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Solidariedade da mídia corporativa ao jornalista Glenn Greenwald é pequena e quase protocolar

A julgar pelo comportamento dos veículos de comunicação da mídia corporativa, que foram parceiros da Lava Jato nos últimos anos, o jornalista Glenn Greenwald, editor do Intercept que foi alvo de uma clara tentativa de intimidação, pode colocar as barbas de molho

247 O jornalista Glenn Greenwald, editor do site The Intercept que ontem foi alvo de uma clara tentativa de intimidação, ao ser denunciado pelo Ministério Público Federal de associação criminosa com os hackers que teriam invadido os celulares de autoridades públicas ligadas à força-tarefa da Lava Jato, pode colocar as barbas de molho. Isso porque a imprensa brasileira, que é também atingida por este ataque à liberdade de expressão, que atinge Glenn hoje, mas pode ter outros alvos no dia de amanhã, foi extremamente pusilâneme diante desta nova agressão à democracia. O caminho escolhido foi o de uma suposta objetvidade e neutralidade – o que significa tomar o lado do arbítrio.

Tanto Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo como O Globo optaram por apenas noticiar o caso, sem aparentemente tomar partido – o que significa não tomar partido da democracia e da liberdade de expressão. O Ministério Público diz disso, Glenn e advogados dizem aquilo… Nenhum desses veículos publicou editorial condenando a escalada autoritária. No Globo, a exceção positiva foi o colunista Bernardo Mello Franco, que condenou a agressão à liberdade de expressão. Na Folha, quem defendeu as prerrogativas da imprensa foi o colunista Bruno Boghossian. No Estado, Vera Magalhães apenas disse que a denúncia deve cair se chegar ao STF. A realidade é que, embora seja apoiado por advogados e lideranças de partidos progressistas, Glenn tem hoje menos apoio do que deveria ter na mídia como um todo.