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Inflação: Petroleiros afirmam que política da Petrobras é a principal responsável

Índice IPCA de outubro, que mede a inflação, é o maior desde 2008; alta dos combustíveis impulsionou aumento nos preços

Foto: EBC/Arquivo

A Federação Única de Petroleiros (FUP) se manifestou nesta quarta-feira (10) sobre o aumento da inflação no mês de outubro. Para os petroleiros, a política de preços da Petrobras é a principal responsável pela subida da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A escalada da inflação tem nome, sobrenome e endereço: Preço de Paridade de Importação adotado pela direção da Petrobrás. Graças ao PPI, os combustíveis, também em outubro, foram grandes culpados pela alta generalizada do custo de vida. E continuarão assim, enquanto essa política de empobrecimento da sociedade brasileira não mudar”, disse Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP.

“A alta dos combustíveis está relacionada aos reajustes sucessivos que têm sido aplicados, nas refinarias, pelo PPI da gestão da Petrobrás”, afirmou Bacelar. Somente neste ano, nas refinarias, a gasolina subiu 71,6%, com 13 aumentos; o diesel 64,5%, com 14 altas; e o GLP 47 ,7%, com 7 reajustes.

Segundo o IPCA, a gasolina subiu 3,10% para o consumidor e teve o maior impacto individual no índice do mês (0,19 ponto percentual). Foi a sexta alta consecutiva nos preços desse combustível, que acumula 38,29% de variação no ano e 42,72% nos últimos 12 meses.

O dirigente dos petroleiros destaca que a inflação dos combustíveis provocou o aumento de itens essenciais ao trabalhador brasileiro, como transportes (2,62%), alimentação (1,17%) e habitação – por conta do gás de cozinha.

Segundo projeções do economista Cloviomar Cararine, do Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese), subseção FUP, a inflação vai terminar o ano acima dos 10%, contrariando estimativas mais otimistas do Banco Central. “O Banco Central errou nos meses anteriores”, afirmou, destacando que “os efeitos do PPI [estão] se consolidando no aumento da inflação do país”.

Cesta básica do Dieese vai a R$ 700

Com uma inflação galopante e uma má gestão econômica, o custo médio da cesta básica no Brasil atingiu o valor absurdo de R$ 700 em Florianópolis, capital de Santa Catarina. Este foi o maior preço registrado, mas São Paulo (R$ 693,79), Porto Alegre (R$ 691,08) e Rio de Janeiro (R$ 673,85) não ficaram muito atrás.

Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) feito em 17 capitais, 16 tiveram aumento no custo médio da cesta. As maiores altas foram registradas em Vitória (6,00%), Florianópolis (5,71%), Rio de Janeiro (4,79%), Curitiba (4,75%) e Brasília (4,28%).

Política de preços da Petrobras faz combustíveis disparar

Adotada pela diretoria da Petrobras após o golpe que derrubou Dilma Rousseff e mantida pelo governo de Jair Bolsonaro, a política de preço de paridade de importação (PPI) é apontada como a principal responsável pela disparada dos combustíveis em níveis muito acima da inflação.

O coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, afirma que a PPI tem apenas a função de garantir lucro recorde da Petrobrás enquanto promove perdas para a população, sobretudo para os mais pobres. “Embora autossuficiente na produção de petróleo, o Brasil está refém do equivocado PPI, que calcula os preços dos combustíveis com base no mercado internacional do petróleo, na variação do dólar e dos custos de importação”, afirmou.

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