Entrevistas

Entrevista: APA teve participação no revezamento da tocha com 9 condutores

“Acredito que este momento será de sensibilização para que nossos projetos possa dar um salto ainda maior”

[ Justino Pedro da Silva é o primeiro condutor de Petrolina | foto: Arquivo APA]

O percurso da tocha em Petrolina começou pelas mãos do maratonista Justino Pedro da Silva. Ele é o quarto no ranking nacional de atletismo e integra a Associação Petrolinense de Atletismo (APA), instituição que há 13 anos incentiva o esporte nas margens do Rio São Francisco. A APA já é referência de trabalho com esporte na região, acumulando grandes conquistas, como o terceiro lugar na Maratona Internacional do Rio de Janeiro 2015, conquistado por Edson Amaro, e a da paratleta Fernanda Yara, que participou dos jogos de Pequim 2008, além de Thiago Café ser o recordista brasileiro menor do salto em altura, com 2,06 mts.

Para trabalhar com esporte é preciso garra, não só nas competições, mas também nos obstáculos diários para a manutenção do trabalho. Em entrevista ao Ponto Crítico, o técnico Natanael Barros conta que o incentivo chega através de alguns programas de incentivo federal e estadual, além da ajuda de amigos e parceiros. Ele também comenta sobre as dificuldades em manter um trabalho contínuo aqui no Sertão.

Ponto Crítico: Na sua opinião, qual o impacto do esporte na vida de uma pessoa?

Natanael Barros: O esporte é uma ferramente extramente importante para a formação do aluno, quando orientado de forma adequada. Temos convicto em nossas atividades que é preciso formar primeiramente o ser humano, que é preciso ter disciplina, compromisso e responsabilidade na vida e no esporte. Por isso, o esporte é algo fundamental para a vida de todos.

PC: Como você vê a condição do atleta no Brasil hoje? E do paratleta? Tem melhorado ao longo dos anos?

NB: Avançamos muito, mas ainda tem muito o que se fazer. Apesar da profissionalização do atleta ter melhorado, percebemos uma concentração nos principais centros dos país e, com isso, deixando o esporte, na maioria dos lugares, sendo tratado como filantropia, sem o devido investimento para se profissionalizar. Essa realidade acontece com os dois segmentos: olímpico e paralímpico. No entanto, o paralímpico além de enfrentar as dificuldades financeiras, enfrenta outro problema ainda maior, que é o fator simbólico da sociedade em relação a deficiência.

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Integrantes após treino | foto: Arquivo APA

PC: De que forma vocês mantêm os trabalhos?

NB: O trabalho dos professores é voluntário. Buscamos parcerias para conseguir se manter em atividade. Atualmente temos a parceria do Sesi Petrolina, que nos cede o espaço para os treinos, da UPE, com o colegiado de Nutrição, e da Univasf, com o colegiado de psicologia, que disponibilizam os estudantes para estágios.

PC: O Brasil vai sediar pela primeira vez os jogos olímpicos. O que você pensa disso? Você acha que vai contribuir de alguma forma para as políticas públicas para o esporte?

NB: Tenho esperança que o poder público possa melhorar as políticas de esporte em nosso país. O debate foi colocado na sociedade. É preciso estar atento a essas questões para que essa olimpíada não se transforme em apenas um evento passageiro e que a população não venha a usufruir de todos os benefícios que ela deveria trazer.

PC: Alguns dos integrantes da APA participaram do revezamento da tocha. Acha que pode chamar atenção para os projetos de vocês?

NB: Sim. Nossa instituição foi representada por 09 integrantes. É a maior participação de uma instituição em número de participantes na região. Temos, atualmente, os principais atletas e para-atletas da região e alguns dos principais do país. Acredito que este momento será de sensibilização para que nossos projetos possa dar um salto ainda maior.

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Técnicos se emocionam ao se encontrar no revezamento | foto: Arquivo APA

PC: Esse é um reconhecimento ao trabalho desenvolvido. Além desse momento olímpico, vocês se sentem valorizados na cidade?

NB: Com certeza. Somos muito bem recebidos e conhecidos pelo trabalhado que realizamos. Motivo este que na próxima semana, dia 31, uma terça-feira, a câmara vai votar o projeto de lei que nos dá o título de utilidade pública municipal.

PC: Se os leitores quiserem iniciar hoje a carreira esportiva, como devem proceder?

NB: Deve procurar a instituição que fica localizada no Sesi Petrolina, todos os dias, das 7h às 9h.

 

Colabore!

Para incentivar o grupo, os interessados podem procurar pela equipe no Sesi de Petrolina ou realizar depósitos na conta da associação:

RAZÃO SOCIAL ADECESF – ASSOCIAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO ESPORTIVO, CULTURAL E EDUCACIONAL DO SÃO FRANCISCO.
BRADESCO
AGENCIA 1122
C/C 24306-0

Telefones para contato: (87) 9.9638-7160 – Natanael Barros / (87) 9.9968-9779 Marciano Barros