Entrevistas

‘Galhos Concatenados’ do Tio Zé Bá é premiado melhor CD de reggae de Pernambuco

Confira entrevista exclusiva com o petrolinense, vocalista e produtor Maércio José, idealizador do projeto.

12654197_1271407492886115_6926313469803993152_nFoi realizado em Recife, dia 26, no Teatro Santa Isabel a entrega do 7º Prêmio da Música de Pernambuco, e o disco Galhos Concatenados do artista petrolinense Maércio José, do bairro José e Maria, zona norte da cidade, foi eleito pelos críticos o melhor CD de Reggae de Pernambuco.

O Projeto Tio Zé Bá é uma proposta independente do vocalista e produtor Maércio José que desde 1997 com a Banda Apocalypase Reggae produz música de reggae no Vale do São Francisco.

Conforme Maércio José a origem do Projeto Tio Zé Bá parte da figura ancestral do Tio que ensina, protege e luta pelos seus; do codinome Zé, que tem forte ligação com a cultura popular nordestina; e da sílaba Bá, herdada da palavra “Iorubá”, que faz referência a povos das nações africanas, o Tio Zé Bá se constitui como conceito de inquietação criativa perpassada das alegrias, ritmos e sabedorias que os tambores da cultura popular produziram.10353102_939439529416248_8989757791499480475_n

O Prêmio de Música de Pernambuco é uma iniciativa da Associação dos Cantores e Intérpretes de Pernambuco (ACINPE).

Maércio José não pode comparecer a entrega do prêmio, mas agradeceu pelas redes sociais. “Queremos saldar a todo o público que acreditou, a ACINPE pela iniciativa e a todos os envolvidos na produção deste trabalho (músicos, técnicos e autores)”, disse.

Em entrevista para o nosso Blog Maércio falou sobre a premiação, confira:

PC – Como recebeu a notícia de que o seu disco foi premiado o melhor CD de reggae de Pernambuco?

MJ – Eu fiquei sabendo pela internet e depois o pessoal da ACINPE, que é a organizadora do prêmio, me ligou informando e parabenizando. Eu não pude ir à Recife por várias questões, mas foi muito bom receber essa notícia mesmo pela internet, gostaria de ter ido para conhecer outras pessoas da cena musical de Pernambuco, mas não foi possível.

PC- O que esse prêmio significa para sua música?

MJ- significa para a música que eu faço, um reconhecimento, representa uma seta, um caminho que eu devo percorrer a partir desse prêmio. Acreditar ainda mais nesse trabalho que é feito aqui no sertão e que dialoga com o mundo, eu não tenho intensão de fazer minha música só para o sertão, mas a partir do olhar de um sertanejo que faz reggae. Galhos concatenados dialoga com o mundo. O prêmio dá mais confiança no trabalho que a gente vinha fazendo, porém com mais responsabilidade. Resumindo o prêmio aponta que estamos no caminho correto de fazer música autoral, com a temática que a gente acredita e sempre tentando melhorar mais a música e o argumento de nossa música.

PC- Ao ouvir o seu CD Galhos concatenados, percebemos que as músicas trazem um sentido que remonta a história dos afrodescendentes. É isso mesmo?  Conte para nossos leitores essa história.

MJ- O disco, ele dialoga demais com a temática afrodescendente, não só com isso, mas ele dialoga muito. Ele busca emendar algumas coisas que foram perdidas ao longo da história ou na história mais recente em que a gente não conseguiu ligar uma coisa com a outra. Ele dialoga com a nossa cultura brasileiras, com temas sociais contemporâneos da nossa história brasileira e dialoga também com músicas do mundo. Dialoga com o blus, drum and bass, Ijexá, nayambing, skar, rapper, com a balada, e ele tem essa intensão. E o que motivou foram as nossas pesquisas dentro e fora do reggae e a convivência com outros segmentos que não somente a música, mas também os movimentos sociais, os discursos nas redes sociais, as convivências familiares, a observação do cotidiano na nossa comunidade e em outras também e a busca constante de conhecer os nossos ancestrais: quem foram? quais eram as suas culturas?, enfim, ir muito além da questão somente cor de pele. A gente não quer discutir só cor de pele, mas a gente quer discutir: cultura, direito, lutas, conquistas, vitórias e concatenar, emendar os galhos

PC- A quem você dedica esse prêmio?

MJ- Eu dedico aos nossos guerreiros ancestrais, as pessoas que acreditaram em nosso trabalho desde o início, desde quando a gente estava aprendendo a bater lata no quintal de casa, aos nossos familiares, dedico também aos companheiros que já foram de nossa banda, mas pela situação social que se encontram na comunidade próximo à violência, em situação vulnerável; músicos que já se foram vítimas da violência, mas que passaram pela nossa banda a ajudaram a construir essa história, contribuíram com esse trabalho, aos músicos que estão presentes hoje e que contribuíram com esse trabalho . E ao público em geral que está sempre dando uma força, o feedback de nossa música contribuindo com histórias, compartilhando nossos vídeos, nossa música, compram nosso disco para ouvir em casa, para apresentar a um colega lá do outro lado do mundo e que tem o interesse de levar a música pelo prazer de difundir. Nossa batalha é grande, nossa música não toca em rádio, a gente dedica esse prêmio a cada pessoa que pega nosso disco, vai para nosso show e as pessoas próximas de casa, os amigos, parentes, companheiros e companheiras que estão junto da gente todos os dias e aos nossos ancestrais.

PC- Quais os próximos passos do Tio Zé Bá?

MJ- Tio Zé Bá é a caminhada mesmo, a gente continuar na luta produzindo nossa música aqui, no mundo e para o mundo. Pegando a estrada, de vez enquanto dá uma saidinha e ali mostrar nossa música em outras cidades, estados e países como a gente já foi e produzir mais música, gravar mais discos, por que a gente existe por causa da música e mostrar essa música em outros lugares e daqui há uns dias quando tiver passagem para Marte, a gente vai mostrar lá também, é isso (risos).

O Prêmio de Música de Pernambuco é uma iniciativa da Associação dos Cantores e Intérpretes de Pernambuco (ACINPE). (Foto: Maércio José).