Espaço do Leitor

Leitor critica postura de deputados na votação do processo de impeachment

Não chamem os deputados de palhaços, eles (os palhaços) podem se ofender! Por Ramon Raniere Braz

F61U2565.JPG BRASÍLIA DF BSB 17/04/2016 POLÍTICA / VOTAÇÃO ADMISSIBILIDADE IMPEACHMENT Sessão Especial de Votação do pedido de Impeachment pelo plenario da Camara dos Deputados Federais em Brasilia. FOTO DIDA SAMPAIO /ESTADÃO

Nosso Blog recebeu um texto do estudante do curso de Ciências Sociais da Univasf  no qual critica a postura de alguns deputados durante a votação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no domingo, 17. Confira o texto no Espaço do Leitor

No dia 17 de abril os brasileiros acompanharam atentos à votação de aceitação ou não na Câmara dos Deputados, do parecer que argüia pela admissibilidade da abertura de processo de impedimento da presidenta da Republica Dilma Rousseff, por cometimento de crime de responsabilidade. Nos lares, praças, bares e nos mais diversos espaços, pessoas – contra e a favor – aglutinaram-se para observar “ao vivo” como votariam os excelentíssimos deputados.

No entanto, este domingo que deveria entrar para história como um dia de afirmação da nossa democracia, ingressará aos anais do tempo como um nítido exemplo da fragilidade das suas estruturas e instituições políticas – não pelo resultado, pois fosse ele qualquer outro, a sensação de boicote e avacalhamento ao Estado de Direito e aos princípios republicanos seria a mesma, sim pela forma que os atores da cena golpista desempenharam seus papeis.

Embora não seja objeto deste artigo em especifico, necessito, antes de tudo, ponderar que o processo de impeachment, envolto das mais diversas polemicas e contradições, tem sua gênese em equívocos conceituais, em vícios de procedimento e em motivações eminentemente políticas – vis na essência, e que embora não acredite na sustentação nem jurídica nem política do pedido (tendo lido muito e de diversas fontes), não pretendo argumentar no cerne da legitimidade do mérito.

Dito isto, rogo, porém, uma prece: Não chamem os excelentíssimos deputados de palhaços, porque é uma ofensa aos palhaços de verdade, os palhaços de fato são honestos, sérios e trabalhadores. A palhaçaria é uma das mais nobres artes. O circo é um ambiente mágico que nos provoca as mais belas sensações, os mais sinceros sorrisos. Não chamem os deputados de palhaços, nem a Câmara de circo, pois eles (os palhaços e os circos) podem se ofender.

Embora parecesse o show da Xuxa, a sessão da Câmara que votou o pedido de impedimento da Presidenta Dilma foi de verdade. Lá em casa custamos a acreditar nas falas e justificativas inacreditáveis, os nobres e excelentíssimos deputados pareciam estar numa gincana estudantil, num programa clichê de auditório, mas não. Acontecia uma sessão da Câmara dos deputados da República Federativa do Brasil – uma sessão em que a bíblia foi citada mais que a constituição, em que os interesses pessoais mais relevantes que os republicanos, em que as velhas oligarquias mostraram suas garras.

Teve figurino, fantasia, confetes e serpentinas, mas aquilo não era um circo nem aqueles eram palhaços, Pasmem! Eram os representantes do povo no Congresso Nacional. O que aconteceu neste domingo dia 17 de abril de 16 tem outros nomes: charlatanismo, picaretagem, demagogia, hipocrisia, golpismo são alguns deles.

Orquestraram um atentado contra o estado de direito, contra a democracia, contra a liberdade do povo brasileiro. Meu Deus, coitados dos palhaços. (Foto: Dida Sampaio)

Por Ramon Raniere Braz Estudante de Ciências Sociais na UNIVASF