Espaço do Leitor

A maldição do forró da espora

“Pagamos caro o IPTU e esperamos um governo que ouça os cidadãos e que respeite leis públicas”. *Por Elisabet Moreira.

Foto: Reprodução

Há décadas morando ao lado do estádio de futebol de Petrolina, o evento público chamado forró da espora, finalizando as comemorações do São João na cidade, tornou-se uma tortura para os moradores das imediações, um bairro majoritariamente residencial. O que inclui também a Casa Geriátrica, com idosos carentes de repouso.

Não se consegue dormir, o som a todo volume, a noite inteira. Ano passado encaminhei um ofício/abaixo-assinado para a Secretaria de Cultura do município e, perplexa, vi agora a limpeza das calçadas ao redor do estádio. A confirmação de que o forró da espora será ali mesmo veio certeira.

Tenho cópias do abaixo-assinado. Reitero aqui os itens principais expostos no documento.

  1. Existe um local retirado do centro, o pátio de eventos, próprio para festejos desta natureza e que, por razões desconhecidas ou interesses comerciais, não é considerado. Queremos deixar bem claro que não somos contra o evento, uma “tradição” dos festejos juninos na cidade, mas contra o local.
  2. Nós, moradores, estamos também à espera das praças neste entorno ao longo de décadas, sem qualquer atenção. Espaços públicos, cercados por cordas, que são utilizados como estacionamentos de ocasião, cobrando-se o “serviço”.
  3. Existe a Lei do Silêncio depois das 22 horas, o que não é absolutamente respeitada. Por onde anda a fiscalização ou o Ministério Público para checar tais infrações e abusos?

Enfim, não pudemos contar com a compreensão dos planejadores do evento como esperávamos. Nem com nossos representantes na Câmara Municipal. Os argumentos para que o forró da espora seja no estádio sempre foram absolutamente inconsistentes, atendendo a interesses subjetivos. Não seria muito melhor que este forró fosse no Capim, onde já acontece a jecana, ou outro local mais adequado?

Aliás, seria interessante perceber quem são os vaqueiros de hoje? A maioria, basta observar, são vaqueiros de vaquejadas e não representantes do ofício.

Fica aqui registrado mais uma vez nosso protesto. Ouvidos moucos ou indiferentes fazem parte desta história de reinvindicações dos munícipes. Pagamos caro o IPTU e esperamos um governo que ouça os cidadãos e que respeite leis públicas.

 

Petrolina, 14 de junho de 2018.

Elisabet Gonçalves Moreira