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A democracia e o amor exigem esforço (ou é preciso ser professor-aprendiz)

O ódio
é uma coisa fácil e fútil
já o amor
exige um esforço
que todo mundo conhece
mas ao qual nem todo mundo
está disposto. *Por Nilton de Almeida

Foto: Mídia Ninja

Professor também aprende.

Tenho aprendido com o movimento estudantil que a democracia e o amor exigem esforço. Em pensamentos, atos e palavras. Essa geração tem o direito de continuar florescendo.

Compartilho coisas que li, vi e ouvi da maioria d@s noss@s estudantes nas últimas semanas.

(Também vi e ouvi algumas coisas entre o inacreditável e o abominável – desumanas, demasiado desumanas – mas a maioria tem consciência democrática e solidariedade na mente e no coração. É possível, SIM, ter esperança no futuro).

Há resistência, crítica, empatia, resistência democrática, defesa da vida.

“Pelo direito de andar AMADO.”

“Eu tenho porte de alma.”

“Armas, não. Artes, sim.”

“Sou a favor do porte de livros para todos os cidadãos.”

“Verás que o mito teu só foge à luta.”

“Candidato que não quer debater, se for presidente vai dialogar com o povo?”

“A gente precisa é de democracia para poder continuar discordando.”

“Se brincar com arma não incita a violência, por que vocês tem medo de menino brincando de boneca?”

“Se os Estados Unidos se uniram à União Soviética para derrotar os nazistas, você pode se unir a todos que defendem a democracia.”

“Ninguém precisa ser uma árvore para ser contra o desmatamento. Ninguém precisa ser negro para ser contra o racismo. Ninguém precisa ser gay para ser contra a homofobia.”

“Mito é quem encara o preconceito todos os dias e ainda consegue manter o sorriso no rosto. Quem incentiva a violência e armas na cintura para sentir coragem é covarde.”

“Quantos negros seu voto vai matar?”

“Se você ficar neutro em situações de injustiça você escolhe o lado do opressor.”

“O amor vencerá o ódio” (Talvez – talvez, tenham aprendido ou ouvido isso de algum professor…)

“Jesus não apoia racismo. Jesus não apoia violência. Jesus não apoia violência. Jesus não apoia preconceito.”

“Mestre Moa, presente!”

Elas e eles estão escrevendo a História da resistência democrática.

Por hoje, eu fico com a nobreza da resposta dessas jovens e desses jovens.

“Eu fico com a pureza da resposta das crianças/É a vida, é bonita e é bonita/Viver e não ter a vergonha de ser feliz…/Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz” (Gonzaguinha, 1982 – Álbum Caminhos do Coração).

*Nilton de Almeida Araújo é professor de História do Brasil, integrante dos Movimentos Antirracistas do Vale e membro do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Juazeiro.