Notícias

Segurança pública: para situações complexas, não existem saídas fáceis

“(…) é preciso deixar explícita a relação entre desigualdade e violência. São vários os países que demonstram na prática que quanto menos desigualdade interna, menores são os números da violência”, *Por Aristóteles Cardona.

Brasil teve 61.500 assassinatos entre setembro de 2016 e setembro de 2017. Estupros chegaram a 49.500 casos no mesmo período / Frente Brasil Popular

Nos últimos dias tivemos o lançamento do 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Trata-se de um documento que busca publicizar dados e informações sobre a real situação da violência no Brasil a cada ano. E, como esperado, os dados são alarmantes e atentam para um aumento em vários aspectos da violência no último ano. Chamam atenção particularmente o número de mortes violentas, que chegou a mais de 61.500, e o número de estupros, com cerca de 49.500 em todo o país.

Em 2016, Pernambuco foi o 4º estado com mais mortes. Até setembro deste ano, foram mais de 4.100 assassinatos. Tais números representam um aumento de mais de 30% em comparação ao ano passado.

Estes números reforçam em toda a sociedade uma grande sensação de insegurança e incerteza que atinge a todas e todos, com a qual certamente a grande maioria de nossa população sofre. E sofre bastante. O Anuário, por exemplo, aponta um crescimento de 17,5% nos homicídios de policiais civis e militares, chegando a 437 em 2016. Por outro lado, também apresenta outro dado assustador: foram 4.224 pessoas mortas, em 2016, em decorrência de intervenções das polícias.

O certo é que para situações complexas não existem saídas fáceis. Alguns acham que ficar bradando, por exemplo, por mais cadeias, resolverá o nosso problema. Mas não vai. Utilizando o exemplo das prisões, temos um dos países com o maior número de presos do mundo! Só perdemos para países com a população muito maior que a nossa. E mesmo com um incremento no número de encarceramento nos últimos anos, não houve uma melhora proporcional nos números da violência. Pelo contrário. Como vimos, a violência só tem aumentado.

E neste quadro que é preciso deixar explícita a relação entre desigualdade e violência. São vários os países que demonstram na prática que quanto menos desigualdade interna, menores são os números da violência.

Como disse anteriormente, não há saída fácil para problemas complexos. E a verdade é que 2018 é ano eleitoral e já há pré-candidatos querendo apresentar saídas fáceis. Mas não é assim que funciona. São vários os estudos que apontam a necessidade de maiores investimentos em Segurança Pública. Mais do que aumentar a repressão, precisamos entender que este é um assunto que está totalmente conectado com educação, alimentação, dignidade, saúde, entre outros direitos.

*Por Aristóteles Cardona Júnior

http://www.brasildefato.com.br