado a este número, no dia 28 de abril. Atualmente, são 2,1 milhões de casos nos Estados Unidos e 1.009.699 no Brasil, segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa brasileiros.

No entanto, é praticamente consenso entre especialistas de que o número real de infectados e de mortes é bem maior. Não se sabe exatamente a dimensão, já que a baixa testagem – uma das mais baixas do mundo – e as pesquisas são insuficientes. A maior pesquisa por amostragem feita no Brasil, conduzida pela Universidade Federal de Pelotas (RS), em 133 municípios, mostrou que o número de infectados era de 2,6%, o que faria com que o número real fosse, proporcionalmente, de cerca de 6 milhões de infectados.

O primeiro milhão de infectados pelo coronavírus no Brasil acontece 35 dias depois que Nelson Teich deixou o cargo de ministro da Saúde, hoje ocupado interinamente por Eduardo Pazuello. O Brasil é o segundo país com mais casos da Covid-19 e também o segundo com mais vítimas fatais da doença, com 48.427 vidas perdidas.

São Paulo continua sendo o estado mais afetado do país, com 211.658 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus. Nas últimas 24 horas, o estado registrou mais 386 mortes por Covid-19 e, desde terça-feira (16), vem registrando mais de 300 mortes por dia, o que não havia ocorrido com tanta frequência desde o início da pandemia. Com isso, São Paulo chegou agora ao total de 12.232 óbitos provocados pela Covid-19. O número de pessoas curadas é de 36.280 e a taxa de ocupação de leitos de UTIs no estado é de 66,5%. Na Grande São Paulo, o percentual está em 70,5%.

Brasil e Estados Unidos estão longe de terem seus números alcançados por outros países. Na compilação de dados feita pela universidade americana Johns Hopkins, a Rússia, em terceiro lugar no número casos, conta até o momento 568 mil casos, seguida da Índia, com 380 mil.

Dimensão global

Mais de 8,5 milhões de pessoas em todo o mundo foram contaminadas pelo novo coronavírus desde o início da pandemia, segundo dados compilados pela universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos. Em primeiro no ranking, os norte-americanos já acumulam quase 2,2 milhões de infectados. Nesta sexta-feira (19) a prefeita da capital Washington, Muriel Bowser, decidiu levar adiante o plano de retomada do Distrito de Columbia (D.C.), que agora irá para a fase 2 da reabertura, com restaurantes e lojas podendo funcionar com metade de sua capacidade total. Possível novo epicentro da pandemia nos EUA, a Flórida reportou um acréscimo de mais 3.822 infectados, novo recorde em casos diários no estado.

A Índia também apresentou seu novo recorde de contaminações em um único dia, com 13.586 casos registrados nesta sexta-feira. O país ainda contou mais 336 mortes pela Covid-19. Ao todo, a Índia contabilizou 380.531 casos durante a pandemia, incluindo 12.573 óbitos. O primeiro-ministro indiano, Navendra Modi, incentivou a prática de yoga como um “escudo protetor” contra a Covid-19. Logo acima da Índia no número de casos, a Rússia chegou a 569.063 casos após confirmar mais 7.972 novas infecções nas últimas 24 horas. Ao todo, o país registrou 7.841 mortes causadas pelo coronavírus.

O número de novos casos registrados nesta sexta-feira (19) no Reino Unido ultrapassou a taxa de ontem, de 1.218 casos. Nesta sexta-feira, mais 1.346 britânicos contraíram o Sars-Cov-2, segundo os dados oficiais do governo. Apesar do pequeno aumento, o primeiro-ministro Boris Johnson resolveu reduzir o nível de alerta da pandemia no Reino Unido de 4 para 3. Na perspectiva do Centro Conjunto de Biossegurança britânico, isso significa que a ameaça da doença passou do patamar de “a transmissão é alta ou está aumentando exponencialmente” para “a epidemia está em circulação geral”. Ao todo, o governo do Reino Unido já contabilizou 301.815 casos e 42.461 óbitos por covid-19.

O veículo estatal chinês, China News Service informou que uma possível vacina do país só deve ficar pronta e ser liberada para ser comercializada a partir de 2021. A razão, segundo disseram pessoas ligadas à produção das vacinas, é a dificuldade em realizar testes clínicos em larga escala com humanos. “A vacina não deve chegar ao mercado até pelo menos o ano que vem, com base nos planos atuais”, afirmou Zhang Yutao, vice-presidente da China National Biotec Group, uma das empresas que produzem potenciais vacina na China. Nesta sexta, o país teve 32 novos casos de coronavírus, sendo 25 na capital Pequim, que agora conta 183 infectados relacionados ao surto do mercado de Xinfadi.

Agência Estado/Reuters/Dom Total

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Brasil ultrapassa 40 mil mortes por coronavírus

Levantamento feito com base nos dados de secretárias estaduais de saúde, compilados por Globo, Folha e Estadão, registra 40.276 mortes pela Covid-19. Nesta sexta-feira (12), Brasil deve superar Reino Unido e ficar apenas atrás dos EUA em vítimas da doença

Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte (Foto Adão de Souza/PBH)

O Brasil ultrapassou na tarde desta quinta-feira (11) a triste marca de 40 mil mortos pelo coronavírus. Segundo levantamento com base nos nos dados das secretárias estaduais de saúde, compilados pelo consórcio realizado entre Globo, Folha e Estadão, às 13h o país registrou 40.276 mortes e 1878.489 casos confirmados de Covid-19.

Com o maior número de mortes diárias pela doença no mundo, o Brasil deve ultrapassar nesta sexta-feira (12) o número de mortes no Reino Unido – que contabiliza 41.364 mortes -, ficando assim apenas atrás dos Estados Unidos, que já tem 113.168 vítimas fatais do coronavírus.

Pela manhã, o instituto de métrica da Universidade de Washington (IHME), uma das principais fontes utilizadas pela Casa Branca para monitorar os dados sobre coronavírus pelo mundo, afirmou que o Brasil deve se tornar epicentro da doença no dia 29 de julho. Nesse dia, o Brasil teria 137,5 mil mortos e os EUA, 137 mil.

De acordo com a projeção, e caso o país não mude sua estratégia de combate à doença, seriam quase 4,4 mil mortes apenas no dia 29 de julho – o dobro do recorde atual, que é de 2.262 nos EUA.

Para atingir a projeção, o número atual de mortes no Brasil precisaria quase quadruplicar nos próximos 50 dias. No entanto, um avanço desse tipo já ocorreu no Brasil: haviam 10 mil mortes registradas em 9 de março e 38 mil em 9 de junho.

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Sem aval da ciência, pelo menos oito estados devem evitar uso geral da cloroquina

Mudança determinada por Bolsonaro não terá efeito em algumas das principais cidades do país

Flávio Dino (à esq) e Eduardo Leite são contra o uso de cloroquina (Felipe Dalla Valle/ Palácio Piratini)

Ao menos oito governos estaduais já sinalizaram que não vão aderir ao uso generalizado de cloroquina – entre eles, São Paulo Bahia e Rio Grande do Sul. Em outros sete, as administrações afirmam que a aplicação ou não da substância ainda está sob estudo. As demais unidades federativas não deram retorno até o final da noite desta quarta-feira.

Considerado epicentro do coronavírus no país, São Paulo deve manter a administração de cloroquina nos hospitais como era feita até então, segundo afirmou o governador João Doria (PSDB). “Nós não faremos distribuição nem aplicação generalizada da cloroquina, porque a ciência não recomenda”, disse. “A ciência não orienta este procedimento e em São Paulo nós seguimos o que diz a ciência.”

No Rio Grande do Sul, o governador Eduardo Leite (PSDB) declarou que “quem tem de tomar a decisão é o profissional de saúde”. “Não há evidência suficiente para que a cloroquina tenha administração irrestrita, pelo contrário: são feitos muitos alertas sobre possíveis efeitos colaterais graves.”

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), também se opôs à nova recomendação do Ministério da Saúde e criticou a politização do remédio. “Não será adotado. Os médicos com seus pacientes e familiares definem o protocolo de atendimento”, disse. “Na Bahia receita médica não é definida por ideologia ou pelos políticos.”

Por sua vez, o governo Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão, disse que “não há certeza científica em nível internacional ou nacional” sobre o assunto. Em Pernambuco, o governo Paulo Câmara (PSB) afirmou que “recebe com preocupação as novas orientações do Ministério da Saúde” e destaca não haver número suficiente de comprimidos, caso se queiram tratar todos os casos leves.

“Não há nenhuma modificação”, afirmou por sua vez o secretário da Saúde da Paraíba, Geraldo Medeiros. Segundo afirma, o corpo técnico da área tem estudado “inúmeros trabalhos” e não há “evidências científicas comprovadas” dos benefícios da cloroquina. “É fundamental que (o uso) seja sob prescrição médica, porque o médico se responsabiliza por essa prescrição”, disse. No Norte, o governo Helder Barbalho (MDB) também diz que não vai alterar a administração da cloroquina nas unidades do Pará.

No Mato Grosso do Sul, o secretário de Saúde, Geraldo Resende, disse que o medicamento adquirido pelo governo foi destinado para trabalho científico em duas unidades hospitalares. “O uso da cloroquina é reservado à decisão do médico em relação à aplicação.”

Já os governos de Minas, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Acre, Piauí e Rio Grande do Norte afirmaram que o novo protocolo está sendo avaliado por comitês científicos locais ou pelas Secretarias de Saúde. O governo do Distrito Federal não se pronunciou.

SUS

O secretário do Maranhão, Carlos Lula, afirma que há receio sobre a orientação estimular pressão da população sobre gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) e médicos. “Indiretamente já tem acontecido, mas é um erro. Debate equivocado. O presidente (Bolsonaro) acaba trazendo isso ao centro do debate”, disse. “A gente sabe que não há medicação 100% eficaz. A maioria dos pacientes melhora sem tomar nada, pode tomar cloroquina ou tubaína, vai dar na mesma. É um debate equivocado”, disse o secretário, em uma alusão à ironia feita por Bolsonaro, em live na terça.

Médicos pressionados

Para especialistas, recomendações de uso da droga devem exercer pressão sobre médicos para a prescrição. “Não só pela recomendação em si, do governo, mas, sobretudo, pela pressão do público leigo, pacientes e familiares”, diz Jorge Salluh, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Para Salluh, deve haver também um outro tipo de pressão, no futuro. “Qualquer um que prescrever essa droga hoje, no futuro pode ser processado por má prática, no meu entender”, afirmou. “Porque prescreveu droga sobre a qual não há benefícios comprovados e há potencial de risco ligado à dosagem.”

Advogados ouvidos avaliam que a iniciativa é simbólica e política, sem obrigar prescrição. Para Davi Tangerino, professor de Direito Penal da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), a medida não é passível de processo criminal. “O que faz é uma autorização”, explicou. Segundo o jurista, não se trata de uma norma que obrigue os médicos a usarem a droga nos casos leves da doença. A adoção do tratamento continua a critério dos especialistas. “A meu ver, não cabe responsabilizar criminalmente (o ministério)”, disse.

Mas o professor explicou que Ministério Público ou Defensorias Públicas podem, isso sim, apelar para o aspecto cível da questão na medida em que essa norma pode levar as estruturas públicas, do SUS, por exemplo, a sofrerem danos por uso de um medicamento sem a eficácia comprovada contra a doença. “E esse é um outro aspecto”, alertou o jurista.

O advogado Daniel Dourado, que também é médico, vê um “protocolo informal”, ou seja, uma orientação de uso “fora da bula”. Sem a indicação especificada no registro oficial, o uso seria ilegal.

 

Agência Estado

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Bolsonaro chama coronavírus de ‘gripezinha’; doença já matou 11 mil no mundo

Brasil está paralisado em razão do avanço da Covid-19, mas presidente mostra descaso com a crise mundial

Presidente volta a tratar pandemia com descaso, indo na contramão do ministro da saúde e de líderes mundiais (Isac Nóbrega/PR)

No mesmo dia que o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, alertou para a possibilidade de colapso do sistema de saúde em abril em razão do novo Coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro foi na contramão nesta sexta-feira (20) e classificou a doença como “gripezinha”. A pandemia de Covid-19 já matou onze pessoas no Brasil e mais de 11 mil no mundo.  Líderes de todos os países, como Donald Trump, falam em guerra para combater o avanço do vírus. 

“Depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar”, afirmou Bolsonaro, referindo-se à facada que recebeu durante a campanha presidencial em 2018.

Desde o começo da pandemia, Bolsonaro minimiza o problema. Disse que o coronavírus era fantasia da mídia e que a imprensa estava ‘superdimensionando’ a doença. Além disso, convocou e participou de protestos contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso no último dia 15, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) já tinha declarado pandemia. O comportamento do presidente é reprovado até por aliados políticos e muitos eleitores. Foram registrados panelaços em dois dias seguidos desta semana em várias capitais do país contra Bolsonaro.

Exames

Após divulgar o resultado negativo de dois exames para saber se está com coronavírus, Bolsonaro afirmou que poderá realizar um terceiro teste. Segundo ele, como tem contato com muitas pessoas, pode já ter sido infectado.

“Estou bem. Fiz dois testes, talvez faça mais um até, talvez, porque sou uma pessoa que tem contato com muita gente. Recebo orientação médica”, disse ele ao deixar o Palácio da Alvorada.

Presente em todos os continentes, o novo coronavírus avança no Brasil, com registro de onze mortes. De acordo com o boletim mais recente do Ministério da Saúde, o país tem 904 casos confirmados.

Diante do cenário de pandemia, países anunciam o fechamento das fronteiras, cancelam aulas e determinam quarentena a milhões de pessoas. Os impactos também são sentidos na economia mundial, com cancelamento de voos, oscilações nas Bolsas e no dólar e empresas colocando funcionários em home office.

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O coronavírus revela que éramos cegos e não sabíamos

Somente quando o vírus nos encerra em nossas casas e limita nossos movimentos percebemos como é triste a solidão forçada. Quando nos privam da cotidianidade nos sentimos escravos, porque o homem nasceu para ser livre

“Tudo ficará bem”, diz um cartaz na varanda de um prédio de Torino ( Nicolò Campo/LightRocket via Getty Images).

A imagem mais dramática e terna, que simboliza ao mesmo tempo a tristeza e a solidão do isolamento ao qual a loucura do coronavírus está nos arrastando, é a dos italianos, habitantes de um país da arte, do tato e da comunicação, que hoje cantam nas janelas das casas diante de ruas e praças vazias. Cantam para consolar os vizinhos encerrados em suas casas. Os lamentos de suas vozes são o símbolo da dor evocada pelos tristes tempos das guerras e dos refúgios contra os bombardeios.

Mas é às vezes nos tempos das catástrofes e do desalento, das perdas que nos angustiam, que descobrimos que, como dizia o Nobel de literatura José Saramago, “somos cegos que, vendo, não veem”. Descobrimos, como uma luz que acende em nossa vida, que éramos cegos, incapazes de apreciar a beleza do natural, os gestos cotidianos que tecem nossa existência e dão sentido à vida.

A pandemia do novo vírus, por mais paradoxal que pareça, poderia servir para abrir nossos olhos e percebermos que o que hoje vemos como uma perda, como passear livres pela rua, dar um beijo ou um abraço, ir ao cinema ou ao bar para tomar uma cerveja com os amigos, ou ao futebol, eram gestos de nosso cotidiano que fazíamos muitas vezes sem descobrir a força de poder agir em liberdade, sem imposições do poder.

Descobri essa sensação quando, dias atrás, fui dar a mão a um amigo e ele retirou a sua. Tinha me esquecido do vírus e pensei que meu amigo poderia estar ofendido comigo. Foi como um calafrio de tristeza.

Às vezes abraçamos, beijamos e nos movemos em liberdade sem saber o valor desses gestos que realizamos quase de forma mecânica. Quando os pais sentem às vezes, no dia a dia, o peso de terem que levar as crianças ao colégio e as deixam lá com um beijo apressado e correndo, mecânico, apreciam, depois do coronavírus, a emoção de que seu filho te peça um beijo ou segure a sua mão. E apreciamos a força de um abraço, do tato, de estarmos juntos apenas quando nos negam essa possibilidade.

Somente quando o vírus nos encerra em nossas casas e limita nossos movimentos percebemos como é triste a solidão forçada, e entendemos melhor o abandono dos presos e dos excluídos. Somente quando nos impedem de nos aproximarmos dos nossos animais de estimação é que descobrimos a maravilha que é poder acariciá-los e abraçá-los.

Se, como dizia Saramago, no cotidiano somos cegos quando não apreciamos a força da liberdade, também, muitas vezes, amando não amamos e livres nos sentimos escravos. O que nos parece cansaço e castigo da rotina revela-se como o maior valor. Quando nos privam dessa cotidianidade nos sentimos escravos, porque o homem nasceu para ser livre.

Na obra Ensaio Sobre a Cegueira (Companhia das Letras), de Saramago, tão recordada nestes momentos de trevas mundiais, na qual uma cidade inteira fica cega e as pessoas enclausuradas, descobre-se melhor nossa insolidariedade e nosso egoísmo. O escritor é duro em seu romance ao fazer daqueles cegos a metáfora de uma sociedade onde cada um, nos momentos de perigo e angústia, pensa apenas em si mesmo.

A única que redime aquela situação perversa dos cegos é uma mulher, a esposa do médico, a única que não perdeu a visão e que se faz passar por cega para ajudar os que de fato são. Aquela mulher é representada hoje pelos italianos que usam suas vozes para, com suas notas doloridas, aliviar a solidão dos vizinhos.

Nestes momentos vividos por boa parte das pessoas do mundo, enclausuradas e presas pelo rigor do poder que as condena negando-lhes a liberdade de movimento, que a dor coletiva nos ajude a vencer nosso atávico egoísmo cotidiano, ao contrário dos cegos egoístas do romance de Saramago.

Que a tragédia do coronavírus consiga nos transformar no futuro em guias e ajuda amorosa dos novos cegos de uma sociedade que muitas vezes parece não saber onde caminhar e que, quando goza de liberdade, anseia pela escravidão.

Que a dor de hoje se transforme em tomada de consciência de que vale mais a liberdade das aves do céu que a escravidão que nos impomos quando somos livres. Que o mundo não caia na tentação dos escravos que Moisés havia tirado da escravidão do Egito, que, enquanto eram conduzidos pelo deserto rumo à liberdade, continuavam preferindo as cebolas e os alhos do tempo da escravidão ao maná que Deus lhes enviava do céu. Não existe maior bem neste planeta do que a liberdade que nos permite amar e sofrer sem sucumbir.

E ante a catástrofe do coronavírus, que poderia nos alcançar a todos, que se rompam neste país as trincheiras entre bolsonaristas e lulistas para nos sentirmos solidários numa mesma preocupação.

Na dor e na calamidade coletiva, sentimos que somos menos desiguais do que pensamos. E que, no fim das contas, as lágrimas não têm ideologia.

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“Resultado do PIB é muito pior para os mais pobres”, diz economista

O resultado do PIB de 2019 foi o pior avanço em 3 anos e, segundo especialista, é o resultado de políticas ultraliberais

Guedes

O Produto Interno Bruto (PIB ) do Brasil de 2019 foi divulgado nesta quarta-feira 4 pelo IBGE. O crescimento de 1,1% é o menor em três anos e resume as ações do primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro, que havia prometido um crescimento superior a 2% pela aprovação da reforma da Previdência, feita em outubro de 2019.

Mais: o resultado pífio coloca em xeque as medidas ultraliberais adotadas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Segundo o presidente do Conselho Federal de Economia, Antonio Corrêa de Lacerda, esse resultado já era esperado, pois nenhum pais atinge um nível de crescimento só com essas medidas. “É preciso estimular o emprego, a indústria e a renda para obter crescimento de forma forte e sustentável. É um equivoco do governo apostar só nessa politica ultraliberal como forma obter a confiança e que essa confiança traria o crescimento”, afirmou.

O economista explica também que o resultado de hoje é muito pior para os mais pobres, pois houve uma deterioração dos serviços públicos. “É o pior dos mundos, porque falta renda e você não tem apoio do Estado”, diz.

Confira a entrevista completa:

CartaCapital: Qual o motivo que levou à queda no avanço do PIB de 2019?

Antonio Corrêa de Lacerda: Aí tem uma combinação de fatores, mas eu diria que o principal deles é a politica econômica focada no liberalismo, nas privatizações, nas reformas. Isso é uma política equivocada. Nenhum país atinge um nível de crescimento só com essas medidas. É preciso estimular o emprego, a indústria e a renda para obter crescimento de forma forte e sustentável. É um equivoco do governo apostar só nessa politica ultraliberal como forma obter a confiança e que essa confiança traria o crescimento.

CC: O mercado previa um crescimento maior com a aprovação da reforma da Previdência. Por que esse crescimento não aconteceu?

ACL: Existia uma espécie de autoengano do mercado. Para o mercado é muito favorável essa visão do Guedes, tendem a acreditar nos mesmos valores do ministro. E sempre o mercado tende a produzir um autoengano, fazendo uma espécie de profissão de fé em cima da questão do crescimento. Mas o crescimento não é tão simples assim. É bem mais complexo e exige uma combinação de fatores que não estão presentes na politica econômica atual. Não tem uma politica econômica voltada ao crescimento. Tem medidas liberalizantes, mas não tem política industrial, de emprego, os programas sociais sendo desmontados. Então tudo isso vai bater onde? Temos um estoque de desemprego que chega a 26 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho e de consumo. Então o governo não tem vetores para produzir o crescimento. Por outro lado, o investimento público está no nível mais baixo da história. Essa combinação de fatores não é favorável ao crescimento e gera esse número limitado.

CC: O senhor acredita que as declarações polêmicas de integrantes do governo tiveram um impacto no resultado do PIB?

ACL: Isso tem algum impacto, mas não é o mais relevante. É claro que toda declaração gera mais incerteza, mas não é o fator preponderante. Se o governo tivesse uma politica econômica mais voltada pro crescimento e geração de emprego, isso não seria um aspecto tão relevante como foi. Então tem aí uma realidade que é dada por um quadro de extrema limitação.

CC: Qual é o impacto na vida das pessoas o resultado do PIB divulgado hoje?

ACL: Quem está fora do mercado de trabalho terá uma dificuldade enorme de se inserir. Haverá uma dificuldade muito grande de gerar renda e o mercado de trabalho será precarizado. O custo de vida, embora a inflação esteja baixo, está alto. A capacidade de compra do brasileiro está muito limitada e o resultado de hoje é muito pior para o mais pobres, pois houve também uma deterioração dos serviços públicos. Então é o pior dos mundos porque falta renda e você não tem apoio do Estado.

CC: Sobre o coronavírus, o senhor acha que essa epidemia vai interferir na economia neste ano?

ACL: Minha expectativa com o crescimento é de que vai se manter na média que vimos nos últimos três anos. Ou seja, algo muito próximo de 1,2%. Ao meu ver, a projeção do mercado (que é de 2%) ainda vai cair mais nas próximas semanas.  E o coronavírus atrapalha sim. Primeiro porque o Brasil se tornou um exportador de commodities, principalmente para China. A China está diminuindo sua demanda e isso reduz os preços das commodities.  Teremos dois efeitos, quedas de preço e queda da demanda. Então tudo isso impacta negativamente no nosso desempenho econômico aqui.

CC: Alguns economistas criticam a baixa do PIB com o excesso de gastos do governo. O senhor concorda com isso?

ACL: Não é isso. Isso tem muito a ver com a visão ortodoxa da economia. O Brasil não gasta mais que as médias dos países equivalentes. É claro que sempre existe a possibilidade de melhora nos gastos públicos, mas os problemas aqui estão associados, por exemplo, à taxa de juros. Durante muito tempo tivemos uma taxa muito elevada e isso travou o crescimento. Isso é o aspecto principal, não os gastos públicos.

Um destaque importante é que a indústria voltou a crescer, mas um crescimento baixo de 0,5%. A indústria está em uma situação muito difícil. Essa atrofia é um fato importante na restrição do crescimento.

 

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Casos suspeitos de coronavírus sobem para 132 no Brasil

Aumento no número de casos suspeitos se deu por conta da inclusão de novos países monitorados, como a Itália, na lista do órgão

JOÃO GABARDO DOS REIS, SECRETÁRIO-EXECUTIVO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE – FOTO: ERASMO SALOMÃO/MS

O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira 27, em entrevista coletiva, que o número de casos suspeitos do coronavírus monitorados no país saltou de 20 para 132 nas últimas 24 horas. No entanto, a expectativa do órgão é que o país supere a marca de 300 casos suspeitos já nas próximas horas, uma vez que outras 213 notificações foram registradas desde o fechamento do último boletim, ao meio-dia de hoje.

De acordo com João Gabardo dos Reis, secretário-executivo do Ministério da Saúde, o aumento no número de casos suspeitos se deu por conta da inclusão de novos países monitorados, como a Itália, na lista do órgão. Dos 132 pacientes com suspeita de coronavírus, 121 estiveram recentemente em países considerados de risco para a doença, oito tiveram contato com outros casos suspeitos e três estiveram junto ao único paciente confirmado até o momento, um senhor de 61 anos, morador de São Paulo.

Além disso, o Ministério da Saúde também informou que, dos 132 casos suspeitos, 130 ainda estão passando pelos primeiros exames, mas dois já superaram essa fase e agora estão sendo testados em exames específicos, ou seja, podem ser confirmados em breve como novos casos de coronavírus no Brasil. De acordo com o órgão, o perfil dos pacientes em observação é bastante diverso, majoritariamente feminino e com idades variando entre oito e 82 anos.

NÚMERO DE CASOS SUSPEITOS POR ESTADO BRASILEIRO

Dados atualizados pelo Ministério da Saúde em 27 de fevereiro de 2020 às 17h

Alagoas – 1

Bahia – 1

Ceará – 5

Distrito Federal – 5

Espírito Santo – 1

Goiás – 3

Mato Grosso do Sul – 2

Minas Gerais  – 5

Paraíba – 1

Paraná – 5

Pernambuco – 3

Rio de Janeiro – 9

Rio Grande do Norte – 4

Rio Grande do Sul – 24

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