Patrick Campos

Para parar o vírus, é preciso ir às ruas parar o governo

“A alternativa para as milhões de pessoas que, por conta das ações desse governo assassino, vivem a encruzilhada de tentar sobreviver sem se contaminar, é se mobilizar para colocar um fim no governo que é um aliado do vírus”. *Por Patrick Campos

Esta semana o Brasil deve ultrapassar a marca de 450 mil pessoas mortas em decorrência da covid-19. Ao longo dos próximos dias a perspectiva é de avanço de uma terceira onda da pandemia, colocando a média diária novamente acima das três ou até mesmo dos quatro mil óbitos. Chegaremos no São João com mais de meio milhão de vidas perdidas.

As ações do governo Bolsonaro são as principais responsáveis por esse assassinato em massa. Ações que impediram e continuam impedindo o acesso às vacinas, que incentivou a contaminação (afirmando se tratar apenas de uma gripezinha) e que não permitiu que a maioria do povo pudesse tomar medidas de isolamento social.

A grande maioria dos mortos são trabalhadores e trabalhadoras. Pessoas que tiveram que enfrentar a exposição ao vírus em ônibus lotados, nos camelódromos, mercados, comércios informais e que nunca puderam parar, pois o auxílio nunca chegou ou sempre foi insuficiente para colocar comida na mesa e pagar todas as contas do mês.

São mais de 40 milhões de desempregados e cerca de 20 milhões de pessoas passando fome. Que alternativa resta a elas, mesmo sem vacina, que não sair de casa todos os dias para tentar conseguir um emprego ou comida para sua família? E que alternativa tem aquelas outras milhões de pessoas que para manter o emprego e o salário (cada dia mais insuficiente para pagar as contas), mesmo sem vacina, precisam sair de casa todos os dias para trabalhar?

Por conta de Bolsonaro e seus aliados, as vacinas não chegarão para todos este ano. Até o momento, das mais de duzentas milhões de pessoas que vivem no Brasil, pouco mais de dezessete milhões conseguiram tomar as duas doses dos imunizantes. Por isso, ainda por vários meses, milhões de trabalhadores e de trabalhadoras serão obrigados a lutar pela sobrevivência sem ter a melhor proteção contra o vírus.

E está mais do que provado que quanto mais tempo Bolsonaro e seus aliados continuarem governado, pior ficará a vida do povo, mais o vírus se espalhará, mais cepas e variantes irão surgir e mais pessoas ficarão desempregadas, passarão fome e morrerão. De tal forma que, a alternativa para as milhões de pessoas que, por conta das ações desse governo assassino, vivem a encruzilhada de tentar sobreviver sem se contaminar, é se mobilizar para colocar um fim no governo.

E essa mobilização precisa ocorrer nas ruas do país. As mesmas ruas que estão ocupadas por trabalhadores lutando para sobreviver, precisam ser ocupadas por estes mesmos trabalhadores e tantos outros na luta para derrotar Bolsonaro.

Essa afirmação não é negadora da defesa das políticas de isolamento social, tão necessárias para a proteção contra o vírus. E não é porque a maioria do povo que está sofrendo com o desemprego, com a fome e com a exposição ao vírus já está na rua e sendo impedida de praticar medidas de isolamento. É justamente para conseguirmos as condições políticas que permitam medidas sanitárias corretas, que precisamos mobilizar contra o governo aliado do vírus.

Em alguns países da região, como Paraguai, Chile e Colômbia, tem sido a mobilização popular que tem permitido ao povo vislumbrar uma alternativa real de enfrentamento a pandemia, uma vez que isso passa por enfrentar as políticas dos governos que como tem sido afirmado em alguns casos, são tão perigosos quanto o próprio vírus.

Aqui no Brasil a baixa mobilização dos setores populares, associada a ação assassina do governo e a mera atuação parlamentar e institucional da oposição de esquerda, ficou longe de frear o crescimento do número de mortes, de ampliar a vacinação ou de garantir melhores condições de sobrevivência.

E nessa equação a variável que pode e precisa ser alterada é a mobilização popular. Sem ela seguiremos para uma terceira onda em condições que podem ser ainda piores dos que as vividas até agora.

É por isso que o dia 29 de maio precisa representar uma virada no atual estado de coisas. Uma parcela das organizações populares, sindicais, estudantis e partidos de esquerda estão finalmente convocando para a mobilização. Assim como ocorreu no dia 13 de maio em diversas cidades, os setores populares devem se preparar para ir às ruas no dia 29.

Ou assumimos que essa é uma mudança necessária na conduta de enfrentamento da política do Bolsonaro, ou seguiremos assistindo a direita usar a pandemia para ocupar as ruas, ampliar e incentivar a violência e o morticínio, e se preparar para as eleições de 2022 enquanto implementa o programa de reformas ultraliberais, privatizando as empresas públicas e desmontando as legislações social, ambiental e trabalhista.

Contra tudo isso e em defesa da vida, que façamos um dia 29 de lutas!

*Patrick Campos, Advogado, membro do diretório nacional do Partido dos Trabalhadores