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“Racismo da sociedade nutre ações genocidas da polícia”, diz delegado Orlando Zaccone

Para delegado da Polícia Civil do RJ, mortes cometidas pela PM não se resolverão apenas com punições pontuais

Zaccone é a antítese do policial repressor: Hare Krishna, skatista e favorável à legalização de todas as drogas / Foto: Pedro Stropasolas/Brasil de Fato

Orlando Zaccone, 53 anos, é delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Formado em direito, ingressou na corporação em 1999 e, desde então se tornou a antítese do policial repressor: Hare Krishna, skatista e favorável à legalização de todas as drogas.

Coordenador nacional do movimento Policiais Antifascismo, que tem levanto bandeiras pela desmilitarização das polícias, a unificação das corporações e o combate ao extermínio da população negra e pobre do país, Zaccone também se coloca contrário às investidas da bancada evangélica no governo Bolsonaro.

“Na construção dos ministérios [do governo federal], você tem um participação ativa das igrejas no que diz respeito à política de drogas. No enfraquecimento de toda a rede pública de atendimento a usuários, por exemplo”, afirma o policial, que completa: “Políticas públicas como essa não poderiam nunca passar por um debate religioso, principalmente com verba pública”.

A alta letalidade da Polícia Militar no último ano – no Rio de Janeiro o número bateu recorde em 2019, com 1.546 pessoas mortas – não se resolverá apenas com punições pontuais aos militares que causaram os homicídios, mas sim com mudanças estruturais no sistema de segurança pública.

“O ódio aos pobres, esse racismo estruturante, ele está difundido em muitos locais da sociedade. Assim, esse policial encontra o local propício para exercer essas funções genocidas. Esse policial vai ser punido e outro será colocado em seu lugar para exercer as mesmas funções”, explica Zaccone.

Para o delegado, policiais militares e civis “são despidos de muitos dos direitos dos trabalhadores”, em referência, por exemplo, à proibição ao direito de greve, que é vedado às duas corporações. Assim, se “cria uma tropa propícia a ser controlada e receber ordens, sem questionar a legalidade, a legitimidade dessas ordens”, afirma.

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