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Caso Covaxin: centrão e militares estão no foco das suspeitas na Saúde

Os indicados políticos foram mantidos ou apoiados por militares que assumiram o ministério no ano passado e, durante a pandemia, controlaram cifras bilionárias

Roberto Dias foi indicado pelo Centrão ao ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (ABr)

As suspeitas de corrupção na compra de vacinas contra a Covid-19 envolveram, até agora, militares do Exército e apadrinhados do Centrão, duas sólidas bases de sustentação do governo de Jair Bolsonaro. O organograma dos fatos sob investigação evidencia uma aliança pragmática entre os dois setores pelo controle das verbas do Ministério da Saúde, o maior orçamento entre as 22 pastas. De uma ponta a outra, as tratativas para a importação de imunizantes passaram pelas mãos de nomes indicados pelo grupo do Congresso ao qual Bolsonaro se aproximou para barrar ameaças de impeachment.

Os indicados políticos foram mantidos ou apoiados por militares que assumiram o ministério no ano passado e, durante a pandemia, controlaram cifras bilionárias. A dobradinha entre Centrão e Exército se concentrou no Departamento de Logística da pasta, onde estão as principais suspeitas de irregularidades e um histórico de loteamento e denúncias de fraudes. Ao menos desde o governo de Michel Temer, o setor é controlado pelo Progressistas do senador Ciro Nogueira (PI) e do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PR).

Os três diretores que passaram pelo posto acumulam denúncias de corrupção e mau emprego de dinheiro público. Dois deles foram reabsorvidos pelo governo Bolsonaro. Davidson Tolentino é diretor da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), a estatal do Centrão, desde julho. Em maio de 2020, Tiago Queiroz virou secretário de Mobilidade do Ministério do Desenvolvimento Regional, um dos principais cargos da pasta de Rogério Marinho.

Apesar da narrativa de Jair Bolsonaro de acabar com o loteamento em cargos técnicos, a tradição foi mantida na Saúde. O nome do agora ex-diretor de logística, Roberto Dias, foi indicado pelo Centrão ao ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM). Oficialmente, a sugestão foi do ex-deputado Abelardo Lupion (DEM-PR), mas Dias saiu diretamente do governo do Paraná, de Cida Borghetti, mulher de Ricardo Barros, para a cadeira de diretor do Ministério da Saúde.

Com o protagonismo de Mandetta como condutor do combate à pandemia e defensor de posições científicas, Bolsonaro tirou o ministro do cargo. Nada disso abalou a permanência de Dias, homem do Centrão, no posto. Os titulares seguintes da pasta – Nelson Teich, Eduardo Pazuello e o atual Marcelo Queiroga – mantiveram o diretor.

De 2019 para cá, Dias autorizou mais de R$ 20 bilhões em pagamentos. Ele só caiu na última terça-feira, após um policial militar de Minas Gerais dizer que ouviu pedido de propina do então diretor. Integrantes da CPI suspeitam que a denúncia pode ter sido “plantada” pelo governo para atrapalhar a linha principal de investigação.

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Qual é o real tamanho da tragédia no Brasil?

Marca de meio milhão de mortos já teria sido atingida há meses. Falta de clareza sobre o quadro real é obstáculo para políticas públicas e sustenta falsa sensação de controle da doença

Mulher reza em frente ao túmulo no cemitério Nossa Senhora Aparecida em Manaus (AFP)

Brasil, país que tem sido um caso mundial raro de acúmulo de erros no combate à Covid-19 desde o registro oficial do primeiro caso confirmado da doença, em 26 de fevereiro de 2020, até o momento. Quase 16 meses depois do paciente 1 (nas estatísticas oficiais), o país supera a trágica marca de meio milhão de mortos e quase 18 milhões de infectados confirmados, como constava no painel mundial da Jonhs Hopkins University na tarde de 18 de junho de 2021. O pior é que o cenário, alertam cientistas, é certamente mais sombrio, e o tamanho da tragédia, maior e mais alarmante.

Estudos estatísticos conduzidos por cientistas brasileiros indicam que a subnotificação atinge altos patamares, tanto de óbitos quanto de número de infectados pelo coronavírus. A falta de clareza sobre o quadro real é obstáculo para implementação mais racional de políticas públicas e muitas vezes sustenta a falsa sensação de controle da doença.

Vítimas seriam até 700 mil

O número mais realista de óbitos no Brasil hoje deve estar na casa de 700 mil, e não está afastada a possibilidade de o país chegar a um milhão de mortos até o final do ano, segundo afirmou à DW Brasil a médica infectologista Ana Luiza Bierrenbach, autora de estudo sobre a subnotificação no país.

A pesquisa conduzida por ela, conselheira técnica sênior da Vital Strategies, aponta que o Brasil tem pelo menos 30% a mais de óbitos e 60% a mais de infectados do que os números oficiais. “Na verdade, já chegamos a 500 mil mortos por volta de meados de abril”, assegura.

Divulgar apenas os casos confirmados, afirma a pesquisadora, é “muito mais confortável para governos”, no Brasil e no resto do mundo. “Existe a tendência de passar a reportar os casos confirmados e suspeitos, os prováveis, porque o dado obviamente é menor”.

Porém, para os infectologistas e epidemiologistas, acrescenta, é preciso enxergar o quadro mais realista. “O que preconizamos é passar a falar não só dos confirmados, mas incluir em nossas notificações diárias o número de casos prováveis e suspeitos. Eles precisam se tornar conhecidos”.

O estudo estatístico, que é dinâmico e atualizado diariamente, tem como base de dados o Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe), do SUS. Esse banco, cujo acesso é público, registra casos e óbitos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

“Pegamos todos esses casos de SRAS, os que eram Covid-19 e os que não tinham nenhuma etiologia, nenhum agente etiológico [causador da doença] determinado. Em 2018, 2019, os números eram bem baixinhos. Acontece um boom obviamente a partir de março de 2020, e neste boom tem muitos casos e óbitos não confirmados como Covid. Dado que não encontramos a etiologia, a única explicação possível é que seja Covid, ou então no Brasil estamos tendo uma pandemia de outro agente respiratório que desconhecemos. Só pode ser Covid”, atesta a infectologista.

‘Em nenhum momento o país controlou número de óbitos’

Além do número estarrecedor de casos letais, o imunologista Alessandro dos Santos Farias, coordenador de diagnóstico da Força-Tarefa contra a Covid-19 da Unicamp, aponta que o principal temor da classe científica é que o Brasil produza uma variante agressiva que leve o país à estaca zero. “A produção de variantes está relacionada ao número de pessoas infectadas. E nós somos o portfólio perfeito de novas variantes, de vírus replicando: temos vacinação lenta com contaminação alta”, explicou Farias, em entrevista à DW Brasil.

Para o pesquisador do Instituto de Biologia da Unicamp, que coordena um programa inovador de testagens, o número de infectados, hoje, deve ser de aproximadamente 50 milhões de pessoas, ou seja, quase três vezes maior do que as estatísticas oficiais registram. Não se pode dizer, segundo ele, que o Brasil estaria entrando numa terceira onda agora. “O Brasil é uma onda só. São picos dentro de uma mesma onda. O país, em nenhum momento, controlou o número de óbitos”.

A possibilidade de surgir uma nova variante para a qual não há cobertura vacinal, diz o pesquisador, é grande justamente pelo gigantesco número de infectados. Farias e os especialistas da Unicamp iniciam, neste mês, uma pesquisa inédita, por amostragem, que vai detectar as variantes em todas as 11 regiões do estado de São Paulo pelo PCR, de forma mais célere e mais barata, sem a necessidade de sequenciamento do vírus.

Sem perspectiva de testagem em massa

O Brasil, sustenta Alessandro Farias, não tem nenhuma perspectiva nacional para que sejam feitas testagens em massa. “A testagem de sintomáticos tem valor de diagnóstico, mas não tem valor epidemiológico. Não temos uma noção muito boa do que está acontecendo, e não temos perspectiva de testar em massa, de jeito nenhum”, diz. A Unicamp, na força-tarefa coordenada por Farias, já conseguiu testar 200 mil pessoas, o equivalente a 20% da população de Campinas. No Brasil inteiro, pontua o pesquisador, o governo federal testou apenas 135 mil pessoas. As pesquisas e aplicação de testes pela Unicamp foram financiados pelo Ministério Público do Trabalho.

Programas nacionais de testagem em massa, como fez a Alemanha, destaca o imunologista, são cruciais para manejar a abertura e fechamento de serviços e escolas, por exemplo. “A Alemanha chegou a testar 500 mil pessoas em um único dia”, exemplifica, acrescentando que o país europeu, assim como o Brasil, tem problemas com a velocidade da vacinação. No entanto, investe em testagem.

Quando a vacinação é rápida, explica Farias, o monitoramento de variantes é mais eficaz porque o índice de transmissão fica mais lento, o que não é o caso do Brasil. “Ficamos na torcida para a gente não gerar nada que nos leve a começar do zero de novo. Mas pode acontecer. Podemos ter uma variante em que os vacinados e recuperados não tenham nenhuma proteção. Começamos, aí, uma epidemia brasileira do zero. Isso é o que mais me assusta para o futuro. O presente já é sombrio: 2,7 mil mortes por dia é um World Trade Center por dia”.

A produção nacional de vacinas, pelo Instituto Butantan e Fiocruz, observa o pesquisador, é a medida mais inteligente e importante tomada no país até agora. “Acreditamos que não vamos nos livrar deste vírus nunca mais. Não sei se teremos que vacinar a população todo ano, mas vamos conviver com o vírus e precisamos monitorar. É muito importante o Brasil ter a capacidade de ele mesmo produzir vacina”.

Estimativa de subnotificação é conservadora

A médica Ana Luiza Bierrenbach explica que como o banco de dados que foi base para o estudo de subnotificação registra apenas casos graves de síndrome de angústia respiratória ou de pessoas que morreram em ambiente hospitalar ou fora, ou foram internados, certamente as estatísticas são conservadoras. Significa dizer que a subnotificação de óbitos por Covid-19, explica, é superior a 30%. “Em muitos casos leves as pessoas nem sequer procuraram fazer os testes. Essa subnotificação que conseguimos calcular é para casos graves e óbitos”.

Segundo a pesquisadora, a subnotificação certamente era maior em 2020, no início da pandemia, quando não havia testes e muitos assintomáticos nem sequer suspeitavam estar com doença. “Mais recentemente a proporção de subnotificação está diminuindo, o que é um mérito de estarmos fazendo mais diagnósticos. E mais diagnósticos oportunos. O que acontece é que pela progressão natural da doença, o vírus tem uma fase de se replicar na nasofaringe e, portanto, com um exame simples, o Swab, a gente consegue detectar. Mas depois o vírus vai para os tecidos, e a detecção do agente viral fica mais difícil”, diz, ressaltando que exame PCR, por exemplo, registra os resultados positivos se feito entre o quinto e oitavo dia da doença.

“Sempre contar casos e óbitos é importante para desenvolver e planejar políticas de saúde. Se a gente não sabe o número de casos graves, não podemos alocar leitos hospitalares, [definir] quantos são necessários dependendo da fase da doença, quantos leitos de UTI precisamos, [qual a] quantidade de oxigênio que precisaremos para não passar como crise de Manaus. Remédios, recursos humanos e hospitalares são calculados a partir de números”, enfatiza Ana Luiza Bierrenbach.

A divulgação realista e “limpa” dos números acrescenta ela, é crucial também para sensibilizar e alertar a população. “Estamos realmente diante de uma crise muito grave. Ainda precisa ficar em casa. Morrem de 2,5 mil a 3 mil pessoas por dia no Brasil, e já fazem bons meses que temos mantido esse número”. O Chile, cita a pesquisadora, serve de alerta para o Brasil de que a vacinação, se alta, pode não aplacar a tragédia.

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Repleta de ‘jabutis’ que vão pesar no bolso do consumidor, Senado aprova privatização da Eletrobras

Governo diz que conta vai cair em 7,3%, mas especialistas apontam rombo de R$ 84 bilhões na conta do consumidor

A votação final está prevista para a próxima segunda, 21, um dia antes de a MP perder a validade. (Divulgação)

O Senado aprovou nessa quinta-feira, 17, por 42 votos a 37, a medida provisória que viabiliza a privatização da Eletrobras, estatal com foco em geração e transmissão de energia. Associações do setor calculam que, da forma como foi aprovado o texto, o custo total da operação para os consumidores será de R$ 84 bilhões, o que vai acabar aumentando as contas de luz de famílias e empresas. Segundo elas, os custos adicionais devem onerar os consumidores “por décadas”.

Já o governo afirma que a privatização da Eletrobras pode reduzir a conta de luz em até 7,36%, sem detalhar como o cálculo foi feito. Como houve mudanças por parte dos senadores na versão aprovada pelos deputados, o texto precisará ser novamente analisado na Câmara. A votação está prevista para a próxima segunda, 21, um dia antes de a MP perder a validade.

Hoje, a União possui cerca de 60% das ações da Eletrobras e controla a estatal. Com a capitalização, a partir da emissão de ações, deve reduzir a participação na empresa para cerca de 45% das ações.

Enviada pelo governo em 23 de fevereiro, a proposta é uma das prioridades do Executivo e aposta na área econômica para ampliar investimentos da empresa, que é a maior companhia de energia elétrica da América Latina. Anteriormente, a equipe de Bolsonaro tentou viabilizar a operação por meio de um projeto de lei, que não avançou. Também houve tentativas de privatização durante o governo Temer.

O principal destaque (que poderia modificar o teor final da proposta) era o apresentado pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), para retirar a maioria dos jabutis – emendas estranhas ao texto original, mas que foi rejeitado. Mais cedo, havia uma articulação entre os senadores para votar a favor desse destaque, mas o governo passou as últimas horas orientando sua base a rejeitá-lo para o que o texto final fosse o do relator, senador Marcos Rogério (DEM-RO), que não apenas manteve os jabutis da Câmara como inclui outros.

Apesar do discurso de buscar um texto de “convergência”, Marcos Rogério não conseguiu construir consenso e o governo precisou conceder benefícios para diversas bancadas para garantir apoio à proposta, que pode ser a primeira privatização aprovada pelo Congresso durante a gestão atual.

Mudanças feitas pelos senadores

Em seu relatório aprovado, Marcos Rogério aumentou a quantidade de energia de usinas térmicas a gás que a União será obrigada a contratar. O dispositivo é um dos mais criticados por contrários às propostas, já que prevê que as usinas devem estar localizadas mesmo em locais onde não há insumo ou infraestrutura. Na prática será necessário construir gasodutos bilionários, que poderão ser pagos pelos consumidores por meio das tarifas.

A proposta aumenta de 6 mil megawatts (MW) para 8 mil MW o volume de energia que vai ser contratado de térmicas a gás. A alteração beneficia Estados do Sudeste, que não estavam contemplados com o texto da Câmara.

O texto do Senado ainda detalha a localização das térmicas. As regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste também serão atendidas. Para essas regiões, a entrega de energia deverá acontecer entre 2026 a 2028, com período de fornecimento de 15 anos.

A proposta mantém a permissão da prorrogação dos contratos das usinas contratadas no âmbito do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). Com o vencimento dos contratos, as usinas teriam de disputar leilões de energia velha e reduzir seus custos. A MP, no entanto, vai permitir que elas tenham as outorgas estendidas a preço de energia nova -que inclui o valor da construção de empreendimentos, embora elas já estejam prontas.

O senador também manteve a regra para contratação mínima de 40% de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) nos próximos leilões mesmo depois do atingimento de 2 mil MW.

Entre as propostas do Senado, foi acatada a que prevê que os diretores do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) deverão passar por sabatina no Senado, como acontece com diretores da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Diferente dos dirigentes dos órgãos reguladores, os diretores do ONS não cumprem mandatos e podem ser demitidos a qualquer momento, exceto o diretor-geral.

Para garantir a aprovação, o governo também acatou uma emenda que atropela o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Fundação Nacional do Índio (Funai) no licenciamento para a construção da linha de transmissão de energia Manaus-Boa Vista. O linhão, leiloado em 2011, nunca saiu do papel por um impasse com a comunidade indígena Waimiri Atroari. Pela proposta, a União fica autorizada a iniciar as obras imediatamente após a conclusão do Plano Básico Ambiental- Componente Indígena, traduzido na língua originária e apresentado aos indígenas.

O texto define que R$ 35 bilhões serão destinados para atenuar as tarifas, por meio da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Antes, o montante previsto era R$ 25 bilhões.

Agência Estado

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R$1,6 bi do ‘orçamento secreto’ do governo foi destinado à pavimentação irregular

Codevasf teve sua finalidade desvirtuada no governo Bolsonaro quando passou a atender municípios localizados a mais de 1,5 mil km das águas do São Francisco e acomodar ainda mais políticos do Centrão

Documentos indicam que parte do orçamento secreto deve bancar contratos de asfaltamento cujas licitações foram consideradas irregulares pela área técnica do TCU (Arquivo ABr)

Metade do orçamento secreto de R$ 3 bilhões criado pelo presidente Jair Bolsonaro para aumentar sua base de apoio no Congresso foi direcionada para pavimentação asfáltica. Além das compras de tratores acima da tabela de referência, o grupo político beneficiado pelo esquema reservou R$ 1,6 bilhão para asfaltar ruas e estradas nos seus redutos eleitorais.

Documentos a que a reportagem teve acesso indicam que parte do orçamento secreto deve bancar contratos de asfaltamento cujas licitações foram consideradas irregulares pela área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU). Os indícios foram identificados durante pente-fino da Corte em pregões da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) entre novembro e dezembro de 2020.

Criada para desenvolver as margens do Velho Chico, a estatal teve sua finalidade desvirtuada no governo Bolsonaro quando passou a atender municípios localizados a mais de 1,5 mil quilômetros das águas do São Francisco e acomodar ainda mais políticos do Centrão. Na prática, a empresa virou um duto para saída dos recursos do “tratoraço”, como o esquema de “toma lá, dá cá” está sendo chamado.

O trabalho dos auditores do TCU não levou em conta a origem dos recursos. Focou apenas na aplicação, independentemente da fonte das verbas. Os valores globais desses pregões questionados são de R$ 533 milhões. Com base em documentos aos quais o Estadão teve acesso, a reportagem identificou que parte é originária do orçamento secreto, criado a partir de uma nova modalidade de emenda (RP-9).

Os pregões foram feitos pela Codevasf antes mesmo de os recursos serem reservados ao órgão, o que por si só já descumpre a lei, e sem especificar locais de serviços. O tipo de licitação – por ata de registro de preços – também seria inadequado de acordo com os auditores. A área técnica do tribunal apontou ao menos quatro problemas e definiu como “indício de irregularidade grave o fato de que as licitações possuíam objetos indefinidos e locais de execução indeterminados, inexistindo projetos básico e executivo das intervenções a serem realizadas”.

Além disso, os auditores apontaram uma possível limitação na concorrência, pois a previsão de contratos com valores elevados diminui a possibilidade de mais empresas participarem dos pregões – o parcelamento dos objetos de contratos seria o mais adequado, pois permitiria mais concorrência, na visão dos auditores.

“(Houve) utilização indevida do sistema de registro de preços para a contratação de obras, com o emprego da ata de registro de preços como contrato do tipo ‘guarda-chuva’, com objeto incerto e indefinido, sem a prévia realização dos projetos básico e executivo das intervenções a serem realizadas”, diz o relatório.

Tabela

Os documentos mostram ainda que 18 empresas vencedoras das licitações que o TCU questiona estão também em uma tabela de contratos que a Codevasf realizou com a verba direcionada pelos parlamentares no fim do ano.

Por exemplo, o senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI) colocou R$ 50 milhões para pavimentação asfáltica na Codevasf. As empresas foram vencedoras de três pregões para atuação exatamente na 7ª Superintendência Regional da Codevasf, sediada em Teresina. Ciro Nogueira tem influência sobre a superintendência. As licitações vencidas pelas três empresas chegam a R$ 67 milhões, no total. Ou seja, em se confirmando essas contratações, a maior parte dessas verbas terá vindo dos créditos direcionados à Codevasf pelo senador, líder do Centrão.

Esse volume de recursos excede as emendas impositivas a que os parlamentares têm direito e não foi distribuído de forma equânime entre os congressistas. A divisão atendeu a critérios políticos e foi feita dentro dos gabinetes, a porta fechadas, e por meio de ofícios não publicados. A prática atropelou leis licitatórias e um veto do presidente Jair Bolsonaro, que, em 2019, foi contra entregar a deputados e senadores o controle formal da execução das verbas de emenda geral de relator.

A partilha dos recursos se dá ao largo do controle do próprio TCU. Ciro Nogueira direcionou R$ 135 milhões do orçamento secreto do governo no Ministério do Desenvolvimento Regional, somente em dezembro de 2020. Ele precisaria de 16 anos no Senado para poder indicar tamanha quantia, se contasse apenas com as emendas individuais – a cada ano, apenas R$ 8 milhões são disponíveis para livre indicação por parlamentares, sendo que um valor semelhante é possível de indicar apenas dentro da área da saúde.

O senador é hoje o líder da tropa de choque do governo Bolsonaro na CPI da Covid. Ao depor na comissão, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta acusou Nogueira de ler uma pergunta enviada pelo ministro Fábio Faria (Comunicações).

Líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE) recebeu R$ 125 milhões do orçamento secreto. Ele colocou todo o valor na Codevasf. É dele a indicação do superintendente da estatal em Petrolina, Aurivalter Cordeiro, onde o filho Miguel Coelho (MDB) é prefeito. Como senador, Bezerra levaria 15 anos para alocar o montante.

Uma parte desse orçamento secreto o senador destinou para obras de asfalto. A Codevasf prevê que um porcentual irá para pagar firmas que venceram licitações consideradas irregulares pelo TCU.

Ao todo, a reportagem identificou que 18 das empresas listadas entre as vencedoras das licitações irregulares, na visão do corpo técnico do TCU, estão também entre as com previsão de receber recursos originados de indicações de parlamentares.

A representação de auditores do TCU, aberta no início deste ano, pede a suspensão de contratações que ainda não foram formalizadas, apesar de os vencedores dos pregões já serem conhecidos. O processo está em julgamento no tribunal. O ministro Augusto Sherman, relator, iniciou o voto no processo há duas semanas, mas o ministro Vital do Rêgo pediu vista.

Ex-advogado-geral da União (AGU) no governo Michel Temer, o advogado Fábio Medina Osório disse que os achados dos auditores do TCU recomendam a suspensão do contato. “As apontadas irregularidades são de natureza grave, uma vez que a ausência de objeto específico, de projeto básico e de local de execução dos serviços inviabiliza a adequada concorrência, culminando em potencial dano ao erário”, afirmou.

Ele destacou que houve uma afronta aos princípios constitucionais de legalidade, da eficiência e da publicidade, definidos no artigo 37 da Constituição. Na avaliação do advogado os fatos, em tese, podem configurar ato de improbidade administrativa. Osório destacou ainda o risco de sobrepreço. “Não havendo detalhamento de cada obra em particular, não há como ser aferido se o que seria pago seria efetivamente executado, com possível sobrepreço”, disse Osório.

‘Impacto’

Em manifestação ao TCU, a Codevasf disse que “os impactos em caso de eventual anulação dos certames serão gigantescos, deixando milhares de pessoas sem os benefícios que as pavimentações trarão, bem como prejuízos em relação a escoamento da produção em vias rurais, diminuição de poeira, melhoria da trafegabilidade e bem-estar da população na área de atuação da Codevasf”. Procurada pela reportagem, a empresa disse que se explicou ao TCU.

O voto do relator, Augusto Sherman, foi para não suspender as contratações no momento, mas para abrir imediata fiscalização. Procurados, os senadores não se manifestaram.

 

Agência Estado/Dom Total

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Brasil supera 410 mil vítimas da covid; foram registradas 2.966 mortes em 24 horas

Tanto o número de vítimas como de infectados registrados nesta terça-feira está acima das médias móveis

Na última semana, após governadores e prefeitos começarem a flexibilizar o distanciamento, o número de casos voltou a subir – Agência Belém

Na última semana, após governadores e prefeitos começarem a flexibilizar o distanciamento, o número de casos voltou a subir – Agência Belém

O Brasil registrou hoje (4) mais um dia com número elevado de mortos por covid em um período de 24 horas, com 2.966 vítimas oficialmente notificadas.

Desde o início da pandemia, são 411.588 mortes. Em relação ao número de novos casos, foram 77.359 infectados, totalizando 14.856.888, também desde o começo do surto, em março de 2020.

Tanto o número de vítimas como de infectados registrados nesta terça-feira está acima das respectivas médias móveis. A média de mortes está em 2.397 a cada um dos últimos sete dias e de casos, 59.332.

A elevação nos infectados preocupa, já que estados e municípios passaram a suspender medidas protetivas de isolamento social com a estabilidade nos dados, registrada nas últimas três semanas.

Após intensificação do isolamento social em março, o número de casos passou a cair ligeiramente a cada semana. Desde o dia 27 de março, foram quatro semanas de queda. Então, o Imperial College de Londres chegou a afirmar que a transmissão no Brasil estava em tendência de queda. Já a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificou tendência de estabilidade em um período de pico.

Receita para o caos

Entretanto, na última semana, após governadores e prefeitos começarem a flexibilizar o distanciamento, o número de casos voltou a subir. Foram 417.760 no período, frente a 408.124 na anterior.

“De novo, especialistas avisando que, abrindo neste ritmo e no momento em que estamos é a receita para outra onda de casos. Estamos naturalizando 2 a 3 mil mortes por dia. Mas esse teto não existe”, alerta o biólogo e divulgador científico Atila Iamarino.

A RBA utiliza informações fornecidas pelas secretarias estaduais, por meio do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).

Eventualmente, elas podem divergir do informado pelo consórcio da imprensa comercial. Isso em função do horário em que os dados são repassados pelos estados aos veículos. As divergências, para mais ou para menos, são sempre ajustadas após a atualização dos dados.

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Brasil chega a 400 mil mortos por Covid-19 36 dias após atingir 300 mil óbitos

Com vacinação lenta, país pode enfrentar a terceira onda da pandemia já nos próximos meses

Enterro de Covid-19 no Cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus Marcio James/AFP (Marcio James/AFP)

O Brasil atingiu a marca de 400 mil mortos pela Covid-19 com um patamar ainda alto de óbitos diários e índices de mobilidade crescentes, o que, para especialistas, aumenta o risco de o país ter uma terceira onda da pandemia antes de atingir a imunidade de rebanho pela vacina. A marca negativa chega 36 dias após o país chegar a 300 mil óbitos.

Para cientistas especializados em epidemiologia e virologia ouvidos pela reportagem, a reabertura precipitada das atividades econômicas antes de uma queda sustentada de casos, internações e mortes favorece que as taxas de transmissão voltem a crescer, com risco maior do surgimento de novas variantes de preocupação. Com isso, o intervalo entre a segunda e uma eventual terceira onda seria menor do que o observado entre o primeiro e o segundo picos.

“Nos níveis em que o vírus circula hoje, esse período entre picos pode ser abreviado, sim. Já vimos esse efeito em algumas localidades na virada do ano. A circulação em níveis altos favorece isso”, diz o virologista Fernando Spilki, coordenador da Rede Coronaômica, força-tarefa de laboratórios faz o monitoramento genético de novas cepas.

Em 2020, o número de casos e mortes começou a cair entre julho e agosto para ter novo aumento a partir de novembro. O surgimento de uma nova cepa do vírus (P.1) em Manaus colapsou o sistema amazonense em janeiro e provocou a mesma catástrofe em quase todos os Estados do País entre fevereiro e março.

Os últimos dois meses foram os piores da pandemia até aqui. No ano passado, o país demorou quase cinco meses para atingir os primeiros 100 mil mortos, outros cinco meses para chegar aos 200 mil e dois meses e meio para alcançar as 300 mil vítimas. A triste marca dos 400 mil óbitos veio apenas 36 dias depois.

E os dados dos últimos dias indicam que a queda das internações e mortes iniciada há três semanas já estagnou. O mais provável agora é que os índices se estabilizem em níveis elevados, com 2 mil a 3 mil mortes diárias, ou voltem a crescer, projeta o estatístico e pesquisador em saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Leonardo Bastos.

“Agora era a hora de segurar mais, fazer uma reabertura mais lenta e planejada. Esse aumento de mobilidade e contato entre as pessoas pode levar a uma manutenção do número de hospitalizações em um patamar super alto, o que é péssimo, porque sobrecarrega o sistema de saúde. Do jeito que está, a questão não é se vai acontecer uma nova onda, mas quando”, diz o especialista.

Como exemplo de como uma nova variante pode provocar grandes surtos em um intervalo curto de tempo, o especialista da Fiocruz cita o caso do Rio. Ele considera que o Estado já viveu três ondas. Além da primeira, entre maio e junho de 2020, os municípios fluminenses sofreram um segundo pico em dezembro, com o surgimento da variante P.2, e uma nova alta em março deste ano com a emergência da P.1. “Talvez a próxima onda não seja síncrona em todo o País, mas poderemos ter surtos em diferentes locais”, opina Bastos.

Para Spilki, o aumento nas taxas de mobilidade e relaxamento das medidas de proteção não só elevam as taxas de transmissão como facilitam o surgimento de variantes mais transmissíveis ou letais. “A variante P.1 e outras não são entes estáticos, podem evoluir e se adaptar a novos cenários com o espaço que vem sendo dado para novos casos”, diz ele. Desde novembro, relata o especialista, já foram identificadas oito novas variantes originadas no Brasil.

O epidemiologista Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), também destaca que, mesmo com a queda de casos e mortes nas últimas três semanas, o Brasil está longe de vislumbrar um controle da pandemia.

“Houve arrefecimento do número de casos e mortes pelas medidas de distanciamento social realizadas às duras custas. No momento, o retorno às outras fases de distanciamento é preocupante, principalmente na próxima semana, com aumento da procura de lojas pelo Dia das Mães e, também pela frequência maior de encontros sem a proteção necessária, como já aconteceu no Natal” alerta.

Os especialistas acham improvável que a imunização consiga contemplar a maioria da população antes de uma nova onda. “A vacinação segue lenta, com interrupções e falhas de esquema, como falta de doses para reforço, o que é mais um complicador no que tange a frear a disseminação e evolução de variantes”, comenta o virologista.

Para os cientistas, as medidas necessárias para minimizarmos o risco de um novo tsunami de casos e mortes são as mesmas preconizadas desde o início da pandemia: uso de máscara (de preferência PFF2), distanciamento social, preferência por ambientes ventilados, rastreamento e isolamento de pessoas infectadas, além da aceleração da campanha de vacinação, que esbarra na escassez de doses.

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Brasil supera 340 mil mortes por covid-19 em dia com 3.829 vítimas

Fiocruz alerta para aumento da letalidade da covid-19 no Brasil e pede por lockdown de 14 dias

O Brasil ultrapassou a marca de 340 mil mortos por covid-19. Nas últimas 24 horas, foram registradas 3.829 vítimas, um dos dias mais letais do surto.

Na terça-feira (6) foram registradas mais de 4 mil mortes, um recorde no país. O pior momento da pandemia continua se agravando, enquanto medidas para a contenção do vírus seguem tímidas ou inexistentes.

Em relação ao número de novos infectados, foram 92.625 no último período, totalizando 13.193.205 doentes desde o início do surto, em março de 2020.

Trata-se de um valor elevado diante do registrado nos últimos cinco dias, o que revela o descontrole da transmissão da covid-19 no Brasil.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou um boletim extraordinário que atesta esse descontrole e pede por medidas duras de isolamento, o lockdown.

“Ao longo da última semana foram registrados valores recordes de óbitos por covid-19 superando-se a marca de 3 mil mortes diárias (…) Na última semana observou-se um novo aumento da taxa de letalidade, de 3,3% para 4,2%, o que pode ser consequência da falta de capacidade de se diagnosticar correta e oportunamente os casos graves, somado à sobrecarga dos hospitais”, afirma a Fiocruz, que alerta para uma subnotificação dos dados, mesmo em valores elevados.

Outra voz que alerta para a necessidade de intensificar medidas de isolamento é a de Anthony Fauci. Líder da força-tarefa contra a pandemia nos Estados Unidos, Fauci é uma das maiores autoridades em epidemiologia do mundo. Ele disse, em entrevista coletiva, que “todos reconhecem que há uma situação muito grave no Brasil” em relação à covid-19.

“Não há dúvida de que medidas severas de saúde pública, incluindo lockdowns, têm se mostrado muito bem-sucedidas em diminuir a expansão dos casos. Então, essa é uma das coisas que o Brasil deveria pensar e considerar seriamente dado o período tão difícil que está passando”, alertou o especialista.

Indicações

A Fiocruz, desde o início do ano, avisa sobre a iminência de um colapso na rede hospitalar de todo o país, o que de fato ocorreu. Hoje, faltam leitos de UTI em todas as regiões do país; pessoas morrem sem conseguir atendimento médico necessário.

Os apelos da instituição e de um grande número de cientistas foram ignorados desde o início da pandemia pelo governo do presidente Jair Bolsonaro.

O político, ao contrário, sempre adotou uma postura negacionista; minimizou a pandemia, ridicularizou o uso de máscaras, promoveu e incentivou aglomerações e chegou a atacar vacinas com informações falsas e imprecisas.

Diante do cenário caótico, a Fiocruz reforça as recomendações. Entre elas estão: “proibição de eventos presenciais, como shows, congressos, atividades religiosas, esportivas e correlatas em todo território nacional; a suspensão das atividades presenciais de todos os níveis da educação do país; o toque de recolher nacional a partir das 20h até as 6h da manhã e durante os finais de semana; o fechamento das praias e bares; a adoção de trabalho remoto sempre que possível, tanto no setor público quanto no privado; a instituição de barreiras sanitárias nacionais e internacionais, considerados o fechamento dos aeroportos e do transporte interestadual; a adoção de medidas para redução da superlotação nos transportes coletivos urbanos; a ampliação da testagem e acompanhamento dos testados, com isolamento dos casos suspeitos e monitoramento dos contatos”.

Colapso

O boletim pede que essas medidas sejam tomadas por 14 dias para reduzir a pressão sobre o sistema de Saúde e reduzir o elevado número de mortes diárias. Das 27 unidades da Federação, 19 estão com os sistemas hospitalares colapsados.

São elas: Rondônia (96%), Acre (95%), Amapá (91%) e Tocantins (95%); Piauí (97%), Ceará (96%), Rio Grande do Norte (97%), Pernambuco (97%) e Sergipe (95%); Minas Gerais (93%), Espírito Santo (94%), Rio de Janeiro (91%) e São Paulo (91%); Paraná (95%), Santa Catarina (99%) e Rio Grande do Sul (90%); e no Centro Oeste, Mato Grosso do Sul (106%), Mato Grosso (98%), Goiás (96%) e Distrito Federal (99%).

Enquanto isso, a aposta do país para a superação da crise reside na vacinação. Entretanto, o ritmo é lento. De acordo com dados do governo federal, foram entregues e distribuídas 42.956.226 doses, sendo que 21.997.737 já foram aplicadas.

Somente 10,33% da população já receberam a primeira dose e 2,27% a segunda. Do total de doses aplicadas, 80% são da CoronaVac, vacina atacada e rejeitada por Bolsonaro, produzida à revelia do governo federal pelo Instituto Butantan, em São Paulo.

A RBA utiliza informações fornecidas pelas secretarias estaduais, por meio do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).

Eventualmente, elas podem divergir do informado pelo consórcio da imprensa comercial. Isso em função do horário em que os dados são repassados pelos estados aos veículos. As divergências para mais ou para menos são sempre ajustadas após a atualização dos dados.

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Brasil registra mais de 4 mil mortes por Covid-19 em 24h, recorde na pandemia

Números desta terça-feira (6) confirmam previsões de infectologistas e cientistas

Parentes de vítimas da Covid-19 acompanham sepultamento em Manaus (Michael Dantas/AFP)

O Brasil superou nesta terça-feira (6) a marca negativa de 4 mil mortes registradas em 24 horas em decorrência da Covid-19: foram 4.195 óbitos, conforme apuração do Conselho Nacional de Secretários da Saúde. Até hoje, apenas dois países registraram mais de 4 mil mortes em um dia: Estados Unidos, em janeiro deste ano, e Peru, em agosto de 2020, após a revisão de dados.

Ao todo, a Covid-19 já tirou a vida de 336.947 brasileiros. Os números desta terça-feira (6) confirmam previsões de infectologistas e cientistas sobre o agravamento da pandemia no país neste ano. Desde março, o Brasil é o país com mais óbitos diários por Covid-19 no mundo. A segunda posição é dos Estados Unidos, que confirmaram 515 mortes nessa segunda-feira (5).

O cenário para a sequência do mês de abril é de mais óbitos. O número de infectados também não para de subir: foram 86.979 casos nas últimas 24 horas, totalizando 13.100.580.

562 mil mortes

Uma projeção feita pela Universidade de Washington, dos Estados Unidos, aponta que, até 1º de julho, o Brasil pode alcançar a marca de 562,8 mil mortes em decorrência da Covid-19.

Até hoje, a pandemia já provocou 330,2 mil óbitos no país, segundo dados do consórcio de veículos de imprensa. Caso a projeção se confirme, será uma alta de 70,4% em pouco menos de três meses.

O estudo, feito pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), ligado à universidade, prevê três cenários. O número de 562,8 mil mortes refere-se ao cenário mais provável, no qual vacinas são distribuídas sem atrasos, governos determinam novas medidas restritivas com duração de seis semanas toda vez que o número de mortes diárias ultrapassar 8 casos por milhão de habitantes (hoje, esse índice chega a 13), vacinados deixam de usar máscaras somente três meses após a segunda dose, entre outras variáveis.

Em um cenário mais positivo, que considera os mesmos pontos do anterior, mas com a diferença de que 95% da população estaria usando máscaras, o número de óbitos estimado cai para 507,7 mil, o que ainda representaria um salto expressivo de 53,7% no número de vítimas, mas também 55 mil vidas salvas pelo simples uso da proteção fácil. A mudança de comportamento, porém, não deverá ser fácil já que a estimativa do IHME é de que, hoje, somente 69% dos brasileiros usem máscara sempre que saem de casa.

Já no pior cenário, no qual variantes mais transmissíveis se espalham por locais sem registro de novas cepas e pessoas vacinadas deixam de usar máscaras apenas um mês após a segunda dose e aumentam sua mobilidade a níveis pré-pandemia, o número de mortes estimado é de 597,7 mil.

Os pesquisadores do IHME estimam ainda que o pico de mortes diárias do Brasil deve ocorrer em 24 de abril, quando o país pode alcançar 3.930 óbitos. De acordo com o instituto, só a partir daí os números começariam a baixar, mas, pela projeção do cenário mais provável, ainda

continuariam acima de mil em julho. O modelo do IHME é o que tem embasado as políticas de saúde da Casa Branca.

 

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Brasil registra 3438 mortes e fecha semana com recorde de infecções por covid-19

Na semana epidemiológica que se encerra neste sábado (27), Brasil teve 539.903 casos registrados da doença

Com novas cepas no país, cresce número de mortes entre jovens – Reprodução

Nas últimas 24 horas, o Brasil registrou 3.438 mortes por covid-19. Este é o terceiro registro em que a marca de 3 mil mortes foi ultrapassada desde o início da pandemia do novo coronavírus. Todos ocorreram nessa semana.

Segundo os dados da Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o total de óbitos registrados pelo vírus no país agora está em 307.112.

Ainda segundo o Connas, a semana epidemiológica que se encerra hoje (27) é a com maior registro de casos desde o início da pandemia: 539.903. Esta foi a terceira semana consecutiva com mais de meio milhão de casos registrados.

No total, o país chegou a cifra de 12.490.362 infectados pelo vírus, sendo 85.948 casos somente no último período.

A escalada de casos e mortes ocorre principalmente entre pessoas mais jovens. É o que aponta um levantamento do projeto “UTIs brasileiras”, da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), divulgado hoje.

Os números evidenciam que o percentual de pessoas de até 45 anos em 1.593 unidades de terapia intensivas públicas e privadas do país aumentou 193% entre fevereiro e março de 2021, se comparado ao período de setembro a novembro de 2020.

Saiba o que é o novo coronavírus

É uma vasta família de vírus que provocam enfermidades em humanos e também em animais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que tais vírus podem ocasionar, em humanos, infecções respiratórias como resfriados, entre eles a chamada “síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS)”.

Também pode provocar afetações mais graves, como é o caso da Síndrome Respiratória Aguda Severa (SRAS). A covid-19, descoberta pela ciência mais recentemente, entre o final de 2019 e o início de 2020, é provocada pelo que se convencionou chamar de “novo coronavírus”.

Como ajudar quem precisa?

A campanha “Vamos precisar de todo mundo” é uma ação de solidariedade articulada pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo. A plataforma foi criada para ajudar pessoas impactadas pela pandemia da covid-19. De acordo com os organizadores, o objetivo é dar visibilidade e fortalecer as iniciativas populares de cooperação.

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Brasil bate novo recorde com 3.650 mortes registradas em 24 horas

É a segunda vez que o país registra mais de 3 mil mortes; cidades enfrentam dificuldades para conseguir medicamentos

O boletim desta sexta-feira (26) do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) informa o registro de 3.650 novas vítimas da covid-19 no Brasil em um período de 24 horas, o equivalente a quase três mortes por minuto.

É o recorde de mortes registradas no período equivalente a um dia de todo o histórico do surto. Contudo, o recorde foi batido sem contar com os dados do Ceará, que não repassou as informações a tempo para o fechamento do balanço com os dados completos do país.

Foi a segunda vez desde o início da pandemia, em março de 2020, que o Brasil registra mais de 3 mil óbitos causados pela doença em 24 horas. A primeira foi em 17 de março, com 3.149 notificações.

Com os números de hoje, o Brasil chega a 307.112 mil mortos, de acordo com dados oficiais, sem contar com ampla subnotificação, reconhecida pelas autoridades sanitárias até do próprio governo.

Em relação ao número de novos infectados, o Conass informa o recebimento de 84.254 registros pelos estados, totalizando 12.404.414 casos. Na última quinta-feira (25), o Brasil bateu o recorde de registros em novos casos em um só dia, com 100.736 ocorrências.

Os dados da covid-19 desta sexta (26) confirmam que pandemia no país segue em total descontrole. É o pior momento do surto de covid no Brasil e epidemiologistas afirmam que a tendência é de agravamento.

Atualmente, mais de 25% das mortes por covid-19 no mundo ocorrem em solo brasileiro. Desde o dia 9 de março, o Brasil é o epicentro do vírus no mundo, com o maior média diária de vítimas da infecção respiratória.

Sem medicamentos

Enquanto isso, a situação da saúde pública é de colapso por todas as regiões do país. Apenas Amazonas e Roraima não estão com filas de leitos de UTIs. Mesmo com capacidade ampliada, a rede hospitalar do Brasil não comporta a demanda elevada, já que a crise sanitária provocada pelo novo coronavírus está em patamar inédito na história.

Além de leitos e pessoal, faltam medicamentos. De acordo com a Confederação Nacional de Prefeitos, em levantamento divulgado também nesta sexta (26), 1.316 municípios estão no limite de medicamentos necessários para intubação.

Isso significa que 23% das cidades do Brasil, além de não possuírem mais UTIs suficientes para atender os pacientes com covid, também podem ser obrigados a suspender os tratamentos pela falta de medicamentos.

Medicamentos para dois dias

Enquanto cidades e hospitais correm para conseguir até mesmo anestésicos, o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) dificulta o acesso e não garante o fornecimento dos medicamentos para intubação. O relato é do secretário da Saúde de São Paulo, Dr. Jean Gorinchteyn.

“Cidades não tiveram as mesmas possibilidades de aquisição desses medicamentos, porque o Ministério da Saúde os requisitou dos estados e das empresas produtoras e isso ficou indisponível para a distribuição. O que foi enviado pelo Ministério da Saúde hoje dá para dois dias”, alertou.

Com isso, o governo federal, que não centraliza as decisões de combate à covid no Brasil desde o início do surto, agora impede também a organização pelos estados, a exemplo de São Paulo.

“O que fizemos ao longo dessa semana, principalmente entendendo uma demanda maior do estado: antecipamos compras. Fizemos compra emergencial e atingimos um certo nível de conforto em relação ao que se vê nas redes municipais, mas não temos mais”, completou o secretário.

O relato foi confirmado pelo vice-governador, Rodrigo Garcia. “Uma Santa Casa no interior tinha conseguido fazer uma compra de medicamentos do kit para intubação, mas logo em seguida veio a requisição federal e eles perderam esses medicamentos. A falta de coordenação nacional tem cobrado um preço alto do Brasil”, contou, sem detalhar o município

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