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Fórum de Entidades cobra medidas mais rígidas para combate à Covid-19 em Campo Alegre de Lourdes

O encontro, que aconteceu de forma online, foi proposto pelo Fórum e teve como objetivo apresentar as preocupações das comunidades durante este momento de pandemia e propor algumas ações de combate ao coronavírus no município, que flexibilizou as medidas de restrição nos últimos dias.

Na manhã desta terça-feira (14), representantes do Fórum de Entidades Populares de Campo Alegre de Lourdes (BA) se reuniram com o prefeito Enilson Marcelo Rodrigues. O encontro, que aconteceu de forma online, foi proposto pelo Fórum e teve como objetivo apresentar as preocupações das comunidades durante este momento de pandemia e propor algumas ações de combate ao coronavírus no município, que flexibilizou as medidas de restrição nos últimos dias.

Lideranças de comunidades de diversas regiões e integrantes de entidades que compõem o Fórum chamaram a atenção para o crescimento de casos da Covid-19, principalmente na zona rural. De acordo com o último boletim epidemiológico, divulgado ontem (13), Campo Alegre de Lourdes tem 52 casos confirmados, 35 recuperados e dois óbitos registrados. Na última semana, o número na zona rural dobrou, alcançando dez casos da doença.

Os/as participantes também destacaram o conteúdo dos últimos decretos municipais em relação às medidas restritivas para o combate ao coronavírus. O decreto nº 54, do dia 6 de julho, diferente dos anteriores, não menciona a proibição de aglomerações de pessoas e, o último decreto, divulgado na quarta-feira (8), permite o funcionamento de academias e bares.

Um documento elaborado pelo Fórum de Entidades Populares foi lido durante a reunião. Nele, o Fórum descreve que lideranças de comunidades rurais estão assustadas por testemunharem diversos movimentos que burlam as orientações dos órgãos de Saúde, “a exemplo de bares abertos com aglomerações, festas diversas, churrascos, eventos promovidos por lideranças políticas e até funcionários de saúde e por empresas, a exemplo da Galvani [mineradora], sem a necessária fiscalização”.

Na reunião, as lideranças comunitárias reafirmaram esses testemunhos. “Esse é um grito de socorro ao prefeito”, disse uma das participantes. 

Diante da situação, o Fórum sugeriu no documento uma lista 14 medidas para conter o avanço do coronavírus. Entre elas, o estabelecimento de multas e normas mais rigorosas pelo poder público municipal; a ampliação da equipe de vigilância das zonas urbana e rural; a proibição de aglomerações e o fechamento de bares e academias; a intensificação da fiscalização no território de Angico dos Dias, onde está instalada a mineradora Galvani; o aumento de testes rápidos, principalmente nas regiões que já têm casos confirmados; e o fortalecimento da comercialização dos produtos da agricultura familiar, como forma de aumentar o consumo de alimentos ricos nutricionalmente para a população.

O integrante do Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (SASOP) Adão José ressaltou que as entidades que compõem o Fórum têm realizado ações de combate e prevenção ao coronavírus desde o início da pandemia. “As entidades suspenderam as atividades presenciais para evitar aglomerações e têm realizado trabalho educativo em programas de rádios, redes sociais, assim como orientações às famílias, campanhas de solidariedade aos mais vulneráveis e apoio aos projetos da agricultura familiar”, comentou.

Depois de ouvir os/as participantes, o prefeito Enilson Marcelo Rodrigues relatou ações que a prefeitura tem realizado, como aquisição de equipamentos e contratação de profissionais de saúde. Em relação às principais preocupações do Fórum, as constantes aglomerações e falta de fiscalizações efetivas, o prefeito disse que tem “dificuldades de fechar os bares porque o município tem apenas cinco policiais por dia e nós não podemos estar em cada em cada bar do município”. Enilson Rodrigues destacou também a troca de comando da polícia de Campo Alegre e que no último decreto não há a proibição de aglomerações de mais de 30 pessoas devido à visita do presidente Jair Bolsonaro que estava marcada para o dia 10 de julho.

Questionado sobre o estabelecimento de um lockdown (fechamento total), o prefeito disse avaliar como uma medida importante, que pode trazer resultados positivos, mas que o município não tem estrutura, efetivo suficiente para fiscalização. No entanto, destacou que o toque de recolher poderá ser uma medida implementada. O prefeito agradeceu as contribuições do Fórum de Entidades Populares, assim como as ações que têm sido feitas e disse que levará as propostas para a reunião do Comitê Gestor de combate ao coronavírus, que será realizada amanhã, quarta-feira (15).

 

Texto: Comunicação CPT Juazeiro