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Estudantes param a ponte em protesto aos ataques do governo Temer à educação pública

Em ato unificado, estudantes do IF Sertão, UNEB, Univasf, Facape e UPE protestaram contra a PEC 241, a MP do Ensino Médio e o Projeto Escola sem Partido.

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[Manifestantes saem em caminhada pela ponte Presidente Dutra / foto de Chico Egídio]

Ontem, quarta-feira (19), estudantes da UPE, UNIVASF, UNEB, FACAPE e IF se concentraram na praça do Bambuzinho, em Petrolina, para uma grande manifestação contra as políticas impostas pelo Governo de Michel Temer. As propostas do governo atual – a PEC 241, MP do Ensino Médio e o Projeto Escola Sem Partido – são prejudiciais a educação pública de qualidade.

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Williany Ferreira – História – UPE Foto: Angela Santana – Ponto Crítico

Para o Ponto Crítico, Williany Ferreira, do curso de História da UPE, disse que a motivação dos estudantes das universidades e institutos para protestar é o descontentamento com os retrocessos que estão acontecendo no país. “Temos aí essa PEC 241 que congela gastos e investimentos por 20 anos para saúde e educação e temos nessas universidades cursos que são de licenciatura e saúde e a gente sabe que vai formar essa galera para trabalhar e não terá as condições necessárias para fazer isso. A gente também tem na educação uma medida provisória que reforma o ensino médio que precariza essa educação, além desse projeto de lei da Escola Sem Partido que tira toda a autonomia do professor dentro da sala de aula; isso é um grande ataque a nós que somos da licenciatura, que estamos nos formando e atuar numa escola que não tenha autonomia, não deixa que a gente se expresse, estão tentando nos amordaçar e nós estamos lutando para que isso não aconteça”, pontuou.

Segundo Williany, o reitor da Universidade de Pernambuco (UPE) havia marcado um evento na instituição, mas depois da ocupação ele desistiu de vir. O diretor também está tentando contato, mas ainda não deram retorno. Além das pautas a nível nacional, os estudantes da UPE de Petrolina construíram uma pauta com doze itens de reivindicações e aguardam uma resposta da universidade. “Estamos firmes e fortes acreditando que haverá progresso, não pode ser uma ocupação em vão. Governo do Estado, Reitoria, Secretaria de Ciências e Tecnologia, alguém vai ter que nos responder”, acrescentou.

Os estudantes da Universidade do Estado da Bahia, UNEB, Campus III, da cidade de Juazeiro, BA, que foi ocupada no último dia 18, também se fizeram presentes na manifestação. Para Isabela Granja, do curso de Direito, o movimento estudantil tem um papel histórico dentro do cenário tanto a nível mundial como nacional, a exemplo das diretas já.

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Isabela Granja – estudante de Direito da UNEB Foto: Angela Santana – Ponto Crítico

“O movimento estudantil cumpre um papel fundamental, decisivo, histórico e revolucionário de fato. Enquanto estudante da UNEB, a gente tem a consciência que esses ataques neoliberais muito bem posicionados a favor de uma classe, da burguesia nacional, são ataques direcionados para estudantes da classe trabalhadora que são os que mais sofrem com a precarização de um projeto de permanência na universidade, da assistência estudantil, residência precarizada, falta de materiais dentro da universidade, e a gente enquanto UNEB decidiu se juntar a esse movimento por entender que a conjuntura demanda cada vez mais um posicionamento de luta, combativo porque a gente não acredita em neutralidade, e quem não se posiciona e reage, rasteja. E para que a gente não rasteje, a gente resolveu se posicionar contra a PEC 241 que congela os investimentos por 20 anos, o que significa que vai atacar diretamente a nossa possibilidade de fazer um concurso público. A MP, que tem como proposta reformar o ensino médio, é uma ataque aos cursos de licenciatura a exemplo filosofia, sociologia, arte, educação física que sofreram esse corte na grade curricular; e também a Escola Sem Partido que limita a atuação do professor na sala de aula como mero reprodutor de informação e a gente sabe que não é isso, o professor é antes de tudo um educador do aluno e da aluna. E a gente resolveu ocupar e não só ocupar por ocupar, sempre reforçando tanto na UPE, UNEB e nos IFs, que a gente está realizando espaços de conscientização, de debates, enfim, a gente acredita que esse movimento vai crescer cada vez mais, iniciou a um bom tempo com secundaristas no Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, no Paraná, e que vai crescer cada vez mais, e colocar fogo no país e mostrar que o estudante tem vez, tem voz e tem força”, frisou.

Ainda conforme a estudante, a UNEB vai construir a sua pauta de reivindicação visando as demandas de cada curso a exemplo de projetos de extensão, laboratórios precarizados, falta de equipamentos. “Temos recebido apoios pontuais dos professores e acreditamos que eles vão apoiar integralmente o movimento que não é apenas dos estudantes, mas é de toda a população brasileira, da classe trabalhadora”, destacou.

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Victor Flores – Presidente do Diretório Acadêmico – IF Sertão – PE Foto: Angela Santana – Ponto Crítico

O Instituto Federal de Pernambuco, IF Sertão – PE, se mantém ocupado pelos estudantes que na última segunda-feira, 17, estiveram protestando e procurando a reitoria para levar as pautas de reivindicações. Para o presidente do diretório Acadêmico, Victor Flores, o cenário atual implica muitas perdas para a educação e é preciso transferir essa informação para todos, sair das academias, das universidades e institutos e trazer essa discussão para o público.

“Teremos uma votação que vai congelar os investimentos na educação, precisamos mobilizar os estudantes, afinal a educação está para formar o indivíduo para transformar a sociedade, não dá para precarizar a educação, precisamos de uma educação mais eficaz para que a gente possa transferir isso de forma mais eficiente para a comunidade. Considerando a situação política atual a gente precisa transferir essa informação e mobilizar a todos, para que essa discussão não fique só para o movimento estudantil, mas que o pessoal saiba que vai prejudicar também a saúde, o trabalhador, a gente precisa fazer com que essa discussão saia para as ruas, as escolas, os vizinhos, as igrejas e que nessa votação se tenha uma participação mais ativa do que aconteceu na anterior. O IF Sertão repudia imensamente tudo que vem acontecendo na conjuntura nacional e precisamos mobilizar mais pessoas, foi assim que surgiu o movimento OCUPA VALE e nós vamos persistir, ocupar e resistir”, afirmou.

A Universidade Federal do Vale do São Francisco, UNIVASF, foi a primeira a ser ocupada pelos estudantes, porém só durou uma semana. Apesar disso para a estudante do curso de medicina veterinária, do Campus de Ciências Agrárias, Bruna Barbosa, o fim da ocupação não representa a maioria dos estudantes, tanto é que eles estão integrados no movimento OCUPA VALE.

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Bruna Barbosa – estudante de Medicina Veterinária – Univasf Foto: Angela Santana – Ponto Crítico

Para o Ponto Crítico, Bruna destaca suas motivações em protestar. “Primeiro que a PEC 241 se aprovada ela vai contra o plano nacional de assistência estudantil, então vai afetar diretamente o repasse de verba do governo federal para as universidades públicas. O corte orçamentário previsto para o ano de 2017 na assistência estudantil da Univasf é apenas a ponta do iceberg, a base disso é a PEC 241, a exploração do pré-sal por empresas estrangeiras, os corte da educação, então não tem como pautar os cortes da assistência estudantil e não discutir a PEC 241 que é o real problema disso”, ponderou.

Sobre a ocupação da reitoria encerrada depois de uma semana de paralisação, Bruna disse que a mobilização começou a ser conduzida pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) e na primeira conversa com o reitor recebeu promessas para a atenuação das dificuldades que o corte de verba traz para a assistência estudantil na Universidade, no entanto a reitoria não apresentou soluções concretas de como solucionaria esse problema; mesmo assim, o DCE começou a se articular com outros estudantes que, segundo ela, infelizmente ainda não possuem uma base política e entendimento sobre a conjuntura atual e os problemas que de fato prejudicam os estudantes como a PEC 241 impactaria, e viram a coisa muito minimizada, como sendo um problema local e a assistência estudantil fosse a única questão, mas não é. “O DCE resolveu se posicionar a favor da desocupação, mas não representa a maior parte dos estudantes que estão na luta para que a greve seja implantada na universidade e querem a reocupação da Univasf para pressionar o Governo Federal”, afirmou.

A manifestação teve início pela tarde na praça do Bambuzinho em Petrolina, com falas das representações estudantis expondo a realidade de cada instituição. Com gritos de guerra, cantos, faixas e cartazes os estudantes ganharam as ruas de Petrolina, culminando na Ponte Presidente Dutra pela noite e finalizando em Juazeiro, BA.