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Aldy Carvalho participa de evento literário no Colégio Clementino Coelho e divulga músicas inéditas do seu 4º CD

Depois de Redemoinho, Alforje e o Canto D’algibeira, ‘Alfenim’, quarto trabalho do artista deverá ser lançado em junho de 2017

Colégio Clementino Coelho. Foto: Emanuel Andrade
Colégio Clementino Coelho. Foto: Emanuel Andrade

O cantor, compositor, poeta e cordelista Aldy Carvalho esteve em Petrolina, neste final de semana. Antes de chegar à cidade, Aldy foi à Fortaleza, Ceará,  a convite de Clévison Viana, poeta, cordelista, escritor e ilustrador, para participar da Feira de Cordel, Música e Poesia, no Centro Cultural Dragão do Mar. Em seguida passou no Vale do Cariri e estendeu a visita até sua terra natal Petrolina, a convite do jornalista Emanuel Andrade, onde participou do evento ‘Encontro com o Autor’ no colégio Clementino Coelho para alunos do Ensino Médio. Para o blog Aldy destacou o evento. “Foi muito profícuo, sacudiu os ânimos com relação à cultura, o pertencimento. Trabalhamos o tema ‘Cultura Popular e Identidade’. Foi muito bacana, fiquei encantado com os alunos e essa possibilidade de fazer um show e palestra falando do meu trabalho que exerço no campo musical como cantador e compositor também de minhas obras literárias, os dois cordéis lançados: ‘No reino dos Imbuzeiros’ e ‘A ganância de um preguiçoso’ e vai sair agora em dezembro, um livrinho com ilustrações para crianças com o poema ‘O cavaleiro das léguas’, o romance catingueiro, estilo aqueles romances da idade média, mas ambientado geograficamente no sertão”, explicou.

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Colégio Clementino Coelho. Aldy Carvalho, Emanuel Andrade, jornalista e o violinista Bá. Foto: Lenir do Vale

Juventude x Literatura

Segundo Aldy no evento foi possível constatar o interesse dos alunos pela literatura, principalmente o cordel, por trazer uma identidade nossa. “O cordel brasileiro ele é iminentemente nordestino, nós consideramos o pai do cordel o Leandro Gomes de Barros, poeta paraibano que deu início a essa saga. E como o cordel é formado hoje em dia ele é uma literatura iminentemente brasileira e particularmente nordestina. Eu acho que isso fez com que os alunos se interessem um pouco mais, porque é uma poesia que aproxima a gente da nossa cultura, eu pude constatar isso. Outra coisa que eu acho ser importante, nesse trabalho que a gente faz de ser semeadores de cultura, como nós nos arvoramos a considerar, é que se você tem isso como vivência, você vai ter quase que no dia a dia, então é difícil não ter interesse quando isso faz parte da vivência, não é um modismo. Eu gostaria que realmente esse tipo de atividade fosse mais constante, porque isso engrandece a cultura, e uma sociedade só cresce se tiver cultura para adquirir o senso crítico, senso de cidadania e a literatura e a cultura no geral proporcionam isso no ser humano”, pontuou.

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Colégio Clementino coelho. Foto: Lenir do Vale

Novo trabalho

Aldy revelou que está trabalhando no quarto CD, inclusive já tem algumas músicas prontas, e que ele aproveitou a oportunidade de sua vinda à Petrolina para divulgá-las nos meios de comunicação da cidade. “Uma das canções se chama ‘Alfenim’, que é uma definição do que é o amor. Camões foi o primeiro a dizer: o amor é; na literatura bíblica cristã temos o apóstolo Paulo que retoma esse tema, trazendo para a atualidade o Djavan já cantou o amor, A Legião Urbana também, inclusive até trechos do poema de Paulo na canção e agora eu, com Alfenim, também estou dizendo: o amor é”, contou. Aldy pretende lançar seu quarto cd até metade do ano que vem, a depender dos apoios culturais.

Foto: Emanuel Andrade
Foto: Emanuel Andrade

Desafios

Questionamos Aldy se é possível viver de música na atualidade. “O que a gente busca é visibilidade e com isso temos acesso aos meios de comunicação e sucessivamente o interesse do patrocinador pelo seu trabalho, porque de certa forma ele tem uma contrapartida, mercadologicamente a gente sabe que é isso que acontece. Essas são as dificuldades que eu encontro e eu acho que todo artista encontra, porém até hoje não me desanimou para que eu fuja da minha ideologia com relação a arte, porque nós artistas temos que estar ao dispor da arte, quando você faz o contrário, eu acho que provavelmente você vai tornar esse trabalho uma mediocridade e eu, por enquant, fujo disso como o diabo da cruz, mas por opção e não pelo medo de cair nisso, mas porque essa é a minha escolha, está a serviço da arte”, afirmou.

15032292_1191555664257762_5528745027123524904_nMercado fonográfico

De acordo com Aldy Carvalho o meio fonográfico só tem olhos para o mercado e não quer saber se o artista estar fazendo arte ou não arte, para eles o que importa é vender. “Me parece que ele só quer saber: isso vende? Para que púbico vende? Como é mais fácil? Talvez se eu fosse simplesmente um comerciante eu pensasse assim, agora o artista, o fazedor de arte que tem uma preocupação cultural, ele não ver por esse prisma, ele ver pela essência e eu não posso me afastar de minha essência, a minha essência é igual a tua, a de todos nós, a gente tem que olhar o outro como semelhante, imaginar que eu não quero uma coisa ruim para o outro, assim como eu não quero que me aconteça. Quando eu vulgarizo a arte ela vai ficar ao rélis do lugar comum, não é o lugar comum que a gente busca, a gente quer um lugar de destaque e esse destaque que eu falo, é a elevação. A elevação do espírito, elevação da alma e é isso que nos torna mais humanos. Eu penso que a arte e a poesia nos serve para dar equilíbrio, para a gente saber exatamente qual é o rumo que a gente precisa para ser mais harmônico com o universo e com nós mesmos”disse.

Cultura em Petrolina

O artista petrolinense, embora afastado da cidade há alguns anos, fez coro com a categoria que tem reclamado da falta de incentivo a cultura local por parte do poder público. “Parece que Petrolina cresceu economicamente, mas não acompanhou o interesse cultural, pelo que se poderia produzir de maneira geral. Recentemente peças literárias lindas, com figurinos lindos foram montadas aqui, e apresentadas no SESC, como O Auto da Compadecida, O Santo e a porca, mas com muitas dificuldades, encontrei uma amiga e prima de terceiro grau, Lusiana Marcos Araújo, envolvida nesses espetáculos que estava se queixando dessa dificuldade. Talvez o interesse público não olhe para esse lado. Você ver uma cidade como Petrolina, que parece uma metrópoles, e não ter políticas públicas para a cultura”, lamentou. Aldy disse que pôde perceber no Colégio Clementino Coelho o interesse dos alunos. “No evento ficou claro para mim, que se houver produção, fosse dado a oportunidade de vivenciar a cultura do entretenimento e outras eu acho que você tem um público consumidor, não precisa ficar batalhando tanto para fazer plateia, parece que a plateia até já existe, agora não tem como os artistas se apresentarem e eu concordo com eles quando se queixam”, pontuou.

Colégio Clementino Coelho. Foto: Lenir do Vale
Colégio Clementino Coelho. Foto: Lenir do Vale

Momento atual do país

O artista Aldy Carvalho também comentou sobre o momento político que o país vem vivendo e demonstrou preocupação. “Confesso que estou muito apreensivo, como cidadão, como livre pensador, como artista, compositor, produtor cultural e como cidadão em si, o ser político, porque nesse momento assim, nós vimos pela nossa história não tão distante assim é muito perigoso, e ruim para o crescimento da sociedade. Vejo com apreensão, algumas coisas que a gente houve e ver saindo na imprensa, é bem triste de ver e perigoso, vamos fazer o que, retrocesso? É isso que a gente quer? Eu vejo outros países indo pra frente e quando a gente tem a oportunidade de dar passos para frente, vamos para trás? Quando poderíamos subir a escada de forma mais dinâmica aí vamos retroceder, retroagir? Ou seja, eu não vejo como isso pode nos tornar uma nação digna e dizer: olha estamos chegando no patamar que merecemos, é assim que eu vejo”, lamentou.

Foto: Lenir do Vale
Foto: Lenir do Vale

Mensagem para os leitores

Ao final da entrevista Aldy Carvalho deixou uma mensagem para os leitores do blog, confira: “A vida é o espaço de tempo entre o nascimento e a morte, que nós temos para construir a nossa história. Então, busquemos construir essa história com dignidade, com hombridade, claro, usando do raciocínio e da razão, mas não esquecendo o sentimento e a emoção verdadeira que a gente possa construir entre os semelhantes”, concluiu.

Os CD’s Redemoinho, Alforge e O canto d’algibeira de Aldy Carvalho se encontram à venda em Petrolina no Sebo Reboliço. Contato para show pelo telefone 87.8847.1094, falar com Aldízio Barbosa.