Leitura Crítica

Sobre o discurso da violência institucionalizada

“De tempos em tempos a história se repete e comportamentos indefensáveis como esse do vereador Osinaldo se manifestam na tentativa de ganhar legitimidade pública”. Por Marcos Uchoa

“Se for golpe de Osinaldo Sousa, não ficava em pé” disse o parlamentar Osinaldo Sousa (PTB), vereador da cidade de Petrolina e, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania. De tempos em tempos a história se repete e comportamentos indefensáveis como esse do vereador Osinaldo se manifestam na tentativa de ganhar legitimidade pública. O vereador Osinaldo, eleito com 1.926 votos, parece não se contentar em manifestar machismo e ódio em sua fala ao tratar do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) no Rio de Janeiro. Recentemente, no lamentável acontecido onde o deputado, golpista diga-se de passagem, Gonzaga Patriota proferiu um soco contra o vereador Gilmar Santos (PT) de Petrolina, o vereador Osinaldo não quis perder a oportunidade e resolveu também fazer a defesa, não do vereador Gilmar, mas do soco proferido. Não nos espanta, enquanto sociedade petrolinense, que um parlamentar presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Câmara de Vereadores de Petrolina incite violência ao dizer, em outros termos, “se fosse comigo, a história era outra”? Será que o vereador Osinaldo conhece suas atribuições enquanto presidente da Comissão supracitada, já que a primeira atribuição da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania, prevista no Regimento Interno da Câmara, é: discutir, analisar e acompanhar no município de Petrolina, aspectos relacionados à violência urbana e rural?

Parlamentares como o vereador não podem, nem devem gozar de liberdade expressão para proferir discurso de violência. E por falar nisso, ôooo Presidente da Câmara, por favor, faça seu trabalho. O Regimento da Câmara aponta que entre as atribuições do Presidente estão: XXI – manter a ordem do recinto da Câmara, advertindo os vereadores que infringirem o Regimento, retirando-lhes a palavra, e; LI – zelar pelo prestígio da Câmara e pela dignidade dos seus membros em todo o território do município. Gostaria de dizer ao Presidente da Câmara que o zelo pela dignidade dos edis também deve acontecer dentro da Câmara, ou não?

Para finalizar gostaria de pedir duas coisas.

1. Que as entidades evangélicas do Vale do São Francisco se posicionem acerca da absurda fala do vereador Osinaldo, no sentido de sua desaprovação…. Ou não, tendo em vista a quantidade significativa de votos nesse segmento religioso;
2. Que o “golpe de Osinaldo Souza” deixe de ser na cara do povo petrolinense.

 

Marcos Uchoa
Pedagogo

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