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Caso Covaxin: centrão e militares estão no foco das suspeitas na Saúde

Os indicados políticos foram mantidos ou apoiados por militares que assumiram o ministério no ano passado e, durante a pandemia, controlaram cifras bilionárias

Roberto Dias foi indicado pelo Centrão ao ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (ABr)

As suspeitas de corrupção na compra de vacinas contra a Covid-19 envolveram, até agora, militares do Exército e apadrinhados do Centrão, duas sólidas bases de sustentação do governo de Jair Bolsonaro. O organograma dos fatos sob investigação evidencia uma aliança pragmática entre os dois setores pelo controle das verbas do Ministério da Saúde, o maior orçamento entre as 22 pastas. De uma ponta a outra, as tratativas para a importação de imunizantes passaram pelas mãos de nomes indicados pelo grupo do Congresso ao qual Bolsonaro se aproximou para barrar ameaças de impeachment.

Os indicados políticos foram mantidos ou apoiados por militares que assumiram o ministério no ano passado e, durante a pandemia, controlaram cifras bilionárias. A dobradinha entre Centrão e Exército se concentrou no Departamento de Logística da pasta, onde estão as principais suspeitas de irregularidades e um histórico de loteamento e denúncias de fraudes. Ao menos desde o governo de Michel Temer, o setor é controlado pelo Progressistas do senador Ciro Nogueira (PI) e do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PR).

Os três diretores que passaram pelo posto acumulam denúncias de corrupção e mau emprego de dinheiro público. Dois deles foram reabsorvidos pelo governo Bolsonaro. Davidson Tolentino é diretor da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), a estatal do Centrão, desde julho. Em maio de 2020, Tiago Queiroz virou secretário de Mobilidade do Ministério do Desenvolvimento Regional, um dos principais cargos da pasta de Rogério Marinho.

Apesar da narrativa de Jair Bolsonaro de acabar com o loteamento em cargos técnicos, a tradição foi mantida na Saúde. O nome do agora ex-diretor de logística, Roberto Dias, foi indicado pelo Centrão ao ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM). Oficialmente, a sugestão foi do ex-deputado Abelardo Lupion (DEM-PR), mas Dias saiu diretamente do governo do Paraná, de Cida Borghetti, mulher de Ricardo Barros, para a cadeira de diretor do Ministério da Saúde.

Com o protagonismo de Mandetta como condutor do combate à pandemia e defensor de posições científicas, Bolsonaro tirou o ministro do cargo. Nada disso abalou a permanência de Dias, homem do Centrão, no posto. Os titulares seguintes da pasta – Nelson Teich, Eduardo Pazuello e o atual Marcelo Queiroga – mantiveram o diretor.

De 2019 para cá, Dias autorizou mais de R$ 20 bilhões em pagamentos. Ele só caiu na última terça-feira, após um policial militar de Minas Gerais dizer que ouviu pedido de propina do então diretor. Integrantes da CPI suspeitam que a denúncia pode ter sido “plantada” pelo governo para atrapalhar a linha principal de investigação.

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Após Pazuello passar mal e mentir, depoimento será retomado nesta quinta

Sessão foi tensa, com várias declarações falsas e contradições do ex-ministro

Pazuello conseguiu se sair bem, apesar das mentiras (Leopoldo Silva/Agência Senado)

Após o ex-ministro Eduardo Pazuello passar mal, o depoimento do general à CPI da Covid será retomado somente nesta quinta-feira  (20). O anúncio do adiamento foi feito pelo presidente da comissão Omar Aziz (PSD-AM), mas não teve relação com o mal-estar.  A sessão foi tensa, com várias declarações falsas, momentos de tensão, contradições do ex-ministro e defesa do presidente Jair Bolsonaro. Apesar disso, Pazuello conseguiu impor narrativas durante vários momentos.

O ex-ministro foi atendido pelo médico e senador Otto Alencar (PSD-BA). Segundo o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Pazuello teve um mal-estar, uma síndrome vasovagal, foi atendido de imediato por Alencar e se recuperou.

Em entrevista à CNN, Alencar afirmou que o ex-ministro “poderia continuar” a dar o depoimento. “Nós já fizemos o atendimento”, disse o senador e médico.

E acrescentou: “Ele estava muito pálido, tonto. Ele teve uma síndrome vasovagal. O sangue deixa muito o cérebro, perde a consciência, fica tonto e estava muito pálido e a pressão caiu também. Deitamos ele no sofá, o sangue refluiu para o cérebro, ele ficou corado, se recuperou, estava respirando muito bem, podia perfeitamente continuar a oitiva. Foi suspenso (o depoimento), mas não foi por nenhuma sequela.”

Manaus

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello precisou ajustar seu discurso sobre a crise no Amazonas, após ser confrontado com um ofício, no qual o ex-secretário executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco afirma que a pasta soube dos problemas de oxigênio no Estado na noite do dia 7 de janeiro, em uma conversa com o secretário de Saúde do Estado. Pazuello vinha afirmando que só foi informado sobre o problema de oxigênio no dia 10 de janeiro.

O documento foi ressaltado durante a sessão pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM). Com isso, o ex-ministro da Saúde precisou dizer que apenas no dia 10 foi comunicado a ele “de forma clara” sobre a situação em Manaus. O ex-ministro confirmou que o secretário de Saúde do Estado ligou para ele, em seu telefone pessoal, para pedir ajuda no transporte de cilindros de oxigênio de Belém para Manaus, que iriam para o interior do Amazonas. “No dia 10, foi a primeira vez que o secretário colocou de forma clara que havia problemas na logística e fornecimento de oxigênio para Manaus”, disse Pazuello.

O ofício do Ministério da Saúde que traz a data do dia 7 de janeiro chegou à Câmara em março. “Quando esse ministério soube que faltaria oxigênio na rede de saúde do Estado do Amazonas, esclareço que, na noite de 7 de janeiro de 2021, este ministério tomou ciência de problemas relacionados ao abastecimento de oxigênio da rede de saúde do Amazonas. Tratou-se de uma conversa informal entre o secretário de Saúde do Estado do Amazonas e o ministro da Saúde, naquela noite, por telefone, apenas e tão somente para solicitar apoio no transporte de 350 cilindros de oxigênio de Belém para Manaus” escreve Franco em resposta a um requerimento de informação feito pelo deputado José Ricardo (PT-AM).

“Ainda pela noite, o ministro da Saúde coordenou, pessoalmente, o apoio com o ministro da Defesa e com o Comando Conjunto Amazônia para o transporte aéreo de 150 cilindros de oxigênio, totalizando 1.275m3 de Belém para Manaus, com entrega no dia 8 de janeiro, e de mais 200 cilindros para entrega no dia 10 de janeiro”, diz o ex-secretário executivo exonerado da função no fim de março.

Quebra de sigilos

O vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), apresentou nesta quarta-feira (19), um requerimento para que os sigilos bancário e telefônico do ex-ministro Eduardo Pazuello sejam quebrados. O senador pediu que sejam compartilhados com a comissão todos os dados fiscais e telemáticos de Pazuello desde 2020.

Como justificativa, Randolfe cita o que chamou de “gravíssima revelação” feita na noite desta terça-feira (18) pelo Jornal Nacional dando conta de que, durante a gestão do general no Ministério da Saúde, militares escolheram, sem licitação, empresas para reformar prédios antigos no Rio de Janeiro. “E, para isso, usaram a pandemia como justificativa para considerar as obras urgentes”, observou o senador.

Ainda não há data para o pedido ser analisado pelos integrantes da CPI. Há também pedidos de quebra de sigilo telefônico e bancário do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) – apontado como integrante de um núcleo de aconselhamento paralelo ao Ministério da Saúde para ações do governo que dizem respeito à pandemia – e de Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação que auxiliou nas negociações para aquisição de vacinas da Pfizer.

Dom Total/Agência Estado

 

 

 

 

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R$1,6 bi do ‘orçamento secreto’ do governo foi destinado à pavimentação irregular

Codevasf teve sua finalidade desvirtuada no governo Bolsonaro quando passou a atender municípios localizados a mais de 1,5 mil km das águas do São Francisco e acomodar ainda mais políticos do Centrão

Documentos indicam que parte do orçamento secreto deve bancar contratos de asfaltamento cujas licitações foram consideradas irregulares pela área técnica do TCU (Arquivo ABr)

Metade do orçamento secreto de R$ 3 bilhões criado pelo presidente Jair Bolsonaro para aumentar sua base de apoio no Congresso foi direcionada para pavimentação asfáltica. Além das compras de tratores acima da tabela de referência, o grupo político beneficiado pelo esquema reservou R$ 1,6 bilhão para asfaltar ruas e estradas nos seus redutos eleitorais.

Documentos a que a reportagem teve acesso indicam que parte do orçamento secreto deve bancar contratos de asfaltamento cujas licitações foram consideradas irregulares pela área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU). Os indícios foram identificados durante pente-fino da Corte em pregões da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) entre novembro e dezembro de 2020.

Criada para desenvolver as margens do Velho Chico, a estatal teve sua finalidade desvirtuada no governo Bolsonaro quando passou a atender municípios localizados a mais de 1,5 mil quilômetros das águas do São Francisco e acomodar ainda mais políticos do Centrão. Na prática, a empresa virou um duto para saída dos recursos do “tratoraço”, como o esquema de “toma lá, dá cá” está sendo chamado.

O trabalho dos auditores do TCU não levou em conta a origem dos recursos. Focou apenas na aplicação, independentemente da fonte das verbas. Os valores globais desses pregões questionados são de R$ 533 milhões. Com base em documentos aos quais o Estadão teve acesso, a reportagem identificou que parte é originária do orçamento secreto, criado a partir de uma nova modalidade de emenda (RP-9).

Os pregões foram feitos pela Codevasf antes mesmo de os recursos serem reservados ao órgão, o que por si só já descumpre a lei, e sem especificar locais de serviços. O tipo de licitação – por ata de registro de preços – também seria inadequado de acordo com os auditores. A área técnica do tribunal apontou ao menos quatro problemas e definiu como “indício de irregularidade grave o fato de que as licitações possuíam objetos indefinidos e locais de execução indeterminados, inexistindo projetos básico e executivo das intervenções a serem realizadas”.

Além disso, os auditores apontaram uma possível limitação na concorrência, pois a previsão de contratos com valores elevados diminui a possibilidade de mais empresas participarem dos pregões – o parcelamento dos objetos de contratos seria o mais adequado, pois permitiria mais concorrência, na visão dos auditores.

“(Houve) utilização indevida do sistema de registro de preços para a contratação de obras, com o emprego da ata de registro de preços como contrato do tipo ‘guarda-chuva’, com objeto incerto e indefinido, sem a prévia realização dos projetos básico e executivo das intervenções a serem realizadas”, diz o relatório.

Tabela

Os documentos mostram ainda que 18 empresas vencedoras das licitações que o TCU questiona estão também em uma tabela de contratos que a Codevasf realizou com a verba direcionada pelos parlamentares no fim do ano.

Por exemplo, o senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI) colocou R$ 50 milhões para pavimentação asfáltica na Codevasf. As empresas foram vencedoras de três pregões para atuação exatamente na 7ª Superintendência Regional da Codevasf, sediada em Teresina. Ciro Nogueira tem influência sobre a superintendência. As licitações vencidas pelas três empresas chegam a R$ 67 milhões, no total. Ou seja, em se confirmando essas contratações, a maior parte dessas verbas terá vindo dos créditos direcionados à Codevasf pelo senador, líder do Centrão.

Esse volume de recursos excede as emendas impositivas a que os parlamentares têm direito e não foi distribuído de forma equânime entre os congressistas. A divisão atendeu a critérios políticos e foi feita dentro dos gabinetes, a porta fechadas, e por meio de ofícios não publicados. A prática atropelou leis licitatórias e um veto do presidente Jair Bolsonaro, que, em 2019, foi contra entregar a deputados e senadores o controle formal da execução das verbas de emenda geral de relator.

A partilha dos recursos se dá ao largo do controle do próprio TCU. Ciro Nogueira direcionou R$ 135 milhões do orçamento secreto do governo no Ministério do Desenvolvimento Regional, somente em dezembro de 2020. Ele precisaria de 16 anos no Senado para poder indicar tamanha quantia, se contasse apenas com as emendas individuais – a cada ano, apenas R$ 8 milhões são disponíveis para livre indicação por parlamentares, sendo que um valor semelhante é possível de indicar apenas dentro da área da saúde.

O senador é hoje o líder da tropa de choque do governo Bolsonaro na CPI da Covid. Ao depor na comissão, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta acusou Nogueira de ler uma pergunta enviada pelo ministro Fábio Faria (Comunicações).

Líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE) recebeu R$ 125 milhões do orçamento secreto. Ele colocou todo o valor na Codevasf. É dele a indicação do superintendente da estatal em Petrolina, Aurivalter Cordeiro, onde o filho Miguel Coelho (MDB) é prefeito. Como senador, Bezerra levaria 15 anos para alocar o montante.

Uma parte desse orçamento secreto o senador destinou para obras de asfalto. A Codevasf prevê que um porcentual irá para pagar firmas que venceram licitações consideradas irregulares pelo TCU.

Ao todo, a reportagem identificou que 18 das empresas listadas entre as vencedoras das licitações irregulares, na visão do corpo técnico do TCU, estão também entre as com previsão de receber recursos originados de indicações de parlamentares.

A representação de auditores do TCU, aberta no início deste ano, pede a suspensão de contratações que ainda não foram formalizadas, apesar de os vencedores dos pregões já serem conhecidos. O processo está em julgamento no tribunal. O ministro Augusto Sherman, relator, iniciou o voto no processo há duas semanas, mas o ministro Vital do Rêgo pediu vista.

Ex-advogado-geral da União (AGU) no governo Michel Temer, o advogado Fábio Medina Osório disse que os achados dos auditores do TCU recomendam a suspensão do contato. “As apontadas irregularidades são de natureza grave, uma vez que a ausência de objeto específico, de projeto básico e de local de execução dos serviços inviabiliza a adequada concorrência, culminando em potencial dano ao erário”, afirmou.

Ele destacou que houve uma afronta aos princípios constitucionais de legalidade, da eficiência e da publicidade, definidos no artigo 37 da Constituição. Na avaliação do advogado os fatos, em tese, podem configurar ato de improbidade administrativa. Osório destacou ainda o risco de sobrepreço. “Não havendo detalhamento de cada obra em particular, não há como ser aferido se o que seria pago seria efetivamente executado, com possível sobrepreço”, disse Osório.

‘Impacto’

Em manifestação ao TCU, a Codevasf disse que “os impactos em caso de eventual anulação dos certames serão gigantescos, deixando milhares de pessoas sem os benefícios que as pavimentações trarão, bem como prejuízos em relação a escoamento da produção em vias rurais, diminuição de poeira, melhoria da trafegabilidade e bem-estar da população na área de atuação da Codevasf”. Procurada pela reportagem, a empresa disse que se explicou ao TCU.

O voto do relator, Augusto Sherman, foi para não suspender as contratações no momento, mas para abrir imediata fiscalização. Procurados, os senadores não se manifestaram.

 

Agência Estado/Dom Total

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Datafolha: Lula tem 41% contra 23% de Bolsonaro; ex-presidente venceria no segundo turno com 55% dos votos

Petista aparecem 18 pontos à frente do atual presidente no primeiro turno

Cenário para 2022 confirma polarização entre Lula e Bolsonaro (Montagem Dom Total com fotos de Alan Santos/PR e Lula Marques)

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (12) coloca Lula na liderança da corrida presidencial com 41% das intenções de voto contra 23% do presidente Jair Bolsonaro. O levantamento aponta ainda que o petista venceria no segundo turno por 55% a 32%.

É a primeira pesquisa de eleição presidencial feita após o ex-presidente recuperar os direitos políticos, depois de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

A pesquisa aponta para uma eleição polarizada em 2022. No atual cenário, demais nomes aparecem bem distantes de Lula e Bolsonaro. O ex-juiz Sergio Moro tem 7%; Ciro Gomes (PDT) aparece com 6%; Luciano Huck (sem partido) tem 4%; e João Doria (PSDB) tem 3%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, todos estão empatados tecnicamente.

Ainda aparecem na pesquisa Datafolha com 2% das intenções de voto Luiz Henrique Mandetta (DEM) e João Amoêdo (Novo). O levantamento também aponta que 9% dos entrevistados disseram que pretendem votar em branco, nulo, ou em nenhum dos candidatos apresentados, e 4% se classificaram como indecisos.

Todos os adversários de Lula somam, juntos, 47%, apenas seis pontos percentuais a mais do que o petista.

O Datafolha destaca que, no segundo turno, Lula herdaria votos dados a Doria, Ciro e Huck, e Bolsonaro teria os de Moro. Lula ganharia de Moro (53% a 33%) e Doria (57% a 21%) caso enfrentasse esses candidatos no segundo turno. Bolsonaro empataria tecnicamente com Doria (39% a 40%) e perderia para Ciro (36% a 48%).

O Datafolha ouviu 2.071 pessoas em 146 municípios, de forma presencial, entre terça (11) e quarta-feira (12).

 

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Brasil chega a 400 mil mortos por Covid-19 36 dias após atingir 300 mil óbitos

Com vacinação lenta, país pode enfrentar a terceira onda da pandemia já nos próximos meses

Enterro de Covid-19 no Cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus Marcio James/AFP (Marcio James/AFP)

O Brasil atingiu a marca de 400 mil mortos pela Covid-19 com um patamar ainda alto de óbitos diários e índices de mobilidade crescentes, o que, para especialistas, aumenta o risco de o país ter uma terceira onda da pandemia antes de atingir a imunidade de rebanho pela vacina. A marca negativa chega 36 dias após o país chegar a 300 mil óbitos.

Para cientistas especializados em epidemiologia e virologia ouvidos pela reportagem, a reabertura precipitada das atividades econômicas antes de uma queda sustentada de casos, internações e mortes favorece que as taxas de transmissão voltem a crescer, com risco maior do surgimento de novas variantes de preocupação. Com isso, o intervalo entre a segunda e uma eventual terceira onda seria menor do que o observado entre o primeiro e o segundo picos.

“Nos níveis em que o vírus circula hoje, esse período entre picos pode ser abreviado, sim. Já vimos esse efeito em algumas localidades na virada do ano. A circulação em níveis altos favorece isso”, diz o virologista Fernando Spilki, coordenador da Rede Coronaômica, força-tarefa de laboratórios faz o monitoramento genético de novas cepas.

Em 2020, o número de casos e mortes começou a cair entre julho e agosto para ter novo aumento a partir de novembro. O surgimento de uma nova cepa do vírus (P.1) em Manaus colapsou o sistema amazonense em janeiro e provocou a mesma catástrofe em quase todos os Estados do País entre fevereiro e março.

Os últimos dois meses foram os piores da pandemia até aqui. No ano passado, o país demorou quase cinco meses para atingir os primeiros 100 mil mortos, outros cinco meses para chegar aos 200 mil e dois meses e meio para alcançar as 300 mil vítimas. A triste marca dos 400 mil óbitos veio apenas 36 dias depois.

E os dados dos últimos dias indicam que a queda das internações e mortes iniciada há três semanas já estagnou. O mais provável agora é que os índices se estabilizem em níveis elevados, com 2 mil a 3 mil mortes diárias, ou voltem a crescer, projeta o estatístico e pesquisador em saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Leonardo Bastos.

“Agora era a hora de segurar mais, fazer uma reabertura mais lenta e planejada. Esse aumento de mobilidade e contato entre as pessoas pode levar a uma manutenção do número de hospitalizações em um patamar super alto, o que é péssimo, porque sobrecarrega o sistema de saúde. Do jeito que está, a questão não é se vai acontecer uma nova onda, mas quando”, diz o especialista.

Como exemplo de como uma nova variante pode provocar grandes surtos em um intervalo curto de tempo, o especialista da Fiocruz cita o caso do Rio. Ele considera que o Estado já viveu três ondas. Além da primeira, entre maio e junho de 2020, os municípios fluminenses sofreram um segundo pico em dezembro, com o surgimento da variante P.2, e uma nova alta em março deste ano com a emergência da P.1. “Talvez a próxima onda não seja síncrona em todo o País, mas poderemos ter surtos em diferentes locais”, opina Bastos.

Para Spilki, o aumento nas taxas de mobilidade e relaxamento das medidas de proteção não só elevam as taxas de transmissão como facilitam o surgimento de variantes mais transmissíveis ou letais. “A variante P.1 e outras não são entes estáticos, podem evoluir e se adaptar a novos cenários com o espaço que vem sendo dado para novos casos”, diz ele. Desde novembro, relata o especialista, já foram identificadas oito novas variantes originadas no Brasil.

O epidemiologista Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), também destaca que, mesmo com a queda de casos e mortes nas últimas três semanas, o Brasil está longe de vislumbrar um controle da pandemia.

“Houve arrefecimento do número de casos e mortes pelas medidas de distanciamento social realizadas às duras custas. No momento, o retorno às outras fases de distanciamento é preocupante, principalmente na próxima semana, com aumento da procura de lojas pelo Dia das Mães e, também pela frequência maior de encontros sem a proteção necessária, como já aconteceu no Natal” alerta.

Os especialistas acham improvável que a imunização consiga contemplar a maioria da população antes de uma nova onda. “A vacinação segue lenta, com interrupções e falhas de esquema, como falta de doses para reforço, o que é mais um complicador no que tange a frear a disseminação e evolução de variantes”, comenta o virologista.

Para os cientistas, as medidas necessárias para minimizarmos o risco de um novo tsunami de casos e mortes são as mesmas preconizadas desde o início da pandemia: uso de máscara (de preferência PFF2), distanciamento social, preferência por ambientes ventilados, rastreamento e isolamento de pessoas infectadas, além da aceleração da campanha de vacinação, que esbarra na escassez de doses.

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Brasil supera 340 mil mortes por covid-19 em dia com 3.829 vítimas

Fiocruz alerta para aumento da letalidade da covid-19 no Brasil e pede por lockdown de 14 dias

O Brasil ultrapassou a marca de 340 mil mortos por covid-19. Nas últimas 24 horas, foram registradas 3.829 vítimas, um dos dias mais letais do surto.

Na terça-feira (6) foram registradas mais de 4 mil mortes, um recorde no país. O pior momento da pandemia continua se agravando, enquanto medidas para a contenção do vírus seguem tímidas ou inexistentes.

Em relação ao número de novos infectados, foram 92.625 no último período, totalizando 13.193.205 doentes desde o início do surto, em março de 2020.

Trata-se de um valor elevado diante do registrado nos últimos cinco dias, o que revela o descontrole da transmissão da covid-19 no Brasil.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou um boletim extraordinário que atesta esse descontrole e pede por medidas duras de isolamento, o lockdown.

“Ao longo da última semana foram registrados valores recordes de óbitos por covid-19 superando-se a marca de 3 mil mortes diárias (…) Na última semana observou-se um novo aumento da taxa de letalidade, de 3,3% para 4,2%, o que pode ser consequência da falta de capacidade de se diagnosticar correta e oportunamente os casos graves, somado à sobrecarga dos hospitais”, afirma a Fiocruz, que alerta para uma subnotificação dos dados, mesmo em valores elevados.

Outra voz que alerta para a necessidade de intensificar medidas de isolamento é a de Anthony Fauci. Líder da força-tarefa contra a pandemia nos Estados Unidos, Fauci é uma das maiores autoridades em epidemiologia do mundo. Ele disse, em entrevista coletiva, que “todos reconhecem que há uma situação muito grave no Brasil” em relação à covid-19.

“Não há dúvida de que medidas severas de saúde pública, incluindo lockdowns, têm se mostrado muito bem-sucedidas em diminuir a expansão dos casos. Então, essa é uma das coisas que o Brasil deveria pensar e considerar seriamente dado o período tão difícil que está passando”, alertou o especialista.

Indicações

A Fiocruz, desde o início do ano, avisa sobre a iminência de um colapso na rede hospitalar de todo o país, o que de fato ocorreu. Hoje, faltam leitos de UTI em todas as regiões do país; pessoas morrem sem conseguir atendimento médico necessário.

Os apelos da instituição e de um grande número de cientistas foram ignorados desde o início da pandemia pelo governo do presidente Jair Bolsonaro.

O político, ao contrário, sempre adotou uma postura negacionista; minimizou a pandemia, ridicularizou o uso de máscaras, promoveu e incentivou aglomerações e chegou a atacar vacinas com informações falsas e imprecisas.

Diante do cenário caótico, a Fiocruz reforça as recomendações. Entre elas estão: “proibição de eventos presenciais, como shows, congressos, atividades religiosas, esportivas e correlatas em todo território nacional; a suspensão das atividades presenciais de todos os níveis da educação do país; o toque de recolher nacional a partir das 20h até as 6h da manhã e durante os finais de semana; o fechamento das praias e bares; a adoção de trabalho remoto sempre que possível, tanto no setor público quanto no privado; a instituição de barreiras sanitárias nacionais e internacionais, considerados o fechamento dos aeroportos e do transporte interestadual; a adoção de medidas para redução da superlotação nos transportes coletivos urbanos; a ampliação da testagem e acompanhamento dos testados, com isolamento dos casos suspeitos e monitoramento dos contatos”.

Colapso

O boletim pede que essas medidas sejam tomadas por 14 dias para reduzir a pressão sobre o sistema de Saúde e reduzir o elevado número de mortes diárias. Das 27 unidades da Federação, 19 estão com os sistemas hospitalares colapsados.

São elas: Rondônia (96%), Acre (95%), Amapá (91%) e Tocantins (95%); Piauí (97%), Ceará (96%), Rio Grande do Norte (97%), Pernambuco (97%) e Sergipe (95%); Minas Gerais (93%), Espírito Santo (94%), Rio de Janeiro (91%) e São Paulo (91%); Paraná (95%), Santa Catarina (99%) e Rio Grande do Sul (90%); e no Centro Oeste, Mato Grosso do Sul (106%), Mato Grosso (98%), Goiás (96%) e Distrito Federal (99%).

Enquanto isso, a aposta do país para a superação da crise reside na vacinação. Entretanto, o ritmo é lento. De acordo com dados do governo federal, foram entregues e distribuídas 42.956.226 doses, sendo que 21.997.737 já foram aplicadas.

Somente 10,33% da população já receberam a primeira dose e 2,27% a segunda. Do total de doses aplicadas, 80% são da CoronaVac, vacina atacada e rejeitada por Bolsonaro, produzida à revelia do governo federal pelo Instituto Butantan, em São Paulo.

A RBA utiliza informações fornecidas pelas secretarias estaduais, por meio do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).

Eventualmente, elas podem divergir do informado pelo consórcio da imprensa comercial. Isso em função do horário em que os dados são repassados pelos estados aos veículos. As divergências para mais ou para menos são sempre ajustadas após a atualização dos dados.

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Morosidade da vacinação pode comprometer redução das mortes por Covid-19

Estima-se que cerca de 127 mil vidas seriam poupadas até o fim de 2021 se o Brasil tivesse começado em 21 de janeiro a vacinar em massa

Vacinação contra Covid-19 (Divulgação/Prefeitura de Olinda)

Dois estudos recentemente divulgados na plataforma medRxiv, ainda sem revisão por pares, evidenciam como a morosidade da vacinação contra a Covid-19 no Brasil pode comprometer a eficiência da campanha em termos da redução do número de mortes pela doença no atual pico epidêmico.

Em um dos artigos, cujo autor principal é o professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) Eduardo Massad, estima-se que cerca de 127 mil vidas seriam poupadas até o fim de 2021 se o Brasil tivesse começado em 21 de janeiro a vacinar em massa – algo em torno de 2 milhões de doses aplicadas ao dia. A média atual tem sido de 2 mil pessoas imunizadas diariamente, ou seja, 10% do considerado ideal pelos pesquisadores com base no potencial demonstrado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em campanhas anteriores.

Se os esforços de imunização tivessem ganhado corpo um mês depois, em 21 de fevereiro, o número de mortes evitadas cairia para 86,4 mil até o final do ano. À medida que o tempo passa a estimativa diminui para 54,5 mil (21 de março), 30,3 mil (21 de abril) e 16,4 mil (21 de maio).

“Ao que tudo indica, a vacinação em massa no Brasil só deve começar de fato em agosto. E isso se o Instituto Butantan e a Fiocruz cumprirem a promessa de entregar 150 milhões de doses até julho. Nem estou contando com vacinas de outros laboratórios, como Pfizer, Moderna ou Janssen, porque se chegarem ao país no primeiro semestre será a conta-gotas. Para que um cenário diferente fosse possível, essa negociação deveria ter sido feita já no ano passado”, afirma Massad em entrevista à Agência FAPESP.

Por meio de modelagem matemática e com base nas tendências observadas em dezembro de 2020 (taxa de transmissão e número diário de novos casos – sem considerar a nova variante brasileira), o grupo liderado pelo professor da FM-USP calculou que, se nenhum esforço de vacinação fosse feito ao longo de 2021, o país chegaria ao fim do ano contabilizando 352,9 mil vítimas da Covid-19.

“Trata-se de uma subestimativa, pois com a chegada das novas cepas do SARS-CoV-2 a curva epidêmica tornou-se muito mais acentuada. Essa projeção [de mortes até 31 de dezembro de 2021 em um cenário sem vacinação], no atual contexto, provavelmente ultrapassaria 400 mil óbitos. Ou seja, todos os números apresentados no artigo agora passam a ser o mínimo, o piso”, avalia Massad.

Para o pesquisador, o Brasil já vive a terceira onda da Covid-19, que teria começado após o pico de casos observado em janeiro deste ano. “A segunda onda nem chegou a cair substancialmente quando emergiu a nova variante [P.1.] e o número de casos voltou a acelerar. De quatro semanas para cá temos quebrado recorde atrás de recorde”, diz.

Considerando o atual contexto, Massad calcula que devem morrer mais 100 mil brasileiros até o fim do ano por conta do atraso da vacinação. Se fosse possível antecipar o início da imunização em massa para maio, esse número seria reduzido pela metade, aproximadamente.

“Devemos ter entre 30 e 40 milhões de doses para o primeiro semestre e isso não dá para atender nem metade do grupo considerado de risco, que abrange 77 milhões de pessoas. Com 40 milhões de doses só vacinaremos 20 milhões de indivíduos nesse período, ou seja, menos de um terço do necessário”, aponta o pesquisador.

Na avaliação de Massad, portanto, o impacto da vacinação no curso da epidemia será praticamente nulo no primeiro semestre de 2021. “Se os casos começarem a cair certamente será pelo curso natural da doença ou pelas medidas de isolamento social, que estão cada vez mais difíceis de serem implementadas”.

Todas as estimativas descritas no estudo foram feitas considerando uma vacina com 90% de eficácia, número superior ao dos imunizantes já disponíveis no Brasil (Covidshield, da AstraZeneca/Fiocruz e CoronaVac, da Sinovac Biotech/ Instituto Butantan). No entanto, Massad afirma que todos os imunizantes já aprovados para uso emergencial ou definitivo têm se mostrado igualmente eficazes na prevenção de mortes por Covid-19, que é o principal parâmetro avaliado na pesquisa.

A velocidade faz diferença

O segundo estudo sobre o tema foi conduzido por Thomas Vilches, pós-doutorando no Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e teve a colaboração de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu.

Também por modelagem matemática, o grupo projetou 18 cenários relacionados ao impacto da campanha de vacinação no número de internações e mortes por Covid-19 em São Paulo no atual pico epidêmico.

Entre os fatores que se modificam nos diferentes cenários estão: a vacina utilizada (CoronaVac ou Covidshield), a velocidade na distribuição das doses (630 mil ou 1,2 milhão ao dia em todo o país), a proteção de cada imunizante contra sintomas severos (que variou entre 0% e 100%), a proteção das vacinas contra a infecção (que também variou de 0% a 100%) e o grau de percepção de risco de cada indivíduo vacinado, ou seja, o quanto ele respeita as medidas de isolamento.

Ao ajustar o modelo, os pesquisadores consideraram que em torno de 20% da população paulista já havia sido infectada e apresentava anticorpos contra o SARS-CoV-2. Além disso, considerou-se uma taxa de transmissão do vírus de 1,04 (cada 100 infectados sintomáticos geram outros 104 sintomáticos). Esse foi o valor reportado para São Paulo em janeiro pelo Observatório Covid-19 BR.

“No cenário que chamamos de basal [baseline], consideramos que 0,3% da população do país seria vacinada diariamente e isso dá algo em torno de 630 mil doses ao dia. Essa velocidade de distribuição seria possível de ser alcançada somente com as doses fornecidas pelo Instituto Butantan, quando a produção alcançar a ‘velocidade de cruzeiro’ [1 milhão de doses ao dia]. Já no cenário que chamamos de ‘velocidade dobrada’, 0,6% da população seria vacinada por dia, o que seria possível de ser feito somando as doses produzidas por Butantan e Fiocruz”, avalia Vilches.

O pesquisador ressalta, no entanto, que mesmo o cenário considerado basal no estudo é mais célere que o ritmo atualmente registrado em todo o país. “O Brasil tem uma grande capacidade de fazer a distribuição das doses, graças à estrutura do SUS. Nosso problema é a produção”, afirma.

As projeções indicam que com a CoronaVac, no melhor cenário – ou seja, considerando 100% de proteção relativa (o que equivale a dizer que a proteção contra infecção é de 50,3%, valor equivalente ao da eficácia global) e 100% de proteção contra sintomas severos -, seria possível, na velocidade basal de distribuição, reduzir em 45,3% o número de óbitos por Covid-19 no atual pico epidêmico. Com a Covidshield, também no melhor cenário, a redução seria de 57%.

Caso a velocidade na distribuição das doses fosse dobrada, os percentuais (referentes à redução dos óbitos) saltariam para 65,7% com a CoronaVac e 74% com a Covidshield.

“Com a velocidade dobrada, mesmo no pior cenário [aquele em que a vacina oferece 0% de proteção contra sintomas severos e 0% contra infecção], a CoronaVac poderia reduzir em 30% o número de mortes e, a Covidshield, em 46,8%”, estima Vilches.

Segundo o pesquisador, a mensagem principal do trabalho é que, para que a campanha tenha um impacto significativo na redução das mortes, todo esforço possível deve ser feito para acelerar o ritmo da vacinação no país, inclusive a compra de imunizantes de outros laboratórios. “Quanto mais vacinas forem adquiridas, melhor. Não há justificativa para não fazê-lo. Vacinar rápido é fundamental para evitar mortes e também para barrar o surgimento de novas cepas ainda mais agressivas”, diz.

Agência FAPES

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Lula adota discurso de estadista e afirma: “O Brasil não é dos milicianos”

Sobre as eleições de 2022, petista adota cautela e defende unidade da esquerda. Para Huck e Ciro Gomes, sobraram ironias

Ex-presidente discursa na sede do Sindicato dos Metalúrgicos – Foto: Vanessa Nicolav

Durante as mais de três horas em que falou no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, São Paulo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discorreu sobre temas da política nacional, criticou o atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e ironizou possíveis presidenciáveis das eleições de 2022.

Assista ao discurso aqui

Sobre uma possível candidatura sua, Lula preferiu adiar a decisão, mas defendeu que a esquerda se mantenha unida para enfrentar Bolsonaro: “Nós vamos discutir se vai ter candidato de frente ampla [de esquerda], se vai ter um candidato do PT, mas aí é mais para frente. Nós temos muita coisa para fazer antes de pensar em nós mesmos.”

O petista também comentou as chances de uma aliança para além do campo progressista. “Quando chegar o momento, vamos decidir se será possível uma candidatura única e se será possível alianças só na esquerda. Quando eu fui candidato em 2002, eu tive como vice o companheiro José Alencar, do PL. E foi a primeira vez nesse país que fizemos uma aliança entre o capital e o trabalho, para governar esse país”, disse.

Ainda de acordo com Lula, a polarização não deve ser encarada como um problema: “O PT polariza desde 1989. O PT sempre vai disputar as eleições para polarizar. Com Bolsonaro, com PSDB, não importa. Em qualquer circunstância, estaremos com a esquerda. Podemos polarizar com quem quer que seja, desde que seja de esquerda contra alguém de direita. Duro é quando era gente de direita contra outro de direita.”

Lula teve seus direitos políticos restabelecidos após a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que anulou todas as sentenças contra o ex-presidente, em julgamentos da 13ª Vara Federal de Curitiba, no Paraná. Dessa forma, de acordo com a Lei da Ficha Limpa, o petista pode ser candidato novamente a qualquer cargo eletivo.

A decisão do STF, comemorada por Lula e seus aliados, gerou críticas em possíveis candidatos à Presidência em 2022. Luciano Huck, apresentador de TV, e Ciro Gomes receberam respostas do ex-presidente.

“Seria melhor que ela [imprensa] dissesse ‘olha, temos um candidato do PSDB, vamos desenterrar aquele Doria?’ Que dissessem isso textualmente. O Huck? O Huck tá jogando bafo, falando de figurinha. Pô, eu fiquei tão chateado. Um cara que eu considero um cara bom de televisão, um menino que progrediu na vida. Mas ele não conhece figurinha, porque ele falou que figurinha repetida não vale nada, mas ele não sabe que uma figurinha repetida carimbada vale pelo álbum inteiro”, ironizou Lula.

Sobre Ciro Gomes, Lula disse que ele “precisa se reeducar”. “Se ele não melhorar, não vai ter apoio de ninguém. Humildade não faz mal a ninguém, é preciso respeitar as pessoas e tratar elas com carinho. Se chegar aos 70 com essa intolerância, não vai aprender mais nada”, completou o ex-presidente.

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Ministério da Defesa diz que vai apurar compra de picanha e cervejas especiais para militares

Em tempos de extrema restrição de orçamento, as Forças Armadas usaram dinheiro público, ao longo de 2020, para bancar a compra de mais de 700 mil quilos de picanha e 80 mil cervejas

Além do gasto em tempo de pandemia, há fortes indícios de superfaturamento nas aquisições. (Isac Nóbrega/PR)

O Ministério da Defesa e as Forças Armadas garantem que ‘eventuais irregularidades’ na compra de 700 mil quilos de picanha e 80 mil cervejas com dinheiro público em 2020 serão ‘apuradas com rigor’. É o que diz nota do Ministério da Defesa (MD), que informou aguardar notificação da Procuradoria-Geral da República. As Forças Armadas argumentam que a representação de deputados do PSB se baseia em “informações absolutamente equivocadas” e que o tema foi objeto de nota de esclarecimento, mas o órgão não explicou as razões que levaram à aquisição de cervejas e de picanha.

Conforme já publicamos, as Forças Armadas brasileiras usaram dinheiro público, ao longo de 2020, para bancar a compra de mais de 700 mil quilos de picanha e 80 mil cervejas. E não se trata de itens quaisquer. Picanha de R$ 84,14 o quilo. Cervejas especiais, de puro malte, a R$ 9,80 cada.

As despesas com bebidas alcoólicas e carne de churrasco foram tema de uma representação que deputados do PSB enviaram na terça-feira, 9, ao procurador-geral da República, Augusto Aras, para que investigue os gastos militares. O levantamento foi feito diretamente pela equipe dos parlamentares. A representação levada à PGR foi divulgada pelo site Congresso em Foco. Os questionamentos não se limitam ao tipo de item que foi comprado. Há fortes indícios, de acordo com os parlamentares, de superfaturamento nas aquisições.

O levantamento utilizou informações do Painel de Preços do Ministério da Economia, a mesma ferramenta pública que revelou as compras milionárias de leite condensado. Na ocasião, o presidente Jair Bolsonaro justificou que se tratava de um item “necessário” aos militares, dado seu alto teor energético e calórico.

A reportagem questionou as Forças Armadas sobre quais seriam as justificativas e motivações para a compra dos 714.700 quilos de picanha e 80.016 garrafas e latas de cerveja em pleno ano de pandemia. Em nota, o Ministério da Defesa (MD) informou que aguarda a notificação da Procuradoria Geral da República. “O Ministério da Defesa e as Forças Armadas reiteram seu compromisso com a transparência e a seriedade com o interesse e a administração dos bens públicos. Eventuais irregularidades são apuradas com rigor”, diz a pasta.

O deputado Elias Vaz de Andrade (PSB-GO), que está entre aqueles que assinam a representação, afirma que os dados são oficiais e que se trata de preços devidamente registrados e aprovados pelas Forças Armadas, para que possa solicitar os alimentos. “Estamos denunciando esses processos licitatórios. Essas empresas tiveram suas propostas aprovadas, por esses valores. Há processos de compra concluídos e, inclusive, já efetivamente pagos. Todos eles foram homologados pelas Forças Armadas”, disse o deputado. “Falam que fazem uma alimentação balanceada, mas não explicam por que essa alimentação deve incluir itens como picanha e cerveja.”

Marcas famosas

Na relação detalhada de compras de cervejas anexada à denúncia dos deputados estão, por exemplo, 500 garrafas da bebida, da marca Stella Artois, ao preço unitário de R$ 9,05. Há ainda a aquisição de 3 mil garrafas de Heineken, a R$ 9,80 cada.

O comando da 23ª Brigada de Infantaria de Selva preferiu 3.050 garrafas de Eisenbahn, ao custo de R$ 5,99. Já a Brigada de Infantaria Motorizada do Rio de Janeiro optou por 1.008 latas de Bohemia Puro Malte, pelo valor de R$ 4,33 cada. Em supermercados aponta a representação, o preço médio desse item é de R$ 2,59.

A lista de cervejas inclui ainda 2 mil garrafas de 600 ML de Bohemia Puro Malte, pelo valor de R$ 7,29, quando essas garrafas são encontradas por R$ 5,79. Para comprar mais 1.600 latas de Skol Puro Malte, de 350 ML, os militares pagaram R$ 4,00 pela unidade, item que é encontrado a R$ 2,69 em redes de varejo.

“O superfaturamento é evidente. Além disso, a grande quantidade que os órgãos solicitaram via processo licitatório deveria favorecer a negociação e proporcionar preços muito menores que os oferecidos no varejo. A realidade, todavia, demonstra que os preços contratados são superiores aos praticados pelos supermercados”, afirmam os deputados, na representação.

As informações revelam ainda que Marinha, Aeronáutica, Exército, Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL) e a administração interna do Ministério da Defesa são grandes consumidores de picanha. Só em 2020, foram concluídos 76 processos de compra do corte, somando 714.700 quilos da carne nobre.

O Comando do Exército Brasileiro é o campeão em processos de compras do produto, tendo consumido 569.215 quilos do total.

Os dados revelam uma licitação de 13.670 quilos, na qual o valor de cada quilo pago foi de R$ 84,14. A se basear no preço que os militares estavam dispostos a pagar pela carne, até que saiu barato. O valor médio estimado pela equipe que conduziu a fase interna da licitação, de acordo com os documentos do certame, foi de R$ 118,25 o quilo.

“Sinceramente, é preciso investigar qual foi o corte de carne usado para se chegar a esse preço médio irreal”, informa a representação.

“Em um ano de pandemia, com crise sanitária, econômica e social devastando nosso país, é inacreditável que os cofres públicos tenham custeado gastos com cerveja”, declaram os deputados. “Enquanto nosso povo padece por falta de recursos para sobrevivência, nossos militares usaram dinheiro público para custear bebidas alcoólicas. Tal conduta fere de morte o Princípio Constitucional da Moralidade Pública.”

Não se quer afirmar que os militares “não podem comer carne”, argumentam os parlamentares, mas, sim, questionar “o grau de sofisticação empregado” nas compras de cortes nobres e específicos. “O episódio narrado nesse item revela que houve ostentação e os privilégios direcionados para alguns, conduta que destoa do discurso de humildade e simplicidade usado pelo Presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais.”

Diferenças

Segundo a nota do Ministério da Defesa, “existe sempre uma significativa diferença entre processos de licitação e a compra efetivamente realizada, cuja efetiva aquisição é concretizada conforme a real necessidade da administração”. Assim, “é imprescindível que se faça essa segmentação adequada, quando se faz a totalização dos valores, interpretação e principalmente a divulgação pública destes dados, de modo a evitar a desinformação”. De acordo com a pasta, “apresentar valores totais de processos licitatórios homologados como sendo valores efetivamente gastos constitui grave equívoco”, afirma a nota, referindo-se aos dados incluídos na representação. No documento apresentado à PGR, entretanto, os deputados trazem os dados detalhados com a identificação da compra realizada e seu referido fornecedor.

Agência Estado

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Traído pelo DEM, Maia pode abrir impeachment de Bolsonaro nesta segunda

Bolsonaro queima R$ 3 bilhões para comprar votos na Câmara e provoca racha no bloco de Baleia Rossi. PSDB e Solidariedade também podem negar apoio ao MDB

Presidente da Câmara ameaçou até mesmo deixar o DEM após racha promovido por Bolsonaro (Najara Campos/Câmara)

A decisão da Executiva do DEM de desembarcar do bloco de apoio à candidatura do deputado Baleia Rossi (MDB-SP) e a disposição do PSDB e do Solidariedade de seguir o mesmo caminho levaram o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a ameaçar aceitar um pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro. A eleição que vai escolher a nova cúpula da Câmara e do Senado está marcada para esta segunda-feira, 1.º.

Ao ser informado pelo presidente do DEM, ACM Neto, na noite desse domingo (31, de que a maioria dos deputados do partido apoiaria a candidatura de Arthur Lira (Progressistas-AL) para o comando da Câmara, e não Baleia, Maia ficou irritado. O presidente da Câmara ameaçou até mesmo deixar o DEM. A reunião ocorreu na casa dele, onde também estavam líderes e dirigentes de partidos de oposição, como o PT, o PC do B e o PSB, além do próprio MDB.

Maia encerra o mandato à frente da Câmara nesta segunda-feira, 1º, e, segundo apurou o Estadão, afirmou que, se o DEM lhe impusesse uma derrota, poderia, sim, sair do partido e autorizar um dos 59 pedidos de afastamento de Bolsonaro. Integrantes da oposição que estavam na reunião apoiaram o presidente da Câmara e chegaram a dizer que ele deveria aceitar até mais de um pedido contra Bolsonaro.

ACM Neto passou na casa de Maia antes da reunião da Executiva do DEM justamente para informar que, dos 31 deputados da legenda, mais da metade apoiava Lira. Pelos cálculos da ala dissidente, 22 integrantes da bancada estão com Lira, que é líder do Centrão.

O PSDB e o Solidariedade têm reuniões marcadas para esta segunda-feira, 1º e, diante da fragilidade da candidatura de Baleia, também ameaçam rifá-lo. “Ou mostramos força e independência apoiando claramente o Baleia ou adeus às expectativas de sermos capazes de obter alianças e ganhar as próximas eleições. Se há algo que ainda marca o PSDB é a confiança que ele é capaz de manter e expressar. Quem segue a vida política estará olhando, que ninguém se iluda”, disse recentemente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em um grupo de WhatsApp da bancada tucana.

O ex-senador José Aníbal foi na mesma linha. “O PSDB assumiu compromisso com Baleia. Espero que cumpra. De outro modo, é adesão ao genocida”, afirmou Aníbal neste domingo, 31. Maia lançou a candidatura de Baleia à sua sucessão em dezembro, com o respaldo de uma frente ampla, que incluiu partidos de esquerda. Na ocasião, o líder do DEM, Efraim Filho (PB), assinou um documento no qual o partido avalizava o nome do MDB.

Planilha mostra repasses

O governo do presidente Jair Bolsonaro inovou na prática de trocar verbas por votos no Congresso. Enquanto seus antecessores direcionavam esforços para cooptar o chamado baixo clero, o atual governo privilegiou “caciques” na Câmara e no Senado, dando ainda mais poder a esses políticos. É o que mostra uma planilha de controle de recursos do Ministério do Desenvolvimento Regional, revelada anteontem pelo Estadão, que beneficiou 285 congressistas com R$ 3 bilhões de dinheiro extra, além dos recursos a que eles já têm direito para direcionar por meio de emendas.

Até mesmo quem não tem mandato, como o presidente do PSD, Gilberto Kassab, pôde indicar valores para obras. Um dos nomes fortes do Centrão, Kassab se tornou um conselheiro de Bolsonaro, mesmo tendo sido secretário da Casa Civil – pasta da qual permaneceu praticamente todo o tempo licenciado – do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), arqui-inimigo do presidente da República.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), é quem recebeu a maior fatia do dinheiro “extra” destinado a redutos eleitorais por indicação política. No comando da Congresso, Alcolumbre se tornou um fiel escudeiro do presidente e evitou que o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) fosse alvo do Conselho de Ética após ser acusado de comandar um esquema de rachadinha quando era deputado estadual no Rio.

A divisão da bolada tem sido negociada pelo ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. A planilha, informal e sem timbre, inclui repasses de recursos do Orçamento que não são rastreáveis por mecanismos públicos de transparência. A “caixinha” paralela das obras do Ministério do Desenvolvimento Regional soma R$ 3 bilhões e, de acordo com a planilha, embora atenda a indicações de 285 parlamentares, há uma concentração de R$ 1,77 bilhão apenas entre dez senadores e 15 deputados.

Ramos negou que as planilhas reveladas pelo Estadão sejam da Secretaria de Governo. “Seria até ofensivo, de minha parte, negociar voto em troca de cargos e emendas”, disse ele.

Na condição de líder do Progressistas, Arthur Lira (AL), candidato de Bolsonaro na Câmara, aparece como tendo indicado R$ 109,6 milhões para obras em São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná.

No topo da lista, Alcolumbre teve aprovadas 44 indicações de repasses do governo federal em valores que totalizam R$ 329 milhões, considerando apenas as verbas extras do Desenvolvimento Regional. Numa comparação, o montante supera, com folga, os R$ 289 milhões que o governo reservou para o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos em 2021.

Presidente do PSD, Kassab pôde direcionar R$ 25 milhões para três obras. Uma parte desse valor (R$ 10 milhões) aparece na lista como tendo sido indicada por ele em conjunto com o deputado Domingos Neto (PSD-CE), relator do Orçamento no ano passado. Kassab consta na planilha a que o Estadão teve acesso como “deputado”, cargo que não ocupa mais desde 2005. Ele e parlamentares do PSD destinaram ao todo R$ 608 milhões da planilha.

Fiador

Até parlamentares que não têm proximidade com o governo foram beneficiados após encontrarem um “fiador”. E o maior deles é o presidente do Senado. Das verbas cujo destino ele pôde apontar, oito transferências, com valores somados de R$ 51,6 milhões, são listadas como de Alcolumbre ao lado de algum senador de oposição – a lista inclui nomes do PT e do PDT. O Estadão apurou que o valor corresponde a um acerto do próprio Alcolumbre com líderes do Senado feito no meio de 2020. Mesmo na oposição a Bolsonaro, as duas siglas anunciaram apoio a Pacheco na disputa no Senado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Churrasco, fonoaudióloga e reuniões fechadas

Com churrasco em área nobre de Brasília, fonoaudióloga para caprichar no discurso de agradecimento, jantar e telefonemas para garantir votos dos colegas, os deputados na disputa pela presidência da Câmara passam o domingo de sol em Brasília. A votação para a escolha do presidente para os próximos dois anos está marcada para 1º, e deve começar às 19h.

Em sua segunda tentativa de comandar a Câmara, o deputado Fábio Ramalho (MDB-MG), candidato independente, treina um discurso de agradecimento pelo apoio que recebeu durante a campanha. Em seu apartamento funcional, conta com a ajuda de uma profissional da voz. Ramalho deve ainda gravar um vídeo institucional para disparar aos colegas pelo Whatsapp e, só mais tarde, pretende receber aliados para uma pequena reunião.

Um dos favoritos na disputa, o deputado Arthur Lira (PP-AL), líder do Centrão e apoiado pelo Palácio do Planalto, foi convidado a passar a tarde de sol e calor deste domingo em um churrasco, no Lago Sul, área nobre da capital federal. A festa é organizada pelo PL, partido comandado por Valdemar da Costa Neto e deve servir também para aparar as últimas arestas da campanha. O evento também serve de apoio ao deputado Marcelo Ramos (PL-AM), que deve ter um espaço na Mesa Diretora amanhã, dependendo da formação dos blocos.

Às vésperas da eleição, o adversário de Lira, o deputado Baleia Rossi (MDB-SP) passará o fim de semana em ligações e encontros com congressistas em busca de votos. À noite, ele tem jantar marcado com a bancada feminina da Câmara dos Deputados. Organizado com a ajuda de Perpétua Almeida (PCdoB-AC), o evento tem como mote “mulheres que acreditam na Câmara livre e na democracia viva”. A expectativa na campanha de Baleia é contar com o apoio de 59 das 76 colegas dele na casa, como mostrou a Coluna do Estadão.

Entre os senadores, também houve um “esquenta” antes da eleição. O líder do PDT, Weverton Rocha (MA), convidou aliados para um churrasco com a presença de Rodrigo Pacheco (DEM-MG), candidato à presidência da Casa apoiado pelo atual chefe do Legislativo, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e pelo presidente Jair Bolsonaro.

 

Agência Estado

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