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Queremos uma educação antirracista

“A educação que não liberta, não seve para nós!” * Por Maércio José

Foto: Frente Negra do Velho Chico

A educação que não liberta, não transforma. A educação que não transforma, deve ser “repensada”. A educação que não liberta, não transforma. A educação tampouco deve ser colonizadora, reprodutora de modelos e/ou de métodos coloniais.

Queremos em nossos espaços escolares, acadêmicos e nos espaços de educação não formal o acesso aos conteúdos e saberes ancestrais, comunitários e estudar as lutas e conquistas do nosso povo. Povos estes que foram sequestrados no continente africano e submetidos aos regimes escravocratas nas Américas pelos colonizadores europeus daquela época e depois largados às próprias sortes. Principalmente sem acesso a educação formal, sem emprego formal e sem direito a moradia.

Assim como em África, neste continente, conseguimos elaborar formas de organizações e resistimos até aqui. Conseguimos desenvolver tecnologias de superações e de enfrentamento aos métodos racistas, discriminatórios e de opressões praticados pelo Estado e pela sociedade em suas diversas camadas.

Destaco aqui a importância das capoeiras, dos sambas e do Movimento HIP HOP nas periferias de quase todas as grandes, médias e pequenas cidades.

Por meio das rodas de capoeiras, de sambas e do HIP HOP (de todos os elementos) são desenvolvidos processos formativos que questionam o modelo de sociedade, o Estado e o sistema político. É fundamental observar que esta crítica vem sempre acompanhada de ações efetivas no fortalecimento coletivo do povo preto em diáspora.

A partir de tais constatações, podemos afirmar que estes saberes devem compor programas educacionais formais que valorizem, fortaleçam e sejam efetivos para o ingresso e permanência de negras e negros, desde o ensino fundamental até a pós-graduação. A fim de rompermos com os ciclos, de anos, de negligências e omissões da sociedade e Estado brasileiro já temos marcos importantes como as leis 10.639/2003*, 11.645/2008** e a lei que cria o Estatuto da Igualdade Racial. Estes são instrumentos conquistados a partir de reinvindicações dos Movimentos Negros e indígenas que, quando efetivados e consolidados farão grandes transformações na sociedade como um todo.

Porém, para que isto aconteça, precisamos mobilizar, informar e ocupar espaços de poder dentro das estruturas formais e não formais visando a implementação de políticas públicas que estejam sintonizadas com as reais necessidades do nosso projeto de sociedade antirracista, com oportunidade de direitos e socialmente justa em todos os aspectos visando e exercício da cidadania plena. Sejam eles econômicos, de gênero, culturais e principalmente educacionais.  

 

*Por Maercio José
Integrante da Frente Negra do Velho Chico

 

Notas

* “Em 2003 foi sancionada a Lei 10639/03 que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação que inclui no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da presença da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Africana”.”

** “Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.”