Olhares

Um grito chamado arte

A sessão Olhares deste mês traz a abra do artista plástico Douglas Cândido, que questiona os padrões de beleza, perfeição e maneiras de ser na sociedade. Confira.

por Larissa Mota Calixto

“Eu quero gritar que a gente é livre!” – Douglas Cândido, artista plástico.

Buscar extrapolar o lugar do outro e os confinamentos dos armários, é o grito da luta LGBT contra a heteronormatividade. O trabalho que trazemos nesta edição da sessão Olhares pretende ser um grito de liberdade, usando da desconstrução cubista das formas e dos corpos, Douglas Cândido questiona os padrões de beleza, perfeição e maneiras de ser na sociedade.

“A gente precisa desconstruir essa ideia do homem perfeito, da mulher perfeita, da travesti perfeita e desse jeito perfeito de ser.” – Douglas Cândido, artista plástico de Recife-PE, que se tornou um pouco petrolinense com os anos que passou estudando na cidade.

Douglas, ariano com Plutão em escorpião, grita a sua não aceitação aos padrões pré-estabelecidos e sua militância exercida através da arte. “Eu me encontro muito nessas questões ligadas ao corpo, como as pessoas estão dominadas, pensando, fazendo e sendo iguais. A causa que grita muito alto em mim são as questões ligadas ao LGBT. Toda repressão que eu sofri por conta da minha sexualidade consigo colocar pra fora como um grito através do desenho. Eu me sinto ainda muito preso e preciso disso para falar, o meu instrumento é a arte. Através da arte consigo gritar algo que me ultrapassa!” – conta ele.

O trabalho desse jovem artista — que entrou no curso de artes visuais guiado por uma paixão pelo cinema e no desenho encontrou o seu caminho — tem a potencialidade de sair da tela e gritar pelo direito à voz e a existência da luta LGBT, que não deve e nem vai voltar para os armários. Através de personagens desconstruídos desde a forma trazendo desproporções no tamanhos de olhos, bocas e outras partes do corpo, além de uma mistura de características consideradas femininas e masculinas, ele nos questiona e brinca com os nossos limites de percepção de gênero. Afinal, o que nos torna homem e mulher?

A arte atinge no coletivo! — Exclama Douglas sobre as potencialidades políticas da arte. Ela é um instrumento que pode promover mudanças e questionar padrões sociais, através do incômodo muitas vezes. Um símbolo utilizado por um artista pode ganhar proporções inimagináveis, justamente por atingir a um grande número de pessoas, diz ele. A exemplo disso, ele cita a performance da mulher trans Viviany Beleboni, na parada do orgulho LGBT em São Paulo. Ela utilizou símbolos religiosos para questionar uma religião que na sua filosofia diz “amai ao próximo”, mas em setores radicais tem agido na contra mão disso em relação a comunidade LGBT.

A arte pode promover questionamentos e mudanças, a partir de desconstruções de padrões. Ser artista já é uma atitude revolucionária numa sociedade que parece pouco valorizar a arte. É necessário que sejamos empurrados a sair das nossas zonas de conforto para que todos tenhamos voz, espaço e existência garantidos. Somos humanos afinal, é isso que o trabalho de hoje nos mostra através de formas desconstruídas, quebras de padrões com tinta nanquim.

Em 2014, Douglas Cândido ganhou com este trabalho o Salão Universitário de Arte Contemporânea do Sesc Casa Amarela – UNICO, do Sesc de Recife-PE. O Salão UNICO pretende promover trabalhos universitários de artes visuais. Sua obra já foi exposta na reitoria da Univasf, na Galeria Ana das Carrancas no Sesc de Petrolina.

 

[Amy Amy Amy – Douglas Cândido (Naquim sobre papel. Formato A3)]

 

[As meninas – Douglas Cândido (Nanquim sobre papel. Formato A3.)]

 

[Doiderinha – Douglas Cândido (Nanquim sobre papel. Formato A3.)]

 

[Galeguinha -Douglas Cândido (Nanquim sobre papel. Formato A4)]

 

[Gata com vestidinho de gato – Douglas Cândido (Nanquim sobre papel. Formato A3)]

 

[Sereia cigana – Douglas Cândido (Nanquim sobre papel. Formato A3)]

 

 

[Frida – Douglas Cândido (Nanquim sobre papel. Formato A3)]

 

[As namoradas – Douglas cândido (Nanquim sobre papel. Formato A3)]

 

[Douglas Cândido (Técnica: giz sobre parede. 6,30mx5m Exposição: Persona – 2015)]