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Contra Bolsonaro e o antipetismo – Mais Petismo!

“[…] é preciso dar eco ao programa de governo que aponta para mudanças radicais no país, começando com a revogação de todas as medidas golpistas, como a reforma trabalhista, a terceirização e a PEC da morte. É com este programa que devemos sair às ruas e ir às urnas”. *Por Patrick Campos

Patrick Campos Araújo. Foto: Facebook

Esta é a primeira eleição desde 1994 que a disputa real pela Presidência da República não está polarizada entre o Partido dos Trabalhadores e a candidatura do PSDB.

Por um lado, ao contrário do que alguns desejaram, anunciaram e profetizaram o PT não morreu. E é justamente ele quem segue aglutinando e representando os desejos e sonhos da ampla maioria da classe trabalhadora. É ao PT, e não a outro partido de esquerda, que as camadas populares seguem recorrendo para travar a disputa real contra seus adversários de classe.

Por outro, é o PSDB quem afunda. Sua candidatura não consegue sair do lugar, empacado e sem votos, vê a extrema direita avançar e garantir uma candidatura no segundo turno, antecipando uma polarização que eles só conseguiram nas últimas eleições após uma difícil disputa com outras candidaturas, em especial a de Marina Silva.

Assim, a tendência é termos uma eleição que já no primeiro turno se configura com dois polos antagônicos, figurando de um lado a candidatura da extrema-direita e do outro a candidatura do Partido dos Trabalhadores. Caso Lula não tivesse sido impedido de ser candidato, seria ele quem terminaria o primeiro turno à frente. Haddad, todavia, já desponta como candidato com total possibilidade de passar para o segundo turno, se não empatado, com uma pequena diferença entre ele e Bolsonaro.

E o centro de tudo isso é justamente o Partido dos Trabalhadores. É o que o PT representa que Bolsonaro e a extrema direita estão combatendo. É, portanto, na defesa do PT e do programa petista que precisamos responder. Se Bolsonaro cresce se alimentando do antipetismo, a resposta não pode ser outra que não MAIS PETISMO.

Por isso, alternativas como Ciro Gomes, que caminham na direção de também enfrentar o PT, não se credencia para derrotar a extrema-direita. Por isso o voto útil em Ciro, no momento em que Haddad cresce, passa a ser um voto muito pouco útil para derrotar a extrema-direita. Afinal, não é Ciro, tampouco seu programa que a extrema-direita está agindo para derrotar. A derrota do PT seria a consagração da extrema-direita, que chegaria ao segundo turno muito mais fortalecida.

É por isso que todas as forças e energias das camadas populares, das organizações de esquerda e forças democráticas precisam estar focadas no fortalecimento da candidatura de Fernando Haddad desde o primeiro turno. E é isso que as pesquisas de opinião já apontam de forma muito incisiva, mas que não devem servir para gerar acomodação, mas sim para gerar mais mobilização.

Para auxiliar nessa mobilização é fundamental que o PT e a campanha de Haddad reafirmem de forma contundente algumas questões. A primeira delas é a denúncia da prisão política de Lula e o compromisso de acabar com este absurdo como um dos primeiros atos do novo governo.

Além disso, é preciso dar eco ao programa de governo que aponta para mudanças radicais no país, começando com a revogação de todas as medidas golpistas, como a reforma trabalhista, a terceirização e a PEC da morte. É com este programa que devemos sair às ruas e ir às urnas.

E não menos importante, a caracterização do golpe e de todos os golpistas como responsáveis pelo fortalecimento da extrema-direita no país. Por isso que a aliança para vencer e governar deve ser com os setores populares e que possuem compromisso com um programa democrático, de ampliação de direitos e enfrentamento ao fascismo. Não é tarefa fácil, mas é a tarefa necessária que se impõe principalmente ao Partido dos Trabalhadores.

**Patrick Campos é Advogado, mestrando em Educação pela Universidade de Pernambuco e Vice-presidente do PT de Petrolina-PE.