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PARABÉNS PETROLINA! 125 anos de história municipal

Aos 74 anos de idade, em tempos pandêmicos, ainda continuo a me pensar nesta cidade, em posicionamentos e olhares críticos. Pois bem, hoje, aniversário da cidade, analiso um quadro bastante esclarecedor sobre as desigualdades sociais que aqui fincaram e são visíveis além da arquitetura da orla. *Por Elisabet Moreira.

Foto: Acervos da Abajur Soluções

Moro aqui, em Petrolina, há 44 anos, sou “cidadã petrolinense” oficialmente e nesta cidade construí minha vida profissional e familiar, com todos os percalços do viver, consciente de minha inserção em sua história. Aos 74 anos de idade, em tempos pandêmicos, ainda continuo a me pensar nesta cidade, em posicionamentos e olhares críticos.

Sim, Petrolina é uma bela cidade, diferente de quando aqui cheguei, carente e na expectativa de desenvolvimento, representada pelo represamento das águas deste rio São Francisco, que só é chamado de Velho Chico por uma nostalgia de poucos.

Hoje Petrolina, quase metropolitana em sua área de influência, abarcando outros municípios, como Lagoa Grande por exemplo, é referência regional seja pelo pólo médico, seja pelo universitário, seja pela produção e exportação de frutas do vale. E daí pode-se enumerar a grandeza de uma cidade que cresce sem parar. Quase não saio de casa, mas fico atenta em informações locais e me admiro dos nomes de tantos bairros novos, loteamentos, condomínios, projetos de irrigação, assentamentos, invasões…

No espaço e no tempo desta cidade, homens e mulheres que permanecem e não ficam só de passagem, como de sua origem histórica. A realidade contemporânea nos desafia, pois, além destas margens, da caatinga, das verdes áreas irrigadas, situa-se num Estado nacional e de sua interação.

Pois bem, hoje, aniversário da cidade, analiso um quadro bastante esclarecedor sobre as desigualdades sociais que aqui fincaram e são visíveis além da arquitetura da orla.

Você pode conferir e talvez refletir… eu faço algumas constatações. Pode ser acessível neste link:

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/09/confira-renda-e-patrimonio-medios-em-sua-cidade.shtml

Ou ir diretamente ao site da FGV. Os dados, organizados pela FGV Social, a partir do IRPF de 2018, incluem todos os rendimentos declarados, inclusive aplicações financeiras, muitas vezes pessoas físicas que recolhem impostos menores por meio do Simples.

https://www.cps.fgv.br/cps/bd/docs/ranking/TOP_Municipio.htm

Analisar ou comentar dados estatísticos não é tarefa fácil. Mas me chamou muito a atenção, em primeiro lugar, o número de declarantes do Imposto de Renda na cidade. Esse dado me impactou. Apenas 10, 05%. E os outros 90% que não declaram… quem são ou por que não declaram?

Pessoas sem renda suficiente para declarar, pobres, desempregados, pequenos empresários rurais e urbanos e/ou… sonegadores?? Segundo a matéria da Folha de São Paulo, as cidades com mais declarantes de IRPF tendem a ser menos desiguais. Óbvio, significa que há mais distribuição de renda.

Agora, vejam a renda média da população.  Segundo estes dados, das declarações do IR do ano de 2018:  R$ 691, 96, mas a renda média dos declarantes é de R$ 6.884,44.

A diferença não passa desapercebida. A renda média dos declarantes é quase 10 vezes superior à renda média da população.  A desigualdade é gritante.

Essas diferenças se concretizam na comparação entre o Patrimônio Líquido Médio da População: R$ 11.512,33 para o Patrimônio líquido médio dos declarantes: R$ 114.537,71.

O que sabemos, em linhas gerais, é que a economia brasileira tende a aprofundar a desigualdade, quanto mais dependente de empregos informais e de baixa produtividade. Não vamos discutir aqui possíveis soluções ou alternativas, apenas quis destacar a desigualdade social em nossa cidade, cotidianamente visível.

Não posso deixar de frisar também que se tributa muito o consumo e pouco a renda e o patrimônio. Enfim, justiça social está na base de um governo realmente comprometido com a população, e não com estes representantes que aí estão.

Vamos refletir e nos posicionar…

 

 

Por Elisabet Gonçalves Moreira – professora, escritora e pesquisadora em cultura. Mora há 44 anos em Petrolina. 

 

Petrolina PE R$ 692 R$ 11.512 R$ 6.884 R$ 114.538 10,05
  % da população posição no Brasil
Declarantes na População 10,05% 1.865º
  Média posição no Brasil
Renda média da população R$ 691,96 1.347º
Patrimônio Liquido Médio da População R$ 11.512,33 2.265º
Renda média dos declarantes R$ 6.884,44 671º
Patrimônio liquido médio dos declarantes R$ 114.537,71 2.554º