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45 anos semeando esperança: Comissão Pastoral da Terra celebra quatro décadas e meia de atuação na Diocese de Juazeiro (BA)

A Pastoral da Terra tem sido presença nas lutas por direitos e vida digna, valorizando o protagonismo dos/as camponeses/as, das mulheres e juventudes.

Fotos: Arquivo CPT

Na próxima sexta-feira (12), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Diocese de Juazeiro (BA) celebrará 45 anos de serviço e missão. Criada em 1976, pelo então bispo Dom José Rodrigues, a CPT continua até hoje na defesa da terra e territórios, sendo presença solidária junto aos camponeses e camponesas da região. Para celebrar essa longa caminhada, a Pastoral irá realizar o Seminário “CPT Juazeiro: 45 anos Semeando Esperança”, que acontecerá na Casa Dom José Rodrigues, localizada no bairro Piranga em Juazeiro.

O Seminário abordará a história e memórias da CPT, desde a sua criação aos desafios atuais. Na época em que a CPT foi criada, o Brasil vivia em plena Ditadura Militar. No Vale do São Francisco, poucas famílias dominavam os poderes políticos e econômicos. A região era marcada também por um grande número de posseiros/as e lutas pela posse da terra, que foram intensificadas com o início da construção da Barragem de Sobradinho. A obra realocou quatro municípios e expulsou 72 mil pessoas de suas casas. Sem organizações formais, as comunidades eram obrigadas a criar alternativas de resistências.

Fotos: Arquivo CPT

“Havia todo um desespero e insegurança das famílias que estavam sendo expulsas de seus territórios. Foi muita tensão, sofrimento e mudanças no jeito de viver, na cultura local, questões ambientais… Com a chegada de Dom José Rodrigues, toda a Diocese ficou a serviço para apoiar as famílias que estavam nessa situação. A partir disso, o bispo provocou a criação da CPT na região. A Comissão foi criada para dinamizar esse trabalho”, comenta Marina Rocha, agente pastoral da CPT Juazeiro.

A CPT buscou ser presença junto às populações atingidas pela Barragem de Sobradinho e, posteriormente, por outras barragens, grilagens de terra e projetos de irrigação. Também apoiou as comunidades na luta pela água/convivência com o Semiárido, e a se apropriarem de suas organizações – até então dirigidas por chefes políticos locais – e na criação de organizações e movimentos para o fortalecimento das lutas na defesa dos direitos.

Fotos: Arquivo CPT

Nesses 45 anos, a CPT tem apoiado as lutas das mulheres e homens do campo, das comunidades tradicionais de fundo de pasto, quilombolas, ribeirinhos/as, atingidos/as pela mineração e empreendimentos de energia, e atuado na defesa do rio São Francisco e no cuidado da Casa Comum. A Pastoral da Terra tem sido presença nas lutas por direitos e vida digna, valorizando o protagonismo dos/as camponeses/as, das mulheres e juventudes.

Nessa longa trajetória junto aos povos e na defesa dos territórios, o enfrentamento aos chamados “projetos de desenvolvimento” tem perpetuado toda a caminhada da CPT, afirma Marina Rocha. De acordo com a agente pastoral, essa é uma luta que a cada dia apresenta uma face nova. “As comunidades camponesas continuam com seus territórios ameaçados, a terra ainda está concentrada na mão dos latifundiários. Cada vez mais aumenta a grilagem e as formas de grilar a terra. Antes, quem grilava a terra eram os fazendeiros locais, hoje são empresas de outros países. É uma luta contra o capital, que conta com o apoio do Estado”, ressalta.

Fotos: Arquivo CPT

Sementes de esperança: direitos, protagonismos e solidariedade

Para comemorar os 45 anos de serviço e missão na Diocese de Juazeiro, a CPT está celebrando as sementes de esperanças plantadas ao longo de todos esses anos. “Uma das sementes que tentamos semear foi discutir com as comunidades que elas são dignas, portadoras de direitos, e por isso elas devem ser respeitadas. Nenhuma organização, nenhum empreendimento, nenhum governo pode chegar nessas comunidades desrespeitando os direitos delas”, comenta a agente pastoral Marina Rocha.

Outra semente propagada pela CPT é de que as comunidades são as protagonistas das lutas, elas são capazes de perceber o que é melhor para elas e a Pastoral deve favorecer esse protagonismo. A solidariedade é outra semente que a Pastoral buscou semear em todos esses anos. “A CPT, além de ser presença, vai buscar o apoio para que as comunidades consigam resistir e serem vitoriosas em suas lutas, divulgando e incentivando outros grupos a apoiar os povos da terra e das águas”, destaca Marina.

Fotos: Arquivo CPT

Programação

O Seminário “CPT Juazeiro: 45 anos Semeando Esperança” será realizado na Casa Dom José Rodrigues, localizada no bairro Piranga em Juazeiro, no dia 12 de novembro, das 9h às 18h. Respeitando os protocolos de prevenção à covid-19, o evento reunirá trabalhadores/as rurais, representantes de organizações camponesas e entidades parceiras que fizeram e fazem parte da história da CPT e das lutas pela terra e território na região.

Também na sexta-feira (12), às 16h, acontecerá uma Live que será transmitida pelo canal do Youtube e página do Facebook da CPT Bahia. A Live contará com celebração eucarística, presidida pelo bispo diocesano Dom Beto Breis, apresentações culturais e participações musicais de Roberto Malvezzi (Gogó) e Manassés. Ascom.