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Queremos emprego para o nosso povo!

“A agenda de luta do povo negro não diz respeito apenas a questões de identidade e cultura. É necessário falar do direito à VIDA, que envolve o direito de permanecer vivo e também de ter acesso a níveis básicos de cidadania, relacionados a questões fundamentais como educação, saúde, moradia, alimentação e EMPREGO”. *Por Fagner Costa Gil

Foto: Frente Negra do velho Chico

É a forma pela qual as pessoas negras podem buscar renda e dignidade para as suas famílias, inclusive criando a possibilidade de diminuição das barreiras impostas pelo racismo para as futuras gerações. 

A agenda de luta do povo negro não diz respeito apenas a questões de identidade e cultura. É necessário falar do direito à VIDA, que envolve o direito de permanecer vivo e também de ter acesso a níveis básicos de cidadania, relacionados a questões fundamentais como educação, saúde, moradia, alimentação e EMPREGO.

Nesse sentido, as políticas universais, que objetivam reduzir as desigualdades sociais são importantes, porém, são insuficientes para reduzir o abismo social que ainda separa negros e brancos. Portanto, a implementação de toda e qualquer política aplicada no Brasil precisa levar em conta o recorte racial, porque só assim poderá enfrentar os problemas e especificidades que o racismo cria nas mais diferentes esferas da convivência social e do acesso a serviços públicos e oportunidades. Apenas assim poderá ser alcançado o efeito de aceleração na diminuição desse abismo.

A negação do racismo como um problema estrutural e a invenção da ideia de “democracia racial” se aperfeiçoaram com o discurso de meritocracia, segundo o qual os negros que se esforçarem poderão usufruir de direitos iguais os dos brancos. Mais recentemente, também tem sido difundida com muita ênfase a ideia de “empreendedorismo”, que tenta dizer que a ausência e/ou a precarização do trabalho podem ser superadas se o trabalhador simplesmente se considerar um “empreendedor”.

A verdade é que os negros e indígenas sempre trabalharam muito, nas piores condições possíveis, sempre tiveram que se esforçar mais para criar formas para sobreviver, mas nunca receberam a devida valorização. Em um país desigual como o Brasil, o discurso da meritocracia e do empreendedorismo tem sido usado para avalizar a desigualdade, a miséria e a violência, pois dificulta a tomada de posições políticas efetivas contra a discriminação racial, especialmente por parte do estado.

Queremos emprego para o nosso povo, formalizado, que traga garantias e segurança ao trabalhador. É a forma pela qual as pessoas negras podem buscar renda e dignidade para as suas famílias, inclusive criando a possibilidade de diminuição das barreiras impostas pelo racismo para as futuras gerações. 

É necessário o comprometimento da sociedade inteira com a questão racial para de fato atingirmos a equidade de oportunidades no mercado de trabalho. Exigimos acesso à educação, à qualificação profissional, ao crédito necessário para o desenvolvimento dos negócios, além de políticas concretas de inserção, que não se resumem a admissão das pessoas negras nos quadros das empresas.

O objetivo tem que ser admitir, acolher, capacitar e reter esses profissionais nos diferentes postos do mercado de trabalho, além da ocupação de cargos com poder de decisão. Chega de retirar direitos ou de tratá-los como “privilégios”. Avante povo negro, rumo a construção de uma sociedade com oportunidades de emprego e trabalho para TODAS, TODOS e TODES!

 

*Fagner Costa Gil

Integrante da Frente Negra do Velho Chico