Leitura Crítica

Não entendo a ‘Cybervida…’

Não entendo nem nunca entenderei o medonho processo que faz humano
deixar de ser gente, embora tudo que humano sempre precisará é de amor e
de gente para amar… *Por Karla Daniele Luz.

Foto: internet

Não entendo que nos dias atuais o humano não está percebendo que está ‘cybervivendo’…

Não entendo que entre dois humanos não há mais um olhar, um gesto, um toque…há uma tela fria de frio cristal líquido…que a todos envolve como um vício!

Não entendo Face da Família, Instagram da Família, Watzap da Família se há muito já não somos mais família…

Não entendo a perfeição que norteia as relações virtuais como um refúgio horrendo para a solidão das relações reais!

Não entendo o cybersexo uma ilusão indigesta que usa, abusa e descarta o que já não mais resta!

Não entendo criança pequena cybervivendo…

Não entendo mãos pequeninas manuseando tecnologia para livrar adulto da desesperada agonia…

Não entendo porque já já a industria encontrará um meio do “feto” dentro do ventre a internet acessar…

Não entendo: – As visitas chegaram, que alegria! Antes de qualquer cumprimento, escuto com pavor: – A senha do wi-fi, por favor! Não entendo: convidei amigos para jantar,quem primeiro chegou foi o tablet, o smartphone e o celular. Ficaram à mesa, meu Senhor! Alguém disse: – Ponha ‘cyberpratos e cybertalheres’ para servi-los por favor.

Não entendo quem vai ao restaurante e não sente o sabor da comida pedida, não se delicia com a música ouvida, porque está zapeando sem medida…

Não entendo porque um pedaço de sucata tecnológica agora é prótese sem lugar no humano corpo. – Ah meu celular faz parte de mim! – horrendamente alguém exclamou.

Não entendo a crise abusiva ilusória de abstinência: suor frio, boca seca, tremedeira, dor no estômago, náusea e o tolo humano esbraveja: – Esqueci meu celular!

Não entendo a cybervida que só falta uma coisa inventar o miserável humano poder o celular em si mesmo recarregar!

Não entendo a célebre “falta de tempo” dos dias atuais…Tempo é algo que o humano hoje destina a coisas, humano com humano certamente é falta e perda de tempo…

Não entendo as afirmações: – Não posso brincar com meus filhos! Não posso ouvir inúmeras vezes as mesmas histórias contadas pelos mais velhos! Não posso visitar um amigo em profunda dor! Mas posso curtir nos “feices” a foto da prima da vizinha da cunhada da amiga da irmã do meu avô! Hããã????

Não entendo o templo virtual, a religião cyber banal e o deus sites.com coisa e tal…

Não entendo nem nunca entenderei o medonho processo que faz humano deixar de ser gente, embora tudo que humano sempre precisará é de amor e de gente para amar…

 

Por Karla Daniele Luz