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“A desigualdade social do nosso país é construída a partir de duas questões: gênero e raça”, afirma Manuela D’Ávilla

A pré-candidata à Presidência da República pelo PCdoB esteve visitando o Vale do São Francisco neste domingo, 10. Confira vídeo.

Manuela D’Ávilla – PCdoB. Foto: Assessoria

Na manhã deste domingo, 10, a pré-candidata à presidência da república pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Manuela D’Ávilla esteve nas cidades de Petrolina, PE, onde concedeu uma entrevista coletiva à imprensa e na vizinha cidade de Juazeiro, BA, uma de suas bases eleitorais, onde se pronunciou em discursou para os militantes do partido e simpatizantes.

A candidata chegou com um atraso de mais de 2h do horário marcado para a coletiva, acompanhada pelo prefeito de Juazeiro, Paulo Bomfim (PCdoB), pelo vice-prefeito Isaac Carvalho a (PCdoB), a Deputada Federal pela Bahia, Alice Portugal (PCdoB), a pré-candidata a Deputada Estadual em Pernambuco, Socorro Lacerda (PCdoB), entre outras lideranças do partido.

Manuela falou sobre pautas diversas, entre elas a construção de alianças com outros partidos, união da esquerda em torno de uma só candidatura, a situação do Rio São Francisco, os números das últimas pesquisas eleitorais, sobre a mulher na política, igualdade de gênero, entre outros.

Uma das perguntas mais incisivas para a pré-candidata foi sobre aliança com outros partidos, ao que D’Ávilla disse não se opor, mas defende cautela. “Eu acredito em primeiro lugar que a gente tem a necessidade de unir a maior parte do povo brasileiro, mas também sei que é impossível governar para todos, portanto nós defendemos um projeto nacional de desenvolvimento e defendemos que ele seja sustentado pela maior parte do povo baseado na ideia de que é possível desenvolver o Brasil valorizando o trabalho e isso necessariamente nesse momento da história exigirá que nós enfrentemos determinados interesses. Esses interesses passam por aqueles que ganham com os juros exacerbados no nosso país e que, portanto, prejudicam a indústria brasileira, impedem a indústria brasileira de ter competitividade, portanto, tiram empregos de boa remuneração do nosso país. Enfrentar interesses significa enfrentar os interesses daqueles que não pagam impostos no Brasil, porque o nosso país é um país em que o povo deixa de comprar gás de cozinha em função do excesso de tributos que incidem sobre o gás e da ausência de compreensão de que esse poderia ser, inclusive, um item da cesta básica, enquanto as grandes heranças, fortunas, lucros e dividendos não são tributados. Então é preciso unir o Brasil, mas saber em torno de quem se une. Para nós a necessidade é se unir em torno de um projeto de desenvolvimento que valorize o trabalho e combata as desigualdades”, disse.

A jovem pré-candidata de apenas 36 anos, provocada, destacou o papel da mulher na política e a igualdade de gênero. De acordo com Manuela ser mulher na política não é diferente de ser mulher em qualquer espaço público do Brasil, um país em que a desigualdade de gênero é muito forte.

“A desigualdade social do nosso país é construída a partir de duas questões: de gênero e de raça. Os dados da violência, por exemplo, da última semana mostram que os brancos morreram menos no Brasil na última década. As políticas de combate a morte de brancos foram exitosas. As mulheres brancas morrem 8% a menos e as mulheres negras morrem 15% a mais. Ser mulher nos espaços públicos é sempre difícil. Nós saímos livremente com as roupas que queremos em qualquer espaço? Nos ônibus superlotados o assédio é igual para mulheres e homens? O espaço público é um espaço hostil para as mulheres. Esse é um dos debates que eu quero fazer nessa eleição é a de que a forma como se estrutura o machismo na sociedade prejudica o Brasil. O Brasil é hoje um país mais pobre e mais desigual por que? Porque nós mulheres não estamos incluídas no projeto de desenvolvimento e nunca estivemos. Nós estamos fora das áreas que podem produzir mais vínculos entre ciência básica e indústria, nós estamos fora das áreas tecnológicas, nós não ascendemos ao topo das carreiras. Qual o impacto que isso tem na economia do Brasil? Então se não há uma visão solidária e humanista de perceber que somos iguais em direitos e que somos merecedoras, por sermos iguais, do conjunto de direitos que os homens dispõem na nossa sociedade, merecedoras de vivermos em paz como eles vivem muitas vezes, que haja então a visão de que o Brasil precisa de todos os brasileiros para ser o grande país que pode ser, que precisa das mulheres, e dos seus negros e suas negras”, protestou.

A pré-candidata está em caravana percorrendo o estado da Bahia e Juazeiro, fez parte do percurso. A entrevista coletiva foi concedida em um Hotel da cidade de Petrolina, PE, onde pousou o avião fretado pela equipe de Manuela D’Àvilla.

Confira a entrevista abaixo a entrevista completa. publicada ma página do faceboock de Manuela D’Ávilla

Coletiva de imprensa em Petrolina #ManuPeloBrasil #ManuEmPernambuco

Publicado por Manuela D'Ávila em Domingo, 10 de junho de 2018