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Qual consciência negra?

“(…) apesar das pessoas de boa índole, é fatídico ver outras que passam o ano inteiro sendo um poço de racismo e preconceito usufruírem do que é do povo negro, seja isso a sua cultura ou cor”. *Por Ruthe Maciel.

É chegado o Mês da Consciência Negra.

E apesar das pessoas de boa índole, é fatídico ver outras que passam o ano inteiro sendo um poço de racismo e preconceito usufruírem do que é do povo negro, seja isso a sua cultura ou cor.

É… As escolas festejam em seus eventos, colocando, pela primeira e única vez, uma menina e um menino negro para desfilarem. Este é e sempre será seu único momento de reconhecimento e valorização dentro de espaços como este.

É… Veremos aqueles que nos tratam com indiferença gritarem em suas gincanas que todo mundo é igual porque isso dá ponto.

Veremos aqueles meninos que vivem comentando Instagram de “nega gata” que sempre é branca juntando-se ao coro da miscigenação e paz.

É…Veremos meninas brancas usando turbantes, dançando música afro MAS SEM, É CLARO, aceitar que nós negros chamemos um cortejo afro para representar a data pois “DEUS ME LIVRE, É MACUMBA”.

É… É possível que, em NOSSO DIA, ainda tenhamos que ouvir pessoas brancas renegando o que é nosso, mesmo que suas bocas estejam cheias de saliva em prol ao “somos todos iguais” e ao discurso de Bob Marley, sem mesmo conscientizar-se sobre o quão racistas e intolerantes têm sido nos outros 364 dias do ano.

 

*Ruthe Maciel – Integrante do MAV. Estudante e poetisa.