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Mais de 40% dos desmatamentos na Amazônia acontecem em áreas públicas

Falta de fiscalização e ação do governo só agrava o problema da grilagem na região

Lançamento da Campanha “Seja Legal com a Amazônia” traçou o perfil do roubo de terras / Daniel Beltra/Greenpeace

A Campanha “Seja Legal com a Amazônia”, lançada nesta sexta-feira (6), em São Paulo, tem como objetivo principal cobrar ações do governo federal e da Justiça para inibir a expansão do roubo de terras públicas na região da Amazônia. As áreas de grilagem, após a derrubada da floresta, são usadas principalmente para criação de gado e plantação de soja.

Este tipo de desmatamento, segundo a campanha, é responsável por mais de 40% das áreas de queimadas na região, ou 65 milhões de hectares, duas vezes o tamanho da Alemanhas e 15% da área total da floresta.

“A gente não precisa mais desmatar para crescer, precisa cumprir a lei. O Código Florestal é o elemento central da organização do nosso território produtivo e das nossas paisagens”, disse André Guimarães, da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura e diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

Entre janeiro e agosto deste ano, foram registrados 9 mil focos de incêndio em terras públicas da Amazônia. Outros 3,1 mil focos aconteceram em áreas já demarcadas como zonas de conservação.

De acordo com a campanha, a grilagem é o principal agente de devastação ambiental na Amazônia. Na área de floresta pública, foram registrados 31% dos alertas de desmatamentos deste ano.

Por outro lado, segundo dados do Ipam, 33% das queimadas foram realizadas em terras privadas, ou seja, fazendas que já contam com o cadastro ambiental rural (CAR).

 

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Bolsonaro ataca reservas indígenas em encontro sobre crise na Amazônia

Presidente se reuniu com governadores da Amazônia Legal para discutir estratégias para queimadas, mas mudou o foco do discurso

FOTO: MARCOS CORRÊA/PR

Em reunião com governadores da Amazônia Legal nesta terça-feira 27, o presidente Jair Bolsonaro atacou a demarcação de terras indígenas, enfatizou as críticas ao presidente francês Emmanuel Macron e afirmou que os incêndios “não eram tudo isso”, mas que o momento estaria unindo o País em um “sentimento patriótico”. Alguns governadores, por sua vez, insistiram em proposições práticas e reafirmaram a importância do Fundo Amazônia e de uma comunicação mais adequada para a resolução da crise.

A reunião com os chefes dos estados foi convocada para debater sobre as queimadas crescentes na Floresta Amazônica, assunto que está sob pressão internacional principalmente após a reunião do G7, que determinou a doação de 20 milhões de dólares para o combate aos incêndios. A maioria dos governadores mostrou-se a favor de fundos internacionais de emergência e ajuda permanente na conversa, que contou também com presença de ministros do governo – como Ricardo Salles, da pasta de Meio Ambiente.

No final da reunião, o governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), entregou ao presidente o texto de um projeto nomeado de Consórcio Interestadual da Amazônia para discutir, em parceria com o governo federal, pautas comuns aos estados da região que tratam da proteção da Amazônia. Bolsonaro afirmou que até a próxima quinta-feira 5, ele iria encaminhar um pacote de medidas ao Congresso, sem especificar exatamente sobre o quê elas se tratam.

Todos os nove estados da Amazônia Legal – Acre, Rondônia, Roraima, Amazonas, Mato Grosso, Amapá, Pará, Maranhão e Tocantins – solicitaram adesão ao decreto da GLO (Garantia da Lei e da Ordem) e a ajuda das Forças Armadas para o combate ao fogo. A Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal apuram se houve ação criminosa nos incêndios, que se intensificaram no início deste mês.

Bolsonaro critica a “selvageria” de antigos governos

O presidente afirmou no encontro que a questão ambiental deveria ser conduzida com “racionalidade” e não com a “selvageria” de antigos governos. Apesar da pauta principal ser a combate às queimadas, Bolsonaro foi endossado pelos governadores nortistas de seu partido, Antônio Denarium, de Roraima, e Coronel Marcos Rocha, de Rondônia, que defenderam a perspectiva de uma demarcação ‘excessiva’ de terras indígenas e reservas ambientais.

Entre as falas dos governadores, Bolsonaro nomeava pedidos de parques nacionais, reservas ou mais demarcações que, segundo ele, estavam congeladas em seu governo – uma “verdadeira psicose de demarcações”, afirmou, fugindo do tópico principal da reunião mais de três vezes ao longo de suas observações. “Para nós, a região mais rica não é o Sudeste, é o Norte. Temos como sair dessa situação que nos encontramos: viver como pobres vivendo em terras riquíssimas”, afirmou.


REUNIÃO COM GOVERNADORES DA AMAZÔNIA LEGAL. (FOTO: MARCOS CORRÊA/PR)

Mauro Mendes (DEM), governador do Mato Grosso, disse que a “guerra de comunicação que se estabeleceu foi muito ruim” para o Brasil. “Essa guerra está sendo patrocinada pelos nossos principais concorrentes internacionais”, acrescentou em uma crítica adicional a Emmanuel Macron. Depois, reconheceu a importância do debate ambiental para o setor prevalente em seu estado, o maior agroexportador do País, ao dizer que este era o “abre alas para o agronegócio brasileiro”.

O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), defendeu o que chamou de “meritocracia para quem preservar” após apresentar dados sobre o desmatamento em seu estado, entre eles a denúncia de uma fronteira agrícola na área de Triunfo do Xingu. “Nós temos que chamar esse pessoal: você vai expandir essa pecuária ou topa construir um plano pra deixar a floresta em pé e isso ser remunerado?”, disse.

Com as insistências de Bolsonaro em retomar à temática de Macron, o governador opinou que o grupo estava perdendo tempo com o assunto. “Temos que cuidar do nosso país e tocar a vida. Damos muita importância pra esse tipo de comentário, e temos que cuidar dos nossos problemas e sinalizar para o mundo a diplomacia ambiental, que é fundamental para o agronegócio”, falou, além de ter destacado a necessidade de um plano de regulamentação fundiária, também defendido por Salles.

Outro crítico aos pontos constantemente levantados por Bolsonaro foi o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), que destacou que “o meio termo é a melhor receita” em relação a diálogos e decisões. “Extremismos não são adequados numa temática complexa como essa. Acho fundamental que se faça um discurso ponderado”, falou, e acrescentou que movimentos arredios dos altos cargos da República eram ‘faíscas’ que poderiam se transformar em incêndios.

 

 

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“O que vemos na Amazônia nunca aconteceu na história do país”, diz pesquisador

Para o engenheiro florestal Beto Mesquista, as queimadas são reflexo de um sinal dado pelo governo federal

Os incêndios aumentaram 82% no Brasil em relação ao ano passado, segundo o Programa de Queimadas do Inpe / Foto: Divulgação/Ibama

Nesta semana, as notícias e dados sobre incêndios na Amazônia tiveram impacto em todo o mundo. Na última quinta-feira (22), o Secretário Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antonio Guterres, disse estar profundamente preocupado com incêndios, que aumentaram 82% no Brasil em relação ao ano passado, segundo o Programa de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Já o presidente francês, Emmanuel Macron, usou seu perfil no Twitter para chamar o problema de “crise internacional” e cobrar que os líderes do G7 tratem urgentemente do tema durante o final de semana. No Brasil, uma série de manifestações está agendada para os próximos dias. No Rio de Janeiro, o protesto “Rio pela Amazônia: resistir hoje para respirar amanhã” vai acontecer a partir das 17h, na Cinelândia, nesta sexta-feira (23). Outra manifestação está marcada para domingo (25) na Praia de Ipanema.

Para saber um pouco mais sobre como as queimadas aumentaram tanto e o que deve ser feito para evitar que a situação se agrave, o Programa Brasil de Fato RJ conversou com Beto Mesquita, diretor do Instituto BVRio, que atua no desenvolvimento de novos mecanismos financeiros para o setor ambiental. Segundo o pesquisador, as queimadas não são novidade mas sim a maneira como cresceram e vem sendo produzidas. “Isso é reflexo de um sinal dado pelo governo federal de que o controle e a fiscalização não vão ser efetivos”, explica.

Brasil de Fato: O que ocasionou esse descontrole de queimadas que estamos vendo hoje?

Beto Mesquita: O problema do uso do fogo como instrumento para limpeza de pastagens, para queimar áreas, é um problema ambiental e agrícola que existe há séculos, não é novidade. O que temos enfrentando, dessa maneira, esse índice alarmante, nunca tivemos na história recente do país. Nunca grupos organizados fizeram campanha pelas queimadas, como na semana passada, o “dia do fogo”. Declararam e fizeram. A nossa perspectiva é reflexo de um sinal dado pelo governo federal de que o controle e a fiscalização não vão ser efetivos, que a fiscalização era um problema para os produtores rurais. O sinal está sendo interpretado da maneira: agora podemos fazer qualquer coisa.

E como estão trabalhando esses órgãos de fiscalização?

Estão praticamente engessados, principalmente na região da Amazônia. Os técnicos não têm recursos e autorização para sair a campo, não tem planejamento específico, quando há operações houve reação. Teve um episódio que já tínhamos visto no Amazonas, vimos em Rondônia, em que grileiros incendiaram o equipamento de pesquisa. Na semana seguinte, o Ministro do Meio Ambiente esteve na região em solidariedade aos proprietários rurais.

Como a população pode ser afetada por isso?

Tem formas principais que pode ser afetada. A primeira delas tem a ver com os problemas de estiagem e seca, que afetaram Rio e São Paulo há uns anos, e podem voltar. Uma parte importante do abastecimento de chuva do sudeste se relaciona diretamente com um fenômeno chamado de “rio voador”, que são as massas de ar carregadas de umidade que se deslocam do oceano em direção ao continente. Ao passar pela floresta, essas massas são carregadas de umidade, até virem para o sudeste, isso forma as chuvas. Essas mesmas massas são as que trouxeram o fenômeno da fumaça para cidade de São Paulo. Então primeiro efeito direto é a crise hídrica, porque será reduzida a capacidade hídrica em todo o país, não só na região amazônica.

Quais os outros efeitos?

Outro efeito é justamente na produção agrícola. Toda essa produção depende de serviços ecossistêmicos – precisamos de solo fértil da natureza, controle de erosão, polinização. Tudo isso vem da floresta. Quando é reduzida a área de floresta e o que resta é queimado, estamos comprometendo a produção agrícola. Outro ponto é o agronegócio, que produz commodities que são exportados e que dependem do mercado internacional. Esses mercados estão dando todos os sinais de que vão impor restrições aos produtos brasileiros por conta do descumprimento da legislação ambiental. A gente tem uma economia abalada que vai sofrer ainda mais.Todos vamos ser afetados é só uma questão de tempo.

É possível levar o lixo orgânico de cidades vizinhas e despejar como forma de adubar a região? É viável?

Não é do ponto de vista logístico. O melhor fertilizante é a própria floresta. Ela tem que ser mantida. Na Amazônia cada imóvel rural pode usar apenas 20% do território para produção agrícola. Os outros 80% não são intocáveis, não são improdutivos, eles podem produzir madeira, produtos não madeireiros como os óleos, castanhas, resinas, frutos. Importantes até na pauta da exportação. Tudo isso é a “bioeconomia”. Sem falar do que se pode desenvolver em termos de tecnologia que pode ser usada na indústria. A floresta tem um capital impressionante. A gente está queimando ela antes de conhecer.

Os resíduos das grandes cidades podem ser usados em seu próprio território para serem recuperados e reflorestados. No Rio de Janeiro há o mutirão de reflorestamento em que o próprio lixo orgânico é usado para o reflorestamento de áreas devastadas. Ainda é pouco, mas já é um projeto que dá certo.

 

 

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Defender o Inpe é defender a ciência brasileira, diz físico após ataques de Bolsonaro

Comunidade científica enaltece trabalho de pesquisadores do instituto, que expôs dados sobre avanço do desmatamento

 Inpe mostrou que a Amazônia perdeu 762,3 km² no mês de junho, o que representa um aumento de 60% sobre o mesmo período de 2018 – Créditos: Foto: Daniel Beltrá/Divulgação Greenpeace

Presidente da Associação Brasileira de Ciências (ABC) e professor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Luiz Davidovich reagiu à declaração do presidente Jair Bolsonaro (PSL) sobre os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que mostram avanço do desmatamento no país e disse confiar nos números apresentados pela instituição.

O último monitoramento do órgão mostra que a Amazônia perdeu 762,3 km² no mês de junho, o que representa um aumento de 60% sobre o mesmo período de 2018. Na última sexta-feira (19), o capitão reformado disse a veículos de imprensa que as estatísticas do Inpe não estariam de acordo com a realidade nacional, além de “dificultar as negociações” no exterior.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Davidovich ressalta que o trabalho do instituto é considerado “ultramoderno” e que os dados produzidos pela instituição são disponibilizados para todo o mundo por meio de técnicas de transparência. “Eu acredito que todos os brasileiros, do peão da fábrica ao presidente da República, deveriam se orgulhar do trabalho feito pelo Inpe, que esclarece a situação dos biomas nacionais. Defender o Inpe é defender a ciência brasileira, é defender o Brasil”, sustenta.

Na semana passada, Bolsonaro chegou a afirmar que o diretor do Inpe, Ricardo Galvão, seria “chamado para se explicar” e sugeriu que o pesquisador, que é físico e engenheiro, poderia estar agindo “a serviço de alguma ONG”. O presidente da ABC, por outro lado, ressalta a credibilidade do material produzido pelo instituto e afirma que a preservação da Amazônia é central para o desenvolvimento do Brasil.

“Isso precisa ser esclarecido. A realidade que os dados mostram é fiel, mostram o trágico desmatamento da Amazônia, que está prejudicando uma grande riqueza do Brasil. A Amazônia é importante não só por conta do clima, mas também por conta da biodiversidade que contém”, afirma Davidovich.

Outras reações

Em nota publicada no domingo (21), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), principal organização do meio científico no país, classificou as críticas de Bolsonaro como “ofensivas, inaceitáveis e lesivas ao conhecimento científico”. A entidade também ressaltou que o Inpe tem uma atuação de cerca de 60 anos e “reconhecimento no país e no exterior”.

“A ciência produzida pelo Inpe está entre as melhores do mundo em suas áreas de atuação, graças a uma equipe de cientistas e técnicos de excelente qualificação, e presta inestimáveis serviços ao País. O diretor do Inpe, Dr. Ricardo Galvão, é um cientista reconhecido internacionalmente, que há décadas contribui para a ciência, a tecnologia e a inovação do Brasil”, complementa o texto.

A nota sublinha que a entidade tem “confiança na qualidade do monitoramento da Amazônia” feito pelo instituto e que eventuais contrapontos a esse conteúdo precisariam ter base científica.

“Em ciência, os dados podem ser questionados, porém sempre com argumentos científicos sólidos, e não por motivações de caráter ideológico, político ou de qualquer outra natureza. Desmerecer instituições científicas da qualificação do Inpe gera uma imagem negativa do País e da ciência que é aqui realizada”, afirma o Conselho da SPBC, signatário do documento.

A ABC também se manifestou publicamente por meio de nota. A organização, que reúne mais de 700 cientistas de diferentes áreas, disse que a iniciativa do presidente “ataca também toda a comunidade de pesquisadores do Brasil e a soberania nacional”.

“O Inpe foi criado em 1961 com a missão de produzir informações e tecnologias robustas nas áreas espacial e do ambiente terrestre, bem como disponibilizar produtos e serviços para o Brasil, subsidiar suas políticas públicas e dar suporte à comunidade científica brasileira. Seu corpo de pesquisadores é de altíssimo nível e por isso participa dos principais fóruns mundiais nas áreas de suas especialidades. Sua infraestrutura é invejável e representa o estado da arte [o mais elevado nível de desenvolvimento] nas áreas relacionadas à sua missão”, acrescenta o texto.

Embargo

Após a repercussão de seus ataques em relação ao Inpe, Bolsonaro seguiu no tom de ofensiva e defendeu nessa segunda-feira (22) que os dados sobre o desmatamento passem antes por ele, porque não quer ser “pego de calças curtas” com questões importantes que podem prejudicar negociações do país. Ele também disse que essas informações deveriam passar pelo crivo do Ministério da Ciência e Tecnologia.

“Eu estou acostumado com hierarquia e disciplina, e no governo sei que a maioria é civil. Então quando o Inpe detecta um dado qualquer, ele tem que subir os dados para o ministro Marcos Pontes, de Ciência e Tecnologia, antes passando pelo Ibama para divulgar”, declarou, depois de um almoço no Comando da Aeronáutica.

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Bolsonaro sobre a Amazônia: “O Brasil é a virgem que todo tarado de fora quer”

O presidente Jair Bolsonaro comentou sobre a Amazônia e afirmou que o Brasil a “uma virgem que todo tarado de fora quer”; o País sofre pressão de nações europeias para combater o desmatamento

(Foto: Marcos Corrêa – PR)

Demonstrando novamente seu desprezo pela proteção ao meio ambiente, o presidente Jair Bolsonaro comentou sobre a Amazônia e afirmou que o Brasil a “uma virgem que todo tarado de fora quer”. O País sofre pressão de nações europeias para combater o desmatamento. O relato do mandatário foi publicado no jornal Folha de S.Paulo.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse ver com “preocupação” as ações do Brasil contra a devastação e pediu uma conversa clara a respeito. O presidente francês, Emmanuel Macron, cogitou o fim de acordos comerciais com o Brasil, seo País deixar o acordo climático de Paris. 

“Vim aqui para mudar. Não estou preocupado com nada, a não ser fazer com que o meu país seja respeitado lá fora e dei a devida resposta para o Macron e para a Angela Merkel. Muito educada”, relatou. “O Brasil é uma virgem que todo tarado de fora quer. Desculpe aqui as mulheres”.

Bolsonaro disse que os convidou a voar de Boa Vista a Manaus, desafiando-os a achar destruição pelo caminho. “Se encontrarem um hectare de devastação de terra, eles têm razão”, afirmou. “Se tiver um hectare de floresta, vocês [Macron e Merkel] têm razão.”  

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Maioria dos brasileiros é contra redução de terras indígenas

Pesquisa Datafolha aponta que seis em cada dez pessoas desaprovam diminuição de áreas destinadas a povos indígenas

DW

A maioria dos brasileiros é contra a redução de terras indígenas no país, aponta uma pesquisa do instituto Datafolha divulgada neste domingo (13/01). No levantamento, 60% se disseram contrários a uma redução das áreas demarcadas, enquanto 37% disseram concordar com a medida, e 3% não souberam responder.

Dos contrários à redução, 46% afirmaram discordar totalmente, e 13%, parcialmente. As mulheres são menos favoráveis à medida do que os homens, com 62% delas e 57% deles contra a redução.

A aprovação à diminuição do tamanho das terras, por sua vez, é maior entre os mais velhos – 46% dos entrevistados com mais de 60 anos concordam – e os menos escolarizados – 48% dos que têm apenas ensino fundamental completo são a favor.

Entre os mais jovens, com idades entre 16 e 24 anos, apenas 32% concordam com a redução de terras. Dos que têm ensino médio completo, 32% gostariam que houvesse uma diminuição das terras indígenas, e dos com superior completo, a parcela a favor é de 30%.

O Datafolha ouviu 2.077 pessoas em 13 municípios entre 18 e 19 de dezembro de 2018.

A questão indígena voltou a chamar atenção no noticiário no início deste mês. Uma das primeiras medidas adotadas pelo presidente Jair Bolsonaro após a sua posse foi a edição de uma medida provisória estabelecendo a nova estrutura do governo federal, incluindo a transferência da demarcação de terras indígenas para o Ministério da Agricultura.

A medida provisória estabeleceu que “a identificação, a delimitação, a demarcação e os registros das terras tradicionalmente ocupadas por indígenas” ficam a cargo do ministério, chefiado pela ex-deputada federal Teresa Cristina, que pertencia à bancada ruralista da Câmara.

Na prática, a medida retira a competência da Fundação Nacional do Índio (Funai) para lidar com as demarcações das terras indígenas. A publicação também transfere do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para a pasta da Agricultura a responsabilidade pela regularização de terras quilombolas.

Durante a campanha, Bolsonaro havia dito que os povos indígenas não terão novas terras demarcadas e chegou a cogitar a revisão da demarcação de algumas reservas, como a Raposa Serra do Sol.

Logo após ser empossado, o presidente tuitou: “Mais de 15% do território nacional é demarcado como terra indígena e quilombolas. Menos de um milhão de pessoas vivem nestes lugares isolados do Brasil de verdade, exploradas e manipuladas por ONGs. Vamos juntos integrar estes cidadãos e valorizar a todos os brasileiros.”

A Constituição atribui ao Estado o dever de demarcar terras indígenas, que são áreas destinadas à sustentabilidade dos povos nativos. Existentes em todos os estados brasileiros, elas abrangem cerca de 14% da superfície nacional e, salvo situações excepcionais, não podem ser exploradas por não índios.

Citado pelo jornal Folha de S.Paulo, Nabhan Garcia, chefe da Secretaria de Assuntos Fundiários, ligada ao Ministério da Agricultura, afirmou que a pasta vai revisar demarcações realizadas nos últimos anos.

“Temos o dever de revisar algumas demarcações porque existem indícios de irregularidades. O que puder ser revisto e passado a limpo, será passado a limpo”, afirmou.

Em entrevista à DW, a relatora especial da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, classificou a transferência da responsabilidade pela demarcação de terras indígenas e quilombolas para o Ministério da Agricultura de um retrocesso.

Para a ativista, tais ações são racistas e representam um descumprimento de compromissos internacionais por parte do Brasil, o que pode comprometer inclusive o futuro da Floresta Amazônica.

“A demarcação de terras indígenas que incluem florestas é uma das formas mais efetivas de salvar essas florestas e a biodiversidade remanescentes do planeta”, observou.

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No golpe, um menino de 33 anos vende o Pré-sal, a Eletrobrás e a Amazônia

No Brasil pós-golpe, pouca atenção tem sido dada ao papel predatório do ministro Fernando Coelho Filho, que, com apenas 33 anos, age como o maior corretor de riquezas nacionais que já pisou em Brasília; filho do senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), denunciado na Lava Jato, ele tenta vender o Brasil, antes que o golpe ou o governo Temer cheguem ao fim

Houve um tempo em que o ministério de Minas e Energia era reservado a quadros técnicos, com visão estratégica sobre o desenvolvimento nacional. Gente interessada em garantir a oferta de energia e a própria soberania do País.

Com o golpe inaugurado em 2016, a pasta foi entregue a um ministro com cara de criança, filho de um político investigado por corrupção da pesada, o senador Fernando Bezerra (PSB-PE), e que, com sua caneta predatória, age como o maior corretor das riquezas nacionais que já pisou em Brasília.

Trata-se de Fernando Coelho Filho, que, com apenas 33 anos, já colocou à venda a Eletrobrás, um pedaço da Amazônia do tamanho da Dinamarca e se prepara para leiloar o pré-sal. Nada mal para quem parece ter acabado de sair do colegial.

Segundo denúncia publicada neste sábado pela BBC, Fernando Coelho Filho vazou a empresários canadenses o fim de uma gigantesca reserva mineral na Amazônia, que seria aberta à exploração mineral (leia mais aqui).

Foi também quem ele quem anunciou a venda da Eletrobrás e mentiu ao prever queda das tarifas. Poucos dias depois, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o desmentiu, apontando que haverá aumento de, no mínimo, 16,7% nos preços (leia aqui).

O próximo passo será a venda do pré-sal, em que a Petrobras de Pedro Parente dirá não ter interesse na maioria dos blocos.

Em todos esses movimentos, estarão as digitais de Fernandinho, um ministro que é a cara do golpe – um regime que vendeu com a soberania brasileira por um punhado de dólares em tenebrosas transações.

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Grande recife de coral é descoberto na foz do rio Amazonas

Ocupa área de 9.300 quilômetros quadrados e fica a entre 30 e 120 metros de profundidade

1461435919_629533_1461440234_noticia_normal_recorte1Um grupo de cientistas descobriu um grande recife de coral na foz do rio Amazonas, que está entre a fronteira da Guiana Francesa com o Estado brasileiro do Amapá e se estende até o Pará. A equipe de pesquisadores, liderada por Rodrigo Moura, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explorou a região, pouco conhecida, em três expedições oceanográficas, feitas em conjunto por Brasil e Estados Unidos. O recife ocupa área de 9.300 quilômetros quadrados —cerca de 20% maior que a região metropolitana de São Paulo— e fica a entre 30 e 120 metros de profundidade, numa zona de água turva.

No percurso, os especialistas identificaram uma grande região de algas coralinas e alto nível de partículas em suspensão, características geradas por condições diferentes das que formam os típicos recifes tropicais de coral. As características desse sistema são diferentes das conhecidas até agora, e “sua saúde fornece informações sobre como os ecossistemas de coral podem reagir à aceleração do aquecimento global”, destacam os pesquisadores. No estudo, os autores alertam que o desenvolvimento em escala industrial do Amazonas, com perfurações para extrair petróleo perto dos recifes, pode representar um grande desafio para esse sistema, que é único.

A descoberta tem maior relevância porque os corais responsáveis pela formação dos recifes estão entre as espécies mais ameaçadas pela mudança do clima e outros fatores de estresse provocados pelo homem. Em pesquisa publicada há poucos dias, o professor John Pandolfi, da Universidade de Queensland (Austrália), afirma que os corais Acropora (chifre-de-veado), de rápido crescimento, são responsáveis por boa parte do desenvolvimento dos recifes modernos. E apesar de existirem há pelo menos 50 milhões de anos, esses corais vêm sofrendo forte declínio em sua abundância ao redor do mundo.

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