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Semana da Água 2018: Audiência Pública na Câmara de Vereadores de Petrolina debaterá políticas públicas para o Rio São Francisco

A audiência proposta pelo vereador Gilmar Santos acontecerá nesta sexta-feira, 23, às 9h, na casa Plínio Amorim e contará com participação de agentes do poder público e movimentos sociais ligados ao debate em torno da preservação do Rio São Francisco.

Lembrado anualmente pela ONU em 22 de março, o Dia Mundial da Água terá como tema, em 2018, o uso de soluções baseadas no meio ambiente para resolver problemas de gestão dos recursos hídricos. Com a campanha “A resposta está na natureza”, as Nações Unidas abordarão como estratégias de preservação e restauração ambiental podem proteger o ciclo da água e melhorar a qualidade de vida da população. Saiba mais aqui.

No Brasil teve início nesta segunda-feira, 19, o 8º Fórum Mundial da Água, evento organizado pelo Conselho Mundial da Água.  Em 2014, a candidatura do Brasil foi selecionada, e Brasília foi escolhida como cidade-sede do evento sendo a primeira vez que o evento ocorre no Hemisfério Sul.

Aqui em Petrolina alguns eventos alusivos ao tema serão realizados por escolas e outras entidades, entre elas a Câmara Municipal, que atendendo requerimento do vereador Gilmar Santos, PT, com anuência dos demais vereadores, estará realizando uma grande Audiência Pública, na próxima sexta-feira, 23, a partir das 9h da manhã. De acordo com a assessoria do vereador, a audiência para  debater políticas públicas de preservação e revitalização do Rio São Francisco contará com a participação de representantes de diversos setores da sociedade ligados ao rio e suas questões.

Diante do cenário de visível degradação do Rio São Francisco, das denúncias de lançamento de esgoto nos canais fluviais e da ameaça de privatização dos serviços ligados à gestão da água e sua capacidade geradora de energia, o vereador Gilmar Santos articula, através da audiência aprovada na câmara por todos os vereadores, uma interlocução entre agentes públicos, movimentos sociais e sociedade civil sobre ações devem ser prioritárias em um projeto de preservação e democratização do Rio São Francisco e suas riquezas.

Sobre a importância de um debate que integre a toda sociedade, o vereador aborda os motivos que o levaram a solicitar a audiência, em que relata que a situação atual de degradação é resultado de uma política que privilegia alguns setores e restringe o diálogo e a participação da população ribeirinha nas decisões sobre a gestão da água e de seus recursos: “Vivemos tempos difíceis, nos quais a relação entre a humanidade e a natureza ganham contornos cada vez mais predatórios. Este cenário pode ser visto na cidade de Petrolina quando os grandes empresários e especuladores imobiliários tomam os espaços públicos da cidade com obras que atacam o meio ambiente e agridem a natureza. Basta observar a situação do Rio São Francisco, tratado por muitos, como mero local de despejo de dejetos e esgoto, tudo isso para atender à ganância de uma parcela privilegiada da sociedade”, diz o vereador.

A audiência tem por objetivo, além de oferecer contribuições para ampliar o debate democrático sobre políticas do âmbito federal, gerar conteúdos e encaminhamentos que possam subsidiar o desenvolvimento de uma política pública municipal acerca de questões como à revitalização da mata ciliar, a manutenção dos espaços públicos localizados à beira do rio e das ilhas e a regularização do serviço de saneamento da cidade. (As informações são da Ascom do Gabinete do vereador Gilmar Santos).

Da Região do Submédio São Francisco vários representantes de entidades, a exemplo do  Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) e da Câmara Consultiva Regional (CCR) do Submédio São Francisco do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF), estão participando do Fórum, em Brasília.

 

 

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Evento em Brasília começa a discutir hoje (27) desafios da água

Para o presidente do Conselho Mundial da Água, a falsa sensação de que temos água em abundância no país dificulta a conscientização das pessoas e a adoção de políticas para evitar o desperdício.

O acesso a água potável como direito humano, gestão compartilhada de recursos hídricos, qualidade da água dos rios e redução da pobreza serão alguns dos temas do evento de lançamento do 8º Fórum Mundial da Água, que acontece em Brasília a partir de hoje (27). A capital federal foi escolhida para sediar o evento mundial em março de 2018, uma iniciativa do Conselho Mundial da Água e dos governos federal e do Distrito Federal.

Em entrevista à Agência Brasil, o presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, informou que o evento de preparação reunirá cerca de 500 participantes de diversos países, que colocarão suas ideias a respeito dos temas envolvendo os recursos hídricos pelo mundo.

Segundo ele, o fórum é um espaço aberto para muitos atores, chefes de estado e governo, ministros, parlamentares, academia, setor privado e organizações não-governamentais.

“O fórum é organizado a cada três anos, tendo um país hospedeiro. Ele procura motivar a classe política para os desafios e usos múltiplos da água para produzir alimentos, gerar energia, navegação, questão do saneamento e acesso a água potável por todos. Esses temas precisam chegar até as autoridades tomadoras de decisão para que se possam encaminhar soluções para os problemas que enfrentamos”, disse Benedito.

Financiamento

Conforme Braga, as mudanças climáticas ou da variabilidade do clima se manifestam diretamente no setor hídrico, trazendo secas mais longas e enchentes mais densas, que devem ficar mais frequentes. “Temos de nos tornar mais resilientes. Temos de voltar os olhos para a adaptação. Como nos adaptamos? Construindo mais infraestrutura hídrica, barragens e reservatórios para situação de seca, de modo que a população possa depender dessa água armazenada”, acrescentou.

O presidente do conselho esclareceu que o setor de recursos hídricos estará presente na 22ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 22), no fim deste ano, no Marrocos, para influenciar os negociadores do clima a mudar um pouco o foco da mitigação e da questão das emissões de carbono. “Que uma parte do Fundo Verde de US$ 200 bilhões seja destinada para que as populações se tornem mais resilientes.”

Segundo ele, da mesma forma, custará muito caro para se alcançar a meta seis dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, que é ter, até 2030, água limpa e saneamento para todos. “Mas temos de colocar um objetivo para motivar quem toma decisão a alocar recursos para o setor”, argumentou.

Benedito Braga disse ainda que existe um potencial de conflitos entre países pela água. “O Nilo, por exemplo, é um rio que corre por nove países africanos e já existe tensão entre Etiópia e Egito sobre a quantidade de água que será mantida a partir de um reservatório na Etiópia. Os rios Tigres e Eufrates são um problema para Turquia, Iraque e Síria”, destacou.

O presidente do Conselho Mundial da Água adiantou que, durante o fórum, serão apresentadas boas experiência de políticas de compartilhamento da água, como, por exemplo, o Rio Paraná e o Lago de Itaipu, compartilhado entre Brasil e Paraguai.

Disponibilidade hídrica

Benedito Braga disse que a chance de ocorrer uma crise hídrica na Região Sudeste, como em 2014, é pequena. Por outro lado, o Nordeste enfrenta o quinto ano seguido de seca. “O problema lá é muito sério. Para resolver isso, teremos de fazer um trabalho em duas direções: aumentar a disponibilidade da água e promover seu uso racional, que foi o que fizemos em São Paulo, com obras de transposição e incentivos econômicos para a população consumir menos.”

Para Braga, não existe uma solução única. Ele afirmou que, em alguns casos, é possível fazer o reúso e a dessalinização, mas não é o caso do Nordeste. “Precisa sim trazer água de mais longe. Tem de fazer obras e incentivar usos eficientes”, informou, lembrando que a Arábia Saudita faz a dessalinização para produzir alimento no deserto porque tem “óleo para queimar”.

Conforme Benedito Braga, a falsa sensação de que temos água em abundância no país dificulta a conscientização das pessoas e a adoção de políticas para evitar o desperdício. “No Sudeste, precisou ocorrer uma seca daquele porte para que as pessoas repensassem o uso da água”, concluiu.

Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-06/evento-em-brasilia-comeca-discutir-nesta-segunda-desafios-da-agua