Espaço do Leitor

Eu estava nas ruas

“Já são mais de 461 mil mortes no Brasil. Mesmo com esses dados alarmantes decidi ir as ruas, pois além do vírus estamos lidando com o governo de Jair Messias Bolsonaro, que tem na necropolítica seu projeto estruturante de governabilidade”. *Por Antônio Carvalho

Foto: Lizandra Martins

Escrevo esse pequeno texto para dizer os motivos que me levaram as ruas neste último sábado, mesmo ciente dos riscos das aglomerações na potencialização da pandemia da COVID 19, esta que já dura mais de um ano e que não cessa de ceifar vidas. Sua cartografia da morte está cada vez mais perto de todas/os nós: são amigos, vizinhos, conhecidos, parentes, homens, mulheres, idosos, jovens, crianças, negros, negras, do campo, da cidade, LBTQIA+. O vírus funciona como uma roleta russa, pois não temos a certeza da sua ação nas particularidades dos corpos. O distanciamento social tem funcionado assim como mecanismo de frear o avanço das contaminações e desse modo evitar formas graves da manifestação da doença, não sobrecarregado com isso o nosso sistema de saúde que, infelizmente, não está preparado para tratar a grande quantidade de casos que se apresentam todos os dias nas unidades públicas e privadas de saúde. Agora, no momento mesmo da feitura desse texto, muitos estão morrendo em casa ou leitos de hospitais vítimas da contaminação por esse vírus; temos uma média diária de mortes que já ultrapassou em alguns momentos o número de três mil. Já são mais de 461 mil mortes no Brasil.

Mesmo com esses dados alarmantes decidi ir as ruas, pois além do vírus estamos lidando com o governo de Jair Messias Bolsonaro, que tem na necropolítica seu projeto estruturante de governabilidade. Assim como age um miliciano que extermina aquele e aquelas que se apresenta como empecilho para seu enriquecimento ilícito. Este homem tem conduzido um projeto político de extermínio em massa em nosso país, especialmente da população mais pobre, de maioria negra, que desde muito enfrentam dificuldades no acesso as políticas de cuidados e saúde. O desemprego e a fome voltam a assolar ainda mais ferozmente as nossas periferias, as criança estão nas ruas pedindo esmolas e realizando trabalhos que as deixam ainda mais vulneráveis ao conjunto de violências que precarizam suas infâncias. O ministério da educação não tem apresentando soluções para a nova realidade que se instaurou em nossas escolas e universidades, politicas estruturante de acesso à tecnologia e internet não tem sido viabilizadas pelo governo, ao invés disso assistimos atônicos a retirada sistemática dos recursos públicos nesta área, universidades estão fechando por falta de orçamento. Além de tudo isso, estamos também morrendo lentamente em nos lares, acometidos do adoecimento metal que se potencializou com o estado de coisas do momento.

Por tudo isso eu fui as ruas, como no grito de revolta, mas também de esperança por me sentir vivo e capaz de mudar o vivido na retirada desse genocida do poder. Peço desculpas aos /as que não puderam e/ou não se sentiram confiantes e seguros para estar nesse ato. Peço também o apoio de vocês, pois o que mais precisamos nesse momento difícil é: acolhimento e solidariedade.

Aos que estiveram comigo nesse momento:

Obrigado pelo re/encontro na rua, esta luta sempre foi nossa.

Vacina, Pão, Moradia, Escola!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

*Por Antônio Carvalho do Santos Junior (professor da educação básica, mestre e doutorando em educação)